Giras aos sábados, às 16:00h. Uso de máscara recomendado, em caso de sintomas de gripes e resfriados
Por tradição, no Rito de Abertura dos trabalhos na linha de Esquerda, saudamos os Orixás relacionados à transformação/evolução das almas. A morte é uma evolução, assim como a cura - ambas podem vir da mesma fonte: a doença. Na condição humana, a única certeza que temos é de que morreremos - nos transformaremos para evoluir. Dessa forma, como a linha de esquerda trabalha ligada à evolução/resgate/transformação de almas - que morreram para um plano e vão renascer em outro, é um preparo para os Exús realizarem seus trabalhos, também de evolução e resgate, já que também, pela tradição de nossa ancestralidade na Umbanda, os Exús tem falanges nas linhas de Omulú/Obaluaê/Nanã, linha das almas - presentes em todas as dimensões.
Nanã, também conhecida como Nanã Buruquê, é uma das mais antigas divindades cultuadas nas religiões de matriz africana, relacionada à ancestralidade, à sabedoria, ao amadurecimento, à transformação profunda e aos grandes ciclos da existência. Sua força evoca o sentido de que tudo possui seu tempo para nascer, desenvolver-se, transformar-se e, finalmente, retornar à origem.
Sua força encontra-se na união entre terra e água, especialmente nas águas paradas, lagos, águas profundas, pântanos, brejos e regiões de lama, onde esses dois elementos se misturam e dão origem ao barro, matéria fértil e transformadora, capaz de acolher e gerar vida.
Nos mitos da criação, Nanã está ligada à própria matéria primordial da vida. Em uma conhecida narrativa, quando Oxalá recebe a missão de criar os seres humanos, Nanã lhe fornece a lama com a qual os corpos são modelados. Ao final da existência, porém, essa matéria deve ser devolvida à terra. Dessa forma, Nanã participa simbolicamente dos dois extremos da jornada humana: a matéria da qual o corpo nasce e a terra à qual ele retorna, reunindo em seu mistério nascimento, vida, morte e renovação.
Por sua antiguidade, Nanã é representada pelo arquétipo da Grande Anciã, senhora de uma sabedoria construída pelo tempo e pela experiência. Sua energia está relacionada à paciência, à maturidade, à introspecção e à compreensão dos ciclos naturais da vida. Ensina que nem tudo pode ser apressado: algumas transformações exigem tempo, silêncio, amadurecimento e aceitação.
Essa ancestralidade também pode ser expressa corporalmente: o médium tende a assumir uma postura curvada, baixa e de movimentos lentos e pesados, podendo permanecer agachado ou próximo ao chão. Essa forma de manifestação remete simbolicamente tanto à velhice e antiguidade de Nanã quanto à sua profunda ligação com a terra, a lama e a matéria primordial da qual a vida se origina e à qual retorna.
Saudação: Saluba Nanã (Significado: "Nos refugiamos em Nanã” ou “Salve a senhora/mãe do poço, da lama, das águas pantaneiras").
Sincretismo: Santa Ana
Data de Comemoração: 26 de julho
Violeta ou roxa.
Alimentos: Ameixa escura, figo roxo, uva escura, melão, mamão, sagu de vinho/suco uva escura, arroz, batata doce roxa e beterraba.
Ervas: Manjericão, alfazema, assa peixe, camomila/flor e mentruz
Flores: Manacá da serra, violetas, hibisco, flores brancas,
Bebidas: Água mineral.
Obaluaiê, também conhecido como Omulu, é um antigo Orixá relacionado à terra e aos mistérios da vida, da doença, da cura, da morte e da transformação.
O nome Obaluayê relaciona-se à ideia de “Senhor/Rei da Terra”, enquanto que Omolu é tradicionalmente interpretado a partir de Ọmọ-Olú, ou “filho do Senhor”. Na nossa casa, entendemos Obaluaiê como a forma mais jovem, enquanto Omolu é a forma mais velha e sábia. Sua saudação (Atotô!) é um pedido de silêncio e reverência diante de seus mistérios.
Obaluaiê carrega uma profunda dualidade: aquele que traz a doença é também aquele que conhece a cura. Por isso, seus domínios não se restringem à morte. Ele representa os ciclos pelos quais algo precisa adoecer, perecer ou chegar ao fim para que possa haver transformação e renovação. Está ligado à fragilidade do corpo, às enfermidades, à cura, à passagem entre a vida e a morte e à própria impermanência da existência.
Sua ligação com a terra reforça esse mistério: é nela que a vida germina e é também a ela que o corpo retorna ao final de sua existência. Dessa forma, Omulu nos recorda que nascimento, crescimento, decadência, morte e renovação fazem parte de um mesmo ciclo.
Uma de suas imagens mais características é a vestimenta de palha-da-costa, que cobre seu corpo e seu rosto. A palha envolve simbolicamente o mistério, aquilo que não deve ser revelado ou encarado de maneira leviana, e também remete à sua profunda ligação com a terra. Outro importante símbolo é o xaxará, seu instrumento ritual, tradicionalmente confeccionado com fibras vegetais e associado à movimentação de suas forças de cura e transformação.
Sua força rege o momento em que aquilo que cumpriu sua trajetória deve chegar ao fim, permitindo que um novo ciclo possa se iniciar.
Este Orixá representa a grande transição, a grande passagem, é ele quem nos ajuda a passar, a crescer, evoluir nas mudanças. Por isso, sua "flor" é a pipoca, pois consiste no grão de milho que se transforma em outro elemento, representando essa natureza transformadora.
Saudação: Atotô (Significado: "silêncio")
Sincretismo: São Roque e São Lázaro
Data de Comemoração: 16 de agosto
Branca ou Bicolor - branca e preta
Alimentos: pipoca, azeite de dendê, mel, água, figo
Flores: bromélias, cravo e cravina, trapoeraba, quaresmeira e crisântemo.