Giras aos sábados, às 16:00h. Uso de máscara recomendado, em caso de sintomas de gripes e resfriados
Os Exus e Pombagiras na Umbanda são entidades que trabalham nossa energia emocional, nosso inconsciente, nossas sombras interiores, dificuldades, vícios, inseguranças, dores, frustrações, mas também nossos estímulos, talentos, desejos e virtudes.
É dito que são os espiritos que mais se assemelham a nós, encarnados, por atuarem como espelhos da alma, refletindo nossa imagem interior, trabalhando nossa introspecção de forma a nos auxiliar no autoconhecimento, para enxergarmos e entendermos tanto nossos defeitos quanto nossas qualidades.
São também considerados guardiões dos templos, das casas, das pessoas e do que é sagrado, como os mistérios dos Orixás e, por isso, são vistos como protetores dos nossos caminhos. São também os mensageiros do mundo terreno com o mundo divino.
Exus e Pombagiras também atuam na manipulação e transmutação de energias densas, trabalhando na proteção, no descarrego e na quebra de demandas e influências espirituais negativas. Por transitarem por diferentes campos e lidarem diretamente com aspectos mais densos da experiência humana e espiritual, são capazes de identificar, movimentar, neutralizar e encaminhar essas energias, restabelecendo o equilíbrio e protegendo pessoas e espaços. Essa capacidade está diretamente relacionada à sua função de guardiões, que não apenas defendem, mas também vigiam limites, organizam fluxos e impedem que determinadas influências ultrapassem aquilo que deve ser protegido.
São dinâmicos, joviais e podem ser muito extrovertidos, atuando no campo emocional, nos ajudando a lidarmos com nossas sombras por meio da alegria, do bom humor e da descontração. Porém, sabem ser firmes e diretos quando preciso.
Na forma astral, esses espíritos se apresentam vestidos nas cores preta e/ou vermelha e usam diversos elementos para caracterizar sua área de atuação (ler Simbolismo abaixo).
Na sua forma mais jovial, temos os Exús Mirins e Pombagiras Meninas, que completam a trindade da Esquerda e podem ser compreendidos como seres encantados ou elementais, duais, que atuam no campo das intenções, também trabalhando para descomplicar situações.
É importante diferenciar Exu/Èṣù Orixá de Exu Entidade. Na tradição iorubá, Èṣù (Exu) é uma divindade, sendo cultuado como Orixá em religiões de matriz africana, como o Candomblé, onde podem manifestar-se através de seus filhos. Já os Exus Entidades são espíritos trabalhadores da Umbanda, pertencentes às falanges da Esquerda e manifestados através da incorporação mediúnica. Assim, embora compartilhem o mesmo nome e possam apresentar aproximações simbólicas, na prática religiosa são manifestações espirituais distintas.
Na tradição iorubá, Exu é o grande mensageiro e mediador entre o Orum (mundo espiritual) e o Ayê (mundo material), possibilitando a comunicação entre os seres humanos, os Orixás e o sagrado. Essa comunicação não se limita à palavra: significa também movimento, mediação, troca e circulação do axé, pois Exu traduz, leva e traz as mensagens, faz as forças transitarem entre diferentes mundos e caminhos. Por isso, exu é tradicionalmente saudado primeiro, para que a comunicação entre mundos e a circulação do axé possam se estabelecer, pois está profundamente associado à comunicação, à boca, à fala, à linguagem e às diferentes formas de expressão humana.
Saudação: Laroyê! | Exú é Mojubá!
Laroyê! → Salve Exu!
Exu é Mojubá! → A Exú, minha reverência; meus respeitos.
Sincretismo: Santo Antônio
Data comemorativa: 13 de junho
FALANGES E REINOS
Assim como ocorre com outras linhas de trabalho da Umbanda, Exús e Pombagiras organizam-se espiritualmente em diferentes falanges, que reúnem entidades por afinidade vibratória, campos de atuação, características e fundamentos em comum. Por isso, mesmo tendo o mesmo nome ou identificação, não se tratam do mesmo ou de um único espírito: podem designar grandes falanges, dentro das quais trabalham diferentes entidades que compartilham determinados mistérios e formas de atuação.
Essa organização não é uma classificação única e universal. As falanges, suas subdivisões e seus campos de trabalho podem variar. Uma mesma falange pode apresentar diferentes desdobramentos: encontramos, por exemplo, denominações como Maria Padilha das Almas, Maria Mulambo da Encruzilhada ou entidades da Calunga, indicando também o campo vibratório em que aquele espírito atua.
Os nomes pelos quais Exus e Pombagiras se apresentam podem identificar tanto uma entidade individual quanto uma falange ou família espiritual, reunindo diversos espíritos ligados por afinidades de trabalho, vibração e fundamento. Por essa razão, nomes e classificações podem variar conforme a tradição de cada terreiro.
Exemplos de falanges:
Exú: Capa Preta • (João, Tatá) Caveira • Gira Mundo • da Lira • do Lodo • Marabô • Mangueira • Maré • da Meia Noite • Morcego • Pimenta • Pinga Fogo • Rei • Tranca-Ruas • Treme Terra • Tiriri • 7 Encruzilhadas • 7 Catacumbas • Veludo (...) e muitos outros;
Pombagira: Cigana • Dama da Noite • Dona Figueira • Maria Farrapo • Maria Quitéria • Maria Mulambo • Maria Navalha • Maria Padilha • Menina • Sete Saias • Rainha • Rosa Caveira • Rosa Vermelha • (...) e muitas outras.
Além das falanges, Exús e Pombagiras são associados a diferentes reinos ou campos de atuação espiritual, representados simbolicamente por lugares de passagem, transformação e força da natureza ou da experiência humana. Entre eles encontram-se as Encruzilhadas, Almas, Calunga/Cemitério, Cruzeiros, Matas, Estradas, Praias e Lira/Cabaré.
Esses lugares não devem ser compreendidos apenas em seu sentido físico. A Encruzilhada, por exemplo, representa encontro, escolha, movimento e abertura de possibilidades; as Almas relacionam-se à consciência, ancestralidade, auxílio e encaminhamento espiritual; a Calunga ou Cemitério, aos mistérios da morte, transformação, desapego e renovação; as Estradas, ao movimento e aos caminhos da vida; e as Matas, às forças da natureza.
A chamada Lira, frequentemente relacionada em algumas tradições à boemia, à vida noturna e ao Cabaré, aproxima-se dos aspectos humanos ligados aos relacionamentos, desejos, prazeres, liberdade, autoestima e experiências da vida social. Nesse contexto, o Cabaré é uma representação simbólica de espaços historicamente ligados à noite, à música, à dança, aos encontros e às pessoas colocadas à margem das convenções sociais.
É importante compreender que essas denominações são exemplos de campos trabalhados aqui na Casa, mas que não formam um catálogo fechado. A Umbanda é uma religião marcada pela tradição oral e pela diversidade entre casas.
SIMBOLISMO
Vitalidade e mistério | neutralidade e absorção.
É o lugar onde caminhos se cruzam e novas direções podem ser tomadas. Simboliza a escolha, o movimento, comunicação, abertura e fechamento de caminhos. A relação de Exu com encruzilhadas é muito antiga e antecede até a própria Umbanda.
Encontro e passagem. Pode representar o cruzamento entre caminhos e dimensões espirituais, sendo simbolos usados especificamente pelas entidades das falanges relacionadas às Almas e à Calunga.
Símbolo de poder, domínio e direcionamento, sincretizado com Exú. Enquanto o tridente de Exú apresenta formas mais retas e angulares, associadas à firmeza, força e ação, o tridente de Pombagira possui formas curvas e arredondadas, relacionadas ao magnetismo, à sensibilidade e à energia feminina.
Movimento e liberdade de escolha. Lembra que cada decisão conduz a uma direção e produz consequências.
Exú guarda e passagem, os portais, o que/quem entra e o que/quem sai. No contexto de Portão de Cemitério, simboliza o limiar, a fronteira entre espaços e estados distintos.
Ancestralidade, passagem, transformação e finitude. É um campo relacionado à morte e aos ancestrais, mas também à transformação: aquilo que termina para que outra condição possa surgir.
Abrir e fechar caminhos. Representa acesso, oportunidade, proteção e também a capacidade de impedir a passagem daquilo que não deve entrar.
Fechamento, proteção e limites. Se a chave abre, o cadeado impede o acesso. Simbolicamente representa fechar caminhos nocivos, resguardar aquilo que precisa ser protegido e estabelecer limites.
Simbolizam o mistério, a introspecção e o oculto. Conexão com a meia-noite, o momento de passagem e transição, quando um ciclo se encerra para que outro possa começar.
Vigilância, anúncio e passagem entre ciclos. O canto do galo anuncia a mudança da noite para o dia.
Proteção, autoridade e mistério.
Elegância, autoridade e domínio de si. Ligada às ruas e à vida urbana. Também remete ao arquétipo do homem elegante, conhecedor das relações humanas e capaz de transitar por diferentes ambientes.
Corte, defesa e decisão. Simboliza a capacidade de romper demandas, cortar vínculos nocivos e separar aquilo que precisa ser separado. Também representa firmeza para tomar decisões e estabelecer limites.
Finitude, ancestralidade e transformação. Recorda a morte como parte do ciclo da existência e a transformação inevitável da matéria.
Transformação, vitalidade e transmutação. O fogo aquece, ilumina, movimenta e transforma aquilo com que entra em contato.
Fundanga é o termo de origem bantu para a pólvora, que é usado para quebra rápida de demandas, miasmas, bloqueios espirituais, limpeza e desobsessão. Simboliza o estopim de uma força de rompimento.
O charuto é normalmente pelos Exús, enquanto que o cigarro e/ou a cigarrilha é usado pelas Pombagiras. Ambos atuam como defumadores individuais, ativando as propriedades naturais e espirituais do tabaco, que absorvem e quebram energias negativas. Enquanto o fumo do charuto é mais denso, forte e rústico, adequado para lidar com demandas pesadas, cortes de energias obsessoras e proteção, a fumaça do cigarro/cigarilha é mais leve e ágil.
O álcool fermentado (aguardente), além de simbolizar purificação e limpeza, está ligado ao fogo, simbolizando transmutação e também à volatilidade, a evaporação rápida, sobretudo quando Exú sopra o marafo no ar, ativando as propriedades da cana-de-açúcar, que alimentam e ativam seres elementares que trabalham sob o comando de Exú.
Beleza, vitalidade, amor-próprio e força feminina. O Pai Maneco a destaca como talvez o elemento que melhor expresse a energia da Pombagira: a rosa reúne beleza e espinhos, acolhimento e capacidade de defesa.
Autoconhecimento, imagem e autoestima. Simbolicamente convida a olhar para si, reconhecer o próprio valor e também confrontar ilusões sobre si mesmo.
Símbolo da feminilidade, receptividade, prazer e celebração.
Presença, magnetismo e autoestima. Relaciona-se ao cuidado consigo, se autovalorizar.
AMALÁ • ERVAS • ELEMENTOS
Alimentos: farofa de milho, pimenta (dedo de moça, biquinho, etc);
Bebidas: cachaça, conhaque e whisky.
Ervas: folhas de mamona, de limoeiro, de aroeira e salsão;
Flores: antúrio, cravo vermelho;
Elementos: cigarro ou charuto.
Alimentos: farofa doce, frutas vermelhas (ameixa, maçã, morango, cereja, amora), frutas roxas (mirtilo, uva, figo). Pode ser oferecido sagu de uva escura;
Bebidas: vinho branco/rose e champagne;
Ervas e Flores: flores e rosas (brancas, amarelas e vermelhas);
Elementos: cigarro ou cigarrilha.
Alimentos: Farofas (mesmas servidas a Exu e Pomba Gira), cacau (chocolate, cacau em pó ou o fruto), pimenta dedo de moça;
Ervas: folhas de limoeiro.