Título do Barão de Almeida Lima. Archivo Nobiliarchico Brasileiro.
Quem foi o Barão de Almeida Lima?
Manuel Bernardino de Almeida Lima, conhecido como Barão de Almeida Lima, nasceu em 5 de fevereiro de 1808, na cidade de Porto Feliz (SP). Vinha de uma tradicional família de produtores de café e açúcar da região de Itu. Era filho do Alferes Bernardino José de Camargo e de Constantina Maria, filha do Capitão Lourenço de Almeida Lima.
Em 1830, casou-se com sua prima, D. Anna Cândida de Arruda, que também pertencia a uma família influente da época. Seguindo os passos de seus antepassados, Manuel Bernardino se dedicou à lavoura de cana-de-açúcar e à produção de açúcar. Mais tarde, já instalado na cidade de Capivari, passou a cultivar também o café, na Fazenda Alto Retiro.
Na época do auge da economia cafeeira, era comum que os fazendeiros construíssem casas na cidade, próximas à vida social e política. Assim, em 1852, ele comprou um imóvel ainda em construção, próximo à Igreja de São João Batista, no centro de Capivari. A casa foi finalizada por ele e passou a ser sua residência urbana.
Em 1864, recebeu o título de major da Guarda Nacional e, em 1885, foi nomeado Barão do Império por decreto imperial. A concessão do título está relacionada à construção de uma escola pública em Capivari, conhecida como o “Coleginho”.
Da residência ao hotel: outros usos da casa
Sem ter filhos, o Barão de Almeida Lima doou a casa em 1889 para Emília Augusta de Souza Campos, como consta na matrícula do imóvel registrada em cartório.
Após a morte do Barão, em 13 de julho de 1892, o imóvel passou a ser alugado para o imigrante italiano Luigi Corazza, que instalou ali um hotel no ano de 1910. Essa informação foi confirmada por uma nota publicada no jornal Gazeta de Capivary, de 23 de março de 1911, onde o hotel aparece na lista de assinantes da então nova Empreza Telephonica de Capivary.
Conhecido como “Hotel dos Viajantes”, o local se tornou ponto importante da cidade. Em 1918, por exemplo, foi cenário da fundação do Partido Democrata em Capivari, durante uma reunião presidida por Israel Pires do Amaral e secretariada por Horácio Correia de Toledo.
Acredita-se que o hotel tenha funcionado até o início da década de 1930. Em 1932, o imóvel foi comprado pelos irmãos Lembo, também imigrantes italianos.
Mesmo após o encerramento das atividades do hotel, a casa continuou a fazer parte da vida pública local. Em 1936, por exemplo, o proprietário da época, Luigi Lembo, abriu as portas da casa para uma celebração cívica que comemorava o fim da guerra entre Itália e Etiópia.
Lista de Assinantes da Empreza Telephonica de Capivary na Gazeta de Capivary, 23031911, p.3. Acervo Biblioteca João Batista Prata.
Família Lembo
No final do século XIX, como muitos imigrantes italianos, os irmãos Luiz, Francisco, Nicola e Vitor Lembo chegaram ao Brasil em busca de novas oportunidades. Escolheram a cidade de Capivari para construir suas vidas.
Em 1889, os irmãos adquiriram o imóvel que havia pertencido ao Barão de Almeida Lima e, posteriormente, à senhora Emília Augusta de Souza Lima. Luiz Lembo comprou as partes dos irmãos Nicola e Francisco, e passou a morar no local com sua esposa Emília Donati Lembo, formando ali a sua família. Ao lado da casa, Luiz abriu um pequeno comércio, que ajudava no sustento do lar.
O casal teve quatro filhas, sendo que duas, Ângela Joceli e Rosa Maria, faleceram ainda na infância. As outras duas, Maria Rosa Lembo Duarte e Ângela Lembo, cresceram na casa da família. Ângela, nascida em 1934, tornou-se professora primária e se casou, em 1954, com o também professor Aldo Silveira. Juntos, dedicaram-se ao magistério e atuaram fortemente na valorização do ensino gratuito e na criação de cursos superiores em Capivari.
Ângela e Aldo continuaram morando no casarão dos Lembo e criaram ali seus cinco filhos: Emilia Maria, João Pedro (in memoriam), Aldo Luis, Renato e Marcelo.
Segundo relatos de Renato Lembo Silveira, o casarão era um espaço de convivência intensa, com festas familiares, jardim na frente, árvores frutíferas no quintal e um poço ao centro. Uma única modificação foi feita: a antiga varanda dos fundos foi fechada, dando lugar a um corredor com janelas. O imóvel permaneceu praticamente inalterado até seu tombamento como patrimônio em 1975.
Após o falecimento de Aldo em 1986 e com os filhos deixando a casa, Ângela permaneceu no local até 2009. Já idosa, ela enfrentava dificuldades para cuidar do imóvel, que se tornara grande e exigia muitos reparos. Mesmo com tentativas da família de restaurá-lo e conservar a casa com recursos próprios, os custos eram altos e o apoio do poder público foi limitado.
Com o tempo, a residência foi se deteriorando e ficou desabitada por mais de uma década. Em um gesto de respeito à memória da família e à história da cidade, a casa foi oficialmente doada ao município em 13 de setembro de 2021, com o desejo de que sua história continue sendo preservada e compartilhada com as futuras gerações.
Loja Lembo. Acervo Museu Histórico Pedagógico Dr. Cesário Mota Jr.
Aldo Silveira. Acervo da família Lembo.
Angela Lembo. Acervo da família Lembo.