Casa do Barão Almeida Lima. Acervo Processo Condephaat 07852.
A Casa do Barão de Almeida Lima é uma construção do século XIX, feita em alvenaria de tijolos — provavelmente fabricados em Campinas por Sampaio Peixoto, a partir de 1870. O projeto arquitetônico segue um modelo tradicional, com o edifício posicionado no alinhamento do lote de esquina, entrada lateral e um grande jardim ao lado. A planta é retangular, térrea, com um porão baixo para ventilação. A cobertura possui um pequeno beiral, finalizado por cimalhas, e as janelas são do tipo guilhotina, em madeira e vidro.
Esse tipo de arquitetura buscava manter uma ligação com o ambiente rural, mesmo nos centros urbanos, com amplos jardins e pomares laterais.
O pedido de reconhecimento da Casa do Barão como patrimônio histórico e arquitetônico foi enviado ao CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), em 3 de fevereiro de 1969, pelo Professor Vinício Stein Campos. No documento, o professor relata que a construção teria sido iniciada em 1842 por Antônio Pires de Almeida Moura, um dos fundadores de Capivari, falecido em 1852 antes de concluir a obra. Posteriormente, sua viúva, Gertrudes de Araújo Campos, vendeu o imóvel inacabado para Manuel Bernardino de Almeida Lima — político influente e proprietário de terras produtoras de cana-de-açúcar e café — que finalizou a construção e passou a residir no local.
Inicialmente, acreditava-se que a técnica usada era a taipa de pilão, mas essa informação foi corrigida pela equipe técnica do CONDEPHAAT. O arquiteto Carlos Lemos, responsável pelo parecer técnico, confirmou que as paredes eram de tijolos e não de taipa, como se pensava:
Vimos tijolos grandes, de cor rosa esbranquiçada, até os fundos, sob o puxado em tacaniça, até a parede da fachada principal. Tijolos campineiros de Sampaio Peixoto, que os produziu a partir de 1870. Nesse período, a taipa ainda era marca de status e poder econômico da classe dominante.
Lemos também comenta sobre a resistência dos paulistas em abandonar a taipa de pilão, que permaneceu como técnica "nobre" até o fim do século XIX. Foi com a expansão do café que a alvenaria de tijolos começou a se popularizar, trazendo mudanças significativas à construção civil da época.
A cultura cafeeira demandava novas estruturas — como muros de arrimo, canais, aquedutos, tanques e rodas d’água —, o que incentivou a construção de olarias nas próprias fazendas. Junto com a alvenaria, chegaram também as serrarias a vapor, que permitiam cortes mais precisos da madeira, além da importação de cimento e a contratação de pedreiros estrangeiros, principalmente italianos.
A Comissão Técnica do CONDEPHAAT considerou a casa um importante documento arquitetônico de transição: da técnica tradicional da taipa ao ecletismo trazido pelos imigrantes, impulsionado pela cultura do café em São Paulo.
Paredes de taipa. Acervo ATI+AC Projeta.
Paredes de taipa. Acervo ATI+AC Projeta.
Por fim, para esclarecer a divergência sobre a técnica usada na construção, o arquiteto Carlos Lemos afirmou, em parecer datado de 8 de maio de 1974 (Informação nº 46/74), que embora tenham sido identificadas três paredes em taipa de pilão nos porões da ala de serviço, essas estruturas foram provavelmente reaproveitadas da construção anterior, como forma de economizar tempo e recursos nas fundações.