Educar para Pertencer
Atividades Educativas
Atividades Educativas
Esta seção reúne propostas educativas voltadas à valorização do patrimônio cultural e à preservação da memória coletiva. As atividades foram pensadas para estimular o pertencimento, a escuta de histórias, o reconhecimento de saberes locais e o fortalecimento dos vínculos comunitários com seus territórios. Podem ser desenvolvidas em escolas, espaços culturais e outros contextos educativos, contribuindo para a formação cidadã e o cuidado com a história viva de cada lugar.
Adonyi Gábor. Acervo Pexels.
Vamos descobrir quantas histórias um objeto pode nos contar? Com esta atividade, convidamos os estudantes a explorar objetos antigos – da família, da escola ou da comunidade – e pensar sobre os tempos a que pertencem, como eram usados, e o que revelam sobre modos de vida.
Objetivo
Fazer com que os alunos pensem a respeito da história que os objetos contam ou que podem ser contadas por meio de sua observação.
Desenvolvimento
1. Escolha alguns objetos que apresentem peculiaridades de uma época, que contam sua história ou de sua família, por exemplo: roupas antigas e atuais, adereços de cabelo, discos, utensílios de cozinha, aparelhos elétricos ou eletrônicos, rádio de pilhas, fotos em preto-e-branco ou outro objeto cuja utilidade, hoje em dia, os alunos não conheçam.
2. Convide-os para sentar em roda, pois esse tipo de organização da sala garante que todos olhem para quem fala, em uma posição confortável. Estabeleça a seguinte conversa:
a. Gostaria que pensassem a respeito do que eu trouxe, depois de tocar, sentir o cheiro, observar os materiais, as formas e os tamanhos. Como supõem que foram confeccionados? O que sabem ou imaginam sobre cada um? Você tem algo parecido em casa?
b. Por que acham que escolhi esses objetos?
3. Ressalte a história que está sendo contada enquanto tentam caracterizar cada objeto e enfatize que durante a observação vão investigar cada detalhe. Procure acrescentar informações à medida que os alunos expõem suas ideias. No entanto, espere que elas investiguem, falem, levantem hipóteses a respeito dos objetos, para, sem seguida, você contar detalhes em cada narrativa.
Sugestão de filme
O Menino e o Mundo (2013, Alê Abreu) – Uma animação poética sobre memória, tempo e transformação.
Sugestão de livro
O Mundo de Sofia (Jostein Gaarder) – Embora seja sobre filosofia, estimula o olhar curioso e reflexivo sobre objetos e ideias.
Fotografia: objeto real e representação da realidade
Afinal, o que é uma fotografia? Um objeto? Uma memória? Uma imagem? Essa atividade propõe discutir com os estudantes o que é representação, ajudando a distinguir entre o que vemos na imagem e o que ela significa.
Objetivo
Sistematizar a noção de representação e promover condições para o reconhecimento e distinção entre o objeto de representação e o objeto representado.
Encaminhamento
Apresente ao grupo uma fotografia selecionada por você. Essa fotografia poderá ser copiada para distribuição em grupo ou ser projetada para que toda possa vê-la. É importante que foto esteja relacionada ao tema das disciplinas de Arte, História ou Geografia. Isso atribuirá maior sentido à atividade. A fotografia poderá ser extraída de jornais, de revistas, de uma busca na internet.
1. Mostre a fotografia aos alunos e faça perguntas sobre ela. Como sugestão, você poderia perguntar: “O que vocês estão vendo aqui?”.
2. Anote em uma metade da lousa as respostas e estimule todos a participar. Os alunos poderão responder que se trata de uma foto ou falar do contexto que ela retrata. Nesse momento, evite nomear o objeto apresentado como “foto” ou “fotografia”, para que os alunos não sejam induzidos a dar ou abandonar respostas por um suposto grau de obviedade. O que interessa agora é separar duas coisas: a fotografia é ao mesmo tempo um objeto real e uma representação da realidade.
3. Converse com os alunos sobre isso: como a representação, a foto não é o que representa. Por exemplo, a foto pode ser de uma casa, de uma pessoa, de uma paisagem natural, mas não é, em si mesma, nenhuma dessas coisas. Ela não é a casa, a pessoa ou a paisagem. Pode-se dizer que ela representa essas coisas, porém essas coisas têm uma existência e uma realidade para além do que é apresentado na fotografia. Nesse sentido, a fotografia é uma representação. No entanto, a fotografia também é uma coisa, diferente do que ela representa. É um objeto de arte, uma foto, um pedaço de papel que traz uma informação visual sobre algo que não é ela propriamente.
4. Feita essa conceituação, peça aos alunos que ajudem você a colocar em ordem as respostas que foram dadas. Para isso, divida a outra metade da lousa em duas partes: uma delas para as respostas que conceituaram a foto levando em conta os aspectos ligados a sua existência como objeto real e a outra para as respostas que trataram a foto como base nos elementos representados nela. Dividindo o quando em duas colunas, os alunos perceberão que a foto, assim como outros objetos, tem uma existência dupla: como realidade (objeto) e representação (de algo).
5. Durante a discussão, oriente os alunos para que não se preocupem em copiar o que está sendo anotado na lousa. Eles devem se ater à aula e participar dela com suas sugestões.
Com base na discussão realizada, explique o que é representação. Para uma resposta completa, não deixe de usar em explicação os termos “objeto real” e “objeto representado.
Feita esta atividade, os alunos já terão condições de distinguir a representação do representado. No entanto, como já dito, o objeto não é portador exclusivo de construção de representações. A condição social, o momento histórico e a posição espacial do observador também interferem no significado dos objetos.
Sugestão de filme
Janela da Alma (2001, João Jardim e Walter Carvalho) – Um documentário que explora a forma como enxergamos o mundo.
Sugestão de livro
O Olho da Rua (Érico Veríssimo) – Contos curtos com forte teor visual e simbólico.
Kader D. Kahraman. Acervo Pexels.
Alex Quezada. Acervo Pexels.
Os lugares se comunicam
Será que os lugares "falam"? O que uma fachada, um objeto ou uma sala podem nos dizer sobre quem mora ou trabalha ali? Esta atividade propõe investigar a identidade dos espaços.
Objetivo
Refletir sobre o que um lugar pode comunicar com relação a sua própria construção e a seu conteúdo.
Encaminhamento
1. Peça que os alunos recortem imagens de fachadas de diferentes lugares, como: casas de várias classes econômicas, supermercados, lojas, museus, hospitais, prédios oficiais, empresariais e de moradia, escolas, fábricas e outras.
2. Distribua as imagens que trouxeram para cada dupla. Peça que as duplas registrem, em forma de texto descritivo, como é a fachada do lugar retratado nas imagens que receberam. Na mesma folha, além da descrição, a dupla vai escrever sobre quem supostamente vive ou trabalha ali, como vivem ou trabalham e se o lugar é ou não uma moradia.
3. Organize os alunos em grupos e coloque as imagens a vista de todos, no centro da roda. Em seguida, peça que cada dupla leia seu texto para o grupo e, com base na descrição, o grupo tentará identificar as imagens à qual cada texto se refere.
4. Encaminhe um debate perguntando se é possível pensar que um lugar pode comunicar algo e o que? Pergunte se eles têm objetos em seu quarto que os identifique com seu jeito de ser. Será que os lugares podem ter suas próprias identidades.
Sugestão de filme
A Cidade é uma Só? (2011, Adirley Queirós) – Um olhar crítico sobre o espaço urbano e as desigualdades.
Sugestão de livro
A Invenção da Paisagem (Anne Cauquelin) – Para professores, uma reflexão sobre como olhamos e construímos paisagens culturais.