António Júlio Trigueiros
Os Vínculos de "Miguel Ferraz", 1º Senhor de Levandeiras, segundo António Trigueiros
Pedra de armas da Capela do Espírito Santo de Gouveia, fundada em 1568 em S. João de Vila Boa, Barcelos (de Francisco Gouvea S. Payo, instituidor do Vínculo do Espírito Santo de Gouveia ou do Covello, 1580) , representando num escudo peninsular, com chefe de linhas côncavas as armas de Gouvea (partido no I uma dobre-cruz acompanhada de seis besantes e boradura (Melo) e no II seis arruelas, 2,2,2 (Castro)).
1º O vinculo da Capela Velha, instituído pelo abade de Airão, Pedro Anes, e que Miguel Ferraz de Gouveia, nomeia no seu testamento de 1730, em sua filha D. Antónia Josefa de Gouveia Ferraz, casada com Diogo Freire de Caldas e Andrade, por ser de livre nomeação (ou seja não estar sujeito á norma de ter de passar por filho primogénito varão). Deste casal foi filho Diogo António de Caldas Ferraz Lobo, em quem seu avô Miguel nomeia, no referido testamento, o prazo de Levandeiras, mas que julgo o terá posteriormente perdido em favor de seu tio António de Gouveia Ferraz Lobo, provavelmente por ser bem vinculado, pois como sabe ficou para D. Josefa Antónia de Gouveia Ferraz Lobo (filha segunda deste último).
Deste vinculo da Capela Velha faria parte muito provavelmente a Quinta do Covelo, em Abade de Neiva e S. João de Vila Boa. De facto em 1871 aparece a quinta do Covelo a ser vendida pela trineta de D. Antónia, chamada D. Maria Rita de Almada Caldas Ferraz, e que foi Baronesa de S. Roque, pelo seu casamento, a D. Ana Clementina de Carvalho Amarante, de Barcelos. Em 1850, o pai da Baronesa, Luís Freire de Caldas Ferraz, numa escritura de emprazamento declarara ser "actual administrador do vincullo da Capella Velha do Covello cito na freguesia de S. João de Villa Boa" .
Imagem em madeira muito antiga dos Morgados do Espírito Santo
2º O vinculo do Espirito Santo de Gouveia, em S. João de Vila Boa, instituído por Francisco de Gouveia Sampaio, em 1580 (e cuja capela se achava já construída em 1568), e que como diz Felgueiras Gayo quando se refere a Miguel Ferraz de Gouveia "sucedeo no Morgado do Covello, que he de nomeação nos filhos". Este vinculo com a sua Capela ficou por força de lei por morte de Miguel, para o filho António de Gouveia Ferraz Lobo (o "perdulário") e deste passou para sua filha primogénita, D. Maria Luísa Ferraz de Gouveia Lobo Castelo Branco, casada na Quinta da Pena, em Maximinos, Braga, com Sebastião Xavier de Novais Furtado de Mendonça, os quais viveram nesta quinta e faleceram na Quinta do Hospital, em Remelhe (ele em 1756 e ela em 1764, antes de seu pai que se achava no Brasil e deve ter vendido pouco depois a Quinta do Hospital ao Dr. António de Matos e Silva, Juiz no Rio de Janeiro e senhor da Casa do Benfeito, em Barcelos). A filha deste casal D. Maria Teresa de Novaes Ferraz de Gouveia, casou ainda na igreja de Remelhe, em 1762, com José António de Faria e Sousa da Silveira, senhor das Casas do Seixo e da Loureira, em Gondarém, Vila Nova de Cerveira. Nos descendentes desta senhora se conservou este vinculo e Capela do Espirito Santo, vindo a ser vendido por Francisco de Sousa Cadaval Novais Ferraz (neto desta D. Maria Luísa) em 1875, a D. Ana Clementina de Carvalho Amarante e irmã (já senhoras da Quinta do Covelo, desde 1871). Na escritura de venda recomenda com muito empenho que se as compradoras vierem a demolir a Capela, devem trasladar á sua custa para a igreja paroquial, as ossadas dos antepassados que ali se acham sepultados, conservando os epitáfios das sepulturas.Estes bens devem ter sido vendidos por estas senhoras, pois nove anos mais tarde, em 1884, a capela do Espirito Santo é vendida de novo, por um novo proprietário, João Rodrigues e mulher, de Vila Boa, a Manuel Vieira Borges, da cidade do Porto, casado com D. Maria de Jesus Barros Freire. Falecendo Manuel Vieira Borges, em 1901, no Porto, ficaram senhores da Capela do Espirito Santo e da Quinta de S. João (antigo Casal da Estrada), seus filhos, D. Maria Helena, D. Maria Arminda, D. Maria José e Henrique Manuel Barros Vieira Borges. Nesta família se conserva até ao presente. A actual proprietária da Capela, D. Maria Manuela Ferraz de Ataíde Malafaia Baptista, casada com Luís Jorge Cabral Tavares de Lima, é sobrinha e afilhada de Henrique Manuel Barros Vieira Borges (neto de Manuel Vieira Borges e filho de Henrique Manuel, e de sua mulher D. Vitória Amélia), falecido em 1973 e de sua mulher D. Maria Beatriz Vaz Guedes Ataíde Malafaia Baptista (tia paterna e madrinha da actual proprietária, que ficou sua herdeira testamentária),falecidaem1984.
António Júlio Trigueiros
(21 de Junho de 2009)