O consumo de bebidas alcoólicas é bastante comum em diversas culturas e situações sociais. No entanto, quando falamos em saúde do coração, é importante entender que o álcool pode ter efeitos tanto imediatos quanto a longo prazo no sistema cardiovascular. Neste texto, vamos esclarecer como o álcool afeta o coração, desmistificar algumas crenças populares e ajudar você a fazer escolhas mais conscientes.
Sim. O consumo excessivo de álcool está relacionado a diversas doenças cardiovasculares, como:
Hipertensão arterial: o álcool pode elevar a pressão arterial, aumentando o risco de infarto e AVC.
Arritmias cardíacas: o consumo agudo, mesmo em pessoas jovens, pode desencadear arritmias, como a fibrilação atrial.
Cardiomiopatia alcoólica: o uso prolongado e excessivo pode enfraquecer o músculo do coração, levando à insuficiência cardíaca.
Aumento dos níveis de triglicerídeos: isso contribui para a formação de placas nas artérias (aterosclerose).
Além disso, o álcool pode interferir negativamente no controle de outras condições, como diabetes e obesidade, que também afetam o coração.
Essa é uma dúvida muito comum. O vinho tinto ficou famoso por conter substâncias como o resveratrol, um antioxidante presente na casca da uva. Estudos sugerem que o resveratrol pode ter um efeito protetor para o coração, mas as quantidades presentes no vinho são muito pequenas para causar benefícios significativos.
A American Heart Association (AHA) afirma que não há evidência suficiente para recomendar o consumo de vinho ou qualquer bebida alcoólica como forma de proteção cardiovascular. Ou seja, os possíveis benefícios do vinho tinto não justificam começar a beber por motivos de saúde.
Para a maioria das pessoas saudáveis, o consumo eventual e moderado pode não causar danos, especialmente se for acompanhado de um estilo de vida saudável (dieta equilibrada, exercícios físicos, controle do estresse e do sono). No entanto, é importante considerar que:
Algumas pessoas têm maior risco de efeitos adversos, mesmo com pequenas quantidades (por exemplo, portadores de arritmias, hipertensão ou doenças hepáticas).
Em pessoas que não bebem, não se recomenda iniciar o consumo de álcool com o objetivo de obter benefícios cardiovasculares.
Pacientes com doenças cardiovasculares diagnosticadas devem ser ainda mais cautelosos. O álcool pode:
Interagir com medicamentos (como anticoagulantes ou anti-hipertensivos)
Desencadear crises de insuficiência cardíaca
Provocar arritmias potencialmente graves
Nesses casos, a recomendação médica costuma ser de redução ou abstinência total, dependendo da gravidade da condição.
Jovens adultos costumam associar o álcool apenas a festas e momentos sociais. No entanto, o chamado "binge drinking" (consumo excessivo em curto período) pode provocar arritmias súbitas, quedas de pressão e até inflamações no músculo cardíaco, como a miocardite. Mesmo que os sintomas não apareçam de imediato, o uso frequente pode causar danos acumulativos.
Alguns sinais de alerta incluem:
Palpitações ou batimentos irregulares
Pressão alta de difícil controle
Cansaço frequente e falta de ar
Inchaço nas pernas
Dificuldade de dormir ou concentração
Se você apresenta esses sintomas e consome álcool regularmente, é importante discutir o tema com seu cardiologista.
O álcool, quando consumido com moderação e por pessoas saudáveis, pode não causar danos imediatos. Porém, o uso frequente ou excessivo representa um risco real e significativo para a saúde do coração. A ideia de que o vinho “faz bem” é superestimada e não deve ser motivo para iniciar ou manter o consumo alcoólico.
A melhor escolha sempre será um estilo de vida saudável e equilibrado, com foco na prevenção. E, claro, conversar com um médico é fundamental para entender os riscos individuais.
American Heart Association. Alcohol and Heart Health. Acesso em abril de 2025.
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de Prevenção Cardiovascular da SBC, 2022. Disponível em: https://www.portal.cardiol.br
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