A comunidade do Cacoal, situada na zona rural de Bragança, apresenta uma relação profunda e histórica com o meio ambiente. A natureza local, composta por rios, igarapés, vegetação nativa e áreas de cultivo, desempenha um papel fundamental na vida dos moradores, influenciando diretamente sua alimentação, saúde e modo de vida.
Os rios e igarapés da região são elementos centrais da paisagem natural do Cacoal. Esses ambientes funcionam como importantes fontes de alimento, especialmente por meio da pesca, atividade tradicional entre os moradores.
No entanto, relatos da comunidade apontam para impactos ambientais causados pela exploração inadequada das margens dos rios. A retirada de troncos, galhos e barreiras naturais — que servem como abrigo e local de reprodução para os peixes — compromete o equilíbrio do ecossistema aquático. Essas estruturas são essenciais para a manutenção da vida nos igarapés, pois oferecem proteção contra predadores e condições adequadas para o desenvolvimento das espécies.
Além disso, o desmatamento das margens, incluindo o corte de árvores como a verônica, contribui para a degradação ambiental. Essa espécie, além de sua função ecológica, também possui valor medicinal para a população local, o que reforça a importância de sua preservação.
A redução da vegetação e a exploração excessiva dos recursos naturais têm resultado na diminuição da quantidade de peixes, tornando a pesca cada vez mais difícil. Diante disso, os moradores destacam a necessidade de maior conscientização ambiental e do cumprimento de normas voltadas à proteção dos recursos naturais.
A biodiversidade da região é um dos principais patrimônios naturais do Cacoal. A comunidade mantém um vasto conhecimento tradicional sobre o uso de plantas medicinais, utilizadas no tratamento de diversas condições de saúde.
Entre as espécies mais utilizadas estão:
Mastruz, conhecido por suas propriedades no tratamento de contusões e problemas respiratórios;
Barbatimão, utilizado em banhos medicinais, especialmente para cuidados infantis;
Hortelã, amplamente empregado em chás e preparações caseiras;
Babosa, valorizada tanto por suas propriedades terapêuticas quanto por seu uso em cuidados estéticos.
Essas práticas demonstram a integração entre conhecimento tradicional e recursos naturais, evidenciando a importância da flora local para o bem-estar da comunidade.
Mastruz
Barbatimão
Hortelã
Babosa
A natureza do Cacoal também está diretamente ligada às práticas agrícolas desenvolvidas pelos moradores. A mandioca é uma das principais culturas da região, sendo cultivada a partir da maniva, que dá origem à planta.
O processo de produção envolve etapas tradicionais que respeitam o tempo da natureza. Após a colheita, a mandioca é colocada de molho por aproximadamente quatro dias, permitindo sua fermentação natural. Em seguida, passa por processos de lavagem, preparação e transformação, até se tornar farinha, um dos alimentos mais importantes da dieta local.
Esse ciclo produtivo é realizado de forma artesanal, geralmente em espaços conhecidos como casas de forno, e envolve conhecimentos transmitidos entre gerações, reforçando a conexão entre cultura e natureza.
Apesar da forte relação com o meio ambiente, a comunidade enfrenta desafios relacionados à conservação dos recursos naturais. A exploração excessiva, o desmatamento das margens dos rios e a redução da biodiversidade são questões que exigem atenção.
Os moradores reconhecem a importância de preservar os espaços naturais, especialmente os habitats dos peixes e as áreas de vegetação nativa. A conscientização ambiental surge como um elemento essencial para garantir a continuidade das práticas tradicionais e a segurança alimentar da população.
A natureza da comunidade do Cacoal é um elemento central de sua identidade. A interação entre os moradores e o meio ambiente revela um equilíbrio entre uso e preservação, baseado em conhecimentos tradicionais e práticas sustentáveis.
Proteger os rios, a vegetação e a biodiversidade local é fundamental para manter esse equilíbrio e assegurar que as futuras gerações possam continuar vivendo em harmonia com a natureza.
Pesquisa realizada pelos alunos do 7º Ano da Escola Miguel Gouveia — 2026.