Desafio
PROPOSTA: Realizar uma atividade, provocação ou questão para o grupo parceiro. Podendo ser uma reportagem, uma poesia, etc.
Desafio
PROPOSTA: Realizar uma atividade, provocação ou questão para o grupo parceiro. Podendo ser uma reportagem, uma poesia, etc.
No livro ‘A Identidade Cultural na Pós-Modernidade’ (1992), Stuart Hall aborda, nos capítulos 4, intitulado ‘Globalização’, e 5, ‘O Global, o Local e o Retorno da Etnia’, a temática da Globalização, compreendida como um fenômeno de integração econômica, social e cultural em escala mundial, e suas implicações nas identidades nacionais ao redor do globo.
Segundo alguns teóricos citados por Hall, o impacto desses processos globais manifesta-se, principalmente, no enfraquecimento das identificações tradicionais com a cultura nacional. Esse enfraquecimento contribui, por sua vez, para o fortalecimento de vínculos e lealdades culturais situados em níveis “acima” ou “abaixo” do Estado-nação. Dessa forma, ao serem colocadas acima do nível da cultura nacional, as identificações "globais" começam a deslocar-se e, algumas vezes, a apagar, as identidades nacionais.
Nesta obra, Stuart Hall destaca que em certa medida, as identidades nacionais são a representação de vínculos, lugares, eventos, símbolos e histórias particulares. Portanto, à medida em que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas pelo mercado global de estilos, lugares e imagens, pelas viagens internacionais, pelas imagens da mídia e pelos sistemas de comunicação globalmente interligados, mais as identidades se tornam desvinculadas - desalojadas - de tempos, lugares, histórias e tradições específicas e parecem "flutuar livremente" no globo.
No entanto, Hall argumenta que, ao lado do impacto “global”, há também um apreço pelo “local”, contrariando o contexto de homogeneização cultural, em que todas as culturas se tornariam cada vez mais semelhantes entre si. Além disso, no capítulo 6, intitulado “Fundamentalismo, Diáspora e Hibridismo”, o autor apresenta a tensão entre os conceitos de ’Tradição’ e ‘Tradução’. A ‘Tradição’ está relacionada aos costumes e hábitos de uma determinada cultura à um determinado tempo e lugar, vinculados às raízes culturais do indivíduo. Já a ‘Tradução’ diz respeito aos processos de adaptação e transformação das identidades diante de novas experiências e contextos culturais.
Ainda que o ‘Museu da Imigração Japonesa’ tenha como objetivo retratar a migração japonesa no Brasil e sua influência cultural no território brasileiro, sequer realiza breves menções à história do território por ele ocupado; um espaço que pertenceu historicamente à população negra durante os séculos XVIII e XIX e, futuramente, por imigrantes japoneses durante o início do século XX.
Desta maneira, a partir dos contextos apresentados, gostaríamos de saber do grupo: Podemos afirmar que a região do bairro da Liberdade/SP foi tomada para a ocupação de somente uma única identidade cultural? Quais medidas de transformação o grupo sugere como forma de reparação e resgate da memória e cultura negra na região da Liberdade? Considerando que, para muitas pessoas, o bairro é amplamente reconhecido como um espaço de identidade cultural asiática através de um processo de ‘Tradução’ conforme Stuart Hall define; colaborando significativamente com o apagamento da presença histórica e cultural negra que, inclusive corroborou para a nomeação do local, conforme abordado por ONOFRE, 2021:
Seu nome de origem, inclusive, é proveniente da história do soldado negro Francisco José das Chagas, que havia sido alforriado e seria executado no Largo da Forca (atual praça da Liberdade) em 1821, após liderar uma revolta em Santos contra o não recebimento dos salários dos funcionários (MILANO, 2012 apud ONOFRE, 2021, p.19)
FIGURA – Capela dos Aflitos (Séc. XIX)
Fonte: BASSOLI, M.(2020)
FIGURA – Capela dos Aflitos (2021)
Fonte: ESPM (2021)
FIGURA – Capela dos Aflitos (2025)
Fonte: Folha de São Paulo (2025)