A história de Aveiro é profundamente marcada pela sua relação com a Ria e o oceano. A primeira referência escrita ao nome da localidade, então designada como "Alauario", remonta ao ano de 959, num documento de doação da condessa Mumadona Dias. Ao longo da Idade Média, a vila prosperou graças à exploração do sal, à pesca e ao comércio marítimo, atividades que foram fundamentais para o seu desenvolvimento e para a concessão de vários forais e privilégios reais.
Durante os séculos seguintes, Aveiro fortaleceu a sua importância estratégica, recebendo muralhas defensivas por iniciativa de D. João I e consolidando a sua identidade como um centro mercantil ativo. A estadia da Infanta D. Joana, filha de D. Afonso V, no Convento de Jesus no século XV, trouxe um prestígio adicional à vila. No entanto, a história de Aveiro também foi feita de desafios, como o encerramento da comunicação da Ria com o mar no século XVII, que mergulhou a região numa profunda crise económica.
A recuperação veio com o tempo e com o esforço de reabertura da barra, que permitiu o renascimento da navegação e do comércio. Em 1759, o rei D. José I elevou Aveiro à categoria de cidade — sendo temporariamente denominada "Nova Bragança" — e, pouco depois, a sede de bispado. Com o decorrer do século XIX e a importância crescente da pesca do bacalhau no século XX, Aveiro transformou-se num dos mais importantes portos e centros urbanos do país, evoluindo hoje para um polo tecnológico e universitário que, sem esquecer as suas raízes salineiras e marítimas, se projeta como uma cidade moderna e dinâmica.