fonte: Could It Be B12?: An Epidemic of Misdiagnoses - Autores: Sally M. Pacholok, Jeffrey J. Stuart.
Nos anos 60, o Doutor Kilmer McCully, patologista da reputada universidade de Harvard, estudava um grupo de crianças que tinham sofrido precocemente da formação de coágulos sanguíneos, bem como derrames. A dada altura apercebeu-se de que estas crianças possuíam erros metabólicos inatos, cuja consequência maior era a subida extrema dos níveis de homocisteína (um amino-ácido implicado no metabolismo das vitaminas do complexo B), condição que as colocava em risco de doenças cardíacas normalmente associadas a adultos. Esta descoberta levou-o a considerar a ligação entre a subida dos níveis de homocisteína e condições como derrames prematuros, arterioesclerose, e problemas similares, também em adultos. Talvez fosse esta a causa de ataques cardíacos aos 40, e derrames aos 50, décadas antes deste género de problemas surgirem em pessoas menos susceptíveis. Seria possível que estes adultos sofressem do mesmo erro metabólico que ele tinha descoberto em crianças?
Seguindo esta linha de investigação, os dados levaram o doutor McCully a concluir que os indivíduos que apresentavam níveis elevados de homocisteína (pelas mais variadas razões: dieta pobre problemas digestivos, veganismo, cirurgias gastro-intestinais, etc), ou até mesmo quem, devido á sua condição genética, fosse mais sensível a carências de vitamina B12, B6, e folato, estariam em condições de risco de sofrer de problemas cardio-vasculares. Descobriu também que a suplementação com simples vitaminas poderia proteger estes indíviduos de graves maleitas cardíacas.
Estas descobertas foram apresentadas á comunidade médica em 1969, e foram largamente ignoradas. Porquê, poderia o leitor perguntar, e com razão. Acontece que na mesma altura, estava a ser propagado entre os médicos que o colesterol (substância absolutamente vital para a saúde, que compõe cerca de 50% do cérebro humano, por exemplo) seria na realidade o grande factor de risco em doenças cardio-vasculares, e era para essa avenida de investigação que estavam a ser direccionados os fundos disponíveis (há quem diga que devido a pressões e influências da indústria do açucar...). O doutor McCully foi então basicamente empurrado para fora de Harvard, como voz dissidente que era, e as suas pesquisas caíram largamente no esquecimento.
É apenas 30 anos mais tarde que esta pesquisa foi retomada, e cientistas de todo o mundo começaram então a corroborar as descobertas do doutor McCully, actualmente verificamos que existem inúmeras publicações científicas a este respeito, na ordem de mais de 1500 estudos publicados. Considerando que por exemplo nos Estados Unidos em 2009 perto de 800.000 americanos tiveram um ataque cardíaco pela primeira vez, e perto de meio milhão tiveram reincidência deste grave problema de saúde, e que segundo dados oficiais morre uma pessoa por minuto devido a ataque cardíaco, quantas vidas poderiam ter sido salvas nestes mais de 30 anos, se a descoberta da ligação entre níveis elevados de homocisteína e problemas cardíacos tivesse sido levada a sério?