A Escola Secundária Henriques Nogueira

(in http://vedrografias2.blogspot.com)

A ideia de criar uma escola técnica e comercial em Torres Vedras surgiu entre a dinâmica classe comercial de região, então agrupada na “Associação Comercial”, quando, numa Assembleia Geral desta associação, realizada em 23 de Março de 1929, a sua direcção propôs a elevação da cota dos associados para se criar um “curso comercial” (CABRAL, Raul , “A Fundação da Escola Comercial (...)”, in Badaladas, 1/10/19529).

Em 1932 concluía-se o regulamento desse curso, mas, devido a várias dificuldades tal iniciativa não vingou, acabando por ser uma outra associação, a “Tuna Comercial Torreense”, a ter o privilégio de, pela primeira vez, instalar um curso com essas características em Torres Vedras.

A Primeira Tentativa

Em Outubro de 1936 a direcção da “Tuna Comercial Torreense” iniciou, na sua sede, o funcionamento de um Curso Comercial de 6 meses onde se ensinavam as disciplinas de “escrituração comercial”, “contabilidade”, “cálculo comercial” e “caligrafia”. As aulas eram nocturnas e foram inicialmente frequentadas por 30 alunos que pagavam uma mensalidade de 60$00. Esta iniciativa teve um percurso algo irregular e, com o tempo, deixou de corresponder às necessidades da época (O Jornal de Torres Vedras, 15/11/1936).

A Escola Comercial António Augusto Cabral

(edifício onde se localizava a Escola Comercial António Augusto Cabral)


O crescente desenvolvimento comercial e industrial da região deu um novo alento à associação pioneira na idealização deste tipo de ensino, para voltar a relançar os alicerces de uma Escola Comercial, de acordo com as novas necessidades da educação nacional.

Coube à antiga “Associação Comercial”, agora designada de “Grémio do Comércio dos Concelhos de Torres Vedras, Cadaval e Sobral de Monte Agraço”, a responsabilidade pela abertura, em definitivo, de uma escola comercial, criada por alvará de 10 de Outubro de 1944 (CABRAL, Raul, ob.cit.) .

Foi baptizada como Escola Comercial António Augusto Cabral, em homenagem ao homem que, à frente do município torriense em 1919, tinha sido responsável pela instalação da Escola Secundária e, como dirigente da associação comercial local, dos que mais pugnou na defesa da criação de uma escola comercial em Torres Vedras.

As aulas iniciaram-se em 14 de Outubro de 1944, sendo a escola dirigida pelo Dr. Albarran Grilo.

Em sessão solene de abertura desse primeiro ano lectivo, o professor José Carvalho Mesquita, também docente nessa escola, justificava essa iniciativa e a importância desse novo estabelecimento de ensino, pela necessidade de, num “meio comercial, como o é Torres Vedras” se puder oferecer aos seus filhos o ensino da “técnica comercial”, sem que o concelho “tivesse necessidade de importar os seus contabilistas e guarda-livros”.

Essa escola era então “uma promessa, em betão” que funcionava em “acanhadas instalações”, cedidas pela Escola Secundária Municipal, apenas com “um curso nocturno frequentado por 26 alunos e alguns ouvintes”.

Por isso, e porque os “pedidos de matrícula dariam (...) para abrir duas turmas no 1º ano”, prometia-se para o próximo ano lectivo “novas e mais amplas instalações” e aulas diurnas (MESQUITA, José Carvalho, História do Ensino secundário em Torres Vedras, ed. 1969) .

Iniciam-se aulas diurnas

No ano lectivo de 1945/1946, inicia-se um curso comercial diurno com a duração de 4 anos, tendo-se inscrito 101 alunos, inscrevendo-se, no ano lectivo seguinte, 165 alunos. Os filhos dos associados do “Grémio comercial” pagavam uma propina mensal de 80$00, enquanto os restantes pagavam 120$00.

A reforma de 1948 desdobrou esse curso num Curso Geral de Comércio e noutro Curso de Esteno-Dactilografia. Qualquer destes passou a compor-se de dois ciclos, o primeiro com a duração de dois anos e o segundo de três.

A oficialização da escola comercial

Em 31 de Julho de 1952 a Escola Comercial António Augusto Cabral, até então uma escola particular, foi oficializada, de acordo com a nova lei em vigor, tornando-se Torres Vedras a primeira localidade do país a possuir uma escola particular oficializada, o que permitia aos seus alunos que realizassem os exames na sua escola (Badaladas, 15/08/1952) .

Uma nova valência – O Ensino Técnico

Por essa altura, no início da década de 50, inicia-se um debate nas páginas do jornal “Badaladas” com o objectivo de se criar um curso industrial que completasse o ensino comercial e correspondesse às novas necessidades económicas da região, chamando-se a atenção para o Decreto-Lei nº 36409 de 11 de Julho de 1947 que previa a criação de uma escola técnica em Torres Vedras.

Pressionada pela opinião pública, a Câmara Municipal inicia uma série de diligências par conseguir esse objectivo e, em Setembro de 1956, enviava ao Ministério da Educação um bem fundamentado memorando em defesa da criação de uma “escola técnica” em Torres Vedras.

Propunha-se o município subsidiar com 50.000$00 anuais a formação de uma Escola Industrial e Comercial de Torres Vedras, criada a partir da Escola dirigida pelo Grémio do Comércio.

Propunha para essa escola o seguinte “plano de estudos”:

“1º - Ciclo Preparatório;

“2º - Curso Complementar de aprendizagem e electricidade;

“3º - Curso de formação : - de serralheiro; - Geral do Comércio” (Relatório de Gerência da Câmara no ano de 1956, CMTV) .


A Fundação da Escola Industrial e Comercial de Torres Vedras

(edifício onde foi instalada a "Escola Técnica")


Acedendo ao pedido do município torriense, o Ministério da Educação, através do decreto nº 41258 de 10 de Setembro de 1957, criava a Escola Industrial e Comercial de Torres Vedras, substituindo a Escola Comercial António Augusto Cabral, entretanto encerrada, da qual herdou alunos, professores e respectivos processos.

De imediato se iniciaram as obras de ampliação do edifício municipal situado na Av. 5 de Outubro, onde se localizavam as instalações da “Física” e das “escolas primárias” da vila.

Acrescentado de um andar, aí vieram a ser instaladas, a nascente a Escola Secundária Municipal e a poente a nova “Escola Técnica” , enquanto as escolas do ensino primário eram instaladas nos novos edifícios a sul daquelas instalações.

No ano lectivo de 1958/1959 iniciaram-se as aulas da Escola Industrial e Comercial nas suas novas instalações com 261 alunos, número que quase duplicou no ano lectivo seguinte.


O edifício – do projecto à inauguração

O rápido crescimento do número de alunos matriculados na “Escola Técnica”, bem como as crescentes necessidades de recursos educativos para desenvolver o projecto desta escola, rapidamente levaram a que se colocasse a questão da urgência em construir um edifício de raiz para o seu funcionamento.

No dia 1 de Fevereiro de 1962 foi apresentado, em sessão camarária, um projecto para as novas instalações, da autoria do professor do ensino técnico Luís Manuel Paulo Ferreira, exposto publicamente no ano seguinte.

Contudo, o início da construção desse novo edifício escolar só teve lugar nos finais dessa década.

Finalmente, no dia 20 de Abril de 1970, era solenemente inaugurado, com a presença do então Presidente da República Américo Tomás, o edifício onde funciona actualmente a Escola Secundária Henriques Nogueira, assim baptizada desde 2 de Abril de 1987 (Portaria nº 261/87, de 2 de Abril de 1987).

No ano 2010 iniciaram-se as obras de requalificação da Escola pela Parque Escolar e em 2012 é criado o Agrupamento de Escolas Henriques Nogueira, resultado da fusão do Agrupamento de Escolas de Maxial com a Escola Secundária Henriques Nogueira (Escola-sede).

A intervenção na Escola Secundária Henriques Nogueira teve como principal objetivo a modernização dos espaços, adequando-os às exigências da oferta formativa. A escola é constituída por cinco edifícios com capacidade para 65 turmas, num total de cerca de 1485 alunos.

O edifício da entrada alberga as zonas administrativas e de direção, áreas de apoio aos encarregados de educação, e salas de aula e laboratórios. Nos restantes edificios distribuem-se os seguintes espaços: loja do estudante, bar/cafetaria, sala de pausa de professores, áreas oficinais e salas de aula normais, salas TIC, de desenho e oficinas de artes plásticas, refeitório, ginásios, biblioteca e respetivas áreas de apoio, learning street, sala polivalente, posto de primeiros socorros e gabinete de educação especial.

O espaço de recreio e desporto exterior é constituído por um campo exterior central multidisciplinar e um campo descoberto de basquetebol e por espaços verdes.