Guel Arraes (nome artístico de Miguel Arraes de Alencar Filho) é um dos mais influentes diretores, roteiristas e produtores da televisão e do cinema brasileiro contemporâneo. Nascido em Recife, Pernambuco, em 12 de dezembro de 1953, ele é amplamente reconhecido por sua capacidade de transitar entre a cultura popular e a erudição, criando uma linguagem ágil e inovadora que modernizou a teledramaturgia e o cinema nacional.
Filho do histórico político Miguel Arraes, Guel viveu por 11 anos exilado na Argélia acompanhando seu pai, exilado pela ditadura militar no Brasil. Em 1972, mudou-se para a França, onde se matriculou no curso de antropologia na Universidade de Paris e ingressou no Comitê do Filme Etnográfico, liderado pelo cineasta Jean Rouch (um dos mestres do cinema verdade). Lá, trabalhou como arquivista, projecionista e montador, experiências que moldaram seu olhar dinâmico para a narrativa visual.
Retornou ao Brasil e ingressou na Rede Globo em 1981, onde iniciou sua trajetória de grande impacto na televisão brasileira sempre em parceria, sobretudo com Jorge Furtado.
Na década de 1980, Guel começou a atuar como diretor em novelas de sucesso marcadas pelo humor e pela quebra de formalidades, como:
Jogo da Vida (1981)
Guerra dos Sexos (1983)
Vereda Tropical (1984)
O grande salto inovador veio com o seriado Armação Ilimitada (1985), que misturava a estética dos videoclipes, quadrinhos e cortes rápidos, revolucionando a linguagem infantojuvenil da época. Guel também esteve por trás do humor anárquico do icônico TV Pirata (1988) e da sofisticada série de crônicas urbanas A Comédia da Vida Privada (1995).
Até 2019, coordenou o Núcleo Guel Arraes na Rede Globo, sendo responsável por formatos que renovaram a grade da emissora (incluindo a transposição de formatos de sucesso como A Grande Família).
A partir do fim dos anos 1990, Guel consolidou uma de suas principais marcas registradas: a releitura de clássicos da literatura e do teatro nacional, utilizando uma linguagem ágil que dialoga perfeitamente com o grande público.
O Auto da Compadecida (1999/2000) co-escrito com Jorge Furatdo, com colaboração de Adriana Falcão e João Falcão e co-direção de Flávia Lacerda : Originalmente produzida como uma microssérie de TV adaptada da obra de Ariano Suassuna, a produção foi reeditada para o cinema e se tornou um dos maiores fenômenos de público e crítica da história do cinema brasileiro, imortalizando a dupla Chicó (Selton Mello) e João Grilo (Matheus Nachtergaele). O roteiro condensa a peça homônima e enxerta episódios de outras obras de Suassuna (O Santo e a Porca e Torturas de um coração ).
A Grande Família (reboot dos anos 2000) - com Claudio Paiva. Como roteirista e idealizador do formato modernos, neste projeto atuou inicialmente apenas como Produtor Artístico, tendo além disso coescrito alguns episódios no final.
Caramuru - A Invenção do Brasil (2001): Adaptação satírica baseada no poema épico do século XVIII.
Lisbela e o Prisioneiro (2003): Romance baseado na peça de Osman Lins que uniu a estética do cordel ao melodrama pop e conquistou as bilheterias.
O Bem-Amado (2010): Transposição para o cinema da clássica obra de Dias Gomes.
Romance (2008): Uma reflexão autoral sobre o fazer teatral e as dores do amor, utilizando a estrutura de Tristão e Isolda.
Vai dar nada (2022) - co-escrito com Jorge Furtado - lançado diretamente em streaming e cinema
Carcereiros - Produtor Artístico
Programa Legal, Brasil Legal, Central da Periferia e Esquenta! - co-criação com Regina Casé e João Falcão (vide área "televisão")
Guel Arraes continua ativo e desafiando os limites das narrativas tradicionais. Em 2023, dirigiu o longa Grande Sertão, uma adaptação ousada e complexa da obra-prima de Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas), transportando a guerra dos jagunços do sertão para um cenário urbano e distópico de periferia armada.
Além disso, em 2024, retornou ao universo de Ariano Suassuna na direção do aguardado O Auto da Compadecida 2, trazendo de volta o elenco original em uma história inédita que homenageia a cultura nordestina.
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