Joaquim Campos, antes do Argentina - Suíça relativo ao Mundial de 1966
Joaquim Fernandes de Campos (N: 1924-09-05 / F: 2016-03-18) é uma das maiores figuras da arbitragem portuguesa. Natural de Tábuas - Miranda do Corvo - este funcionário da CUF tornou-se árbitro da Comissão Regional de Lisboa a 31 de dezembro de 1944.
Na época de 1949-50 ingressou nos quadros nacionais e a 13 de janeiro de 1952 estreou-se na primeira divisão dirigindo um Belenenses-Estoril Praia. Neste ano teve a oportunidade de viver uma experiência única. Integrou a comitiva do Sporting CP que se deslocou em digressão ao Brasil. Aí atuou como árbitro em três jogos.
O Mestre Campos, como ficou conhecido, pode ser considerado como o árbitro português do século XX devido à sua longevidade e ao reconhecimento alcançado. É o único árbitro português com a insígnia especial atribuída pela FIFA por ter integrado os seus quadros durante mais de duas décadas. Nesse hiato temporal dirigiu uma final da Taça Latina, a precursora da Liga dos Campeões, uma final da “jovem” Taça das Cidades com Feira e participou nos mundiais Suécia 1958 e Inglaterra 1966. Pela permanência nestes dois eventos organizados pela FIFA, desde o início da prova até à final, foi compensado financeiramente com uma diária de 50 francos suíços.
Dois anos depois participou na III Edição de um Campeonato da Europa, prova que decorreu em Itália entre os dias 5 e 10 de junho de 1968.
Foi o primeiro árbitro português a pisar o relvado do Wembley, dirigindo um Inglaterra – Escócia. Além disso, tem a particularidade de ter entrado para a história da arbitragem mundial pela realização do primeiro desempate a partir de pontapés de grande penalidade, em 1962. O episódio ocorreu na final do torneio Ramón Carranza – Cádiz. Após um empate a 1, as equipas do Barcelona e do Saragoça. Também foi pioneiro ao assumir, ainda que temporariamente, o profissionalismo como árbitro. Fê-lo ao aceitar um convite para dirigir jogos nas provas nacionais brasileiras. Parte do seu êxito foi devido à circunstância de conciliar o profundo conhecimento das Leis de Jogo com uma boa condição física. Joaquim Campos chegou mesmo a praticar atletismo na equipa do Sporting ao longo de uma década, tendo-se sagrado campeão e batido o record nacional dos 4X800 metros.
A sua carreira como árbitro terminou em 1973-74, época em que realizou 30 jogos, pelos quais auferiu a quantia de 27.500$00.[1] Posteriormente assumiu as funções de instrutor, delegado técnico, observador, palestrante, diretor e coordenador de cursos de arbitragem. Teve ainda um importante papel da defesa do setor, tendo feito parte de vários grupos de trabalho criados ainda durante o Estado Novo, os quais foram responsáveis pela apresentação de propostas que tinham em vista as melhorias das condições proporcionadas aos árbitros. Esteve na origem do Núcleo de Confraternização dos Árbitros de Futebol de Lisboa e, mais tarde, em 1979, foi um dos 75 fundadores da APA. Ainda como árbitro expôs sempre as suas opiniões e convicções, assumindo-se como autor de muitas peças de O Árbitro, publicação com a qual colaborou desde a sua aparição. Mais tarde foi diretor da revista que lhe sucedeu, O Árbitro, tendo ainda colaborado com vários órgãos da comunicação social, palco onde emitiu a sua opinião, comentou as atuações das equipas de arbitragem nos jogos da 1ª liga e apresentou dados estatísticos do jogo. O seu percurso foi reconhecido por diversas vezes tendo-lhe sido atribuído:
- Medalha de ouro pela atuação no Mundial de 1958 pelo Rei Gustavo VI, da Suécia, (1958);
- Medalha de ouro pela sua participação no Euro pelo Papa Paulo VI e pela FIGC-Federazione Italiana de Giogo Cálcio (1968);
- Medalha de Bons Serviços Desportivos do Governo da República Portuguesa (1974)
- Insígnia Especial da FIFA (1976);
- Ordem do Infante, grau oficial do Presidente da República Portuguesa (1985);
- Sócio de Mérito da FPF (2001);
- Sócio Honorário da AF Lisboa (2003);
- Medalha Municipal de Mérito, grau ouro da Câmara Municipal de Miranda do Corvo (2004);
- Sócio de Mérito da APAF (2004);
- Medalha Municipal de Mérito, grau ouro, da Câmara Municipal de Lisboa, (2007).
[1] De acordo com os dados disponíveis em https://www.pordata.pt/portugal/evolucao+do+salario+minimo+nacional-74 (acesso a 21/07/2023) o Salário mínimo geral mensal desse período rondava os 3 300$00.
Bibliografia / webgrafia
Mendes, S. (2025) Nós como árbitros. Lisboa: Prime Books
Tovar, R. M. (2012). 101 Cromos da Bola, As mais incríveis histórias das maiores figuras do futebol português. Lisboa: Lua de Papel