-António Marçal e respetivos assistentes num Torneio de Futebol Juvenil em Vila Nova de Foz Côa
Record, 18 de novembro de 2003
António José Almeida Marçal (N: 1957-08-27) é uma referência incontornável da arbitragem portuguesa, em diversos domínios.
Numa fase prematura da sua vida ambicionou ser jogador de futebol. Chegou a desempenhar as funções de guarda-redes em torneios amadores de escola. As suas limitações técnicas e as diversas lesões com que foi confrontado fizeram-no ver que deveria enveredar por outro caminho.
A descoberta pela arbitragem surgiu quase por acaso. Depois de auxiliar uma equipa de arbitragem num torneio, foi desafiado pelo árbitro a frequentar o curso. Aceitou o convite, tendo iniciado as suas novas funções a 28 de setembro de 1976, conjuntamente com, entre outros, Fernando Correia e Jorge Coroado, elementos que também alcançaram a primeira categoria nacional. Por esta época, deambulava por várias atividades profissionais, até que se estabeleceu na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Atingiu a 1ª categoria de forma sustentada, estreando-se num FC Penafiel 1 - Vitória FC 0 que decorreu no dia 5 de outubro de 1985. As suas boas prestações garantiram-lhe a possibilidade de poder integrar equipas de arbitragem portuguesas a nível internacional, nas quais desempenha as funções de fiscal de linha. Estreia-se numa partida amigável, realizada no dia 23 de setembro de 1987, dirigida por José Guedes: Espanha 2 – Luxemburgo 0. Pouco tempo depois, auxiliou Carlos Valente no Dynamo Dresden 1 - AEK de Atenas 0, partida referente à 1ª eliminatória da Taça dos Campeões Europeus realizada no dia 13 de setembro de 1989, dias antes da queda do muro de Berlim. Nesse ano, a 27 de novembro de 1989, foi distinguido pela Gazeta dos Desportos como melhor árbitro da época 1988-89, tendo recebido o renomado Troféu Gameiro Pereira.
Na época 1991-92 alcança a categoria de Internacional onde permanece até 1998. Estreia-se com as insígnias, ainda que como fiscal de linha, a 28 de abril de 1992 num jogo de qualificação para o Campeonato do Mundo de 1994 realizado no Ramon Sanchéz Pizjuán: Espanha 3 – Albânia 0. No dia 29 de setembro de 1993 estreia-se a dirigir jogos da Taça dos Campeões Europeus ao arbitrar o Anderlecht 3 – HJK de Helsínquia 0. No final da temporada seguinte, é nomeado para dirigir encontros do Campeonato da Europa de sub-16 que decorreu na Bélgica em 1995.
Como jogos mais importantes da sua carreira podemos destacar a 1ª mão da Supertaça Cândido de Oliveira de 1989-90 - Benfica 2 – Belenenses 0 – e, principalmente, o memorável Sporting 3 – Benfica 6, realizado a 14 de maio de 1994 no Estádio José de Alvalade. Este jogo serviu de base a uma curta-metragem/documentário “Memórias de um Árbitro”, realizado por Francisco Neves em 2015, onde António Marçal recorda esse episódio.
Por esta altura já revelava a sua faceta multifacetada e versátil. Participou nos primeiros Campeonatos Universitários do Mundo de Futsal que decorreram em 1992, em Espanha, e em 1994, no Chipre.
A 11 de outubro de 1998 dirigiu o seu último jogo internacional de futebol, Inglaterra 2 – Roménia 1, referente ao play-off de apuramento para o Campeonato do Mundo feminino de 1999. No final da época 1998-1999 foi despromovido à II categoria nacional de futebol, uma decisão que o surpreendeu e contestou, embora sem sucesso.
Nesta fase, já passeava categoria nos areais europeus. Foi árbitro de futebol de praia em 10 Taças do Mundo que se realizaram na Figueira da Foz e em diversos torneios em Espanha e na Bélgica. No ano de 2003 dirigiu, como 2º árbitro, a final do Campeonato da Europa que decorreu no Mónaco, motivo pelo qual recebeu uma salva de Prata das mãos do Príncipe Alberto em pleno Casino do Mónaco.
Após a sua retirada começou a auxiliar a FPF, acompanhando os árbitros internacionais que se deslocavam a Portugal para aqui dirigirem jogos sob égide da UEFA.
O seu legado estendeu-se para fora do campo. A nível associativo, integrou a Comissão Instaladora criada na noite de 11 para 12 de maio de 1979 e que esteve na origem da APA que, mais tarde, passou a denominar-se APAF. Neste momento, é um dos elementos mais ativos do grupo que mantém vivo a ideia original do Núcleo de Antigos Árbitros de Futebol de reunir, anualmente, elementos com um passado ligado à causa da arbitragem num evento marcado pela partilha de recordações e a realização de diversas ações de entretenimento.
Bibliografia / Webgrafia
Tovar, Rui Miguel (2025. 9 de janeiro) «Jogo de Palavra com António Marçal», Radio Renascença disponível em https://www.youtube.com/watch?v=a2oBrhFec0w acesso a 30 de juunho de 2025