Nossa Paixão
Nossa Paixão
No princípio era apenas uma apicultora que cuidava de um apiário pequenino. Ana Lúcia começou a atividade com oito colmeias de abelhas transferidas de Porto Alegre para a Serra Gaúcha a bordo de um Santana.
A atividade era apenas um hobby que encantava a apicultora e colocava mel na mesa da sua família e amigos. Eventuais clientes que procuravam produtos saudáveis e de qualidade também eram contemplados, mas sempre havia uma lista de espera pela próxima colheita de mel, pois a produção era pequena e a apicultora não tinha dedicação exclusiva nesta função. Além disso, algumas pessoas também queriam conhecer e participar dos manejos nas colmeias no campo, o que acontecia somente nos finais de semana.
Foi em um destes finais de semana, quando João quis conhecer o apiário, que tudo mudou. A primeira visita dele foi apenas para fotografar as abelhinhas entrando e saindo as colmeias, tudo feito tranquilamente já que as abelhinhas não gostam de agitação e a apicultora não queria assustar o querido visitante que amava mel e provavelmente seria um ótimo futuro cliente.
A próxima visita foi bem diferente. A ideia era transferir um enxame de uma caixa velhinha para uma caixa nova, um procedimento feito geralmente antes do início da primavera, quando os enxames estão menos populosos.
O problema é que ambos não tinham o conhecimento que têm atualmente, e resolveram fazer a transferência em pleno janeiro, quando os enxames estão abarrotados de abelhas e extremamente defensivos.
Suando horrores dentro de seus macacões de proteção, quase intoxicados de tanta fumaça, atordoados pelo zumbido de milhares de abelhas e ameaçados pelas suas ferroadas, Ana e João demoraram mais do que o dobro do tempo normal para fazer a operação de transferência, concluída no final da tarde quando os dois, para despistar as abelhas que insistiam em aplicar ferroadas, acabaram deitados no chão, entre moitas de capim, vendo o céu lentamente escurecer.
Despediram-se, suados, fedidos e ferroados, mas com a certeza de dever cumprido, afinal as abelhinhas estavam mais bem alojadas agora.
Restava saber se haveria reencontro...
Houve, e hoje, após vários anos juntos, muitos cursos de apicultura, manejos de colmeias e atividades culturais relacionadas ao tema, ambos se complementam, dividem e multiplicam vivências e sua infinita paixão pelas abelhas.
As oito colmeias iniciais se multiplicaram e atualmente estão localizadas em Caxias do Sul, São Francisco de Paula e Bom Jesus/RS, onde são cuidadas por estes dois apicultores diletantes. João criou a identidade visual do Apiário e a Exposição Melô, Ana escreveu o livro infantil “O Desfile das Abelhinhas” e ambos estão constantemente envolvidos em atividades que divulgam os produtos da colmeia e a colaboração destes maravilhosos insetos na produção de alimentos saudáveis. São, como as abelhinhas, apicultores muito felizes também!