36ª Semana de Letras da UNESP/IBILCE - SP
De 4 a 8 de Novembro de 2024
Profa. Dra. Vanice Maria Oliveira Sargentini (UFSCar)
Resumo de fala: Propomos discutir a relação entre discurso e emoção no atual cenário político brasileiro, considerando o ressentimento como emoção que aí se materializa regularmente. Para tanto, faremos primeiramente uma discussão sobre a compreensão das emoções no interior dos estudos do discurso e, na sequência, a fim de mobilizar essa relação, proporemos uma análise do ressentimento como emoção que perpassa a história do país e se mostra intrínseca à própria identidade brasileira. Com tal intuito, serão analisados discursos – produzidos por distintos grupos do campo político – que materializam o ressentimento, a indignação e outras emoções ao fazer reverberar, indefinidamente, o enunciado “Quero meu país de volta”.
Profa. Dra. Luana Passos (UNESP)
Resumo de fala: Ao refletirmos sobre o direito e a permanência na educação, defendemos o seu acesso sem a distinção de raça, cor, gênero, sexualidade e religião. Ao tomarmos essa decisão política, entre educação democrática e o antirracismo, nos comprometemos com as implementações e as ações que rompam com as estruturas preconceituosas, discriminatórias, racistas e violentas as quais, infelizmente, fazem parte do nosso país. Por isso, o diálogo e as discussões não são solitários ou de responsabilidade de pessoas negras, todas e todos estão envolvidos. Para avançarmos e compreendermos esse posicionamento político, é mister a articulação entre educação democrática, antirracismo e os letramentos negros no Brasil como usos socioculturais críticos da leitura, da escrita em contextos de agências de letramentos afro-brasileiros, a genealogia dos letramentos africanos e as africanidades, como defendem Nilma Lino Gomes, Henrique Freitas e Petronilha da Silva.
Prof. Dr. Edu Teruki Otsuka (USP)
Resumo de fala: Sua palestra buscará investigar, nas obras de Chico Buarque, as desarticulações culturais e sociais por meio do estudo dos sentidos históricos em contexto de transformações do capitalismo e seus efeitos na vida sociais, política e cultural.
Profa. Dra. Luciana Salazar Salgado (UFSCar)
Resumo de fala: Quem forma quem forma no loop generativo?
Digamos que desde o advento da tecnologia textual – sim, um texto é uma sofisticadíssima tecnologia que, como todo desdobramento técnico, transforma-se ao longo da história –, outros marcos tecnológicos foram se impondo à textualidade como condição de sua própria existência: um texto entalhado numa pedra ou numa tábua de madeira tem suas funções, como os textos inscritos em papel (que papel?) ou para distribuição nas mais diversas telas, ou nos corpos tatuados... Não há texto vivo e pulsante senão inscrito materialmente, posto em circulação. Em todo caso, interessante notar que essa mediação técnica é, ao mesmo tempo, decisiva e apagada. Sem ela, nenhum texto tem vida pública, mas parece que sua evidência toca em alguns segredos, tabus, interditos. As tecnologias generativas produtoras de texto causam comoção por isso, tocam aí. Por isso, quem se interessa pelo modo como sabemos o que sabemos tem de se dedicar a pensar nas possibilidades e também nas restrições das novas tecnologias digitais, que afetam os textos com suas especificidades, como todas as tecnologias que lhe antecederam ou que com elas convivem. O exame detido do jogo entre essas possibilidades e restrições nos leva a propor que, do ponto de vista epistemológico, trata-se de enfrentar a “quarta ferida narcísica” sofrida pelas sociedades de conhecimento: não há ideia sem mediação material; não há intersubjetividade sem mediação de objetos; não há conhecimento válido sem uma forma que legitime essa sua condição. E os mídiuns digitais escancararam isso.
Profa. Dra. Sabine Boettger Righetti (Unicamp)
Resumo de fala: Ninguém duvida mais que a divulgação científica seja importante. Mas como fazemos para colocá-la em prática? Nesta palestra, falarei sobre como a divulgação científica deve fazer parte da própria ciência sendo valorizada, incentivada e promovida institucionalmente.
Profa. Ma. Carolina Rodrigues Manzato (UNESP)
Resumo de fala: As obras Desgraças da Pandemia (2022/Publicação artesanal e independente, com fomento da Lei Nelson Seixas) e Desarticulações e Realinhos (2023/ Editora Fábrica de Cânones, com fomento ProAc Editais) são manifestações dolorosas, produzidas em contexto de vulnerabilidade e muito stress, a pandemia de COVID-19. Embora o contexto das produções e seus panos de fundo tenham nuances de ‘extraordinariedade’, como se sabe, o cerne dos poemas é a cotidianidade, o ordinário. Pela íntima relação entre o eu-lírico forjado na escrita e a identidade psíquica, subjetiva, da autora, dar-se-á, uma (re)apresentação da autora ao público, para além do currículo. “É importante contarmos do meu cotidiano e da lente pela qual olhei e sou/fui entre 2020 e 2023, como ser-político-politizada, como mulher, como membro da minha família, como profissional, como poeta, como eu-lírico e como escritora atuante no mundo da cultura de São José do Rio Preto, de São Paulo, do Brasil, do mundo.” Costuradas à leitura de poemas, ocorrerão também a apresentação do processo de escrita poética, da composição das obras em sua integralidade (materialidade, projeto gráfico) e detalhamento do percurso da publicação dos livros via Editais.
Profa. Dra. Rejane Cristina Rocha (UFSCar)
Resumo de fala: Vimos acompanhando, desde a primeira década dos anos 2000, a substituição paulatina das metáforas que expressam o nosso imaginário e a nossa relação com a internet. A substituição paulatina de uma metáfora tão poderosa como a de rede, por exemplo, por outra igualmente potente, como a de plataforma (Carrión, 2021), para designar os serviços, ambientes, dispositivos que condicionam e modelam a nossa relação com a internet dá o que pensar. Sobretudo quando identificamos tal substituição ao momento do surgimento e incrível popularização das redes sociais digitais e do surgimento das grandes empresas que, atualmente, monopolizam a experiência humana no contexto digital. Refletir a respeito da literatura digital, suas possibilidades criativas e a sua existência como campo de estudo, não pode prescindir de uma discussão a respeito do ambiente tecnológico que, mais do que abrigar essas produções, são a sua própria matéria-prima. Em que medida a homogeneização do ambiente digital, no sentido da sua “plataformização” - para mencionar apenas um aspecto da questão - é avessa à experimentação literária? Ou… em que medida a experimentação literária poderia ser o antídoto para esse empobrecimento da experiência digital? Essas e outras questões que tratam da literatura digital - como expressão artística e como campo de estudo - em tempos de Big Techs conduzirão as reflexões ao longo desta conferência.