Oficinas - Grupo 1
CURADORIA DE RECURSOS PARA ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS
Débora Spacini Nakanishi (UNESP-SJRP)
Resumo: Esta oficina é uma ação do Centro de Línguas e Desenvolvimento de Professores (CLDP) da Unesp, câmpus São José do Rio Preto (Ibilce), projeto de extensão que tem como principal objetivo formar profissionais de Letras para serem futuros professores de línguas estrangeiras e oferecer cursos de línguas e culturas estrangeiras para o aprimoramento pessoal, profissional e acadêmico da comunidade unespiana e externa. Propomos esta oficina com o objetivo de compartilhar um pouco do trabalho e da experiência do CLDP sobre a prática de selecionar recursos para o ensino de línguas estrangeiras, uma tarefa que, de acordo com autores como Beviláqua et al. (2021), muitas vezes, demanda tempo e criatividade dos professores. No mundo digital no qual vivemos, mais especificamente após a pandemia e a emergência do ensino remoto, temos a sensação de haver uma infinidade de recursos disponíveis online que, ao invés de ajudar o professor de língua estrangeira, pode acabar o atordoando, sentindo-se sem direção. Por meio da curadoria, do cuidar dos recursos, eles são analisados, selecionados, adaptados e organizados. Dessa forma, quando o professor de línguas se entende como curador, ele passa a montar seu próprio repertório de recursos, testados e aprovados por ele. Mesmo professores que trabalham com um material didático específico, adotado pelo sistema de ensino, precisam fazer curadoria; escolher quais exercícios desenvolver em sala de aula, em qual ordem, se é preciso algum material complementar, etc. Nesta oficina, apresentaremos brevemente os conceitos de recursos autorais e não autorais; licenças de direitos autorais; e, principalmente, como fazer a curadoria na prática, passo a passo. Uma vez que o CLDP contempla diversas línguas estrangeiras, traremos, também, essa variedade para a oficina, mostrando a curadoria feita pelos instrutores de inglês, espanhol, italiano, francês, alemão e português como língua estrangeira.
A CONSTRUÇÃO DA VIOLÊNCIA E DA HOMOAFETIVIDADE EM I AM A WOMAN (1959) DE ANN BANNON, E MORANGOS MOFADOS (1982) DE CAIO FERNANDO ABREU
Vinícius Canhoto (USP/PUC-RS) e Mariana Azevedo (UNESP-Assis /PUC-RS)
Resumo: Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga ONG LGBT da América Latina, o Brasil continuou sendo o campeão mundial de homicídios e suicídios LGBT+ em 2023, com 257 mortes violentas documentadas, diante desse cenário, a presente proposta de oficina objetiva discutir a heteronormatividade a partir de sua representação literária nas obras I am a Woman (1959) de Ann Bannon, e Morangos Mofados (1982) de Caio Fernando Abreu, com o propósito de problematizar a construção das relações homeoafetivas diante da histórica conjuntura de violência brasileira. Dentre as obras do referencial teórico está a obra de Judith Butler, que se constitui como cerne da análise: Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade, originalmente publicada em 1990, por meio da qual Butler critica o modelo de sexualidade binário, questionando a distinção entre sexo e gênero. Dentre os materiais utilizados para a oficina estão: projetor, som, e computador, e a oficina será dividida em três momentos de meia hora, o primeiro tratará da obra de Ann Bannon, expondo o panorama teórico de Butler, o enredo de I am a Woman, e fará análise de excertos da obra. O segundo terá como objeto o livro Morangos Mofados, e a exposição das relações homoafetivas no contexto da violência brasileira, a última parte da oficina será destinada para discussões e reflexões sobre a problemática.
ASPECTOS LINGUÍSTICOS DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS)
Felipe Rodrigues de Araújo (UNESP-SJRP)
Resumo: Esta oficina tem como objetivo aprofundar o conhecimento dos participantes sobre os aspectos linguísticos da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS). Busca-se proporcionar uma compreensão teórica das estruturas e das funcionalidades desta língua visual-espacial, promovendo questões sobre a pesquisa linguística da LIBRAS. O objeto de ensino é a Língua Brasileira de Sinais, com foco em seus componentes linguísticos. A oficina explorará os elementos que compõem a fonologia, morfologia, sintaxe e semântica dessa língua, destacando suas especificidades e comparando com aspectos das línguas orais-auditivas. A LIBRAS é reconhecida como a língua oficial da comunidade surda no Brasil, e sua compreensão aprofundada é essencial para profissionais da educação, intérpretes, linguistas e demais interessados. Apesar de seu reconhecimento legal (Lei n. 10.436/2002), a difusão do conhecimento detalhado sobre seus aspectos linguísticos ainda é limitada. Esta oficina visa preencher essa lacuna, oferecendo uma oportunidade para que os participantes compreendam as complexidades e riquezas da LIBRAS. Os conteúdos a serem desenvolvidos se distribuem nos seguintes tópicos: (1) “Fonologia da LIBRAS”: estrutura dos sinais, configurações de mãos, localização, movimento, orientação da palma e expressões faciais, além dos contrastes de pares mínimos; (2) Morfologia da LIBRAS: formação de sinais, morfemas e processos morfológicos, além do uso de classificadores e sua função na construção de significados; (3) Sintaxe da LIBRAS: ordem das palavras, estrutura frasal, uso de espaço e simultaneidade na construção sintática; (4) Semântica da LIBRAS: significado dos sinais, variações contextuais, metáforas visuais e representações icônicas; (5) Interpretação da LIBRAS; (6) Tipologia das línguas de sinais. O referencial teórico baseia-se em estudos de linguística aplicada à LIBRAS, incluindo os trabalhos de autores como Brito (1995), Quadros e Karnopp (2004), Quadros (2019). Metodologicamente, a oficina seguirá uma abordagem de exposições teóricas com análises de vídeos. Espera-se que ao final, os participantes se apropriem dos conteúdos ministrados e se interessem pela pesquisa das línguas de sinais, contribuindo para o conhecimento e a valorização da Língua Brasileira de Sinais no meio acadêmico.
Oficinas - Grupo 2
RAPLAB: O DIÁLOGO COM CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO
Paulo Salvador (UNICAMP)
Resumo: A oficina RapLab se trata de uma oficina mediada pela metodologia - de mesmo nome - criada no Quilombo Enraizados, em Morro Agudo, favela da cidade de Nova Iguaçu/RJ, pelo Doutorando Flávio Eduardo da Silva Assis, conhecido no meio artístico como Dudu de Morro Agudo. O Objetivo do RapLab é gerar um processo de construção de conhecimento em rede (ALVES apud ASSIS, 2020), a partir da horizontalidade da troca de conhecimento entre os participantes da oficina acerca de um dado tema, a partir da perspectiva do processo de ensino-aprendizagem como uma “prática de liberdade” (FREIRE apud ASSIS, 2020). Além disso, os encontros do RapLab tem como produto final um Rap produzido em coletivo, a partir das reflexões trazidas no primeiro momento. A oficina justifica-se de diversas formas, a começar pelo fato de explorar, dentro dos limites da educação formal e escolarizada, a desconstrução desse espaço enquanto espaço opressivo que desvaloriza o conhecimento prévio do estudante (KLEIMAN, 2019), ao mesmo tempo em que convida o estudante a se envolver com o conteúdo, permitindo o professor complementar as deficiências empíricas exploradas justamente pelo diálogo produzido, constituindo-se como ferramenta de ensino. Além disso, o RapLab põe em evidência o Rap como instrumento de desenvolvimento do conhecimento, emergindo as memórias subterrâneas (POLLAK, 1989), marginalizadas pelo contexto social. A oficina constrói-se como determina Dudu de Morro Agudo na dissertação “Rap na Baixada, Rap no Mundo: O RapLab tecendo redes educativas” (ASSIS, 2020), em que é separada em dois momentos, sendo o primeiro para a troca de ideias e o segundo para produção do Rap. Para tal, é necessário apenas um quadro branco e uma caneta de quadro - substituível por um papel e lápis. Entendendo a relevância e o contexto, por se tratar de uma licenciatura, o tema pré-definido para o encontro será educação e não há faixa etária definida.
OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA: MICROCONTOS
Monize Santos (UNESP-SJRP)
Resumo: O microconto é uma narrativa escrita em poucas palavras que se faz a partir de lacunas semânticas deixadas pelo autor e que requer um leitor atento, com grande domínio de suas competências (SOUZA, 2021). Embora não seja uma “invenção” dos escritores contemporâneos, este tipo de texto atende às necessidades do cotidiano tempestivo em que estamos inseridos, sendo popularizado e consumido por leitores de mídias sociais. O objetivo da presente oficina de escrita criativa de microcontos é dar ferramentas para o exercício da literatura a interessados no assunto, levando-os a aprofundar o conhecimento sobre essa tipologia textual. O referencial teórico será constituído por autores que se dedicaram a estudar o microconto como gênero literário, como Vanderlei de Souza (2021) e Marcelo Spalding (2008). Os recursos utilizados serão projetor (caso não esteja disponível, é possível utilizar material impresso), papel, caneta, lápis e borracha. Quanto às etapas da oficina, primeiramente será feita a introdução do tema, buscando o conhecimento prévio dos participantes sobre o gênero literário. Em seguida, serão apresentados alguns microcontos, como Dinossauro, de Augusto Monterroso, e outros contidos na obra "Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século" (org Marcelino Freire), além de microcontos de Marina Colasanti e Dalton Trevisan. Ao fazer apontamentos sobre as características deles, serão retomados os conceitos das principais figuras de linguagem. Depois serão feitos desafios de escrita, começando com propostas mais direcionadas, baseadas em estruturas predefinidas e finalizando com uma proposta mais livre, baseada em temas escolhidos no momento pelos participantes. Esta oficina também pode servir de inspiração para trabalhar com alunos do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, atuando como ferramenta do desenvolvimento de processos criativos e de estímulo à produção textual, contemplando habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
PARA ALÉM DAS “FAKE NEWS”: A DESINFORMAÇÃO COMO PROBLEMA DE PESQUISA
Augusto Oliveira (UNESP-SJRP) e Julia Lopes (UNESP-SJRP)
Resumo: A partir da perspectiva dos Estudos de Multiletramentos (Cope; Kalantzis, 2009; Cope; Kalantzis; Pinheiro, 2020) e Letramentos Críticos (Janks, 2018), esta oficina tem como objetivo principal discutir a concepção de “desinformação” que circula em diferentes tipos de materiais publicados. De modo específico, busca caracterizar a desinformação enquanto uma problemática social, institucional e científica que vai além do conceito popular e restrito de “fake news” (Tandoc Jr.; Lin; Ling, 2017), mas que compreende também outras formas de manifestação, tais como sátiras e paródias e informações intencionalmente manipuladas e propagadas (Assis; Komesu; Pollet, 2021). A justificativa da discussão tem relação com a compreensão de um contexto marcado, por um lado, pelo crescente uso de mídias sociais para consumo e compartilhamento de informações no Brasil (Data Reportal, 2023; 2024) e, por outro, pela crescente preocupação institucional com políticas e iniciativas de combate à desinformação (Siarova; Sternadel; Szönyi, 2019). O conjunto do material será formado de textos publicados em redes sociais digitais que fazem referência a dois eixos da discussão sobre desinformação: i) produção/compartilhamento e ii) combate. Em relação ao primeiro eixo, serão apresentadas publicações de perfis verificados em redes sociais como Instagram e Twitter (atual “X”) que podem ser classificadas como informação falsa, informação maliciosa ou desinformação (Wardle; Derakhshan, 2017); em relação ao segundo eixo, serão apresentadas postagens de veículos de checagem de fatos nas quais informações concernentes ao primeiro eixo foram “verificadas”. A partir do material analisado, a expectativa é discutir quais estratégias linguístico-discursivas podem ser reconhecidas em textos que disputam efeitos de sentido de “verdadeiro” e “falso” em redes sociais digitais, bem como a implicação dessas estratégias nos processos de leitura, consumo e compartilhamento de informações em ambiente digital. Esta oficina pretende, desta forma, contribuir com as discussões propostas pela temática do evento, levando-se em consideração o tempo histórico em que estamos inseridos e dos possíveis papeis que a linguagem assume em tal contexto: no caso, a difusão da (des)informação em redes digitais e as possibilidades e consequências do aceleramento da comunicação midiática.
Oficinas - Grupo 3
POESIA EM MOVIMENTO
Lara Kadocsa (PUC-SP)
Resumo: Como é o corpo que escreve? Qual é o corpo que escreve poesia e como ele está enquanto a escreve? A partir dos estudos de crítica do processo de criação (SALLES, 2011) buscaremos nesta oficina experimentar na prática o papel do corpo no processo de criação, especificamente na escrita criativa. Serão realizados diferentes exercícios das artes do corpo, principalmente dança e teatro, com o objetivo de criar um poema novo a partir da materialidade do próprio corpo. O corpo não é o tema, mas o local de partida e foco da observação. Cada participante será instigado/a/e a explorar, com um olhar processual, como seus afetos e desejos transbordam de seus corpos (CARON, 2021), se transformam e se materializam. Para além do corpo que recebe a poesia (ZUMTHOR, 2018), queremos investigar o corpo que cria, o corpo que é um dos tantos locais da criação (COLAPIETRO, 2016), inclusive a literária. Este corpo-mídia (GREINER, 2006), que é lugar(es) em movimento, resultado e criador de todas as experiências que o atravessam e se deslocam de fora pra dentro, de dentro pra fora, do movimento para a palavra, da palavra para o movimento. Corpo, palavra e movimento se misturam neste processo de criação, neste gesto sempre inacabado (SALLES, 2011). Com o intuito de ativar ainda mais este corpo, a escrita será à mão, portanto é necessário papel e caneta. Não é necessário ter experiência em dança ou já escrever poesia – o único pré-requisito é vir de roupa leve e cabeça, corpo e coração abertos.
COMO CRIAR UMA LÍNGUA? CONLANGS E LINGUÍSTICA EM DIÁLOGO
Victor Campos (UNESP-SJRP) e Derik Santos (UNESP-SJRP)
Resumo: O fascínio pelas línguas tem longa data, e o ser humano, na sua eterna busca pela (des)construção de diálogos, chegou até mesmo a recriá-las completamente, produzindo as chamadas conlangs (em inglês, constructed language “língua construída”). Houve uma explosão de interesse por elas a partir dos anos 2000 com obras de entretenimento da cultura pop em que figuravam línguas ficcionais. Esta oficina pretende apresentar os conceitos de conlang, uma breve historiografia da atividade de conlanging, e apresentar exemplos reais de conlangs, conhecidos ou não do público leigo; e, por fim, realizar uma atividade prática de construção de uma língua artificial, com o fim de estimular o conhecimento (meta)linguístico dos participantes e promover reflexões acerca da importância das línguas — naturais ou artificiais — para a constituição do ser humano. Além disso, a oficina relaciona-se com o tema da 36a Semana de Letras ao abordar como as redes sociais propiciaram o surgimento de toda a comunidade de conlangers ao redor do mundo, e como servem de ferramenta de interação e comunicação para criação de conlangs (Bettega, Corino, Merlo, 2023). A proposta se justifica, também, a partir de discussões e questionamentos acerca do ensino de língua e de linguística vigente na maioria dos currículos das instituições de ensino, tanto básico quanto superior, limitado a métodos tradicionais, que se observa serem pouco interessantes pedagogicamente (Enguehard, 2022; Bettega, Corino, Merlo, 2023). A oficina contará com uma apresentação de slides e uso de lousa, principalmente como suporte interativo para registro dos participantes durante a atividade prática de criação de uma conlang.