Ao apresentar sua pesquisa em uma conferência, o pôster científico é uma ferramenta essencial. Contudo, o design tradicional desses pôsteres tem sido cada vez mais criticado por sua ineficácia. Em um vídeo recente, o pesquisador Mike Morrison incita um movimento para reinventar o design de pôsteres científicos. Sua abordagem visa maximizar o impacto e a compreensão do público.
O conteúdo desse vídeo é excepcional e vale a pena assistir na íntegra. No entanto, para facilitar, resumirei os principais pontos por escrito logo abaixo.
O tradicional "muro de texto" nos pôsteres científicos é amplamente ineficaz para transmitir informações em um ambiente de conferência. Felizmente, as teorias de UX (User Experience - Experiência do Usuário) podem nos ajudar a melhorar drasticamente a forma como projetamos e apresentamos nossas pesquisas em pôsteres.
Pesquisas mostram que muros de texto são ineficazes, levando a uma sobrecarga cognitiva e uma retenção mínima de informações. Em vez disso, devemos repensar a estrutura dos pôsteres para tornar a experiência mais acessível e envolvente para os participantes.
Um conceito fundamental na reformulação de pôsteres é a teoria da coleta informacional. Essa teoria propõe que as pessoas buscam informações de maneira similar aos animais em busca de alimento: minimizando o esforço (carga cognitiva) e maximizando o retorno informacional. Aplicando esse conceito aos pôsteres, podemos aprimorar o "perfume informacional" — a capacidade do pôster de fornecer pistas úteis e rapidamente compreensíveis.
Você pode ler mais sobre a teoria da coleta informacional aqui e entender como ela impacta o design de pôsteres científicos.
Mike Morrison, autor da metodologia BetterPoster, descreve três abordagens para melhorar a eficácia dos pôsteres
No modo fácil, a principal recomendação é simplificar o título. Use uma frase curta e direta que resuma o principal achado do seu estudo. Isso aumenta o perfume informacional e ajuda a reduzir a carga cognitiva. Veja como minimizar a carga cognitiva.
No modo desafiador, o objetivo é transmitir o máximo de informações possível em cinco segundos. Uma maneira eficaz de fazer isso é transformar seus achados principais em uma linguagem casual e conversacional, pois estudos mostram que a linguagem conversacional é mais clara do que a linguagem formal].
Adicione uma imagem rápida e facilmente interpretável, pois combinar texto e imagem ajuda na elaboração e retenção da informação. Para saber mais sobre isso, leia sobre a importância da elaboração na memória.
Veja esse exemplos
Para levar seu pôster ao nível avançado, você deve focar em gerar uma experiência visual única que envolva as emoções dos espectadores. Estudos sobre a memória afetiva de trabalho indicam que gatilhos emocionais podem melhorar significativamente a retenção de informações. Saiba mais sobre como a memória afetiva trabalha na ciência.
Além disso, você deve adicionar elementos de "surpresa e deleite" ao pôster — pequenos toques inesperados, mas que se conectam ao seu tema, como cores vibrantes ou imagens inusitadas que capturam a atenção e permanecem na memória dos participantes.
Veja esse exemplo de pôster do LabDiv.
Se você esquecer de tudo que leu nesse post lembresse dessa máxima:
Regras de ouro do poster científico:
Não coloque no seu poster coisas que as pessoas vão ignorar
As pessoas ignoram a maioria das coisas
A evidência é clara: o modelo tradicional de pôsteres científicos é ineficaz. Melhorar o design pode não só atrair mais pessoas, mas também gerar melhores conversas e um impacto mais profundo. Se quiser experimentar esses conceitos, você pode baixar [templates de pôsteres](https://osf.io/6ua4k) prontos no Open Science Framework.
Para mais leituras sobre como UX pode transformar o design de pôsteres, confira recursos da Nielsen Norman Group e comece a planejar seu próximo pôster com essas ideias inovadoras!
Ainda precisa de ajuda? Marque um atendimento com um de nossos mentores.