O MITO DO FIM DOS DEUSES
Por Leticia Aguiar
Disponibilizamos acima como sugestão o video do canal Nerdologia do historiador Felipe Figueiredo.
A mitologia nórdica é comumente lembrada pelo mito do Ragnarök, adaptada e representada em séries, filmes e jogos das mais variadas maneiras, mas com um único propósito, gerar o máximo de entretenimento. Os veículos midiáticos ajudaram na disseminação exacerbada do mito do ragnarök, criando uma consciência histórica naqueles que consomem o conteúdo produzido, aumentando o desafio do professor em desconstruir essa imagem passada pelas mídias.
O ragnarök significa “destino dos deuses” ou “consumação dos destinos dos poderes supremos” e está relacionada a uma série de catástrofes que se encerram com a morte da maioria dos deuses nórdicos e a destruição de parte do universo, mas o mundo se reestrutura e resta assim, para os deuses sobreviventes e humanos uma renovada ordem cósmica. Tudo é narrado no poema “völuspa” presente na edda poética.
[...] “O sol fica negro, a terra afunda no mar,
as estrelas brilhantes desaparecem do céu;
o vapor sobe na conflagração,
a chama quente joga alto contra o próprio céu.”
O fim do mundo se inicia após a morte do deus Baldur, com um longo inverno que tem duração de três anos, juntamente com uma grande onda de violência, ódio, guerras e destruição. A ordem antes estabelecida pelos deuses não existe mais, assim como as leis e regras dos homens. O mundo passou por grandes catástrofes até o frio e a neve consumirem toda a terra. Os lobos filhos de Fenrir perseguiram e destruíram o sol e a lua, gerando escuridão e caos na terra.
A serpente do mundo - jörmungandr - é acordada devido ao caos que acontecia e, se contorcendo, sai de seu esconderijo marinho, o que ocasiona em maremotos e dilúvios. O navio Naglfar - navio feito com as unhas dos mortos que transporta os gigantes - entra em movimento devido ao tremor nos mares. O pássaro vermelho de Hel com seus cantos alerta Heimdall que soou a corneta “O ragnarök está começando”. Nesse momento todos os deuses e guerreiros de elite de odin preparam-se e dirigem-se ao local da batalha final, a planície de Vigrid. Gigantes de fogo e gelo liderados por Loki se preparam para a batalha. O lobo Fenrir, antes aprisionado por Odin, se Libertou e partiu para a batalha em busca de vingança.
A batalha final foi um confronto épico e catastrófico, com os deuses enfrentando seus inimigos até a morte. Odin lutou contra Fenrir e foi derrotado pelo lobo, que o engoliu. Thor que travava uma luta contra sua inimiga, Jörmungand, conseguiu vencê-la, mas o veneno da serpente afetou o Deus, e assim como Odin, faleceu. Frey lutava apenas com chifres de alce, foi vencido pelo gigante Surt. Loki e Heimdall duelam até a morte de ambos. A batalha tem seu fim com a morte de todos os deuses, exceto os filhos de Odin - Vali e Vidar - e de Thor - magri e modri, que vingam seus pais e conseguem escapar da morte.
Com isso, Midgard foi completamente queimada devido ao incêndio de Surt e seus gigantes, submergindo as cinzas e logo sendo consumida pelas ondas do mar. O ragnarök trouxe o caos primordial de volta. A mitologia narra que após uma longa duração de cinzas e água que imergiram o mundo, aos poucos a terra toma forma, voltando sua vegetação.
É válido destacar que boa parte da mitologia nórdica baseia-se na aceitação do seu destino, na fragilidade da vida e na aceitação da inevitável morte. O mito está focado em abordar a fase cíclica da vida, o processo de destruição e reconstrução, de morte e renascimento.
Disponibilizamos conteúdos para aprofundar o seu conhecimento acerca da mitologia do fim do mundo viking, breve informações sobre os deuses citados e como o professor de ensino básico pode abordar esse tema em sala de aula.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FAUR, Mirella. Ragnarok: O Crepúsculo dos Deuses: Uma Introdução à Mitologia Nórdica. São Paulo: Cultrix. 2011.
STURLUSON, Snorri. Edda em prosa: Gylfaginning e Skáldskaparmál. Trad. Artur Avelar.[SL]: Editora Barbudânia, 2015.
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