O Intercult - Programa de Intercâmbios Culturais da UEM, ligado à DCU, tem como objetivo realizar intercâmbios nacionais e internacionais entre a UEM e outras instituições. O programa está de acordo como Plano de Cultura da UEM (2024-2028), aprovado na I Conferência de Cultura , principalmente no que diz respeito ao estímulo de intercâmbios, residências artísticas, trocas de saberes, cursos e oficinas que promovam a arte e a cultura por meio do deslocamento de pessoas artistas. Para André Rosa, Diretor de Cultura da UEM, “o programa é uma estratégia para que nós possamos não apenas mostrar o que nós fazemos, sobretudo a nível internacional, mas para que nós possamos trazer para Maringá pessoas fazedoras e produtoras de cultura de relevância nacional e internacional para compartilharem seus saberes e metodologias conosco”.
Ações em andamento
Uma exposição itinerante vai percorrer os campi da Universidade Estadual de Maringá Muros separam territórios mas não conseguem conter a arte. É justamente esse contraste que dá o tom da exposição “Cores da Resistência – Grafites nos Muros da Palestina”, que começa sua circulação pelos campus da Universidade Estadual de Maringá (UEM) a partir de Umuarama.
A abertura será nesta quinta-feira (26/03), às 15h30, convidando a comunidade universitária a mergulhar em um olhar sensível e potente sobre o Oriente Médio.
A mostra reúne 20 fotografias do repórter fotográfico Christian Rizzi, produzidas durante uma expedição em 2019. Nas imagens, os muros — inclusive o chamado “Muro do Apartheid” — deixam de ser apenas estruturas de concreto e se transformam em telas de resistência, identidade e denúncia.
Cada grafite revela histórias, memórias e símbolos profundamente enraizados na cultura palestina, como a chave do retorno e as oliveiras — elementos que atravessam gerações como marcas de pertencimento e esperança.
Fruto de uma parceria entre a Diretoria de Cultura da UEM e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), a exposição também carrega um propósito maior. Mais do que circulação artística, a iniciativa reafirma o papel da universidade como espaço de escuta, reflexão crítica e promoção da cultura de paz. “A exposição leva o selo Gira Cultura UEM que prevê a circulação nos campus e agora com parcerias internacionais”, assinala o diretor de Cultura da Universidade, André Rosa.
Com a chancela da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) e do Comitê Maringaense de Solidariedade à Palestina, a mostra propõe um encontro direto com o olhar do outro — e um convite inevitável: refletir sobre os limites entre ocupação e liberdade, silêncio e expressão. Onde há tentativa de apagamento, a arte existe para insistir.
UMUARAMA - de 23/03 a 10/04 no Pátio A do CTC
A Universidade Estadual de Maringá (UEM) recebe, a partir desta segunda-feira (02/03), a instalação imersiva “La Violencia en el Espacio”, fruto do trabalho do fotógrafo Carlos Salamanca e da pesquisadora Pamela Colombo, da Argentina. A exposição é articulada no Brasil pelo produtor cultural Luciano D’Miguel, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), e ficará aberta ao público na Biblioteca Central da UEM.
A instalação integra uma ampla rede de pesquisadores vinculados a 21 universidades argentinas, que investigam temas como gentrificação, uso do espaço urbano, arquitetura, sociologia e artes. O projeto propõe uma reflexão crítica sobre a organização das cidades e os processos de exclusão social materializados na paisagem urbana.
Segundo Luciano D’Miguel, a proposta vai além da fruição estética. “Não é apenas um objeto artístico, mas uma experiência provocadora, que convida à reflexão. A instalação discute como o espaço urbano pode ser utilizado para afastar e invisibilizar populações, especialmente as mais vulneráveis”, explica.
“La Violencia del Espacio” é composta por cinco estruturas cúbicas de madeira, que criam ambientes imersivos. Dentro desses espaços, o visitante é convidado a mergulhar em imagens e narrativas que analisam diferentes formas de exclusão territorial na América Latina.
A pesquisa parte, entre outros marcos históricos, do período da ditadura militar argentina na década de 1970, especialmente durante a Copa do Mundo de 1978. Um dos exemplos abordados é o “Fuerte Esperanza”, construção erguida à época que, vista de cima, reproduz o símbolo oficial do mundial — evidenciando a relação entre arquitetura, poder político e propaganda.
Ações realizadas
Estão abertas, até o dia 31 de agosto, as inscrições para a Oficina “Multi-Tradução” com o pesquisador Anani Sanouvi. A atividade tem o objetivo de promover a investigação, formação, criação e performance de resiliência e regeneração.
A ação é destinada a profissionais e estudantes das áreas de dança, teatro, performance ou artistas que trabalham a partir da ação física em geral; bem como estudantes, profissionais do campo da psicologia, antropologia, sociologia, arquitetura e etnologia.
Entre as propostas, estão:
1) Realizar exercícios sensoriais que introduzem epistemologias não antropocêntricas, promovendo uma conscientização e aprendizado inicial sobre o aprendizado gerado na relação com dimensões extra-humanas.
2) Cultivar formas incorporadas de sentir e criar que desafiam e desestabilizam padrões coloniais normativos de percepção.
3) A prática de técnicas performativas e rítmicas fundamentais para abrir caminhos de geração de conhecimento que transcendam estruturas antropocêntricas e logocêntricas.
Sobre a oficina:
Baseada na epistemologia Ewe, promove a reflexão crítica sobre como percebemos, nos relacionamos e geramos conhecimento, alimentando capacidades cognitivas e somáticas em diálogo com dimensões extra-humanas do saber. Como pedagogia criativa e prática de pesquisa, incentiva os participantes a se afastarem do pensamento logocêntrico e linear, entrelaçando dimensões performáticas e sensoriais por meio de uma experiência visceral, física e mentalmente intensa. Com uma visão da pedagogia como prática política, envolve sistemas de conhecimento e culturas que sustentam sensibilidades não antropocêntricas – funcionando como uma forma transubjetiva de sentir e transitar entre mundos.
Sobre o ministrante:
Anani Sanouvi é um criador transmídia e do movimento, pesquisador e educador que investiga o embaralhamento ontológico entre sua epistemologia Ewé e a contemporaneidade, por meio de encruzilhadas transculturais e estratégias contra-coloniais. Nascido no Togo, passou a infância no Gabão, morou no Senegal, na Bélgica, na Holanda e no Brasil, e atualmente reside em Portugal. Recebeu reconhecimento internacional como laureado da UNESCO, do África Center, do Instituto Sacatar e do Prêmio Rolex Mentor & Protégé, e seu trabalho foi apresentado em diversos espaços ao redor do mundo. É mestre em Artes Plásticas-Dança pelo Bennington College e criou a pedagogia “Multi-Tradução” e a tecnicidade “Agama-Fo”, com as quais ministrou cursos e workshops em várias universidades, bem como em companhias de dança e teatro em vários países. Além disso, participou de seminários e conferências de destaque em diversas instituições. Desde 2023, é pesquisador na Graduate School da Universidade das Artes de Berlim.
De 16 de janeiro a 4 de abril, a Diretoria de Cultura (DCU) da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Estadual de Maringá (UEM) realiza a exposição “Solis”, do artista uruguaio Gabriel Bruzzone, na Galeria de Artes da Biblioteca Central (BCE) da UEM. A ação marca o início do Intercult - Programa de Intercâmbios Culturais da UEM. A abertura da exposição e o lançamento do Intecult acontecem em um evento conjunto no dia 16 de janeiro, às 19h30, no Auditório da BCE. Neste dia, Gabriel Bruzzone também realiza uma palestra vinculada à temática de suas obras. O evento, assim como a visita à exposição, é gratuito e livre para todos os públicos.
A palavra latina sol, “Solis” está associada a uma raiz de língua indo-europeia “sawel” e com o grego (helios-sol). De acordo com Emílio Medeiros, autor do texto de apresentação da exposição, “as obras apresentadas por Gabriel Bruzzone nos convidam a descobrir as infinitas maneiras que o deus Solis nos permite contemplar a natureza em todo o seu mistério”. Em um jogo de luz e cor, as paisagens recriadas pelo artista refletem sobre “essa universalidade de onde viemos e para a qual inevitavelmente iremos”, completa Medeiros.
Há quarenta anos, Gabriel Bruzzone vive a arte por meio da pintura e da escultura. Começou seus estudos com dois grandes discípulos do artista Torres Garcia, também mestres do atêlie Torres García: Pepe Montes e Añelo Hernández. Em suas andanças, trabalhou e estudou na Espanha, França e Alemanha. Em Montevidéu, foi diretor do ateliê do Museu Torres Garcia e, desde 2012, é professor titular da escola de Belas Artes da Universidade da República de Montevidéu. Atualmente, é um dos poucos representantes vivos a seguir e ensinar as tradições do Taller Torres Garcia.