COMO OCORRERAM OS SURTOS DE VÍRUS NO LONGO DA HISTÓRIA GLOBAL?
As epidemias e pandemias que aconteceram , foram registradas ao longo da história e causaram momentos de grande tensão e transformações nas sociedades , as colocando sob ameaças.
Uma EPIDEMIA faz referência a doenças que se disseminaram por uma região geográfica limitada, como uma cidade. Já o termo PANDEMIA é utilizado para se referir a uma doença que se espalhou por um espaço geográfico muito grande, como um continente.
Segue a linha do tempo dos principais vírus globais, que causaram impactos na sociedade e que refletem nos dias atuais:
A partir do verão de 430 a.C., a cidade de Atenas, uma das grandes cidades da civilização grega, foi atingida por um surto epidêmico. A doença iniciou-se na zona portuária de Atenas e espalhou-se pelo resto da cidade. Os casos começaram a aparecer bem no início da Guerra do Peloponeso, e tiveram um efeito fulminante nas tropas atenienses.
Dado o contexto em que essa doença se iniciou em Atenas, os estudiosos do assunto chegaram à teoria de que a grande circulação de pessoas por causa da guerra facilitou a disseminação da enfermidade. Os sintomas foram descritos por Tucídides: primeiramente, uma violenta dor de cabeça; os olhos ficavam vermelhos, logo sentia-se uma dor no peito e tosse chegando até as convulsões.
Apesar de ter sido conhecida como “peste de Atenas” e o nome sugerir que se tratou de um surto de peste bubônica, os estudiosos sugerem que a doença que atingiu a cidade grega não foi essa. Um estudo conduzido no começo do século XXI com base em ossadas de uma vala comum encontrada chegou à conclusão da ocorrência de febre tifoide, mas existem outros estudos que apontam tifo.
Esse vírus não reconhecido causou a morte de até 35% da população ateniense.
A Idade Média presenciou uma das maiores pandemias da humanidade, a de peste bubônica, que recebeu o nome de peste negra e é tradicionalmente conhecida por ter dizimado, pelo menos, cerca de 1/3 da população europeia.
Infectavam-se por meio de pulgas de ratos contaminados com a bactéria Yersinia pestis. Acredita-se que a origem dessa doença tenha sido da região da Ásia Central. A peste bubônica chegou à Europa em 1347 por comerciantes genoveses, transmitida por via respiratória, o que facilitou a disseminação da doença por todo o continente. Mesmo sem saberem com que doença lidavam, perceberam que o isolamento era uma forma de evitar. O nome popularizou-se por causa de bubões que apareciam em algumas partes do corpo dos que adoeciam. Estima-se que a peste bubônica possa ter causado a morte de até 50 milhões de pessoas no continente europeu.
A doença teve origem em África, de onde se espalhou para a América do Sul através do comércio de escravos no século XVII. Desde então que têm ocorrido vários surtos da doença na América, em África e na Europa. Nos séculos XVIII e século XIX, a febre amarela era uma das mais perigosas doenças infeciosas, foi o primeiro vírus humano a ser isolado. O vírus da febre amarela é transmitido pela picada de um mosquito fêmea infectado, esse vírus infecta apenas seres humanos, outros primatas e várias espécies de mosquitos, como da espécie Aedes aegypti.
O diagnóstico é feito através de reação em cadeia da polimerase, inoculação de soro sanguíneo em culturas celulares. Os sintomas iniciais da febre amarela, dengue, malária e leptospirose são os mesmos. Portanto, é necessário a realização de exames laboratoriais para a diferenciação. A prevenção da febre amarela se dá através do combate aos mosquitos e de vacinação. Nas áreas de risco, a vacinação deve ser feita a partir dos seis meses de vida, como é exemplo as regiões do Norte do Brasil.
Foi uma grande epidemia de varíola que atingiu grande parte do Japão . Matou aproximadamente 1/3 de toda a população japonesa, a epidemia teve repercussões sociais, econômicas e religiosas significativas em todo o país.
Muitos nobres da corte morreram devido à varíola em 737, incluindo todos os quatro irmãos do clã Fujiwara. Provocou deslocamentos, migrações e desequilíbrios significativos do trabalho em todo o Japão. Os setores mais afetados foram a construção e a agricultura, principalmente o cultivo de arroz.
O mundo não seria mais o mesmo após a pandemia de 1918. Depois da Gripe Espanhola, a saúde pública ganhou mais importância. Houve também uma preocupação maior dos governantes em relação à população, tiveram hospitais feitos às pressas ou ampliados. O saldo da doença no mundo foi terrível, seria entre 50 milhões e 100 milhões de mortos, e no Brasil cerca de 35 mil mortos.
Em um mês o sistema de saúde entrou em colapso devido à grande quantidade de pessoas doentes. Os médicos da época não sabiam como tratar adequadamente a doença, primeiro, por ela ser nova, e segundo, porque a medicina até então não tinha conhecimento suficiente para tal ação. Nenhum medicamento era eficaz e muitos locais adotaram medidas de isolamento social. Em alguns deles, como nos Estados Unidos, adotou-se o uso de máscaras para reduzir-se o contágio. Muitos locais incentivaram a população a entrar em quarentena.
PANDEMIA DE AIDS (1970-ATÉ HOJE)
Os primeiros casos da infecção foram relatos no Estados Unidos, Haiti e África Central. Acreditava-se ser uma "doença gay" tendo em vista a quantidade homossexuais contaminados. Com o tempo, observou-se o crescimento da infecção de mulheres, heterossexuais, dependentes de drogas injetáveis.
No Brasil, detectou-se inicialmente no estado de São Paulo, por volta de 1982. Somente em 1984, quando milhares de pessoas já haviam contraído a doença, que o retrovírus, considerado agente etiológico da AIDS, foi descoberto. Os sintomas iniciais da infecção por HIV podem ser confundidos com gripe. A síndrome da imunodeficiência adquirida, é uma doença causada pelo HIV que ataca o sistema imunológico e deixa o organismo vulnerável a doenças.
HOJE: No Brasil, o Ministério da Saúde estima que 866 mil pessoas vivam com o vírus HIV e a epidemia no país é considerada estabilizada. Em 2017, foram diagnosticados 42.420 novos casos de HIV e 37.791 casos de AIDS.
Em 1976, foram identificados, pela primeira vez, casos de doença pelo vírus ebola em regiões do Sudão e da República Democrática do Congo. Acredita-se que uma espécie de morcego seja a transmissora do vírus.
A ebola é uma doença grave e capaz de matar tanto seres humanos quanto primatas. Recentemente, entre 2013 e 2016, causou um surto epidêmico em regiões da África Ocidental. Esse surtou chamou a atenção da Organização Mundial da Saúde e de muitos países que chegaram a decidir pelo fechamento de suas fronteiras.
A doença manifesta-se com os seguintes sintomas: febre, dor de cabeça, vômitos e diarreia até hemorragias, que afetam partes do corpo como intestino e útero. O contágio acontece quando uma pessoa tem contato com restos de animais contaminados pelo vírus. O vírus pode ser transmitido para outras pessoas por meio de secreções, como saliva, sangue, fezes, urina e sêmen.
O último surto epidêmico de ebola atingiu países como Libéria, Serra Leoa e Guiné, infectando 28.454 pessoas, das quais 11.297 faleceram. A falta de condições sanitárias ideais acaba tornando muito mais fácil a rápida disseminação do vírus.
Em poucos meses de evolução e expansão da doença, ela se expandiu para um grande número de países, até que em março de 2020 a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou o surto da doença como uma pandemia. A população de forma geral tem encarado a epidemia de duas formas: negação quanto à capacidade patogênica do vírus e pânico. Ambas são atitudes controversas, haja vista que a negação advém principalmente do fato de a doença ter uma baixa letalidade e muitos a tratam com descaso. Para conter o avanço da doença pelo mundo, várias cidades suspenderam eventos e aulas, além de fecharem suas fronteiras. Em algumas regiões, foi adotado o lockdown.
O sistema de saúde entrou em colapso no mundo inteiro, em alguns hospitais pacientes morrendo asfixiados por falta de oxigênio, outros sem leitos. O ano de 2020 se encerrou com mais de 82,5 milhões de pessoas infectadas, somando mais de 1,8 milhão de mortos. No Brasil, dados atualizados até o dia 30 de dezembro mostram 7.619.200 casos confirmados e 193.875 vítimas.