COMO AS VACINAS FORAM FEITAS? QUAL A EFICÁCIA?
GRIPE ESPANHOLA
Como não havia vacina na época contra o vírus, o tratamento era feito para combater o sintomas e normalmente era receitado pelo médico “aspirina”, que é um anti-inflamatório usado para aliviar a dor e baixar a febre.
Em 1944, foi desenvolvida a primeira vacina contra a gripe pela Universidade de Michigan, enquanto, no Brasil, foi lançada em 1948, pelo Instituto Butantan. Nos anos seguintes, também foram produzidas a vacina bivalente (contra o H1N1 e o Influenza B) e, posteriormente, a trivalente (contra o Influenza H1N1 e H2N3 e o B).
Desde sua criação, as campanhas de vacinação foram responsáveis pela redução da incidência de doenças como tuberculose, coqueluche, sarampo, poliomielite e rubéola. No Brasil, as campanhas contra o vírus Influenza contam com um calendário de vacinação sazonal instituído pelo Ministério da Saúde desde 1999. Por conta de sua característica de mutação, todos os anos o Governo Federal oferta uma nova vacina para a população.
COVID-19
Com o início da vacinação contra a Covid-19 em janeiro no Brasil, muitas dúvidas em relação à tecnologia, eficácia, contraindicações e distribuição das vacinas começaram a surgir. Para entender melhor a situação de cada imunizante, confira abaixo as diferenças e os principais pontos das vacinas:
BUTANTAN/CORONAVAC
A vacina de origem chinesa é feita com o vírus inativado: ele é cultivado e multiplicado numa cultura de células e depois inativado por meio de calor ou produto químico, ou seja, o corpo que recebe a vacina com o vírus inativado começa a gerar os anticorpos necessários no combate da doença. A eficácia geral da CoronaVac é 50,38%, ou seja, os vacinados têm 50,38% menos risco de adoecer e, caso pegue covid-19. A vacina oferece 100% de eficácia para não adoecer gravemente e 78% para prevenir casos leves. A vacina foi criada na China pela farmacêutica Sinovac, mas, no Brasil, a parceria com transferência de tecnologia foi feita com o Instituto Butantan.
OXFORD/ASTRAZENECA/FIOCRUZ
A vacina produzida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, usa uma tecnologia conhecida como vetor viral não replicante. É utilizado um "vírus vivo", como um adenovírus, que não tem capacidade de se replicar no organismo humano ou prejudicar a saúde. A AstraZeneca e a Universidade de Oxford anunciaram dois resultados distintos de eficácia desta vacina: 62% quando aplicada em duas doses completas e 90% com meia dose seguida de outra completa. A eficácia média, segundo os cientistas responsáveis, é de 70%. A vacina foi criada no Reino Unido em uma parceria entre a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca.
PFIZER/BIONTECH
A vacina utiliza a tecnologia chamada de mRNA ou RNA-mensageiro, diferente da CoronaVac ou da AstraZenca/Oxford, que utilizam o cultivo do vírus em laboratório. Os imunizantes são criados a partir da replicação de sequências de RNA por meio de engenharia genética, o que torna o processo mais barato e mais rápido. A farmacêutica Pfizer anunciou no dia 8 de abril que sua vacina contra a Covid-19, elaborada em parceria com a empresa alemã BioNTech, é segura e tem 95% de eficácia. Em 19 de março, o governo Bolsonaro assinou contrato de compra de 100 milhões de doses com o laboratório.
MODERNA
Assim como a da Pfizer, a vacina da Moderna também utiliza a tecnologia de RNA mensageiro, que mimetiza a proteína spike (proteína específica do vírus Sars-CoV-2), que o auxilia a invadir as células humanas, porém, essa "cópia" não é nociva como o vírus, mas é suficiente para desencadear uma reação das células do sistema imunológico, que cria uma defesa robusta no organismo. A única diferença para a vacina da Pfizer é que esta necessita de armazenamento de -20ºC. Um estudo publicado por cientistas independentes no New England Journal of Medicine confirmou que a vacina da Moderna tem eficácia de 94,1% na prevenção da doença.
SPUTNIK V/INSTITUTO GAMALEYA
Assim como a da AstraZeneca, a Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya de Pesquisa da Rússia, é uma vacina de "vetor viral", ou seja, ela utiliza outros vírus previamente manipulados para que sejam inofensivos para o organismo e, ao mesmo tempo, capazes de induzir uma resposta para combater a covid-19. Uma vez injetados no organismo, eles entram nas células e fazem com que elas passem a produzir e exibir essa proteína em sua superfície. A vacina tem eficácia de 91,6% contra a covid-19 em suas manifestações sintomáticas, segundo uma análise dos testes clínicos publicada pelo periódico The Lancet e validada por especialistas independentes.
JANSSEN
A vacina produzida pela farmacêutica Janssen, da companhia Johnson & Johnson, diferente das outras, precisa apenas de uma dose única. A tecnologia é baseada em vetores de adenovírus, mas, ao serem modificados para desenvolver a vacina, eles não se replicam e não causam resfriado. Em janeiro deste ano, a farmacêutica anunciou eficácia global da vacina de 66%. Em março, a Janssen informou que o imunizante contra covid-19 tem 87% de eficácia contra formas graves da variante brasileira. No dia 19 de março, o governo assinou contrato de compra de 38 milhões de doses, mas sem data exata de entrega, e no dia 24 de março, a Anvisa recebeu o pedido de registro emergencial da vacina da Janssen no Brasil.