Nasceu na cidade de Corumbá (atual Mato Grosso do Sul), no dia 26 de janeiro de 1903. Fez uma brilhante carreira profissional. Ao colar grau em abril de 1926, Carmem foi nomeada engenheira-auxiliar pelo então prefeito do Distrito Federal Alaor Prata, paraninfo da turma. Carmen foi a terceira mulher a se formar engenheira no país.
Casou-se no início dos anos 1930 com médico Gualter Adolpho Lutz (1903-1969), irmão de Bertha Lutz, do qual se separou poucos anos depois. Ainda nesta década, fez o primeiro curso de urbanismo do país. Poucos anos depois, candidatou-se a uma bolsa do Conselho Britânico para estagiar junto às comissões de reconstrução e remodelação das cidades inglesas destruídas pela guerra, como uma forma de complementar seu curso de urbanismo. Aprovada a bolsa, Carmem seguiu para a Inglaterra, onde chegou ainda com a guerra em curso. Foi uma experiência importante, como ela relatou mais tarde, pois pode sentir o problema da falta de moradia e acompanhar de perto as propostas e o esforço para a solução do problema.
Voltando da Inglaterra, Carmen fez uma proposta ao prefeito do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, de criação de um Departamento de Habitação Popular. Dessa maneira, tornou-se uma das responsáveis pela introdução do conceito de habitação popular no Brasil, uma vez que, evidentemente, as desigualdades sociais brasileiras faziam com que a moradia também fosse um problema grave na própria Capital Federal. O prefeito do Distrito Federal aceitou a proposta e acabou nomeando-a diretora do novo departamento. Assumindo o departamento, Carmen propôs e construiu, na década de 1950 o conjunto residencial ‘Pedregulho’, no bairro de São Cristóvão. O projeto arquitetônico de 'Pedregulho' coube a Affonso Eduardo Reidy, seu marido, na ocasião e membro integrante do mesmo Departamento de Habitação Popular da prefeitura.
Também foi de autoria de Affonso Reidy o projeto arquitetônico do conjunto da Gávea, onde, novamente, Carmen foi à engenheira responsável pela obra. A construção dos conjuntos habitacionais projetou-a no Brasil e no exterior como engenheira de renome, mas o conjunto de 'Pedregulho' ela não chegou a acompanhar a construção até o fim, pois, com a ascensão do jornalista Carlos Lacerda ao governo da Guanabara em 1962, Carmem acabou pedindo aposentadoria e saiu do serviço público. Suas divergências políticas com Lacerda eram irreconciliáveis. Não obstante deixar a carreira pública, permaneceu em plena atividade profissional, trabalhando desta vez para a iniciativa privada. Assumiu a construção do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, que também fora projetado por Reidy.
Em meados da década de 1960, a convite do governador da Guanabara, Francisco Negrão de Lima, criou a Escola Superior de Desenho Industrial, uma experiência pioneira para a época. Naqueles anos, mesmo no exterior, havia poucas escolas de desenho industrial, das quais, a mais famosa era a Bauhaus, na Alemanha. Coube, assim, a Carmen dirigir, por vinte anos a Escola de Desenho Industrial, depois incorporada a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Faleceu no Rio de Janeiro em 25 de junho de 2001 aos 98 anos de idade.
Engenheira Civil Carmen Portinho.
Vista do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho). Projeto arquitetônico de Affonso Eduardo Reidy. Projeto estrutural de Carmen Portinho.
Vista da escada de acesso ao Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro.Projeto arquitetônico de Affonso Eduardo Reidy. Projeto estrutural de Carmen Portinho.
Construção do MAM-RJ
Corte e Elevação do Conj. Residencial "Pedregulho".
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - desenho: Márcio Zamboni.
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