As Mãos do Flautista
por Michel Debost
Tradução Moises Enrico Mascolo

Estabilidade na Flauta é o pré-requisito para a saúde e eficiência instrumental durante o tocar. Estabilidade ajuda na tonalidade assim como a virtuosidade, o legato assim como a articulação, a intensidade alta assim como a baixa, o controle da dinâmica assim como a entonação.

Flautas Primitivas ou sofisticadas, de todas as idades e origens étnicas, têm uma coisa em comum: Eles possuem o mesmo ponto de descanso na mão esquerda – a primeira junta do dedo indicador da mão esquerda¹, se posiciona no meio entre o bocal², e o polegar da mão direita³.


Da minha perspectiva instrumental, a total solidariedade entre o bocal e o queixo é resultado de um equilíbrio isométrico de forças entre esses pontos de sustentação. Essas forças ao serem aplicadas não servem para manter a flauta suspensa verticalmente, ao contrário disso, servem para manter em um plano horizontal, isto é, perpendicular à flauta.

O primeiro professor deve ser extremamente paciente e meticuloso. Mudar uma posição de mãos equivocada depois dos primeiros 6 meses de aulas é muito frustrante tanto para o estudante quanto para o próprio professor.

Uma das vantagens do sistema Francês (chaves -abertas) é que guiam o iniciante à uma saudável posição de mãos. Uma flauta com Sistema-Francês, se for possível encontra-lo, é o instrumento ideal para se começar. Uma vez que uma boa posição é estabelecida, o sistema Francês acaba por não fazer diferença mais. É um tipo de fetish. Se a posição em G# (Sol sustenido) é mais confortável, então essa deverá ser a escolha correta.


MÃO ESQUERDA

Até certo ponto, é possível dizer que a mão esquerda é mais indispensável que a mão direita. É possível tocar metade de toda a abrangência da flauta apenas com a mão esquerda sozinha, usando os dedilhados harmônicos:


A mão direita melhora a entonação e a “cor” dessas notas, mas elas já estão lá, de alguma forma, com a mão esquerda. Passagens inteiras podem ser tocadas desta maneira. Notas brancas são tocadas assim como dedilhadas; A# (Lá Sustenido) e Bb(Sí bemol) são dedilhados com o polegar sobre a chave do Bb.


Nenhuma quantidade de fechamentos com a mão direita irão ajudar se os dedilhados da mão esquerda não forem precisos.

 Outro exemplo útil dessa estabilidade para a produção de tons: Golpeie com ff (Fortíssimo) sobre um Gm (Sol Menor) ou um G# (Sol Sustenido); o som poderá ser um pouco incerto. Agora tente novamente a mesma coisa enquanto cruza por cima da sua mão direita para segurar a articulação entre a cabeça e o corpo da flauta, perto de onde está a gravura da marca do instrumento: sentirá que traz maior segurança. Para estas notas também, se houver tempo, estabilidade extra é sempre bem-vinda.


A mesma ideia se aplica para as notas pp (pianíssimo) maiores: solidariedade entre o bocal e o queixo providencia uma margem extra de controle.

Eu tenho frequentemente perguntado a mim mesmo por que tantos professores e métodos requisitam que o pulso esquerdo esteja “quebrado”. Isso realmente não ajuda em nada, mas pode levar à lesões e dores na mão ou até mais pra cima, no braço. A razão para tal é que permite o dedo anelar esquerdo alcance a chave G (Sol) mais facilmente. Se for esse o caso, um G deslocado (como aquele no tradicional sistema Boehm e entre a maioria das flautas para iniciantes) iria ser melhor que o sistema in-line ou o Sistema Francês.

Eu acredito que primeiramente deve haver o maior conforto possível, sem nenhum esforço adicional: assim sendo, permitindo a morfologia, os dedos devem estar planos e alinhados com o antebraço. Isso implica que o ombro esquerdo não deverá ser erguido muito longe do tronco.

Uma simples ideia para uma boa posição da mão esquerda e do pulso: fique em pé como se você estivesse esperando por um ônibus, braços ao longo do corpo, flauta na sua mão direita. Agora, delicadamente segure o lóbulo da sua orelha entre o polegar e o indicador.

Este gesto faz com que você erga o seu braço, vire a cabeça alguns graus para a esquerda, e eleva seu ombro não mais que o necessário. Finalmente, traga sua flauta para a mão esquerda: esta é uma posição natural.

Quando você eleva uma pequena garrafa para os seus lábios usando a mão esquerda, seu movimento acaba por ser totalmente natural. Se sua posição para tocar é parecida, então não há nada para se acrescentar.

Quando o pulso está sobre uma angulação excessiva, o polegar esquerdo encontra-se puxado para cima além das hastes da flauta. Seu processo de alavanca é pequeno, portanto, eficientemente menor. Com o pulso relativamente reto, a parte mais carnuda do polegar acaba por operar as chaves B e Bb (Briccialdi). A posição é melhor e a ação é mais flexível.


MÃO DIREITA

Os fortes músculos do braço esquerdo providenciam o principal esforço de estabilização do instrumento. E é contra balanceado, em grande parte, pela força transversal do braço direito, o qual tem todo o foco encontrado no polegar da mão direita[4] em contato com a flauta.

O polegar direito, por natureza, não deve segurar o peso da flauta verticalmente. Isto faz com que necessite de mais força para agarrar assim como também o apertar do polegar para com a flauta. Ao invés disso, deve-se manter a posição da flauta num plano horizontal a fim de permitir maior liberdade nas ações realizadas pelos dedos da mão direita. Esses dedos devem, pela mesma razão, estar planos em relação ao instrumento dando maior conforto. Quando um livro ou um objeto plano é pego de uma estante alta, os dedos não estão beliscando o objeto, nem rodeando o objeto.

O pulso direito está alinhado com os dedos, os quais estão quase planos. A posição do polegar está quase se opondo ao espaço entre o indicador direito e o dedo médio (dependendo da conformação individual da mão adotada pelo músico). O professor não deve permitir que o polegar se disperse debaixo da alavanca Bb. Algumas vezes o dedo médio deve estar sutilmente menos plano que os outros dedos para compensar o espaçamento entre eles. Em geral, no entanto, dedos retos ou planos são preferíveis. Se eles estão realmente rodeando, como geralmente é ensinado, eles irão beliscar a flauta. Um grande esforço é necessário para levantar um dedo que belisca do que um que se mantém plano. Beliscando (ou apertando com muita força) diminui drasticamente o tempo de reação do dedo. Pode impor estresse extra sobre os tendões e criando tensão ao longo de todo o braço.

Algumas vezes músicos iniciantes seguram a flauta com a primeira articulação do dedo indicador direito, descansando-o sobre a haste. Enquanto isso contribui para a estabilidade, dever-se-á a ser desencorajado a continuar com essa prática no começo das aulas pois pode prejudicar o tempo de ação da mão nas passagens rápidas.

Até mesmo quando eles não estão em trabalho, esses dedos devem estar planos e pertos das chaves. A próxima figura mostra uma mão direita negligente (minha!). Esses dedos estão muito longe das chaves. O polegar está muito para frente. Esses dedos estão a ponto de bater com força nas chaves. O resultado será de menor igualdade entre o fraseamento dos dedos e uma técnica de ruído.


Esta é uma das razões pela qual, não há duas articulações no nível do polegar sustentando a flauta, o polegar direito deve estar alinhado com o antebraço. O pulso direito não deve estar posicionado num ângulo: força de qualquer tipo é melhor aplicada por um vetor[5] do que por uma resultante.

Hoje como Ontem, tradição ensina que o dedo mindinho direito7 deve sempre estar posicionado para baixo8 exceto por D1 (Ré da primeira oitava) e D2 (Ré da segunda oitava)9. O resultado é que nós podemos perceber a mão direita inteira em uma posição esquisita, com o dedo mindinho quase se jogando pra fora por meio de uma enorme pressão. Enquanto isto parcialmente é um pretexto para estabilidade, será mais benéfico para muitos jovens músicos se acostumarem com o fato de que estabilidade depende dos dedos que não tocam notas. Meu ponto de vista é que o dedo mindinho direito não deve segurar a flauta, ela deve se livrar disso o mais rápido possível pois este bloqueio é um obstáculo extremamente comum para a destreza da mão direita.


Uma objeção válida: “E se muita pressão for exercida por ambas as mãos (ou braços)?” Isto pode acontecer de fato. Contudo, nós estamos discutindo sobre o balanceamento de ambas as mãos, como se estivéssemos carregando uma tigela cheia de sopa quente: nossos reflexos inatos regulam mutualmente as forças para que o líquido se mantenha nivelado. Respingos acontecem, e durante o tocar da flauta também. Estabilidade pode não significar rigidez. O processo de aprendizado acontece com a atenção à esses problemas. Então vêm a educação dos nossos reflexos, para que a força aplicada naturalmente nos pontos de estabilidade10 não atrapalhem a ação dos dedos produtores de notas, dentre eles o mais notável, o dedo mindinho direito. Sob esse senso, alguém pode dizer que não consegue haver muita estabilidade.

Em poucas palavras:

Lógica e conforto devem ser ensinados cedo. Maus hábitos são difíceis de serem corrigidos. Eles podem machucar. Eles podem entravar o desenvolvimento de jovens flautistas, incluindo machucá-los. Use a força dos músculos dos braços e dos pontos de sustentação para evitar esforço demais e movimentos ruidosos entre os dedos.

Notas__________________________
1 Ponto de Sustentação 1.
2 Ponto de Sustentação 2.
3 Ponto de Sustentação 3.
4 O único dedo que não se utiliza para tocar as notas.
5 Uma linha reta se movendo por uma direção.
6 Uma força resultada de duas ou mais forças aplicadas para o mesmo ponto porém de diferentes direções.
7 Empecilho do Demônio nº 2
8 Isto é, ventilando a lacuna do D#/Eb.
9 Assim como alguns dedilhados opcionais de tons mais altos.
10 Isto é, Pontos de sustentabilidade / Fulcrums.

Autor: Michel. Debost - DEBOST, Michel. Une simple flûte. Editions Van de Velde, Paris, 1996.
Tradução: Moises Enrico Mascolo - Especiais agradecimento a Stefano por essa tradução.

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