A "descoberta" de Fernando de Noronha é atribuída à Américo Vespúcio no dia do naufrágio da nau Capitânia em 10 de agosto de 1503. Na Lettera (carta em que Vespúcio descreve Fernando de Noronha), Vespúcio diz que a ilha foi uma recompense por ele ter vencido o tão temido monstro do mar.
Américo Vespúcio
Foto: Cultura MixMapa do Mundo de Willem Janszoon Blaeu,1606. (mapa completo e recorte do mapa onde Fernando de Noronha é identificada como Fernando de Lorenho)
Fonte: Library of Congress Disponível em: https://www.loc.gov/Por se tratar de uma local com uma ótima localização geográfica, devido sua proximidade com o continente americano, Noronha serviu por um longo período como local de descanso e coleta de víveres pelos aventureiro que por ali passavam. Em 1632, Claude d'Abbeville, descreve sua passagem por Fernando de Noronha, enfatizando todo seu potencial no que se refere a sua fertilidade e natureza. Podemos acompanhar a seguir um trecho dessa descrição:
"[...] é muito bonita e agradável, com uma das melhores terras que se conheçam, naturalmente vigorosa, extremamente fértil e capaz de produzir grande variedade de produtos e dar grandes lucros. Aí permanecemos quinze dias para refrescar e aí encontramos muitos melões, jerimuns, batatas, ervilhas, favas e outros frutos excelentes [...] além de cabras selvagens, galinhas comuns e principalmente uma multidão de pássaros de diversas espécies desconhecidas em nossa terra. [...]" (d'ABEVILLE, 1975, p. 47)
Em 1504, Fernão de Loronha recebeu a ilha "pelas mãos" do Rei de Portugal, passando a ser considerada a primeira Capitania Hereditária do Brasil. A doação se deu pelo fato de Fernão de Loronha ter financiado a expedição de 1503, em que Vespúcio "descobriu" Fernando de Noronha. Mesmo o local sendo reconhecido pelo nome de seu dono, nem Loronha, nem seus descendentes foram visitar a ilha, sendo essa entregue ao abandono.
Com o objetivo de conquistar novas terras e riquezas, as nações europeias estavam em período de expansão. Com toda a movimentação das expansões e principalmente após a União Ibérica, Fernando de Noronha passou por várias ocupações estrangeiras em seu período de "abandono" por parte de Fernão de Loronha. Após várias tentativas de ocupação do local, sobretudo a holandesa devido sua rivalidade com a Espanha e o objetivo de controlar o comércio açucareiro, os portugueses passaram a se incomodar com a presença estrangeira no local. Porém, foi somente na segunda metade da década de 1730 que inicia efetivamente o processo de assentamento humano na ilha. Coube ao engenheiro militar Diogo da Sylveira Vellozo definir o esquema das fortificações noronhenses, no total, foram dez fortificações, sendo duas no Mar de Fora (lado voltado para a África), e oito no Mar de Dentro (lado voltado para o continente Americano).
A Vila dos Remédios também foi erguida nesse período, foi desenhada com a separação do poder civil e religioso em dois pátios, sendo eles a parte superior da Vila dos Remédios e o Pátio da Igreja, respectivamente. E foi a partir de 1737 (quando os portugueses se instalaram na ilha) que Fernando de Noronha passou a ser utilizada como presídio regular. O presídio regular de Fernando de Noronha funcionou durante 201 anos, período esse que houve um aumento significativo da população, passando a ter a presença de mulheres e crianças, o que antes era proibido.
Vila dos Remédios, 1947.
Acervo: ATDEFNVila dos Remédios vista da Fortaleza dos Remédios
Foto: acervo pessoalNo decorrer do tempo, houve várias ocupações estrangeiras, porém, de maneiras diferentes das anteriormente citadas. Em 1898, os americanos da Compganie Des Cables Sud-Americais iniciaram a instalação do cabo telegráfico transoceânico, que pretendia ligar o Brasil à África por meio de transmissões submarinas, que posteriormente, em 1914, passou a ser o Telegrapho Submarino Francêz (foto 01). Já em 1925, os italianos da empresa Compgnia Dei Cavi Telegrafici Sottomarini-Itaucableb construíram a "Italcable" na Praia da Conceição, essa instalação também objetivou a comunicação telegráfica por cabos (foto 02). Em 1927 os franceses da Aeropostal, atual AirFrance, instalaram-se na ilha para dar apoio ao aventureiros que faziam travessias em hidroaviões (foto 03). A quarta ocupação se deu no período da Segunda Guerra Mundial, tendo a instalação de um comando militar americano no local, modificando cada vez mais a paisagem de Fernando de Noronha em decorrência da superpopulação e construções para das instalações americanas (fotos 04, 05 e 06). (SILVA, 2013)
Foto 01: base do Telegrapho Submarino Francês, sem data
Foto: acervo ATDEFNFoto 02: base da Italcable, 1951
Foto: acervo ATDEFNFoto 03: base da AirFrance
Foto: Ana Carolina GamaFoto 04: construção para uso dos militares americanos, hoje conhecido como "iglu", sem data
Foto: acervo ATDEFNFoto 05: molhe construído para descargas de materiais de navios americanos no período da Segunda Guerra Mundial, sem data
Foto: acervo ATDEFNFoto 06: militares americanos e brasileiros posando com um canhão modelo Vickes Armstrong 152.4mm, sem data
Foto: acervo ATDEFNCom o fim da Segunda Guerra, os americanos se foram, mas ficaram os remanescentes da guerra e uma superpopulação que precisava cada vez mais de espaço. Com toda essa agitação em Noronha, vieram os cientistas estrangeiros em busca do reconhecimento ambiental do local, e, em decorrência das suas pesquisas, foi criado o Parque Nacional Marinho (PARNAMAR ), em 1988.
Com os avanços tecnológicos, investimentos em pesquisas e reconhecimento internacional, em 2001 a Unesco declarou a entrada de Fernando de Noronha na lista de Patrimônio Natural da Humanidade. Atualmente, Noronha vem sendo procurada por turistas do mundo inteiro por conta da sua beleza natural extraordinária.
Praia do Sancho (considerada a praia mais bonita do Brasil)
Foto: Ana Carolina GamaREFERÊNCIAS
d’ABDEVILLE, C. Missão: História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e terras circunvizinhas (1632). Belo Horizonte : Editora Universitária USP, 1975.
ALBUQUERQUE, M. A. G. M. . Fernando de Noronha: uma ilha de defesa e a defesa da ilha. Revista da Cultura , v. 21, p. 34-48, 2013.
ALBUQUERQUE, M. A. G. M. ; LUCENA, V. ; NOGUEIRA, R. Projeto de Resgate e Monitoramento Arqueológico na Vila dos Remédios, Fernando de Noronha, Pernambuco. Relatório técnico final apresentado à Superintendência do IPHAN em Pernambuco. 2014.
SILVA, M. B. L. e,. Fernando de Noronha: Cinco séculos de História. 2 ed. Recife: Ed, Universitária UFPE, 2013.