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Existem filmes em que basta apenas uma boa referência para carregar multidões às salas de cinema. “Um filme de Steven Spielberg”, “Produzido por Jerry Bruckheimer”, ou “Estrelado por Jack Nicholson” ou qualquer coisa com o talento de Angelina Jolie são destaques do mês. Elevado à categoria de grandes astros, Pedro Almodóvar é hoje um desses grandes diretores: basta assinar a película para ter um bom tanto de ingressos garantidos. Mais do que isso, Volver é bom por si só. A história de Volver é ótima, envolvente e forte.
O filme fala de duas irmãs, Raimunda e Sole, que retornam à casa da família depois que um incêndio fatal mata os pais. Mais tarde, em um outro reencontro, as irmãs conversam com a Tia Paula, já muito doente e um tanto ensandecida, que jura que é a mãe delas quem cuida da casa e dela mesma. A história absurda é desconsiderada e as irmãs voltam ao que seria vida normal.
Penélope Cruz é Raimunda. Um dia, chega em casa e encontra a filha Paula paralisada: vítima de abuso sexual, Paula se protege matando o pai a facadas. Mãe protetora que é, Raimunda toma as rédeas da situação e decide dar um jeito no corpo do marido. Nesta mesma noite, sua tia também havia falecido. Sole vai ao enterro sozinha e lá se encontra com o fantasma da sua mãe, interpretado por Carmem Maura. Ou melhor: o fantasma da mãe, Irene, é que se encontra com ela, fugindo escondido no porta-malas do carro.
O 16º longa-metragem de Almodóvar é, na verdade e novamente, sobre mulheres: três famílias de uma mesma família do interior da Espanha. Irene é a mãe que precisa ser perdoada pela filha Raimunda. Esta é jovem, trabalhadora, forte e amorosa. Sole, também filha de Irene, foi deixada pelo marido, tem medo de mortos e possui um salão de cabeleireiro clandestino. E Paula, a mais nova de todas, aprende com as parentas como é ser uma daquelas mulheres.
Volver, como o próprio nome anuncia, é um retorno ao que de melhor o diretor e roteirista sabe fazer: falar sobre mulheres. Almodóvar assumiu que o longa trata muito sobre ele mesmo, e, por isso, volta à região onde nasceu, à infância e ao universo feminino. é um filme de atrizes, segundo o diretor, e sem elas, o filme não existiria: “Minha vocação é ser o primeiro espectador delas”, afirma.
O filme não é fantasioso, não é escrachado nem melodramático. Além das mulheres, o filme é sobre a morte e como ela pode ser natural para muitos povos, como se morrer não passasse de um ato civil, uma necessidade orgânica, mas não definitiva, divisória ou fatal. Uma falsa russa, o cadáver de um homem escondido em um freezer e um morto que pede para pintar os cabelos parecem levar o filme para um desencadeamento bizarro, mas, antes que possamos perceber, Almodóvar apresenta dramas tão diários e realidades tão próximas de nós, que tudo se torna verossímil, acreditável e absurdamente real.
O primeiro depois de “Má Educação”, de 2004, seguido de “Fale Com Ela”, de 2002, e “Tudo Sobre Minha Mãe”, de 1999, “Volver” vem recebendo elogios por onde passa e colecionando prêmios. Penólepe Cruz já recebeu o Hollywood Award e, em Cannes, Volver ganhou o prêmio coletivo por interpretação feminina e de melhor roteiro.
Os 121 minutos do filme são primorosos. Colorido como sempre, bem acompanhado como sempre, polêmico como sempre, Almodóvar é indispensável. O roteiro é muito bem conduzido, levando à calmas lágrimas e sorrisos de satisfação. Imperdível, como sempre.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Volver
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