Plano Cultural de Escola 2025-2026
Plano Cultural de Escola 2025-2026
Plano Nacional das Artes [Apresentação e caminho - https://www.pna.gov.pt/]
Ano letivo 2025-26
“É urgente o amor. (…) É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas.” – Eugénio de Andrade
(Cada ser humano é um mundo: Inclusão não é apenas abrir portas, mas garantir a aceitação de diferentes modos de ver e sentir o mundo).
Face à consciência que não podemos adotar perante o mundo um lugar de abstenção, conformismo e passividade, à necessidade ética de olhar e dar voz ao diferente, ao marginalizado e ao invisível do mundo que habitamos e à crença de que as diferentes formas de arte são potenciadores de intervenção e educação em prol dos Direitos Humanos.
O Plano Cultural de Escola (PCE) pretende levar a Escola a desejar realizar e participar numa programação cultural que visa uma cidadania crítica, ativa e participativa.
Neste ano letivo, interessa-nos, numa Escola cada vez mais multicultural, multirracial incidir sobre a necessidade de acolhimento do diferente, continuamente em minoria, esquecido e marginalizado. Pretendemos olhar para a “aldeia” toda – derrubar muros, fazer da Escola um polo cultural da cidade, indisciplinar a Escola, promover a Democracia cultural e potenciar o acesso da comunidade discente à cultura, produzindo cultura com os alunos e não apenas para os alunos.
Confiamos nos artistas e na mais valia dos processos artísticos.
Link para o PCE da Escola Secundária José Falcão [https://drive.google.com/file/d/1hQB1c8uaE74_fgP-NkQpiu9CL8oEhRQ1/view?usp=sharing]
Programa de Atividades [https://drive.google.com/file/d/11fQfMSLodZ-kZhc7FvQWJ8F_Gw0G8WGB/view?usp=sharing]
Preparar a Sala de Exposições - O PCE exige preparação
A aluna Leonor Matos, da turma do 12.º 5, do ano transato, foi selecionada como uma das finalistas, pelos membros do júri do Projeto "A(r)Riscar" - "Bicentenário de Camilo Castelo Branco
A cerimónia de entrega de prémios irá decorrer no dia 4 de outubro pelas 15h00, na sede da Ajudaris, sita na Rua de São Jorge 144, 420-484 Paranhos.
A professora Carmo Almeida lançou o desafio a todos os alunos de Artes, acompanhando os projetos dos alunos participantes.
A professora Alexandra Nogueira, incentivou a participação dos alunos nas suas aulas de Desenho A.
Parabéns à Leonor Matos, a todos os participantes e envolvidos no processo!
Juntos vamos continuar a “A(r)Riscar”!
No âmbito da celebração do Dia Mundial da Música e integrado no tema da Biblioteca Escolar para o presente ano letivo — “Para além das estantes: IA, bibliotecas e o futuro das histórias” —, toda a comunidade educativa a assistir a um Concerto Musical.
O evento realizar-se-á no átrio, junto à porta da Biblioteca Escolar, no dia 1 de outubro, entre as 10h15 e as 10h30.
Será um momento de celebração da música enquanto linguagem universal, promotora de cultura, partilha e inspiração.
Modos de Ver
7 a 13 de outubro (10º9 e professora Carmo Almeida)
«Só vimos aquilo para que olhamos.
O olhar é um ato de escolha.
A arte do passado já não se encontra entre nós como um dia esteve.
No seu lugar existe uma linguagem feita de imagens».
Visita à exposição «Triunfo e Fama», do artista plástico António Valente, no Centro Cultural do Penedo da Saudade, no dia 1 de outubro, com a turma do 12º9, no âmbito da disciplina de Desenho A, com a professora Alexandra Nogueira.
26ª edição da Festa do Cinema Francês decorrerá em Coimbra, entre 8 e 11 de outubro, no Teatro Académico de Gil Vicente.
Programação especialmente dedicada às escolas, pensada para aproximar os alunos da língua e da cultura francesa através do cinema.
Nesta edição são duas sessões para escolas:
9 outubro, 15h00 - TAGV - Amor e Queijo, de Louise Courvoisier, 92' | M/14
10 outubro, 15h00 - TAGV - O Fabuloso Destino de Amélie, 122' | M/12
Desvio: Sair para Entrar, com o PNC.
A Filosofia também se pode traduzir e pensar em imagens: A professora Isabel Tavares solicitou à turma do 10º9 que formulasse um problema filosófico e o ilustrasse e estes foram alguns dos trabalhos produzidos:
Registos de Formas Naturais e Artificiais
(trabalhos realizados no âmbito da disciplina de Desenho A - professora Alexandra Nogueira)
Visitas orientadas por Jorge Cabrera à exposição «TRIZ », da artista brasileira Laura Vinci, com curadoria do Agnaldo Farias.
Novembro 2025 - Turmas 12º9 e 11º9, com o professor Paulo Pereira.
CAPC da Sereia
Desvio Sair para Entrar
«Pensar como a montanha» - CAPC Sede - Curadoria Sara Antónia Matos (12º9)
Desvio Sair para Entrar - com a professora Maria Alexandra Reis Eloy Taborda Nogueira
9 de novembro de 2025 - ida com alunos e alunas assistir ao filme «A memória do cheiro das coisas», de António Ferreira
O cinema, a guerra colonial e a velhice.
«Jardim da Revolução» celebra a memória e a liberdade.
Uma instalação que integra o Projeto EDA50, do Conselho Nacional de Educação (CNE).
O Projeto EDA50, promovido pelo CNE, pretende sensibilizar os jovens para o significado do 25 de Abril, através de entrevistas intergeracionais que recolhem memórias do antes e depois da Revolução.
Desenvolvido entre 2023 e 2026, envolve escolas de todo o país e resultará num acervo nacional que preserva a memória das transformações de Portugal nos últimos 50 anos.
De 11 a 21 de novembro de 2025, a Sala de Exposições da Escola Secundária José Falcão de Coimbra transforma-se num espaço vivo de memória e intervenção com a instalação «Jardim da Revolução», uma criação coletiva que integra as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974.
A iniciativa, de caráter participativo e interventivo, é coordenada por Cristina Janicas, coadjuvada por Alexandra Nogueira, Paulo Pereira, Carmo Almeida e Micael Ferreira, e contou com a colaboração dos alunos das turmas 3, 4, 5 e 9 do 10º ano (ano letivo 24-25), da Escola Secundária José Falcão.
Os temas propostos são a Crise Académica de 1969 e na Guerra Colonial, o projeto propõe um diálogo intergeracional sobre a resistência, a censura, as lutas estudantis e o papel dos jovens na transformação social e política que conduziu à Revolução dos Cravos.
A instalação combina arte, som e memória, recriando um espaço simbólico onde máquinas de escrever dão vida a cravos, evocando a força das palavras e o poder da liberdade. Ao longo da exposição, o público poderá ouvir excerto de entrevistas e testemunhos recolhidos por alunos (através de um QR Code).
«Jardim da Revolução» é mais do que uma instalação: é um ato de participação e reflexão que convida toda a comunidade escolar e o público em geral a revisitar os valores de Abril.
Participantes: Alunos das turmas 3, 4, 5 e 9 do 10ºano (do ano letivo 24-25)
Entrevistado não identificado
Fernando Lourenço Bordalo
Januário Pires
João Manuel Dias
João Redondo
Joaquim Gabriel Rodrigues Marques
Joaquim Matias dos Santos Vicente
Joaquim Santos
José Amado Cunha; Júlio Barreto Soares; Amândio Patrício
José Francisco
José Manuel Fernandes
José Pereira
José Simões de Azevedo
Júlio Pereira dos Reis
Manuel Almeida
Manuel da Ascensão Batista
Manuel Mendes Rama
Manuel Santos
Manuel Matos Costa
Maria da Conceição Almeida Rasteiro
Maria de Jesus Gameiro
Maria Fátima Teixeira Martins
Maria Fernanda Saraiva Tavares
Maria Inês
Marília Baptista
Mário Conceição e Maria Vitória
Miguel Sá
Acesso às entrevistas sem QRCode
Link - https://drive.google.com/drive/folders/1p5MkPZC0g28smYcP2ov3bWDNY0_V3Gze?usp=drive_link
Ficha Técnica
Foram entrevistados:
Adelaide Seabra
Adriano Santos Martins
Alfredo Dias Mendes
Álvaro Silvestre Lopes
Amândio Patrício
Amaro Pereira Jorge
Ana Maria Alto da Veiga
António Barruncho Barraca
António Freire
António Lucas
António Marinho Pinto
António Martins
Armando Leitão
Artur Gomes
Augusto Martins
Aurélio Marques Borges
Avô Zé
Carlos Júlio
Conceição Marinho
Deolinda Portelinha
Edite Silvestre
Eduardo Castela
Eduardo Pereira Correia
Narcindo Rodrigues da Cunha
Pedro Antunes
Rogério Almeida Caetano
Rosário Gama
Rui Castela
Rui Damasceno
Viriato Pereira Calado
Vítor Manuel da Costa Fernandes
Atividade Paralela
Salomé Lamas. Terra de Ninguém
https://youtu.be/4yUFavG2yoQ?si=s4EAHJEafie9QB0I
Uma sala vazia e uma cadeira. Neste lugar de ninguém, José Paulo Sobral de Figueiredo vai descrevendo a sua vida como comando, mercenário e sem-abrigo. Na juventude, durante a Guerra Colonial em Moçambique e Angola, foi um implacável soldado de elite que sentia prazer na morte a sangue-frio. Após a revolução, trabalhou como guarda-costas em Portugal e, mais tarde, como um mercenário da CIA em El Salvador, para finalmente terminar como um dos assassinos a soldo da GAL (Grupos Antiterroristas de Liberación), participando em vários ataques a membros da ETA.
Com realização da jovem realizadora Salomé Lamas, "Terra de Ninguém" teve a sua estreia internacional no Festival de Cinema de Berlim, depois de ter ganho quatro prémios DocLisboa 2012, incluindo Melhor Filme e Prémio do Público.
No dia 13 de novembro foi inaugurada a exposição “Jardim da Revolução” destinada a evidenciar a importância histórica e os valores do 25 de abril, articulando temas como a Crise Académica de 1969 e a Guerra Colonial. Combinando arte, som e memória a instalação procurou criar um ambiente propício à reflexão.
A visita à exposição revelou-se uma experiência profunda e marcante. Desde o início, tornou-se evidente que não estávamos apenas a observar simples objetos, documentos ou fotografias: estávamos a contactar com histórias reais de coragem, resistência e sacrifício. Cada elemento exposto ajudou-nos a compreender melhor as dificuldades daqueles que viveram tempos de grande repressão e incerteza.
Percebemos como muitos estudantes tiveram de tomar decisões difíceis e arriscadas durante o período fascista. Através dos testemunhos e dos registos da época, conseguimos imaginar o ambiente vivido: a repressão, o medo constante, a pressão sobre quem ousava contestar e, ao mesmo tempo, a força de quem não desistiu dos seus ideais.
A sala transmitia uma força indizível, como se cada objeto carregasse a memória viva de quem atravessou tempos sombrios. As entrevistas dispostas sobre as mesas pareciam conversar entre si, criando um eco silencioso de testemunhos que ainda hoje pesam no pensamento de quem os carrega. Mesmo sem nos apercebermos de imediato, a disposição do espaço guiava-nos pelo lado humano da história: duas cadeiras colocadas frente a frente, separadas por barras de ferro, lembravam-nos que, para muitos, a liberdade foi reduzida a visitas rápidas e distantes, marcadas por olhares que tentavam substituir abraços impossíveis. Havia uma subtileza poética no espaço: as máquinas de escrever com cravos e poemas lembravam que, mesmo em plena violência, alguém continuou a escrever e a resistir. A luz suave dos candeeiros criava um ambiente sereno que, em vez de suavizar o passado, tornava-o ainda mais evidente, destacando aquilo que tantas vezes evitamos enfrentar: a vulnerabilidade humana perante a opressão.
Um dos aspetos mais importantes da exposição foi a perceção de que essas memórias continuam presentes na mente de quem as atravessou, carregadas de emoção. Para essas pessoas, não são apenas episódios históricos, mas experiências que moldaram as suas vidas.
Para mim, esta visita foi essencial. Ajudou-me a olhar para o passado com mais consciência e respeito, lembrando-me de que a liberdade, os direitos e as oportunidades que hoje temos resultam também da coragem de quem enfrentou momentos difíceis. A exposição não só me mostrou o que muitos passaram, como reforçou a importância de preservar e transmitir estas memórias, para que nunca se percam e para que possamos compreender plenamente o caminho que foi feito até aqui.
Inês Saraiva
Programa «Grande Panorama Internacional CINANIMA 2025 – CINANIMA vai às Escolas»
10 a 21 de novembro 2026
Lavomatrix - O sujeito que se deixa lavar
por Alex Carrilho (nº1/11º3
O que significa “entrar no sistema”?
Em Lavomatrix (2024), curta-animação francesa de Matthieu Fulcheri e equipa da Rubika, esta pergunta adquire uma forma literal e perturbadora. Lavomatrix apresenta-se como uma parábola sobre a integração do indivíduo num sistema dominante, transformando-o em produto. Através de uma narrativa de ficção científica, o filme aborda temas como a perda da individualidade, a ilusão da liberdade de escolha e a transição da juventude para a idade adulta da conformidade social. O cenário da ficção é menos uma distopia do futuro e mais um espelho do presente: vivemos todos na lavandaria social, onde a pureza se confunde com conformidade.
Mas o que acontece quando o rito de passagem se torna num rito de submissão? Quando o amadurecimento é confundido com formatação? Quando a purificação é, na verdade, apagamento?
O ponto de partida da história, o dia em que o protagonista completa 18 anos, carrega o simbolismo clássico da entrada na idade adulta, momento em que a sociedade exige que o indivíduo assuma responsabilidades e se integre nas suas estruturas. Todo o rito de passagem implica perda. Na antropologia clássica, Arnold van Gennep descreve o rito como “passagem de um estado para outro”, um movimento que exige morte simbólica do indivíduo anterior para que um novo possa emergir. Em Lavomatrix, esse rito é literalizado: ao atingir a maioridade, cada jovem recebe um convite para “se juntar à grande família OMNI”. A narrativa coloca o protagonista diante de uma decisão aparentemente livre: aceitar ou não o convite da OMNI. O convite é apresentado como um privilégio, mas a mise-en-scène revela o contrário: o ritual é mecanizado, impessoal e obrigatório. A liberdade é encenada, não exercida. O que se apresenta como escolha é, na verdade, uma condição imposta pela estrutura social. A sociedade de Lavomatrix é autoritária, não existe um “fora” do sistema. Esse tema dialoga com preocupações contemporâneas: a sensação de liberdade formal que esconde uma profunda falta de autonomia real. O poder moderno não se impõe pela força bruta, mas pelo consenso, pela estética da adesão, pela promessa de pertença. Surge aqui a questão filosófica central: é possível distinguir o livre-arbítrio da obediência, quando a norma se interioriza como desejo?
O protagonista não é coagido a entrar no sistema; ele deseja fazê-lo. O poder moderno, diz Michel Foucault, "não reprime, produz" e o que produz é o próprio sujeito que o perpetua. O protagonista não é punido por desobedecer; ele é recompensado por se conformar. O elemento central do filme, a lavandaria, é uma das imagens mais sugestivas da narrativa. Lavar implica limpar, eliminar impurezas, restaurar a aparência de pureza. A limpeza pode significar purificação, mas também censura, branqueamento, esquecimento. Contudo, em Lavomatrix, o ato de “lavar” adquire um significado sinistro: o sistema não limpa roupas, mas lava identidades e apaga a humanidade do indivíduo. Entrar na lavandaria é atravessar um processo de purificação social: o protagonista é “limpo” das suas imperfeições, desejos e contradições humanas, tornando-se adequado à lógica coletiva. O título, que combina “lavandaria” e “matrix”, reforça essa fusão entre o simbólico e o tecnológico, um espaço onde a purificação é também programação, onde a máquina reconfigura a mente e o corpo do indivíduo para ajustá-lo ao modelo dominante. Questiona-se a forma como a sociedade transforma a passagem para a maturidade num processo de normalização, em que o sujeito é absorvido e padronizado pelo sistema.
O nome do protagonista, Luka 237-02, já sugere a eliminação da identidade pessoal. O número é o emblema do sujeito moderno: identificável, rastreável, quantificável. Ele é mais um número numa sequência, mais uma peça do conjunto, "another brick in the wall". A curta mostra, portanto, o processo de despersonalização que acompanha a integração social num sistema burocrático e totalitário. A estética visual do filme reforça essa sensação de impessoalidade. O corpo humano é tratado como matéria a ser moldada, limpa e reciclada. Assim, a curta pode ser lida como uma reflexão sobre a alienação do sujeito na era da automação, quando até os ritos simbólicos são mediados por máquinas e algoritmos. A aparência ritualizada, limpa, precisa, torna-se parte da própria crítica: o espectador é atraído pela beleza do sistema ao mesmo tempo que percebe o seu caráter opressor. É uma ambiguidade deliberada: questionamos a sedução da ordem, a beleza do controlo. Essa escolha estética reflete a forma contemporânea do conformismo: a normatividade tornou-se bela. A homogeneidade não é mais vista como uma ameaça, mas como uma harmonia. Ser igual é ser adequado. “Uma vez dentro do sistema, já é tarde demais para voltar atrás.” A frase, repetida na sinopse e implícita no decorrer do filme, funciona como axioma existencial. Há limiares que, uma vez atravessados, não permitem retorno. O rito de passagem é também um ponto sem retorno, onde o sujeito perde algo essencial para sempre. A lavandaria não é só o lugar da transformação, mas também o espaço da dissolução. Essa irreversibilidade ecoa mitos antigos, como o rio Lete, que apaga a memória, e obras modernas que exploram a absorção do indivíduo pela máquina social, de Metropolis (1927) a The Matrix (1999). Lavomatrix insere-se nessa linhagem, reinterpretando o mito da integração como um ato de apagamento identitário. Mas o que se esquece, exatamente? Não apenas o passado, mas o próprio gesto de lembrar. O sistema não apaga apenas memórias, apaga a consciência da perda. A lavagem é total. É proposta uma leitura simbólica do mundo contemporâneo, onde a tecnologia substitui o sagrado. O sistema OMNI, com os seus códigos e cerimónias mecânicas, é uma nova religião: promete pertença e pureza em troca de submissão. O rito na lavandaria é o batismo da era digital. Se toda a iniciação é uma forma de perda, resta perguntar: o que é lavado, e o que permanece sujo? O filme não oferece resposta. A narrativa termina onde começa a Filosofia: na dúvida. A estética limpa e controlada, o ritmo calculado, a ausência de emoção explícita são parte da ironia: o espectador é convidado a admirar a beleza do sistema enquanto se inquieta com o seu significado. O filme lembra-nos que a normalização é o maior triunfo do poder, porque nos faz desejar o que nos destrói. Ser lavado é ser aceito, mas é também perder o que nos fazia únicos. Contra essa lógica, talvez a resistência consista precisamente em manter-se sujo: conservar as manchas, as falhas, as diferenças que o sistema tenta apagar. A sujidade aqui é metáfora de humanidade: aquilo que escapa à máquina, o resto não assimilável, o traço de imperfeição que nos torna livres. Como escreve Deleuze, "há sempre algo de indomável no pensamento". Lavomatrix convida-nos a reencontrar esse indomável, o pensamento que não se deixa lavar.
Referências:
Van Gennep, A. (1909). Les Rites de Passage.
Foucault, M. (1975). Surveiller et punir: Naissance de la prison.
Fulcheri, M. et al. (2024). Lavomatrix.
Rubika (2024). “Projetos de Animação 3D – Lavomatrix.” Disponível em: https://rubika-edu.com/realisations/animation3d-lavomatrix.
Deleuze, G. (1991). Qu'est-ce que la philosophie?
“Nie”, curta-metragem de animação realizada por Janka Kočíšek, da Áustria, nasce da delicadeza do desenho em papel — um gesto íntimo, quase respirado, que acompanha a fragilidade do tema.
O filme procura traduzir a experiência de quem habita um país estrangeiro e se vê subitamente suspenso entre línguas, costumes e gestos que não reconhece. É como se a realidade, por um instante, deixasse de ter legendas. A jovem protagonista tenta comunicar, mas a própria boca desprende-se quando tenta falar — o corpo recusa-se a sustentá-la, como se a incomunicabilidade corroesse não apenas a voz ou a fala, mas o direito de existir plenamente. Este gesto simbólico revela a perda da palavra, da afirmação, da possibilidade de se inscrever no mundo com clareza.
Quando pergunta a alguém se fala inglês — essa língua tantas vezes proclamada “universal” — recebe apenas um nie. Um simples “não” que ecoa como uma porta fechada, ampliando o silêncio e a solidão. A comunicação deixa de ser ponte e torna-se muro.
A reflexão central do filme parece sussurrar que, num território desconhecido, os sentidos vacilam, a confiança se desfaz, e até o corpo se torna estrangeiro para si mesmo. O realizador expõe, com delicadeza, a textura emocional da incerteza — essa sensação de caminhar entre vozes que não se reconhecem.
Ao mesmo tempo, a curta convoca a empatia: lembra-nos que, por trás de um pedido simples, pode existir uma batalha íntima para preservar identidade e autonomia num espaço que parece evidente apenas para quem o habita.
“Nie” transforma uma situação aparentemente banal numa experiência de ansiedade quase táctil. O desenho em papel traz uma atmosfera de fragilidade e instabilidade que espelha o estado interior da protagonista. O momento em que a boca cai é talvez o mais marcante — um símbolo cru da perda de identidade, da impotência perante o indizível. E o nie que recebe, quando tenta refugiar-se no inglês, intensifica o absurdo e o isolamento que a rodeiam.
A obra destaca-se pela fusão entre o real e o surreal, revelando a violência silenciosa de existir num lugar que não acolhe nem compreende. Cada gesto da personagem parece embater num mundo que não responde, criando uma vulnerabilidade quase física, como se o ar entre ela e os outros fosse demasiado denso para atravessar.
“Nie” capta, com rara sensibilidade, o desamparo de nos sentirmos deslocados quando tudo aquilo que deveria sustentar-nos — o corpo, a língua, o contacto humano — falha. Pequena em duração, mas imensa na reverberação emocional, é uma obra que permanece na memória pela força com que traduz, em imagens frágeis, a profundidade do nosso próprio silêncio.
Hala Tarboush, nº11, 11º4
De 24 a 28 de novembro de 2025, a Sala de Exposições da Escola Secundária José Falcão (ESJF) acolhe a instalação «Quando a ausência grita», uma iniciativa criada no âmbito do Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres (25 de novembro).
Fotos da montagem da exposição «Quando a ausência grita»
"The exhibition was a tuching experience, especially the part led by teacher Janicas. The mirror showed an important idea: we can be victims, and we need to talk about it. This really resonated with me and made me think about my own life, including a past abusive relationship. Teachers Janicas's examples, like a partner telling someone what to wear and using unkind words, felt very familiar. It reminds us that controlling someone and saying hurtful things are never okay in a relationship. Recognizing these signs is the first step to stopping the cycle and creating a culture of respect and strength. Let's keep supporting each other, making sure everyone's voice is heard, and working towards a future without abuse."
Elisa Moscheta
Visiting the exhibition on violence against women left me deeply shaken and reflective. As I walked through the displays, I felt a chilling sense of reality settle over me, as the stories revealed how common and insidious violence against women truly is. Each display made the pain and fear of the victims tangible, and I could not help but feel both sorrow and urgency - sorrow for what they endured, and urgency to raise awareness and act against such injustices. The experience left a lasting impression, reminding me that confronting these harsh truths is the first step toward creating a safer and more compassionate world.
Diana Marto Simões Marques
The International Day for the Elimination of Violence Against Women is marked on November 25th. At school, I visited an exhibition dedicated to this issue, and what caught my attention the most were the red wool skeins, symbolising the blood shed by the victims of this endless violence. In 2025, 24 women were murdered in Portugal due to this type of heinous crime in my opinion, a number that highlights the urgency of continuing to address this problem.
It is essential to promote awareness from an early age, so that young people learn to reflect, to discern, and to form their own opinions about such a serious topic. Giving a voice to those who did not have one and encouraging people to report abuse are crucial steps in fighting this reality and building a fairer and safer society for all women.
Pedro Camargo Olivero
On November 25th, we mark the International Day for the Elimination of Violence Against Women, a date that reminds us of the importance of promoting respect, equality, and safety for all.
To highlight this day, our school has organized a themed exhibition, showcasing various student projects, posters, and creative works that address the reality of gender-based violence and the need to combat it.
The goal is to raise awareness within the school community, encourage reflection, and show that every action counts in building a more conscious and supportive environment.
The exhibition invites everyone to observe, learn, and take part in creating change.
Mariana Maia da Costa Cruz
The exhibition presented a powerful look at the fight against violence towards women. On display were pieces of clothing that symbolically belonged to victims. Each piece told the stories behind the violence and reminded visitors that these women were more than just numbers or statistics.
The presentations combined strong visual elements with brief explanations and personal stories, helping visitors understand the social and cultural issues that allow this violence to continue. The exhibition encouraged people to reflect, question their assumptions, and face the reality of gender-based violence.
Overall, the exhibition was not only aimed at honoring the victims. By transforming clothing into symbols of resistance, it called for greater awareness, change, and the protection of women's rights.
Alicia Tomás
Desvio: Sair para Entrar com a turma do 10º9
SESSÃO DE CINEMA ESCOLAR
26 DE NOVEMBRO - 10:00H
TAGV – TEATRO ACADÉMICO GIL VICENTE | COIMBRA
«O Fotógrafo de Minamata»
Sessão de cinema, promovida pelo Plano Nacional de Cinema (PNC) em colaboração com o TAGV, está integrada no VII Congresso Literacia, Media e Cidadania -Comportamentos, Narrativas e Direitos Humanos (https://gilm.pt/congressolmc/), promovido pelo Grupo Informal de Literacia Mediática (GILM) em colaboração com a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), a ter lugar em 27 e 28 de novembro, em Coimbra.
Semana da Cultura Científica
Poema para Galileo, de António Gedeão (Rómulo de Carvalho)
Migrant rights are human rights
Borders are built to protect power & profit, not people,
Every autumm, birds fly south -
because staying would mean dying.
We call that nature
But when people do the same,
we call it illegal.
Louisa Schneider, 2025
Cidadania e Desenvolvimento; Direitos Humanos; Inglês e Desenho A; 11º9
Exposição Colectiva - Salão 40 [Oficina de Desenho]