PLANO CULTURAL DE ESCOLA 26-27
PLANO CULTURAL DE ESCOLA 26-27
Plano Cultural de Escola - Escola Secundária José Falcão de Coimbra - ano letivo 2026-27
Consultem o PCE - Escola Secundária José Falcão:
https://drive.google.com/file/d/16ge_GjBVxHgywPbNLEYXd716-soI1UaT/view?usp=sharing
Anexo 1 - PCE [Programação Cultural - Atividades] 26-27:
https://drive.google.com/file/d/1pLHgy2w2HT45WpBz3GwQwhX2ZWvPMTZm/view?usp=sharing
Exposição "AGORA, PEREGRINO VAGO E ERRANTE", da coleção dos encontros de fotografia do CAV.
A inauguração será realizada no dia 1 de Outubro, pelas 18:30h.
Esta exposição poderá ser visitada até ao dia 5 de Novembro, na sala de exposições da escola.
Fotografias de Paulo Pereira
Turmas 12º7 e 8 de Sociologia
AGORA, PEREGRINO, VAGO E ERRANTE
Uma viagem entre imagens, sons e memórias
A exposição Agora, Peregrino Vago e Errante, pertencente à coleção dos Encontros de Fotografia do CAV — Centro de Artes Visuais, propõe-nos uma viagem através de fotografias, territórios e memórias. A exposição nasceu no contexto do Festival das Artes, dedicado ao tema “Mensageiros”, e relaciona-se com duas datas marcantes: os 500 anos do nascimento de Luís de Camões e os 50 anos do 25 de Abril de 1974.
A palavra “peregrino” sugere, desde logo, alguém que viaja. Tradicionalmente, o peregrino é aquele que percorre um caminho com um destino, muitas vezes associado a uma procura ou a uma experiência de transformação. Mas peregrinar não significa apenas deslocar-se fisicamente. Também podemos ser peregrinos através das memórias, das histórias e das imagens que nos levam para outros lugares e outros tempos.
Na exposição, esta ideia de viagem relaciona-se com a própria figura de Camões. A convocação do poeta faz-nos pensar na viagem como uma experiência de descoberta, encontro e confronto com o outro, mas também como uma construção histórica e simbólica. As fotografias atravessam diferentes territórios ligados à presença portuguesa, à expansão da língua e da cultura e ao imaginário de Os Lusíadas.
Peregrino: aquele que procura
Ser peregrino é estar a caminho. O peregrino não é necessariamente alguém que sabe exatamente o que vai encontrar. O próprio caminho transforma aquilo que procura.
Neste sentido, podemos olhar para as fotografias da exposição como etapas de uma viagem. Cada imagem pode ser entendida como uma paragem, uma janela para um território, uma pessoa, uma memória ou uma história. O visitante torna-se também peregrino: percorre a exposição, observa, interpreta e constrói o seu próprio caminho entre as imagens.
A fotografia permite, assim, viajar sem sair do lugar.
Vago: aquilo que não é completamente definido
A palavra “vago” introduz outra dimensão. Vago é aquilo que não está totalmente definido, aquilo que pode permanecer aberto a diferentes interpretações.
Uma fotografia parece mostrar-nos uma realidade concreta, mas nunca nos dá necessariamente toda a história. Vemos uma paisagem, um rosto, um espaço ou um vestígio, mas podemos perguntar: quem esteve aqui? O que aconteceu antes? O que irá acontecer depois? Que memórias ficaram escondidas nesta imagem?
Por isso, a exposição não apresenta a fotografia apenas como um documento. As imagens são também formas de construir memória e de produzir diferentes sentidos. O significado de uma fotografia pode mudar consoante o contexto, os sujeitos e o olhar de quem a observa.
O “vago” permite-nos, portanto, imaginar. Entre aquilo que a fotografia mostra e aquilo que não mostra existe um espaço para a nossa interpretação.
Errante: aquele que não deixa de caminhar
O errante é aquele que vagueia, que percorre diferentes caminhos, que nem sempre segue uma direção fixa. Ao contrário do peregrino tradicional, que pode ter um destino definido, o errante parece aceitar a incerteza do caminho.
Esta ideia está muito presente na exposição, que nos coloca perante migrações, fronteiras, conflitos, periferias urbanas, vestígios coloniais e símbolos nacionais. São realidades marcadas por deslocações, rupturas e permanências.
Ser errante pode significar, neste contexto, estar entre lugares e identidades. Quem parte deixa para trás uma paisagem, mas leva consigo memórias, hábitos, língua e histórias. Ao chegar a outro lugar, encontra novas realidades e transforma-se. A viagem passa, assim, a ser também uma viagem interior.
A paisagem sonora: viajar através da voz
A experiência da exposição é acompanhada pela paisagem sonoro-poética Amor que nos tem cativos, que estabelece uma ligação direta com Camões.
A própria paisagem sonora afirma que não são simplesmente 500 anos que nos separam de Camões: são 500 anos que também nos aproximam, porque a sua obra continua a fazer parte da nossa identidade e da nossa memória coletiva.
O som acrescenta uma nova dimensão às fotografias. Se a imagem nos convida a olhar, a paisagem sonora convida-nos a escutar. A voz, a música e a poesia criam uma atmosfera que nos aproxima do universo camoniano.
A composição utiliza excertos de poemas de Camões, incluindo textos cantados por artistas como Amália Rodrigues, Francisco Fanhais, José Afonso, José Mário Branco e Sérgio Godinho, juntamente com uma composição poética construída a partir da colagem de versos da poesia lírica e épica de Camões.
Assim, o passado não aparece como algo morto ou distante. Pelo contrário, a voz de Camões é recuperada, reinterpretada e colocada em diálogo com o presente.
Camões: entre a viagem e a memória
Camões é particularmente importante nesta exposição porque a sua obra está profundamente ligada à ideia de viagem. Em Os Lusíadas, a viagem marítima dos portugueses transforma-se numa narrativa sobre descoberta, encontro, conflito e construção de uma identidade.
Mas a exposição convida-nos também a olhar criticamente para essa história. Os 50 anos do 25 de Abril introduzem questões relacionadas com identidade, pertença, representação, migração e herança colonial. Por isso, não se trata apenas de celebrar o passado: trata-se também de questioná-lo.
A exposição coloca-nos perante uma pergunta importante: como escolhemos contar o nosso passado?
Uma viagem que continua
Peregrino, vago e errante são três palavras que podem ser entendidas como três formas de estar perante o mundo.
O peregrino caminha porque procura.
O vago permanece aberto ao que não consegue definir completamente.
O errante continua a deslocar-se, mesmo quando não conhece o destino.
Estas três palavras podem também descrever a experiência do visitante. Ao entrar na exposição, começamos uma viagem. Observamos imagens, ouvimos vozes, recordamos histórias e somos levados a pensar sobre lugares que talvez nunca tenhamos visitado. Através da fotografia e do som, viajamos entre o passado e o presente, entre a memória individual e a memória coletiva.
No final, percebemos que viajar não significa apenas mudar de lugar. Viajar também pode ser mudar o nosso olhar.
E talvez seja esse o convite maior de Agora, Peregrino Vago e Errante: olhar para as imagens, escutar as vozes e aceitar que a memória nunca é completamente fixa. Há sempre novos caminhos para percorrer, novas perguntas para fazer e novas histórias para descobrir.
Cristina Janicas
Visitas Guiadas, Turmas 10º1 e 10º5
14 a 18 de outubro de 2026 - TAGV
27.ª edição da Festa do Cinema Francês é uma iniciativa organizada pela Associação Il Sorpasso que volta a percorrer o país com uma programação focada na diversidade do cinema francês e francófono. Após o arranque na capital, a mostra cultural viajará por mais de 15 cidades portuguesas, promovendo a descentralização do acesso à sétima arte.
A edição deste ano tem na resistência um dos seus eixos concetuais centrais, partindo da exibição da obra De Gaulle: Resistência, de Antonin Baudry. O tema desdobra-se em perspetivas políticas, coletivas e individuais, dando destaque ao papel das mulheres e a questões de emancipação através de percursos históricos e contemporâneos. A componente cómica integra a secção Rir à Grande e à Francesa, dedicada a produções humorísticas e satíricas.
A programação alarga igualmente o âmbito da sua secção competitiva a criações de múltiplos territórios francófonos, acolhendo primeiras e segundas obras provenientes de países como o Canadá, o Congo e o Gana. A secção inclui ainda uma escolha da escritora Leïla Slimani, que apresenta o filme Derrière les palmiers, da realizadora marroquina Meryem Benm’Barek.
O cartaz cruza autores consagrados como Asghar Farhadi, Jean-Pierre Jeunet, Arthur Harari e Quentin Dupieux com novas vozes do panorama cinematográfico. Na secção de património La Belle Époque, regressam às salas obras como O Ódio, Delicatessen e o documentário Microcosmos, que assinala 30 anos sobre a sua estreia. Para o público infantojuvenil, destaca-se a exibição da série Destemidas, adaptação dos livros de Pénélope Bagieu dedicada a figuras femininas históricas.
É urgente abrir os olhos
Há momentos em que fechar os olhos parece mais fácil. É confortável não ver, não questionar, não ouvir o grito abafado de quem sofre ao nosso lado. É mais simples caminhar de cabeça baixa, fingindo que o mundo é justo, que a indiferença é inocente e que o silêncio não tem consequências.
Mas há uma altura em que é preciso abrir os olhos.
Abrir os olhos para lá das aparências, para lá das palavras bonitas que escondem intenções sombrias, para lá das promessas que nos adormecem a consciência. Perceber que nem tudo o que brilha ilumina, que nem tudo o que se diz é verdade e que nem todos os que sorriem desejam o nosso bem.
É preciso abrir os olhos para a dor dos outros, para as injustiças que se tornaram rotina, para as guerras a que assistimos à distância, como se a tragédia humana fosse apenas mais uma notícia. Para a pobreza que atravessa as ruas, para a solidão que se esconde nos rostos, para as pequenas crueldades que cometemos quando escolhemos não nos importar.
E, sobretudo, é preciso abrir os olhos para dentro de nós.
Reconhecer os medos que nos governam, os preconceitos que nos limitam, as verdades que evitamos porque nos obrigariam a mudar. Porque, por vezes, a maior cegueira não está nos olhos que não veem, mas na consciência que não quer compreender.
Abrir os olhos é um ato de coragem.
É aceitar que o mundo não é exactamente como gostaríamos que fosse. É abandonar a mentira confortável, mesmo quando a verdade dói. É perceber que não basta ver: é preciso sentir. Não basta compreender: é preciso agir. Não basta indignarmo-nos por um instante: é preciso transformar essa indignação em gestos, em escolhas, em humanidade.
Porque os olhos abertos não servem apenas para contemplar a realidade. Servem também para descobrir os caminhos que ainda podemos mudar.
Que não nos falte a lucidez para reconhecer o que está errado, a coragem para denunciar as injustiças e a sensibilidade para não nos tornarmos indiferentes à dor alheia.
Que nunca nos habituemos tanto à escuridão que passemos a confundi-la com a luz.
E que, quando chegar o momento de escolher entre a tranquilidade da cegueira e o desconforto da verdade, tenhamos a coragem de ver.
Porque há cegueiras que não se curam com luz, mas com consciência.
E há olhos que só começam verdadeiramente a ver quando o coração deixa de estar fechado.
@cristina Janicas