Bem-vindo à página Ação Solidária!
Aqui você vai acompanhar de perto a entrega dos mantimentos arrecadados nas nossas Gincanas Solidárias: tampinhas e alimentos que fizeram a diferença na Instituição Pestalozzi de Canoas. Além das fotos da entrega, você vai ver momentos de interação entre nossos alunos e os estudantes da instituição, como partidas de futebol, jogos de ping-pong, conversas e um lanche compartilhado.
Também disponibilizamos a entrevista completa com os diretores da Pestalozzi, para que você conheça mais sobre o trabalho incrível realizado por eles e o impacto da nossa ação solidária.
Entrevista com os diretores da Associação Pestalozzi de Canoas
No dia da entrega dos mantimentos arrecadados nas nossas Gincanas Solidárias, tivemos a oportunidade de entrevistar os diretores da Associação Pestalozzi de Canoas, Valquiria, Wagner e Eliandra. Todas as perguntas foram elaboradas por nós, com o objetivo de conhecer melhor a história, o funcionamento, os desafios e as conquistas da instituição, além de entender o impacto do trabalho da Pestalozzi na comunidade.
No dia da visita à Associação Pestalozzi de Canoas, tivemos a oportunidade de entrevistar os responsáveis pela instituição e conhecer melhor a história, o funcionamento, os desafios e as conquistas da associação. O objetivo principal dessa entrevista foi entender como a Pestalozzi atua no acolhimento, na educação e no desenvolvimento de pessoas com deficiência intelectual e múltipla, e também perceber o impacto desse trabalho na comunidade.
A Associação Pestalozzi de Canoas é a primeira Pestalozzi do Brasil. Ela foi fundada em Porto Alegre no dia 26 de outubro de 1926 e, dois anos depois, transferida para Canoas, em um espaço cedido pelo governo. No início, a instituição funcionava como orfanato e internato, atendendo crianças e adolescentes sem família ou cujas famílias pagavam para que eles estudassem lá. Os alunos ficavam durante a semana e voltavam para casa nos fins de semana. Com o tempo, a Pestalozzi passou a atender pessoas com deficiência, inspirada pelo trabalho do educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi.
Hoje, a associação oferece Escola de Ensino Fundamental do 1º ao 9º ano, atendendo estudantes com deficiência intelectual, múltipla, síndromes associadas e autismo. Além das aulas, também são oferecidas oficinas de aprendizagem e inclusão social, como jardinagem, dança e teatro, padaria e culinária, práticas de vida diária e preparação para o mercado de trabalho. Outro destaque é o acompanhamento psicológico para alunos e familiares, com o grupo de mães “Quem Cuida, Se Cuida”, que realiza rodas de conversa semanais para acolher e apoiar essas mulheres.
Os entrevistados explicaram que os principais desafios enfrentados pela instituição são as desregulações comportamentais dos alunos, que podem acontecer por uso errado de medicação, mudanças de rotina ou barulho em excesso. A segunda-feira costuma ser um dia mais difícil, porque os alunos voltam de casa e precisam se readaptar ao ambiente escolar. Outro problema é a falta de apoio público na área da saúde, já que a Pestalozzi não tem serviço médico próprio e depende do SUS e das famílias para atendimentos de urgência.
A associação se mantém por meio de parcerias, como a que tem com a ULBRA, que envia estagiários de medicina para apoiar no atendimento dos alunos. Também realizam ações para arrecadar recursos, como o Bazar Solidário, com venda de roupas doadas pela comunidade, o Programa Tampinha Legal, que coleta e vende tampinhas plásticas, além de contribuições mensais de associados e doações espontâneas de alimentos, produtos de higiene e materiais escolares.
As conquistas são comemoradas todos os dias, desde pequenos avanços no aprendizado até grandes resultados. Um dos maiores destaques foi o fortalecimento do grupo de mães, que hoje participam de encontros, jantares e atividades de lazer, deixando para trás o sentimento de isolamento e tristeza. A equipe da Pestalozzi se emociona ao ver o crescimento e a autonomia dos alunos, como quando conseguem pegar um ônibus sozinhos, chamar um Uber ou entrar no mercado de trabalho.
Mesmo com avanços na lei de inclusão, os entrevistados destacaram que ainda existem muitas falhas na prática. A sociedade muitas vezes espera que as pessoas com deficiência se adaptem, quando na verdade é o ambiente que precisa ser adaptado para recebê-las. Eles reforçaram que o maior desafio não é só estrutural, mas atitudinal: é preciso mudar o olhar da sociedade, acabar com o preconceito e valorizar o potencial de cada pessoa.
A visita à Associação Pestalozzi de Canoas foi muito especial e enriquecedora. Percebemos que ela não é apenas uma escola, mas um lugar de inclusão, acolhimento e transformação. A Pestalozzi desenvolve o potencial de cada aluno, respeita suas particularidades e ajuda a construir a autonomia de cada um. Mais do que uma instituição de ensino, a Pestalozzi é um espaço onde as famílias também encontram apoio e esperança. A maior lição que levamos dessa visita é que a maior barreira ainda é a falta de informação e empatia da sociedade. Por isso, conhecer o trabalho da Pestalozzi nos faz refletir sobre como podemos contribuir para um mundo mais inclusivo e justo para todos.
A Associação Pestalozzi de Canoas é uma instituição filantrópica sem fins lucrativos, referência no atendimento a pessoas com deficiência intelectual, múltipla e autismo. Atua na educação, na assistência social e na promoção da cidadania, buscando garantir direitos, desenvolver autonomia e preparar os alunos para a vida em sociedade. Seu trabalho é reconhecido pela integração entre escola, família e comunidade, e pelas ações que valorizam as potencialidades de cada indivíduo, acreditando que todos podem aprender.
Esperamos que todos que leiam esta entrevista se sintam inspirados a conhecer, apoiar e valorizar o trabalho da Pestalozzi, refletindo sobre o olhar que dedicamos ao próximo e contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e solidária.
Autoras: Manuella e Pietra
Momentos de interação entre nós, alunos da Escola Romano São Paulo e os alunos da Instituição Pestalozzi