O Ateliê d'artes é uma aventura que indestina!!!
Estar para ver... (n)o arquipélago | 2ª ed Exposição retrospetiva de José Nuno Câmara Pereira
Monotipia
Linogravura
Holografia | Fábrica da ciência de Aveiro - Holorede
Instalação de Natal
Mural em São Vicente Ferreira
Camara Municipal de ponta Delgada- Ambiente
O trabalho foi realizado com o intuito de concorrer ao prémio Medeiros Cabral cuja temática era a Luz uma vez que 2015 foi considerado o ano da Luz. Assim, esta vídeo-instalação fez-se “por causa da luz…”.
Deste modo, comecei por pesquisar informação sobre a luz, afastando-me da conceção científica da mesma, de modo a focar-me em conceções filosóficas ou históricas. Devido à minha experiência com a disciplina de História de Arte, lembrei-me de conceitos como o Iluminismo e a conceção de Deus enquanto luz. No entanto, anteriormente havia decidido elaborar um trabalho com um caráter emocional, de modo que me lembrei de um trabalho do artista John Peña. Pensei que poderia explorar a nossa “dependência” da luz, estabelecendo-se um paralelismo entre essa mesma relação fictícia e as nossas relações do dia-a-dia, quer sejam amorosas, de parentesco entre outras. O sujeito em questão teria sido abandonado pela luz, mas eu continuaria a escrever cartas à mesma, às escuras (salientando o quanto sentimos a falta de alguém) que resultariam em cartas cujo aspeto (palavras foras das linhas) demonstram a dificuldade que temos em agir sem luminosidade. Após apresentação da ideia, surgiu (no Desenho) o uso do processo da escrita das cartas enquanto parte integrante do trabalho, através do vídeo, introduzindo um elemento que remetesse o espetador para a luz. Fi-lo ao introduzir flashes de luz constantes (lâmpada fluorescente avariada) que representam a esperança do sujeito em voltar a ver a luz (por exemplo, ao ouvirmos determinados sons pensamos em determinadas pessoas, levando-nos a acreditar que se encontram perto de nós). Deste modo, o meu trabalho resultaria na projeção do vídeo e a apresentação das cartas já finalizadas.
Para a concretização do meu trabalho necessitei de alguns recursos como uma câmara, um gravador de áudio. Assim, ao depararmo-nos com o meu trabalho podemos interpretá-lo de diferentes modos, quer seja dum modo mais literal tal como criando um paralelismo entre as pessoas que perdem a visão e têm de reaprender o seu dia-a-dia, quer como de um modo metafórico (tendo sido essa a minha intenção inicial) criando-se um paralelismo entre a dificuldade que temos em agir na ausência de luz tal como temos de “reaprender” a viver o nosso quotidiano após perdermos alguém.
Inês Peixoto,2015
(adaptado AB2017