Diante do contexto de pandemia observado na atualidade, pode-se perceber que as dinâmicas de funcionamento das empresas passaram por diversos desafios, uma vez que nem todas estavam preparadas para as novas demandas nos âmbitos sociais, ambientais e de governança. Nesse sentido, escolhemos trabalhar com as Environmental Social and Governances (boas práticas ambientais, sociais e de governança) ou ESG, para entender melhor a importância desse conjunto de práticas na gestão das corporações que representam um diferencial no que tange ao seu desempenho.
Em primeira análise, convém entender o contexto do surgimento dessas medidas. O termo Environmental Social and Governance é utilizado, inicialmente, pelo então secretário geral da ONU, Kofi Annan, que atuou entre 1997 - 2007, em documento intitulado Who cares wins, em 2004, que buscava recomendações acerca da aplicabilidade de medidas sustentáveis por parte das empresas. Com o término da Segunda Guerra Mundial, questões como o crescimento da população global, a propagação dos padrões de consumo, a rápida industrialização e a urbanização das cidades passaram a receber maior destaque. Diante desse contexto, o modelo de produção capitalista passou a receber críticas relacionadas ao seu ideal de produtividade e lucro a todo custo. Com isso, ocorre o surgimento de uma nova vertente de pensamento: a preocupação a respeito dos impactos sobre a sociedade e o meio ambiente. Percebe-se a ampliação dessa ideologia que fundamenta a criação de inúmeras medidas que visam maior sustentabilidade nas práticas produtivas.
O livro Canibais de garfo e faca, do autor John Elkington, apresenta conceitos de sustentabilidade por meio de três aspectos: qualidade ambiental, prosperidade econômica e justiça social. Seu conteúdo apresenta uma síntese das novas demandas no meio de produção, chamando a atenção para a consolidação da importância da sustentabilidade no plano de negócios atual. No Brasil, existem diversas empresas que adotam investimentos ESG. Por exemplo, em 2020, os bancos Bradesco, Santander e Itaú criaram a iniciativa de um projeto de desenvolvimento para a sustentabilidade da Amazônia, impedindo os financiamentos de empresas que incentivam o desmatamento ilegal. A Natura Cosméticos também adotou investimentos ESG, declarando 80% dos seus produtos como sendo de origem vegetal em seu processo de criação, caminhando há longo tempo na área social e ambiental.
O monitoramento dos critérios ESG são realizados por meio de indicadores, elaborados por consultorias especializadas. A adoção de diversas metodologias e critérios podem acabar resultando em diferentes avaliações para uma mesma companhia. Dentre todas as consultorias especializadas nesta área, as três melhores atualmente são: Refinitiv, MSCI e a Sustainalytics. Entretanto, a mais utilizada é o sistema da Refinitiv, possuindo uma classificação com dados mais transparente e objetivos. O sistema de pontuação utilizado é de fácil compreensão e categoriza as empresas de acordo com indicadores que se diversificam em D- (piores práticas ESG) até A+ (melhores práticas ESG). Nos pilares A (ambiental) e S (social), estes indicadores se baseiam no desempenho e no esforço de seus próprios tópicos (como está abaixo na imagem 1). Já no pilar G (governança), a comparação dos tópicos é feita com empresas do mesmo país.
Imagem 1: Método de pontuação ESG - Refinitiv
No meio econômico, a pontuação de cada empresa tem um diferencial no mercado. Pesquisas realizadas mostram que empresas com uma posição mais alta têm um destaque e um retorno financeiro maior do que seus concorrentes, pois os interessados nessas práticas acabam se direcionando para as empresas que estão mais próximas dos seus desejos. Além disso, alguns dos métodos inclusos ajudam no setor financeiro, gerando economia de gastos com matéria-prima, por exemplo.
De forma geral, entende-se que as ESGs representam um cenário de mudanças positivas no que se refere à maior preocupação ambiental e social no mercado. A prática, ainda que recente, revela-se benéfica ao impor às empresas uma nova ideologia de funcionamento que vai além do lucro e que se mantém constante ao longo dos anos. Entretanto, melhorias devem ser realizadas no que tange à padronização dos critérios usados nas avaliações das corporações, uma vez que diferentes métodos podem ser utilizados, resultando em pontuações diferentes para uma mesma empresa. Com isso, entende-se que, diante de seu surgimento prematuro e rápido, o panorama futuro para as ESGs é benéfico, pensando em uma troca cultural dos valores observados ao longo do tempo na sociedade, em que aos poucos modifica todo meio modificado pelo homem sobre a questão da sustentabilidade.
Convidamos-lhe a saber mais sobre o tema das ESGs, a partir de um vídeo de animação criado pelo nosso grupo e o slide que utilizamos na nossa apresentação: