Na Unidade 2 deste Curso Livre, exploramos as raízes epistemológicas e neurológicas do pensamento ético, e observamos como este pensamento é desafiado em nós, humanos, seja em atos cotidianos, como o atravessar de uma rua, seja no desenvolvimento científico. Vimos como a realidade exige que nossa moral defina o que é certo ou errado, bom ou mau, justo ou injusto — valores que fundamentam nossas escolhas individuais e coletivas. Portanto, percebemos como esta aplicação contínua da moral e da ética influencia profundamente esferas como a política, a religião, as práticas sociais e, inevitavelmente, o campo das ciências.
Nesta última Unidade, voltamos nosso olhar especificamente para as Ciências Médicas, cuja prática cotidiana envolve decisões que impactam direta e profundamente a vida humana. Aqui, discutiremos por que a ética é indispensável à ciência e à prática médica, e como ela pode ser garantida — ou, ao menos, promovida — como critério fundamental no desenvolvimento científico e tecnológico.
Enquanto o avanço do conhecimento médico tem potencial para promover saúde, aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida, ele também traz consigo riscos éticos, como a instrumentalização de corpos, a medicalização da vida, a experimentação sem consentimento, ou ainda, a produção de conhecimento guiada por interesses econômicos ou políticos, e não pelo bem coletivo.
É por isso que a ética científica não pode ser reduzida a convicções morais individuais. Ao contrário, ela deve ser fundamentada em princípios amplamente reconhecidos pela comunidade científica e pela sociedade — como o respeito à dignidade humana, à autonomia dos sujeitos, à justiça na distribuição dos recursos e benefícios, e à integridade na produção e divulgação do conhecimento.
Dessa forma, esta Unidade propõe uma reflexão sobre os mecanismos institucionais e culturais que permitem o cultivo de práticas éticas nas Ciências Médicas: desde os comitês de ética em pesquisa, passando pelas normativas internacionais (como a Declaração de Helsinque), até os compromissos deontológicos assumidos por profissionais de saúde e pesquisadores.
Nosso objetivo é compreender que a Ética, longe de ser um adereço opcional, é a espinha dorsal de toda ciência que pretende servir à vida humana com responsabilidade, equidade e compaixão. Promover uma cultura ética no campo científico é, portanto, um exercício contínuo de vigilância, diálogo e engajamento com os valores que sustentam uma sociedade verdadeiramente justa e saudável.
O que você aprenderá
Como é possível minimamente garantir que o comportamento científico seja Ético
Quais ferramentas são utilizadas e como são utilizadas para garantir que o comportamento científico seja Ético
Conteúdo
Atividade com IA
A aplicação da Inteligência Artificial (IA) na Medicina tem transformado profundamente o modo como doenças são diagnosticadas, tratadas e monitoradas. Algoritmos de IA já demonstram alta precisão em tarefas como análise de imagens médicas, predição de desfechos clínicos e suporte à decisão terapêutica. No entanto, o avanço tecnológico impõe a necessidade urgente de uma discussão ética robusta e multidisciplinar.
Questões como transparência algorítmica, privacidade de dados sensíveis, viés em modelos preditivos, e a autonomia do paciente precisam ser cuidadosamente debatidas para garantir que o uso da IA seja seguro, justo e centrado no ser humano. Além disso, é fundamental assegurar que as tecnologias sejam validadas clinicamente, respeitem princípios bioéticos e estejam sujeitas à responsabilização legal em caso de erro ou dano.
A discussão ética não deve ser vista como um obstáculo, mas como um alicerce essencial para o uso responsável e confiável da IA na prática médica. Somente com diretrizes claras, regulamentação adequada e envolvimento contínuo de profissionais da saúde, cientistas, juristas e pacientes será possível integrar a IA de forma segura, equitativa e sustentável ao cuidado em saúde.
Abaixo, textos atuais que apresentam a necessidade de discutirmos este tema. Vamos discutir?
The ethics of using artificial intelligence in medical research
Ethical Issues of Artificial Intelligence in Medicine and Healthcare
Shaping the future of AI in healthcare through ethics and governance
Ethics and governance of trustworthy medical artificial intelligence
Material complementar
Diretrizes do Conselho Internacional para Harmonização de Boas Práticas Clínicas (2025)
Lei 14874/2024 - Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos
Resolução 563/2017 - Direito do participante de pesquisa com doenças ultrarraras
Resolução 510/2016 - Normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais
Resolução 466/2012 - Diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos
Resolução 346/2005 - Tramitação de projetos de pesquisa multicêntricos
Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (2005)
Resolução 304/2000 - Normas para pesquisas envolvendo seres humanos área de povos indígenas
Diretrizes Éticas Internacionais para a Pesquisa Envolvendo Seres Humanos
Teste - Unidade 9
Prazo para submissão encerrado às 23h59min de 14/12/2025.
Núcleo de Iniciação Cientifica e Extensão (NICE)
CESUPA - Campus João Paulo do Valle Mendes
Av. Almirante Barroso, 3775 - Sousa - 66613-903 - Belém, Pará, Brasil
nice.nucleo@cesupa.br
webdesign by Cláudio Teixeira