Todos deveriam ter direito à moradia segura e digna, um pilar essencial para cidades sustentáveis. No entanto, a Região Metropolitana do Recife enfrenta há décadas um grave desafio: construções irregulares e inseguras que já resultaram em dezenas de tragédias.
Os “prédios-caixão”, edificações que dependem da alvenaria resistente em vez do concreto armado em sua estrutura, são um exemplo desse desafio. Essas construções se sustentam apenas pelas próprias paredes, sem a presença de vigas ou pilares. Devido ao baixo custo de construção e à legislação flexível de décadas passadas, essa prática foi comum em Pernambuco até o ano de sua proibição em 2005, deixando o estado associado a desabamentos e tragédias que frequentemente estampam manchetes nos jornais. Somente no ano de 2023, ocorreram dois colapsos em menos de quatro meses, resultando em 16 óbitos.
"Cerca de uma semana antes do desabamento que matou ao menos 11 pessoas no município de Paulista, no Grande recife, uma audiência pública sobre o problema da moradia urbana em Pernambuco foi realizada na Assembleia Legislativa Estadual. Lideranças do Movimento Nacional da Luta Pela Moradia (MNLM) denunciaram na ocasião a situação vivida no Complexo Beira-Mar, onde o desmoranamento desta sexta-feira aconteceu. Segundo eles, que classificam o episódio como uma "tragédia anunciada", o imóvel apresentava rachaduras e infiltrações. "
Dentre os fatores associados às patologias destas construções, um fator frequentemente associado à deterioração dos elementos estruturais dos "prédios caixão" é o avanço da umidade por contato com águas de lençóis freáticos e/ou por ação de intempéries. A umidade e as infiltrações são problemas que assolam prédios de todos os tipos, comprometendo a integridade da estrutura e aumentando o risco de evolução das patologias.
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Problemas de avanço de umidade e infiltrações, associados a estruturas frágeis como a dos "prédios caixão", representam risco iminente à integridade das edificações e às vidas de moradores. Segundo o último levantamento do ITEP (Instituto de Tecnologia de Pernambuco), existem cerca de 5,3 mil edifícios "caixão" na Região Metropolitana do Recife (RMR). Cerca de 90% desse número apresentam risco de desabamento "alto" ou "muito alto". Considerando a influência de diferentes situações, como o fluxo de marés, a ação de chuvas e a precariedade do sistema de saneamento básico, a degradação relacionada a umidade nesses edifícios vem acontecendo por mais de 40 anos e está acontecendo nesse exato momento.
O monitoramento contínuo de nível de risco se mostrou essencial para a garantia da segurança de todos envolvidos, visto que inspeções feitas por especialistas da Defesa Social ou contratados de forma privada são feitas na maioria das vezes pontualmente, mediante o chamado dos moradores ou obrigatoriamente uma vez a cada 3 anos, de acordo com a lei nº 13.341/07 . Nosso grupo se propôs a mergulhar no problema e procurar uma solução inovadora para auxiliar os profissionais responsáveis pelo monitoramento e mapeamento contínuo de edificações em risco, além de fornecer informações pertinentes para o planejamento de inspeções, manutenções e revitalizações futuras.
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