Auto da Mala do Inferno
Estão duas barcas ancoradas no cais da Ilha de Faro, junto ao aeroporto. Uma tem um comandante diabólico, a outra tem um anjo como capitão. De repente, surge o deputado Miguel A. a fazer juras com emoção, mas que agia nas sombras, grande ladrão.
Diabo (com ar trocista):
Ora, ora! Quem vem aí com tanto estilo?
É o senhor deputado com a mala... bem ao estilo vil!
Entre, entre na minha barca,
Aqui só vai quem a alma marca!
Deputado (com ar confuso):
Mas que lugar é este? Que confusão!
Eu só queria ir de avião...
Diabo: De avião já não vais, ó ladrão de bagagem,
Aqui vais direto para a última viagem!
Deputado: Mas eu nem sabia de quem era a mala!
Estava no tapete, parecia igual à minha fala!
Anjo (com calma e serenidade):
Não te desculpes com aparência ou cor.
Roubar é roubar, seja com ou sem amor.
Deputado:
Mas foi um momento! Um deslize pequeno!
Eu sou um homem de bem, não sou veneno!
Diabo (a rir de forma irónica):
Deslize, diz ele, com cara de santo...
Roubar é crime, não é um encanto!
Deputado:
Eu servi o povo, fui deputado sério!
só escondi alguns segredos do ministério.
Anjo:
Sério é quem serve com verdade no coração.
Não quem se aproveita da posição.
Deputado (ligeiramente irritado):
Mas há outros piores! Por que eu? Por quê?
Isto é perseguição, não acham que é?
Diabo:
Os outros virão, não tenhas pressa,
Aqui é o Inferno onde tudo começa
.
Deputado (em negação):
Mas eu pedi desculpa! Devolvi a mala!
Foi só um deslize, não vale a fala!
Anjo:
Arrependimento é só o começo.
Mas a tua alma ainda está com excesso
Diabo:
Vamos lá, Miguel, entra com garra!
A barca está pronta, já toca a fanfarra!
Deputado (em desespero):
Então é assim? Nem mais uma chance?
Nem um recurso, uma última dança?
Anjo (firme):
A justiça divina não é como a tua.
Aqui não se compra, nem se atenua.
Diabo:
Chega de fala! Entra, deputado!
A barca do Inferno já tem lugar marcado.
(O Diabo e o deputado entram na barca do Inferno. O Anjo fica a observar.)
(Érica, Lourenço e Mariana, 9.º B)