No segundo período, a Oficina de Artes continuou a ser um espaço de crescimento, partilha e criatividade, aprofundando o trabalho iniciado anteriormente. As atividades propostas reforçaram os laços de colaboração entre os alunos, permitindo a construção de um painel coletivo de grandes dimensões — um verdadeiro mural artístico de palavras, formas e desenhos.
A diversidade de propostas incluiu também a criação de “criaturas imaginárias”, a técnica de impressão com elementos naturais (Gel Plate), e ainda o visionamento de filmes como Os Demónios do Meu Avô ou Com Amor, Van Gogh. Estas experiências visuais tornaram-se fonte de inspiração e conversa, ampliando o vocabulário artístico e emocional dos alunos.
Cada aluno, com o seu ritmo e estilo, encontrou formas únicas de expressão. A evolução nas competências técnicas e sociais foi visível, e a visibilidade dos trabalhos, nomeadamente na exposição “Leituras Sinuosas”, contribuiu para o reforço da autoestima e do sentimento de pertença à comunidade escolar.
Mais do que fazer arte, os alunos viveram-na — colaborando, experimentando e sentindo que cada gesto e criação tem valor e sentido.
Impressão com Gel Plate – Cores, Natureza e Descoberta
Impressão em placa de Gel Plate - trabalho coletivo
Durante o segundo período, os alunos da Oficina de Artes exploraram uma técnica inovadora e sensorial: a impressão com Gel Plate. Esta atividade proporcionou uma experiência artística rica, baseada na observação da natureza, no jogo das formas e texturas, e na liberdade de criar sem a pressão de "saber desenhar".
Começámos por apresentar os materiais: uma placa gelatinosa reutilizável, tintas específicas para monotipia e um rolo para espalhar a tinta. Depois, os alunos foram convidados a recolher folhas, flores e outros elementos naturais nos espaços verdes da escola. Este momento inicial foi vivido com entusiasmo, transformando um simples passeio numa verdadeira caça ao detalhe e à forma.
Com os materiais recolhidos, cada aluno preparou a placa de impressão. A tinta era espalhada com o rolo sobre a superfície do Gel Plate e, sobre ela, dispunham-se os elementos naturais. O momento da impressão era único: ao colocar e pressionar o papel sobre a placa, revelava-se uma imagem única — cheia de texturas, sobreposições e surpresas.
A atividade foi repetida várias vezes, permitindo aos alunos experimentar diferentes cores, composições e combinações de formas. Cada impressão era uma descoberta, um diálogo entre o gesto, o acaso e a natureza.
Mais do que o resultado final, o foco esteve na exploração livre, no prazer do fazer, na descoberta sensorial e na valorização de cada criação como expressão pessoal. Este tipo de proposta revelou-se altamente inclusiva, permitindo a todos os alunos — com diferentes ritmos e capacidades — sentirem-se capazes, confiantes e motivados.
Foi a primeira vez que experimentaram esta técnica, mas o impacto foi tão positivo que ficou o desejo de repetir. A impressão com Gel Plate demonstrou que, na arte, o processo pode ser tão importante quanto o produto — e que a beleza muitas vezes nasce da simplicidade e da curiosidade.
pelas mãos do Luís André
pelas mãos da Lara
pelas mãos do Bruno
Leituras Sinuosas: Palavras que Desenham e Linhas que Contam
No segundo período, os alunos da Oficina de Artes participaram na criação de um projeto artístico coletivo intitulado “Leituras Sinuosas: Palavras que Desenham e Linhas que Contam”. Esta proposta surgiu da vontade de cruzar a arte visual com a linguagem escrita, explorando o modo como as palavras podem transformar-se em imagem — e vice-versa.
A atividade principal consistiu na realização de um painel de grandes dimensões, com mais de 11 metros de comprimento, construído em papel kraft e desenvolvido ao longo de várias semanas. Com recurso a desenho, pintura e colagem, os alunos foram desafiados a escrever palavras simples — como nomes de animais ou objetos — e a transformá-las em figuras ou histórias visuais, permitindo que o texto ganhasse corpo, cor e expressão.
Este processo criativo valorizou o trabalho colaborativo e progressivo, em que cada aluno podia contribuir à sua maneira, respeitando o ritmo e a imaginação de cada um. Os alunos foram também convidados a intervir nos trabalhos uns dos outros, num espírito de entreajuda, descoberta e respeito mútuo.
Ao longo do desenvolvimento do mural, várias técnicas e materiais foram experimentados, e o painel foi sendo enriquecido com formas, palavras, texturas e elementos inspirados em filmes de animação visualizados em aula, como Os Demónios do Meu Avô ou Com Amor, Van Gogh.
O resultado final foi apresentado à comunidade escolar na Biblioteca da Escola Secundária de Vouzela, como parte do Plano Anual de Atividades. A exposição destacou-se não só pela dimensão e impacto visual, mas também pela carga simbólica: cada linha desenhada, cada palavra escrita, revelava um pedaço do mundo interior dos alunos, das suas ideias e emoções.
“Leituras Sinuosas” foi muito mais do que um projeto artístico — foi um espaço de expressão, de autonomia e de partilha. Através dele, os alunos sentiram-se valorizados e reconhecidos, mostrando que, mesmo com percursos e desafios diferentes, todos têm algo para contar… seja por palavras ou por linhas.
registo do processo de trabalho
pormenores do trabalho
Controlar o Traço, Libertar a Forma
No segundo período das Oficina de Artes, o desenvolvimento da motricidade fina continuou a ser uma prioridade, com a introdução de exercícios específicos que desafiaram os alunos a controlarem o traço e a concentração de forma cada vez mais autónoma.
Um dos exercícios mais marcantes foi a realização de círculos concêntricos à mão livre, sem recurso a compassos ou moldes. Esta proposta, aparentemente simples, revelou-se exigente, pois obrigava os alunos a manterem a firmeza do traço, a regulação da força aplicada e a perceção espacial, tudo isso apenas com a orientação do olhar e o movimento da mão.
A repetição dos círculos, desenhados um dentro do outro, obrigou a um trabalho profundo de coordenação olho–mão, de atenção constante e de gestão do ritmo e da respiração. Para muitos alunos, foi um exercício de superação: ao início, os traços saíam trémulos ou desalinhados, mas com prática e incentivo, os círculos foram ganhando forma, consistência e até expressão estética.
Este exercício foi também uma oportunidade para introduzir noções de simetria, composição e contraste, uma vez que os alunos puderam colorir os seus círculos, experimentar padrões e até transformar os círculos em mandalas ou em elementos decorativos.
Mais do que treinar a mão, esta atividade fortaleceu a autoconfiança e mostrou aos alunos que, com paciência e persistência, podem alcançar mais controlo sobre o gesto e mais liberdade na criação.
Cinema - Imagens que Falam, Histórias que Inspiram
Durante o segundo período, o cinema continuou a ter um papel de destaque nas Oficina de Artes, através da exibição de filmes selecionados no âmbito do Plano Nacional de Cinema (PNC) e da escuta atenta dos interesses e sugestões dos alunos.
Os visionamentos não foram apenas momentos de pausa — foram ferramentas pedagógicas com forte impacto emocional e criativo. As histórias, as imagens e os sons funcionaram como ponto de partida para conversas, interpretações visuais e novas formas de expressão.
Entre os filmes exibidos destacam-se:
Com Amor, Van Gogh — um filme visualmente impressionante, inteiramente pintado à mão, que deu aos alunos a oportunidade de conhecer a vida e a obra de Vincent Van Gogh através da linguagem cinematográfica. A sua exibição, no âmbito da semana + Contigo, ligou a arte à saúde mental e ao bem-estar emocional.
Vermelho, Amarelo e Verde — uma curta-metragem poética baseada num poema de Alexandre O’Neill, usada como estímulo à memória visual e verbal. Após o visionamento, os alunos retiveram palavras, cores e imagens, que foram trabalhadas graficamente no grande painel de papel kraft.
Garfield, o Filme — esta sessão, exibida no final do período, foi escolhida pelos próprios alunos, a partir de uma lista apresentada pelo professor. Esta atenção às suas preferências revelou-se importante para reforçar o vínculo emocional com a disciplina e oferecer um momento de descompressão, reforçando o sentimento de pertença e valorização das suas vozes.
O cinema, neste contexto, foi vivido como ferramenta de expressão e aproximação, onde cada história projetada no ecrã ajudou a contar algo de dentro para fora — com liberdade, atenção e significado.