No arranque do ano letivo, a Oficina de Artes afirmou-se como um espaço acolhedor de descoberta e expressão, onde cada aluno pode explorar o seu ritmo, as suas ideias e emoções através da prática artística.
As atividades realizadas — do desenho à pintura, passando pela colagem e pela visualização de curtas-metragens — permitiram trabalhar competências motoras, emocionais e sociais, com destaque para o desenvolvimento da concentração, da autonomia e da criatividade.
Deste modo, oo longo do ano letivo, a Oficina de Artes integrou de forma regular a exibição de filmes e curtas-metragens no âmbito do Plano Nacional de Cinema (PNC) e não só. Esta componente de fruição artística revelou-se fundamental para enriquecer a experiência dos alunos, funcionando como estímulo à criatividade, à expressão emocional.
Os filmes foram selecionados para ir ao encontro das características dos alunos e dos objetivos da oferta formativa. A sua visualização permitiu momentos de partilha, diálogo e inspiração para a criação de trabalhos plásticos, tornando a experiência cinematográfica num ponto de partida para outras formas de expressão. Os alunos assistiram a várias curtas-metragens de animação portuguesas, entre elas: O Bate Latas; Kali, o Pequeno Vampiro; Água Mole; Os Salteadores; Os Olhos do Farol.
Platicamente foram explorados temas como os “frutos”, os “animais” e os “objetos”, além da criação de autorretratos, caligrafia artística dos nomes e exercícios criativos com elementos naturais e imaginários. Como já referido, a exibição de filmes de animação serviu de ponto de partida para conversas, desenhos e trabalhos inspirados nas personagens e histórias visualizadas.
O ambiente da oficina revelou-se essencial para que os alunos se expressassem com liberdade e segurança, reforçando a importância de uma abordagem pedagógica centrada na valorização das potencialidades individuais. A arte, neste contexto, mostrou-se uma poderosa ferramenta de comunicação, inclusão e bem-estar.
Pelas mãos do alunos
Desenho/Ilustração a partir do filme "Os Salteadores" - Lara
O Meu Nome – Caligrafia Ilustrada com Identidade
Uma das primeiras atividades realizadas nas Oficina de Artes teve como ponto de partida algo muito simples — mas profundamente significativo: o nome próprio de cada aluno.
Cada participante foi convidado a escrever o seu nome em letras maiúsculas e bem visíveis, explorando formas, linhas e cores através da caligrafia artística. A proposta ia além da técnica: o objetivo era transformar o nome de cada um numa imagem visual que o representasse, como se cada letra contasse algo da sua história, da sua personalidade ou do seu imaginário.
Ao lado do nome ilustrado, cada aluno realizou também um autorretrato livre, com os materiais e as cores que preferisse. Estes dois elementos — nome e rosto — foram depois recortados, colados e expostos juntos na sala, criando uma espécie de mural de boas-vindas, onde cada presença era visível, reconhecida e valorizada.
caligrafia artística do nome /ilustração
caligrafia artística do nome /ilustração
caligrafia artística do nome /ilustração
Início e exploração do gesto
Desde o primeiro período, uma das dimensões mais trabalhadas nas Oficina de Artes foi o desenvolvimento da motricidade fina — ou seja, a capacidade de realizar movimentos coordenados e precisos com as mãos e os dedos. Através de atividades de desenho, pintura, colagem e recorte, os alunos foram desafiados a exercitar o controlo do traço, a precisão do gesto e a atenção ao detalhe.
A escolha de materiais riscadores variados — lápis de cor, marcadores, lápis de cera, etc. — permitiu ajustar cada tarefa às necessidades e capacidades dos alunos, promovendo uma aprendizagem progressiva e respeitadora do ritmo de cada um.
O Bruno e a Cobra Jorge Guerreiro – O Desenho como Lugar Afetivo
Entre folhas, lápis e traços que ganham vida, o Bruno encontrou no desenho uma forma de conforto e expressão. Ao longo das sessões da Oficina de Artes, um motivo repetia-se com ternura e insistência: a cabeça e o corpo de uma cobra cor-de-rosa, a quem deu o nome de Jorge Guerreiro — o mesmo nome do seu cantor favorito.
Esta cobra não era apenas uma personagem inventada. Era um boneco de peluche, macio e comprido, que o Bruno levava consigo para dormir e, por vezes, até para a escola. Através do desenho, o Bruno transformava essa figura íntima num símbolo de segurança e presença, transportando para o papel aquilo que lhe era mais querido.
Cada vez que desenhava o Jorge Guerreiro, o Bruno revisitava o seu mundo interior — um espaço feito de afeto, memória e ligação emocional. O traço repetido, o cuidado nos detalhes e a escolha da cor revelavam mais do que uma imagem: revelavam a importância do vínculo emocional com os objetos e figuras que lhe dão sentido e estabilidade.
No caso do Bruno, o desenho da cobra Jorge Guerreiro foi uma forma de estar próximo de algo que lhe fazia bem, de comunicar sem palavras, de se reconhecer naquilo que criava. Foi, acima de tudo, um gesto de afeto com forma e cor.
Porque desenhar, para o Bruno, não era apenas desenhar — era sentir-se acompanhado.