Promovida pelo
Instituto Estudos Políticos da Universidade Católica
A Delegação da Irlanda será representada pela equipa do Clube Europeu
Delegados: Carlota Chamiço, Inês Águas, Martim Teixeira, Tiago Cortes e Virgília Boaventura
Jornalista: Carolina Massano
“Como defender a Democracia na Nova Geopolítica?” Este foi o tema central da Cimeira das Democracias de 2026 organizada pela Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, no IEP – Instituto de Estudos Políticos, no passado 16 de abril. Ao longo dos anos, esta iniciativa tem vindo a afirmar-se como uma forma de reunir jovens do Ensino Secundário, proporcionando-lhes conhecimento e ambição no domínio político e humanístico.
Nesta edição, participaram cerca de 40 escolas de todo o país, cada uma representando um Estado, à semelhança do funcionamento de uma cimeira internacional. A nossa escola, a Secundária Vergílio Ferreira, participou como delegação da Irlanda.
A Cimeira das Democracias teve início com uma sessão de abertura conduzida pela diretora do IEP, Mónica Dias. Na sua intervenção, destacou a relevância da política, sublinhando que esta não só interessa, como faz a diferença, sendo fundamental saber agarrá-la e valorizá-la.
Defendeu que o único meio viável para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática é a aposta numa maior participação cívica, algo que a Universidade procura incentivar todos os anos com este evento.
“Se não cuidarem de mim eu vou abandonar vos!”- a Diretora Mónica Dias faz ainda uma personificação daquilo que é a democracia e do que ela precisa para sobreviver. Reforçando a ideia de que a vida em democracia exige atenção, compromisso e responsabilidade.
Ainda na sessão de abertura, foram apresentadas duas importantes leituras e lições sobre o que significa viver em democracia. Coube ao professor de geopolítica e orador convidado, Major-General Filipe Arnaut Moreira, conduzir essa reflexão.
Partindo de uma perspetiva histórica, destacou que a construção de uma sociedade democrática não é linear. Pelo contrário, atravessa diferentes fases: períodos de declínio, momentos menos favoráveis e outros de progresso e consolidação. Foi a partir desta ideia que o Major-General introduziu o tema central da Cimeira: o papel ativo do cidadão e como defender a Democracia na nova geopolítica. Mais do que um conceito abstrato, a democracia exige prática. Observar, Questionar e Participar são verbos salientados pelo General – não são apenas direitos, mas deveres.
Tendo em conta a relevância da comunicação social, a cimeira destacou-se também pela sua dinâmica inovadora, funcionando quase em tempo real. Foi possível acompanhar notícias ao longo de todo o dia, redigidas pelos jornalistas presentes, que cobriram sessões, debates e intervenções nas várias comissões. Este elemento tornou a experiência mais imersiva e próxima da realidade.
Após a sessão de abertura e das declarações iniciais, cada delegado dirigiu-se à respetiva comissão. Os participantes distribuíram-se por cinco áreas principais:
Governabilidade e constitucionalidade.
Política externa e cooperação internacional.
Segurança internacional.
Educação, integração e cidadania.
Economia, sustentabilidade e trabalho.
Em cada comissão foram debatidas diferentes posições e propostas, que mais tarde seriam apresentadas em assembleia para votação. Este processo incluiu diversas intervenções, debates e momentos de discussão entre os vários países representados.
Em suma, a Cimeira das Democracias revelou-se uma experiência enriquecedora, permitindo compreender, de forma prática, o funcionamento da política internacional e a importância do diálogo e da cooperação entre países. Para além disso, destacou o papel fundamental dos jovens na construção de uma sociedade mais informada, participativa e democrática. Mais do que isso, mostrou como o envolvimento ativo e o pensamento crítico são essenciais para manter uma democracia viva, resiliente e consciente.
Carolina Massano, (11º 11)
Palestra pela Dra. Sandra Magalhães
Diplomata da REPER em Bruxelas
No âmbito do Clube Europeu, realizou-se, no dia 4 de março, a palestra “Carreira Diplomata e suas motivações” com a oradora Dra. Sandra Magalhães – Diplomata da REPER em Bruxelas, que partilhou o seu percurso profissional e refletiu sobre os desafios atuais da política internacional.
A oradora, apesar de ter iniciado o seu percurso profissional na advocacia e, posteriormente, na marinha, decidiu optar pela diplomacia. Reconheceu que o seu percurso foi marcado por incertezas relacionadas com o futuro.
Durante a sessão, descreveu-nos em que consiste o trabalho de um diplomata, nomeadamente o de estabelecer relações entre países nas áreas política, económica, de segurança e cooperação internacional, para além da proteção dos cidadãos do seu país no estrangeiro e na construção de pontes de diálogo entre Estados ao ponto de evitar conflitos e promover paz e cooperação.
No início da sua carreira, participou em negociações com Espanha sobre a gestão de água da barragem do Alqueva, um dos momentos mais marcantes da sua carreira. O objetivo dessas negociações foi garantir que as quantidades de água acordadas entre dois países fossem respeitadas e que Portugal recebesse a sua parte dos recursos hídricos.
Destacou também que o protocolo do Estado é muito importante nas relações internacionais, com fim de organizar e regular as relações formais entre representantes de diferentes países. Cerimónias planeadas ao detalhe, como a apresentação de credenciais, é um momento em que o embaixador entrega o documento que confirma a sua representação perante o país de acolhimento.
Representou Portugal em diferentes contextos internacionais, teve oportunidade de ser consultora para as relações internacionais durante o governo do antigo presidente da República, Professor Dr. Aníbal Cavaco Silva, trabalhou na representação portuguesa em Brasília, no Brasil, bem como na Representação Permanente de Portugal junto de organizações internacionais.
Durante o acompanhamento do processo de paz na Colômbia, marcou-lhe as chamadas “mesas de verdade e reconciliação”, onde antigos guerrilheiros se reuniram com vítimas ou familiares das vítimas do conflito. Nessas sessões, as vítimas tinham a oportunidade de ouvir os responsáveis pelos atos de violência, enquanto os agressores podiam explicar os seus motivos e pedir desculpa. Este processo foi essencial para promover a reconciliação nacional, defendendo que não pode existir paz duradoura sem reconciliação entre as partes.
Abordou o papel da NATO na segurança internacional, explicando que a organização funciona com base no princípio da defesa coletiva, segundo o qual um ataque a um dos seus membros é considerado um ataque a todos. Para evitar conflitos, a NATO recorre frequentemente à estratégia de dissuasão, demonstrando capacidade militar através de forças navais, aéreas e terrestres.
Sobre a União Europeia, afirmou que esta não está em declínio, mas em transformação, defendendo que deve reforçar a sua autonomia estratégica, especialmente na área da defesa.
Durante a palestra foram ainda abordadas as tensões internacionais, como o conflito no Médio Oriente, que voltou a ganhar relevância e pode afetar o comércio global, sobretudo no Estreito de Ormuz.
Por fim, destacou a importância da posição geoestratégica de Portugal no Atlântico e das relações transatlânticas com o continente americano. Esta localização reforça o papel do país nas questões de segurança internacional e nas relações entre a Europa e as Américas.
A palestra terminou com uma reflexão sobre o papel da diplomacia na prevenção de conflitos. Segundo a Dra. Sandra Magalhães, a guerra surge muitas vezes quando falham os esforços diplomáticos, sublinhando que a capacidade de diálogo e negociação continua a ser uma das ferramentas mais importantes para manter a paz entre os Estados.
Carolina Lopes Rodrigues, 11º 11
Palestra pelo Deputado Hugo Carneiro
O Orçamento do Estado é o documento fundamental para a organização económica de um país, pois define de onde vêm as receitas do Estado e para onde são direcionadas as despesas públicas. O Orçamento do Estado para 2026 tem sido alvo de debate, uma vez que influencia diretamente a vida dos cidadãos e reflete as prioridades do governo.
Na abordagem deste tema, o deputado Hugo Carneiro, pertencente ao Partido Social Democrata (PSD), esteve presente na Escola Secundária Vergílio Ferreira, onde explicou a importância do Orçamento do Estado e o seu impacto nos eleitores.
O Orçamento do Estado tem a função de organizar os fundos do país disponíveis, sendo necessário decidir como os gastar. Apesar de ser possível responder a várias necessidades, investir mais numa área implica, muitas vezes, reduzir o investimento noutra. Por isso, é essencial calcular se existe dinheiro suficiente antes de aumentar a despesa numa determinada área.
As receitas do Estado resultam sobretudo dos impostos, que se dividem em impostos diretos, como o IRS e o IRC, e impostos indiretos, como o IVA, o ISP, o imposto sobre veículos, o imposto sobre o consumo do tabaco e o imposto do selo. Embora o IRS tenha vindo a baixar, os impostos indiretos sobre bens do dia a dia têm aumentado, o que afeta diretamente o custo de vida das famílias.
As despesas do Estado incluem salários da função pública, pensões, investimentos em saúde, educação, segurança, defesa, infraestruturas e pagamento de juros da dívida pública. Atualmente, Portugal gasta mais dinheiro em juros da dívida do que na defesa nacional, sendo que cerca de 25 mil milhões de euros são destinados a pensões.
Quando o Estado gasta mais do que aquilo que arrecada, surge um défice orçamental. Para o resolver, o governo pode cortar despesas, aumentar impostos ou recorrer a empréstimos, nomeadamente junto da União Europeia. A dívida pública tem impacto na reputação internacional do país e na confiança dos credores. Reduzir a dívida permite criar maior margem financeira para investir noutras áreas, podendo esta baixar até cerca de 90% do PIB.
O Produto Interno Bruto (PIB) representa a riqueza gerada no país, tanto pelo setor público como pelo privado. Quando o PIB cresce, as receitas fiscais também tendem a aumentar, uma vez que os impostos são aplicados em percentagem. No entanto, se os preços dos produtos sobem devido à inflação, os impostos associados também aumentam, fazendo com que os consumidores paguem mais.
O Orçamento do Estado é apresentado pelo Governo dentro de um prazo definido e está sujeito à votação no Parlamento. Segundo o deputado Hugo Carneiro, é essencial haver escrutínio rigoroso, uma vez que mais dinheiro não significa, necessariamente, melhores serviços. Defendeu ainda que deve existir colaboração entre os partidos para garantir um avanço sustentável no investimento estatal.
Em conclusão, o Orçamento do Estado para 2026 reflete escolhas políticas que afetam toda a sociedade. A sua análise permite compreender as prioridades do país, os desafios económicos e a importância de uma gestão responsável dos recursos públicos.
Duarte Carmo (11º10); Martim Teixeira (11º 10); Gonçalo Nogueira (11º 3)
No dia 5 de dezembro de 2025, os alunos do Clube Europeu do AEVF, Ana Abrahão, Miguel Pereira e Victória Ferro, participaram, juntamente com o professor Paulo Silva, na Cimeira de Segurança. Realizada na Universidade Católica Portuguesa, pelo Instituto de Estudos Políticos, a cimeira reúne alunos do IEP e de escolas convidadas para discutir desafios contemporâneos à paz e à estabilidade mundial.
Representando a Itália, os alunos defenderam os seus princípios nas comissões especializadas: ciberdefesa e infraestruturas críticas (Ana Abrahão); desinformação, manipulação digital e democracia (Victória Ferro); cooperação internacional e dissuasão no ciberespaço (Miguel Pereira).
Em primeiro lugar, como porta-voz, o aluno Miguel Pereira leu a Declaração de Estado da Itália, apresentando as principais prioridades do país e o seu estado atual relativamente à segurança.
De seguida, simulando o funcionamento do Conselho do Atlântico Norte da NATO, os participantes, nas suas respetivas comissões, debateram os problemas atuais de segurança internacional, desenvolvendo propostas e possíveis soluções, por meio do debate informal, ou “unmoderated caucus”. Após o desenvolvimento especializado, as comissões reuniram-se na Assembleia Geral, para o debate final e apresentação do documento oficial. Nesta assembleia, a única comissão que apresentou unanimidade em relação à proposta foi a de Cooperação Internacional e Dissuasão no Ciberespaço, apresentando um contraste em relação às objeções reveladas pelos outros grupos.
Além das reuniões em comissões, também assistiram às seguintes palestras: as intervenções de Ana Miguel dos Santos, Partner da Deloitte e Head of Defense & Security, e de Nuno Pinheiro Torres, Secretário de Estado Adjunto da Política de Defesa Nacional; a open talk entre Ana Miguel dos Santos e Bernardo Blanco, Alumini IEP e fundador da Bast.IA; e a aula aberta, que atuou como uma exemplificação dos conteúdos lecionados no curso de estudos políticos, ministrado pela Católica. Mais especificamente, os palestrantes Ana Miguel dos Santos e Bernardo Blanco abordaram, respetivamente, os seguintes temas: a relação entre a democracia e a segurança digital, a vulnerabilidade sistémica, as guerras híbridas, a modificação de narrativas, os ataques cibernéticos e a utilização de inteligência artificial na atualidade.
Ao longo do dia 5, os participantes tiveram a oportunidade de explorar novas temáticas e de se familiarizar, superficialmente, com a Universidade Católica Portuguesa, representando os princípios da Itália, provenientes da sua pesquisa e da reunião na Embaixada do país. Adicionalmente, foram acompanhados por uma aluna do primeiro ano do IEP, desempenhando a função de guia e auxiliando-os. No decorrer da cimeira, estes participaram oportunamente em debates com os seus colegas de comissão e desenvolveram soluções inovadoras, de modo a praticar o pensamento estratégico e a participação ativa.
Ana Abrahão (12º 10)
Apresentações e intervenções iniciais
Entrada na Assembleia Geral representando a Itália
Aguardando o início dos trabalhos
No dia 27 de novembro, os alunos da Escola Secundária Vergílio Ferreira — Ana Teresa Abrahão (12.º10.º), Miguel Pereira (11.º11.º) e Maria Victória Ferro (12.º10.º) — membros do Clube Europeu, realizaram uma visita oficial à Embaixada de Itália, acompanhados pelo professor Rúben Martins, para uma entrevista a um funcionário da embaixada italiana subordinada ao tema "A Guerra no Ciberespaço e os Desafios para a Segurança Coletiva", respondendo assim à temática da Cimeira de Segurança na Universidade Católica.
Durante a Cimeira da Segurança IEP, que é uma simulação do Conselho do Atlântico Norte da NATO, iniciativa promovida pela Universidade Católica, através do Instituto de Estudos Políticos, os alunos representarão o Estado-Membro Itália, tendo assim a oportunidade de experienciar o papel de diplomatas e participar em debates sobre segurança internacional, nomeadamente Ciberdefesa e Infraestruturas Críticas, Desinformação, Manipulação Digital e Democracia e Cooperação Internacional e Dissuasão no Ciberespaço.
Durante a visita, o grupo teve a oportunidade de entrevistar o Dr. Alessandro Pelliccioni, funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros Italianos. A conversa centrou-se no tema “A guerra no ciberespaço e os desafios para a segurança coletiva”, assunto particularmente relevante num contexto global marcado pelo crescimento das ameaças digitais, pela desinformação e pela crescente vulnerabilidade das infraestruturas críticas.
O Dr. Pellicioni destacou a importância da cooperação entre países europeus na prevenção de ataques cibernéticos e na construção de mecanismos eficazes de defesa comum. Neste contexto, referiu a necessidade da paz, que é um dos pilares da Constituição de Itália, e da estabilidade no espaço da NATO. Sublinhou também o papel decisivo das novas gerações na promoção da literacia digital e na consciencialização para os riscos emergentes no mundo virtual.
A visita à Embaixada de Itália proporcionou aos alunos um contacto direto com o trabalho diplomático e com a dimensão internacional das políticas de segurança, enriquecendo a sua formação e reforçando o compromisso do Clube Europeu com a aproximação dos jovens às instituições que moldam o futuro da Europa.
Miguel Pereira (11º11)