Fotos importantes da minha jornada mágica. O tempo é uma espiral.
No Túmulo de Madame Lenormand, uma importante cartomante da era napoleônica.
Cartomantes do mundo inteiro visitam seu túmulo deixando flores e cartas de baralho.
Unicórnios, Cemitérios, a Marca do Espinho e Locais Malditos - Julho de 2026
Algumas experiências nunca são ditas, outras podem ser contadas. Parte do meu trabalho enquanto bruxa é lembrar as pessoas que o mundo dos espíritos é real e está mais perto do que imaginamos. E eu jurei isso quando uma ave marítima sobrevoou a minha cabeça três vezes e mergulhou terrivelmente no mar. Naquele mesmo dia um cadáver chegou até aquela pequena ilha rochosa e uma pessoa que não conhecia nada de bruxaria e nem de divindades gritou três vezes o nome de uma deusa dos fantasmas, em alto e bom som enquanto a deusa me dizia: “Quantas provas mais do meu poder você quer?” Dali em diante eu me entreguei para aquele mistério. Os anos passaram e continuam a passar…
A maioria das pessoas tendem a relacionar experiências viscerais com rituais altamente complexos. Bom, rituais complexos possuem sua beleza e existem no centro caloroso da maioria das tradições de bruxaria, e sim eles são viscerais e terríveis. Alguns desses rituais são feitos quando alinhamentos muito específicos acontecem, quando espíritos e bruxas precisam realizar o trabalho, e aqui falo de rituais iniciáticos e de passagem de um grande poder. Por outro lado, para quem tem a Visão (Segunda Visão), o simples fato de caminhar por um cemitério pode ser uma visita profunda aos infernos nunca antes visitados. Ou o simples fato de bater três vezes no solo pode ser um trabalho potente e necromântico que estremece a terra, ou caminhar em um estado de atenção aberta pode te levar a locais de poder que gritam entre os mundos. Ou um simples olhar pode mostrar um fantasma poderoso que finalmente se revela, depois de um longo tempo.
Nesse instante eu escrevo da minha mesa, um pouco lotada de diferentes baralhos de cartas, ao lado de algumas plantas, com algumas recordações de viagens ou de rituais ao meu alcance. Ao fundo, uma janela mostra a rua e um Ipê, provavelmente o mais velho do quarteirão. É inverno, fez frio nos últimos dias mesmo que o céu estivesse completamente azul, e as flores rosas invadiram a árvore que parecia completamente seca. Cambacicas, beija-flores, besouros e abelhas balançam as flores de forma delicada e visceral, o canto dos pássaros é contínuo enquanto a árvore balança e balança. Nesse período, devido a mudança do Sol, um feixe de luz acerta a janela, reflete e toca delicadamente o meu altar dos ancestrais. São as delicadezas do inverno.
Sempre que eu faço longas viagens, seja para dentro ou fora do país, eu levo comigo diversos ítens mágicos. Há muitos anos atrás eu tinha uma pequena caixa com um altar portátil, e isso funcionou por muitos anos, mas hoje eu prefiro levar jóias: colares, anéis, pulseiras com fagulhas de divindades ou com grandes poderes ancorados. Todos esses itens com assinaturas, grande carga protetiva e marcadores bem claros que sinalizam os outros mundos da minha presença e de quem realmente sou. E definitivamente isso tem funcionado bem. E uma das primeiras coisas que faço quando chego ao destino é colocar esses itens à mostra, além de usar alguns deles quando preciso caminhar por terras desconhecidas.
A primeira vez que fui para o Hemisfério Norte eu preparei um pequeno manual. A minha prática diária é completamente enraizada na terra em que vivo e no movimento dos astros vistos da minha localidade. Logo eu preciso me enraizar na nova terra e mudar alguns poucos movimentos, algumas danças e algumas saudações a depender da localidade. Nessa segunda vez no Hemisfério Norte, levei o pequeno manual, mas não precisei usá-lo, um indicativo que meu corpo estava um pouco mais acostumado com o movimento do Sol, sua longa duração e sua dança diária no céu. A terra estava ligeiramente mais receptiva.
Em minha última reza, antes de embarcar nessa viagem, eu avisei aos espíritos locais sobre a minha ausência, e não que eu deva satisfações, mas preciso avisar que passarei dias sem fazer minhas oferendas. Quando me mudei de bairro eu fiz o mesmo, comuniquei aos seres que estavam atrelados apenas naquela área onde eu morava que eu estava indo embora, e que minhas visitas seriam mais raras, assim como minhas oferendas. É educado fazer essas comunicações com aqueles que moram tão perto de nós. Dessa forma, além de respeitar o pacto, respeitamos o próprio espírito que habita a localidade.
Meu Companheiro do Fetch definitivamente gosta de me acompanhar em todos os cantos, apesar de meu corpo ser o melhor elo de conexão e o que realmente pode fazer ele me encontrar em qualquer lugar, pequenos objetos que ancoram a energia dele são bem úteis, principalmente em viagens muito longas. Dessa vez eu levei um pequeno escaravelho esculpido dentro da minha doleira. E nessa viagem meu Companheiro do Fetch ficou muito livre para explorar a região, e fazer o trabalho dele naquela terra. Quase não escutei a voz dele, afinal de contas ele estava muito interessado nas antigas estradas romanas que dormem debaixo daquela cidade.
No ano passado eu tinha conseguido chegar bem perto de uma gralha-cinzenta (corvo-cinzento), uma ave da família dos corvos que reside mais ao norte, e aqui falo de Berlim. Existem muitos tipos de corvos espalhados pelo mundo, todos eles incrivelmente mágicos e com um comportamento dos outros mundos. Num dos últimos dias de viagem eu vi uma pena no chão. Dessa vez eu queria estar mais perto do corvo-comum, não só pela ligação dos corvos com Apolo, mas também pela ligação desses seres com Odin. Eu me relaciono com Apolo há décadas, Odin chegou através de uma de minhas linhagens iniciáticas há poucos anos. Na minha última viagem encontrei runas num dos meus bairros favoritos de Paris, e isso preencheu uma lacuna das minhas primeiras runas que se espatifaram há muito tempo atrás.
Definitivamente eu rezei aos deuses, eu também rezei aos espíritos dos corvos para que dessa vez eu pudesse me aproximar bem mais. Encantamentos dito aos ventos são altamente eficientes e se forem acompanhados por um sopro de força vital como oferenda eles se tornam potências que cavalgam os outros mundos. Na última vez eu senti os corvos invadindo todos os cantos de meus olhos, mantendo seus olhos fincados em mim, mas sem chegar tão perto. Eles estavam nas calhas, nos telhados, no topo das árvores e eu escutava seus cantos estridentes que rasgam todos os mundos. E foi junto desse movimento que encontrei minhas Runas.
Penas são importantes para mim! Há muitos anos uma poderosa árvore do meu quarteirão me concedeu uma varinha do exato tamanho que costumo usar em troca de um acordo. Naquela época, cada vez que caminhava pelo bairro eu tirava um tempo para identificar uma nova árvore. Com o passar do tempo comecei a observar os pássaros da minha região, os cataloguei em um bloco de anotações, e com isso comecei a encontrar muitas de suas raras penas pelo chão. Eu vejo esses encontros com as penas como verdadeiros presentes deixados pelos pássaros. Dentro do meu caminho mágico os pássaros dançam as poesias dos deuses nos céus. Pássaros podem mostrar o futuro e também podem mostrar a voz dos deuses em seus voos, na queda de suas penas e através de seus cantos.
Pelo ano sempre encontro penas de pássaros no chão: pardal, bem-te-vi, coruja-orelhuda, lavadeira-mascarada, beija-flor, rolinha, fragata, gaivota e muitos outros. Quando a terra oferece uma resposta às suas oferendas é sinal que estamos no caminho tortuoso. Quando piso em outra terra, meus olhos ficam atentos nos céus e no chão. E é comum que quando pisamos pela primeira vez em uma terra as suas maravilhas e seus fantasmas não se mostrem de primeira. Se enraizar na terra leva tempo e precisa de entrega.
Saímos no inverno e chegamos em pleno verão em Paris, depois de 10 horas de voo. A cidade estava quente, uma enorme onda de calor, atípica para aquela região, resultado do aquecimento global que tem deixado o clima cada vez mais colapsado. As casas não são como as nossas, elas são feitas para reter calor, então imagine o quão difícil estava dentro dos prédios, nenhum lugar era realmente fresco. Mas ainda assim a cidade é encantadora, e o seu Sol que se põe apenas perto das 22 horas deixa as pessoas completamente animadas pelas ruas e na beira dos rios. 21 horas e os pássaros faziam festa no céu azul e iluminado, enquanto pessoas alucinadas dançavam na beira do Rio Sena.
Essa é uma cidade mágica e estranha. Muitos prédios antigos. Ela já foi uma cidade medieval, inclusive ainda há algumas casas de pé, antes disso foi uma cidade romana com estradas muito importantes, e antes disso perto de onde os salgueiros-chorões tocam o rio, foi uma vila de pescadores celtas ainda na idade do ferro. Fazer um simples aterramento pode ser uma experiência intensa e cheia de rastros de outros tempos. E visitar alguns lugares pode ser um retorno ao passado, já que a cidade também abriga objetos de todos os tempos e lugares do mundo em seus diversos museus. Milhares de pessoas se aglomeram para viver o verão eterno, dia após dia.
Paris foi a capital da cartomancia, lar de alquimistas e ainda é o lar dos ossos de grandes entusiastas da magia ou de pessoas que tinham a visão do mundo dos espíritos. Em seu subterrâneo, tumbas romanas e até mais antigas descansam. Mas em suas livrarias quase não se encontram livros, em francês, sobre bruxaria ou magia. Na verdade, achei apenas em uma livraria, e os poucos livros estavam em inglês, talvez não tenha público. Eu tenho a certeza que existem mais bruxas de passagem do que bruxas vivendo naquela cidade. Eu até recebo notícias de iniciadas que moram na França, mas sempre ouço um número muito reduzido e recluso de bruxas.
Talvez uma das práticas mais versáteis da bruxaria seja o aterramento, uma prática capaz de nos trazer para o aqui e o agora, além de permitir que grandes correntes terrestres e celestes passem pelo corpo da bruxa, a localizando no espaço e na terra. Através dela podemos inclusive treinar o direcionamento de energia por todas as partes do nosso corpo de bruxa. Durante um aterramento também é possível lançar o seu próprio espírito (ou parte dele) para baixo ou para cima. Nos primeiros dias, durante a minha prática mágica diária, eu mergulhava com meu espírito na terra e abria meus olhos manchados depois de oferecer minhas oferendas. Nos primeiros dias nada, apenas silêncio e um vazio em meio a terra e aos ossos. Após alguns dias algo se revelou.
Eu tinha oferecido uma porção grande de força vital para aquela terra. Quando abri meus olhos, haviam muitas figuras fantasmagóricas. Em um solo barulhento e vivo, festivo e alegre. Haviam alguns mortos, mas a maioria eram seres não-humanos. Eu vi um espírito que parecia um corvo, com a diferença que ele era enorme e levemente disforme. Ele se distanciou e eu vi raízes e galhos chegando até a mim, vários espinhos cercaram o ambiente e uma grande rosa se abriu na minha frente. Era uma rosa com muitas pétalas e com uma cor vibrante. Os espinhos estavam ao redor do caule grosso, mas nos galhos mais perto da flor e que sustentavam suas folhas não havia nada afiado. Eu vi olhos estranhos surgindo por todos os lados e me fitando enquanto eu me rendia àquele encontro. Era o espírito local, e depois disso, todas as vezes que estava nos limites da cidade de Paris, rosas apareciam nos canteiros e brilhavam mais do que o ouro polido.
Algum tempo se passou, amanheceu, e depois de fazer minha prática eu desci as escadas. A casa, que tinha uns quatro andares, com plantas que escalam as paredes quase até o último andar, possuía um belo quintal, algumas plantas escalavam os altos muros, incluindo uma bela roseira. Naquela manhã a dona da casa estava bastante feliz enquanto cuidava do jardim, pois duas novas rosas surgiram, de cores vibrantes e potentes. Elas se destoavam de todas as outras rosas, e estavam em uma localidade bem alta. Os mundos não são isolados, eles são completamente emaranhados no mistério. Para qualquer pessoa era a abertura de duas rosas de cores atípicas, para uma bruxa era um recado claro daquela terra. E o recado da rosa era claro: “Eu sou o espírito desta terra! Estou em todos os cantos!”
As Rosas
Os dias foram mais gentis depois disso. Até mesmo na caminhada desinteressada, coisas fantásticas aconteciam na cidade que não dorme. Paramos para descansar e havia, nos fundos do que parecia ser uma igreja, um poço muito velho e belo. Procurando algumas inscrições, e a cidade é cheia dessas informações, vimos que estávamos em um antigo poço que estava em cima de duas importantes estradas romanas. A energia era muita clara, uma importante encruzilhada havia sido soterrada por uma igreja na transformação do tempo. Sons de passos apressados tocando a pedra, animais fazendo barulho, palavras soltas e murmúrios saíam de dentro do poço que não tinha mais água, mas flores plantadas dentro de sua forma circular. Não era uma energia caótica que assombrava, parecia ter o gosto de uma fogueira em um dia frio… E poço era a testemunha de todas aquelas energias rodopiantes além do tempo e do espaço. Não muito longe dali, escondido em um arbusto uma escultura em bronze de uma loba amamentando duas crianças, Rômulo e Remo, um presente da cidade irmã Roma, quase um lembrete esquecido da origem de Paris e seu parentesco com a capital da Itália.
A Loba
O Poço
Andando de forma despretensiosa, com outra bruxa, vimos uma pequena aglomeração de pessoas em uma rua quase deserta. Quando fomos investigar era a casa de Nicolas Flamel. Toda bruxa já leu/escutou esse nome enquanto folheava alguma lista de alquimistas, magistas e bruxas. E por mais que no mundo dos mortais talvez Nicolas jamais tenha tentado transformar chumbo em ouro, nos outros mundos ele é um famoso alquimista habilidoso em transmutação, na feitura de elixires e na tentativa de alcançar a pedra filosofal. E sua fama se espalhou por todos os lados. Definitivamente essa é uma dessas pessoas que saem da vida humana e depois da morte adentram de forma visceral nos outros mundos, impactando o mundo mortal com essa magia.
Foi incrivelmente estranho estar de frente para uma casa construída no início do século XV e que era de Nicolas Flamel. Dizem que em vida ele era um grande benfeitor, ele abria as portas de sua casa para acomodar os sem teto, desde que eles rezassem pela alma de Nicolas Flamel e de Pernelle, sua esposa. Ainda hoje as pessoas abrem os braços, tocando de um lado a outro da porta da residência, para rezar pela alma dele, um pai nosso e uma ave maria. Dizem que dá sorte e que ele concede presentes. Talvez em alguma medida a Pedra Filosofal tenha sido alcançada e por isso tantas pessoas são abençoadas. Bom essa é uma tradição que deixo para os outros, não rezo ao falso deus e prefiro reinar no inferno do que ter a minha alma salva, então não rezo pela alma dos outros.
Casa de Nicolas Flamel
Andando de forma despretensiosa, com outra bruxa, vimos uma pequena aglomeração de pessoas em uma rua quase deserta. Quando fomos investigar era a casa de Nicolas Flamel. Toda bruxa já leu/escutou esse nome enquanto folheava alguma lista de alquimistas, magistas e bruxas. E por mais que no mundo dos mortais talvez Nicolas jamais tenha tentado transformar chumbo em ouro, nos outros mundos ele é um famoso alquimista habilidoso em transmutação, na feitura de elixires e na tentativa de alcançar a pedra filosofal. E sua fama se espalhou por todos os lados. Definitivamente essa é uma dessas pessoas que saem da vida humana e depois da morte adentram de forma visceral nos outros mundos, impactando o mundo mortal com essa magia.
Foi incrivelmente estranho estar de frente para uma casa construída no início do século XV e que era de Nicolas Flamel. Dizem que em vida ele era um grande benfeitor, ele abria as portas de sua casa para acomodar os sem teto, desde que eles rezassem pela alma de Nicolas Flamel e de Pernelle, sua esposa. Ainda hoje as pessoas abrem os braços, tocando de um lado a outro da porta da residência, para rezar pela alma dele, um pai nosso e uma ave maria. Dizem que dá sorte e que ele concede presentes. Talvez em alguma medida a Pedra Filosofal tenha sido alcançada e por isso tantas pessoas são abençoadas. Bom essa é uma tradição que deixo para os outros, não rezo ao falso deus e prefiro reinar no inferno do que ter a minha alma salva, então não rezo pela alma dos outros.
Mas definitivamente aquela entrada e aquelas paredes tinham algo poderoso. Havia uma energia circular muito mágica e poderosa naquela porta. Mais do que a casa, a rua tinha algo extremamente poderoso. E nós não nos programamos para chegar até aquela casa, um magnetismo poderosos nos levou até lá. Claro que eu passei boa parte do ano dizendo que gostaria de conhecer aquela casa, que queria sentir a energia da morada do famoso Alquimista. Todos os caminhos nos levaram até aquele momento. Fiz uma reza silenciosa que escandalizaria o mercador mas que agradaria ao alquimista, e a rua e a casa responderam na mesma hora se tornando mais brilhantes, quase na cor de ouro polido. Tive a certeza que não fui a primeira bruxa a quebrar a “tradição” e nem mesmo a última. Me despedi e segui feliz por ter seguido A Tradição.
Encontramos também em uma caminhada uma casa medieval, a arquitetura simplesmente nos chamou a atenção. Paris foi uma importante cidade medieval e em algum momento foi totalmente repensada para ser bonita e funcional. Quase tudo foi demolido, mas aquela casa com madeiras cruzadas e retas, dando a sensação de retorcimento estava ali, o número 11 e 13, uma conhecida como Ovelha, a outra Ceifadora. Em 1508 essas casas passaram a ser proibidas por decretos, mas essas sobreviveram o tempo, atravessaram as eras. Curiosamente no térreo funciona uma adega e ao lado uma Casa de Fausto.
Duas Casas Medievais
E falando no período medieval nós visitamos o Museu Medieval, que fica em uma antiga construção da época, que fica em cima de uma antiga terma romana. O que mais me chamou atenção foi não ter nenhuma menção aos horrores que a igreja fez ainda naquela época, na Caça às Bruxas, e talvez seja dessa forma pois os documentos de julgamentos foram muito mal preservados na região da França. Nenhuma menção à Jeanne de Brigue condenada à fogueira e morta em 1391 bem perto dali, mesmo que isso fosse feito com alguma arte contemporânea. Em contrapartida na longa exposição provisória sobre unicórnios havia algumas artes contemporâneas.
Eu cansei de testemunhar museus no Brasil que apagavam a história, esse é um padrão mundial. Enquanto algo é lembrado, muita coisa é esquecida e isso sempre é uma escolha bem consciente. Em alguma medida Mnemosine sempre perde a batalha para o rio Lethe que a tudo apaga e um dia todos serão consumidos pelos dentes famintos de Cronos. Mesmo que exista ou existisse um museu da bruxaria ou da inquisição, ainda assim, uma narrativa seria beneficiada e outras seriam completamente apagadas e esquecidas.
Por isso é importante que as bruxas lembrem e decorem nomes sagrados e sua própria história e linhagem. Ela é o único elo vivo que personifica a história da humanidade com o mundo dos espíritos, ela é o tesouro muito mais valioso que qualquer trabalho acadêmico ou livro da “história da bruxaria”, ela é muito mais poderosa que um museu e mais eficaz que qualquer documento histórico. Se as bruxas soubessem disso, elas dançariam sobre as chamas dos livros sagrados, elas cortariam as cabeças de seus algozes e trariam caos para qualquer lugar que tentasse institucionalizar a bruxaria.
Arte Sacra
Apesar desse destino imutável do esquecimento, é importante que haja bruxas que digam os nomes que quase nunca são ditos, e cantem os sagrados nomes. Mantendo uma jóia rara escondida dos olhos curiosos, mas ainda sim lembradas. É essa luta contra o Rio Lethe que reside no centro aquecido da maioria das tradições de bruxaria, manter a chama das histórias acesa e viva, com suas longas listas de mortos e linhagens, e principalmente com os sagrados nomes. Esses nomes nunca serão ditos pelas grandes religiões, essa é a sina e a bênção da bruxa. Quando a última bruxa morrer esses mistérios voltarão novamente para o outros mundos, para sempre ou aguardando uma nova bruxa renascer e escutar novamente pela primeira vez os sons estranhos e secretos.
E falando nos unicórnios, essa conversa é mais séria, pois era a parte mais mágica de todo museu medieval e um respiro frente a arte cristã daquela época. Eu conheço bruxas que nunca pisam ou pisaram em uma igreja e que jamais ficariam cercadas de arte religiosa cristã, e eu as entendo perfeitamente, e geralmente me dou muito bem com esse tipo saboroso de bruxa, seus poderes e as forças que passam por elas fazem meus olhos brilharem de admiração e profundo respeito. Bom, eu sempre gostei de visitar igrejas (católicas, pois elas são pelo menos belas) e sempre gostei de arte sacra, mas há muito tempo eu ganhei um presente dos espíritos, a Marca do Espinho, vindo direto da Rainha das Fadas.
Essa Marca permite que eu esteja no centro de um círculo de orações ou em uma igreja lotada, mas que mesmo assim o falso deus e seus lacaios nunca me encontrem. Eu posso estar de frente a esculturas com fagulhas enormes da divindade ali, ainda sim a escultura nunca me verá. As orações ao falso deus destinadas a minha pessoa por seus devotos circulam no ar sem nunca encontrar o destino, e eu virei um borrão na vista desses seres. A maioria das bruxas que tem relação próxima a mim possuem a mesma marca, e eu farei de tudo para passá-la para às bruxas que amo e que desejarem receber tal coisa, apesar que esse presente costuma encontrar suas bruxas destinadas muito rápido.
Mas ainda sobre a Marca do Espinho, que tem um nome super pejorativo, eu poderia dançar sem roupa para Baco frente a uma escultura monoteísta, eu poderia quebrar a cruz na mão ou rasgar e queimar papel com dizeres tidos como sagrados, eu não seria vista por esses seres. Lembrando que já abordei como a onipresença, a onipotência e a onisciência são um projeto de dominação, e esses termos nunca pertenceram ao mundo dos espíritos e deuses. Baco e Dioniso sabem bem disso, se escondendo dos deuses imortais quando necessário. E muitos outros heróis, mortais e espíritos se esconderam da vista de uma ou mais divindades. Existem pessoas que nascem com essa sina, e nunca se encontrarão com tal espírito ou ser. E nem mesmo o olho da divindade a alcançará. Essa é uma benção muito poderosa, e muitas delas podem vir com sangue ou como um presente de um espírito a toda uma linhagem. A Marca do Espinho é uma das centenas existentes. Essas marcas podem ser vistas como terríveis maldições em alguns casos.
Marcas que borram a bruxa são bastante comuns. Às vezes essas marcas podem impactar espíritos de religiões inteiras, ou apenas uma divindade ou ainda um pequeno grupo de espíritos. Algumas dessas marcas podem inclusive ocultar a bruxa de um espírito que seja próximo de quem a concedeu, por exemplo, um deus que tenha um irmão pode marcar alguém para que esse irmão nunca o veja. Mas Marcas não são o único caminho. Existem rituais complexos que garantem uma boa ocultação, existem inclusive alguns gestos que podem conceder isso de forma rápida e provisória. Essas ocultações podem inclusive ser resultado de feitiços ou de acidentes mágicos. A maioria desses ocultamentos são permanentes, outros podem durar dias, lunações ou até mesmo anos ou décadas.
Marcas costumam ser permanentes e podem ser completamente visíveis no corpo. Às vezes elas podem ter a aparência de um sinal de nascença, outras vezes essas marcas são tatuadas na pele sendo abençoadas com tinta e sangue, ou ainda uma cicatriz ou imperfeição, ou pode ainda ser uma marca que apenas é vista ou sentida pelos espíritos. Iniciações tendem a colocar essas marcas de forma intensa e estranha, podendo ser inclusive uma forma bem traumática para o espírito. Geralmente Marcas podem sumir depois da morte, algumas podem inclusive atravessar as vidas. Feitiços diversos e gestos podem trazer efeitos de ocultamento que podem durar dias ou décadas, em uma escala mais rara, alguns podem ter o mesmo efeito de uma marca.
Diabo oferecendo a tentação
Bom, eu visito muitas igrejas que possuem arte e paradoxalmente sonho com suas destruições. Muitas das igrejas que visitei foram antigos templos pagãos ou locais de poder muito importantes. Um templo majestoso, à qualquer divindade, nunca se levanta na ausência de poder na terra, talvez por isso eu goste de visitar esses locais. E no Museu Medieval, com um acervo repleto de arte sacra, onde o inferno era uma ameaça e o paraíso uma moeda de troca, lembranças de uma Paris suja e cheia de doenças, uma exposição grande sobre unicórnios. Seres que evocam o selvagem e a purificação. A natureza de forma visceral, pura e violenta.
Eu nunca vi um unicórnio. Eu sempre testemunhei essas figuras desde memes, desenhos, comerciais engraçados e até chaveiros de unicórnios muito presentes no imaginário da cultura pop, mas com meus olhos manchados eu nunca os vi. E nem mesmo levei em consideração que eles poderiam existir em alguma fissura do tempo e espaço, nos muitos mundos existentes. Mas quando eu entrei naquela sala eu senti cheiro de pêlo de animal selvagem e um sabor de terra molhada. Havia uma magia estranha entranhada em todos aqueles objetos medievais. Livros, gravuras, chifres de narvais com maldições, tapetes e muitos pequenos objetos que davam sorte. E esses seres não eram apenas vistos na europa, mas em muitos outros lugares fora daquela região, mostrando que diversos povos tinham contato com esses seres, mesmo estando geograficamente distantes.
Os unicórnios eram/são seres completamente selvagens. Em uma gravura uma pessoa completamente peluda e nua (uma forma medieval de indicar uma pessoa completamente selvagem) montava a criatura, talvez o horror moderno aos pêlos venha daí, dessa selvageria e da negação dela. Livros inteiros apenas sobre esses seres, delicadamente escritos e desenhados à mão na Idade Média, ensinando como pegar um unicórnio sem ser morto. Grandes chifres de Narvais atribuídos a esses seres com maldições escritas na prata e no ouro, dizendo que quem ousasse quebrar aquele chifre teria sua vida arruinada e amaldiçoada. Esses seres podem inclusive serem muito aversos à sua própria espécie, o que me lembrou demais da casa de bruxaria que faço parte e seu estranho territorialismo. Unicórnios podiam matar facilmente seus iguais, elefantes, rinocerontes e até mesmo um dragão.
Unicórnio matando um Dragão
Unicórnio purificando a água
A Visão
Mas a obra que mais me impactou foi uma gravura, nela havia um rio e em suas margens diversos animais selvagens aguardavam. No centro do rio, um unicórnio encostava seu chifre na água, purificando toda a água e tornando-a potável. Essa era a pureza dos unicórnios, tornar uma água poluída em transparente, um rio perdido em novamente vivo e potável com o simples toque, uma nascente novamente livre do sufocamento das cidades medievais. A purificação tão desejada por muitos.
Eu saí extasiade daquele lugar, minha mente borbulhava e meu corpo reagia a todos aqueles objetos mágicos. Por fim, segui pela arte sacra e cheguei na famosa sala onde há uma tapeçaria da Dama e o Unicórnio. Os cinco sentidos ali representados, aquela mulher junto de um unicórnio, em cenas ricamente ilustradas. A Visão me chamou atenção e foi a tapeçaria que mais me tocou, me lembrou da segunda visão. E assim terminamos a nossa visita, não sem antes me inclinar em um poço nos fundos da construção e longe dos olhares curiosos. Até o presente momento eu nunca vi um unicórnio, mas alguma coisa mexeu comigo, talvez o meu coração precise ficar ainda mais negro para que eu veja um, ou talvez meu corpo precise ficar ainda mais peludo do que já é.
Cemitérios são bastante polêmicos, sempre haverá uma pessoa dizendo que há uma maneira correta e espíritos que precisam ser saudados daquela forma, ou senão coisas terríveis podem acontecer. As pessoas utilizam ritos de diversas religiões e se apropriam disso achando que essa é a lei imutável. Mas se a bruxa não faz parte, por qual motivo ela teria que realizar ritos estrangeiros ao dela? Durante uma das minhas iniciações eu vaguei por horas a fio dentro de um importante cemitério da minha cidade, eu fui recebide por uma pessoa muito alta me indagando o que eu ia fazer, eu não devia olhar nos olhos de ninguém e devia falar apenas o mínimo. Disse que era apenas uma visita, o humano alto/trocado/ser me deu boas vindas. Eu virei à esquerda, eu tinha minha voz e um cantil com água potável de um importante rio. Minhas entranhas pareciam que iam sair para fora e sem olhar para os lados deixei meu fetch me levar até a árvore mais retorcida ou velha do local. Depositei a água em suas raízes, encantei e ofereci algo muito valioso. Levantei meus olhos e vi alguns fantasmas, especificamente dois amigos que foram enterrados juntos depois de uma fatalidade acontecida no início do século passado. Então eu deixei os fantasmas me levarem nos túmulos que eu deveria visitar naquele dia sagrado.
Diferentes casas de bruxaria irão lidar de diferentes formas com essa terra tão sagrada. Muitas bruxas terão inclusive diferentes formas de adentrar um cemitério ou uma catacumba. Mas definitivamente serão a sua forma de fazer e não a prática de x ou y religião, pois isso não faria sentido algum. A primeira vez que entrei num dos cemitérios mais famosos de Paris, eu senti como se todos os corvos da cidade quisessem que eu entrasse por aqueles portais. E eu segui até uma grande árvore velha, que parecia brilhar com minha segunda visão. Eu a presenteei depois segui para visitar um túmulo e pegar um pouco de terra, e uma pequena pedra. Neste ano revisitei o cemitério, dessa vez minha intenção era percorrer o Caminho do Dragão e visitar mais uma vez o túmulo de Madame Lenormand.
Havia o triplo de corvos dessa vez, e seus gritos estridentes estavam por toda parte. Eles pareciam nos vigiar quando o silêncio reinava. Nós fomos em grupo, duas dessas pessoas eram espíritas, então aproveitamos para levá-las ao túmulo de Allan Kardec. Esperamos no caminho de pedra enquanto dois outros grupos pequenos também visitavam o túmulo. Eu não sei o que me deu, mas eu escutei algo como um sino, entre o túmulo visitado e o túmulo de trás, havia um brilho intenso intenso ali. Meus pés começaram a se mover como se eu estivesse hipnotizade, e adentrei aqueles pequenos caminhos entre os túmulos, cada vez mais depressa. E quanto mais fundo eu ia, mais o som de grito dos corvos apareciam. Eles voavam acima da minha cabeça. Então eu cheguei onde eu realmente deveria estar.
A Árvore de Corvos
Penas negras
Entre os túmulos havia uma grande árvore repleta de corvos. Para cada galho que eu olhava um, dois, três corvos. Senti um êxtase, eu queria me aproximar e eu estava ali. Fiz meus encantos e minhas oferendas, e então eu olhei para o chão. Entre a grama e os túmulos haviam muitas penas de corvos, dezenas delas. A maioria gasta pelo tempo, algumas recém caídas. Eu senti Odin em um dos corvos. Depois de um tempo de contemplação a outra bruxa veio parar no mesmo lugar. E aceitamos os presentes misteriosos.
Caminho do Dragão
Depois convencemos o grupo a irmos para o Caminho do Dragão, mas assim que pisamos no caminho o grupo decidiu se separar. Apenas eu e a outra bruxa, Lilo, ficamos. Nós realmente queríamos trilhar aquele caminho, primeiro pelas lendas de vampiros, seguido dos túmulos amaldiçoados e terceiro, como Lilo mesmo dizia, o Caminho do Dragão é um dos nomes do caminho tortuoso. Nós trilhamos o caminho observando os túmulos, havia uma sensação de névoa, mesmo o dia estando completamente ensolarado. Os túmulos pareciam tremeluzir, mudar e mesmo seguindo a estrada quase reta a sensação era espiral. Havia um enorme mausoléu terrivelmente amaldiçoado, eu não ousei sair do caminho, mas observei de longe um tipo de fogo negro fantasmagórico saíndo por todos os lados. Quando vimos estávamos no fim do caminho, decidimos voltar por entre os túmulos, vendo tudo com respeito e curiosidade típicas de uma bruxa. Entre árvores, túmulos abandonados e até mesmo alguns objetos rituais deixados para trás em cima de tumbas muitos antigas, nos mostrando que outras bruxas visitavam aquele cemitério, era reconhecível aqueles rastros de magia.
Depois de lá, precisamos seguir até a seção 2 do cemitério, para visitar o túmulo de Madame Lenormand, a famosa cartomante da era napoleônica. Ela é tão famosa que baralhos foram posteriormente atribuídos à ela, assim como Nicolas Flamel, a fama dela foi avassaladora após a morte. Inclusive o Museu Nacional de Cartas de Baralho (Musée Français de la Carte à Jouer) diz que Paris se tornou a capital da cartomancia durante um longo período graças à Madame Lenormand e sua fama com as cartas. Cartomantes se espalhavam pelas ruelas e na beira do Rio Sena, sendo um período muito fértil e cheio de profecias sussurradas pela cidade. A primeira vez que a visitei em seu túmulo eu peguei um pouco de terra depois de fazer meus rituais que homenageiam os ancestrais.
Túmulo de Madame Lenormand
O túmulo é bem bonito, sempre há flores frescas em um vaso com água fresca, ou pequenos buquês, cartomantes sempre deixam cartas de tarô, cartas de baralho comum e baralhos Lenormand como oferendas em cima de seu túmulo. Esse ano havia um 4, um 9 e um 10 de ouros, aquelas cartas brancas com desenhos vermelhos e tão marcantes das cartas de baralho comum. Olhando atentamente parecia um pedido muito claro, uma intenção ligada a ganhos e ao sucesso, eu via pequenas linhas douradas saíndo do túmulo da famosa cartomante e envolvendo cada uma das cartas. Haviam outras cartas pelo túmulo e em volta.
Ficamos um tempo na contemplação e depois nos despedimos. Quando saí eu vi, de canto de olho, uma figura fantasmagórica com uma roupa longa ao lado do túmulo. Eu tive a certeza que era ela, uma certeza que atravessava a minha alma e o meu fetch, que me arrepiou cada fio de cabelo e pêlo do meu corpo. Lilo me olhou e disse: “eu também estou vendo!” Duas visitas com distância de um ano, manter a terra daquele túmulo no meu altar dos mortos amados e poderosos, ter a cartomancia como um dos meus principais caminhos, para finalmente ser digne de ver o fantasma de Madame Lenormand. Aquele parecia um aviso: “boas vindas e até longo, agradeço a visita!”. Tudo, absolutamente tudo ligado aos mundos dos espíritos leva tempo e essa história ainda vai se desdobrar no destino à frente. Definitivamente toda bruxa cartomante deveria visitar esse túmulo e sem esquecer de levar presentes. Madame Lenormand adora visitas.
No texto que fiz sobre as Catacumbas eu relatei que eu escutei um claro “não pegue nada”. Mas o oposto pode acontecer. Existirão lugares ou espíritos locais que irão convocar as bruxas para levar pequenas coisas para outros países e até mesmo para outros continentes. Eu não tenho total certeza sobre os motivos pessoais e coletivos desses seres. Mas por exemplo, eu tenho um anel de golfinho que pertence a um famoso espírito local da minha cidade, às vezes quando viajo para algum outro local do Brasil, principalmente se for uma capital, o espírito pede que eu o leve junto comigo. Sem grandes explicações.
Jardim de Luxemburgo
Pequenas Pedras
Assim que eu pisei naquele parque repleto de obras fantásticas e com árvores enormes, com um lindo fauno em bronze, eu escutei: “Pegue algo daqui, leve com você”. Polinizadores visitavam pequenas flores amarelas na grama verde, e um chão repleto de pedrinhas polidas pelo atrito dos visitantes brilhavam e deixavam a minha boca cheia de saliva, de uma maneira esquisita e saborosa. Enquanto meu olhar e minha visão estava perdida naquelas pequenas maravilhas, eu escutei o espírito local dizer: “pegue e leve contigo, eu te dou esse presente, leve uma parte minha para longe!” Eu escolhi duas pequenas pedras macias, e as coloquei no bolso. Elas agora estão ao meu lado enquanto escrevo esse texto. De alguma forma eu vejo duas poderosas linhas de aka saíndo dessas pedras, e atravessando o espaço tempo disforme dos outros mundos, chegando até àquele fauno.
No Túmulo de Madame Lenormand, uma importante cartomante da era napoleônica.
Cartomantes do mundo inteiro visitam seu túmulo deixando flores e cartas de baralho.
Outros lugares serão bem agressivos e ajudarão as bruxas a não se encrencarem de forma alguma. Sinalizando que aquele solo é terrivelmente amaldiçoado, ou que carrega poderes da morte ou forças que a poria em risco, ou até mesmo que existem poderes que poderiam definhar a alma e corpo físico a longo prazo. Quando se faz um trabalho profundo com os espíritos locais, sentir/escutar/ver um “Não pegue nada” é um dos maiores presentes para quem segue o caminho tortuoso. Bruxas são colecionadoras por naturezas, mas nem tudo pode ser pego ou tocado. Afinal de contas, um simples toque, cria uma poderosa linha de aka que pode ser difícil de secar, tornando a bruxa e o que foi tocado quase que fadados à conexão.
Quando eu pisei em Versailles eu não senti nada de diferente, mas conforme eu fui chegando cada vez mais perto do palácio, muitas sensações me atravessaram. A primeira sensação era Solar e muito familiar. Eu conhecia aquela luminosidade e sabia de quem era aquela Lira que estava tocando no completo silêncio. Quando vi as grades ao longe e o prédio eu escutei um claro: “não pegue absolutamente nada desse lugar”. Quando eu escuto algo assim, eu tenho a minha atenção redobrada. Pinturas e esculturas de todos os Deuses Gregos/Romanos estavam espalhadas por todas as partes, algumas delas funcionando como autorretratos daqueles que habitavam aquele luxuoso palácio.
Nas grades o deus sol aparecia em detalhes em dourados que chegava a doer os olhos. Os quartos e aposentos eram ricamente decorados com cenas mitológicas. Havia uma igreja muito dourada dentro do prédio. Depois da longa visita fomos ao gigantesco jardim, formado por pequenos bosques dedicados aos deuses. Cada divindade possuía sua parte naquele lugar gigantesco. Mas ainda assim existia uma sensação estranha desde que escutei aquela frase.
Nos jardins, perto das esculturas dos deuses, dava para sentir a fagulha divina presente. Mas bastava se afastar do olhar desses deuses em branco ou dourado, que o lugar se tornava macabro e altamente assombrado. A natureza parecia aversa a cada forma e a cada respiro. Seguindo pelos longos caminhos entre diferentes bosques rodeados com longas cercas de madeira, tudo parecia desconjuntado. Vez ou outra eu via fantasmas estranhos e muito agressivos passando de um lado a outro, não eram poucos. Aquela terra era de uma aridez verde incomparável.
Apolo
Beco de Baco
Apolo em uma fonte
O Rapto de Proserpina
Em determinado ponto eu vi uma árvore caída e eu segui, intuitivamente eu caí em uma ruela diferente de todo jardim. Haviam flores belas e parecia que eu estava em outro local repleto de rosas selvagens, pássaros cantantes, árvores estranhas e polinizadores passando de um lado para o outro. A grama crescia alta onde deveria ser uma pequena estrada. O silêncio ali era surreal, assim como a beleza. Quando cheguei na metade do caminho um corvo pousou na minha frente, ele cantou e eu entendi que eu precisava partir dali. Dei meia volta e segui de volta para os labirintos de verde desértico para encontrar novamente o grupo. Aquela rua era a única realmente bela daquele lugar, mas parecia difícil de chegar e nem mesmo os seres que habitam ali queriam ser vistos. Olhos humanos não pareciam encontrar aquela entrada facilmente. Eu não vi uma alma viva enquanto me aventurava por ali.
Jardins
Vênus
Mesmo em lugares terrivelmente amaldiçoados existe sempre uma pequena porção que concentra a energia selvagem e original da localidade. Locais de poder sempre serão locais de poder, mesmo soterrados por uma opulência falida ou por grandes igrejas. Mesmo que a cidade soterre as nascentes de água, ainda assim aquele poder reside preso ali. Aquele jardim parecia ser odiado pela natureza, mesmo sendo paradoxalmente uma referência de natureza. Eu não achei a explicação de tantos fantasmas de mortos vagando por aqueles jardins, e nenhum deles chegou perto o suficiente para que eu pudesse fazer perguntas, talvez por eu usar diversas jóias que funcionam como verdadeiros escudos para espíritos que carregam muito ódio. Há algo terrível naquele lugar.
O que me transportou para uma antiga memória. Há algumas décadas eu conheci uma pessoa que havia visitado aquele jardim. A pessoa contava que ela tinha passado dias e dias naquele palácio e em seus labirintos. Os olhos da pessoa brilhavam enquanto falava de Versailles como o lugar mais lindo do mundo. Só que a alegria extasiante logo parecia se transformar em desespero e dor. A pessoa dizia que queria pertencer aquele lugar, mas ela não conseguia. Meus olhos viam uma pessoa claramente amaldiçoada por algo que eu desconhecia completamente na época. Essa pessoa estava destinada a nunca encontrar felicidade fora das grades douradas de Versailles. Talvez algum morto tivesse tomado parte daquele corpo, ou roubado uma parte importante daquela alma, talvez apenas uma maldição tenha se instalado ali, ou ainda essa pessoa tenha tocado ou pisado em algo que não devia. Mas eu vi o destino terrível daquela pessoa. Eu nunca mais a vi depois daquela noite, mas imagino que muita dor e sofrimento a aguardavam.
Seja como for, saí daquele lugar com muitas memórias. A quantidade de gente que visita aquele palácio gigantesco é enorme. As escadas de pedra são todas “amassadas”, como se estivessem derretendo, de tanto as pessoas passarem por ali, a pedra é muito gasta nos lados dos corrimões. Definitivamente antes do palácio, aquele lugar foi algo importante, e a energia continua a todo vapor reunindo tanta gente de tantos lugares diferentes. E disfarçada em seus labirintos existe uma única rua com flores, animais e cantoria dos outros mundos, preservando algo antigo e longe dos olhos humanos. Um lugar que parece desaparecer depois de você novamente colocar o pé no caminho. Mas algo terrível poderia ter acontecido comigo se eu não tivesse escutado aquele corvo que me pôs para fora daquele lugar maravilhoso.
Essas são minhas memórias dessa viagem, de forma resumida. Um texto não comportaria todos os dias dessas férias. Mas queria guardar e compartilhar esses pontos importantes. Essa semana eu sonhei que estava no Caminho do Dragão. Sonhar com um local que você já visitou é um dos indicativos de que você deixou linhas de aka o suficientes naquela localidade. Visitar localidades sendo uma bruxa sempre é uma oportunidade para novas alianças ou para recuperar elos perdidos na espiral de vidas, que incluem o presente, o passado e o futuro. Uma bruxa não deixa de fazer seu trabalho de bruxa nas férias.
Não esqueça que os pássaros são os sonhos dos outros mundos. Procure pela dança nos céus, pelas penas no chão e pelos cantos que rasgam os limites entre os mundos. Com certeza espíritos locais ou grandiosos estão olhando diretamente para você, só esperando que seus olhos se abram. A rendição do destino da bruxa é irresistível. E o destino sempre será implacável. Uma bruxa está constantemente com um pé aqui e o outro nos muitos mundos. Um olho vendo o mundo humano e o outro os reinos misteriosos e poderosos dos espíritos.
Com amor e carinho, Fae.
O Deus Sem Nome, ou Aquele que foi quase esquecido.
Informações da Escultura: do sec 8, de carvalho, em tamanho real, provavelmente foi o centro de um culto à fertilidade, originalmente carregava um falo.
Encontro com o Deus sem Nome, em Julho de 2025.
Marcado pelo tempo, com seu culto de fertilidade esquecido, em um Museu abarrotado de pessoas e outros itens. Outros tempos devocionais. Seu nome não é lembrado por mais ninguém. Talvez um dia bruxas consigam trazer seus cantos de volta, talvez algumas já tenham conseguido.
Foi meu segundo dia em Berlim. E a saga de encontrar objetos de arte e mágicos estava perto do fim. Escolhi então ver o famoso busto de Nefertiti e explorar livremente toda gama de objetos que estavam naquele museu, rodeando essa obra. Berlim é uma cidade muito machucada e marcada. O museu é rodeado por colunas gregas, todas elas furadas com tiros ou bombas da Segunda Guerra. A cidade inteira é assim, assim como muitos marcadores no chão de pessoas que foram deportadas e posteriormente assassinadas no regime de Hitler.
Ao adentrar o museu vi uma poderosa escultura em pedra preta de Isis. Havia uma aglomeração ao redor de tão linda. Mais a frente Nefetiti em uma sala abarrotada de pessoas. Adentrando mais, uma escultura do Deus Hélios e de uma Deusa de tamanho colossal. Passei por pontas de "flecha" tão antigas quanto o próprio tempo (12.000 AEC) e vi diversos itens celtas, e muitas figuras de deusas (as famosas Vênus da pré-história). Muitos objetos carregados de poder, outros nem tanto, mas ainda sim muitos vestígios mágicos.
Eu estava numa sala e eu escutei algo, como um sino dos outros mundos, senti meus olhos dilatarem e me virei e vi, uma figura do tamanho humano cercado de um grupo de pessoas curiosas. Gasto pelo tempo, mas com os detalhes do corpo ainda fortes, em madeira escura como a noite, com um rosto marcante. Quando me aproximei a aglomeração de pessoas foi em outra direção, eu senti o objeto me encarando profundamente.
Dentro da bruxaria que conheço um objeto que pertence a um Deus (como uma escultura) não simboliza o Deus, ele é o próprio Deus. Uma extensão da divindade ancorada deste lado. Eu vi o Deus (hoje sem nome) ali, e vi que ele me viu antes de eu vê-lo. Eu senti uma série de emoções percorrendo meu corpo, coloquei a mão em meu coração e fiz um canto silencioso que aprendi no meu caminho mágico e que apenas os iniciados sabem cantar. Eu vi o Deus cantar de volta uma música que é impossível de pronunciar. Alguma coisa aconteceu ali e o tempo parou por alguns segundos.
Me despedi mas entendi que aquele encontro não foi o primeiro e muito menos o último. Eu senti as linhas do destino dançarem, rirem e gritarem. Eu escutei cantos, choros, gargalhadas, vindo de bocas humanas. Segui meu caminho com meu coração em chamas. Com o sentimento que algo me tocou de forma muito íntima e mistérica.
Bruxas possuem a capacidade de se comunicar com muitos outros mundos, e por vezes elas encontram espíritos esquecidos, ou outros que nunca se mostraram aos humanos. Ou ainda deuses muito conhecidos. Mas aí temos um mistério estranho, a bruxaria possui seus próprios mitos e espíritos que adentram seus espaços, e não precisa necessariamente de mitos de outros caminhos ou religiões. Muitos espíritos antigos e sem nome acham morada entre as nossas deliciosas fissuras.
Muitos dos espíritos, desde que a bruxaria passou a existir, se nomearam dentro dos círculos secretos, mesmo que esses espíritos sejam tão antigos quanto o próprio tempo. E esses nomes são passados de boca para ouvido, de coração para coração e de mãos poderosas para mãos poderosas. Em um mistério de amor, beleza e poder.
É muito mais comum do que imaginamos o caminho em que divindades se escondem debaixo do monte. Seja pelo fim de um povo, a queda de um templo, a dizimação de todos os humanos que seguravam seus poderosos fios no lado de cá, ou ainda o anseio do espírito de se esconder. Antes dessa queda muitas divindades adentram deliciosamente em outros lugares e faz acordos com novos humanos. Mas nem sempre isso é suficiente. A divindade não desaparece, ela apenas some de nossos olhos. Aos poucos nossas vozes não cantam mais as suas histórias, esquecemos seus nomes (que são poderosas chaves em direção a esses seres) e mais ninguém segura seus fios.
Alguns objetos de museus podem ser os últimos fios de alguns espíritos nesse mundo, quando esses objetos forem destruídos pelo tempo, não haverá mais nada. E quando me refiro a esse mundo, falo do mundo humano como o conhecemos. O mundo dos espíritos é bem mais complexo. Para algo se apagar lá leva tempo, muito mais tempo do que imaginamos, e são muitos outros fatores. Mas pode acontecer.
Assim como ir para debaixo do monte é comum para os espíritos, é tão comum quanto a saída de lá, dos outros mundos, esses seres tendo habitado ou não o mundo humano alguma vez, se ancorando no nosso mundo, revelando seus nomes e mostrando seus objetos. Muitas divindades esquecidas retornam o tempo inteiro. Mas conforme o mundo se torna cada vez menos encantado, menos esse movimento acontece. Talvez a bruxaria seja o terreno mais fértil para isso.
Tudo isso leva tempo na perspectiva humana. Um esquecimento (ir para debaixo do monte) para um espírito pode levar centenas de anos, o espírito que conheci está por volta de 1300 anos em processo de esquecimento. Mas suas músicas, as cantorias sagradas e toda beleza e poder que fluem dele podem ainda ser escutadas por aqueles que possuem a Visão, mesmo que por alguns breves segundos.
E não se esqueçam, em todos os lugares existem espíritos que moram debaixo do monte, alguns deles podem estar ansiosos em soletrar seus nomes e até mesmo cantar velhas canções. Basta escutar o sino dos outros mundos tocando e aceitar o chamado. Só tenha cuidado, algo pode tentar te devorar.
Com amor, Fae.
Nas Catacumbas de Paris, em Julho de 2025.
Com certeza esse foi um dos lugares mais intensos energeticamente que conheci na vida. Imagina um local que abriga cerca de 6 milhões de restos mortais em mais de 300 Km de túneis repletos de ossos empilhados e até mesmo decorados. Milhões de sonhos e desejos humanos guardados em túneis que moram no próprio submundo. A parte aberta para visitação corresponde a 1 km. Ao adentrar seus túneis, ofereci força vital como oferenda não só aos mortos, mas à própria Catacumba em si.
Na entradas dos túneis vemos a seguinte mensagem escrita no topo de um portal: "Arrête! C'est ici l'empire de la mort."
Pare! Este é o império da Morte. A visitação costuma ser agitada, entrei num pequeno grupo, mas a dinâmica das pessoas fez com que eu, naturalmente, caminhasse bem à frente, quase solitariamente, sendo encontrade hora ou outra por meu namorado (que por acaso é um dos meus iniciadores e fazemos parte do mesmo clã Feri), mas passei muito tempo apenas com os ossos. Segui meu caminho com um pequeno aparelho que me guiava em espanhol pelo caminho. Um dos locais impressionantes é um poço com uma fonte com águas cristalinas com o seguinte aviso: "se beber desta água jamais terá sede!". Talvez a pessoa morra instantaneamente e seu destino seja habitar aquelas paredes, talvez as águas concedam um dom que atravesse a eternidade, apenas os que provaram sabem. O mais curioso é que existe uma benção das bruxas com dizeres um pouco parecidos "...que você nunca tenha sede...". As paredes da catacumba são encantadas, cada crânio ou morto ali presente parecem cantar uma espécie de canção que faz estremecer Paris. Adentramos mais e mais, passando por debaixo de ruas conhecidas da cidade.
Em determinado ponto eu escutei uma interferência em meu audio-guia, como um ruíodo das antigas TVs de tubo, logo em seguida escuto a seguinte frase: "não toque ou pegue nada, a não ser se quiser vir parar nesta catacumba." Pensei ser algum tipo de forma imersiva da visitação, mas perguntei as outras pessoas do grupo e ninguém tinha escutado essa frase. E sim, bruxas são conhecidas por pegar objetos de locais como esse, desde que autorizadas a tal, mas claramente não era algo recomendado ali. Inclusive um dia antes tinha visitado um cemitério famoso, guiado pelos corvos e recolhi uma pequena quantidade de terra de um túmulo de uma pessoa importante para os oraculistas.
Em certa altura eu vi diversos mortos, mais mortos juntos do que eu já tinha visto em toda minha vida em locais do mundo físico ou no Entre Mundos. Eles pareciam agitados e inconformados, a placa mais próxima dizia que eram um local de ossos "depositados", mas antes dessa placa havia uma outra: ossos violados.
A maioira dos mortos parecia gostar do local, alguns estavam bem inquietos e uns poucos queriam interagir a todo custo, apresentando o local como o lugar mais imponente da França, ou a entrada para o Inferno mais conhecida de todo o mundo. Um lugar claramente barulhento de forma silênciosa para aqueles que foram abençoados com a Visão.
Com certeza eu recomendo a visita à toda bruxa, especialmente aquelas que possuem alguma ancestralidades por essas terras geladas onde o sol brilha as 21 horas em pleno verão. Ou aquelas pessoas que desejam pisar em uma das entradas do mundo inferior mais conhecida de todo mundo.
Um dos fatos mais estranhos e sutis, foi que em determinado momento vários crânios me chamaram atenção. Eles estavam virados de costas, e dava para ver o topo e a parte de trás do crânio. Alguns deles estavam escritos, em uma linda caligrafia, frases enormes em francês, seguindo em espiral por toda extensão da nuca e topo da cabeça, seguindo para as partes não visíveis. Era como se tivessem sido esculpidos de forma delicada direto no osso com algum tipo de ferramenta. Vários crânios estavam assim. Eu fotografei alguns na esperança do meu anfitrião poder traduzir para mim. Com meus olhos de bruxa, vi uma energia azulada e cintilante (bem conhecida por Feris) atravessando aquelas frases e adentrando as densas paredes de ossos à minha frente, admirei um pouco essas caligrafias e parti pensando que nunca soube de um costume como esse, que nunca tinha ouvido falar, e imaginando as justificativas para as frases. Depois de um dia longo, chegando na casa em que estávamos, revisitei as fotos procurando as inscrições. Bom, as fotos dos crânios estavam lá, nenhuma letra presente. Isso me causou imensa confusão e frustração.
Perguntei às outras pessoas se viram tais crânios e ninguém viu nenhuma frase nos ossos. Uma bruxa é capaz de estar aqui e no outro mundo ao mesmo tempo. E na maioria das vezes ela consegue saber exatamente o que está aqui e o que está no outro mundo, claro que sabendo que em um mistério muito maior as divisões são meras ilusões. Já passei por situações que o poder que atravessa os mundos era tão potente que os limites desabavam - isso aconteceu em rituais, em locais mágicos ou quando encontrei bruxas ou pessoas que eram claramente marcadas por reinos poderosos. Já vi muitos locais desse mundo ancorados no mundo do espíritos, com poderes para nos catapultar em direção ao outro lado e trazer o outro mundo para cá. Mas as catacumbas pareciam inverter essa lógica. Parecia que quem se ancorou no mundo humano foi o mundo dos espíritos, mais especificamente o mundo dos mortos e o Mundo Inferior (algo imensamente maior parece habitar aqueles túneis). Um local onde o véu parece não existir, onde o mundo espiritual chega a ser palpável. E uma forte sensação que foi o Mundo dos Mortos que emergiu de suas colinas distantes em direção aos túneis, os inundando de forma permanente.
Existem muitas histórias sobre pessoas que adentram as partes proibidas das Catacumbas, algumas ficam perdidas por dias, outras precisam ser resgatadas pela polícia e bombeiros, alguns boatos falam de pessoas desaparecidas com seus corpos nunca encontrados.
Oficialmente apenas uma morte foi registrada, de uma pessoa chamada Philibert Aspairt, em 1793. O mesmo adentrou as catacumbas e não conseguiu achar o caminho de volta, 11 anos depois acharam seu corpo e o mesmo foi sepultado no mesmo local. Os motivos que o levaram a adentrar os túneis repletos de ossos são misteriosos.
Antigos altares coletivos feito por bruxas Reclaiming do Rio de Janeiro- 2017-2018
Quando a tradição começou a se enraizar nesse terra, bruxas se reuniam para fazer magia juntas em rituais sazonais e contínuos. Boa parte dos espíritos que são aliades até hoje na comunidade brasileira surgiram desses rituais. O Labirinto da Rosa, a Divindade Agênera e a Floresta Escura se revelaram nesses círculos internos e muitos outros.