22/11/2022 - HORÁRIO: 08H ÀS 13H
MINICURSO 1
ITINERÁRIOS INTELECTUAIS: INSTITUIÇÕES, CAMPO, PODER E SOLIDARIEDADES NA LEGITIMAÇÃO DE VERDADES FILOSÓFICOS E CIENTÍFICAS
Fábio Silva Souza1
RESUMO: O minicurso em questão objetiva nortear seus alunos a perceber, investigar e construir itinerários intelectuais e construções teóricas de determinados pensadores. Veremos como a construção e consolidação de uma verdade teórico, filosófico ou científica transita pela força de atuação de instituições, campo, poder e solidariedades. Para isso, do ponto de vista teórico, recorreremos a Karl Mannheim, Pierre Bourdieu, Michel Foucault e Randall Collins, discutindo como esses intelectuais propuseram reflexões acerca da verdade pautadas respectivamente: formação de grupos, no contexto e interesses ideológicos; construção de um campo estruturado com regras pré-estabelecidas, reconhecimento e acúmulo de capital intelectual, social e simbólico, relações de poder que se confrontam dentro de um campo institucional estabelecido e finalmente, pelos laços e ciclos de amizades que são construídos e ratificados por meio de encontros, congressos e publicações. Veremos como o tema da “verdade” remonta às análises filosóficas aventadas por Nietzsche derivadas de sua observou sobre os escritos elaborados por de Karl Marx. O filósofo niilista percebeu que os escritos do filósofo alemão estavam preocupados com a consolidação de um Estado Nacional alemão e que Marx estaria inserido em um contexto hegeliano de pensamento, posicionando-se inclusive contrariamente a esse, como também do positivismo e suas crenças em leis científicas e estágios evolutivos, que desemborcaram nos escritos marxistas categorias e explicações como “lua de classes” e “evolução dos modos produtivos”. O minicurso irá discutir como Mannheim adotou o anti-idealismo proposto por Nietzsche, propôs uma sociologia do conhecimento que se desdobrou nos pensamentos de Bourdieu, Foucault e Collins. Mostraremos na prática como essas relações, sejam ideológicas, institucionais e afetivas são construídas, com exercícios e práticas em aula e ao final os alunos terão um tempo, extraclasse, para propor um modelo de relações e sociabilidades adotando um filosofo de sua escolha.
Palavras-chave: Legitimação da verdade; Nietzsche; Mannheim; Bourdieu; Foucault; Collins
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1 Prof. Dr. Fábio Silva Souza, fasiso72@gmail.com, pesquisador vinculado ao Grupo de Pesquisa em Sociologia e Trabalho (GEPSET/PPGS/UFS).
PLANO DE CURSO
Minicurso: itinerários intelectuais: instituições, campo, poder e solidariedades na legitimação de verdades filosóficas e científicas.
Carga horária: 5 horas
Ementa: itinerários intelectuais, construções teóricas e legitimação da verdade teórico, filosófico e científica a partir de grupos, contextos e interesses ideológicos; campo estruturado e regras pré-estabelecidas, poder entre instituições.
Objetivos:
Apresentar a ideia de itinerário intelectual;
Discutir o tema da construção da verdade a partir da reflexão proposta por Nietzsche;
Conhecer o debate e a metodologia de uma sociologia do conhecimento sugerida: por Karl Mannheim, Pierre Bourdieu, Michel Foucault e Randall Collins;
Construir um diagrama de redes intelectuais.
Metodologia
O curso terá duração de 04 horas, sendo 50% expositivo e dialogado e a outra metade, destinada a uma atividade prática, onde o aluno irá escolher um filósofo e deverá construir um diagrama de suas redes intelectuais. Esse aluno poderá então enviar ao professor ministrante sua atividade por e-mail e esse irá fazer as ponderações.
Referências
BARBOSA, Ivan Fontes. Considerações sobre as dimensões políticas do conhecimento em Karl Mannheim. In: Revista Latitude. Maceió: EdUFAL: 2019, V.13, n.1.
BARBOSA, Ivan Fontes. Contribuições de Randall Collins à Sociologia do Conhecimento. In: XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE SOCIOLOGIA, 20 a 23 de Julho de 2015, Porto Alegre, RS: 2015.
BORTOLI, Luiza Venzke; GALLON, Shalimar. A repercussão da sociologia do conhecimento de Karl Mannheim no Brasil: uma análise da presença do autor no país e nos estudos de administração. In: Revista Eletrônica de Ciência Administrativa. (RECADM), v.14, n.3, p.166-181, Set./Dez. 2015.
BOURDIEU, Pierre. Sistema de ensino e sistema de pensamento. In: A economia das trocas simbólicas. 6. Ed. São Paulo: Perspectiva, Coleção de estudos. n. 20, 2005.
CERTEAU, Michel de. A operação historiográfica. In: A Escrita da História. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 1982, p. 65-106.
COLLINS, Randall. Interaction ritual chains. Princeton: Princeton University Press, 2004.
FONTANA, Felipe. A Sociologia do Conhecimento de Karl Mannheim aplicada ao Pensamento Político e Social Brasileiro. In: CÊPEDA, Vera Alves; MAZUCATO, Thiago; FONTANA, Felipe. (orgs.). Interfaces da Sociologia do Conhecimento de Karl Mannheim. São Carlos: UFSCar, 2015.
FOUCAULT, Michel. Arqueologia das ciências e histórias dos sistemas de pensamento. Rio de Janeiro: Forense Universitária: 2000.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 22 ed. Rio de Janeiro: Graal, 2006.
MANNHEIM, Karl. Essays on the sociology of knowledge. London: Routledge e Kegan Paul LTD, 1964.
MANNHEIM, Karl. Sociologia da Cultura. São Paulo: Perspectiva, 2004. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. São Paulo: Boitempo, 2007.
NIETZSCHE, Friedrich. Nascimento da tragédia ou helenismo e pessimismo, São Paulo: Companhia das Letras, 1993.
OLIVEIRA, João Paulo Gama; ALVES, Eva Maria Siqueira. Itinerários do Aluno Felte Bezerra entre Sergipe e Bahia na primeira metade do século XX. In: Revista Linhas. Florianópolis, v. 19, n. 39, p. 216-242, jan./abr. 2018.
OLIVEIRA, João Paulo Gama; OLIVEIRA, Roselusia Teresa de Morais. Arthur Fortes: o professor e “poeta da rosa vermelha”. In: CONCEIÇÃO, Joaquim Tavares da; SOUZA, Josefa Eliana; FREITAS, Anamaria Gonçalves Bueno de (Orgs.). Entre trajetórias e disciplinas. Jundiaí – SP: Paco Editorial, 2020. Disponível em: https://books.google.com.br/books. Acesso em: 22 de dezembro de 2020.
OLIVEIRA, João Paulo. Disciplinas, docentes e conteúdos: itinerários da História na Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe (1951 – 1962). 2011. Dissertação (Mestrado do Núcleo de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Sergipe). São Cristóvão, 2011.
ROMERO, Sílvio. Introdução à história da literatura brasileira. In: Literatura, história e crítica. Rio de Janeiro: Imago. São Cristóvão: Editora da Universidade Federal de Sergipe [1882] 2002.
SIRINELLI, Jean François. Os intelectuais. In: RÉMOND, René. Por uma história política. 2.ed., Rio de Janeiro, Editora FGV, 2003, p. 231-269.
SIRINELLI, Jean-François. Le hazard ou la necessité? Une histoire en chantier: l’histoire des intellectuels. Vingtième siècle. Revue d’Histoire, Paris: Sciences Po University Press, n. 9, p. 97-108, jan.-mar. 1986. Disponível em:
http://www.jstor.org/stable/3768995. Acesso em: 21/11/2019.
WOODWARD, Ashley. Nietzscheanismo, naturalismo e ciência. Petrópolis, RJ: Vozes, Série Pensamento Moderno.
23/11/2022 - HORÁRIO: 13H ÀS 18H
MINICURSO 2
CONHECIMENTO E LINGUAGEM EM AGOSTINHO: A DOUTRINA DO UNUS OMNIUM MAGISTER
Ronny Dennyson Monteiro Santana*
RESUMO: O presente minicurso propõe uma introdução sobre os pressupostos de uma filosofia da linguagem agostiniana e suas relações com o conhecimento a partir de uma leitura do opúsculo De magistro de Agostinho de Hipona. O De magistro se caracteriza por ser um escrito sobre a relação linguagem e conhecimento, apresentando a necessidade de uma mediação interior como solução de seus problemas. Será estudado, primeiramente, o valor cognitivo da palavra no pensamento do autor que enquanto voz articulada não dá a conhecer aquilo que as coisas significam, tão pouco mostra a coisa significada. Pronunciar uma palavra é emitir um estímulo sensível que não produz na mente do ouvinte nem o conhecimento do sinal nem o conhecimento da coisa significada. Por essa razão, a favor do conhecimento das coisas, está o conhecimento prévio dos sinais. Depois, investigaremos o problema fundamental no uso dos signos: por um lado, parece que se faz necessário usar os signos para ensinar qualquer realidade; por outro lado, os seres humanos não podem entender o significado dos signos usados pelos mestres a não ser que já conheça, as realidades a que os signos se referem. Por fim, discutir-se-á sobre a solução do paradoxo conhecimento-linguagem apresentada por Agostinho: a doutrina agostiniana do unus omnium magister (o mestre interior). Tal doutrina afirma que a realidade a que o signo se refere é conhecida não pelo signo em si, mas pela consulta ao mestre interior, Cristo, que, então, revela-se o fundamento, ou possibilidade, sobre o qual está baseado o conhecimento humano.
PALAVRAS-CHAVE: Agostinho; Conhecimento; Linguagem; Palavra; Signo.
PLANO DE CURSO
Minicurso: Conhecimento e linguagem em Agostinho: a doutrina do unus omnium Magister
Carga horária: 5 horas
Ementa: Noções sobre Filosofia da Linguagem em Agostinho de Hipona. Noções sobre a Teoria do Conhecimento. Doutrina do mestre interior. Interioridade.
Objetivos:
· Apresentar as noções básicas da filosofia da linguagem;
· Analisar a ineficácia da palavra na significação e ostensão da coisa e o seu papel admoestativo na memória;
· Discutir sobre os elementos que indicam a noção agostiniana de palavra interior e sobre o mestre interior;
· Debater sobre os problemas e as soluções agostinianas dentro da discussão sobre linguagem;
Metodologia
O minicurso será presencial e acontecerá inicialmente de forma expositiva e abriremos no final de cada tópico apresentado o debate e o diálogo.
REFERÊNCIAS
AGOSTINHO. O Mestre. Tradução de Antônio Soares Pinheiro e Introdução e comentários
de Maria Leonor Xavier. Lisboa Portugal: Porto Editora, 1999.
AYOUB, C. Iluminação trinitária em Santo Agostinho. São Paulo: Paulus, 2011.
CAPANAGA, V. Introducción a El maestro. In: AGUSTÍN. Obras completas: Obras
filosóficas III. Ed. bilingue. Trad. introd. y notas de Victorino Capanaga. Madrid: La Editorial
Católica/BAC, 1982.
FITZGERALD, A. (org.). Agostinho através dos tempos: uma Enciclopédia. Edição
brasileira sob a coordenação de Heres Drian de O. Freitas e apresentação de Cristiane
Negreiros Abbud Ayoub. São Paulo: Paulus, 2019.
GILSON, E. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. Tradução de Cristiane Negreiros
Abbud Ayoub. São Paulo: Discurso editorial: Paulus, 2006.
HORN, C. Agostinho: Conhecimento, linguagem e ética. Seleção de textos, introdução,
tradução e edição de Roberto Hofmeister Pich. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.
MATTHEWS, G. Santo Agostinho: a vida e as idéias de um filósofo adiante de seu
tempo. Tradução de Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
NOVAES, M. Interioridade na Cosmologia Agostiniana. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2009.
NOVAES, M. Linguagem e Verdade nas Confissões. In: PALACIOS, Pelayo M. (org.).
Tempo e Razão: 1600 anos das Confissões de Agostinho. Leituras Filosóficas. São Paulo:
Loyola, 2002.
VAZ, H. C. L. Ontologia e história, escritos de filosofia. São Paulo: Edições Loyola, 2001.
XAVIER, M. O Mestre, de Santo Agostinho. Tradução de Antonio Pinheiro. Porto: Porto
Editora, 1995.
XAVIER, M. Questões de Filosofia na Idade Média. Lisboa: Edições Colibri, 2007.
* Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFS. Atualmente é diretor acadêmico e professor do Curso Livre de Filosofia do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição em Aracaju-SE.