22/11/2022 - Horário 15h às 17h
Mesa 01 - Filósofos Sergipanos - Sala 01
A RELAÇÃO ENTRE A POESIA DE HERMES FONTES E A FILOSOFIA DUALISTA DE PLATÃO
Alexandre Santos Paiva*
RESUMO: Desde a Filosofia pré-socrática, ainda nos primeiros escritos, pode-se encontrar textos com características poéticas. Hesíodo poetizava sobre a vida no campo, Homero, através das Ilíadas e da Odisséia, fazia poesia sobre o mundo, Parmênides poeticamente questiona-se sobre a natureza. Isso nos faz entender que, até os dias de hoje, podemos encontrar conteúdos filosóficos nas entrelinhas das Poesias, ainda que seu objetivo não seja o de fazer filosofia no modo estrito. Já dizia Platão, dando voz a Sócrates, “a verdadeira filosofia está na alma do poeta e não nos livros”. Assim, na análise da poesia Folha Rubra, de Hermes Fontes, podemos perceber as bases da filosofia dualista platônica. Nesta, o escritor trata de duas realidades que são muito bem explicadas por Platão: corpo e alma: “meu ser é a comunhão de dois seres diversos. Dois seres - um, a carne, outro, o espírito…". Em toda a poesia vê-se, claramente, a alma colocada como ser transcendente, incorruptível e prisioneira do corpo, e o corpo, a matéria sujeita aos desejos e corruptível, observamos, assim a superioridade da alma (inteligível) sobre o corpo (sensível).
PALAVRAS-CHAVE: Alma; Corpo; Dualismo; Filosofia; Inteligível; Poesia.
*Discente do curso de Filosofia no seminário Maior Nossa Senhora da Conceição.
OS ESTUDOS EM TOBIAS BARRETO DE MENEZES
José Vila de Oliveira*
RESUMO: O artigo tem como objetivo apresentar o pensamento de um dos maiores pensadores do Brasil, Tobias Barreto de Menezes, um dos iniciadores do movimento filosófico, a partir da sua entrada na Faculdade de Direito do Recife, quando ainda estava ligado ao ecletismo espiritualista até adotar o monismo germânico. Objetiva também mostrar sua intensa atividade intelectual. Em face disso, há um estudo analítico da filosofia Tobias-barretense. Tobias Barreto é muito aceito pelos intelectuais da área jurídica do Brasil, bem como no campo das ideias onde o processo é mediado pela tradução e apropriação de múltiplas culturas políticas. Na fase de meditações ecléticas e positivistas, ele mergulha na filosofia kantiana. Também, apresenta uma visão epistemológica através dos estudos que fez dos filósofos alemães e do Positivismo francês. O cerne da pesquisa está embasado em mostrar o caminho que ele fez para concretizar e aprofundar o pensamento filosófico no País e, também caminhar por seus estudos alemães. Passando por Nietzsche, Haeckel, Kant, Hegel, Kant, Comte, Herbert Spencer, Tobias Barreto vai delineando sua filosofia e deixando um legado, importante, tanto para o crescimento filosófico no Brasil, quanto para os estudos alemães no campo do Direito. O procedimento metodológico utilizado é o bibliográfico-investigativo –com uso de fontes disponibilizadas em acervos bibliográficos e com o uso de obras raras.
PALAVRAS-CHAVE: Direito; Ecletismo; Epistemologia; Filosofia; Positivismo.
* Graduado em Filosofia pelo Seminário Maior Nossa senhora da Conceição. Atualmente é aluno do 1º Ano do Curso de Teologia da mesma instituição.
INTELECTUAIS SERGIPANOS:
A FACULDADE DE FILOSOFIA E A MODERNIDADE
Fábio Silva Souza*
RESUMO: Como a ação de um determinado grupo de intelectuais e suas redes de sociabilidades possibilitou a estruturação de um campo institucional das ciências sociais em Sergipe? Pautado em um diacronismo, apresentaremos as primeiras tentativas de implementação de um ensino superior no Estado de Sergipe, que datam do século XIX com um ensaio dessa implementação quando D. Pedro II, que tentou criar o Imperial Instituto Sergipano de Agricultura (IISA), seguido por outras tentativas no início do século XX, até a consolidação da Escola de Química e a Faculdade de Ciências Econômicas, por iniciativa do governador José Rollemberg Leite (1947-1951), através do decreto de lei n. 26, de 25 de dezembro de 1948. A criação da Faculdade de Filosofia de Sergipe (FAFI) em 1950, embrião do que veio a ser a Universidade Federal de Sergipe (UFS), foi reconhecidamente, fruto de uma rede de sociabilidades intelectuais, ligados ao Partido Social Democrático (PSD), por meio de nomes como Felte Bezerra, Garcia Moreno, José Rollemberg Leite, Gonçalo Rollemberg Leite, Francisco Leite Neto e do Padre Luciano José Cabral Duarte, representante da Igreja Católica e responsável por disponibilizar o prédio onde passou a funcionar a faculdade. Metodologicamente, a pesquisa transitou por uma sociologia do conhecimento aconselhada por Randall Collins (2004). O sociólogo estadunidense defende uma tese que relaciona a legitimação de uma verdade no meio acadêmico e científico acoplada a um foro social, de trocas ritualísticas e ciclos de amizades. Os intelectuais sergipanos estabeleceram contatos e ciclos ritualísticos, por meio de eventos e publicações com outros intelectuais como Gilberto Freyre, Câmara Cascudo etc. consolidando um movimento de nordestinização em oposição à modernidade paulista, autoproclamada como locomotiva do país.
PALAVRAS-CHAVE: Faculdade de Filosofia de Sergipe (FAFI); Nordestinização; Randall Collins; Sociabilidades intelectuais.
*Prof. Dr. Fábio Silva Souza, fasiso72@gmail.com, pesquisador vinculado ao Grupo de Pesquisa em Sociologia e Trabalho (GEPSET/PPGS/UFS).
Mesa 02 - Interioridade e Alteridade no Medievo e na Contemporaneidade - Sala 02
A FILOSOFIA MORAL EM SÃO TOMÁS DE AQUINO: IMPORTÂNCIA DA PRUDÊNCIA NAS RELAÇÕES HUMANAS
José Ivison Reis da Silva Santos*
RESUMO: A sociedade atual está mostrando o quanto as consequências de decisões tomadas arbitrariamente são prejudiciais para o bem de todos. Neste sentido, podemos nos perguntar: a prudência é necessária ao homem? O presente trabalho tem por objetivo investigar a função e a importância da prudência nas relações humanas, segundo Santo Tomás de Aquino. Para tanto, aprouve compreender a concepção acerca da virtude da Prudência e sua relação com as demais virtudes humanas, estabelecendo, desta forma, a importância e o papel que tal virtude desempenha entre as demais na vida do ser humano. Firmando-se no pensamento de Santo Tomás de Aquino sobre a virtude da prudência, possibilitamos a oportunidade de construir um debate aberto, ao passo que refletimos e discutimos o tema proposto. Deste modo, a importância desse trabalho, no espaço acadêmico, cintila qual luz para todos os que buscam os fundamentos das ações humanas em sociedade e também os meios adequados para o bem comum. Assim, no âmbito social, o estudo da virtude da prudência é significativo para a deliberação do que é bom e proveitoso para o bem-estar geral. Por fim, esse estudo foi elaborado a partir de uma pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico acerca da virtude da prudência e de sua necessidade na vida do homem, segundo Santo Tomás de Aquino.
PALAVRAS-CHAVE: Ética; Prudência; Tomás de Aquino; Virtude.
* Licenciado em Filosofia, pela Faculdade Católica São Tomás de Aquino – FACESTA, Palmeira dos Índios-AL. Discente de Teologia no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição.
MEMÓRIA E DELEITE SONORO: ASPECTOS ESTÉTICOS DO DE MÚSICA DE AGOSTINHO DE HIPONA
Ronny Dennyson Monteiro Santana*
RESUMO: A presente comunicação pretende refletir sobre os aspectos estéticos da obra De musica de Agostinho de Hipona a partir da noções de sonoridade musical, beleza e memória. Para Agostinho, tudo aquilo que é deleitável se entrega facilmente à memória; questão que se mostra recorrente no referido tratado. Por sua suavidade e numerabilidade, a música pode ser apreciada, entendida racionalmente e memorizada. Ao mesmo tempo em que os aspectos materiais, mensuráveis e descritivos da natureza multifacetada da música são colocados em evidência, o hiponense indica uma realidade estética interna da música responsável pelo efeito emotivo e profundo sobre o ouvinte da música. Dessa maneira, a música é também uma realidade espiritual ou inteligível no entendimento agostiniano. Para realização deste trabalho, discutir-se-á sobre a beleza e os lugares da música: som, ouvidos, coração, mente, memória. Logo em seguida, será discorrido sobre o prazer dos sentidos, do deleite e sobre a volúpia. E por fim, investigaremos como a substância musical atinge e atrai a mente e o espírito que contempla, compreende, conserva e se deleita com a ordem e com a beleza da música. Esta pesquisa poderá despertar o interesse pelo valor da estética agostiniana que conjuga hierarquicamente beleza sensível, interioridade e transcendência.
PALAVRAS-CHAVE: Agostinho; Deleite; Memória; Música.
* Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFS. Atualmente é diretor acadêmico e professor do Curso Livre de Filosofia do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição em Aracaju-SE.
CIBERCULTURA, TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS E EDUCAÇÃO
Marcos Henrique dos Santos*
RESUMO: A presente comunicação terá como tema: Cibercultura, Tecnologias Educacionais e Educação em Pierre Lévy (1956), que partirá de uma análise antropológica e linguística dos seres humanos, tendo como base a obra Cibercultura. Este estudo desenvolve-se até chegar aos avanços tecnológicos na ótica dos diversos tipos de saberes nos ciberespaços, numa compreensão global por parte dos meios de comunicação digitais. A pesquisa culmina no estudo do papel da comunicação em relação ao controle e a vigilância nas redes cibernéticas que vem propor uma reflexão sobre a democratização do saber e os valores éticos nos ciberespaços, no qual os sujeitos estão incorporando novas atitudes e sentimentos, mantendo na medida do possível, sua integridade, ressignificando as relações, tendo como parâmetro os valores morais já estabelecidos na realidade concreta. Por esta vertente, de forma analógica far-se-á um paralelo entre o Mito da Caverna e a atualidade, na perspectiva do ser voltado para caverna, não mais aquela caverna rústica e escura, logo, uma caverna atual, com comunicação, linguagem, diálogo, e que muitas das vezes se torna cômoda, geradora de limitações por parte dos seres humanos. Sendo assim, a espécie humana está sempre inserida em novas formas de ser e viver na constituição em sociedade de constante mutação humana que influência a vida dos seres humanos cotidianamente sem procedentes numa privilegiada velocidade cada vez maiores entre as diversas ciências, tecnologias, e até nas reações psíquicas de cada indivíduo na inteireza de suas mutações decorrentes das mudanças na ordem biológicas sofridas em decorrência de sua evolução multimilenar.
PALAVRAS-CHAVE: Cibercultura; Ciberespaço; Educação, Tecnologias educacionais.
*Seminarista discente do Seminário Maior “Nossa Senhora da Conceição”, do 6º período do Curso de Licenciatura em Filosofia. Email: marcosflauberth43114@gmail.com
Mesa 3 - Estética, Antropologia e Felicidade - Sala 03
O HOMEM E SUA CIRCUNSTÂNCIA: SITUAÇÕES-LIMITES E AUTORREALIZAÇÃO EM JOSÉ ORTEGA Y GASSET
João Marcos Santos Lima*
RESUMO: A presente comunicação apresenta uma reflexão sistemática acerca do pensamento do filósofo espanhol José Ortega y Gasset. O tema a ser abordado debruça-se na condição humana e na circunstância, aspectos essenciais da vida humana. Lançado ao mundo, o homem se defronta com realidades e/ou situações difíceis que, quando lhes são impostas, abrem caminhos para o homem se rebelar, ou seja, ele não pretende se distanciar do mundo e viver à parte dele, mas recobrar para si a vontade de viver sem estar aprisionado ao passado. Indubitavelmente, todas as classes de homens não estão isentas das circunstâncias e das “situações-limites”, pois a todo momento o ser humano se encontra envolto nelas e precisa aceitá-las, pois elas orientam a vida. Inobstante, Ortega y Gasset salienta que é preciso aceitar a circunstância para que ele possa reorganizar a vida; é preciso viver, tentar ser feliz, construir um novo projeto de vida e realizar-se. No entanto isso só é possível por meio da harmonia do “eu” com a circunstância do mundo; o homem deve aprender a lidar com ela para viver bem, mesmo quando lhe parecer impossível, é necessário tentar, aventurar-se é essencial. É preciso acreditar que, mesmo diante das circunstâncias difíceis e das “situações-limites”, o ser humano seja capaz de olhar para o futuro e almejar a felicidade e sua autorrealização.
PALAVRAS-CHAVE: Homem. Circunstância. Mundo. Felicidade. Autorrealização.
* Graduado em Filosofia - SMNSC (Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição). Atualmente é discente do Curso de Teologia na mesma
instituição de ensino.
A PRESENÇA DA SABEDORIA TRÁGICA DE NIETZSCHE NOS POEMAS DE AUGUSTO DOS ANJOS
David Angelo Oliveira Rocha*
RESUMO: O objetivo do artigo é apresentar a presença da sabedoria trágica pelo viés estético-filosófico de Nietzsche nos poemas de Augusto dos Anjos. O nome Friedrich Nietzsche aparece no Brasil pela primeira vez por meio do filósofo sergipano Tobias Barreto por volta de 1876. Neste período setentista, chegava aos poucos no Brasil, nomes de filósofos alemães como Eduardo Van Hartmann, Karl Marx, Schopenhauer e o próprio Nietzsche. Estes nomes circulavam dentro do meio intelectual na Escola de Recife, único lugar do Brasil que ofertava ensino superior em Direito. É dentro desse círculo intelectual que encontramos Tobias Barreto, Silvio Romero, e o poeta em análise Augusto dos Anjos, todos estes cursavam a Faculdade de Direito. Nietzsche em sua primeira obra O Nascimento da Tragédia (1872) lança sua crítica a cultura socrática que exaltava o homem teórico (ciência) em comparação ao homem esteta (arte). Na percepção de Nietzsche, a arte proporciona a reconciliação do homem com a vida quando ela está ligada ao pensamento trágico. Seguindo esta visão da arte que salva a vida, levantamos a hipótese que é possível encontrar nas poesias de Augusto dos Anjos a ressonância do pensamento estético-filosófico de Nietzsche e sua crítica a ciência. Através da única obra publicada em vida –Eu (1912) - por Augusto dos Anjos, será analisado alguns poemas que apresentam a arte como aquela que salva a vida do homem dentro de um mundo que está em processo de decomposição.
PALAVRAS-CHAVE: Arte; Augusto dos Anjos; Ciência; Nietzsche; Vida; Trágico.
*Professor das disciplinas Estética Filosófica e Filosofia da Religião no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, Aracaju/SE. No momento é mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de Sergipe.
DIVERTIMENTO COMO OBSTÁCULO PARA O HOMEM CONFRONTAR-SE CONSIGO MESMO EM PASCAL*
Elves Franklin Bispo de Araujo**
RESUMO: Esta comunicação estrutura-se nas reflexões de Pascal acerca de sua concepção da condição do homem e a problemática do mecanismo divertimento como um obstáculo para o homem direcionar o pensamento em si mesmo. O objetivo da temática é conduzir o leitor a reflexão do conselho pascaliano acerca do perigo que o homem carrega em conduzir equivocadamente o ordenamento de seu pensamento, como também para o conhecimento de quem é o homem segundo o pensador francês. Para tanto, evidencia-se a concepção de homem para o filósofo que resulta no homem frágil após sua queda pecadora narrada pelo mito bíblico adâmico; o paradoxo humano que consiste em um ser portador de miséria e grandeza; e, o mecanismo divertimento como negação do pensamento do homem sobre si mesmo. Ademais, o presente texto segue em tom o conselho pascaliano em direcionar o leitor à saída da ignorância do homem e os benefícios que daí advém. Nessa perspectiva o presente tema se torna pertinente por constatar na atual sociedade a idealização do homem como uma máquina perfeita e as novas tecnologias como entretenimentos perigosos a humanidade. A temática ganha maior atenção diante do novo contexto advindo pelo isolamento social por ocasião da pandemia do Coronavírus (COVID-19), assim também como pelo mecanismo do divertimento ser utilizado pela indústria como instrumento alienante para obtenção de lucros.
PALAVRAS-CHAVE: Divertimento; Grandeza; Homem; Miséria.
*Esta comunicação foi elaborada a partir de uma monografia (TCC) apresentada ao Instituto de Ensino Superior de Minas Gerais (ISEMG) no ano de 2019 orientada pelo Prof. Esp. Carlos Henrique Santos.
** Possui graduação em Pedagogia pela Faculdade Geremário Dantas (FGD) e Complementação Pedagógica em Filosofia pelo Instituto de Ensino Superior de Minas Gerais (ISEMG). Atualmente é graduando em Ciências da Religião na Universidade Federal de Sergipe (UFS), mestrando em Filosofia pelo Programa de Pós-graduação em Filosofia da UFS com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).