Simpósios Temáticos
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Conheça abaixo os 21 Simpósios Temáticos oferecidos pelo XV Encontro Estadual de História da ANPUH-GO
O prazo para inscrições de Comunicações Orais já se encerrou, mas ainda é possível participar dos STs como Ouvinte
Simpósios Temáticos oferecidos pelo Evento
Coordenação: Marina Salgado Pinto (UNIEVANGÉLICA), Eduardo Giavara (UFG) e André Egídio Pin (UNIEVANGÉLICA)
Resumo: O presente simpósio temático visa dialogar com pesquisadores da História Ambiental e áreas afins acerca do avanço da fronteira agropecuária no Cerrado ao longo do século XX. Entendemos que esse avanço foi resultado de uma série de condições estruturais, que combinou ações da iniciativa estatal e privada. Sobretudo, o Estado tutelou o processo de expansão da fronteira para a região Centro-Oeste com investimentos em projetos de colonização, financiamentos de expansão de áreas agrícolas, ampliação de centros urbanos, abertura de rodovias e parcerias nacionais e internacionais. Nesse sentido, a expansão da fronteira agropecuária teve impactos socioambientais e econômicos nas diferentes populações que ocupam o Cerrado. Buscamos fomentar o debate interdisciplinar, que caracteriza a História Ambiental, acerca desses processos que englobam o Cerrado. Assim, propomos que as pesquisas apresentadas possam dar visibilidade às fontes escritas, cartográficas, iconográficas, orais, arqueológicas, científicas, jornalísticas e administrativas para a compreensão das relações entre sociedades e natureza.
Coordenação: Sônia Maria de Magalhães (UFG) e Leicy Francisca da Silva (UEG)
Resumo: Este simpósio pretende reunir investigadores para discutir novas abordagens metodológicas e fontes, bem como para intercambiar conhecimentos em torno de práticas de cura, instituições, epidemias, adoecimento, morte, doentes, saberes médicos e saberes leigos, o processo de institucionalização da medicina, tecnologias, patrimônio da saúde e o impacto social das doenças, numa perspectiva cultural que afeta a sociedade, a economia e as políticas. Refletir sobre a historicidade e os impactos da saúde e das doenças ao longo do tempo é de suma importância para se encontrarem respostas sobre a sua compreensão, considerando a forma como os seres humanos e as instituições agiram perante as crises instaladas e como encontraram e promoveram políticas públicas de saúde para enfrentar e controlar os males que os afligiam. A diversidade de temas abordados neste simpósio enriquecerá o campo de investigação e inspirará outras pesquisas, não só na historiografia regional, mas também na brasileira.
Coordenação: Ana Carolina Eiras Coelho Soares (UFG) e Flávia Pereira Machado (IFG)
Resumo: Em um cenário marcado pelo aprofundamento de uma crise societária que impacta as dimensões sociais, culturais, políticas, ambientais e econômicas, evidencia-se a disputa entre projetos distintos de sociedade e de narrativas historiográficas. De um lado, evidencia-se a difusão de negacionismos, revisionismos acríticos e de desvalorização da ciência, das universidades e, especialmente, das/os docentes e pesquisadoras/es. Por outro lado, identifica-se a emergência de mobilizações e sujeitos, antes invisibilizados e/ou secundarizados, na arena política e na produção do conhecimento histórico reivindicando o reconhecimento de suas existências e agências políticas e históricas. A História se torna, assim, um campo de batalhas entre narrativas diversas, que engendram orientações do tempo e borram os limiares entre objetividade e subjetividade. Diante disso, acenamos para a necessidade de amplificarmos as sonoras vozes de sujeitos e sujeitas, a partir da compreensão de como seus corpos-políticos refazem as políticas culturais e sociais e as formas de produção do saber histórico por meio de novas chaves de leitura como a ferramenta epistêmico-política da interseccionalidade. Neste sentido, a proposta deste Simpósio Temático é agregar pesquisas, reflexões, ativismos e relatos de experiências docentes que percorram o campo do gênero, das interseccionalidades, da história das mulheres e das sexualidades, da discussão em torno das subjetividades ao longo da história e no campo epistêmico e político, das agências de sujeitos e sujeitas “subalternizados” nos espaços de poder e na academia. O ST se propõe a ser um espaço de escuta, acolhimento e reflexão sobre as diversas formas de produção de conhecimento, principalmente, do campo da História, do reconhecimento de epistemologias “outras” e das subjetividades contemporâneas conformadas a partir dos dispositivos de gênero, raça, classe, sexualidades, maternidades, etnicidade, territorialidades, etarismos, entre outros.
Coordenação: Murilo Borges Silva (UFJ) e Michael Douglas dos Santos (PPGH-UFRGS)
Resumo: O campo de pesquisa sobre emancipações e pós-abolição tem se consolidado e ampliado na historiografia brasileira, permitindo conhecer e debater as experiências de sujeitos negros que, mesmo durante a vigência da escravidão, viveram em liberdade ou, por meio de estratégias diversas, a conquistaram. Do mesmo modo, os estudos deste campo voltam-se para as configurações sociais estabelecidas no pós-abolição, destacando os processos de construção, ampliação e significação da liberdade e da cidadania negra. Nessa perspectiva, privilegiar as experiências de liberdade constitui um compromisso teórico e político que orienta as pesquisas mais recentes do campo. Ao mesmo tempo, a implementação da Lei 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas públicas e privadas de educação básica, colocou novos desafios e possibilidades para a área. Mais de duas décadas após sua promulgação, as pesquisas em emancipações e pós-abolição têm demonstrado um potencial singular para responder a essas demandas: ao recuperar experiências de liberdade, agências individuais e coletivas e trajetórias de sujeitos negros historicamente silenciados, esse campo contribui para a construção de narrativas mais plurais e para uma educação comprometida com o antirracismo. Este Simpósio Temático visa congregar pesquisadoras/es e professoras/es interessadas/os nas lutas por e nas experiências de liberdade, nos estudos de trajetórias individuais e coletivas, nos abolicionismos negros, nos fluxos migratórios, nas redes de sociabilidade, nos associativismos e ativismos, nos territórios negros rurais e urbanos, nas práticas culturais e religiosas e no ensino de história e cultura afro-brasileira, considerando os desafios e as possibilidades abertas pela Lei 10.639/03.
Coordenação: Yussef Daibert Salomão de Campos (UFG) e Vitor Hugo Abranche de Oliveira (UFT)
RESUMO: Profícua instigadora da História desde sua criação na virada do séc. XIX para o séc. XX, a Psicanálise abre uma miríade de possibilidades de pesquisa para os historiadores. Sua incidência alcança temas caros para a História como a historiografia, a concepção temporal, as mitologias e teogonias, as religiões, as biografias, as análises das massas, dos simbolismos, dos patrimônios materiais e imateriais, a concepção de moral e de ética ou mesmo o conceito de arte e sublimação. Após a abertura promovida pelos Annales, a História viu-se instigada a buscar em outros métodos e em outras fontes novas possibilidades de compreensão do homem no tempo. Concomitante ao movimento francês, a Psicanálise surgia na Áustria trazendo uma nova concepção de ser-humano. Não mais um indivíduo cartesiano – ávido de alcançar um ideal racional –, mas um sujeito implicado pelo inconsciente, pelas relações parentais, pela moral sexual civilizada e adoecedora e, principalmente, pelo peso de um passado que, se não é lembrado conscientemente, é repetido compulsivamente (tanto a nível individual como coletivo). Historiadores de graduação e pós-graduação vêm aprofundando suas pesquisas ao lançar mão de autores como Freud, Sabina Spielrein, Adorno, Benjamin, Norbert Elias, Lacan, Frantz Fanon; pensadores que extrapolaram os limites da clínica para pensar a sociedade a partir do advento do inconsciente. Por outro lado, historiadores importantes como Ricœur, Certeau, Peter Gay, Elizabeth Roudinesco, ajudaram a abrir flancos na ciência historiográfica, auxiliando na sedimentação desse campo de intersecção. Na expectativa, pois, de receber trabalhos de teor histórico-psicanalítico, o presente ST propõe promover e aprofundar as interações científicas entre os campos de História e Psicanálise.
ST 6 - História Pública e Usos Públicos do Passado: Diálogos, Linguagens e Práticas Contemporâneas
Coordenação: Eliene Dias de Oliveira (UFMS), Ary Albuquerque Cavalcanti Junior (UFMT) e Raul Amaro de O. Lanari (UFG)
Resumo: O campo da História Pública e as discussões em torno dos usos públicos do passado têm se consolidado como eixos fundamentais para compreender o papel do/a historiador/a e da própria ciência histórica na sociedade contemporânea. Diante da proliferação de narrativas históricas em ambientes digitais, da emergência de novas mídias e da intensificação de disputas de memória no espaço público, este Simpósio Temático propõe-se a ser um espaço de debate e partilha de pesquisas que investiguem como o conhecimento sobre o passado é produzido, circulado, apropriado e ressignificado dentro e fora dos muros acadêmicos. Nesse sentido, nos propomos a refletir sobre as dimensões éticas, políticas e metodológicas que atravessam a difusão da História e como isso vem sendo refletido na contemporaneidade. Interessa-nos compreender as experiências de mediação e co-criação com diferentes públicos, englobando desde os museus, arquivos e acervos históricos, monumentos e o patrimônio cultural, até as produções audiovisuais, podcasts, jogos eletrônicos e as redes sociais — canais que hoje configuram a chamada "História Digital". Assim, convidamos pesquisadoras/es a submeterem trabalhos (concluídos ou em andamento) que abordem as interfaces entre teoria da história, ensino, memórias e as demandas sociais que desafiam o fazer historiográfico no tempo presente no campo da história pública. Alinhado a uma perspectiva inclusiva e plural, este simpósio busca congregar não apenas historiadores/as, mas também pesquisadores/as de áreas afins — como Comunicação, Educação, Museologia, Antropologia e Artes —, além de profissionais que atuam diretamente em espaços de memória e difusão cultural. Espera-se, com isso, consolidar um espaço transdisciplinar de escuta e reflexão crítica, capaz de mapear a diversidade de práticas da História Pública e de fortalecer o compromisso democrático da ciência histórica diante dos desafios do tempo presente.
ST 7 -História Urbana, Dinâmicas Territoriais e Políticas Patrimoniais
Coordenação: Sandra Catharinne Pantaleão Resende (PUC-Goiás e UEG), Paulo Afonso Tavares (PPGH-UFG) e Rildo Bento de Souza (UFG)
Resumo: Este Simpósio Temático propõe reunir pesquisas voltadas à análise histórica das cidades, das dinâmicas territoriais e das políticas patrimoniais. Parte-se do entendimento de que a cidade constitui objeto privilegiado da investigação historiográfica, pois nela se articulam temporalidades distintas, disputas de poder e memória, processos de urbanização e estratégias de preservação ou apagamento de referências culturais. Interessa acolher trabalhos que discutam a formação e a transformação dos espaços urbanos em diferentes escalas, abrangendo metrópoles, cidades médias, pequenas cidades, núcleos históricos, bairros, territórios periféricos e áreas de expansão urbana. Serão valorizadas abordagens que problematizem as relações entre urbanização, patrimônio cultural, territorialidades e políticas públicas, considerando a cidade como construção histórica, social, política e simbólica. Nesse sentido, pretende-se estimular reflexões sobre os conflitos entre preservação e transformação, memória e esquecimento, institucionalização patrimonial e práticas sociais de pertencimento. Desde as últimas décadas do século XX, os estudos urbanos ampliaram suas interfaces com a História, a Arquitetura e Urbanismo, a Geografia, a Sociologia, a Antropologia e os estudos patrimoniais. Essa perspectiva interdisciplinar permite compreender a cidade como palimpsesto, marcada pela justaposição de tempos, sujeitos e narrativas. Ao evidenciar permanências, rupturas e sobreposições históricas, tal abordagem contribui para analisar as transformações urbanas não apenas como processos materiais, mas como disputas em torno de sentidos, usos, memórias e formas de reconhecimento social. Busca-se promover diálogo entre pesquisadores interessados na historicidade das formas urbanas, na produção de memórias coletivas, nas políticas patrimoniais e nos modos pelos quais diferentes agentes participam da ressignificação dos territórios urbanos. Serão bem-vindas comunicações que tratem de história urbana e historiografia das cidades; formação territorial e expansão urbana; centros históricos, bairros e paisagens urbanas; patrimônio cultural, memória coletiva e políticas de preservação; planejamento urbano, políticas públicas e produção do espaço urbano; acervos, cartografias e fontes para a história urbana; disputas de memória, identidades urbanas e narrativas patrimoniais; transformações contemporâneas das cidades brasileiras; e conflitos entre mercado imobiliário e preservação. Ao propor esse debate, pretende-se contribuir para as discussões sobre a cidade como documento histórico, campo de disputas e território de memória, fortalecendo a reflexão sobre os desafios colocados à preservação urbana diante das pressões contemporâneas de reestruturação territorial e apagamento cultural.
ST 8 - Historiadores e outros espaços de atuação no ambiente educacional
Coordenação: Max Lanio Martins Pina (UEG), Mayra Paniago (SEED-BA) e Vânia Cristina da Silva (SEED-MS)
Resumo: Os historiadores, ao longo de sua trajetória profissional, assume responsabilidades que transcendem as atividades clássicas de ensino, pesquisa e extensão. No ambiente educacional contemporâneo, esses profissionais têm ocupado, de forma crescente, espaços de gestão em todos os níveis institucionais, seja na direção de unidades escolares e departamentos universitários, na coordenação pedagógica e de cursos, ou em instâncias de representação colegiada como conselhos, núcleos docentes estruturantes e comissões. Essa atuação gestora exige dos historiadores competências específicas que articulam o saber histórico com as demandas administrativas e políticas do cotidiano institucional. A formação inicial e continuada desses profissionais, entretanto, raramente contempla de modo sistemático as habilidades necessárias para o exercício da gestão educacional. A ausência de tal dimensão nos currículos de Licenciatura e de Bacharelado em História revela uma lacuna significativa, sobretudo diante da crescente complexidade dos contextos institucionais em que atuam. Compreender como o historiadores articulam sua identidade intelectual com as funções gestoras torna-se, portanto, uma questão relevante tanto para a pesquisa em Didática da História quanto para as políticas de formação docente. Este simpósio temático propõe uma reflexão sobre os múltiplos espaços de atuação dos historiadores no ambiente educacional, com ênfase na dimensão da gestão. Busca-se analisar como esses profissionais constroem práticas e saberes específicos ao exercerem funções de direção, coordenação e representação institucional, e de que modo tais experiências impactam sua consciência histórica e sua identidade profissional. A perspectiva adotada dialoga com os referenciais da Didática da História e da Educação Histórica, especialmente as contribuições de Rüsen sobre formação histórica (Bildung) e as reflexões de Schmidt sobre a constituição do campo no Brasil.
ST 9 - Poder, Memória e Cultura no Medievo: narrativas e perspectivas historiográficas
Coordenação: Hugo Rincon Azevedo (PUC Goiás)
Resumo: Os estudos em História Medieval têm conquistado crescente relevância no cenário acadêmico brasileiro nas últimas décadas, consolidando-se como um campo fértil de investigação historiográfica e interdisciplinar. Nesse contexto, destaca-se também a expressiva produção desenvolvida nas universidades da região Centro-Oeste, cujas pesquisas têm problematizado as múltiplas dimensões políticas, culturais, sociais e simbólicas do medievo, revisitando fontes e documentações diversas à luz de novas abordagens teóricas e metodológicas. Tais investigações buscam compreender as permanências, rupturas e ressignificações das experiências medievais em temporalidades posteriores, bem como os usos contemporâneos desse passado. Como atividade do GT de História Medieval da ANPUH Goiás, este Simpósio Temático propõe reunir pesquisadores interessados nas diferentes formas de poder, nas relações culturais e nos processos de construção da memória sobre o medievo. O objetivo é fomentar reflexões acerca da historiografia medieval, de suas singularidades analíticas e de seus diálogos com debates contemporâneos sobre memória, narrativa e usos do passado. Busca-se, ainda, discutir os modos pelos quais os vestígios documentais, as narrativas e as fontes têm sido interpretados, apropriados e reelaborados pela produção historiográfica, evidenciando as múltiplas possibilidades de leitura do passado medieval. A dinâmica do ST consistirá na apresentação de comunicações a partir de aproximações temáticas, seguida de debates coletivos voltados à troca de perspectivas, formulação de críticas, sugestões e encaminhamentos para futuras pesquisas no campo dos estudos medievais.
ST 10 - Das secas às pandemias: doenças e políticas de saúde entre crises locais e processos globais
Coordenação: Rakell Milena Osório Silva (COC FIOCRUZ)
Resumo: A história da saúde e das doenças tem demonstrado que momentos de desordem social e política constituem espaços privilegiados para a observação das relações entre poder, conhecimento e gestão da vida. Partindo das contribuições de Michel Foucault (1978) sobre biopoder e governamentalidade, bem como das reflexões de Charles Rosenberg (1992) acerca das epidemias como eventos sociais reveladores de tensões estruturais, este trabalho analisa as relações entre corpos, doenças e políticas de saúde entre os séculos XIX e XXI. O objetivo é analisar como diferentes contextos de desordem social e política condicionaram a circulação de doenças, saberes médicos e políticas sanitárias, influenciando a formulação de mecanismos de controle dos corpos, assistência e proteção da saúde coletiva ao longo dos séculos XIX, XX e XXI. A pesquisa dialoga com a historiografia da História da Saúde, especialmente com os trabalhos de Roy Porter (1997), Diego Armus (2022), Marcos Cueto (2015), Gilberto Hochman (1998) e Sidney Chalhoub (1996), que evidenciam a importância de compreender a doença para além de sua dimensão biológica, inserindo-a em contextos históricos marcados por disputas sociais, econômicas e culturais. Nessa perspectiva, os corpos são entendidos como espaços de intervenção estatal e produção de saberes, nos quais se materializam políticas sanitárias, discursos médicos e estratégias de regulação das populações. Das epidemias de cólera, varíola e gripe espanhola às experiências recentes da Covid-19, observa-se que as respostas às crises sanitárias frequentemente revelam tensões relacionadas à cidadania, ao acesso à assistência, às desigualdades sociais e à capacidade dos Estados de gerir situações de emergência. Argumenta-se que as doenças, longe de constituírem apenas fenômenos biológicos, atuam como elementos capazes de expor fragilidades institucionais, redefinir políticas públicas e transformar as formas de governar corpos e populações. Assim, o trabalho contribui para os debates sobre saúde, poder e sociedade em contextos de desordem, destacando as conexões entre experiências locais e processos históricos globais.
ST 11 - Gênero, Interseccionalidade e História Pública
Coordenação: Marta Gouveia de Oliveira Rovai (UNIFAL)
Resumo: A proposta do ST é receber pesquisas, trabalhos de ensino e extensão que envolvam as temáticas sobre relações de gênero (e suas interseccionalidades) e práticas de História Pública. Entende-se que a História Pública se constitui como uma plataforma de observação, ação e análise, orientada por um posicionamento político comprometido com processos participativos, com uma ciência sensível e plural, com o uso de mídias e com comunidades e públicos diversos. Desta forma, ela se constrói como um conjunto de práticas dialógicas que alia a expertise de historiadoras/es a outras áreas de conhecimento, principalmente relacionadas às tecnologias digitais, à comunicação, à arte, à literatura, e a saberes e cosmologias produzidos e vivenciados em diferentes espaços, como na Universidade, nos museus, em acervos e arquivos (físicos e digitais), escolas e comunidades locais, rurais e urbanas. A partir destas considerações, visamos que o ST signifique a oportunidade de compartilhamento de experiências de História Pública em diferentes perspectivas – para, com e por públicos plurais e participantes - ancoradas em ações reflexivas e nos estudos de gênero, nas abordagens sobre as sexualidades, racialidades, classes, religiosidades, (trans)masculinidades, feminilidades, lesbianidades, violências de gênero e travestilidades, em perspectivas interseccionadas. Projetos de ensino, pesquisa e extensão que envolvam estas temáticas podem se converter numa atitude historiadora que combate formas de estigmatização, discriminação e exclusão de corpos em contextos diversos, articulando ciência e demandas sociais, assim como um posicionamento político de intervenção social que privilegia escutas, compreende formas de resistência, promove mediações, propostas de ensino, produções digitais, encenações públicas, projetos coletivos de divulgação de conhecimento e experiências, além de colaboração nos debates em torno de políticas públicas.
ST 12 - Estudos Históricos em Educação: fontes, abordagens e percursos investigativos
Coordenação: Luciana Cristina Porfirio (UFJ) e Adriana Aparecida Pinto (UFGD)
Resumo: O presente simpósio pretende agregar pesquisas e estudos históricos que dialogam com o campo educacional e do ensino, buscando aproximar e ampliar as discussões relativas as pesquisas produzidas no Centro-Oeste, entre diferentes instituições, pesquisadores e grupos de pesquisa. Serão aceitos trabalhos que abordem processos educativos em distintas temporalidades, contextos e níveis de ensino, contribuindo para o avanço das discussões historiográficas e para o fortalecimento do diálogo entre os campos da história e da educação/ensino. A investigação histórica sobre educação constitui um território fértil e plural, no qual se entrecruzam questões relativas à formação de sujeitos, à construção de saberes pedagógicos, às políticas e instituições de ensino e às práticas culturais que permeiam os espaços formativos que atravessam os tempos. A proposta deste simpósio se insere, em perspectiva mais ampla, ao escopo temático do XV Encontro Estadual da ANPUH-GO, que propõe articular o regional ao nacional e ao global, reconhecendo que os processos educativos também são atravessados por dinâmicas de distintas escalas e temporalidades. Tem-se, como objetivo central, estabelecer o diálogo entre os pesquisadores de diferentes correntes historiográficas, contemplando o uso/estudo de tipologias variadas de fontes, sejam elas manuscritas, impressas, iconográficas, orais, materiais e digitais; Essa multiplicidade de fontes e abordagens ampliam as possibilidades investigativas que possibilitam lançar novos olhares sobre objetos já consagrados e revelar experiências educativas até então silenciadas ou pouco visibilizadas na produção acadêmica. No que concerne às temáticas, entendem-se pertinentes às relacionadas às práticas escolares e não escolares, trajetórias de educadores e educandos, currículos, manuais didáticos, legislações, memórias institucionais e movimentos sociais vinculados à educação figuram entre os múltiplos objetos passíveis de análise no âmbito deste simpósio. Deste modo, ao reunir trabalhos de pesquisadores de diferentes instituições e regiões, o simpósio visa também promover o diálogo entre distintas abordagens teórico-metodológicas, reconhecendo a riqueza que emerge do encontro entre perspectivas diversas. Compreende-se que o fortalecimento da História e do próprio campo educacional passa, necessariamente, pela interlocução sistemática entre grupos de pesquisa, programas de pós-graduação e professores-pesquisadores comprometidos com a produção de um conhecimento historicamente situado e socialmente relevante. Espera-se que as contribuições aqui reunidas ampliem o debate sobre os percursos investigativos da área, evidenciando tanto os desafios quanto as potencialidades de se pensar a educação como fenômeno histórico complexo.
ST 13 - As religiões latino-americanas: perspectivas para seu estudo
Coordenação: Eduardo Gusmão de Quadros (PUC Goias e UEG) e Washington Maciel da Silva (UNAM)
Resumo: Não é raro encontrar interpretações, ainda hoje, que desqualificam a religião popular com atributos como “crendice do povo”, “religião infantil!”, “comportamento mágico”, “religiosidade acrítica e emocional” e “superficialidade acrítica”. Muitas dessas adjetivações pejorativas advêm de oposições teóricas que norteiam os conceitos de sagrado/profano, magia/religião, fé/superstição, interior/superficial, dicotomias que ainda hoje estão presentes no espaço das pesquisas acadêmicas. Tais noções, no fundo, estão eivadas de eurocentrismo e pouco contribuem, se trabalhadas de modo estanque, para a compreensão e o estudo dos fenômenos religiosos cultivados nos meios populares. Verdade que permanece difícil a caracterização relativamente objetiva do que se chama de popular. Se este recorte não pode ser delimitado de modo apriorístico e se as estratificações socioeconômicas não conseguem abarca-lo propriamente, esta dimensão permanece inteiramente relevante para captar as outras lógicas e manifestações que questionam, de forma inusitada, o monopólio do sagrado pretendido pelas instituições. Busca-se, ao propor este Simpósio Temático, explorar as experiências vividas no mundo devocional latino-americano, partindo do cotidiano das religiosidades e da interação entre as demandas sociais e a busca de uma força especial, caracterizada como “transcendente”, que traz empoderamento, cura, reintegração e, até a salvação aos sujeitos religiosos. Este ST quer reunir, portanto, as contribuições acadêmicas que compreendam as religiosidades e as espiritualidades elaboradas entre as camadas mais simples da população latino-americana, pois os usos da dimensão sagrada não cessam de postular inovações e recriações que surpreendem constantemente, ainda que tantas vezes partam de antigas tradições. Pretende-se, ainda, tratar do aprofundamento analítico com novas fontes de pesquisa, novas questões e metodologias de investigação. Destacam-se os modos de abordar, em especial, os milagres, esse campo do que seria sobrenatural, manifesto pelos rituais, pelos cantos, pelos gestos, pelas danças, pelas comidas e imagens, ou seja, por este conjunto de meios comunicacionais que aproximam os sujeitos religiosos da força sagrada. As crenças que permeiam esta inserção na dimensão sagrada rompem com as fronteiras doutrinárias, rituais e éticas mantidas através das políticas institucionais que demarcam o oficialmente aceito. Na ótica dos proponentes, nestas práticas e discursos encontram-se articulações identitárias importantes para a melhor compreensão do mundo latino-americano. São identidades sustentadas, muitas vezes, por várias gerações, mas que nem sempre tem sido visíveis dentro do rigor racional pertinente às pesquisas científicas. Deste modo, o amplo mundo religioso popular da América Latina, de maneira indireta, questiona criticamente os paradigmas reproduzidos, consciente ou inconscientemente, pelos dispositivos de poder e de saber típicos do universo acadêmico.
ST 14 - Entre o Cânone e a Pluralidade: Reconfigurações do Fazer Histórico no Brasil
Coordenação: Flávia Pereira Machado (IFG), Rafael Gonçalves Borges (IFG) e Fabiane Costa Oliveira (IFG)
Resumo: A escrita e o ensino da História contemporânea encontram-se no centro de uma profunda revisão epistemológica. Se, por um lado, o cenário pós-Segunda Guerra Mundial inaugurou uma crise nos paradigmas da ciência moderna e do pensamento cartesiano impulsionada pelos impactos do progresso técnico e pela emergência de novos movimentos sociais, por outro, a própria constituição da historiografia exige um olhar aguçado sobre suas bases institucionais e conceituais. A convergência entre a necessidade de superar as narrativas hegemônicas e a urgência de problematizar os caminhos do fazer história no Brasil revela que o conhecimento histórico é indissociável de suas condições de produção e dos regimes de verdade de cada época. Essa interseção convida a uma reflexão crítica sobre o ofício do historiador em duas frentes complementares. A primeira delas diz respeito ao questionamento dos epistemicídios e historicídios promovidos pelas linhas historiográficas tradicionais. Superar o apagamento de sujeitos historicamente marginalizados (como indígenas, populações negras, mulheres, comunidades LGBTQI+, camponeses e sujeitos periféricos) requer mais do que a simples inclusão de novos temas; exige uma transformação nos métodos, nas linguagens e nas fontes documentais validadas. A segunda frente volta-se para a própria historicidade da produção historiográfica brasileira. Compreender como se deram os processos de disciplinarização, profissionalização e canonização do saber permitem desvelar as disputas de poder em torno da autoridade para produzir sentidos sobre o passado. Afinal, as universidades, os institutos históricos e as associações científicas atuaram diretamente na consagração de autores de referência e agendas de pesquisa que, muitas vezes, silenciaram as múltiplas narrativas que formam o tecido social do país. Esse simpósio se abre, assim a propostas que convirjam para a abertura de novos espaços de interlocução entre teoria, historiografia e prática pedagógica. Ao tensionar os cânones estabelecidos e acolher as transformações conceituais e metodológicas do tempo presente, abrem-se caminhos para uma história escrita e ensinada que seja, ao mesmo tempo, rigorosa em seus fundamentos intelectuais e comprometida com a justiça social e a pluralidade democrática.
ST 15 - Ensino de História, História Pública e Democracia: disputas de narrativas e atuação docente
Coordenação: Cristiano Nicolini (UFG) e Patrícia Maria Jesus da Silva (RME-Goiânia e ProfHistória-UFG)
Resumo: O Simpósio Temático propõe reunir pesquisas, experiências de ensino e ações de extensão que articulem o campo do Ensino de História com a História Pública, tomando como referência os debates suscitados pelo XV Encontro Estadual da ANPUH-GO - O Regional, o Nacional e o Global em tempos de (Des)ordem. Em um contexto marcado pela ampliação das guerras culturais, pela circulação de negacionismos históricos e pelo crescente cerceamento da liberdade de ensino na Educação Básica, o simpósio busca constituir um espaço de diálogo crítico sobre os desafios contemporâneos enfrentados por professores(as), pesquisadores(as) e agentes culturais. Partimos da compreensão de que o Ensino de História e a História Pública compartilham preocupações centrais relacionadas à democratização do conhecimento histórico, à valorização das múltiplas memórias e à construção de práticas de diálogo com diferentes públicos. Nesse sentido, interessa-nos refletir sobre experiências que tensionem narrativas homogêneas, problematizem disputas de memória e ampliem as possibilidades de produção e circulação do conhecimento histórico em escalas regionais, nacionais e globais. O simpósio receberá trabalhos de pesquisa, ensino e extensão que dialoguem com temas desafiadores do Ensino de História, tais como: educação antirracista, ensino de histórias indígenas e afro-brasileiras, história pública digital, patrimônio e memória, usos públicos do passado, cultura histórica, divulgação científica, práticas de ensino em contextos de censura e vigilância, formação docente, ensino de História em tempos de desinformação, além de metodologias voltadas à escola e aos espaços não escolares. Busca-se, assim, fomentar debates sobre alternativas pedagógicas e estratégias de atuação pública capazes de fortalecer a autonomia docente, a pluralidade de narrativas históricas e o compromisso da História diante dos atuais contextos de (des)ordem que atravessam a sociedade contemporânea.
ST 16 - História das ciências e das tecnologias: instituições, pensamento e teoria da história
Coordenação: Daiane Silveira Rossi (FIOCRUZ) e Hallhane Machado (UFG)
Este simpósio tem como objetivo reunir pesquisadores que trabalham com história das ciências e das tecnologias em suas diferentes dimensões. Partindo do reconhecimento de que as atividades científicas e tecnológicas possuem historicidade própria, o simpósio se estrutura em torno de três eixos principais. O primeiro eixo dedica-se à institucionalização das ciências e das tecnologias, investigando como comunidades científicas se organizaram, como instituições de pesquisa e ensino foram criadas e consolidadas, e de que maneira políticas científicas influenciaram o desenvolvimento do conhecimento em diferentes contextos nacionais e regionais. O segundo eixo aborda a história do pensamento científico, contemplando a formação de conceitos, a constituição de estilos de pensamento e as transformações nas formas de conceber e legitimar o conhecimento ao longo do tempo, com atenção às relações entre ciência, filosofia e cultura. O terceiro eixo examina a relação entre tecnologia e história em diferentes contextos e temporalidades, explorando como artefatos, técnicas e saberes práticos se inserem em processos históricos mais amplos. Ao articular esses eixos, pretendemos oferecer um espaço de diálogo que contempla tanto abordagens empíricas quanto reflexões de ordem teórica e historiográfica, incluindo discussões sobre os fundamentos epistemológicos da história das ciências como campo disciplinar, suas interfaces com a teoria da história e os desafios metodológicos que se colocam ao pesquisador. A proposta dialoga com o tema central do encontro ao problematizar as fontes mobilizadas pela história das ciências e das tecnologias, como arquivos institucionais, periódicos científicos, correspondências, objetos técnicos e registros orais, bem como os desafios que sua dispersão e heterogeneidade impõem à produção historiográfica. Nesse sentido, o simpósio também abre espaço para reflexões sobre história pública da ciência, discutindo como narrativas sobre o passado científico e tecnológico circulam fora do ambiente acadêmico e de que formas pesquisadores podem intervir nessa circulação. São bem-vindos trabalhos que abordam períodos, regiões e disciplinas científicas variadas, desde que articulados às questões centrais aqui propostas.
ST 17 - História e historiografia da imagem
Coordenação: Ivan Lima Gomes (UFG)
Resumo: O campo dos estudos visuais se encontra plenamente consolidado no interior das Humanidades. Em articulação aos debates conceituais ligados a noções como memória e representação, a História foi capaz de desenvolver uma reflexão original acerca da historicidade das imagens, sem perder de vista a perspectiva interdisciplinar. Refletir sobre seus usos, apropriações e articulações sociais em torno delas e em perspectiva histórica implica em atentar para questões relacionadas a debates bastante específicos. Alguns temas são: as políticas das imagens desenvolvidas numa determinada época, apontando para as estratégias de (in)visibilidades de sujeitos e corpos; as materialidades da imagem, a partir dos procedimentos técnicos que orientam a sua produção em contextos variados, bem como a sua circulação e recepção; a história do olhar e das sensibilidades do que se vê ou deixa de ser visto; e as políticas de memória e arquiva- mento que, por sua vez, podem apontar para novos agenciamentos políticos suscitados pelas imagens. Por sua vez, questões contemporâneas se impõem sobre a pesquisa histórica das dinâmicas próprias de circulação e apropriação visual, sinalizando para as disputas em torn odas imagens no espaço público. O presente ST pretende mapear trabalhos que assumam a dimensão visual como problema histórico e historiográfico central, seja através de fontes diversas ligadas a recortes variados, bem como trabalhos dedicados às reflexões teóricas ligadas ao campo dos estudos de imagem e cultura visual.
ST 18 - Histórias entrelaçadas e tecnologias de reexistência: gênero, raça e história pública nas Américas
Coordenação: Thais Alves Marinho (PUC-Goiás), Luana Ferreira Borges (PPGH-PUC-Goiás) e Felipe Freitas Silva (PPGH-PUC-Goiás)
Resumo: Este Simpósio Temático propõe um espaço de debate interdisciplinar e inter-regional voltado à análise das trajetórias de sujeitos historicamente subalternizados — com centralidade nas vivências de mulheres negras, amefricanas, indígenas e ciganas —, desafiando as narrativas historiográficas hegemônicas que os posicionam como coadjuvantes ou vítimas passivas. Diante dos desafios contemporâneos e das desordens globais e locais, o simpósio acolhe investigações que cruzem a História Social, a História Pública, a Sociologia do Desenvolvimento e a Educação Histórica. Buscamos refletir sobre como o conceito de "Pretagonismo" e as noções de matripotência, senioridade e corpo-território operam como chaves analíticas fundamentais para compreender as ações coletivas e as racionalidades econômicas próprias gestadas no interior de quilombos, palenques, terreiros, aldeias e acampamentos nômades. Sob a perspectiva das histórias entrelaçadas e da Amefricanidade, proposta por Lélia Gonzalez, o ST objetiva discutir trabalhos que utilizem fontes diversas — como a história oral, a escrevivência, as memórias encarnadas, a cultura material e os arquivos institucionais lidos a contrapelo por meio da Fabulação Historiográfica Crítica. Serão bem-vindas comunicações dedicadas ao mapeamento de ativos econômicos ancestrais, dinâmicas de afroempreendedorismo, economia circular, movimentos sociais autônomos no pós-abolição (e pós-tutela), bem como pesquisas aplicadas ao campo das Humanidades Digitais e às ferramentas de combate ao epistemicídio (como plataformas de Inteligência Artificial e maratonas de edição digital). Por fim, o simpósio visa agregar estudos voltados à transposição didática e à implementação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 na Educação Básica, reafirmando o compromisso da produção historiográfica com a justiça cognitiva, a reparação histórica e a democratização do conhecimento em tempos de disputa de narrativas.
ST 19 - Intelectuais, cultura e arte: desafios para a escrita da História no tempo presente
Coordenação: Maria Abadia Cardoso (IFG) e Rodrigo de Freitas Costa (UFTM – PPGHI-UFU)
Resumo: Há muito já se discutiu a pertinência do “lugar” para a produção da pesquisa histórica. Os temas sobre os quais o/a historiador/a se voltam emergem do espaço e tempo em que estão inseridos. As contradições, as desigualdades, os acirramentos políticos, as mazelas sociais, as disputas pela “verdade, as diferentes visões da realidade social e suas consequentes perspectivas de intervenção materializam olhares diversos para a configuração da dinâmica social, ficando assim o desafio para aquele/a que se propõe a compreender o tempo. Desta forma, o simpósio temático Intelectuais, cultura e arte: desafios para a escrita da História no (do) tempo presente procura agregar pesquisadores/as que elegem a referidas chaves de leituras para a construção de seus repertórios e campos interpretativos. Considerando a escrita da História em termos temáticos, epistemológicos, teóricos e metodológicos, esse Simpósio Temático propõe ainda como possibilidades de reflexão os seguintes eixos: atuação intelectual e perspectivas culturais e políticas, a cultura em suas pluralidades de sentidos, de manifestação, de compreensão e interface com o social e a arte como expressão das singularidades humanas.
ST 20 - Mídias, Tecnologias e História: novas fontes e abordagens
Coordenação: George Leonardo Seabra Coehlo (UFT)
Resumo: O Simpósio Temático intitulado Mídias, Tecnologias e História: novas fontes e abordagens tem por objetivo reunir pesquisadoras(es) em diferentes níveis de atuação (universitária, escolar e pública) para dialogar sobre as diferentes abordagens teórico-metodológicas sobre as intercorrelações entre história, mídias e tecnologias. Ao considerar a ascensão da perspectiva das Humanidades Digitais, as(os) historiadoras(es) não podem negligenciar esse processo amplo, que está em disputa na arena pública no século XXI. Nesse sentido, a proposta deste Simpósio Temático é congregar trabalhos que busquem refletir sobre questões teórico-metodológicas ou trabalhos empíricos que apliquem essas perspectivas, em outras palavras, estudos que abordem o mundo digital nas suas mais diversas vertentes, sejam elas, as redes sociais digitais, Ensino de História, games, sites, aplicativos, streamings, quadrinhos, cinema, entre outras.
ST 21 - Protagonismo indígena na História de Goiás
Coordenação: Elias Nazareno (UFG), Tamiris Maia Gonçalves Pereira Mendonça (Egressa PPGH-UFG) e Ordália Cristina Gonçalves Araújo (UEG)
Resumo: Nos últimos 40 anos, a História Indígena tem se afirmado como um campo de pesquisa cada vez mais robusto. A historiografia, assim como ocorreu em diversos outros campos das Ciências Humanas, passou a demandar uma reescrita crítica de seus pressupostos e narrativas. Contando com contribuições fundamentais da Nova História Indígena, das perspectivas decoloniais e contracoloniais e, sobretudo, da produção historiográfica elaborada pelos próprios indígenas, a disciplina histórica passou a revisitar suas interpretações e a prestar contas de seus silenciamentos e limitações. Entretanto, ainda são relativamente raras as produções historiográficas construídas a partir das perspectivas indígenas sobre o processo de colonização e seus desdobramentos. Nos últimos anos, esse déficit tem sido parcialmente suprido pela crescente publicação de obras de autoria indígena. Entre os exemplos mais relevantes, podem ser citados: Educação para manejo do mundo: entre a escola ideal e a escola real no Alto Rio Negro, de Gersem Baniwa; A queda do céu: palavras de um xamã yanomami (2015), de David Kopenawa e Bruce Albert; Ideias para adiar o fim do mundo (2019); e O amanhã não está à venda (2020), ambos de Ailton Krenak. A queda do céu, de David Kopenawa, em colaboração com Bruce Albert, pode ser considerada não apenas um manifesto em defesa dos povos indígenas e de seus territórios, mas também uma importante contribuição para a História Ambiental e para a História Indígena. Nesse sentido, este simpósio apresenta-se como mais uma oportunidade de valorização e retomada dos conhecimentos indígenas, privilegiando os estudos que vêm sendo desenvolvidos no campo da História Indígena em Goiás e no Brasil. Busca-se promover o diálogo entre pesquisas que abordam temas como territorialidades indígenas, processos pluriepistemológicos, questões de gênero, saúde e alimentação, experiências históricas de resistência e educação, contribuindo para o fortalecimento e a ampliação desse campo de investigação.
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