Adolescer é uma das mais inesquecíveis experiências da vida. Principalmente quando isto acontece em um ambiente saudável e de uma forma natural e espontânea.
Na pequenina e inspiradora Alto Jequtibá, próxima da Serra do Caparaó (MG,) formávamos um bando de estudantes cristãos que curtia bem a sua juventude. As limitações da cidadezinha do interior de muitas tradições acabaram estimulando a nossa imaginação e inventividade para escrever histórias que nos marcaram para sempre!
Além da centenária Igreja Presbiteriana, a aconchegante Jequitibá mantinha uma escola de qualidade para a época que atraía jovens de diferentes lugares do país pois mantinha também Internato para alunos de fora. Escola & Igreja se tornaram cúmplices na formação de nossa turma e dos principais registros de nossa história.
O tradicional Colégio Evangélico de Alto Jequitibá, fundado em 1928 era uma escola de inusitada estrutura, pois era meio particular ligada à igreja protestante local e meio pública ligada ao estado. O nome diz tudo: "Colégio Estadual Reverendo Cícero Siqueira", uma homenagem a reconhecido pastor e educador da cidade.
Após saudável infância nas terras férteis e nas águas salgadas do Espírito Santo, mudamos para a acolhedora Alto Jequitibá em 1969. A nossa história aconteceu nos amargos tempos da ditadura militar e da guerra do Vietnã em que a gente não compreendia certas coisas, mas compensava as nossas inquietações com os bons amigos da comunidade de fé e da escola.
A música era a nossa aliada. Tudo o que a gente fazia e vivia era regado ao som das vitrolas e radiolas que executavam sonoros vinis e das transmissões da Rádio Mundial 860 AM, do Rio de Janeiro, principalmente do Big Boy e de seus "Ritmos de Boate".
A gente "amava os Beatles e os Rolling Stone" e ouvia o melhor rock'n roll: Creedence, Led Zepellin, Black Sabath, Pink Floyd, The Who, Yes, Genesis, Emerson, Lake and Power, Queen, rolavam regularmente nos recreios da escola e faziam do espaço escolar algo animado e prazeroso.
Curtíamos também a Bossa Nova e toda a MPB de Tom, Vinícius, Alf, Lyra, Gil, Caetano, Chico, Milton, Toquinho, Nara, Elis, Gal, Bethania, Taiguara, MPB4 e mais uma galera.
E para agradar as belas minas a gente selecionava e tocava nas assembleias do colégio os hits do rock e pop românticos de Elton John, Rod Stwart, Jackson Five, BJ Thomas, Simon & Garfunkel, Steve Wonder, Bee Gees, ABBA, Barbara Streisand, dentre outros.
E nas frias madrugadas a gente fazia as nossas serestas para as meninas da cidade e aí rolava canções também de Noel Rosa, Ari Barroso, Lupicínio, Pixinguinha, Garoto, Chocolate... que terminavam com o café na padaria do Sr. Noé Gripp.
Nesses bons tempos nasceram e cresceram as relações com a fé cristã e a Igreja Presbiteriana de Alto Jequitibá e conhecemos e nos impactamos com as equipes da Palavra da Vida (PV) e dos Vencedores por Cristo (VPC).
Primeiramente, criamos o Grupo ECO - Estudar, Compartilhar, e Orar- na cola da Palavra da Vida. Em seguida, entramos de cabeça no Conjunto e depois Equipes "Testemunhas de Cristo", tipos carbonos dos VPC que se tornaram a inspiração de nossa juventude crista. A gente cantava também Jovens da Verdade, Grupo Elo, Ligados, Logos, Rebanhão e muitos outros.
Além de atendimento à igrejas e escolas, vieram os projetos missionários nas férias escolares que circularam pelos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. E viajamos... e muito!
Felizmente, os pastores das igrejas apoiavam e encorajam os jovens que tinha vez e voz e atuavam com entusiasmo e liberdade! Dentre eles, o querido e saudoso pai, Rev. Wilson de Souza Lopes, que se tornou um tipo "paizão" da nossa turma.
E a nossa casa era um dos pontos de encontro da turma. Minha mãe que o diga, Profa. Cary Emerick acolhia o pessoal de boa! Bons momentos em nossa casa!