Flawé de Lara Bone é uma pesquisadora, comunicadora, palestrante e divulgadora científica brasileira. É fundadora, curadora e produtora de conteúdo da plataforma Futuro Relativo, dedicada a temas como Filosofia, Ética, Inteligência Artificial e a Mente.
Sua trajetória acadêmica e profissional reúne, de modo original e interdisciplinar, filosofia, comunicação e tecnologia. Ela se dedica às transformações produzidas pelas tecnologias emergentes na cultura contemporânea e nos ambientes de trabalho. Sua pesquisa se volta especialmente para a maneira como a mudança tecnológica reconfigura a percepção humana, o conhecimento, a criatividade e a interação social.
Ela é também pesquisadora em Criatividade, Arte, Fotografia e Criação no IA/UNICAMP. Além disso, possui ampla experiência em divulgação científica, educação corporativa e informal, inteligência de mercado, ética e no estudo da cultura organizacional e social. Seu trabalho é marcado por um forte compromisso em criar pontes entre a pesquisa acadêmica e o discurso público, tornando ideias complexas acessíveis sem perder sua profundidade conceitual.
JYB é um lógico, filósofo e matemático suíço, doutor tanto em Matemática quanto em Filosofia. Ao longo de uma carreira acadêmica internacional, viveu e trabalhou na França, no Brasil, na Polônia, na Córsega, na Suíça e nos Estados Unidos (UCLA, Stanford e UCSD).
Atualmente é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ex-coordenador da pós-graduação em Filosofia e ex-presidente da Academia Brasileira de Filosofia. Criou o Dia Mundial da Lógica, reconhecido pela UNESCO e celebrado todos os anos em 14 de janeiro, bem como o Prêmio Mundial de Lógica.
Figura de destaque da lógica contemporânea, é fundador e editor-chefe de Logica Universalis e do South American Journal of Logic, fundador das coleções Logic PhDs e Studies in Universal Logic, e editor responsável pela área de lógica da Internet Encyclopedia of Philosophy. Desde 2000, organizou cerca de 100 eventos nos cinco continentes e fundou nove séries de congressos. Por meio dessas iniciativas, deu uma contribuição duradoura à promoção mundial da lógica e da investigação filosófica. Sua produção acadêmica inclui mais de 200 artigos de pesquisa, além de cerca de 30 livros organizados e números especiais de periódicos acadêmicos.
JYB: Meu interesse não começou diretamente com essa questão, mas com Platão, já no ensino médio. Mais tarde, na Sorbonne, durante minha graduação, fiz dois cursos memoráveis sobre o filósofo: um com Sarah Kofman, sobre a Mimesis em Platão, e outro com Monique Vallon-Basset sobre o diálogo Sofista. Foi nesse período que a questão platônica começou, para mim, a adquirir um destaque especial.
Também li o ensaio de Heidegger “A doutrina de Platão sobre a verdade”, no qual ele mostra que, na alegoria da caverna, coexistem duas concepções diferentes de verdade: por um lado, a verdade como desocultação (aletheia); por outro, a verdade como correspondência. Isso me levou, em 1988, a realizar um mestrado sobre a alegoria da caverna, sob a orientação de Sarah Kofman.
Depois, influenciado pelo próprio Platão e pela famosa máxima que, segundo a tradição, estava na entrada da Academia — “Não entre aqui quem não souber geometria” —, decidi concentrar-me no estudo e na prática da matemática. Concluí então um mestrado (1990) e um doutorado (1995) em lógica matemática no Departamento de Matemática da Universidade Paris 7, um dos grandes centros mundiais da área. Meu orientador foi Daniel Andler, que havia feito seu doutorado em lógica matemática em Berkeley, na Califórnia, na célebre escola de Tarski. Em minha tese, consegui provar um teorema não trivial — o que, segundo o critério do grande matemático André Weil (pai de Bourbaki), é a marca de um verdadeiro matemático.
O tema do meu doutorado foi a lógica universal, uma ideia que eu mesmo propus e que mais tarde me levou a criar a revista Logica Universalis, lançada pela Springer em 2007 (hoje uma das melhores revistas de lógica do mundo), assim como a série mundial UNILOG (World Congress and School on Universal Logic), cuja primeira edição ocorreu em Montreux, na Suíça, em 2005, e cuja oitava e mais recente edição foi realizada em Cusco, no Peru, em dezembro de 2025.
Também criei o Dia Mundial da Lógica, em 14 de janeiro de 2019, reconhecido no mesmo ano pela UNESCO, bem como o Prêmio Mundial de Lógica, uma competição entre vencedores de prêmios de lógica de diferentes países. Essa aventura começou quando resolvi criar em 2014 o Prêmio Brasileiro de Lógica, em homenagem a Newton da Costa, que foi meu orientador: paralelamente ao meu doutorado em matemática, também fiz um doutorado em filosofia, no Brasil sob a orientação de Newton da Costa na USP (Universidade de São Paulo), sobre a verdade lógica, concluído em 1996.
JYB: Na verdade, eu nunca deixei de me interessar por filosofia. Sempre continuei a desenvolver trabalho filosófico. Como Platão, acredito que a matemática é, com razão, um primeiro passo; mas a filosofia vai mais longe e mais alto — e aqui não estou falando da mera história da filosofia, do estudo de autores tomado como um fim em si mesmo, nem de um tipo sofístico de argumentação destinado apenas a sustentar ou “defender” esta ou aquela posição.
Depois de uma estadia pós-doutoral de dois anos na Universidade Stanford (durante a qual trabalhei com Patrick Suppes, em particular sobre o WordNet, uma ferramenta que estou usando no projeto atual), meu primeiro cargo de longa duração foi uma cátedra financiada pelo Fundo Nacional Suíço de Pesquisa Científica, por seis anos, na Universidade de Neuchâtel (a cidade de Jean Piaget; seu pai foi o primeiro reitor dessa universidade), na Suíça, de 2002 a 2008. Ali havia um Departamento de Lógica na Faculdade de Letras, e eu também trabalhei no Departamento de Psicologia. Durante esse período, comecei a me interessar pela questão da imaginação e pelo uso de imagens na filosofia (comecei a escrever uma série de artigos utilizando imagens de modo sistemático). Há algo de paradoxal no fato de Platão rejeitar as imagens, na alegoria da caverna, por meio de uma imagem. Também me interesso pela questão do símbolo e do simbolismo, um tema que atravessa a filosofia, a matemática e a psicologia (cf. o famoso psicólogo suíço Carl Jung; Piaget também falou sobre isso). Durante esses anos, organizei dois congressos interdisciplinares em minha universidade em Neuchâtel: um sobre o pensamento simbólico e outro sobre a imaginação (mais tarde, também a 37ª edição do congresso da ASPLF no Rio sobre a imaginação, com meu colega de Neuchâtel, Daniel Schulthess), convidando colegas de vários departamentos. De certo modo, isso já antecipava o evento que estamos organizando agora.
Voltei ao Brasil e passei dois anos, em 2008 e 2009, no Departamento de Filosofia da UFC (Universidade Federal do Ceará), em Fortaleza. Depois ingressei no Departamento de Filosofia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) em 2010, onde permaneço até hoje. Não há muito interesse por lógica ali, mas todos os anos ministro a disciplina obrigatória de graduação “Introdução à Lógica”. Na pós-graduação, vario os temas: já dei cursos sobre o amor, sobre o riso e sobre o pensamento. Em 2025 ofereci cursos, nos dois semestres, sobre a questão “O que é isto?”, continuando também este ano, 2026.
Em agosto de 2024, participei do 25º Congresso Mundial de Filosofia, em Roma, onde proferi uma conferência geral sobre a questão “O que é isto?” (Na 23ª edição, em Atenas, eu havia organizado uma mesa-redonda sobre a imaginação.) Ao longo dos anos, escrevi mais de dez artigos com o título “O que é X?”, mas com Xs ligados a noções e sistemas lógicos. Um ponto de virada importante ocorreu em 2020 com o artigo “O que é um axioma?”, dedicado ao meu amigo Francisco Doria. Foi aí que comecei a desenvolver uma reflexão mais geral sobre como responder à questão “O que é isto?” a partir desse caso particular.
Depois de escrever um pequeno artigo sobre essa questão para minha conferência em Roma, comecei, junto com meus alunos, ao longo de 2025, a desenvolver uma metodologia geral aplicável a qualquer X. No final, cheguei a onze procedimentos. Com o apoio deles, e especialmente com a sua própria ajuda, escrevi o artigo “What is money?”, no qual quase todos esses procedimentos são empregados. Escolhi tratar do dinheiro porque minha amiga Jamsin Özel me convidou para organizar com ela um congresso em Las Vegas em 2024, e então propus um evento ligado à cidade com o tema “Lógica, Dinheiro e Acaso”. Meu interesse pelo tema do dinheiro está relacionado ao meu artigo “O qu é um axioma?”, no qual discuto o famoso livro de Max Gunther, Os Axiomas de Zurique, em que ele apresenta a metodologia usada pelos banqueiros suíços, associada ao desenvolvimento de um dos bancos mais poderosos do mundo, o UBS (União de Bancos Suíços).
JYB: Platão apresenta uma dicotomia entre dois tipos de resposta. Por um lado, há a resposta por enumeração, que eu chamo de “polo norte”; por outro, há a resposta por compreensão, que eu chamo de “polo sul”. O exemplo da lama no Teeteto ajuda-nos a pensar isso, assim como o caso dos números primos (2, 3, 5, 7... vs. divisível apenas por 1 e por si mesmo). Eu favoreço uma posição equilibrada, que chamo de “posição tropical austral” (mais próxima da posição sul do que da posição norte), e os pontos que desenvolvi, discutindo-os com meus alunos no ano passado, dirigem-se precisamente a essa posição intermediária.
Acredito que a filosofia não é uma questão de opinião pessoal, nem uma coleção de “autores”, nem um sistema de teorias dogmaticamente cristalizadas. A filosofia é o primeiro passo em direção ao desenvolvimento da ciência, das teorias científicas; mas a teoria da relatividade, a teoria dos grupos ou a teoria da evolução, por exemplo, já não pertencem propriamente à filosofia. Sócrates é célebre por ter declarado: “Só sei que nada sei”. No entanto, ao fazer da questão “O que é isto?” (ti esti) o ponto de partida da filosofia, ele transformou o nada do não-saber no começo fecundo da investigação filosófica, que levou a humanidade até à lua.
Wittgenstein proferiu, em Cambridge, uma conferência muito breve defendendo a ideia de que toda a filosofia tradicional carecia de sentido, porque explorava abusos permitidos pela linguagem — que nos permite construir frases sintaticamente corretas, mas semanticamente vazias. Essa relação ambígua entre sintaxe e semântica pode gerar poesia interessante; mas Carnap, desenvolvendo a ideia de Wittgenstein, argumentou que a filosofia seria uma “má arte” e que os filósofos seriam poetas fracassados. Para ele, de um lado haveria a ciência e, de outro, a arte, sem um espaço próprio para a filosofia. Gosto do provocador ensaio de Carnap, A Eliminação da Metafísica por meio da Análise Lógica da Linguagem, mas não concordo com tudo o que ele diz.
O trabalho que estou desenvolvendo em torno da questão “O que é isto?” (ti esti) procura retornar ao ponto de partida original da filosofia, que é o correto: uma investigação que faz avançar a compreensão, mesmo quando termina em aporia.
Esta é a nona série de eventos que estou lançando; os outros estavam mais estreitamente ligados à lógica de um modo ou de outro. Este também está, porque, para responder à pergunta “O que é X?”, seja qual for X, precisamos raciocinar. Mas trata-se também de um evento que abrange todos os ramos da filosofia e que é igualmente interdisciplinar. Para o nosso evento convidei um famoso matemático da Universidade de São Paulo, Francisco César Polcino Milies, que tentará responder à pergunta “O que é um número?”.
Pretendo organizar este evento a cada dois ou três anos, sempre no Rio de Janeiro, e ele deverá tornar-se um dos grandes eventos filosóficos do Brasil e do mundo. Para esta primeira edição, teremos conferências “O que é X?”dadas por pesquisadores do mundo inteiro sobre todo tipo de X. E o Rio de Janeiro é o lugar certo porque fica próximo ao Trópico de Capricórnio!
Platão dizia que o começo da filosofia é o espanto (thaumazein), e isso está diretamente ligado ao ti esti. Se nada nos surpreende, nossa inteligência não se desenvolve. Por outro lado, limitar a inteligência à construção de teorias científicas leva à transformação da realidade — à construção de casas, aviões, computadores —, mas não podemos parar aí.
JYB: Conheço a IA há muito tempo porque, quando estudava lógica matemática, também estudei computação e programação. Aprendi a linguagem LISP, desenvolvida por John McCarthy, o pai da inteligência artificial. Meu orientador de doutorado em lógica matemática, Daniel Andler, também nos introduziu às lógicas não monotônicas de McCarthy. Mais tarde, Andler deixou a matemática, criou o Departamento de Ciências Cognitivas na ENS (École Normale Supérieure) e tornou-se professor de filosofia na Sorbonne, desenvolvendo em particular uma reflexão sobre a IA — cf. seu último livro, que você gosta de usar como travesseiro para dormir.
Recentemente, estive em contato com a viúva de McCarthy, Carolyn Talcott, pesquisadora do SRI (Stanford Research Institute), na Califórnia. Ela participou do nosso congresso Logic, Chance and Money em Las Vegas, em 2024, e também do UNILOG 8 em Cusco, em dezembro de 2025, onde proferiu a conferência “Intelligence and Logic”.
E meu anfitrião na Universidade Stanford em 2001 e 2002, Patrick Suppes, foi um pioneiro no uso de computadores na educação. Lembro-me de ele dizer que a aprendizagem com computadores deveria acontecer em casa, para que o tempo em sala de aula pudesse ser dedicado a discussões interessantes e não mecânicas. Suppes gostava muito de David Hume. Se o seu objetivo é compreender a ideia de indução em Hume para desenvolver uma reflexão sobre a indução, em vez de se tornar o maior especialista do mundo em Hume, é melhor usar softwares de IA que possam fornecer uma resposta em poucos segundos do que passar horas lendo Hume diretamente. Isso pode servir como um primeiro passo para a sua compreensão da indução segundo Hume e, dependendo dos seus objetivos, talvez até como o último.
Quando eu era criança, entre os sete e os doze anos, li muitos livros norte-americanos de ficção científica. Asimov praticamente profetizou a Wikipédia, que considero um projeto muito interessante. Também vi o filme de Kubrick 2001: Uma Odisseia no Espaço, baseado num conto de Arthur C. Clarke. Como jogador de xadrez desde a infância, também me interessava a questão do Deep Blue. E acho muito sugestiva a analogia hardware/software — corpo/mente.
Recentemente, as coisas começaram a mudar radicalmente com o ChatGPT e outros programas do mesmo tipo: a IA generativa. Foi você mesma quem chamou minha atenção para essas capacidades impressionantes, às quais eu não vinha dando tanta atenção.
Para este congresso, estamos usando a IA em todos os seus aspectos (mais informações aqui). Mas, para que isso funcione bem, ela precisa ser usada de maneira inteligente: quem usar a IA de modo tolo não irá muito longe e pode até se perder. A ideia é ter uma interação permanente: tornar a IA mais inteligente e, ao mesmo tempo, deixar que ela nos torne mais inteligentes.
Para responder à pergunta “O que é X?”, oferecendo uma metodologia como a dos onze procedimentos, a IA pode nos levar muito mais longe. Mas é importante enfatizar que a inteligência natural do ser humano continua sendo fundamental, especialmente quando se trata de criatividade. Não acredito que a IA pudesse ter chegado, por si só, nem à formulação original da pergunta de Sócrates e de Platão, nem aos onze procedimentos que desenvolvemos para respondê-la. E há aqui uma trivialidade importante: a IA generativa foi criada por seres humanos, a inteligência artificial é humana; não existe nenhum mistério circular como o famoso círculo vicioso do ovo e da galinha. A IA é capaz de produzir uma boa omelete de frango, mas nós temos de lhe fornecer o material para chegar até lá!
Se você pedir a um sistema de IA que escreva um artigo de dez páginas sobre uma questão como “O que à a indução?” sem qualquer especificação adicional, o resultado provavelmente será fraco. O resultado melhora se você fornecer ao sistema material relevante para ler e uma metodologia a seguir. Mas o melhor resultado é alcançado quando você usa o sistema de IA fazendo-lhe muitas perguntas inteligentes, ao mesmo tempo em que você mesmo escreve o artigo. Essa é a receita que fará suas ideias virarem uma deliciosa creme chantilly.
JYB: O gato desempenhou um papel fundamental na história da humanidade; basta pensar no Egito, uma das grandes civilizações da história humana. Dei ao meu gato o nome Miaou porque “miaou” é o nome para gato na língua originária do Egito.
Ainda hoje o gato acompanha o ser humano, e é muito difícil explicar exatamente o que ele é e como funciona a sua inteligência — em contraste com o cachorro, cuja inteligência é mais semelhante à do ser humano.
Responder à pergunta “O que é um gato?” é um verdadeiro desafio. Foi por isso que coloquei uma foto do meu gato no cartaz do evento. Desmond Morris, famoso em particular por O Macaco Nu, no qual dá uma resposta muito inovadora à pergunta “O que é um ser humano?”, também se interessou muito pelos gatos e escreveu vários livros sobre eles.
Miaou aparece lendo o livro Mistérios do Alfabeto, de Marc-Alain Ouaknin, filho de um famoso rabino na França e ele próprio rabino. Nesse livro, ele explica a origem do alfabeto em relação à rejeição das imagens por Moisés. O alfabeto foi um instrumento fundamental no desenvolvimento da humanidade, embora poucas pessoas conheçam o significado original dessas letras, derivado de ideogramas: aleph, uma cabeça de boi, representando a força masculina; beth, representando a casa e a feminilidade; e assim por diante.
Tudo isso foi levado pelo vento, e o alfabeto, fundado sobre uma rejeição das imagens, tornou-se um dos instrumentos mais poderosos do desenvolvimento humano. “Gato” é uma sucessão de sinais que não têm significado em si mesmos; a combinação desses sinais não é, em si, o que dá significado à palavra. Como observou Ferdinand de Saussure, a arbitrariedade do signo é um princípio fundamental. Isso é, de certo modo, a “absurdidade” das línguas alfabéticas. Mas qualquer pessoa que conheça lógica sabe que o absurdo é a chave: foi por meio do raciocínio por absurdo que se demonstraram a irracionalidade da raiz quadrada de 2 e muitos outros teoremas importantes.
Assim como Platão, na alegoria da caverna, usa uma imagem para apontar para algo além das imagens, eu também uso uma imagem — o cartaz do evento — para sugerir algo que vai além da própria imagem. A caverna é um primeiro passo fundamental; cf. o aforismo de Demócrito: a verdade como uma mulher nua emergindo do fundo de um poço.