Quem brilha em A Hora da Estrela?
Clarice Lispector escreveu A Hora da Estrela em um tempo em que o Brasil parecia andar de costas para suas próprias vozes.
Ler Clarice é olhar o mundo e a nós mesmos com estranhamento e delicadeza.
É perceber que toda palavra é também um espelho e um convite à ação.
Nesta WebQuest, vamos investigar o Brasil de Clarice e o Brasil de agora — o das ruas, das redes, das escolas — para descobrir quais estrelas continuam apagadas e quais começam a brilhar.
Ao longo de quatro encontros, você será pesquisador(a), roteirista, produtor(a), leitor(a) e autor(a).
Vai explorar textos, vídeos, músicas, podcasts, imagens e ferramentas digitais, inclusive a inteligência artificial, para compreender e recriar o mundo de Macabéa com as suas próprias palavras.
Macabéa é uma jovem nordestina, pobre, deslocada — invisível até para si mesma.
Mas a pergunta que ecoa, décadas depois, continua urgente:
👉 Quem é visto, ouvido e lembrado na história do nosso país?
A proposta é simples e desafiadora: usar o conhecimento, a arte e a tecnologia para fazer o que Clarice fazia com a escrita — dar forma e voz ao que parecia não ter nome.
E você, conhece Clarice Lispector?
Ouça a própria autora falando de si — na entrevista “Em Casa”, do programa Os Mágicos (1976) — e descubra como a escrita era, para ela, uma forma de existir.
Dar nome é fazer existir.
E a escrita é uma das formas de nos fazermos ouvir.
Nas cosmologias afro-indígenas do Brasil, nomear é soprar vida, vínculo e memória. Vamos partir desse olhar.
Ao longo da investigação, mantenha vivos estes disparadores:
Como as mulheres (especialmente nordestinas, negras e periféricas) eram vistas no tempo de Clarice?
Que Brasil cercava a protagonista do livro que vamos ler? Que Brasil cerca você hoje?
Quem decide quem aparece e quem some nas/das histórias que contamos?
Onde o nome vira vida e a palavra vira luz? Onde a palavra ainda não chega — e por quê?