Através do encontro de materialidades diversas e fotos disparadoras da artista Brooke DiDonato, foram elaboradas instalações que incorporam indumentária em composições não naturalistas criando diálogo com o espaço físico disponível e dramaturgias pessoais.
CUSTA
um olhar poético sobre o acesso a espaços de cultura e educação por corpos dissidentes, corpos diaspóricos, corpos insurgentes.
corpos convidados a acessar tais espaços, porém, destinados a invisibilidade e a não permanência.
FICHA TÉCNICA:
Nome da Obra: CUSTA
Artista: Victor Medeiros
Data de Criação: Maio/2025
Dimensões da Obra: Aprox. 170cm x 50cm
Número de Objetos: instalação composta por dois módulos pendentes
Técnica Utilizada: Camisa de viscose de algodão estampada e calça de tecido jeans em lavagem clara; peças enrijecidas com goma de amido suspensas em pêndulo por fio de nylon. As peças que compõe a instalação, fazem parte do acervo do artista.
A provocativa inicial deste trabalho, se dá na primeira semana de aulas, ainda no primeiro encontro, a aula inaugural dos cursos.
Alunas, Alunos, Alunes de toda multiforme e graça possíveis para uma instituição pública de arte e educação.
O espaço deste encontro inaugural é construído com muita leveza e descontração, é sugerido um espaço de crescimento mútuo, de trocas, e por tanto, todos estão convidados a falar, perguntar, soltar ao vento suas inquietações.
Alguns melindres em forma de assopro, perguntas amenas apenas para preencher o espaço vazio, o espaço em silêncio.
Até a chegada do vento, a pergunta que constrange.
–“[...] teremos algum tipo de bolsa, algum auxílio? Algum suporte financeiro para custear os materiais e a permanência no curso?”
–”[sons de meneios com a boca] mas o curso é gratuito, tudo aqui é grátis. Inclusive o café fresquinho que sempre faço e disponibilizo para vocês, sempre que quiserem conversar, podem me procurar que terei um café fresquinho para oferecer.”
–”O curso é grátis; mas as passagem, a alimentação, os materiais, os custos de estar aqui[...]. Eu estou desempregado, a escola teria alguma bolsa, ou saberia orientar como conseguir?”
–”[sons de meneios com a boca]. [sons de meneios com a boca]. [sons de meneios com a boca]. Então, eh…, sobre isso, então…, eh…, acho que na secretaria de educaç… [...] Mas sempre teremos um cafezinho fresquinho pra receber vocês, e os gatinhos eles são muito fofos, são lindos os gatinhos! Os gatinhos!”
Uma pergunta grito, que necessitava uma resposta bálsamo. Uma pergunta que deveria ter encontrado um interlocutor atento, porém, foi soterrada em pilhas de café e gatos, gatos e café, muitos sorrisos afetados e simpáticos. Afinal, o constrangimento é de quem não pode permanecer e não de quem deixa de proporcionar a permanência.
EXECUÇÃO E TESTE DE INSTALAÇÃO