Enfermeira Teresa Martins
Especialista em Enfermagem de Reabilitação
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Enfermeira Teresa Martins
Especialista em Enfermagem de Reabilitação
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Está a terminar o ano, não o Inverno!
O final do ano pode ser um momento de balanço e encerramento de projetos, mas também de renovação, pois um novo ano está a chegar e é necessário continuar a cuidar da nossa saúde e a utilizar da melhor forma os recursos que são disponibilizados.
É importante lembrar que o inverno ainda irá continuar, assim como os períodos de frio intenso que habitualmente conduzem a alterações no nosso organismo, reduzindo a capacidade de resposta do sistema imunitário e facilitando, assim, o desenvolvimento de infeções respiratórias agudas, como a gripe, e o agravamento de doenças crónicas, como a diabetes e as doenças cardiovasculares.
Para a nossa proteção individual devem ser seguidas recomendações que ajudam a prevenir essas complicações, tais como:
● Vacinação contra a Gripe, contra a COVID-19 e contra a pneumonia sempre que tenha essa indicação;
● Frequente higiene das mãos com água, ou com solução alcoólica;
● Etiqueta respiratória;
● Utilização de máscara, quando indicado;
● Uso de vestuário adequado (várias camadas de roupa) e calçado confortável e antiderrapante para fazer face ao frio extremo;
Porém quando, apesar de todos os cuidados, ficamos doentes e é necessário recorrer aos serviços de saúde, devemos procurar fazê-lo de forma rápida e eficiente, evitando que a doença se prolongue e consequentemente se agrave.
Atualmente o Centro de Contacto do Serviço Nacional de Saúde – SNS 24, possui um Serviço de Triagem, Aconselhamento e Encaminhamento que tem como responsabilidade avaliar e orientar as pessoas quando surge um problema de saúde não emergente/urgente. Podemos considerar problemas de saúde não emergentes/urgentes, algumas situações como:
● Dor ligeira a moderada (garganta, barriga);
● Tosse persistente;
● Febre;
● Náuseas (enjoo) ou vómito alimentar;
● Diarreia;
● Alteração da tensão arterial (sem outras queixas);
● Choro persistente da criança;
● Comichão ou alterações da pele;
Na presença de sintomas como estes, deve ser contactada a linha do SNS 24 - 808 24 24 24 onde, através de uma conversa telefónica, é feita a triagem de acordo com a situação clínica e o respetivo encaminhamento para serem prestados os cuidados adequados. Estes podem ser, autocuidados (realizados no domicilio pela própria pessoa, com ou sem ajuda), cuidados de saúde primários, serviço de urgência ou INEM.
O SNS 24 é constituído por uma equipa alargada de diferentes profissionais, onde trabalham médicos/as, enfermeiros/as, farmacêuticos/as, engenheiros/as informáticos/as e biomédicos/as, bem como pessoal de gestão e administrativo. Os serviços clínicos estão disponíveis para ajudá-lo 7 dias por semana, 24 horas por dia.
Utilizar esta linha para o primeiro contato com o sistema de saúde pode trazer diversas vantagens, entre as quais se salientam:
● Facilidade, comodidade e rapidez de contacto com um serviço de saúde;
● Aconselhamento por profissionais que podem encaminhar para outros serviços de saúde;
● Minimização da transmissão de infeções (contágio) para a própria e para outras pessoas;
● Atendimento prioritário em serviços integrados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), conforme o nível de prioridade identificado, quando a referenciação é feita através da Linha SNS 24.
Ao contactar a linha SNS 24, tenha consigo os seus dados de identificação ou da pessoa doente, se não for o/a próprio/a, tais como: número de utente do Serviço Nacional de Saúde, nome e data de nascimento.
Procurar os cuidados de saúde mais adequados e da forma mais eficiente pode ser um novo desafio para minimizar as consequências do inverno e do frio que o acompanha, no entanto não devemos esquecer que no final do inverno, novas flores irão desabrochar!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/esta-a-terminar-o-ano-nao-o-inverno/
Daniela Silveira
Enfermeira,
Aluna do Curso de Mestrado em Enfermagem Comunitária,
em colaboração com UCC Viseense
O frio não é psicológico, proteja-se!
Com a chegada da estação Outono / Inverno chegam também os dias mais curtos e mais frios. A exposição excessiva ao frio intenso pode ter implicações negativas na sua saúde.
O frio intenso origina alterações no organismo, pois reduz a capacidade de resposta do sistema imunitário, o que facilita o aparecimento de infeções respiratórias, nomeadamente a gripe e o agravamento de outras doenças crónicas. Em casos mais graves a exposição prolongada e repetida ao frio extremo pode causar hipotermia, que é um estado em que a temperatura corporal se situa abaixo dos 35ºC. Os mecanismos termorreguladores do nosso organismo, não conseguem recuperar por si, ou seja, o organismo perde mais calor, do que aquele que consegue produzir, e desta forma não consegue restabelecer a temperatura normal do corpo. A hipotermia manifesta-se por sintomas que podem evoluir de simples arrepios e /ou dormência (pés e mãos) para sonolência, confusão, coma e em casos severos até mesmo a morte. A pessoa pode não se aperceber desta situação, e desta forma não fazer nada para a contrariar, o que permitirá a evolução para um estado de hipotermia grave.
As pessoas idosas, bebés e crianças têm maior propensão para desenvolverem hipotermia, no entanto uma exposição constante ao frio extremo sem se tomarem medidas de prevenção pode conduzir qualquer pessoa à hipotermia. Doentes crónicos e pessoas sem abrigo também são consideradas grupos de risco e devem ser alvo de atenção.
O impacto na saúde, depende do tempo de exposição e magnitude do frio a que teve exposto.
Existem dois mecanismos para combater/ minimizar os efeitos adversos da exposição ao frio severo: mecanismos internos e externos.
Os mecanismos internos, são as mudanças involuntárias do organismo, que auxiliam na regulação de pequenas oscilações de temperatura. O nosso organismo em contato com temperaturas mais baixas, ativa “mecanismos de defesa” para tentar preservar o calor, como por exemplo: eriça os pelos, de forma a isolar a pele, provoca vasoconstrição para reduzir a circulação sanguínea das extremidades e aumenta o fluxo sanguíneo para zonas mais centrais como abdómen e cabeça. Outro mecanismo desenvolvido pelo organismo, consiste na tentativa de gerar mais calor através de arrepios e aumento do metabolismo das células.
Por outro lado, os mecanismos externos compreendem os comportamentos que visam a alteração das condições em que o ser humano se encontra e o ambiente que o rodeia. Os mecanismos comportamentais (externos), quando realizados corretamente, são mais eficazes que os mecanismos internos.
Existem várias recomendações que podemos adotar em dias de frio mais intenso e que nos permitem obter conforto térmico, hidratação e nutrição adequadas, nomeadamente:
· Manter a temperatura da casa e carro entre 19ºC e 22ºC, (temperatura amena)e evitar alterações bruscas de temperatura com o exterior;
· Verificar o funcionamento dos equipamentos de aquecimento antes de os utilizar;
· Manter ventilação adequada das divisões da casa sempre que utilizar lareiras, salamandras, braseiras ou equipamentos a gás, para evitar a acumulação de gases prejudiciais à saúde;
· Não utilizar equipamento de aquecimento exterior dentro de casa;
· Desligar os equipamentos de aquecimento antes de dormir ou antes de sair de casa, para evitar incêndios ou intoxicações;
· Utilizar botija de água quente com precaução de forma a evitar queimaduras da pele;
· Preferir a utilização de várias camadas de roupa, adequadas à estação do ano, em vez de uma peça única e grossa;
· Evitar roupas apertadas, uma vez que dificultam a circulação sanguínea;
· Proteger as extremidades do corpo, utilizando gorro, cachecol luvas e meias quentes;
· Usar calçado confortável e antiderrapante;
· Optar por um banho de água morna, ao invés de água muito quente, já que as altas temperaturas contribuem para a deteorização da camada protetora natural da pele;
· Manter a pela hidratada;
· Ingerir líquidos e alimentos quentes e realizar várias refeições ao longo do dia;
· Aumentar o consumo de vitaminas, sais minerais e antioxidantes, para reforçar a imunidade, de preferência através da alimentação;
· Manter-se hidratado, beber líquidos ao longo do dia, mesmo sem ter a sensação de sede;
· Evitar o consumo de bebidas alcoólicas, uma vez que o álcool provoca vasodilatação, que facilita a perda de calor e, consequentemente, o arrefecimento do organismo;
· Manter-se ativo, realizando a sua atividade física habitual, de preferência num local resguardado, evitando esforços físicos ao ar livre;
· Manter-se atento aos avisos e recomendações das autoridades.
O frio extremo além das alterações no nosso organismo, pode esconder outros perigos, nomeadamente intoxicação por inalação de gases tóxicos resultantes dos dispositivos de aquecimento, ou incêndios nas habitações e acidentes rodoviários devido à presença de gelo na estrada, pelo que, em dias mais frios modere a velocidade e conduza com prudência.
A exposição prolongada e repetida ao frio extremo pode provocar danos graves à sua saúde, por isso não facilite. Cumpra as recomendações e proteja-se!
Publicado na Revista AmoViseu: https://amoviseu.com/revista-22/
Catarina Reis
Rui Gonçalves
Vanessa Rodrigues
Médic@s, IFE Medicina Geral e Familiar, na USF Grão Vasco,
em colaboração com a UCC Viseense
A importância do uso correto dos antibióticos na prevenção da resistência bacteriana
Os antibióticos são substâncias naturais, químicas ou sintéticas que têm como função impedir a multiplicação e propagação de bactérias de forma a eliminá-las. Esta medicação revolucionou o tratamento das infeções, que anteriormente eram causa de milhares de mortes, permitindo diminuir significativamente a mortalidade a estas associada.
Estes medicamentos estão apenas indicados quando se confirma o diagnóstico de uma infeção causada por bactérias, e não em todas as infeções, como é comummente compreendido pelas pessoas, uma vez que infeções víricas ou provocadas por fungos, são tratadas com recurso a medicamentos diferentes. No entanto, existem situações específicas em que os antibióticos podem ser usados para prevenir uma infeção, exemplo disso é a profilaxia antes de determinadas intervenções cirúrgicas.
De forma a que seja prescrito o antibiótico adequado quando surje uma infeção, é sempre necessária a avaliação médica da pessoa. Nunca se deverá iniciar a toma de antibióticos por iniciativa própria, sem que sejam prescritos por um/a médico/a. Após a prescrição médica, é fundamental seguir o esquema da posologia, respeitando o horário das tomas e a duração do tratamento definidos, independentemente das queixas terem ou não desaparecido. Um erro comum que as pessoas cometem é interromper a antibioterapia (tratamento com antibióticos) antes do que é determinado pelo/a médico/a.
Com o uso inadequado dos antibióticos estará a contribuir para um dos problemas emergentes nos últimos 20 anos: o desenvolvimento e a seleção de bactérias resistentes e multirresistentes, existindo evidência de uma relação entre o nível de consumo de certas classes de antibióticos e a resistência bacteriana às mesmas.
A causa da resistência aos antimicrobianos (antibióticos) é multifatorial, no entanto, vários estudos revelam que o elevado consumo de antibióticos e o seu uso excessivo, quer para fins profiláticos (prevenção), quer para fins terapêuticos (tratamento), é o que mais contribui para este problema.
Estas bactérias tornam-se capazes de sobreviver e de se multiplicar, mesmo quando expostas a antibióticos que antes eram eficazes, desenvolvendo resistência à ação dos antibióticos habitualmente aconselhados, a opção médica obriga a recorrer a outros antibióticos alternativos, geralmente mais caros e com efeitos secundários mais gravosos.
A elevada taxa de resistência bacteriana leva à escolha de esquemas terapêuticos de mais largo espectro (ação terapêutica mais abrangente) para minimizar os insucessos, aumentando, deste modo, a pressão antibiótica e a probabilidade de desenvolvimento de resistências, tornando-se num ciclo vicioso, e contribui, por outro lado, para o desenvolvimento de infeções de difícil tratamento, sendo um atual e importante problema de saúde pública, que impõe a necessidade de mudanças no padrão de prescrição de antibióticos.
Em suma, as principais medidas a adotar, para um bom uso da antibioterapia:
Não partilhe o seu antibiótico com família ou amigos, o antibiótico foi prescrito em específico para a sua condição;
Não guarde os comprimidos restantes para uso posterior;
Entregue as embalagens com o excedente numa farmácia, e não coloque no lixo urbano;
Não inicie toma de antibióticos sem prescrição/indicação médica prévia;
Siga as instruções médicas rigorosamente, no que diz respeito à dose, horário das tomas e duração do tratamento;
Não suspenda o tratamento antes do prazo estabelecido, mesmo que já se sinta bem;
Informe o/a seu/sua médico/a sempre que tenha algum efeito adverso ou alergia ao antibiótico prescrito;
A resistência antimicrobiana é uma ameaça crescente à saúde global e a sua segurança também depende de si.
Ao adotar estas medidas estará a contribuir para o uso adequado e responsável dos antibióticos, de forma a preservar a eficácia dos mesmos e garantir a sua disponibilidade para as gerações futuras.
Publicado no Diário de Viseu a 20-12-2023.
Diana Fernandes
Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Febre na criança…. Uma dor de cabeça para pais e mães!!
A febre é um dos sintomas mais frequentes nas crianças e também uma das principais causas de absentismo escolar. Como tal uma criança com febre é sempre motivo de preocupação por parte dos pais.
A febre atua como mecanismo de defesa do organismo perante uma “agressão”, sendo mais frequentemente provocada perante uma infeção por vírus ou bactérias, não sendo, por si só, uma doença.
De acordo com a DGS, considera-se febre a “elevação da temperatura corporal pelo menos, 1°C acima da média da temperatura basal diária individual, em função do local de medição”. Assim importa saber que se considera febre perante os seguintes valores medidos de temperatura:
Retal - Igual ou superior a 38ºC
Axilar - Igual ou superior a 37,6ºC
Timpânica - Igual ou superior a 37,8ºC
Oral - Igual ou superior a 37,6ºC
Tratando-se de uma manifestação do organismo, decorrente do combate às infeções, a febre surge muitas vezes como sintoma isolado, devendo ser vigiada quanto aos valores e frequência e medicada de acordo com prescrição médica Porém, poderá ainda ser acompanhada de outros sintomas, daí que seja importante manter a vigilância e saber identificar os sinais de alerta, bem como os sinais tranquilizadores numa criança com febre.
Assim, se a criança com febre apresentar, concomitantemente, algum dos sintomas abaixo, ou febre com duração superior a 5 dias completos, deverá recorrer à observação médica imediata:
Sonolência excessiva ou incapacidade de adormecer;
Face/olhar de sofrimento;
Irritabilidade e/ou gemido mantido ou choro inconsolável;
Não tolerar o colo;
Queixa de dor perturbadora;
Convulsão;
Aparecimento de manchas na pele nas primeiras 24 a 48 horas de febre;
Respiração rápida com cansaço;
Vómitos repetidos entre as refeições ou recusa alimentar completa superior a 12 horas;
Sede insaciável;
Lábios ou unhas roxas e/ou tremores intensos e prolongados na subida da temperatura;
Dificuldade em mobilizar um membro ou alteração na marcha;
Urina turva e/ou com mau cheiro.
Se pelo contrário, a febre for acompanhada por alguns dos seguintes sinais e sintomas, que embora possam ser incomodativos para a criança e possam necessitar de consulta médica, sugerem doença sem gravidade:
Come menos, mas não recusa os alimentos líquidos;
Tosse seca e irritativa muito frequente, sendo o sintoma que mais perturba a criança;
Dor a engolir com placas brancas na garganta e/ou associada a olhos vermelhos e/ou a tosse;
Gengivas dolorosas, vermelhas, sangrantes ou aftas orais;
Olhos vermelhos com secreções;
·Diarreia ligeira (ou moderada) sem sangue, muco ou pus;
Pieira sem dificuldade respiratória;
Manchas vermelhas dispersas, que surgem só a partir do 4º dia de febre.
Acalma ao colo e fica com um comportamento quase habitual;
A criança brinca e tem atividade normal;
Tem sorriso aberto ou fácil;
Pais e mães são quem melhor conhece a criança. Importa, portanto, avaliar caso a caso. Porém, em situação de febre e perante a necessidade de observação médica, medique sempre a criança (de acordo com as indicações que tem), antes de recorrer aos serviços de saúde, isto porque permite diminuir o desconforto dela e facilitar a observação, para além de que vai facilitar o diagnóstico.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/febre-na-crianca-hellip-uma-dor-de-cabeca-para-pais-e-maes/
Ana Santos Oliveira
Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária,
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Esclerose Múltipla… um desafio para a vida !!
A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença inflamatória, crónica e degenerativa que afeta o Sistema Nervoso Central (SNC). É mais comum no adulto jovem, surgindo habitualmente na terceira década de vida, com o dobro de frequência no género feminino.
Estima-se que no mundo existam cerca de 2 500 000 pessoas com a doença, sendo sensivelmente 8 000 em Portugal (OMS, 2020).
Não sendo uma doença fatal, é altamente incapacitante, afetando de modo significativo a qualidade de vida dos doentes.
Apesar dos estudos realizados na área, as causas que despoletam o aparecimento da EM permanecem desconhecidas: acredita-se que será a combinação da suscetibilidade da natureza genética, imunológica, viral, bacteriana, ambiental (dieta, toxinas industriais presentes no solo ou na água), níveis reduzidos de Vitamina D, alergias, trauma físico, entre outros.
A experiência de cada doente com EM é diferente, existindo uma variedade de sintomas que podem estar presentes no inicio da mesma, dificultando o diagnóstico. Destacam-se alterações visuais (visão turva/ dupla), motoras (diminuição da força e sensibilidade num dos membros, tremores, dificuldade na fala, alterações de equilíbrio) e cognitivas (alterações de memória e concentração).
A evolução da EM é variável e impossível de prever. Como norma, distinguem-se 4 tipos:
Forma recidivante-remitente: ocorrem surtos que duram dias a semanas seguidos de recuperação (forma mais frequente);
Forma secundariamente progressiva: os défices acumulam-se após cada surto;
Forma primariamente progressiva: evolui desde o inicio, sem separação de períodos com surtos ou ausência deles;
Forma remitente-progressiva: a doença progride de forma evidente, podendo existir períodos livres de sintomas.
Tendo em conta o facto de que a doença se torna incapacitante, surgindo em idade precoce, as relações laborais, sociais e familiares poderão ser profundamente afetadas. Contudo, mais do que lidar com os sintomas, é necessário encontrar estratégias que permitam lidar com os estereótipos que, por desconhecimento, imperam na sociedade. O cansaço extremo é muito habitual e impede estas pessoas de realizarem determinadas tarefas ou, pelo menos, ter a mesma resistência que pessoas saudáveis: a doença “não se vê” logo o cansaço é visto por amigos, familiares e empregadores como preguiça. Este facto faz com que muitas pessoas, diagnosticadas com EM, escondam a sua doença enquanto for possível, aumentando a pressão psicológica e diminuindo a sensação de bem-estar, com consequências graves no prognóstico da doença.
A Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) é uma Instituição Particular de Solidariedade Social criada em 1984, que tem como missão contribuir para a melhoria das condições de vida dos portadores de Esclerose Múltipla e das pessoas que com eles convivem.
Desenvolve a sua atividade por um lado junto dos poderes públicos e organismos competentes, especialmente nas áreas da saúde e social, no sentido da maior eficiência na divulgação da informação pertinente sobre a patologia e o acesso às respetivas terapias. Por outro, presta apoio integrado e multidisciplinar, através de serviços especializados e de referência, como o Centro Atividades Ocupacionais (CAO), a Unidade de Neuro-reabilitação, o Apoio Domiciliário, as Consultas de Psicologia, o Serviço Informativo Social e o Aconselhamento Jurídico. Em Viseu existe uma delegação deste organismo situ Avenida Madre Rita de Jesus, Edf. Inst. Vítor Fontes (tele: 934386916. Email: viseugeral@spem.pt).
Em caso de dúvida contacte a sua Equipa de Saúde Familiar: o diagnóstico precoce é fundamental no tratamento e prognóstico da doença!
Publicado no Diário de Viseu a 06-12-2023.
Enfermeiro Diogo Carvalhais
Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica,
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Salário Emocional e Saúde Mental
Todos nós, mensalmente, aguardamos (ansiosamente) pelo salário monetário. Embora o salário monetário seja um fator importante na vida profissional e pessoal de qualquer pessoa, representa apenas uma parte do que será o nosso salário como empregado/a, funcionário/a, colaborador/a, trabalhador/a.
Dado que passamos quase um terço das nossas vidas no trabalho, compreender a diferença entre esses dois tipos de salários é fundamental para perceber a importância do salário emocional na satisfação e retenção dos profissionais nas empresas e qual o impacto que este tem na Saúde Mental. Num mundo onde o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, o reconhecimento e o desenvolvimento são cada vez mais valorizados, é essencial considerar não só ”os dígitos e os cifrões do ordenado” são importantes, mas também realmente valorizar o que o vai dentro do coração e da mente do trabalhador/a.
O salário emocional é a compensação não económica que complementa os salários monetários. É um termo que se refere aos benefícios não financeiros que os/as empregado/as recebem pelo trabalho realizado. A remuneração emocional desempenha um papel crucial na motivação e retenção de talentos, uma vez que os colaboradores tendem a valorizar tanto os aspetos emocionais do seu trabalho como os financeiros.
Este salário emocional está também intimamente ligado à nossa perceção de pertença e de identificação com empresa / organização, com os seus objetivos, valores e ideais, bem como se acreditamos ou não que “fazemos parte integrante dela e se ela se integra na nossa vida”.
O salário emocional vai muito além dos números impressos num recibo de vencimento ou no saldo bancário. São as vivências do indivíduo no ambiente de trabalho, através de sentimentos de realização, satisfação, pertença, respeito, reconhecimento, ambiente de trabalho positivo, oportunidades de crescimento, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e o sentimento de ser valorizado por colegas e superiores. São claramente recompensas intangíveis que fazem alguém sentir-se bem, pois se o salário monetário atende às necessidades financeiras, o salário emocional atende às necessidades psicológicas, emocionais e de saúde mental do/a colaborador/a, contribuindo para a satisfação geral no trabalho e tem um impacto direto no seu bem-estar.
Porque é então importante ser / estar verdadeiramente feliz no trabalho?
A importância da satisfação dos profissionais nas organizações, tendo como pano de fundo os benefícios dos salários emocionais, é algo que não deve ser subestimado. O salário emocional compreende elementos que moldam a experiência no local de trabalho. O reconhecimento é um desses pilares. Quando os colaboradores e colaboradoras se sentem valorizados e reconhecidos pelas suas contribuições, o seu comprometimento e produtividade aumentam. Elogios sinceros e oportunidades de desenvolvimento proporcionam satisfação, incentivando a retenção de talentos.
Potenciar a participação e a autonomia permite que os colaboradores e colaboradoras tenham voz na tomada de decisões, promovendo a participação e permitindo a autonomia na execução das tarefas. Importa também ter / fornecer regularmente feedback construtivo sobre o desempenho, destacando os seus pontos fortes e áreas de melhoria.
O equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal é outro aspeto fundamental. As empresas que equilibram esta difícil dinâmica ajudam os colaboradores e colaboradoras a manter a sua saúde mental e emocional, resultando numa maior produtividade no trabalho e numa pessoa mais saudável.
Além disso, um ambiente de trabalho positivo é um ingrediente chave para a felicidade no trabalho. Quando colegas e superiores promovem respeito, comunicação eficaz entre todos, colaboração e apoio, a satisfação dos colaboradores aumenta, criando um círculo de alta motivação e desempenho. Devemos ter sempre presente que cada indivíduo pode reagir de forma diferente a circunstâncias diversas ou ter experiências diferentes na mesma função. Sabemos que a saúde mental é individual e personalizada, pelo que o nosso caminho para garantir um ambiente de trabalho mais positivo também deve ser analisado a nível individual.
O desenvolvimento profissional também desempenha um papel importante. Oportunidades de formação externa, aquisição e reciclagem de conhecimentos e crescimento pessoal não só fortalecem a satisfação individual, mas também beneficiam a empresa ao aprimorar e especializar as competências de cada um dos seus elementos.
A segurança no trabalho é uma âncora emocional que reduz o stress e a incerteza. Os colaboradores e colaboradoras que se sentem seguros no seu posto de trabalho são mais produtivos e leais, sentindo-se confortáveis em assumir riscos interpessoais, falar sem medo de represálias e partilhar abertamente as suas ideias e preocupações. Esta segurança no trabalho é catalisadora da inovação, criatividade e, em última análise, do sucesso organizacional.
O stress e o Burnout (“esgotamento”), muitas vezes decorrentes de um ambiente de trabalho tóxico, podem levar a uma infinidade de problemas de saúde. Por outro lado, a felicidade no trabalho, impulsionada pela remuneração emocional, beneficia tanto os/as trabalhadores/as como as organizações para as quais trabalham. Trabalhadores felizes são mais motivados, produtivos e respeitadores, promovendo um ambiente de trabalho positivo. Valorizar e investir na remuneração emocional não é apenas benéfico, mas também essencial para o sucesso a longo prazo de qualquer empresa.
A verdadeira riqueza no trabalho vai muito além do dinheiro, reside na realização emocional e no bem-estar de todos os envolvidos!
“Escolhe um trabalho de que gostes,
e não terás de trabalhar nem um dia na tua vida.”
Confúcio
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/salario-emocional-e-saude-mental/
Adriana Alves
Psicóloga no Núcleo de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica do Distrito de Viseu
em colaboração com a UCC Viseense
A liberdade é a nossa maior inspiração.
A igualdade também!
No dia 25 de novembro assinala-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Alerto para os números, é inevitável. A esmagadora maioria aponta para a violência doméstica exercida contra as mulheres.
Perante esta evidência, o único caminho que nos deve unir e pelo qual devemos lutar é o de erradicar esta pandemia silenciosa da violência contra a mulher.
A reflexão de hoje baseia-se em duas palavras-chave e como estes conceitos se relacionam entre si. Gosto sempre de palavras-chave porque acredito no seu poder de transformação. Transformar pensamentos, atitudes e comportamentos.
Feminismo. Uma luta que deve ser inclusiva para promover um ambiente seguro para todas as mulheres. Sororidade. Um conceito essencial que está fortemente relacionado ao feminismo. São estas que, a meu ver, poderão fazer toda a diferença quando bem entendidas e colocadas em prática.
O feminismo acaba por ser limitado a estereótipos. Não devia. A verdade é que o feminismo é um movimento que luta pela promoção dos direitos humanos e pela igualdade de oportunidades. Igualdade sim, nem mais nem menos. Não é a superioridade de um género ou de outro. A igualdade de género é, para mim, o princípio basilar do movimento feminista. Reconhecer a absoluta liberdade das mulheres com relação ao exercício de todos os seus direitos. Necessitamos de um sistema social que não condicione o livre movimento das mulheres nas diversas esferas da vida, precisamos de continuar a atuar sobre as desigualdades e necessitamos de medidas proactivas que promovam o empoderamento das mulheres.
O movimento feminista tem lutado pela mudança e pela melhoria da qualidade de vida das mulheres e, exige, naturalmente, igualdade e justiça. E, embora o caminho seja amplo, já temos conseguido e conquistado direitos que até então, eram concedidos somente aos homens.
A minha opinião é que o movimento não pressupõe ser constituído apenas mulheres. Todos devemos ser feministas e, portanto, o movimento somos todos nós. Também os homens têm na sua vida uma mãe, uma avó, uma irmã, uma filha. Certamente lhes apraz que as oportunidades sejam igualitárias e dignas.
A sororidade é igualmente relevante, pautada por um sentimento de união, que visa a eliminação de rivalidades entre as mulheres.
E não vamos interpretar erradamente o conceito. Não, não temos de nos identificar com todas as mulheres, continuamos a ter discernimento entre atitudes corretas e incorretas. Naturalmente que não nos identificamos entre todas, o que não invalida o respeito que devemos ter entre todas. O desafio é o respeito pelas nossas diferenças.
O crescimento mútuo pressupõe o contributo de todos, na união. Unidas, zelam-se mutuamente. Na partilha, no respeito, na empatia, no encorajamento, na igualdade, na ajuda e no companheirismo. É saber ouvir. É a prática do acolhimento. É dar voz sem julgamento. O julgamento não pode continuar presente, é destrutivo e impossibilita a harmoniosa convivência humana. Reparem, não temos de estar sempre de acordo uns com os outros, mas podendo dar uma opinião, é fundamental fazê-lo com educação e gentileza, evitando magoar. Lembrem-se, as palavras e as atitudes são vitais!
Construímos um futuro melhor, promovemos o apoio, defendemos objetivos comuns e desconstruímos preconceitos, ensinando as crianças e sendo exemplo na vida destas.
Perdoem-me, mas o machismo, o patriarcado, os comportamentos e as ações misóginas devem ser combatidos. Para além de serem fatores de risco à perpetuação da violência, são, literalmente, uma barreira para a liberdade e para a saúde e, por conseguinte, para a Evolução.
Publicado no Diário de Viseu a 23-11-2023.
Catarina Reis
Rui Gonçalves
Vanessa Rodrigues
Médic@s, IFE Medicina Geral e Familiar, na USF Grão Vasco,
em colaboração com a UCC Viseense
Acerca da Diabetes…
A diabetes mellitus (DM) é uma doença crónica do metabolismo do açúcar, que ocorre através de complexos mecanismos de doença e culmina em níveis elevados de glicemia ou “açúcar no sangue”, com consequências potencialmente graves se não for tratada de forma atempada e adequada.
A prevalência da DM na população residente em Portugal, com idade entre os 25 e os 74 anos, em 2019, foi de 9,9%. Este valor é superior ao valor médio observado na União Europeia que é de 6,2%. A projeção, para 2030, aponta para uma taxa de mortalidade por DM de 25,6 óbitos por 100.000 habitantes.
Existem vários subtipos de diabetes, classificados de acordo com a causa da doença. No caso da Diabetes tipo 2, o principal mecanismo responsável pela doença é o aumento da resistência das células à ação da insulina, substância produzida no pâncreas e que é fundamental para a entrada de açúcar nas células, fazendo aumentar os seus níveis no sangue. O pâncreas tentará combater este aumento de glicemia / açucar no sangue com a produção de maior quantidade de insulina, mas a longo prazo torna-se incapaz de a produzir e pode mesmo ser necessária a administração de insulina pelas próprias pessoas.
Segundo os estudos mais recentes, a resistência à insulina poderá ter inicio muito antes de se registar o aumento da glicemia nas análises sanguíneas.
Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2 estão: o excesso peso, o excesso de gordura no organismo e a não realização de exercício físico, aliados à suscetibilidade genética de cada pessoa.
As principais queixas apresentadas pelas pessoas com hiperglicemia / excesso de açúcar no sangue são sede excessiva (polidipsia), fome excessiva (polifagia), perda de peso, necessidade de urinar muitas vezes ao longo do dia, cansaço generalizado e visão turva. Contudo, a grande parte dos/as doentes com DM não apresenta qualquer sintoma da doença até ao surgimento das suas complicações, sendo estas irreversíveis e de difícil tratamento, afetando negativamente da qualidade de vida.
As complicações associadas à DM são diversas, destacando-se entre estas, a retinopatia diabética (podendo levar a cegueira), o pé diabético (por vezes com necessidade de amputação), a nefropatia diabética (em estadios avançados, é necessária a realização de diálise) e a neuropatia diabética (com dor e perda da sensibilidade superficial nos membros). A vigilância em consultas dirigidas a esta patologia permite a prevenção e deteção precoce destas complicações, culminando num melhor prognóstico desta doença.
Está provado por vários estudos que hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de atividade física são fundamentais para a prevenção da Diabetes Mellitus do tipo 2.
Assim, recomendamos uma alimentação de estilo mediterrâneo:
· Ter uma dieta com baixo teor de hidratos de carbono simples (preferir dieta rica em cereais integrais, legumes, nozes, frutas e vegetais) ou até dietas vegetarianas, à base de plantas (podendo incluir alguns produtos de origem animal);
· Evitar alimentos ricos em açúcares: bolos, doces, refrigerantes ou alimentos processados;
· Iniciar as duas refeições principais com sopa rica em vegetais e incluir no prato salada e/ou hortaliça;
· Evitar a ingestão excessiva de gordura. Preferir o azeite para cozinhar.
· Reduzir os alimentos salgados e o sal no tempero. Como alternativa, usar as ervas aromáticas.
· A água é a bebida de primeira escolha. Tentar ingerir 1,5 a 2 litros por dia.
· Para os adultos, evitar o consumo de bebidas alcoólicas.
Quanto à atividade física, sugerimos que pratique exercício físico de intensidade moderada durante 30 minutos, no mínimo 5 dias por semana e que aproveite as pequenas pausas no trabalho para realizar pequenas atividades físicas, como por exemplo, caminhar ou subir e descer escadas, em detrimento do uso de elevadores.
No caso de ser uma pessoa com diabetes diagnosticada, reforçamos que deve manter o seguimento e vigilância junto da sua equipa de saúde familiar e cumprir cuidadosamente todas as recomendações dadas.
É sempre bom lembrar que a diabetes mais grave é aquela de que não se cuida!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/acerca-da-diabetes-hellip/
Raquel Pires Santos
Médica, IFE MGF,
USF Viriato,
Gonçalo Valbom
Médico, IFE MGF,
USF Grão vasco,
em colaboração com a UCC Viseense
Alimentar-se na Gravidez!
Durante a gravidez, é essencial garantir uma alimentação variada, completa e equilibrada, que proporcione todos os nutrientes necessários tanto para a mãe como para o desenvolvimento saudável do feto.
Nesta fase, o apetite pode estar aumentado, por isso manter uma rotina diária com refeições frequentes promove a saciedade e permite reduzir a ingestão excessiva de alimentos. De facto, as necessidades energéticas estão ligeiramente aumentadas na gravidez, em cerca de 500 kcal, o que na prática corresponde a acrescentar mais um lanche à sua rotina alimentar habitual. Este aumento de ingestão deve ser à custa de alimentos nutritivos, vitaminas e minerais. Deve comer para 2, não por 2!
Uma dieta equilibrada durante a gravidez deve ser rica em nutrientes essenciais, como proteínas, hidratos de carbono, gorduras, vitaminas e minerais. Para isso, é importante consumir uma variedade de alimentos que garanta a ingestão de todos os nutrientes necessários.
Ao pequeno-almoço e lanches combine lacticínios, fruta, cereais integrais e frutos oleaginosos.
Ao almoço e ao jantar deve privilegiar iniciar a refeição com sopa de legumes, beber água e terminar com uma peça de fruta. Quanto ao prato principal, deve preencher metade com hortícolas, um quarto com uma fonte de cereais e derivados, tubérculos ou leguminosas e um quarto com carne, pescado ou ovos.
A proteína é fundamental para o desenvolvimento do bebé, ajudando na formação dos tecidos e órgãos. As fontes de proteínas incluem carne magra, como o frango, peixe, ovos, feijão, lentilha e tofu. Os hidratos de carbono são a principal fonte de energia do corpo e devem ser consumidos em quantidades adequadas durante a gravidez. Opte por hidratos de carbono complexos, como pão integral, arroz integral, massa integral e batatas. As gorduras também são necessárias durante a gravidez, mas é importante escolher as opções saudáveis. Evite gorduras saturadas que se encontram em alimentos processados e fast food, opte, em vez disso, por gorduras não saturadas encontradas em alimentos como abacate, azeite, nozes e sementes. As vitaminas e minerais também desempenham um papel crucial na gravidez. O ácido fólico, por exemplo, é essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso do bebé e pode ser encontrado em alimentos como legumes verdes com folha, brócolos e lentilhas. O ferro é fundamental para prevenir a anemia e pode ser encontrado em alimentos como carne vermelha magra, feijão, espinafre e aveia. Além desses nutrientes, é importante manter uma boa hidratação. Beber bastante água é fundamental para o bom funcionamento do corpo, ajudando a manter-se hidratada e saciada.
Por outro lado, existem alguns alimentos que devem ser evitados durante a gravidez, pois podem representar riscos para a saúde da mãe e do bebé. Alimentos crus, como sushi e ostras, podem conter bactérias ou parasitas que causam infeções. Peixes de alto teor de mercúrio (como tubarão e peixe-espada) devem ser evitados. Carnes mal passadas, carnes frias curadas ou fumadas (ex: chouriço, salame, paio), patês de carne, ovos crus (por ex: mousse, tiramisu, gelados, maionese, massa crua de bolos) e laticínios não pasteurizados também devem ser evitados por causa do risco de infeções alimentares. Quanto a hortícolas e fruta, não deve consumir estes alimentos mal lavados ou não desinfetados, nem crus, sendo que, caso haja dúvidas face à higiene adequada dos mesmos (ex: restaurantes) estes não devem ser consumidos. Além disso, é recomendado evitar o consumo excessivo de cafeína, não devendo ultrapassar o equivalente a dois cafés expresso por dia. O consumo de bebidas alcoólicas é totalmente desaconselhado na gravidez. Os adoçantes artificiais, como o aspartame, também devem ser evitados devido à falta de estudos sobre o seu impacto na gravidez.
É importante salientar que cada mulher é única. É por isso essencial consultar a Equipa de Saúde para avaliar as necessidades individuais e fornecer orientações específicas.
Em conclusão, uma dieta saudável e equilibrada é fundamental durante a gravidez para garantir a saúde e o bem-estar tanto da mãe quanto do feto. Consumir uma variedade de alimentos ricos em nutrientes, aumentar a ingestão calórica com moderação, garantir a adequada ingestão de proteínas, ferro e ácido fólico, manter-se hidratada e evitar alimentos prejudiciais, são cuidados alimentares essenciais para uma gravidez saudável.
Publicado no Diário de Viseu a 08-11-2023.
Vera Abreu
Médica, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Cidade Jardim,
em colaboração com a UCC Viseense
Doença Pneumocócica – O que é e como podemos prevenir?
A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, também conhecida como Pneumococo, que, ao infetar o organismo, pode causar um amplo espectro de doenças, desde otite, pneumonia, meningite e até infeção generalizada do sangue. A infeção por esta bactéria pode ocorrer em qualquer faixa etária, sendo que os grupos mais frequentemente afetados são crianças no 1º ano de vida e pessoas adultas com mais de 65 anos de idade.
A infeção por Pneumococo é uma das causas mais importantes de doença e mortalidade em todo o mundo, sendo responsável, segundo a OMS, por aproximadamente 1.6 milhões de mortes por ano. Em Portugal Continental, entre 2000 e 2009, a pneumonia adquirida na comunidade representou 3,7% do total de internamentos na população adulta.
A doença pneumocócica é mais frequente nos meses de inverno e os quadros mais graves ocorrem normalmente em adultos com mais de 65 anos, fumadores, consumo excessivo de álcool, diabéticos ou doentes com doenças crónicas dos pulmões, coração, fígado e rins, doentes com diminuição das defesas do organismo (HIV, neoplasias, tratamento com imunossupressores, etc.) ou doentes sem baço ou com doença que afete o baço.
O Pneumococo transmite-se de pessoa para pessoa, através das gotículas emitidas com a tosse e espirros e através do contacto com secreções respiratórias de uma pessoa infetada pela bactéria.
A infeção pela bactéria Streptococcus pneumoniae manifesta-se através de inúmeros sintomas, dependendo da gravidade da doença. Os mais comuns incluem tosse com expetoração, dificuldade respiratória, febre e dor no peito. Ao contrário de algumas doenças como o sarampo ou a varicela (em que o corpo cria imunidade duradoura e é pouco provável que voltemos a ter a doença), a doença pneumocócica pode ocorrer mais que uma vez ao longo da vida do indivíduo, uma vez que existem dezenas de variantes do Pneumococo e cada uma delas exige ao sistema imunitário que se adapte e desenvolva novas defesas.
A doença pneumocócica pode ser tratada com recurso a antibióticos que devem ser sempre prescritos por um/a médico/a após recolha da história clínica e exame físico. No entanto, o Streptococcus pneumoniae é bastante adaptável e pode desenvolver resistência aos antibióticos. Por isso, é essencial focarmos a nossa atenção na prevenção da doença.
Será sempre importante a pessoa ter hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada e exercício físico regular, e manter a vigilância e tratamento das suas doenças crónicas junto da equipa de saúde. São ainda essenciais as medidas de higiene e etiqueta respiratória, sempre que estiver doente ou em contacto com pessoas com sistema imunitário comprometido.
No entanto, é de assinalar que a doença pneumocócica é a principal causa de morte que pode ser prevenida através da vacinação, sendo esta a nossa maior arma para a prevenção da doença. A vacina anti-pneumocócica está disponível em Portugal e é comparticipada em determinados grupos de risco. Mas então quem deve ser vacinado? Depende da idade e dos fatores de risco de cada individuo;, a vacina está indicada nas seguintes situações:
Pessoas saudáveis com idade ≥ 65 anos
Fumadores e/ou consumidores excessivos de álcool
Pessoas com doenças crónicas como diabetes ou com doença dos pulmões, coração, baço, fígado e rins
Doentes com sistema imunitário comprometido
Doentes candidatos a transplante ou transplantados
Residentes em lares ou outras instituições
A vacinação ocorre normalmente nos meses de Outono/Inverno. No entanto, pode ser feita sempre que estiver indicada de acordo com o aconselhamento médico. Para a pessoa adulta saudável com idade ≥ 65 anos está indicado vacinar apenas uma vez. Se a vacinação ocorreu antes dos 65 anos ou se tiver alguma das situações já referidas, diminuição das defesas, fumador/a ou residente em lar, deve falar com a sua Equipa de Saúde Familiar e discutir o melhor esquema vacinal para a sua situação específica.
Quando é possível, é melhor prevenir!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/doenca-pneumococica-ndash-o-que-e-e-como-podemos-prevenir/
Inês Laia
Médico, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Viriato,
Andreia Lasca
Médica, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Viriato,
em colaboração com a UCC Viseense
Prevenção de Acidentes na Criança
As férias de verão, altamente antecipadas pelas crianças, constituem um período do ano que possibilita uma pausa da escola e uma oportunidade para descansarem, passarem tempo com as suas famílias e, acima de tudo, explorarem o mundo ao seu redor.
Estas são, no entanto, um momento de maior exposição a determinados perigos, como quedas, acidentes de trânsito e afogamentos.
Quedas:
É muito importante ter em mente os locais e mecanismos facilitadores de quedas em crianças, como janelas, varandas ou escadas. Principalmente com crianças mais novas, até aos 4 anos, é muito importante não deixá-las sem supervisão junto destes locais e, ainda assim, colocar proteções nas janelas ou, em alternativa, abri-las na vertical, se possível. Também é essencial afastar mobília ou objetos que facilitem o acesso a pontos elevados, principalmente quando há crianças “alpinistas” em casa. Para as escadarias, uma opção cada vez mais utilizada é a instalação de pequenos portões que barram o acesso às mesmas pelas crianças. Há ainda outras medidas gerais a adotar em casa, como evitar tapetes ou a permanência de objetos no chão que possam precipitar uma queda.
Acidentes de trânsito:
Os acidentes de trânsito são uma das principais causas de morte em crianças, sendo a primeira causa de morte entre os 15 e os 29 anos de idade, e a principal causa de morte em crianças do sexo masculino entre os 5 e os 14 anos. Embora a construção de vias pedestres seja uma aposta clara no nosso país, a verdade é que, em muitas regiões, os peões ainda têm de caminhar em passeios estreitos, ou mesmo na berma da estrada, colocando em risco a sua vida pela possibilidade de atropelamento. É muito importante que as crianças, principalmente as mais novas, sejam sempre acompanhadas por adultos quando caminham neste tipo de vias, e que lhes sejam ensinadas as regras básicas de pedestres (caminhar do lado da estrada contrário ao sentido dos veículos motorizados, sem auriculares nem outros impedimentos à audição e visão, atravessar a estrada nas passadeiras e cumprir os sinais de trânsito, como os semáforos). Os mesmos conselhos se dão às crianças condutoras de veículos não motorizados, como as bicicletas. Nestas situações, é ainda essencial o uso de capacete apropriado, para proteção não só em caso de queda, mas também de choque com outro veículo ou pedestre.
Há ainda que ter em consideração que cerca de 36% das mortes de crianças por acidentes de trânsito ocorrem em acidentes de viação, sendo o risco maior quando viajam sem o equipamento de proteção adequado (cadeira, banco e cinto), pelo que este não deve ser (nunca) descartado, mesmo para viagens mais curtas.
Afogamentos:
A segunda causa de morte em crianças entre os 5 e os 14 anos, e a principal causa de morte em crianças até aos 4 anos de idade é o afogamento, sendo muito importante perceber que pode ocorrer em segundos, tende a ser silencioso e pode acontecer a qualquer pessoa, desde que haja acesso a água.
Nos Estados Unidos da América há cerca de 4000 afogamentos acidentais por ano (11 por dia) e 8000 afogamentos não fatais (média de 22 por dia). 40% dos afogamentos não fatais necessitam de internamentos prolongados e podem estar na origem de doenças ou sequelas crónicas, nomeadamente cerebrais (versus os 10% de internamentos associados a outros tipos de trauma). Em Portugal, entre 2002 e 2021, faleceram 286 crianças por afogamento, segundo um relatório da Associação para a Promoção da Segurança Infantil. As crianças, principalmente as mais novas, têm um maior risco de afogamento. As aulas de natação são uma excelente medida para diminuir o risco de afogamento. Embora crianças que saibam nadar também tenham que ser vigiadas quando na proximidade de água, os estudos indicam que a probabilidade de afogamento nestas crianças é menor. Se têm piscinas em casa, nos momentos em que as crianças não estão supervisionadas, ou estando, não seja suposto terem acesso à água, mantenham a piscina resguardada com uma cobertura ou cerca com portão, para limitar o acesso à mesma. Em barragens, rios ou no mar, a utilização de coletes salva-vidas, boias ou braçadeiras possibilita uma proteção adicional e nunca deve ser descurada. Nunca deixem as crianças na água sozinhas, mesmo que estejam a ser vigiadas de fora. Bastam alguns segundos para alguém se afogar, e muitas vezes ninguém dá conta, pois é silencioso!
Aplicando estas medidas, os pais poder-se-ão sentir mais seguros, e as crianças poderão aproveitar ao máximo as suas férias de verão a explorar o mundo ao seu redor, em segurança.
Publicado no Diário de Viseu a 25-10-2023.
Cláudia Rodrigues
Médica, IFE Medicina Geral e Familiar, Grão Vasco
Daniela Oliveira
Médica, IFE Medicina Geral e Familiar, Grão Vasco ,
em colaboração com a UCC Viseense
Alimentação Saudável
A 16 de outubro comemorou-se o Dia Mundial da Alimentação - data que pretende consciencializar para questões relacionadas com a nutrição e alimentação, no sentido de se promover uma melhoria do estado nutricional da população, através de um padrão alimentar saudável.
Sabia que 9,5% do número de anos perdidos de vida saudável é devido aos hábitos alimentares inadequados?
Atualmente, os hábitos alimentares inadequados são um dos principais determinantes da perda de anos de vida saudável em Portugal, sendo um dos fatores de risco modificáveis que mais contribui para a mortalidade nosso país.
Em Portugal, 86% da carga da doença corresponde a doenças crónicas e mais de 50% doas pessoas adultas apresentam excesso de peso, traduzindo-se esta prevalência em cerca de 1 milhão de pessoas obesas e 3,5 milhões com pré-obesidade.
O consumo insuficiente de fruta, hortícolas, cereais integrais e frutos oleaginosos e, por outro lado, o consumo excessivo de sal estão entre os principais comportamentos alimentares inadequados.
Para inverter esta tendência é importante implementar o hábito diário de uma alimentação saudável que melhora tanto a nossa saúde física como mental e emocional.
A nossa dieta deve ser completa, variada e equilibrada para nos proporcionar a energia necessária e bem-estar, sendo que para nos auxiliar na escolha dos alimentos mais adequados temos a Roda dos Alimentos.
A Roda dos Alimentos é um guia que nos ajuda a escolher e a combinar os alimentos que devem fazer parte da nossa alimentação diária.
Este guia, em forma de círculo, encontra-se divido em diferentes segmentos – Grupos de Alimentos (7 grupos) – que agrupam alimentos com características semelhantes quanto à sua composição nutricional.
Os grupos de alimentos estão representados em diferentes proporções, identificando os grupos que devem estar presentes em maior quantidade na nossa alimentação (grupos de maior dimensão) e os grupos que devem estar presentes em menor quantidade (grupos de menor dimensão). Assim sendo, a proporção de peso com que cada um dos grupos de alimentos deve estar presente na nossa alimentação diária é a seguinte:
l Cereais e derivados, tubérculos: 4 a 11 porções (28%);
l Hortícolas: 3 a 5 porções (23%);
l Fruta: 3 a 5 porções (20%);
l Lacticínios: 2 a 3 porções (18%);
l Carnes, pescado e ovos: 1,5 a 4,5 porções (5%);
l Leguminosas: 1 a 2 porções (4%);
l Gorduras e óleos: 1 a 2 porções (2%).
A água encontra-se no centro da Roda porque está representada em todos os grupos, uma vez que faz parte da constituição de quase todos os alimentos e porque deve ser ingerida livremente ao longo do dia, pois é imprescindível à vida. É fundamental que se beba a quantidade de água recomendada, diariamente, sendo que pode variar entre 1,5 a 3 litros por dia.
Importa ainda salientar que, para além de adotar um padrão alimentar mediterrânico, também se deve associar a este um estilo de vida saudável, nomeadamente com a prática regular de exercício físico, sempre dentro das possibilidades individuais de cada pessoa.
Escolha um novo hábito alimentar saudável e comece já hoje a investir na sua saúde!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/alimentacao-saudavel/
Emília Esteves
Especialista em Enfermagem de Reabilitação
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
A sopa é um prato saudável!
O Dia Mundial da Alimentação que é celebrado anualmente, a 16 de outubro, desde 1981, visa promover a reflexão no que diz respeito à situação atual da alimentação no mundo.
Este ano, o tema proposto é, “Água é vida, água é alimento. Não deixar ninguém para trás”. Pretende-se que todas as pessoas possam ter acesso a uma alimentação saudável, de qualidade e em quantidade suficiente, por outro lado lembrar a importância da água como um bem essencial, mas também como um alimento.
Este é o mote para falarmos de um prato que faz parte da tradição gastronómica portuguesa, cujo principal componente é a água e que deve estar presente numa alimentação saudável, trata-se da Sopa!
A sopa é confecionada habitualmente por cozedura em água, de uma variedade de alimentos predominantemente vegetais (legumes/leguminosas), aos quais se adiciona um pouco de gordura e por vezes também carne, peixe ou ovo. Por incluir alimentos dos vários grupos, a sopa pode ser uma ótima fonte de vitaminas, minerais, proteínas e fibra.
Iniciar o almoço e o jantar com uma sopa reduz a quantidade total de calorias ingeridas nessa refeição pois favorece uma sensação de saciedade mais rápida e mais duradoura. Se forem escolhidos ingredientes de baixo teor calórico, a sopa pode ser um ótimo aliado quando o objetivo é manter um peso saudável ou até perder peso.
As sopas podem ser consumidas por toda a família, pois dificilmente contêm ingredientes que façam parte da lista de alimentos proibidos ou restritos, são também uma forma de garantir que as crianças consomem os legumes necessários para o seu desenvolvimento harmonioso.
Permitem obter refeições rapidamente, quando confecionadas em maior quantidade e armazenadas no frigorífico para consumo no prazo de três dias, ou no congelador onde podem manter-se até três meses. Para além de saudável, a sopa pode estar facilmente disponível de uma forma prática, pois basta aquecer na hora e servir, sem ter de cozinhar todos os dias.
Para que a sopa seja de facto um prato saudável, é importante que a quantidade de gordura e de sal, adicionada seja reduzida. Uma boa estratégia para o conseguir passa por adicionar temperos como especiarias e ervas aromáticas (orégão, salsa, coentro, alho ou gengibre).
Em síntese, podemos identificar algumas das vantagens de comer sopa:
● Fonte de nutrientes variados e hidratação;
● É de fácil digestão;
● Favorece uma saciedade mais rápida e prolongada;
● Ajuda a introduzir legumes na alimentação das crianças;
● É fácil de confecionar;
● É barata e pode ser consumida por toda a família.
Incluir sopa na nossa alimentação traz vários benefícios à saúde e é uma boa forma de nos hidratarmos.
Publicado no Diário de Viseu a 11-10-2023.
Ana Santos Oliveira
Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária,
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Vacina Sazonal contra a COVID 19 e Gripe
(época 2023/2024) ….
Seguramente que sim!
A vacinação é um direito e um dever dos cidadãos! É um ato de cidadania, responsabilidade social e de Saúde Publica!
“O Programa Nacional de Vacinação (PNV) é um programa universal, gratuito e acessível a todas as pessoas presentes em Portugal. Tem como objetivo proteger os indivíduos e a população em geral contra as doenças com maior potencial para constituírem ameaças à saúde publica e individual para as quais há proteção eficaz pela vacinação. A Universalidade, gratuitidade, acessibilidade e equidade são os princípios básicos do PNV “(PNV, 2020).
As vacinas são ferramentas, seguras e eficazes, que previnem o contágio de doenças infeciosas através do estímulo da produção de anticorpos. As vacinas ajudam também a impedir a transmissão destas doenças na comunidade, representando por isso uma das conquistas mais significativas para a saúde pública. As vacinas são seguras! Todas as vacinas passam por rigorosos testes de segurança, antes de serem aprovadas. Somente são distribuídas aquelas que atendam a rigorosos padrões de qualidade e segurança. A doença apresenta, por vezes, riscos graves, podendo deixar sequelas e até levar a morte. As vacinas podem apresentar alguns efeitos esperados, sendo a maioria dor local, febre ou mal-estar.
A campanha de vacinação sazonal contra a COVID 19 e gripe, Outono/Inverno 2023/2024, mantém o objetivo de proteger as populações mais vulneráveis; prevenir a doença grave, hospitalização e morte.
A norma da DGS nº 005/2023 de 13/09/2023 “Campanha de vacinação sazonal contra a COVID 19: Outono-Inverno 2023/2024, define o modo de operacionalizar a vacinação, recomendando a coadministração das vacinas contra a gripe e contra a COVID 19, sendo esta uma estratégia segura e eficaz. A vacinação pode ser realizada nas Unidades dos Cuidados de Saúde Primários ou nas Farmácias Comunitárias, necessitando esta última de respeitar os seguintes critérios para o efeito:
·Pessoas com 60 ou mais anos (critério idade como critério único, que se sobrepõem ao critério patologia de risco) que cumpram os seguintes requisitos:
1. Sem história de reação adversa grave após vacinação anterior;
2. Vacinação com vacina de tecnologia mRNA numa dose anterior;
3. Sem outras situações agudas que impeçam a vacinação no momento.
Nas Unidades Funcionais do SNS serão vacinadas todas as pessoas que não cumpram os critérios anteriores; pessoas com menos de 60 anos de idade com determinadas patologias de risco; vacinação por contexto (ERPI; RNCCI; etc); profissionais dos serviços de saúde (entre outros) e grávidas.
Em caso de dúvida, onde pode dirigir-se para ser vacinado, contacte a sua Equipa de Saúde Familiar!
Não esqueça: A vacinação vai muito além da proteção individual… é também um ato de altruísmo e cidadania!
Publicado no Diário de Viseu a 27-09-2023.
Emilia Maria Cruz Costa Rodrigues
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica,
Em colaboração com a UCC Viseense
Cuidar do coração, hoje e sempre!
O Dia Mundial do Coração comemora-se, anualmente, a 29 de setembro. Foi criado pela Federação Mundial do Coração (World Heart Federation) e tem como objetivo informar e sensibilizar a população sobre as doenças cardiovasculares.
Esta efeméride visa alertar para a necessidade de controlar os principais fatores de risco, tais como tabagismo, alimentação pouco saudável e sedentarismo, de forma a evitar mortes prematuras por doenças cardíacas.
O impacto da comemoração do Dia Mundial do Coração é significativo, pois é uma oportunidade de lembrar a comunidade sobre a importância de manter uma boa saúde cardíaca. Ao conscientizar sobre os fatores de risco para as doenças cardiovasculares e promover hábitos saudáveis, contribui para reduzir a incidência de doenças cardíacas e melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem desta doença. Vamos aproveitar esta ocasião para educar, a nós mesmos e aos outros sobre a importância da saúde do coração e para dar passos em direção a um futuro mais saudável. É do conhecimento geral que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal e no Mundo. São muitas as causas, desde o tabagismo, a diabetes, a hipertensão arterial e a obesidade, passando pela poluição atmosférica. A maioria destas causas está associada a hábitos e a comportamentos que em nada abonam a saúde das pessoas, por exemplo 80% dos indivíduos que têm um enfarte agudo do miocárdio antes dos 45 anos, são fumadores.
As doenças cardiovasculares estão associadas a um conjunto de fatores que se designam fatores de risco. Alguns não podem ser modificados, como a hereditariedade, o sexo e a idade. Outros, pelo contrário, podem ser modificados com medidas de estilo de vida e medicamentos.
Os principais fatores de risco, que podem ser prevenidos são: sedentarismo; hipertensão; tabagismo; stress; obesidade; diabetes e dislipidemia.
O rastreio e o diagnóstico médico são fundamentais para avaliar o risco de ter uma doença cardiovascular. Quanto mais precoce é o diagnóstico, maiores são as possibilidades de impedir o aparecimento ou o agravamento de doença cardiovascular. Uma particularidade dos fatores de risco é que, pior do que se adicionarem, eles potenciam-se, ou seja, agravam-se mutuamente.
O que devemos fazer para cuidar do nosso coração?
Adotar uma alimentação e um conjunto de hábitos de vida saudáveis
Exercício físico, como por exemplo, caminhar em passo rápido, cerca de 30 minutos, por dia reduz o risco de enfartes em mais de 30%;
Ir ao médico e fazer exames de diagnóstico, devem fazer parte da nossa rotina. Não procurar ajuda, apenas, quando nos sentimos mal;
Valorizar, sempre, os sinais que o corpo dá, nem que seja uma aparente e insignificante palpitação.
Todos os anos, as doenças do coração matam mais de 30 mil pessoas em Portugal, não façamos parte desta estatística, vamos fazer mais por nós!
Agora, que se vai iniciar a época da vacinação da gripe, vacine-se! Especialistas alertam para a importância da vacinação contra a gripe para quem tem doenças do coração e lembram que, dias depois de uma infeção gripal, o risco de enfarte do miocárdio é mais de 10 vezes superior.
Se tiver alguma dúvida, consulte sempre a sua equipa de saúde familiar, com certeza que o vai esclarecer e ajudar!
Use o coração para ser mais ativo, use o coração para fazer opções alimentares mais saudáveis, use o coração para deixar de fumar. Faça-o por si e pelos seus e… por uma humanidade mais saudável!
Cuide do coração! Hoje e sempre!
Comemore o Dia Mundial do Coração com o Coração!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/cuidar-do-coracao-hoje-e-sempre/
Enfermeiro Diogo Carvalhais
Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica,
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
“Vamos Agir Criando Esperança!”
O Dia Mundial da Prevenção do Suicídio foi criado em 2003 pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS). O dia 10 de setembro, dia escolhido para celebrar esta efeméride, visa chamar a atenção para esta temática, tentando reduzir o estigma e sensibilizar as instituições, os governos e o público em geral, através da disseminação da mensagem curta e categórica de que o suicídio é evitável.
Segundo a OMS, em média, quase 3.000 pessoas, cometem suicídio diariamente. Por cada pessoa que comete suicídio, 20 ou mais tentam acabar com a sua vida (tentativa de suicídio). Assim, cerca de um milhão de pessoas morrem, por suicídio, a cada ano.
Como já referido anteriormente, o suicídio é uma das principais causas evitáveis de morte prematura, que é influenciado por fatores de risco das mais diversas origens: psicossociais, culturais e ambientais, podendo estes ser prevenidos através de respostas mundiais, nacionais e/ou locais que abordem e intervenham nestes fatores de risco. Neste sentido, sendo o suicídio um importante problema de saúde pública com consequências sociais, emocionais e económicas de longo alcance, há fortes evidências que indicam que a prevenção adequada pode reduzir as taxas de suicídio, pois todos percebemos que cada suicídio afeta não só a pessoa que o comete mas também, afeta profundamente, as mais diversas pessoas ligadas a esta.
A pandemia que se viveu recentemente em nada ajudou a melhorar a realidade relatada. O impacto na saúde mental resultante do distanciamento social, da necessidade de isolamento por infeção por COVID-19 e das crises financeiras foram fatores de risco associados ao suicídio e/ou tentativas de suicídio, neste período. As mudanças inesperadas de comportamento durante a pandemia por COVID-19 contribuíram para a tendência crescente de suicídios e tentativas de suicídio relatadas. Os conflitos domésticos e violência, perdas financeiras, ansiedade e depressão e outras condições de saúde mental pré-existentes devem então ser consideradas na prevenção de tentativas e mortes por suicídio, secundárias à pandemia por COVID 19.
Mas... Há sempre algo que TODOS NÓS podemos fazer!
“Criar Esperança através da Ação” é o tema trienal do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio (2021-2023). Este lema é um apelo poderoso à ação, de e para todos nós, que através das nossas ações podemos encorajar a esperança e reforçar a prevenção, bem como serve como um lembrete de que existe uma alternativa ao suicídio.
Ao criar esperança através da ação, podemos transmitir às pessoas que têm pensamentos suicidas (ideação suicida) que existe esperança e que nós nos importamos e queremos apoiá-las. Também sugere que as nossas ações, independentemente de serem grandes ou pequenas, podem proporcionar esperança àqueles/as que estão em dificuldades e “perdidos” neste caminho.
A mensagem que se quer transmitir é clara – pedimos-lhe que nos ajude a criar esperança através da ação, refletindo sobre como pode apoiar alguém que possa estar a ter pensamentos suicidas ou em risco de suicídio. Incentivar a compreensão e a partilha de experiências cria uma sociedade onde as pessoas têm confiança para agir, construindo mais esperança para o futuro!
Publicado no Diário de Viseu a 13-09-2023.
Enfermeira Rita Andrade
Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária,
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
UCC OU UCCi... Sabe a diferença?
O dialeto nos cuidados de saúde é inundado de siglas, ouvimos as mais diversas siglas – vocábulo formado com as letras ou sílabas iniciais de uma sequência de palavras e que geralmente se pronuncia soletrando o nome de cada letra – muitas vezes nem sequer sabemos o que significam ou podemos associar a, termos, palavras, equipas ou entidades distintas daquelas a que a abreviatura se refere.
Estas associações erradas podem levara que haja confusão / falhas na comunicação e até mesmo influenciar/ prejudicar todos os processos do cuidar. Exemplo evidente do descrito é a sigla UCC.
De forma reiterada (e incorreta) as pessoas usam habitualmente a sigla UCC para indicar as “Unidade de Cuidados Continuados”, contudo a verdadeira designação destes serviços seria UCCI (Unidade de Cuidados Continuados Integrados). A sigla UCC remeterá então para as Unidades de Cuidados na Comunidade.
Dito isto, qual é realmente a diferença entre estas designações abreviadas que são tão distintas, mas existem em função de um bem comum?
As UCCI (Unidade de Cuidados Continuados Integrados) integram-se na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e têm como missão proporcionar conforto, bem-estar e cuidados de saúde e humanos, prevenindo o agravamento de situações de dependência e promovendo a autonomia das pessoas, numa perspetiva de solidariedade social e empowerment, em regime de internamento.
Estas podem ser de três tipologias: Unidades de Convalescença; Unidades de Média Duração e Reabilitação; Unidades de Longa Duração e Manutenção. Estas tipologias diferenciam-se entre cuidados dirigidos a pessoas que não necessitam de cuidados hospitalares, mas que devido a uma situação de doença súbita ou ao agravamento duma doença ou deficiência crónica, requeiram cuidados de saúde que, pela sua frequência, complexidade ou duração, não possam ser prestados no domicílio, necessitam de reabilitação para ganho de autonomia, ou quando aumenta o grau de complexidade de cuidados à pessoa.
Então o que são as UCC? As UCC são Unidades de Cuidados na Comunidade que prestam cuidados de saúde e apoio psicológico e social, de âmbito domiciliário e comunitário, especialmente às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento próximo, e atuam, ainda, na educação para a saúde, na integração em redes de apoio à família e na implementação de unidades móveis de intervenção.
Sabia que, em Viseu existem duas UCC que intervêm nos/as utentes / comunidades do Concelho?
Gostaria de falar um pouco sobre a nossa, a UCC Viseense, que é uma Unidade de Cuidados na Comunidade do ACeS Dão Lafões, sediada no Centro de Saúde Viseu 3 (Jugueiros). A população alvo é constituída pelos utentes inscritos nas três Unidades de Saúde Familiar (USF) do mesmo Centro de Saúde: USF Cidade Jardim, USF Grão Vasco e USF Viriato, bem como da USF São Teotónio (sediada na rua João Mendes, N.º 72, Viseu), intervindo, também, de forma articulada com algumas instituições locais sedeadas nas freguesias: União de Freguesias Boa Aldeia, Farminhão e Torredeita, União de Freguesias dos Coutos, União de Freguesias de Vila Chã de Sá e Fail, União de Freguesias Repeses e São Salvador, em Lordosa, Calde, Silgueiros, Ranhados, São João de Lourosa e Fragosela.
A UCC Viseense tem como missão prestar cuidados de saúde de domínio biopsicossocial de âmbito domiciliário e comunitário, às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física/psíquica e funcional. Atuamos na literacia em saúde e na integração em redes de apoio à família, garantindo sempre a continuidade, a acessibilidade, a satisfação dos utentes, o rigor e a excelência na prestação de cuidados.
Dividimos a nossa intervenção em 4 grandes áreas de atuação:
Equipa de Cuidados Continuados Integrados (ECCI), equipa integrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados e Integrados que presta cuidados no domicilio;
Saúde Escolar (integrando a Equipa Local de Saúde Escolar de Viseu), realizando formação no âmbito dos vários programas de Saúde à comunidade escolar (Docentes, não docentes, alunos/as e Encarregados/as de Educação);
Apoio a utentes/grupos vulneráveis;
Intervenção comunitária no âmbito do Estatuto do Cuidador Informal e em parcerias com entidades/instituições locais;
A equipa é dotada de enfermeiros especialistas nas diversas áreas do cuidar, possibilitando ao utente receber cuidados altamente especializados em diversas áreas.
Trabalhamos em estreita articulação com as Equipas de Saúde Familiar, Unidade de Saúde Pública, Agrupamentos de Escolas e Escolas Não Agrupadas, Câmara Municipal de Viseu, Juntas de Freguesia e outros parceiros.
Todas estas Unidades fazem parte do nosso Serviço Nacional de Saúde, permitindo responder às necessidades das pessoas em cuidados especializados nas diversas áreas.
Toda a intervenção e articulação promovida pela UCC Viseense é gratuita para o/a utente e integrada nos Cuidados de Saúde Primários.
Venha conhecer a nossa Unidade, pesquise no seguinte Link: https://sites.google.com/view/uccviseense/quem-somos
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/ucc-ou-ucci-sabe-a-diferenca/
Catarina Reis
Rui Gonçalves
Vanessa Rodrigues
Médic@s, IFE Medicina Geral e Familiar, na USF Grão Vasco,
em colaboração com a UCC Viseense
Atividade física: sim ou sim?!
O sedentarismo é considerado um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crónicas (doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, diabetes mellitus tipo 2 ou neoplasias), daí que a prática de exercício físico aliada a outros hábitos de vida saudáveis seja fundamental para a sua prevenção.
A atividade física tem inúmeros benefícios, por exemplo, fortalecer músculos e ossos, estimular o movimento e a coordenação, melhorar a qualidade do sono, ajudar a reduzir os sintomas de depressão e ansiedade, promover a confiança e competências sociais ou melhorar o rendimento académico e profissional. Tem-se também demonstrado que diminui a deterioração cognitiva associada ao envelhecimento, com benefícios na saúde cerebral e melhoria da memória.
No caso particular de doentes com diabetes mellitus tipo 2, a realização de exercício físico ajuda no melhor controlo da doença e na prevenção das suas complicações. Nas pessoas que, pelos antecedentes familiares, tenham risco elevado de desenvolver diabetes, a prática de exercício físico pode diminuir em 50% o desenvolvimento e/ou progressão da doença.
Em Portugal, num estudo realizado em 2022, 73% dos inquiridos revelaram que não praticavam exercício físico regularmente, e apenas 4% referiam praticá-lo de forma regular. A ausência de prática de exercício físico traduz-se num risco acrescido de morte entre 20 a 30%, quando comparado com pessoas fisicamente ativas. Assim, sabe-se que poderiam ser evitadas até 5 milhões de mortes por ano se as pessoas fossem fisicamente mais ativas. Para além disto, indivíduos que sejam fisicamente ativos, acabam por ter menos gastos relacionados com os cuidados de saúde, daí que a promoção do exercício físico beneficie a saúde individual e da população.
Se deixou de praticar exercício há alguns anos, ou caso nunca tenha praticado, e porventura pensa que já é tarde para retomar ou iniciar, estudos demonstram que tem igualmente benefício significativo em relação à morte prematura. Nesses casos, pedir ajuda profissional poderá ser importante para adequar o tipo de exercícios às suas capacidades e limitações. Consultar a sua Equipa de Saúde Familiar, poderá ser uma opção!
A intensidade e a duração de atividade física variam de acordo com o escalão etário, comorbilidades, entre outros fatores. De forma geral, os estudos indicam que as crianças e adolescentes beneficiam com a realização de pelo menos 150 minutos por semana de exercício de intensidade moderada a vigorosa (pelo menos 30 minutos durante 5 dias da semana), enquanto os adultos devem realizar pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física aeróbia de intensidade moderada, ou pelo menos 75 a 150 minutos de atividade física aeróbia de intensidade vigorosa. Em particular, para as pessoas com mais de 65 anos, deve ser privilegiada a prática de exercícios que promovam o equilíbrio e o fortalecimento muscular auxiliando desta forma na prevenção de quedas.
Existem várias medidas que pode adotar no seu dia a dia, para que se torne uma pessoa fisicamente ativa. Sugerimos algumas:
· Vá de bicicleta ou a pé para o local de trabalho ou opte por um lugar de estacionamento mais distante;
· Escolha escadas em detrimento do uso de elevadores;
· Durante as pausas de almoço opte por fazer uma caminhada;
· Planeie atividades ao ar livre com a família.
· Desta forma, estará a incorporar a atividade física no seu dia a dia, sem exigir necessariamente uma mudança drástica da sua rotina.
Por fim, importa reter que a prática de atividade física, mesmo de curta duração, é melhor, e é mais benéfica do que não praticar exercício físico.
Publicado no Diário de Viseu a 30-08-2023.
Enfermeira Teresa Martins
Especialista em Enfermagem de Reabilitação
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
O verão está a terminar, mas nunca é tarde para movimentar!
A atividade física é uma necessidade básica do ser humano, contribui para o bem-estar físico e mental e é essencial no combate ao sedentarismo e aos seus efeitos nocivos.
Desenvolver, regularmente, alguma forma de atividade física, permite aumentar a longevidade e reduzir o risco de muitas doenças. Mesmo as pessoas que sofrem doença crónica podem beneficiar com a prática de atividade física.
A inatividade física está associada a vários problemas de saúde e por conseguinte a um aumento dos custos para os sistemas de saúde, levando a uma sobrecarga dos serviços com doenças que poderiam ser prevenidas. Apesar de estarem bem documentados os benefícios relacionados com a prática de atividade física, as estatísticas apontam para que uma parte significativa da população continua a não ser suficientemente ativa.
Sabe-se que a prática regular de atividade física ajuda a controlar diversos fatores de risco, contribuindo para a prevenção de um conjunto de doenças crónicas não transmissíveis, entre as quais podemos salientar: doenças cérebro-cardiovasculares como o acidente vascular cerebral (AVC) e o enfarte agudo do miocárdio (EAM), cancro, diabetes e doenças respiratórias crónicas como a asma e a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Dados divulgados pela Direção Geral da Saúde (DGS) mostram que atualmente estas são responsáveis por 87% das mortes a nível nacional.
Mesmo quando estas doenças aparecem, a atividade física pode também contribuir para uma melhor gestão das condições crónicas, prevenindo a sua progressão e promovendo uma melhor qualidade de vida.
Adotar estilos de vida fisicamente ativos também produz um impacto positivo na saúde mental, na prevenção de doenças como a demência, por exemplo, e na redução dos sintomas de ansiedade e depressão.
Para além da importância fundamental que tem na prevenção e controlo da doença, a prática regular de atividade física promove, simultaneamente, benefícios para a saúde em todas as fases da vida. Se tivermos como exemplo duas fases da vida de maior suscetibilidade podemos observar que na infância, a prática regular de atividade física está associada a uma maior aptidão física e a uma melhor saúde óssea, já para a pessoa idosa é importante para a manutenção da mobilidade e do equilíbrio e, portanto, um fator essencial na prevenção de quedas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reviu em 2020 as diretrizes para a atividade física e comportamento sedentário, divulgando recomendações, baseadas em evidências, sobre a quantidade de atividade física necessária para se obterem benefícios para a saúde e adicionalmente mitigar os riscos da doença, deixando seis importantes mensagens que todas as pessoas devem conhecer:
1. A atividade física é benéfica para o coração, para o corpo e para a mente. Praticada de forma regular pode prevenir e ajudar a controlar doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e cancro, que causam cerca de três quartos das mortes em todo o mundo. A atividade física também pode reduzir os sintomas de depressão e ansiedade, melhorar o pensamento, a aprendizagem e o bem-estar geral.
2. Qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma, e quanto mais, melhor. Para saúde e bem-estar, a OMS recomenda pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física de moderada intensidade por semana (ou atividade física vigorosa equivalente) para todos os adultos e uma média de 60 minutos de atividade física aeróbica moderada por dia para crianças e adolescentes.
3. Toda a atividade física conta. A atividade física pode ser realizada como parte da atividade laboral, desporto, lazer ou transporte (caminhando, patinando, pedalando), bem como tarefas domésticas e outras tarefas diárias.
4. O fortalecimento muscular beneficia todas as pessoas. Pessoas idosas (65 anos ou mais) devem adicionar atividades físicas que enfatizem o equilíbrio e a coordenação motora, bem como o fortalecimento muscular, para ajudar a prevenir quedas e melhorar o seu estado de saúde.
5. Muito comportamento sedentário pode ser prejudicial à saúde. Pode aumentar o risco de doença (doenças cardíacas, cancro e diabetes tipo 2). Por isso, limitar o tempo sedentário e manter atividade física é bom para a saúde.
6. Todas as pessoas podem obter benefícios com o aumento da atividade física e a redução do comportamento sedentário, incluindo mulheres durante a gravidez e no pós-parto e pessoas que vivem com doenças crónicas ou deficiências.
Para saber se o nível de atividade física que pratica habitualmente é o recomendado, pode contar com a orientação da sua Equipa de Saúde Familiar, no Centro de Saúde.
Também a prática de atividade física ao ar livre e em contextos de natureza, tem recebido crescente atenção por parte da comunidade científica, pelo seu duplo contributo, por um lado, ao nível dos efeitos benéficos potenciados na saúde e bem-estar físico e mental das pessoas, por outro lado, pelo seu contributo para a sustentabilidade dos ambientes naturais.
Neste sentido, participar em atividades pontuais organizadas por diferentes entidades da comunidade pode ser uma forma de iniciar ou manter uma atividade física mais regular.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/o-verao-esta-a-terminar-mas-nunca-e-tarde-para-movimentar/
Carla Pereira Gomes
Médica IFE em Medicina Geral e Familiar na USF Terras de Azurara,
em colaboração com a UCC Viseense
Cuidados a ter com a sua pele no verão!
O verão traz consigo as tão esperadas férias, as roupas decotadas, as horas incontáveis à beira-mar ou no campo e um recarregar de baterias. Contudo, a exposição solar sem proteção tem riscos associados, sendo o mais temido o “cancro de pele”.
Existem vários tipos de tumores malignos da pele, e apesar de não ser o mais frequente, o melanoma é um dos mais graves. O número de casos tem aumentado em Portugal sendo que, em mais de 90% dos casos, o seu desenvolvimento associa-se a queimaduras resultantes da exposição solar excessiva – os, muitas vezes desvalorizados, “escaldões”. Os melanomas podem ainda estar associados a outros fatores de risco, tais como o número de sinais, a localização geográfica, os hábitos tabágicos, a idade, a história familiar e a utilização de terapêutica imunossupressora.
Se o melanoma for identificado numa fase inicial, isto é, apenas atingir a camada mais superficial da pele, pode ser curado. Porém, numa fase mais avançada, pode mesmo atingir outras zonas/órgãos à distância, através da metastização.
A intervenção mais eficaz ao nosso alcance é a prevenção, evitando a exposição solar excessiva. A utilização de protetor solar é essencial, e é relevante salientar que há zonas frequentemente esquecidas, como os pés e orelhas, que também são suscetíveis de desenvolverem queimaduras solares. Recomenda-se o uso de um protetor solar com fator mínimo de 30, apontado o 50+ como o ideal, independentemente da tonalidade da pele, devendo o mesmo ser aplicado a cada 2 horas.
Importa esclarecer que a utilização de protetor solar não torna desnecessário evitar a exposição solar prolongada, especialmente no período compreendido entre as 11h e a 16h.
Devemos estar alerta para determinadas alterações na nossa pele. As seguintes alterações devem motivar preocupação e conduzir à procura de esclarecimento médico:
Mudança de cor, tamanho ou forma de um sinal prévio;
Sangramento/comichão/ardor de um sinal pré-existente;
Surgimento de feridas com uma cicatrização lenta;
Surgimento de novos sinais em fases avançadas da vida (após 40 anos) com uma cor anormal ou forma irregular;
Hematomas/manchas que surgem sob a unha e que não resultaram de trauma.
Durante o verão, é muito importante relembrar o que devemos fazer para nos protegermos e prestar atenção aos sinais de alarme que devem motivar a procura de ajuda médica. Se tiver dúvidas procure a sua equipa de saúde familiar.
Vamos aproveitar o verão, sem esquecer a proteção!
Publicado no Diário de Viseu a 16-08-2023.
Diana Fernandes
Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Aproveite o sol, à sombra!
Verão, calor e férias, são habitualmente 3 palavras que se interligam. Quer seja nas atividades lúdicas organizadas durante as férias escolares, quer seja nos passeios em família, é natural que as crianças e jovens estejam sujeitos à exposição solar direta.
Portugal é um dos países europeus vulneráveis às alterações climáticas e aos fenómenos climáticos extremos, tendo em conta a sua localização geográfica. Alguns dados sugerem inclusive que existe uma tendência para o aumento da temperatura média global assim como para o aumento do número de dias por ano com temperaturas elevadas.
No verão ocorrem frequentemente temperaturas extremas em períodos continuados de tempo, podendo existir efeitos graves sobre a saúde, incluindo desidratação e descompensação de doenças crónicas.
Esta é uma preocupação geral das entidades de saúde, pelo que a DGS elabora anualmente o Plano de Contingência Saúde Sazonal – Módulo Verão. Também a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) tem vindo a desenvolver diversos materiais didáticos com o objetivo de sensibilizar a população, em geral, e as crianças, em particular, para os cuidados a ter com a exposição solar, seja no campo, na praia ou na piscina, seja em atividades lúdicas ou profissionais ao ar livre.
A pele é o maior órgão do corpo humano e a sua função é de proteção contra as agressões externas, sendo que o sol é uma delas.
Sabia que 80% dos raios UV passam através das nuvens e que 20% são refletidos pelo solo e 50% pela água?
Pois é! Mesmo que estejamos à sombra. Daí que seja importante considerar alguns aspetos que nos podem ajudar a aumentar a proteção:
A exposição solar direta deverá ser evitada entre as 11h e as 17h, mesmo nos dias em que está um pouco enevoado;
Utilizar sempre protetor solar com fator de proteção igual ou superior a 30, que deverá ser colocado em casa e reaplicado com frequência;
Utilizar roupa solta e fresca, chapéu de abas largas e óculos de sol com proteção UV (protegem os olhos e as pálpebras, prevenindo o desenvolvimento de alterações como cataratas e, possivelmente, melanomas da retina e degeneração macular relacionada com a idade);
Reforçar a ingestão de água e optar por refeições ligeiras, pouco condimentadas e evitar consumo de álcool. Lembrar que a sede é uma necessidade fisiológica de água;
Evitar atividades que exijam maiores esforços físicos no exterior, pelo risco aumentado de desidratação e/ou golpe de calor.
O sol é fundamental à vida e, em doses moderadas, traz inúmeros benefícios para a saúde e bem-estar, nomeadamente a melhoria do humor, qualidade do sono e a síntese de vitamina D (que atua na saúde óssea, crescimento, imunidade, musculatura, metabolismo e em diversos órgãos e sistemas, como o cardiovascular e o sistema nervoso central).
De forma a aproveitar os benefícios do sol, sem correr riscos desnecessários para a saúde, não se esqueça de cumprir as recomendações da DGS, no que diz respeito à Saúde Sazonal, pois:
O sol é todo igual, independentemente do local!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/aproveite-o-sol-a-sombra-
Ana Santos Oliveira
Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Jornadas Mundiais da Juventude 2023…
Que seja um encontro saudável e seguro!
A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) é um encontro de jovens de todo o mundo com o Papa. Apresenta-se como um convite a uma geração determinada a construir um mundo mais justo e solidário. É aberta a todos/as quer estejam mais próximos ou mais distantes da Igreja. Tendo jovens como protagonistas, a Jornada Mundial da Juventude procura também promover a paz, a união e a fraternidade entre os povos e as nações de todo o mundo.
O local onde se realizam as JMJ é escolhido pelo Papa, decidindo a diocese que as acolherá. A edição de 2023 é organizada pelo Patriarcado de Lisboa, tendo sido instituído para o efeito o Comité Organizador Local (COL): órgão executivo responsável pela preparação e organização da JMJ Lisboa 2023. Realizar-se-á entre os dias 1 e 6 de agosto. Os eventos centrais decorrerão no Campo da Graça (Parque Tejo) e na Colina do Encontro (Parque Eduardo VII).
Ao longo desta semana são esperados 1 milhão de peregrinos/as que serão acolhidos, na sua maioria, em instalações públicas (ginásios, escolas, pavilhões…) e paroquiais ou em casas de famílias. Tendo em conta o descrito, o Plano de Segurança para a JMJ 2023, estipula, entre outros, o reforço das redes de telecomunicações; o aumento da capacidade de resposta e resiliência dos circuitos de comunicação de emergência; 16 mil elementos das forças de segurança, proteção civil e emergência médica, estando ainda prevista a colaboração das forças armadas, Europol e Interpol.
No que concerne aos cuidados em saúde a adotar especialmente durante o evento, salientam-se (tendo em conta as orientações da Organização das JMJ):
Se viajar de avião, solicitar uma declaração médica a indicar que precisa do(s) medicamento(s).
Preparar um kit de Saúde com o objetivo de ajudar a gerir algumas situações de saúde, desde a gestão da doença (se tiver uma doença crónica, não se esqueça de trazer o(s) seu(s) medicamento, até sintomas ligeiros ou mesmo pequenas feridas e lesões (pensos rápidos, soro fisiológico, compressas);
Preparar roupas confortáveis, preferencialmente de algodão e de cor clara, e fresca. Tenha sempre consigo um chapéu para proteção solar, de forma a evitar fenómenos de insolação e queimaduras, não esquecendo o protetor solar;
Os aglomerados são mais propícios à disseminação de doenças infeciosas. Uma das estratégias mais eficazes para prevenir algumas destas doenças é a vacinação;
Antes de viajar, deve avisar uma pessoa familiar ou amiga, próximo do sítio onde vai estar e informar os contactos dos locais onde vai ficar. Definir também quem são os contactos de emergência para que, caso necessário, as autoridades possam entrar em contacto com eles;
Lavar frequentemente as mãos, especialmente antes de comer ou de preparar refeições, depois de utilizar instalações sanitárias, depois de utilizar transportes públicos; consumir água de origem conhecida e segura (rede pública ou água engarrafada); evitar alimentos de risco: marisco, laticínios, alimentos ricos em ovos, cremes ou molhos; não partilhar garrafas/cantis, copos, talheres, roupas ou outros objetos pessoais ou de higiene;
Manter a etiqueta respiratória - higienização frequente das mãos (lavagem ou solução alcoólica); uso de máscara se estiver doente (febre e/ou sintomas respiratórios) ou para proteção individual (especialmente em espaços mal ventilados, transportes públicos ou aglomerados); se tossir ou espirrar, colocar o antebraço a proteger a boca e o nariz; permanecer em espaços bem ventilados;
Tendo em conta a previsão de temperaturas elevadas procurar zonas de sombra para reduzir a exposição solar, sobretudo nas horas de maior calor (10h00-16h00); limitar a atividade física durante os períodos de maior calor. Quando o fizer, faça com utilização de protetor solar, chapéu, roupas largas e leves; beber muita água, regularmente e com refeições ligeiras e frescas. No caso das crianças e das pessoas idosas, promover o consumo de água junto das mesmas, relembrando-lhes e oferecendo-lhes água com regularidade; optar pelo consumo de alimentos frescos e ricos em água.
A prestação de cuidados de Saúde está prevista nos principais locais de dormida, nos locais das catequeses e nos diversos locais de eventos, de acordo com a dimensão dos mesmos. Em vários locais vai poder encontrar tendas de primeiros socorros, estruturas de apoio médico e de enfermagem e, nalguns casos mais específicos, vão existir “hospitais da Jornada” com apoio diferenciado em articulação com as entidades nacionais (https://www.lisboa2023.org).
A Jornada Mundial da Juventude é, em si mesma, uma iniciativa promotora de uma cultura do encontro entre diferentes povos e nações. Rica em convivialidade, alegria e conhecimento!
Se participar nas JMJ cumpra as normas de saúde e segurança sugeridas!
Bom evento!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/jornadas-mundiais-da-juventude-2023-hellip-que-seja-um-encontro-saudavel-e-seguro-
Emilia Esteves
Especialista em Enfermagem de Reabilitação
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
A Educação terapêutica na diabetes
O Atlas da Diabetes de 2021 confirma que a Diabetes Mellitus é uma das emergências de saúde globais do século XXI, estimando-se que 537 milhões de pessoas tenham diabetes e prevendo-se que este número continue a aumentar. No mundo, o número de pessoas com diabetes tipo 2 pode atingir 1.300 milhões em 2050, mais do dobro que em 2021.
A diabetes será uma doença definidora deste século. O número de crianças e adolescentes até aos 19 anos com diabetes tipo 1 e 2 também aumenta todos os anos.
Viver com uma doença crónica como a diabetes não é fácil!
As pessoas com diabetes e as suas famílias têm uma grande responsabilidade na gestão do seu tratamento e têm de, diariamente, tomar múltiplas decisões , pois os objetivos de controlo glicémico são muito exigentes. Para controlar a doença e serem responsáveis pela sua gestão, necessitam de compreender bem o que é a diabetes, e serem capacitados para tomar as decisões mais corretas no seu dia a dia.
Os profissionais de saúde têm um papel muito importante relativamente ao processo de procura da auto motivação e estimulação do sentimento de autoeficácia. A autoeficácia consiste na confiança que a pessoa tem nas suas próprias capacidades para realizar ou manter determinada ação, apesar dos obstáculos ou desafios. A autoeficácia evolui com a experiência e com a aquisição de conhecimentos. Para ajudar a pessoa a desenvolver esta capacidade, o profissional de saúde deverá ser empático, demonstrar que está interessado em compreender o que a pessoa está a pensar, a sentir, garantir e confirmar que a mensagem que está a ser transmitida é compreendida.
A Educação Terapêutica na gestão da doença crónica através da comunicação empática, permite conhecer melhor as pessoas, dando ênfase às competências a desenvolver no processo de ensino-aprendizagem, na educação individual/familiar. Compreende as perspetivas e necessidades das pessoas, através da comunicação verbal e/ou não verbal, define as prioridades e as necessidades de informação, utiliza explicações claras, simples e concretas e avalia a compreensão da pessoa.
A comunicação empática permite assim, salientar os aspetos relevantes na construção da relação terapêutica, a compreensão partilhada e a negociação na educação individual e familiar.
Este modelo de comunicação serve de base à promoção de cuidados na diabetes e representa um esforço por parte dos profissionais, para aumentar o foco nas pessoas e não doença, pois permite conhecer as barreiras psicossociais e comportamentais à efetiva gestão da diabetes.
O controlo bem-sucedido da diabetes depende em grande parte da educação terapêutica como guia orientador da adoção sustentada pela pessoa de um conjunto de opções farmacológicas, práticas diárias de autocuidados e hábitos de vida saudáveis.
Publicado no Diário de Viseu a 02-08-2023.
Inês Laia
Médico, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Viriato,
Andreia Lasca
Médica, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Viriato,
em colaboração com a UCC Viseense
Prevenção de Acidentes na Criança
As férias de verão, altamente antecipadas pelas crianças, constituem um período do ano que possibilita uma pausa da escola e uma oportunidade para descansarem, passarem tempo com as suas famílias e, acima de tudo, explorarem o mundo ao seu redor.
Estas são, no entanto, um momento de maior exposição a determinados perigos, como quedas, acidentes de trânsito e afogamentos.
Quedas:
É muito importante ter em mente os locais e mecanismos facilitadores de quedas em crianças, como janelas, varandas ou escadas. Principalmente com crianças mais novas, até aos 4 anos, é muito importante não deixá-las sem supervisão junto destes locais e, ainda assim, colocar proteções nas janelas ou, em alternativa, abri-las na vertical, se possível. Também é essencial afastar mobília ou objetos que facilitem o acesso a pontos elevados, principalmente quando há crianças “alpinistas” em casa. Para as escadarias, uma opção cada vez mais utilizada é a instalação de pequenos portões que barram o acesso às mesmas pelas crianças. Há ainda outras medidas gerais a adotar em casa, como evitar tapetes ou a permanência de objetos no chão que possam precipitar uma queda.
Acidentes de trânsito:
Os acidentes de trânsito são uma das principais causas de morte em crianças, sendo a primeira causa de morte entre os 15 e os 29 anos de idade, e a principal causa de morte em crianças do sexo masculino entre os 5 e os 14 anos. Embora a construção de vias pedestres seja uma aposta clara no nosso país, a verdade é que, em muitas regiões, os peões ainda têm de caminhar em passeios estreitos, ou mesmo na berma da estrada, colocando em risco a sua vida pela possibilidade de atropelamento. É muito importante que as crianças, principalmente as mais novas, sejam sempre acompanhadas por adultos quando caminham neste tipo de vias, e que lhes sejam ensinadas as regras básicas de pedestres (caminhar do lado da estrada contrário ao sentido dos veículos motorizados, sem auriculares nem outros impedimentos à audição e visão, atravessar a estrada nas passadeiras e cumprir os sinais de trânsito, como os semáforos). Os mesmos conselhos se dão às crianças condutoras de veículos não motorizados, como as bicicletas. Nestas situações, é ainda essencial o uso de capacete apropriado, para proteção não só em caso de queda, mas também de choque com outro veículo ou pedestre.
Há ainda que ter em consideração que cerca de 36% das mortes de crianças por acidentes de trânsito ocorrem em acidentes de viação, sendo o risco maior quando viajam sem o equipamento de proteção adequado (cadeira, banco e cinto), pelo que este não deve ser (nunca) descartado, mesmo para viagens mais curtas.
Afogamentos:
A segunda causa de morte em crianças entre os 5 e os 14 anos, e a principal causa de morte em crianças até aos 4 anos de idade é o afogamento, sendo muito importante perceber que pode ocorrer em segundos, tende a ser silencioso e pode acontecer a qualquer pessoa, desde que haja acesso a água.
Nos Estados Unidos da América há cerca de 4000 afogamentos acidentais por ano (11 por dia) e 8000 afogamentos não fatais (média de 22 por dia). 40% dos afogamentos não fatais necessitam de internamentos prolongados e podem estar na origem de doenças ou sequelas crónicas, nomeadamente cerebrais (versus os 10% de internamentos associados a outros tipos de trauma). Em Portugal, entre 2002 e 2021, faleceram 286 crianças por afogamento, segundo um relatório da Associação para a Promoção da Segurança Infantil. As crianças, principalmente as mais novas, têm um maior risco de afogamento. As aulas de natação são uma excelente medida para diminuir o risco de afogamento. Embora crianças que saibam nadar também tenham que ser vigiadas quando na proximidade de água, os estudos indicam que a probabilidade de afogamento nestas crianças é menor. Se têm piscinas em casa, nos momentos em que as crianças não estão supervisionadas, ou estando, não seja suposto terem acesso à água, mantenham a piscina resguardada com uma cobertura ou cerca com portão, para limitar o acesso à mesma. Em barragens, rios ou no mar, a utilização de coletes salva-vidas, boias ou braçadeiras possibilita uma proteção adicional e nunca deve ser descurada. Nunca deixem as crianças na água sozinhas, mesmo que estejam a ser vigiadas de fora. Bastam alguns segundos para alguém se afogar, e muitas vezes ninguém dá conta, pois é silencioso!
Aplicando estas medidas, os pais poder-se-ão sentir mais seguros, e as crianças poderão aproveitar ao máximo as suas férias de verão a explorar o mundo ao seu redor, em segurança.
Publicado no Diário de Viseu a 19-07-2023.
Inês Laia
Médico, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Viriato,
Andreia Lasca
Médica, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Viriato,
em colaboração com a UCC Viseense
Em Portugal, prevê-se que o envelhecimento populacional só tenderá a estabilizar por volta de 2060. O envelhecimento é um processo heterogéneo, que resulta da interação entre fatores intrínsecos ao indivíduo, como os genéticos, e fatores extrínsecos, como o estilo de vida e o ambiente. Não se trata de uma doença, mas sim de um processo cumulativo de mudanças a nível biológico, psicológico e social. Pretende-se que o envelhecimento seja um processo natural e ativo.
A queda representa cerca de 75% de todos os acidentes em pessoas idosas. Estima-se ser 3 vezes superior no sexo feminino e mais frequente no domicílio, afetando cerca de 30% da população com idade superior ou igual a 65 anos. Às quedas podem estar associadas várias complicações, como fraturas, hematoma cerebral, imobilidade, hospitalização, institucionalização, isolamento e morte. Uma das grandes consequências da queda é o sentimento de medo de voltar a cair, frequentemente potenciado pela diminuição da atividade física e condição física decorrentes da queda.
Porque ocorrem quedas nas pessoas idosas? As quedas podem ocorrer por fatores intrínsecos como o envelhecimento (diminuição da visão, audição e equilíbrio…) ou doenças crónicas do indivíduo (neurológicas, musculoesqueléticas, cardíacas…), bem como por fatores extrínsecos. Nos fatores extrínsecos incluem-se medicamentos e fatores ambientais. Entre os fatores ambientais, citam-se tapetes soltos, iluminação desadequada, calçado e roupa inadequada, casas de banho não equipadas, pisos escorregadios e desarrumados, escadas sem corrimão, ortóteses inadequadas e animais de estimação. Maioritariamente, as quedas não ocorrem só devido a um fator, mas pela interação de múltiplos fatores.
Como prevenir a queda na pessoa idosa? Há 3 níveis de prevenção da queda em pessoas idosas designados de prevenção primária, secundária e terciária.
A prevenção primária pretende prevenir a ocorrência de uma queda em primeira instância. Esta envolve sobretudo a intervenção no domicílio. Esta intervenção deve ocorrer em vários aspetos, desde a utilização de calçado e roupa adequada (tamanhos ajustados e evitar roupa excessivamente larga ou comprida), deixar secar o piso sempre, antes de deambular, se indicado, equipar a casa de banho e outras divisões da casa com produtos de apoio, ter iluminação adequada e ligar a luz para deambular durante a noite com segurança, evitar a desorganização do espaço, utilizar óculos de correção e aparelhos auditivos, se necessário, e ter disponível um meio de contacto simples em caso de emergência. Há algumas situações de risco no exterior, que devem motivar maior cuidado, como piso escorregadio com calçada, piso irregular, escadas sem corrimão ou passadeiras. O exercício físico também constitui uma forma de prevenção primária, com o fortalecimento muscular com cargas moderadas e baixo número de repetições, permite-se aumentar a massa e a força muscular da pessoa. Outro nível de prevenção igualmente relevante, é melhorar o estado nutricional, optando-se por refeições pouco volumosas e mais frequentes, por pratos mais apelativos com diferentes cores e com a intensificação de sabores.
Na prevenção secundária pretende-se diminuir o risco de queda após a primeira ocorrência. Nesta deverá ser realizada uma avaliação geriátrica integral e uma atuação nos problemas identificados. Neste contexto, é pertinente considerar a introdução de produtos de apoio nas escadas e carro, bem como andarilhos, alteador de sanitas e caixa de medicação.
A prevenção terciária envolve a gestão das sequelas decorrentes da queda. Pretende-se nesta fase devolver à pessoa idosa a funcionalidade e autonomia prévias ao acidente, reabilitando a marcha e o equilíbrio. Como processo de reabilitação, capacitação e tratamento pós-traumático da queda, deve fazer parte o ensino sobre como lidar com uma nova situação de queda.
O envelhecimento é um processo natural e que se deseja ativo, permitindo manter a funcionalidade e a autonomia até idades tardias com a evicção de acidentes. As Equipas de Saúde Familiar, assim como os cuidadores e familiares de pessoas idosas e outros grupos de pessoas vulneráveis, devem ter este risco em consideração e adotar as medidas possíveis para a sua prevenção.
Publicado no Diário de Viseu a 05-07-2023.
Natercia Oliveira
Técnica Superior de Serviço Social
Etelvina Marques Alves
Técnica Superior de Serviço Social
em colaboração com a UCC Viseense
Benefícios e Direitos Sociais
Enquanto Assistentes Sociais dos Cuidados de Saúde Primários, constatamos que a maioria dos cidadãos/utentes que recorrem ao nosso Serviço procuram informações sobre políticas sociais, desconhecendo os benefícios e direitos sociais disponíveis. Esta situação traduz-se num obstáculo conducente a uma precária utilização de recursos.
Neste âmbito, não podemos deixar de salientar a importância que a componente social tem na prestação dos cuidados de saúde, uma vez que, qualquer pessoa que passe por um processo de doença tem sempre subjacentes alterações, sejam elas familiares, pessoais, profissionais, económicas ou outras, ou seja, cada vez mais é necessário que a intervenção seja efetuada numa perspetiva biopsicossocial.
No âmbito do Plano Nacional de Saúde 2023, evidencia-se que, os diferentes tipos de determinantes em saúde: ambientais, biológicos, comportamentais ou estilos de vida, demográficos, sociais e económicos, interagem entre si, constituindo-se como uma rede complexa de relações e influência.
A presente comunicação pretende, assim, divulgar informação sobre respostas sociais, com o objetivo de informar sobre a utilização destes recursos.
Neste âmbito, considera-se pertinente, efetuar uma clarificação de conceitos:
O conceito “Respostas Sociais” refere-se aos vários serviços e atividades do âmbito da Segurança Social, prestados a indivíduos e famílias, como os exemplos que a seguir se enunciam:
Crianças e jovens: creche, amas, centro de atividades de tempos livres, centro de apoio familiar e aconselhamento parental, lar de infância e juventude e apartamento de autonomização, casa de acolhimento temporário;
Pessoas idosas: centro de convívio, centro de dia, centro de noite, estruturas residenciais para pessoas idosas;
Pessoas com deficiência: centro de atividades e capacitação para a inclusão, residência de autonomização e inclusão;
Pessoas com doença do foro mental ou psiquiátrico: fórum sócio ocupacional, unidades de vida protegida, autónoma e apoiada;
Família e comunidade: centro comunitário, casas de abrigo e serviço de apoio domiciliário, etc. (Decreto-Lei 64/2007 de 14 de março, alterado e republicado pelo Decreto – Lei 33/2014 de 4 de março).
Relativamente às “Prestações Sociais” salientamos que fazem parte dos subsistemas da Segurança Social, e são atribuídas a pessoas ou famílias que precisem de apoio em situações de maior vulnerabilidade como, por exemplo, desemprego, doença ou velhice. Têm como principal objetivo promover o bem-estar e a coesão social para todos os cidadãos portugueses ou estrangeiros que exerçam atividade profissional ou residam no território.
Indicamos algumas das prestações sociais, concedidas no âmbito do Sistema de Segurança Social (Lei n.º 4/2007, de 16 de janeiro, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 83-A/2013 de 30 de dezembro.)
a) Prestação de Rendimento Social de Inserção;
b) Pensões Sociais;
c) Subsídio Social de desemprego;
d) Complemento Solidário do Idoso, prestação que inclui benefícios adicionais em Saúde: Medicação, aquisição de óculos e lentes; aquisição e reparação de próteses dentárias removíveis;
e) Complemento por Dependência – prestação paga mensalmente a pensionistas que se encontrem numa situação de dependência e que necessitem de ajuda de outrem para satisfazer as necessidades básicas da vida diária (higiene pessoal, alimentarem-se ou deslocarem-se sozinhos);
f) Prestação social de Inclusão - prestação paga mensalmente a pessoas com grau de incapacidade igual ou superior a 60% à data de apresentação do requerimento.
A acrescer às prestações mencionadas, consideramos importante referir o Estatuto de Cuidador Informal, destinado a cidadãos que prestam cuidados permanentes a outros (familiares) que se encontram numa situação de dependência (pessoa cuidada). O cuidador informal reconhecido como Principal, poderá vir a beneficiar de subsídio, caso reúna as condições de recursos.
Todos as respostas sociais descritas são do âmbito da Segurança Social, no entanto, os vários subsistemas de saúde existentes (ex. ADSE, PSP, SAMS, IASFA, etc.) oferecem benefícios sociais similares.
Caso pretenda, pode obter mais informações consultado os guias práticos da Segurança Social: Guia Prático Complemento por Dependência – Instituto Segurança Social, Guia Prático Prestação Social Inclusão – Instituto Segurança Social e Guia Prático do Estatuto do Cuidador Informal.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/beneficios-e-direitos-sociais
Raquel Pires Santos
Médica, Interna 2ºano MGF,
USF Viriato,
Gonçalo Valbom
Médico, Interno 3º ano MGF,
USF Grão vasco,
em colaboração com a UCC Viseense
Atividade Física na Terceira Idade
À medida que envelhecemos, o nosso organismo sofre diversas alterações, podendo surgir um conjunto de limitações a nível físico, psicológico e social. Há uma maior probabilidade de desenvolver condições de saúde adversas, nomeadamente perda de massa e tónus muscular, da força e diminuição do equilíbrio e da resistência. Nesta fase da vida, a promoção da saúde física e mental está associada à redução dos efeitos adversos do processo de envelhecimento, podendo traduzir-se numa melhoria da capacidade funcional e num aumento da qualidade de vida.
É neste contexto que surge a importância de fomentar uma prática regular de atividade física neste grupo etário.
Existem diversos benefícios inerentes à prática de atividade física, nomeadamente o fortalecimento dos músculos e das articulações, que ajuda a manter a autonomia e a capacidade funcional. Exercícios de resistência, como o levantamento de peso leve, utilização de aparelhos de musculação com exercícios adaptados ou a prática de pilates, são especialmente benéficos para a manutenção da força muscular e densidade óssea.
Além disso, a atividade física regular ajuda a prevenir e controlar uma série de condições de saúde comuns na terceira idade, tais como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e osteoporose. Contribui para o controlo do peso corporal, melhora a circulação sanguínea e a capacidade respiratória, reduzindo o risco de problemas cardíacos e respiratórios.
Outro aspeto importante é o impacto positivo que a atividade física pode ter na saúde mental e emocional dos idosos, auxiliando na redução do stress, melhora o humor e a autoestima, além de estimular o convívio social e a integração com outras pessoas. A prática de atividades físicas em grupo, como hidroginástica, dança ou caminhadas, pode ser uma excelente forma de promover a interação social e combater o isolamento.
As opções são variadas e incluem diferentes tipos de exercícios, como atividades aeróbicas, de fortalecimento muscular e de equilíbrio. Os exercícios aeróbicos, como caminhar, nadar ou pedalar, são excelentes para melhorar a resistência cardiovascular e respiratória, além de ajudarem a controlar o peso corporal. É importante escolher atividades que sejam prazerosas e adequadas ao estado de saúde de cada pessoa.
É de salientar que a prática de atividade física na terceira idade deve ser adaptada às necessidades e limitações de cada pessoa, sendo por isso fundamental procurar orientação médica e supervisão de um profissional, que avalie a condição física, indique as atividades mais adequadas e acompanhe o progresso do idoso.
Em resumo, a atividade física desempenha um papel crucial na promoção da saúde e bem-estar na terceira idade, contribuindo para a manutenção da autonomia, prevenção de doenças, fortalecimento muscular, melhoria da saúde mental e interação social. Por isso, é fundamental encorajar os idosos a adotarem um estilo de vida ativo, para que possam usufruir de todos os benefícios físicos e emocionais a ele inerentes.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/atividade-fisica-na-terceira-idade
Emilia Maria Cruz Costa Rodrigues
Enfermeira Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica,
Em colaboração com a UCC Viseense
Dizer não à violência contra a Pessoa Idosa!
A Organização Mundial de Saúde (OMS), considera pessoa idosa, aquela quem tem 60 ou mais anos de idade, ainda que reconheça que a maioria dos países desenvolvidos utiliza o limiar etário dos 65 ou mais anos de idade, como é o caso de Portugal.
Segundo o Eurostat, Portugal está a envelhecer a um ritmo mais acelerado, do que os restantes países da União Europeia, cerca de metade da população portuguesa, em 2022, tinha mais de 46,8 anos de idade.
A esperança média de vida tem vindo a aumentar, mas as perspetivas sobre o envelhecimento não são as melhores. As pessoas idosas, mesmo que ativas, são globalmente encaradas como pessoas frágeis, doentes e dependentes, o que promove fenómenos de desrespeito pelos seus direitos, exclusão, marginalização e muitas vezes, situações de crime e violência. A OMS estima, que uma em cada seis pessoas com 60 ou mais anos, seja vítima de qualquer tipo de violência.
O papel da sociedade, mais concretamente na sua relação com a pessoa idosa, está a degradar-se progressivamente, estas deixam de ser encaradas como sábias e experientes, passando a ser consideradas incapazes e uma carga “negativa” a nível familiar e comunitário. Esta forma de estar na sociedade, tem contribuído para a perda do respeito pela pessoa idosa, tornando-a mais suscetível a situações de abusos e maus tratos.
No sentido de promover, na sociedade em geral, a reflexão sobre esta temática, no passado dia 15, assinalou-se mais uma vez, o Dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa. A celebração deste dia, começou em 2006, por iniciativa das Nações Unidas e da Rede Internacional para Prevenção da Violência à Pessoa Idosa e tem como objetivo, prevenir a violência e promover relações saudáveis com as pessoas idosas. Este tema merece, ainda, um apelo sentido para que tomemos todos/as consciência da gravidade e consequências que podem afetar as vítimas.
A violência contra a pessoa idosa consiste em “qualquer ação ou omissão, única ou repetida, intencional ou não, cometida contra uma pessoa idosa vulnerável e que atente contra a sua vida, integridade física, psíquica e sexual, segurança económica ou liberdade ou que comprometa o desenvolvimento da sua personalidade”, segundo a OMS. Este tipo de violência pode ser verbal, psicológica/emocional, física, sexual, financeira/material, a negligência e o abandono e constitui uma grave violação dos Direitos Humanos.
Alguns sinais que manifestam formas de violência, no idoso:
Física: Lesões sem explicação como feridas, nódoas negras ou cicatrizes recentes; fraturas ósseas; armações de óculos partidas; marcas que evidenciam o ato de ser amarrado, por exemplo, marcas nos pulsos.
Psicológica: Perturbação emocional; medo de estar na presença de outras pessoas; receio de falar; depressão; recusa em participar nas atividades diárias, sem explicação; depreciação do seu bem-estar e baixa autoestima.
Sexual: Nódoas negras nos seios ou genitais; infeções sexualmente transmissíveis ou infeções genitais inesperadas; hemorragia genital ou anal sem explicação; roupa interior rasgada, manchada ou com sangue.
Negligência ou abandono: Perda de peso, má nutrição, desidratação; falta de condições de higiene, como encontrar-se sujo ou sem banho tomado; roupa ou agasalhos inadequados para a estação do ano; falta de condições de segurança em casa (falta de aquecimento, infiltrações, etc.); desaparecimento da pessoa idosa em local público.
Financeira/económica: Tomar decisões abruptas sobre o próprio património; levantamentos bancários significativos da conta da pessoa idosa; mudanças suspeitas de beneficiários de testamentos, seguros ou de bens.
Todos os anos registam-se vários casos de abuso contra as pessoas idosas e muitos mais acontecem em silêncio, sem conhecimento público. Infelizmente, há várias razões que explicam o desconhecimento de grande parte dos casos e a principal prende-se com o perfil de quem agride. Muitas vezes têm vergonha de admitir que são vítimas, por exemplo, de filhos/as, além disso, têm medo de represálias por parte de agressores quando são pessoas próximas, nomeadamente cuidadores ou familiares ou ainda podem não reconhecer que estão a ser vítimas de violência, por sofrer de perda de memória ou demência.
Durante 2022, a APAV apoiou um total de 1528 pessoas idosas vítimas de crime e de violência, o que corresponde a uma média de 4 pessoas por dia.
Reconhecendo que a violência contra as pessoas idosas constitui um problema social e de saúde pública, é crucial que o seu combate possa contribuir para um futuro mais inclusivo, onde todas as pessoas sejam respeitadas ao longo do ciclo de vida, nomeadamente no contexto de um envelhecimento ativo e saudável.
A resposta a esta problemática exige uma intervenção interdisciplinar, essencial na educação e sensibilização da população para a prevenção, reconhecimento e denúncia; na identificação de fatores de risco e deteção precoce de sinais de alerta e na prestação de cuidados à vítima, incluindo no processo de reabilitação da mesma.
É fundamental desconstruir os mitos que persistem acerca do envelhecimento, dissociando a ideia de envelhecimento, da ideia de doença e encargos sociais, e conferir às pessoas idosas uma participação mais equitativa e uma visibilidade social mais justa.
Qualquer pessoa, pode denunciar junto das entidades competentes uma situação de violência. No entanto, é importante reforçar ideia de que uma acusação de violência é algo extremamente grave e não deve ser feita de ânimo leve.
Olhar para o lado é ser cúmplice deste crime!
Contactos que podem ser úteis:
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima: 707 200 077
Linha Nacional de Emergência Social: 144
Linha do Cidadão Idoso da Provedoria de Justiça: 800 203 531
Guarda Nacional Republicana: Contacte o Posto da área da sua residência.
Publicado no Diário de Viseu a 21-06-2023.
Andreia Salgado
Aluna do Curso Pós-licenciatura de Especialização em Enfermagem Comunitária,
Em colaboração com a UCC Viseense
A Obesidade não vem sozinha!
O dia da Consciencialização Contra a Obesidade Mórbida Infantil, celebrado a 3 de junho serve como um alerta para pais e educadores de forma a dar visibilidade ao tema e informar sobre os cuidados necessários para combater a doença.
A Obesidade Infantil tem aumentado consideravelmente a nível mundial, tornando-se preocupante nos últimos anos, sendo alvo de atenção não só por parte dos profissionais de saúde como também da educação e da sociedade em geral.
Em Portugal, desde 2004, a Obesidade é reconhecida como uma doença crónica e que começa cada vez mais precocemente, ligada a hábitos de vida inadequados, nomeadamente alimentares. Contudo, existem outros fatores que podem levar ao desenvolvimento de obesidade, tais como:
· Patologias (doenças);
· Alterações hormonais;
· Medicação;
· Fatores psicológicos.
Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a Obesidade e excesso de peso são definidos como uma acumulação anormal ou excessiva de peso, que podem apresentar riscos para a saúde.
Sabe-se que a Obesidade resulta da acumulação excessiva de gordura para sucessivos balanços energéticos positivos, ou seja, a quantidade de calorias ingeridas é superior à quantidade despendida. Crianças com excesso de peso/obesidade devem em primeiro lugar ser identificadas e avaliadas pela Equipa de Saúde Familiar ou Pediatra, sendo que o tratamento desta situação deve passar pela reeducação alimentar e pela prática de mais exercício físico.
É preciso entender a rotina familiar para diagnosticar e tratar corretamente a origem do problema.
Ao longo dos anos, houve uma mudança nos comportamentos alimentares das crianças pelo aumento do contato com alimentos industrializados/processados e híper calóricos, afastando-as do consumo das frutas e outros alimentos saudáveis, iniciando por vezes um processo de compulsão alimentar: um vício.
Atualmente há várias opções de acompanhamento, mas quanto maior o grau de obesidade, maior a gravidade da doença. Além do risco de vida e mal-estar, esta também pode desencadear outros problemas de saúde, afetando algum órgão ou sistema do corpo, contribuindo para o aparecimento de algumas doenças mentais ou até de problemas relacionais (bulliying).
Embora existam muitas iniciativas para consciencializar e lutar contra a obesidade, a Obesidade Infantil é um problema crescente. Mais do que orientações e diretrizes importa uma completa revisão dos hábitos da família com vista à promoção de um estilo de vida mais saudável.
Para combater a obesidade, não basta comer menos e mexer-se mais. São imprescindíveis as mudanças de comportamento relativamente aos hábitos / estilos de vida adotados.
Promover hábitos de vida saudáveis, incentivar à prática de exercício físico desde cedo e bons hábitos de sono podem ajudar a prevenir o problema!
A consciencialização da população para os fatores de risco e a adoção de medidas de prevenção, bem como sensibilizar para esta temática, tem um papel preponderante para o empoderamento individual por forma a criar uma comunidade com maior nível de literacia e mais permeável a uma cultura de Educação para a Saúde
Publicado no Diário de Viseu a 07-06-2023.
Cláudia Rodrigues
Médica, IFE Medicina Geral e Familiar, Grão Vasco
Daniela Oliveira
Médica, IFE Medicina Geral e Familiar, Grão Vasco ,
em colaboração com a UCC Viseense
Tabagismo
A 31 de Maio é comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco que tem como objetivo alertar a população para os malefícios do tabaco e também sensibilizar para a necessidade de proteger as pessoas do tabagismo passivo.
Sabe-se, hoje, que um cigarro tem mais de 7000 substâncias químicas, mais de 100 substâncias tóxicas e que, destas, cerca de 70 são cancerígenas. No entanto, e apesar disso, cerca de 1 em cada 5 portugueses/as com mais de 15 anos fuma. Sabe-se também que 10% das mortes em Portugal são devidas ao tabaco, morrendo uma pessoa a cada 50 minutos. Em todo o mundo o tabaco é responsável por cerca de uma morte a cada 6 segundos.
Desde a década de 50 do século passado que a comunidade científica tem vindo a alertar sobre os efeitos deletérios da exposição ao tabaco.
O tabaco é responsável, por exemplo, por:
· Inúmeras neoplasias:
· Pessoas fumadoras têm um risco 25 vezes superior de cancro de pulmão;
· O tabaco é responsável por 82% dos cancros da laringe, 90% dos cancros da cavidade oral e 50% dos cancros do rim e bexiga.
· Doenças respiratórias:
· O tabaco aumenta o risco de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) e aumenta o número de exacerbações da asma em doentes com asma.
· Doenças Cardiovasculares:
· O tabaco aumento o risco de doenças como a dislipidémia, aterosclerose, hipertensão arterial, aneurisma da aorta abdominal, doença coronária, AVC, demência e doença vascular periférica.
Não só quem fuma sofre estes malefícios.
É importante relembrar o conceito de tabagismo passivo, que compreende a exposição em segunda mão (ou seja, exposição ao fumo ambiental do tabaco), em terceira mão (que consiste na exposição a substâncias residuais do fumo do tabaco que permanece nas superfícies, como pele, cabelo, roupa, parede, pisos, móveis… e que podem persistir nestes materiais por dias, semanas e até meses) e a exposição no útero ao sangue contaminado com os produtos do tabaco.
Vários estudos sugerem que a exposição passiva ao fumo ambiental ao longo de 8 horas é comparável a fumar diretamente 1 a 3 cigarros. E a evidência científica mostra ainda que abrir uma janela ou acionar um ventilador enquanto um cigarro queima não elimina o risco do fumo em terceira mão, tal como fumar ao ar livre, uma vez que os resíduos ficam absorvidos na pele e roupas do/a fumador/a.
Em relação às novas formas de tabagismo como cigarro eletrónico ou tabaco aquecido, aguarda-se mais evidência científica. No entanto, é de ressalvar que estes produtos também libertam nicotina, sendo expectável um resultado sobreponível ao tabaco convencional.
Assim sendo, e sistematizando, a exposição ao fumo ambiental do tabaco não é segura e não existe um nível seguro de exposição!
Só por curiosidade: já alguma vez reparou que um maço de tabaco tem 20 cigarros?
Isto está relacionado com o facto de a ação da nicotina no cérebro ter uma duração de cerca de 40 minutos. Assim, se uma pessoa ficar acordada em média 16 horas, o maço tem o número de cigarros para preencher esse tempo.
Se fuma, pare de fumar o quanto antes! Pela sua saúde e pela saúde dos outros!
Se necessitar, procure ajuda médica!
Publicado no Jornal do Centro:
Vera Abreu
Médica, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Cidade Jardim,
em colaboração com a UCC Viseense
Ansiedade
A ansiedade pode ser definida como um medo, tensão ou preocupação em relação a algo que é visto como negativo. É uma reação normal ao stress e pode até ser benéfica em algumas situações, permitindo uma maior atenção e foco num teste ou numa tarefa. Porém, se existir uma sensação persistente de medo grave e desproporcionado, com impacto negativo no quotidiano e que causa sofrimento físico e/ou emocional à pessoa, podemos estar perante uma perturbação de ansiedade (PA).
A ansiedade pode manifestar-se através de inúmeros sinais e sintomas, podendo eles ser físicos (como aumento da pressão arterial e palpitações, sudorese excessiva, secura da boca, tremores), psicológicos (medo intenso, preocupações persistentes, hipervigilância) e comportamentais (evicção do foco de ansiedade ou dos estímulos associados).
As PA podem afetar pessoas de qualquer idade, género ou etnia e a sua gravidade pode variar desde leve a grave. Estima-se que cerca de 2-4% da população mundial tenha sintomas classificáveis como PA, o que torna essencial a sua pesquisa e avaliação. As PA podem ter um grande impacto na vida do indivíduo, afetando os relacionamentos, o trabalho e o bem-estar geral. Podem ainda aumentar o risco de outras patologias, como a depressão, e levar ao abuso e dependência de substâncias.
Para o diagnóstico de PA é necessário que estejam presentes pelo menos 3 dos seguintes sintomas, durante os últimos 6 meses, de forma persistente:
Inquietação, sensação de tensão ou de estar no limite;
Fadiga fácil;
Dificuldade de concentração ou sensação de mente vazia;
Irritabilidade;
Tensão muscular;
Alterações do padrão do sono (insónia ou sono inquieto e pouco satisfatório).
As PA mais comuns incluem a Perturbação de Ansiedade Generalizada (PAG), a Perturbação de Pânico (PP), Fobias específicas (FE) e a Fobia social (FS).
A PAG define-se por preocupação excessiva e persistente com vários aspetos da vida (trabalho, família, saúde ou finanças), vistos como difíceis de controlar. Pode ter um curso flutuante, sendo difícil o seu diagnóstico.
A PP é caracterizada por ataques de pânico recorrentes e inesperados, com episódios súbitos de medo intenso ou angústia que atingem um pico em minutos. Os ataques de pânico podem causar sintomas físicos (dor no peito, falta de ar e palpitações) e podem ser acompanhados por medo de perder o controlo ou morrer. Estes episódios são normalmente autolimitados e podem ser controlados, com ajuda especializada.
As FE são caracterizadas por um medo intenso e irracional de um determinado objeto ou situação (como alturas, aranhas ou voar). Esse medo pode levar à evicção do objeto ou situação temida, o que pode afetar o dia-a-dia do indivíduo.
A FS caracteriza-se por medo e ansiedade excessivos e constantes em situações de exposição social. Nestes contextos, os doentes sentem receio da humilhação ou rejeição dos pares, o que os leva a evitar situações de interação social. Tudo isto causa sofrimento ao indivíduo, com impacto no seu funcionamento diário.
O diagnóstico de PA pode ser feito pelo/a médico/a de família ou, em situações mais complexas, pelo/a médico/a psiquiatra. É um diagnóstico de exclusão, sendo importante considerar outras doenças com sintomas semelhantes. O tratamento pode incluir acompanhamento psicológico, medicação ou uma combinação de ambos, sendo fundamental a adesão do doente para diminuir o risco de recaída.
A ansiedade é uma experiência comum, mas que pode tornar-se um problema importante quando interfere na vida diária. As PA podem ter um impacto significativo no bem-estar da pessoa e requerem diagnóstico e tratamento adequados. Se precisar de ajuda, fale com a sua Equipa de Saúde Familiar, de forma a ter um seguimento e orientação ajustados à sua situação.
Se necessário, pode contatar a Linha de Apoio Psicológico do SNS24 (através do número 808 24 24 24). Caso tenha curiosidade, pode explorar a Aplicação 29k FJN para telemóvel, desenvolvida pela Fundação José Neves, de forma totalmente gratuita.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/ansiedade
Adriana Alves
Psicóloga Clínica RAP / Núcleo de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica
em colaboração com a UCC Viseense
“Mas porque é que ela se mantém na relação violenta?”
“Mas porque é que ela se mantém na relação violenta?” É a questão de muitos/as. Nós respondemos: Sair de uma relação abusiva é muito difícil, mas é possível!
Dirijo-me às mulheres vítimas, uma vez que as estatísticas revelam uma forte correlação entre o facto de se ser mulher e estar numa relação abusiva.
Considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um problema de saúde pública e um grave problema social, a violência contra a Mulher é um fenómeno mundial. Também de acordo com a OMS, o fenómeno da violência não possui apenas um fator que possa explicá-lo. Trata-se do resultado de uma complexa interação de fatores individuais, relacionais, sociais, culturais e ambientais.
A hierarquia de género que é estabelecida pelas relações de poder associadas à estruturação das normas feminino/masculino, permite a continuidade da agressão exercida pelo homem para com a mulher. E muitos são os fatores que dão oportunidade a este tipo de violência, nomeadamente as desigualdades entre homens e mulheres baseadas em normas sociais, as desigualdades de poder no que respeita ao setor laboral, as discriminações e opressões em função do género e da classe; agravantes das manifestações de violência e geradoras de barreiras no acesso aos direitos. Direitos Humanos; É necessário afirmar, reforçar e sublinhar!
Existem também os fatores circunstanciais relacionais que estão associados não só ao consumo de álcool e drogas, como ao desemprego, nascimento de filhos e conflitos respeitantes à educação dos mesmos, problemas financeiros ou património familiar.
Analisamos agora os elementos que facilitam a permanência das vítimas nos relacionamentos abusivos; pois estas nem sempre reconhecem que a violência surge no início da relação, sendo que as condutas de controlo e domínio são interpretadas pelas mesmas como manifestações de zelo, preocupação e amor, ocultando e deturpando, desde o início, a perceção de uma relação hostil. As vítimas acreditam que têm controlo sobre a violência, isto é, permanecem na relação, permitindo a manutenção da relação familiar, acreditando que serão capazes de controlar a situação. Além de, e muito presente, existir a dependência emocional. O apego exacerbado em relacionamentos amorosos gera dependência. A dependência é um quadro emocional ou comportamental que compromete os relacionamentos saudáveis. A sensação de depender do companheiro muito se deve a sentimentos de insegurança, baixa autoestima, submissão, incapacidade para tomar decisões, a convivência com o medo e o medo de rejeições. Afinal o agressor já a fez acreditar que sem ele, ela não é ninguém nem será feliz. Acresce a dependência financeira que, muitas vezes, também constitui um fator de aceitação numa relação marcada por violência.
Quando a mulher consegue enfrentar o medo e tem intenção de terminar a relação, inicia-se a manipulação emocional, onde supostamente há mudança de comportamento por parte do agressor o que a fará sentir-se mais confiante, reiniciando o ciclo da violência. Geralmente, o parceiro agressivo torna-se muito afetivo após os momentos de agressões. Acontece que o ciclo é vicioso e portanto, a procura e a luta pelos seus direitos (Humanos) é, muitas vezes, uma situação intolerável para a vítima.
Importa assim, perceber e entender as relações do ponto de vista individual, mas numa perspetiva do contexto social e familiar e numa perspetiva (ainda em configuração) cultural e histórica.
Finalizo esta reflexão, alertando para o facto de: tratando-se da nossa saúde, procuremos estabelecer relações saudáveis. A agressão, seja ela física, psicológica, verbal, económica, não é sinónimo de força, bem pelo contrário!
Publicado no Diário de Viseu a 10-05-2023.
Pedro Vaz
Médico, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Viriato
André Pereira
Médico, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Cidade Jardim
em colaboração com a UCC Viseense
Sr. Doutor, como previno o cancro do colo do útero?
Existe algum rastreio?
O cancro do colo do útero (CCU) (parte inferior do útero) é a terceira neoplasia maligna mais comum em mulheres a nível mundial e constitui uma das principais causas de morte por cancro em pessoas do sexo feminino.
A forma mais comum de Cancro do Colo do Útero é provocada pela infeção pelo Vírus do Papiloma Humano (HPV), altamente prevalente na população e que resulta, na maioria dos casos, do contacto sexual (genital ou oral). Pessoas de ambos os sexos (feminino e masculino) podem ser transmissores desta infeção, que na maioria dos casos é assintomática. Dentro da família deste vírus, existem diferentes tipos (mais de 100), alguns considerados de baixo risco e outros de alto risco, conforme a probabilidade de desenvolvimento de CCU. Desta forma, a infeção pelo HPV é o principal fator de risco para o desenvolvimento deste tipo de cancro, sendo importante a sua prevenção e deteção precoce.
Habitualmente, a infeção pelo HPV é autolimitada, sendo que ao fim de 1 a 2 anos o próprio organismo consegue eliminar o vírus, sem necessidade de tratamento. No entanto, por vezes, pode persistir e, dependendo do tipo de HPV, pode estar associado ao desenvolvimento do CCU, portanto é extremamente importante a realização do rastreio e vigilância destas alterações, pois a sua deteção precoce pode prevenir e/ou possibilitar o seu tratamento atempado.
Em 2007, foi introduzida a vacinação profilática e gratuita contra o HPV no Plano Nacional de Vacinação, desde que iniciada até aos 17 anos. Desde 2020, a vacinação passou a estender-se ao sexo masculino. Ainda assim, a vacinação não protege contra todos os tipos de HPV (apenas 9 dos tipos mais agressivos), nem quem já se encontre infetado pelo vírus.
Em Portugal, existe um rastreio organizado, ao nível dos Cuidados de Saúde Primários, que consiste num teste para pesquisar a presença do HPV e/ou alterações celulares (conhecido frequentemente como papanicolau) que possam estar em estadios precoces ou a evoluir para cancro.
O rastreio é gratuito e recomendado a todas as mulheres assintomáticas (que já tenham iniciado vida sexual) com idade igual ou superior a 25 anos até aos 60 anos, inclusive. Realiza-se, no seu Centro de Saúde, através de um teste em que são colhidas células do colo do útero, através de uma técnica indolor para a maioria das mulheres e, posteriormente, é realizada a pesquisa da presença do HPV em laboratório. Se negativo, este teste deve ser realizado de 5 em 5 anos. Nos casos em que o teste é positivo e dependendo do tipo de HPV detetado (baixo ou alto risco), pode ser automaticamente encaminhada para uma consulta hospitalar (Ginecologia) de patologia cervical para uma avaliação mais detalhada ou, em outros casos, ser necessário a repetição do teste de rastreio ao fim de um determinado período de tempo, que é habitualmente de um ano. De ressalvar, que um resultado positivo não significa necessariamente que haja a presença de cancro, apenas indica a presença do HPV e/ou alterações celulares que devem posteriormente ser orientadas. Estão excluídas deste rastreio as mulheres que já foram submetidas a histerectomia total (remoção cirúrgica do útero) ou que já tenham diagnóstico de Cancro do Colo do Útero.
Em caso da presença de sintomas (perda de sangue, irregularidades menstruais, dor abdominal ou na relação sexual, entre outros), independentemente do resultado do rastreio, devem ser devidamente avaliados pelo/a Médico/a de Família.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/sr-doutor-como-previno-o-cancro-do-colo-do-utero-existe-algum-rastreio-
Sofia Néri
Médica Interna de Medicina Geral e Familiar na USF Grão Vasco,
Em colaboração com a UCC Viseense
Tempo de ecrã
Vivemos num mundo repleto de tecnologia, cada vez mais digital!
A forma como comunicamos, interagimos, trabalhamos, aprendemos e nos divertimos envolve muitas vezes a utilização de ecrãs. Estes ecrãs podem assumir várias formas, como a televisão, os telemóveis, os computadores, tablets e outros. Apesar destes terem uma série de benefícios e virtudes, o tempo (excessivo) que se passa ao ecrã pode ter uma interferência negativa em funções biológicas como o ciclo do sono, na prática de atividade física ou na interação social com a família e a própria comunidade.
Assim, existe cada vez mais a consciencialização e a preocupação sobre o tempo passado a olhar para o ecrã, nomeadamente o tempo de entretenimento ao ecrã. Este tempo é particularmente importante no que toca às crianças e jovens e ao seu desenvolvimento saudável, mas não é de descurar no adulto.
Na família, é importante que todos os seus membros tenham como objetivo reduzir o tempo de ecrã, ou seja, os adultos também deverão dar o exemplo. O tempo aproveitado “ao vivo” é tempo em que se criam memórias e estabelecem laços com quem vivemos em proximidade.
Como sugestões mais concretas de alternativas ao tempo de ecrã, deixo os seguintes exemplos de estratégias: remover a televisão ou computador do quarto de dormir; evitar o uso de ecrãs durante as refeições ou trabalhos de casa; decidir antecipadamente quais os programas que se quer ver e desligar quando estes terminarem; planear atividades em família (cozinhar, fazer puzzles, jogos de tabuleiro, caminhar ou realizar outras atividades no exterior, ensinar a manter o jardim, andar de bicicleta ou outro veículo); no caso dos adultos, não dormir com o telemóvel perto da cama, dado que a tentação para aceder a redes sociais, notícias ou vídeos é maior.
Em diversos países, tem-se vindo a celebrar anualmente, na primeira semana de maio, a “Screen-Free Week”, em português a “Semana Livre de Ecrãs”. Esta celebração surgiu não só para chamar a atenção da população para o tempo que passamos no dia-a-dia a olhar para os ecrãs, incluindo anúncios publicitários, mas também como um convite a todas as pessoas, uma oportunidade de fazer uma pausa dos ecrãs e do mundo digital. É certo que temos obrigações para com o trabalho ou estudo, mas dentro do tempo que depende de cada um de nós, nomeadamente no tempo de entretenimento, é sugerido planear atividades diferentes, brincar com amigos, explorar o exterior, ler um livro, ajudar um vizinho, fazer jardinagem, cozinhar, interagir com a comunidade.
Neste sentido, de 1 a 7 de maio, convido-vos a planear uma semana diferente, uma semana em que vivamos mais ao vivo, em presença!
Quem sabe se não se tornará num hábito saudável?!
Publicado no Diário de Viseu a 26.04.2023.
Fátima Agripina Martins
Médica Dentista na URAP ACeS Dão Lafões,
em colaboração com a UCC Viseense
O cancro oral pode ser prevenido!
O Cancro oral é definido pelo conjunto de tumores malignos que podem atingir qualquer localização na cavidade oral, dos lábios à garganta, incluindo as amígdalas e a faringe.
É o 6º cancro mais comum em todo o mundo, afetando mais frequentemente pessoas do sexo masculino, após os 40 anos de idade e aumentando consideravelmente até aos 65 anos. Alguns estudos têm revelado um aumento deste tipo de cancro, principalmente, em adultos mais jovens e em mulheres.
Entre os principais fatores de risco encontram-se, a exposição solar crónica (muito associada a cancro na porção vermelha do lábio), o consumo de tabaco e/ou de álcool, muitas vezes, associados a um estilo de vida menos saudável, com reduzida ingestão de vegetais e frutas, pobre em agentes anti-oxidantes e que pode predispor ao aparecimento de lesões nas restantes localizações da cavidade oral.
A localização mais frequente destas lesões são: no bordo lateral da língua, no pavimento da boca (por baixo da língua), na parte vermelha do lábio inferior, na gengiva ou rebordo alveolar sem dentes, na mucosa jugal (bochechas) e no palato mole (região posterior do “céu da boca”).
Na generalidade, a maior parte das lesões surge sem causar dor, tornando-se, com o passar do tempo, progressivamente dolorosas. Mas existem alguns sinais e sintomas orais mais comuns, para os quais se deve estar alerta:
● Aparecimento de uma mancha, geralmente branca ou avermelhada;
● Crescimento (saliência) de “parte” de tecido oral;
● Área mais ou menos endurecida;
● Úlcera (ferida) que não cicatriza;
● Mobilidade dentária;
● Dor ou perda de sensibilidade sem causa aparente;
● Dificuldade em engolir ou mover a língua;
● Presença de gânglios aumentados (caroços/nódulos).
Apesar de todos os avanços que se têm registado no tratamento, (cirurgia, radioterapia, quimioterapia) a taxa de sobrevivência, 5 anos após o diagnóstico, mantém-se próxima dos 50 a 55%. Considera-se que a principal dificuldade em reduzir estes valores está associada ao diagnóstico tardio da doença, por isso, quanto mais cedo forem diagnosticadas as lesões, maior é a taxa de sobrevivência da pessoa.
A consulta regular de Medicina Dentária, para além do despiste e tratamento das doenças orais mais comuns como a cárie, gengivite ou periodontite, permite diagnosticar, numa fase inicial, muitas das lesões potencialmente cancerígenas, contribuindo para uma maior taxa de sobrevivência.
Lembre-se que:
● O risco de desenvolver cancro é 5 a 9 vezes maior em fumadores, do que em não fumadores!
● O consumo associado de tabaco e álcool aumenta a possibilidade de vir a desenvolver cancro na cavidade oral, em cerca de 3 a 9 vezes!
Evitar estes comportamentos é a maior ajuda para a prevenção do Cancro da Cavidade Oral!!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/o-cancro-oral-pode-ser-prevenido-
Daniela Silveira
Enfermeira,
Aluna do Curso Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem Comunitária,
em colaboração com UCC Viseense
“O conhecimento é poder!”
No passado dia 2 de abril, comemorou-se o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo (World Autism Awareness Day), ou também denominado simplesmente Dia Mundial do Autismo.
Este dia surgiu da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 18 de dezembro de 2007, com o objetivo de esclarecer e consciencializar a população Mundial sobre o Autismo, relembrar os direitos das Pessoas com deficiências e promover um desenvolvimento sustentável, através de uma inclusão plena na sociedade das pessoas com autismo.
O Autismo consiste numa perturbação neurológica, caracterizada essencialmente pelas interações sociais únicas, formas de aprendizagem diferentes dos padrões, interesse particular por temas específicos e comportamentos restritivos e repetitivos. Atualmente pensa-se que o autismo pode estar relacionado com fatores genéticos e ambientais.
Segundo dados da ONU, existem no mundo mais de 70 milhões de pessoas com autismo, afetando cerca de 1 em cada 150 crianças, sendo o sexo masculino que possui maior incidência, numa relação de 4 rapazes para cada rapariga. Embora se trate de uma perturbação crónica, ou seja, sem cura, existem tratamentos e medidas educativas, que devem ser adequadas a cada pessoa, permitindo minimizar a sintomatologia e, desta forma, conferir maior autonomia.
O autismo modifica a forma como a criança vê e experiencia o mundo, geralmente manifesta-se nos três primeiros anos de vida e os sintomas apresentados podem ser bastante diversificados, o que dificulta o seu diagnóstico.
Dentro dos sintomas enunciam-se algumas dificuldades como: de aprendizagem, fala, expressão de sentimentos e opiniões, estabelecimento de contacto visual, entre outros.
Embora o autismo seja uma condição prevalente em todo o mundo, ainda existe bastante falta de conhecimento e compreensão sobre o tema, o que provoca um grande impacto na vida das pessoas com autismo e na das suas famílias.
Infelizmente, ainda existe um grande estigma e descriminação associado às diferenças neurológicas, o que por vezes, se torna mais um obstáculo para o diagnóstico e tratamento.
Nós, enquanto pessoas inseridas numa comunidade, devemos despertar para esta e outras condições, de forma a podermos contribuir para inclusão social. Devemos ainda capacitar as nossas crianças, desmistificando receios e preconceitos... Porque muitas vezes, embora de forma inocente, a descriminação/exclusão inicia-se na infância, com os seus pares.
Estas dificuldades de interação social e comportamental são fatores que, se não forem detetados corretamente, irão afetar a vida social e familiar da criança, nomeadamente a relação com o pai e a mãe.
Muitas vezes estas crianças não são corretamente compreendidas, levando ao seu isolamento, dado que estas se sentem “desconectadas” da sociedade.
A pandemia da COVID-19, veio piorar ainda mais este cenário de isolamento social destas crianças e famílias, devido à redução de serviços de assistência e do próprio contato com a escola e outras pessoas.
É de extrema importância que a educação seja cada vez mais inclusiva , para que as pessoas com autismo, possam desenvolver o seu potencial e alcançar o sucesso a nível pessoal e no mercado de trabalho, e, desta forma, serem, e sentirem-se incluídas na sociedade.
As pessoas com autismo são pessoas com uma grande sensibilidade, incapazes de mentirem ou fazerem jogos mentais, estará a nossa sociedade preparada para isto?
“O conhecimento é poder”. Utilize parte do seu tempo para educar alguém sobre o autismo. Não necessitamos de defensores. Necessitamos de educadores” (Asperger Women Association)
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/o-conhecimento-e-poder-
Sara Lobo
Matilde Rodrigues
Manuela Camargo
Tiago Roque
Matias Martins
8.ºA – Escola Secundária Viriato,
em colaboração com a UCC Viseense
Saúde - O que a torna tão importante?
O Dia Mundial da Saúde assinala-se, anualmente, a 7 de abril. Esta data foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e é celebrada desde 1950. O objetivo deste dia é sensibilizar e educar para a importância dos cuidados de saúde e de estilos de vida saudáveis.
Falemos um pouco sobre ela para percebermos como é que a saúde influencia as nossas vidas.
“A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. Esta é uma definição da Organização Mundial da Saúde que foi criada em 1950 com o objetivo principal de garantir que todas as pessoas tenham acesso aos serviços de saúde pois existe uma grande disparidade nos diferentes pontos do Mundo.
O tema da Saúde abrange vários tópicos, mas no fundo estão todos interligados. Para termos uma boa saúde física precisamos de uma boa saúde mental e vice-versa. A saúde física é o bem-estar e o pleno funcionamento do organismo humano. Podemos afirmar que uma pessoa é saudável fisicamente quando todos os órgãos estão a cumprir as suas funções, sem impactos negativos na qualidade de vida do ser humano. É por isso, de extrema importância uma boa saúde física e, para isso, temos de cuidar dela.
Exemplos que influenciam a saúde física:
● Alimentação equilibrada;
● Praticar atividade física;
● Dormir pelo menos oito horas.
A alimentação é o processo pelo qual o organismo recebe alimento e nutrientes para as suas funções vitais como o movimento, a reprodução, o crescimento e a conservação da temperatura do corpo, entre outras.
Uma alimentação saudável requer que cada refeição seja salutar, equilibrada e diversificada
Entre os muitos benefícios de uma boa alimentação podemos salientar: peso equilibrado e controlado, melhor rendimento do trabalho, maior capacidade de memória e concentração, fortalecimento do sistema imunológico e prevenindo doenças. Exemplo de boas refeições é pôr em prática a nossa dieta mediterrânea. Não manter uma alimentação saudável pode levar ao aparecimento de doenças, com todos os malefícios que traz para o nosso bem-estar.
A saúde mental refere-se a um bem-estar no qual a pessoa desenvolve as suas habilidades pessoais, consegue lidar com o stress da vida, trabalha de forma produtiva e encontra-se apto a dar a sua contribuição na sua comunidade.
Uma boa saúde mental é fundamental para a saúde em geral! Não esqueça que a mente controla o corpo!
Podem considerar-se exemplos de Saúde Mental: estarmos bem connosco e com os outros; aceitarmos as exigências da vida e, para isso, sabermos lidar com as emoções, boas e más!
Reconhecer os nossos limites e procurar ajuda quando necessário é também de extrema importância, pois na maioria das vezes em que não sabemos como lidar com os problemas, corremos o risco de fazer coisas que põem em causa a nossa saúde física.
Publicado no Diário de Viseu a 12-04-2023.
António Dias Carneiro
Médico Interno de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar na USF Viriato,
em colaboração com a UCC Viseense
Não há sol sem sombra –
a importância da proteção solar
Desde a infância que temos presente o velho dito da sabedoria popular “O sol, quando nasce, é para todos.” E quem não gosta do sol, estrela essa sobre a qual estamos em constante órbita, capaz de afugentar o frio mais invernoso e de colorir o dia mais cinzento?
São inúmeros os efeitos positivos que associamos ao Sol. Desde a síntese de vitamina D, fundamental para a saúde óssea, até aos efeitos benéficos no nosso humor e sono, pela influência que exerce nos ritmos circadianos.
Por outro lado, cada vez mais são conhecidos os riscos associados à exposição solar excessiva, dos quais se destacam, na forma mais aguda, as queimaduras solares, na forma mais crónica o envelhecimento da pele, e mais drasticamente, as lesões pré-malignas e os vários tipos de cancro da pele.
Provavelmente toda a gente que lê este artigo sofreu ou conhece alguém que, pelo menos uma vez na vida, apanhou um “escaldão”. As queimaduras solares são o problema agudo mais frequente resultante dos banhos de sol, podendo acontecer a toda a gente, mas principalmente a pessoas mais suscetíveis, com pele, cabelo e olhos mais claros e muitos sinais e/ou sardas.
Num espectro mais grave, a exposição solar prolongada, repetitiva e crónica, associada frequentemente com uma cultura de “pele bronzeada”, assim como as queimaduras solares, estão indubitavelmente classificadas como sendo fatores de risco para desenvolvimento de lesões pré-malignas e diferentes tipos de cancro de pele.
Outra consequência da exposição crónica à radiação solar é o envelhecimento prematuro da pele, que ocorre pela perda da integridade da estrutura da derme e epiderme e pela alteração dos seus constituintes. Sinais como o aparecimento precoce de rugas finas, a despigmentação e a perda de elasticidade são facilmente identificáveis e têm a radiação solar como um dos principais fatores de risco, apesar de que o tabagismo e a poluição atmosférica, além da componente genética, também possuírem um papel relevante no seu desenvolvimento.
Todavia, apesar da disseminação da informação ser cada vez mais eficaz nos tempos atuais, continuamos a atribuir reduzida importância à proteção solar.
Existem 3 tipos de protetor solar: orgânicos (químicos), inorgânicos (físicos) e mistos. Os orgânicos absorvem radiação ultravioleta (UV - tipo A e B), enquanto os inorgânicos refletem e dispersam a radiação, protegendo contra todo o espectro UV, sendo que os mistos têm particularidades de ambos. Todos os indivíduos, qualquer que seja o fototipo (tipo de pele - desde mais clara, tipo I, a mais escura, tipo VI), estão sujeitos a potenciais efeitos adversos resultantes da radiação UV, beneficiando, portanto, do uso de protetor. Este uso é aconselhado a toda a população, no entanto é especialmente recomendado para pessoas com fototipo baixo (I a III), mais sensíveis à luz solar. O protetor deve ser aplicado em todas as zonas expostas (atenção a zonas habitualmente desprezadas, como lábios, olhos, dorso das mãos, orelhas, nuca e pescoço), 15 a 30 minutos antes da exposição, devendo ser reaplicado a cada 2 horas (mesmo no caso de protetores catalogados como resistentes ou muito resistentes à água).
Convém ressalvar, no entanto, que o conceito de proteção solar não é meramente sinónimo de uso de protetor solar, nem é somente necessário ter em consideração quando desfrutamos de um dia de praia ou fazemos uma caminhada num dia solarengo. É falsa a ideia de que “se não está calor, não queima”; a proteção solar deve ser um cuidado aprendido e ensinado pelas famílias desde a infância e realizado ao longo de todo o ano, esteja sol ou nublado, faça mais calor ou esteja o dia “fresco” (a maioria das queimaduras ocorre em dias de menor temperatura, pois a radiação UV ultrapassa as nuvens, ao contrário do calor, que pode ser filtrado). Deve evitar-se a exposição solar nas horas de maior intensidade de radiação (10h-16h), o uso de vestuário adequado (por exemplo chapéu, óculos de sol e roupa escura), permanecer abrigado à sombra e manter níveis adequados de hidratação.
Tendo em conta toda a informação, e certamente de forma não menos importante, desfrute com qualidade do tempo passado ao sol, de forma gradual e progressiva, sempre com segurança e sem prejudicar a sua saúde!
Publicado no Diário de Viseu a 29-03-2023.
Fátima Agripina Martins
Médica Dentista na URAP ACeS Dão Lafões,
Em colaboração com a UCC Viseense
Dia Mundial da Saúde Oral
O Dia Mundial da Saúde Oral, foi instituído pela Federação Dentária Internacional (FDI) e celebra-se, anualmente, no dia 20 de março. Esta data tem como objetivo dar visibilidade e reforçar a importância da manutenção da saúde oral, ao longo da vida, e o seu impacto na saúde geral, uma vez que as doenças orais se encontram entre as doenças crónicas mais comuns a nível mundial.
De acordo com dados revelados por esta associação, a maioria da população mundial adulta, e cerca de 60% a 90% das crianças em idade escolar, já sofreram de cárie dentária.
Infelizmente, durante décadas, a Saúde Oral não foi considerada como merecedora de um lugar de topo nas agendas dos governos e organizações internacionais. Contudo, nos últimos anos, a nível internacional, tem havido uma perceção crescente da Saúde Oral como parte integrante da Saúde Geral, observando-se uma mudança bastante positiva relativamente à inclusão da saúde oral nas estratégias de saúde. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) apelou à integração da Saúde Oral nos Programas de Prevenção das Doenças Crónicas.
Apesar dos tempos conturbados que atravessamos e sabendo que, muitas vezes, os recursos tendem a ser redirecionados para áreas e doenças de consequências mais rápidas e visíveis, nomeadamente em termos de mortalidade, acredito poder estar aberto caminho para um novo modelo de Cuidados de Saúde Oral, no qual se considere a Saúde Oral como parte integrante da Saúde Geral, e atento às necessidades e exigências do público e ao direito de cada indivíduo a um melhor estado da sua Saúde Oral.
Sabendo que cada pessoa deve ser a principal responsável pelo seu estado de saúde, é importante aceder a informação sobre a mesma. No que se refere à Saúde Oral, as principais doenças são:
● Cárie – doença infetocontagiosa (transmissível pela saliva), causada pelos ácidos produzidos por bactérias, na presença de restos de alimentos na boca; Se não é tratada a tempo, conduz à destruição do dente; A presença das bactérias na boca, associada a uma alimentação inadequada e a uma higiene oral deficiente, facilita o aparecimento de cáries.
● Gengivite – inflamação das gengivas que ficam vermelhas e sangram facilmente, podendo ser reversível com a melhoria de cuidados de higiene oral e caso não seja tratada irá evolui para periodontite;
● Periodontite – é também uma doença oral inflamatória, que destrói progressivamente os tecidos de suporte dos dentes e é irreversível.
Os principais sinais e sintomas de dentes cariados são, inicialmente sensibilidade a bebidas ou alimentos quentes, frios ou doces; nas fases mais avançadas surge dor espontânea e noturna.
Já na gengivite e na periodontite surgem as gengivas vermelhas e inchadas que sangram facilmente, o mau hálito, os dentes com mobilidade e/ou afastados uns dos outros.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a doença oral é a quarta doença mais dispendiosa de tratar em todo o mundo.
Na minha opinião, é importante que o profissional de Medicina Dentária procure auxiliar a população na melhoraria do estado da sua Saúde Oral e consequentemente da sua Saúde Geral, atuando não só curativamente, mas também promovendo e sensibilizando para a obrigatoriedade de serem adotados comportamentos preventivos e de promoção da saúde.
Para manutenção da sua Saúde Oral, recomendo, como médica dentista, o controlo de alguns fatores de risco, reduzindo o consumo de açúcares contidos nos alimentos processados, refrigerantes e bebidas alcoólicas; evitando o consumo de tabaco que aumenta o risco de doenças periodontais, a perda prematura de dentes e o cancro oral; melhorando a higiene oral para remoção da placa bacteriana, causadora de doenças orais.
Promover a Saúde Oral, através da escovagem dos dentes, pelo menos, duas vezes por dia, com um dentífrico com flúor, permite remover a placa bacteriana e torna os dentes mais resistentes aos ataques dos ácidos causadores de cárie.
A visita regular a um/a profissional de Medicina Dentária também é importante para prevenir, diagnosticar e tratar, precocemente, as doenças orais que possam existir.
Alguns estudos comprovam que uma boca com doença periodontal (gengivite/ periodontite), pode aumentar o risco de diabetes, doença cardíaca, cancro do pâncreas, pneumonia, entre outras.
Não esqueça… Manter uma boa Saúde Oral é crucial na manutenção da Saúde Geral e do seu bem-estar!
Publicado no Diário de Viseu a 13-03-2023.
Catarina Reis
Rui Gonçalves
Vanessa Rodrigues
Médic@s, IFE Medicina Geral e Familiar, na USF Grão Vasco,
Em colaboração com a UCC Viseense
Hiperuricemia: o que é e como prevenir
A uricemia corresponde à concentração de ácido úrico no sangue. Quando os valores se encontram elevados: geralmente >8mg/dL no homem; >7mg/dL na mulher, designamos esta situação por hiperuricemia, que pode ter efeitos prejudiciais para a vida humana.
O ácido úrico é o produto de degradação das purinas, um componente natural de alguns alimentos pertencentes à nossa dieta, como o marisco, a carne ou as bebidas alcoólicas. Assim, tanto o consumo excessivo destes alimentos, como a presença de causas hereditárias, podem conduzir ao aumento da produção de ácido úrico. Por outro lado, pessoas com doença renal prévia ou que tomem medicação que interfira com a capacidade de eliminação renal de ácido úrico podem também ter valores de uricemia elevados.
Num estudo epidemiológico português, foi verificada uma prevalência de hiperuricemia de 12,8%, sendo mais frequente nos homens. Com esta prevalência significativa, a hiperuricemia torna-se uma condição de elevada relevância clínica, por estar associada a um vasto leque de patologias, nomeadamente gota, litíase renal, doença renal crónica, hipertensão arterial, doença cardiovascular e aumento da resistência à insulina, e por consequência, diabetes.
Relativamente à gota, a hiperuricemia é o seu principal fator de risco. Esta resulta da deposição de cristais de monourato de sódio, principalmente nas articulações, quando os níveis de ácido úrico se encontram sustentadamente elevados.
A clínica aguda da doença (crise de gota) evolui de forma intermitente, com crises de artrite, normalmente auto-limitadas (1 a 2 semanas), intercaladas com períodos assintomáticos. Estas crises caracterizam-se por dor, vermelhidão e inchaço das articulações afetadas e podem ser despoletadas por fatores externos como: traumatismo local, fármacos, ingestão de alimentos ricos em purinas ou bebidas alcoólicas. Na fase inicial, habitualmente é apenas afetada uma articulação, sendo a localização mais típica no 1º dedo do pé, também conhecida como Podagra. Outras articulações, como os joelhos e os tornozelos, também são comumente afetadas. Durante as crises podem surgir sintomas sistémicos, como a febre.
Com a progressão da doença, as crises tornam-se mais frequentes e prolongadas, com tendência para atingir mais articulações, com encurtamento dos períodos assintomáticos, até que estes deixam de existir, surgindo assim a artrite gotosa crónica. Nesta fase, as articulações afetadas encontram-se permanentemente dolorosas e inflamadas, levando à deformação e incapacidade constante das mesmas. Subsequentemente, o ácido úrico começa a acumular-se também na pele e tecidos moles, originando os “tofos gotosos”, e nos rins, levando ao surgimento de litíase e, posteriormente, insuficiência renal.
A par disto, sabe-se também que a doença coronária é mais prevalente em doentes com gota, e que a mortalidade por enfarte do miocárdio é superior à das pessoas sem gota.
Existem algumas medidas que pode adotar, de forma a manter os níveis de ácido úrico dentro dos limites considerados normais:
Hidratação frequente e abundante (2-3L de água por dia);
Evite o consumo de álcool;
Modere o consumo de alimentos ricos em purinas, como carne e marisco;
Diminua o consumo de gorduras e evite o jejum prolongado;
Não se automedique sem indicação médica específica – alguns medicamentos podem aumentar os níveis de ácido úrico;
Caso lhe sejam prescritos medicamentos para tratamento da hiperuricemia, é importante que cumpra a posologia diária indicada;
Não deve suspender esta medicação específica sem consultar um/a médico/a, uma vez que a súbita interrupção da sua toma pode ter efeitos prejudiciais, como o desenvolvimento de uma crise de gota.
Não obstante, perante o aparecimento da clínica anteriormente mencionada, é fundamental consultar um/a médico/a o mais precocemente possível, dado que quanto mais cedo iniciar o tratamento, mais rapidamente se aliviará a dor. Até lá, poderá aliviar a sintomatologia com o repouso e a aplicação de gelo no local.
Procure ajuda, conte com a sua Equipa de Saúde Familiar!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/hiperuricemia-o-que-e-e-como-prevenir
Pedro Vaz
Médico, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Viriato
André Pereira
Médico, IFE Medicina Geral e Familiar, USF Cidade Jardim
em colaboração com a UCC Viseense
Sr. Doutor, o meu colesterol é adequado ao meu risco cardiovascular?
Todos os dias observamos utentes em consulta que nos trazem os resultados de análises com a avaliação do colesterol e que ficam surpresos quando os informamos que apresentam valores elevados, especialmente porque muitos, previamente, constataram que se encontram dentro dos valores de referência indicados pelo laboratório.
A abordagem e a orientação de cada utente dependerão das suas características individuais, não existindo um intervalo considerado consensual ou universal para todas as pessoas. Existem ferramentas que calculam o risco cardiovascular individual, ou seja, a probabilidade de alguém sofrer um evento cardiovascular no prazo de 10 anos (aplicam-se a pessoas com 40 ou mais anos de idade). Estas ferramentas também estimam o valor de colesterol alvo para cada pessoa, utilizando como base algumas características não modificáveis (idade e sexo) e outras modificáveis (tabagismo, colesterol e pressão arterial).
Em 2021, Portugal foi considerado pela Organização Mundial de Saúde um país com risco cardiovascular moderado.
O risco cardiovascular é estratificado em 4 níveis (baixo, moderado, alto e muito alto), sendo que o valor do colesterol LDL (conhecido vulgarmente como “colesterol mau”) a atingir depende do nível de risco que apresenta. No caso de um utente com baixo risco, o colesterol LDL deve ser inferior a 116mg/dL. Contudo, nos boletins de análises dos laboratórios, o valor considerado normal para o colesterol LDL é um intervalo padrão que não coincide com o alvo indicado para a pessoa em questão (o valor presente no boletim de análises vai até 130mg/dL, na maioria dos laboratórios). Por contraposição, se o utente se classificar em alto ou muito alto risco, o alvo para o colesterol LDL passa a ser 70 ou 55mg/dL, respetivamente.
Destaca-se que determinadas condições (por exemplo, antecedentes de enfarte cardíaco; diabetes mellitus; doença renal crónica; acidente vascular cerebral (AVC); múltiplos fatores de risco; entre outras) por si só elevam o risco cardiovascular, levando a que o utente possa ser incluído num nível de risco superior.
É importante que discuta este assunto com o/a seu/sua Médico/a de Família e compreenda em que nível de risco se inclui, definindo-se um plano conjunto para se atingir os objetivos definidos, que serão sempre individualizados. Esse plano incluirá sempre medidas não farmacológicas, tais como: 1) dieta saudável com baixo teor de gordura, com inclusão de produtos integrais, vegetais, fruta e peixe; 2) atividade física moderada - 30 a 60 minutos na maior parte dos dias; 3) evitar a exposição ao tabaco e o consumo de bebidas alcoólicas e 4) reduzir o peso corporal em excesso. Em determinados casos, estas não serão suficientes e terão de se associar medidas farmacológicas, sendo as estatinas o principal grupo de medicamentos a utilizar. Ainda que possam, em alguns casos, ter efeitos secundários, tratam-se de fármacos seguros, sendo, em grande parte, desacreditados pelos media e pela desinformação.
Portanto, da próxima vez que for avaliado o seu colesterol, discuta este assunto com o/a seu/sua Médico/a de Família e compreenda em que nível de risco se inclui e qual o valor alvo para a sua situação individual, dessa forma estará a reduzir o seu risco cardiovascular e a promover a sua saúde e bem-estar.
Publicado no Diário de Viseu a 01-03-2023.
Andrine Søraa
Estudante da Licenciatura em Enfermagem da Western Norway University of Applied Sciences – Stord, Noruega
Programa “ERASMUS +” na ESSViseu
Em colaboração com a UCC Viseense
Dia Mundial das Doenças Raras
O Dia Mundial das Doenças Raras celebra-se no último dia de fevereiro, este ano no dia 28 e a 29 em anos bissextos. O dia foi criado em 2008 defendendo a premissa de que as doenças raras devem ser uma prioridade dos direitos humanos, quer seja a nível local, nacional ou internacional, permitindo-nos contribuir para uma sociedade mais inclusiva.
Existem mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo com uma doença rara, o que equivale a cerca de 3,5-5,9% da população mundial. Em aproximadamente 72% das situações, a sua causa relaciona-se com uma condição genética, ou seja, um ou vários genes específicos herdados dos pais, que aumenta o risco de desenvolver determinada doença. Todavia estas também podem ocorrer espontaneamente durante o desenvolvimento intrauterino.
Mas como podemos afirmar que uma doença é rara?
Designa-se doença rara quando afeta 1 ou menos pessoas em 2.000. Existem mais de 6.000 doenças raras identificadas.
A longo prazo, pretende-se que a celebração do Dia Mundial das Doenças Raras permita, às pessoas afetadas por uma doença rara, acesso equitativo ao diagnóstico, tratamento, cuidados de saúde, apoio social e oportunidades sociais.
As pessoas com doença rara enfrentam alguns desafios universais:
A falta de conhecimento científico e informação de qualidade sobre a doença, resultando muitas vezes em atrasos no diagnóstico;
A necessidade de cuidados de saúde adequados, muito específicos pode gerar dificuldades no acesso aos mesmos. Isso geralmente resulta em pesados encargos sociais e financeiros para a pessoa com doença rara;
Devido à ampla diversidade de distúrbios e sintomas relativamente comuns que podem ocultar doenças raras subjacentes, é comum um diagnóstico inicial errado. Além disso, os sintomas diferem não apenas de doença para doença, mas também de pessoa para pessoa, ainda que padeçam da mesma doença.
A investigação destas doenças raras deverá ser internacional para garantir que especialistas, pesquisadores e clínicos trabalhem em parceria e partilhem o conhecimento para almejarem melhores resultados.
Neste contexto, verifica-se que para a maioria das doenças raras não existe cura, o que aumenta o alto nível de dor e sofrimento emocional/psicológico tanto da pessoa doente como das suas famílias. O tratamento passa, muitas vezes, pelo recurso a medicamentos que podem retardar a progressão ou diminuir os sintomas. Isto significa que muitas das pessoas com doença rara têm que conviver com dificuldades ao longo da vida e, em alguns casos, isso também significa que têm uma expectativa de vida menor.
Em Portugal existem diferentes organizações criadas para ajudar pessoas e famílias com doenças raras. Ter um diagnóstico destes pode significar uma necessidade de ajuda em diferentes atividades de vida e essas organizações facilitam encontrar a ajuda que têm direito a receber.
Este dia, embora direcionado para as pessoas portadoras de doença rara, deve ser um alerta para toda a comunidade, pois ao participar na sua divulgação estamos a dar visibilidade a esta causa e assim a ajudar quem precisa, contribuindo também para que todas as pessoas com doença rara tenham melhor qualidade da vida.
Podemos apoiar esta causa usando, por exemplo, o hashtag #ShareYourColours ou #CompartilheAsSuasCores nas nossas redes sociais.
Caso tenha diagnosticada uma doença rara procure ajuda, contacte a sua equipa de saúde familiar!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/dia-mundial-das-doencas-raras
Sara Lovise Tyse
Estudante da Licenciatura em Enfermagem da Western Norway University of Applied Sciences – Stord, Noruega
Programa “ERASMUS +” na ESSViseu
Em colaboração com a UCC Viseense
Dia Nacional do Doente Coronário
Ontem, 14 de fevereiro, assinalou-se o Dia Nacional do Doente Coronário, criado para sensibilizar a população para as doenças que podem surgir nas artérias coronárias e, sobretudo, promover a sua prevenção. Neste artigo, iremos abordar a função das artérias coronárias, as consequências do tabagismo como causa de doença coronária e salientar a importância de prevenir as doenças coronárias.
A função das artérias coronárias é transportar sangue rico em oxigénio para o músculo cardíaco. O transporte de sangue rico em oxigénio é importante para que o coração possa bombear sangue para todo o corpo de modo a que as células e tecidos possam receber oxigénio e nutrientes. As doenças nas artérias coronárias (do coração), são causadas habitualmente por estreitamentos, como a aterosclerose (placas de gordura nas paredes) ou obstruções provocadas por coágulos de sangue (trombos).
O tabagismo é um fator que aumenta o risco de doença das artérias coronárias. O consumo de tabaco origina um estreitamento extremo destas artérias, que leva a que os vasos sanguíneos contraiam quando a nicotina entra na corrente sanguínea. A nicotina é uma substância altamente viciante que aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e a força que o coração usa para contrair ao bombear o sangue através do corpo. O tabagismo aumenta exponencialmente a possibilidade de obstrução dos vasos sanguíneos pelo aumento do risco de coágulos sanguíneos e o incremento das placas de gordura nas artérias. Um fumador tem três vezes mais probabilidade de morrer de doença cardíaca. O fumador passivo (pessoa que não fuma), mas inala o fumo dos fumadores, está também em risco de desenvolver doença coronária.
A aterosclerose significa que as artérias ficam mais estreitas ou mesmo obstruídas pela presença de depósitos de gordura (colesterol) nesses vasos sanguíneos, esta obstrução do fluxo de sangue pode ser completa ou parcial e impede os órgãos de receber oxigénio e nutrientes em quantidade suficiente.
Apesar dos grandes avanços no tratamento da doença cardíaca coronária, as consequências destas doenças podem ser nefastas e, por isso, é fundamental a sua prevenção!
As três medidas preventivas principais são:
Melhorar o estilo de vida (abandonar o tabagismo, aumentar a atividade física, ter uma alimentação saudável e reduzir o peso);
Tratar as doenças que aumentam o risco de doença coronária como a hipertensão e a diabetes;
Realizar tratamento preventivo com medicamentos (prevenir a formação de coágulos sanguíneos e redução do colesterol).
Se precisa de ajuda, fale com a sua equipa de saúde familiar.
Não espere que surja um sintoma ou uma doença. Cuide de si e dos outros!
Publicado no Diário de Viseu a 15-02-2023.
Diana Fernandes
Especialista em Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Bronquiolite: Esclarecimentos e Dicas
A bronquiolite é infeção, geralmente vírica que provoca inflamação da parte distal do aparelho respiratório. É por afetar este conjunto de estruturas que permitem as trocas de ar (bronquíolos e os alvéolos pulmonares) que a doença torna a respiração audível, sibilante, e provoca dificuldade respiratória. Extremamente comum em Portugal, tem um pico de incidência entre janeiro e fevereiro, sendo uma das causas mais frequentes de internamentos em crianças pequenas. Habitualmente não se trata de uma doença muito grave, embora existam algumas exceções principalmente quando estão presentes fatores de risco, tais como prematuridade, baixo peso à nascença e o convívio com outras crianças, entre outros.
Esta patologia afeta crianças até aos 2 anos de idade, isto porque a criança pequena apresenta um pescoço mais curto, uma língua maior e uma árvore brônquica mais pequena e estreita, que facilmente fica obstruída com a inflamação desencadeada pelos agentes infeciosos. Geralmente é mais frequente e mais grave nos primeiros seis meses de vida até porque o sistema imunitário dos bebés é, também, mais frágil.
A bronquiolite caracteriza-se por um conjunto de sintomas que poderão ser variáveis de criança para criança e que apresentam um início mais ligeiro, com tendência a agravar num curto espaço de tempo. São eles:
Dificuldade respiratória (a barriga do bebé oscila mais rapidamente e, em situações mais graves, surgem depressões entre as costelas e na base do pescoço, tipo covinhas);
Pieira (espécie de “assobio” que se ouve na expiração);
Tosse;
Dificuldade na alimentação;
Apneias (paragens respiratórias), particularmente em bebés pequenos;
Febre, geralmente baixa.
O diagnóstico é clínico e na maioria dos casos, sem necessidade de pedir exames complementares, porém a avaliação da saturação de oxigénio ajuda a determinar a gravidade da doença e a necessidade de internamento.
Os critérios de internamento são os seguintes:
Diminuição acentuada de oxigénio no sangue;
Dificuldade respiratória significativa;
Bebés pequenos (abaixo dos 3 meses de idade);
Dificuldades marcadas na alimentação (menos de 50% da dieta habitual).
Quanto ao tratamento, este é realizado, maioritariamente no domicílio, sendo de suporte (higiene nasal, alívio da febre, fracionamento alimentar) e vigilância dos sintomas (se agravamento, recorrer novamente ao médico). Quanto ao uso de broncodilatadores, considerando que a maioria dos estudos não demonstram grande eficácia no uso generalizado, a sua utilização deve ser em função da avaliação médica, tendo em conta a história pessoal e familiar de atopia, a resposta terapêutica a uma primeira utilização, a gravidade da doença e episódios prévios de dificuldade respiratória.
Apesar de ser uma doença frequente e de alguns dos fatores de risco não poderem ser controlados, existem algumas medidas simples, que poderão ser adotadas como forma de prevenção, nomeadamente:
Lavagem frequente das mãos;
Limitar o contacto de pessoas com infeções respiratórias, nomeadamente com irmãos que frequentam o infantário;
Evitar locais de grande concentração de pessoas, poluídos e/ou com fumo de tabaco.
Publicado no Diário de Viseu a 01-02-2023.
Enfermeiro Diogo Carvalhais
Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica
Unidade de Cuidados na Comunidade Viseense
Com que frequência abraça os seus filhos?
Todos nós temos vidas muito ocupadas e stressantes, bem como temos preocupações intermináveis enquanto pais, mas torna-se evidente que uma das coisas mais importantes e necessárias é parar e dar um grande abraço, carregado de afetos, aos nossos filhos.
A existência de uma maior autoestima, um melhor desempenho académico, uma melhor comunicação entre pais e filhos, bem como menos problemas psicológicos/comportamentais estão associados a esta demonstração de emoções e afetos. Por outro lado, crianças que não têm pais afetuosos tendem a ter uma autoestima mais baixa e a sentirem-se mais alienadas, hostis, agressivas e antissociais.
É cientificamente aceite que o amor e o afeto manifestados pelos pais para com os seus filhos têm efeitos positivos ao longo da vida. Existem vários estudos recentes que o sustentam:
Um estudo de 2010 constatou que bebés com mães muito afetuosas e atenciosas se tornaram adultos mais felizes, mais resilientes e menos ansiosos. Tal fato comprovou-se, pois, estes indivíduos foram questionados, passados 30 anos, sobre a sua saúde emocional, relatando menos hostilidade, menos interações sociais angustiantes e menos sintomas psicossomáticos. O mesmo estudo concluiu que tal se deve à oxitocina, uma substância química libertada no cérebro durante os momentos em que uma pessoa sente amor e conexão.
Outro estudo, em 2013, demonstrou que o amor incondicional e o carinho dos pais podem tornar as crianças emocionalmente mais felizes e menos ansiosas, resultante de mudanças cerebrais como consequência do afeto, podendo efetivamente proteger contra os efeitos nocivos do stress infantil.
Também em 2015, um estudo demostrou que crianças que recebem carinho dos pais na infância se tornam adultos mais felizes. Este estudo avaliou ainda os benefícios do contato pele com pele para os bebés, concluindo que este contato os acalma, permitindo que durmam mais e chorem menos, bem como impulsiona o desenvolvimento do cérebro. A ausência deste contato leva ao aumento do cortisol (hormona do stress), como ocorre, por exemplo, em crianças em orfanatos por comparação com aquelas que vivem com os pais.
Finalmente, inúmeros estudos sobre os efeitos da massagem mostram os benefícios positivos que esta produz na redução da ansiedade e stress em crianças. A massagem também é uma boa maneira de os pais se “ligarem” aos seus filhos, tanto física quanto emocionalmente, criando um vinculo forte.
Então, como é que você pode adicionar mais afetos e emoções no seu dia-a-dia?
Todos os dias certifique-se de que segura o seu filho, que lhe toca, que o abraça, que lhe dá mimos, para que a pele dele toque na sua.
À medida que ambos vão crescendo, seja brincalhão e vá fazendo atividades divertidas, como dançar juntos ou criar jogos interativos que impliquem o contacto físico.
Outra ideia interessante é usar o carinho e o toque enquanto educa o seu filho. Ao falar com eles sobre o que fizeram de errado, coloque a mão no ombro e dê-lhes um abraço no final da conversa para garantir que, mesmo que você não esteja satisfeito com o comportamento deles, os continua a amar. Se o seu filho bater na irmã ou no irmão, abrace-o e explique como é melhor abraçar do que bater.
Não se esqueça, tenha atenção para não exagerar e sufocar os seus filhos, respeitando o seu nível de conforto individual e tendo sempre consciência de que isso mudará à medida que eles forem passando por diferentes fases no seu crescimento.
“Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a.”
Johann Goethe
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/Rins-tao-pequenos-mas-tao-importantes-
Enfermeira Raquel Gil, mestranda do 6ºCurso de Mestrado em Enfermagem Comunitária do IPV-ESSV, em colaboração com a UCC Viseense
Assinala-se anualmente a 30 de janeiro o Dia Escolar da Não Violência e da Paz. Data instituída em 1964 pelo poeta, pedagogo e pacifista espanhol Llorenzo Vidal e que seria acolhida a nível internacional com o objetivo de despertar a comunidade escolar e a sociedade civil para a promoção de uma educação que promova os valores do respeito, igualdade, tolerância, solidariedade, cooperação e não violência. Foi escolhido o dia 30 de janeiro por assinalar o falecimento do grande pacifista indiano Mahatma Gandhi.
A violência entre pares no espaço escolar é uma frequente e cruel componente da interação entre jovens de todo o mundo, tanto nos países ditos ricos como pobres e com implicações importantes quer no percurso académico quer pessoal. A escola surge, portanto, como contexto privilegiado para as intervenções de educação para a saúde no âmbito da prevenção da violência no espaço escolar, onde as práticas mais assiduamente aplicadas na enfermagem, que promovem o cuidar do outro de forma empática e integral se ajustam ao processo pedagógico e educativo, que como processo de cuidar é um trabalho que ocorre na esfera das relações interpessoais, sempre em interação.
Para o processo educativo temos pelo menos dois ambientes fundamentais. A família e a escola. Cada um, com o seu papel e responsabilidades, trabalha nesta formação, e como em qualquer fase do ciclo de vida o resultado será diretamente proporcional ao cuidado que lhe for dedicado. No contexto da prevenção da violência no espaço escolar, fazer emergir a sensibilidade dos intervenientes é um desafio. Porém, a educação positiva, que de uma maneira equilibrada é firme e gentil, através de práticas pedagógicas e educativas centradas na integralidade das crianças e jovens, pode favorecer o despertar da empatia com a intenção de aprofundar os valores humanos, as ideias de acolhimento, o sentido de unicidade e de responsabilização.
A intervenção de pais, professores e profissionais de saúde, através de uma abordagem socioemocional baseada no amor, respeito, na compreensão e partilha oferece a crianças e jovens um ambiente de afetividade que estimula a saúde e o bem-estar físico, a autoestima, a confiança e a empatia, fortalece os vínculos e cria relacionamentos saudáveis com evidente diminuição de conflitos entre pares. A promoção de um ambiente em que o sorriso é uma constante, tratar pelo nome é a norma, em que escutar constrói confiança, em que a inclusão é um talento e a comunicação é expressiva, reveste-se de particular importância para o sistema educativo, para o sistema de saúde, mas sobretudo para as crianças e jovens.
Estratégias que reforçam comportamentos não violentos baseiam-se em princípios de formação e educação fundados no afeto e no amor. Não há educação sem amor. Garantidos pelos participantes no processo educativo incorporam atitudes sensíveis e de incentivo ao autoconhecimento. Ensinar crianças e jovens a pensar sobre pequenas questões diárias, a refletirem sobre as suas atitudes e aproveitar os momentos de frustração para promover o diálogo vão ajudá-la a expressar os seus sentimentos e promover a adesão a comportamentos de tolerância e cooperação.
Compreendendo que o amor constitui a base da sociedade e uma necessidade humana, tem o potencial de transformar pessoas, e no contexto escolar, de as transformar favoravelmente enquanto crescem. Durante o último ano a caminho do trabalho percorro um estaleiro em obras. Num muro contíguo à obra surgiu um dia, em letras pretas, grandes o suficiente para serem lidas à distância, a mensagem: “O amor é importante”. Ao longo dos meses as obras avançaram e o muro acabaria por ser pintado de branco. Mas a mensagem permaneceu. Gosto de pensar que foi deixada ficar intencionalmente!
Publicado no Diário de Viseu a 18-01-2023.
Enfermeiro Filipe Carreira
Um dos direitos dos cidadãos em Portugal é o direito à proteção da saúde. Para tal, o estado português assegura este direito através do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que abrange todas as instituições e serviços oficiais prestadores de cuidados de saúde dependentes do Ministério da Saúde, nomeadamente os Agrupamentos de Centros de Saúde (ACeS) como o ACeS Dão Lafões, os estabelecimentos hospitalares como o Centro Hospitalar Tondela Viseu, e as Unidades Locais de Saúde (ULS) como a ULS da Guarda.
Os ACeS são serviços de saúde constituídos por várias unidades funcionais, que integram um ou mais centros de saúde, onde trabalham médicos de família (Medicina Geral e Familiar), médicos de saúde pública (delegados de saúde) e enfermeiros, que prestam cuidados de saúde essenciais, preventivos ou curativos. Nestas unidades funcionais, trabalham também assistentes técnicos (administrativos), assistentes operacionais (auxiliares), assistentes sociais, psicólogos, fisioterapeutas, dentistas, higienistas orais, técnicos de saúde ambiental, técnicos de diagnóstico e terapêutica, entre outros, procurando dar resposta às necessidades da população, em Cuidados de Saúde Primários, de forma articulada.
A unidade funcional mais comum de acesso aos cuidados de saúde nos ACES são as Unidades de Saúde Familiar (USF), onde cada utente/família pode realizar a vigilância de saúde com a sua equipa de saúde familiar (médico e enfermeiro de família). Esta equipa tem como objetivo a prestação de cuidados de saúde globais às famílias, em todas as fases da vida. São realizadas consultas de vigilância no âmbito da saúde infantil (crianças), saúde materna (grávidas), saúde do adulto, doença crónica (diabetes, hipertensão e outras), planeamento familiar, entre outras. São ainda responsáveis pela implementação do plano nacional de vacinação, bem como atendimento de situações de doença aguda que não carece de atendimento hospitalar (urgência/emergência) e ainda referenciação para unidades hospitalares para consulta de outras especialidades, quando identificada essa necessidade.
Os serviços de urgência, integrados nas instituições hospitalares, devem ser utilizados para situações que realmente sejam de urgência/emergência e não para situações “simples” que poderão ser resolvidas na sua Unidade de Saúde Familiar. A grande afluência aos serviços de urgência vai aumentar o tempo de espera e de reposta às situações que realmente necessitam de rápida resolução. Deve recorrer a estes serviços nas situações clínicas que não podem ser resolvidas no exterior, situações previsivelmente graves ou situações em que a demora de diagnóstico e/ou tratamento possa acarretar graves riscos para a saúde da pessoa. Têm prioridade no atendimento, pessoas em situação de perigo de vida, como um acidente significativo, intoxicação, entre outros; em situação de doença súbita grave, como dor aguda sem resolução, ataque epilético, grande traumatismo, hemorragia, queimaduras extensas, entre outros; doentes referenciados com carta, com pedido de observação.
Se acha que precisa de atendimento no âmbito da saúde, contacte, em primeiro lugar, a sua Unidade de Saúde Familiar. Caso não consiga contactar, opte por ligar ao Centro de Contacto do SNS - SNS 24 (808 24 24 24) para expor a sua situação e, caso se justifique, será encaminhado para o serviço adequado.
Aproveite o novo ano que agora começa para contactar a sua unidade de saúde e manter o acompanhamento pela sua equipa de saúde familiar. Depois de três anos “assombrados” pela COVID-19, vamos promover a retoma dos cuidados de saúde!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/se-nao-e-urgente-hellip-va-ao-seu-centro-de-saude-
Enfermeira Teresa Gomes
Chegou 2023!…
E com ele, muitas resoluções de Ano Novo, quer particulares quer de grupo. Estas determinações podem ser motivadas por inúmeras razões, no entanto, quando as fazemos temos de estar cientes se podem ser atingíveis e exequíveis, minimizando ao máximo o sentimento de “não alcance” por pensamento de que “mais uma vez falhei…mais uma vez não tive a motivação suficiente…”.
Agradeça pelo momento aqui e agora, pela casa que o protege das intempéries, pela comida que o/a alimenta, pelas roupas que o/a aquecem, pela cama que lhe permite um sono reparador, pela água que sem ela não existiria vida na Terra, por todas as invenções ao longo dos tempos que ajudam a melhorar a qualidade de vida. Não abrande e tome tudo por garantido, mas em vez disso, espere de si trabalho, compromisso, responsabilidade. E, se os outros não esperarem o mesmo, você está lá, ao lado, para partilhar estes valores. Não espere que todas as pessoas mudem por si mesmo, ajude, apoie, esteja presente, oriente e acima de tudo não faça por eles/as o caminho, mas dê-lhes ferramentas para o fazer.
Fale de Amor. Envie mensagens de carinho e apreço, faladas ou escritas, e que vão do simples “tu significas tanto para mim” a observações do tipo “estou tão feliz por ti”. Cultive a presença através da disponibilidade, do contacto visual e da capacidade de escuta sem distrações várias.
Quando as ações valem mais do que mil palavras e incluem atos voluntários em pequenos gestos. Se oferecer um presente a alguém, faça-o àquela pessoa e não ofereça o que qualquer uma pessoa quereria. Personalize o seu amor, afeto, amizade. Demonstre proximidade afetiva regularmente, como dar a mão ou tomar um café. E pense todos os dias, o que é que pode fazer por si e por alguém que tenha apreço.
Para muitos a imagem de alguém pode ser o seu Herói. Por isso, distribua sorrisos, viva o que diz, fale o que condiz, torça pela felicidade daqueles/as que ama. Seja feliz no seu interior, sem necessidade de provar nada a ninguém. Ame e deixe-se ser amado. Viva o dia presente, lembre-se do que e de quem realmente foi importante na sua vida, sorrindo. Não espere só pelo amanhã, mas acredite que conseguirá atingir os objetivos que traçou. Sorria ou chore sempre que for importante. Aprenda e ensine com humildade. Seja você mesmo/a de alma tranquila e coração aberto.
A Vida nem sempre é fácil, mas é para ser vivida com o máximo de intensidade possível por cada pessoa. Às vezes alegre, outras difícil. Mas lembre-se que por cada alto ou baixo na Vida, poderemos sempre aprender lições que nos fortalecem para o passo seguinte!
Publicado no Diário de Viseu a 04-01-2023.