Enfermeira Elisabete Gomes
Aluna do 4º Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
Enfermeira Elisabete Gomes
Aluna do 4º Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
O sono é um processo biológico natural do organismo e essencial à reparação e manutenção do equilíbrio bio-psico-social do ser humano.
Num processo natural, o que regula o nosso sono é a luz. Quando o dia começa a escurecer, os olhos enviam um sinal para o hipotálamo, a informar de que está na hora de se sentir cansado. Esta parte do cérebro, por sua vez, envia sinais para o corpo, através da melatonina, “hormona do sono”, fazendo-o sentir esse cansaço. Por exemplo, assim que a luz ambiente diminui, ou seja, depois do sol se pôr, a hormona melatonina começa a ser produzida e a temperatura do nosso corpo começa a descer. Estas duas situações diminuem o estado de alerta, provocando maior predisposição para a iniciar o sono. Com a luz do amanhecer, a melatonina deixa de ser produzida, pois ela é sensível à luz, dando lugar à produção do cortisol, “hormona do stress” que faz aumentar o estado de alerta e nos prepara para um novo dia.
Durante o sono de qualidade, existe a produção de várias hormonas (cortisol, insulina-regula o açúcar no sangue, grelina-estimula a sensação de fome, leptina-inibe a fome, hormona de crescimento, melatonina), sendo que um bom sono se pode repercutir na diminuição do risco cardiovascular, no controlo da diabetes, na prevenção do aumento de peso, no desempenho físico e no crescimento, na redução do stress, no rejuvenescimento da pele, na melhoria da vida sexual, na melhoria da função do sistema imunológico, no aumento do limiar para a dor.
Neste sentido, é também durante o sono que ocorrem múltiplas funções que são benéficas para corpo e mente, nomeadamente, a capacidade de memória, aprendizagem e de decisão lógica. Por outro lado, o sono influencia o nosso sistema imunitário, regula o metabolismo - quer pelo equilíbrio da glicose e da insulina, quer pelo balanço entre hormonas da saciedade e do apetite - e influencia o sistema cardiovascular.
São vários os fatores que interferem com os padrões normais de sono, como estilos de vida exigentes, stress, postos de trabalho com longos expedientes, regime de horários rotativos ou por turnos, onde muitos profissionais de saúde se incluem, entre outros, efeito de Jet Lag, exigências familiares e sociais e o acesso difundido aos meios de comunicação, constituem atualmente, as principais causas ambientais e sociais de privação do sono.
Uma das consequências da privação do sono é a insónia. Esta insónia que pode ser inicial se a pessoa tem dificuldade em adormecer, intermédia se tem despertares frequentes e prolongados durante a noite e final se acorda antes do horário habitual e não consegue voltar a adormecer.
Devido à tendência para a cronicidade, a insónia, está associada a perdas substanciais na qualidade de vida da pessoa, podendo mesmo levar á depressão.
Em comparação com pessoas que têm um sono de qualidade, as pessoas que apresentam perturbações persistentes do sono, referem perda de qualidade de vida, nomeadamente, aumento do risco e da gravidade de algumas doenças, como por exemplo hipertensão arterial e doenças cardíacas; doenças mentais, como depressão, distúrbio de ansiedade ou abuso de substâncias (comportamentos aditivos); menor produtividade laboral ou escolar; tempo de reação mais lento e maior risco de acidentes; desempenho diminuído no trabalho, e maior utilização de serviços de saúde.
Existem, no entanto, algumas mudanças de comportamentos individuais, que podem ajudar na regulação do sono, tais como:
Boa higiene do sono, inclui um horário regular na hora de deitar, sestas até 30 minutos, atividades relaxantes antes de dormir, um ambiente de sono confortável e não usar a cama para trabalhar, comer ou ver televisão. O uso de computadores, televisão, videojogos, telemóveis, ou outros aparelhos eletrónicos antes de dormir, interferem no ciclo de sono;
Quarto confortável para dormir - usar o quarto apenas para dormir ou sexo. Manter o quarto escuro e silencioso, a uma temperatura agradável. Retire todos os relógios do seu quarto, para não se preocupar com a hora;
Evitar o consumo de cafeína, nicotina, álcool e medicamentos estimulantes;
Fazer exercícios, durante o dia, apenas, até meio da tarde.
Evite comer muito e bebidas antes de dormir, coma pouco e beba menos líquidos pouco tempo antes de dormir para não precisar urinar, com tanta frequência durante a noite;
Acalmar a mente usando técnicas como a meditação e relaxamento.
É importante perceber que, nas diferentes fases de desenvolvimento, existem por norma, diferentes necessidades diárias de sono. A Sociedade Mundial do Sono aconselha: 15 a 17 horas para crianças entre os 0 - 3 meses; 14 a 15 horas para crianças entre os 3 - 12 meses; 12 a 14 horas para crianças entre os 1 - 3 anos; 11 a 13 horas para crianças entre os 3 - 5 anos; 10 a 11 horas para crianças entre 6 - 12 anos; 8,5 a 9,5 horas para crianças entre 12 - 18 anos; 7 a 8 horas para adultos e idosos.
O sono desempenha um papel fundamental na recuperação da energia para o dia seguinte, no equilíbrio metabólico e no desenvolvimento físico e mental. Ele é tão importante para saúde quanto uma dieta saudável e atividade física regular. Seja qual for a causa da perda do sono, ela afeta a pessoa mental e fisicamente
No entanto, quando os problemas relacionados com um sono de qualidade se tornam muito frequentes e nenhuma das sugestões acima parece solucioná-los, a melhor solução é marcar consulta com a Equipa de Saúde Familiar, que certamente ajudará a resolver a situação ou encaminhará para profissionais de saúde especializados em Saúde Mental.
Publicado no Diário de Viseu a 05-01-2022.
Enfermeiro Carlos Miguel
Aluno do 4º Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
Nunca se falou tanto de vacinas e das dúvidas sobre a sua eficácia como agora. Estamos, pois, a falar das vacinas contra a COVID-19. Talvez o motivo destas dúvidas seja pelo facto de ser uma vacina que teve um desenvolvimento muito mais rápido do que alguma vez aconteceu com qualquer outra vacina.
Este desenvolvimento rápido deveu-se a um conjunto de fatores, tais como a vivência da maior pandemia histórica desde a gripe espanhola; a urgência da situação causada levou os governos e entidades privadas a não medir esforços para financiar a investigação; e grande parte das indústrias farmacêuticas envolveram-se no mesmo propósito.
Apesar de haver provas dadas da eficácia das vacinas contra a COVID-19 relativamente à administração efetuada em adultos e adolescentes a partir dos 12 anos, com redução significativa do número de internamentos e de mortes, causado pela doença provocada pelo SARS-Cov2, como referem os relatórios da DGS, ainda assim as dúvidas permanecem, quando se refere à administração das mesmas vacinas às crianças com menos de 12 anos.
De facto, nas crianças, a COVID-19 é habitualmente uma doença assintomática ou ligeira e, felizmente, continuam a ser raros os casos graves que obrigam a internamento ou a admissão em unidades de cuidados intensivos, ocorrendo estes maioritariamente em crianças com fatores de risco. Por esta razão, a vacinação das crianças não tem reunido consenso de todos os pediatras, mesmo depois de divulgados pareceres técnicos que demonstram que a vacina é segura e eficaz, o que provoca ainda maior dúvida nos pais, se devem ou não vacinar os seus filhos.
Para que estas dúvidas desapareçam, é importante que todos os pais/ encarregados de educação percebam quais as vantagens e desvantagens da vacinação. As melhores pessoas para esclarecer estas dúvidas, com certeza, serão os profissionais de saúde, nos quais os pais depositam confiança, como o médico/ enfermeiro de família ou pediatra que habitualmente segue as crianças e as conhece muito bem, relativamente à sua saúde.
No entanto, e segundo a prática clínica, as vantagens são muito maiores do que as desvantagens, se não vejamos:
Existe um enorme número de crianças, abaixo dos 12 anos, que têm de ficar em casa, por estarem infetadas.
Aquando da teleconsulta efetuada às crianças que ficam em casa, infetadas a primeira pergunta que fazem é: "Vou morrer?"
Estas crianças desenvolvem ataques de pânico e crises de ansiedade, recusando mesmo sair de casa, ou apresentam comportamento de oposição, ou seja, contrariam tudo e fazem birras em idades em que já não é normal.
Na realidade, as crianças são fortemente prejudicadas, devido aos confinamentos sucessivos que afetam seriamente a sua aprendizagem e a sua saúde mental, aumentado o risco de pobreza e de maus-tratos, uma vez que, para várias crianças, as refeições completas que fazem, são na escola.
É importante vacinar! Não tenham medo! As vacinas contra a COVID-19 são seguras e eficazes, protegem contra doença grave e reduzem a transmissão da infeção, embora não a impeçam por completo.
Dados concretos sobre a vacina contra a COVID -19 publicados em estudos científicos pelas autoridades de saúde competentes, demonstram que:
Existe segurança e eficácia da vacina comprovada nestas idades;
Experiência e dados de vida real (após vacinação de cinco milhões de crianças dos 5 aos 11 anos nos EUA) validam e reforçam a segurança da vacina e que até à data, não existem efeitos secundários graves reportados com a vacinação nestas idades;
A vacina protege contra a infeção e doença grave por SARS-CoV-2;
A vacina diminui a transmissão do SARS-CoV-2 na população e nas famílias; a vacina diminui o tempo de carga viral presente nos infetados.
Por outro lado, além dos benefícios diretos da vacina no que respeita à proteção da criança e da comunidade, a vacinação pode ter um papel importante na vida social e educativa da criança, ao permitir, com uma mudança dos critérios de isolamento profilático, uma menor perturbação da vida social e educativa da criança.
Não esquecer! É necessário manter medidas de prevenção eficazes, nomeadamente, a etiqueta respiratória, a higienização frequente das mãos e o uso de máscara sempre que adequado!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/Covid-19-Vacinas-e-Saude-Mental-
Enfermeiro Carlos Miguel
Aluno do 4º Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
Diariamente, em todo o mundo, algumas pessoas tomam a decisão mais difícil das suas vidas: deixar as suas casas em busca de um futuro melhor e em segurança.
Ao longo da história, as migrações têm sido uma constante da vida. As razões pelas quais as pessoas migram são variadas e muitas vezes complexas. Alguns mudam-se para outros países para melhorar a sua situação económica, outros deixam os seus países para fugir à violações dos direitos humanos, como tortura, perseguição, conflitos armados, pobreza extrema e até a morte, por exemplo, refugiados e exilados.
Antes, durante e após o processo migratório, os imigrantes estão sujeitos a pressões psicológicas de vários tipos, bem identificadas na literatura internacional, e que se prendem basicamente com a quebra dos laços familiares, sociais e culturais e as dificuldades de adaptação ao país de acolhimento. Esta situação pode causar problemas de stress, ansiedade e depressão que se prolongam durante anos, com tendência a agravarem-se, se não forem diagnosticados e tratados corretamente.
A saúde mental é um dos aspetos de maior risco nos migrantes. De acordo com dados de alguns relatórios a nível europeu, os problemas de saúde mental, são agravados por uma deficiente inserção comunitária, por níveis sociais e económicos mais baixos que o nível médio do país de acolhimento e por barreiras linguísticas e culturais. Falta de informação, incerteza sobre o estatuto do migrante, potencial hostilidade, mudanças de políticas, detenção indigna e prolongada aumentam os problemas de saúde mental.
A migração forçada requer adaptações importantes num curto período de tempo. As crianças, especialmente, mas não apenas, ficam mais vulneráveis para serem abusadas e negligenciadas. É importante destacar que a forma de como os migrantes são recebidas, e como a proteção e assistência são providas, pode induzir ou agravar os problemas de saúde mental.
Portugal tem das melhores práticas, reconhecidas a nível internacional, na integração de migrantes e no acolhimento de refugiados, sendo que, atualmente, poderá afirmar-se, que estes cidadãos têm consolidado o seu acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), em igualdade de direitos e deveres com os cidadãos nacionais.
Segundo orientações técnicas da DGS, sobre Migrantes e Refugiados, publicada a 08 de maio de 2020, a proteção da saúde dos migrantes e o seu acesso aos cuidados de saúde são reconhecidos como:
Um direito humano e um direito básico de acordo com os valores e princípios constitucionais;
Vitais para a integração dos migrantes e um fator crítico para reduzir a pobreza e as desigualdades sociais e;
Essenciais para a coesão social e proteção da saúde pública e bem-estar de todos,
Estes princípios têm a sua expressão e consagração na arquitetura legal do SNS, de matriz universal e (tendencialmente) gratuito, na qual a Constituição da República Portuguesa e a Lei de Bases da Saúde, conferem a todos os cidadãos, incluindo a população migrante, o direito à proteção da saúde independentemente da sua condição económica, social ou cultural.
No contexto de uma Pandemia, as medidas de confinamento, auto-isolamento e distanciamento social são particularmente exigentes para estas populações. Assim, esta orientação da DGS, flexibiliza alguns procedimentos com o objetivo de dispensar a necessidade de deslocação aos serviços.
Em 2020 existiam mais de 80 milhões de pessoas que foram forçadas a sair do seu país de origem devido a perseguição, violência, conflitos armados ou outras violações dos direitos humanos.
Estima-se que existam mais de 4 milhões de pessoas, em todo o mundo, consideradas «apátridas», nenhum país as reconhece como nacional. É importante refletir!
“Não tenho saudades. Afinal de contas, estou em casa. Sob o céu, uma pessoa está em casa. Em cada lugar do mundo está-se em casa, quando uma pessoa traz tudo consigo. (…) Uma pessoa deve ser a sua própria pátria”. Etty Hillesum
Publicado no Diário de Viseu a 19-01-2022.
Enfermeira Érica Fonseca
Aluna do 4º Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
Literalmente traduzida do inglês a palavra Burnout significa “queimar até à exaustão”, na gíria portuguesa dir-se-ia “queimar os fusíveis”.
Bournout foi uma palavra que se tornou viral, repetida um sem número de vezes, pelos órgãos de comunicação social, quando se referem aos profissionais que, permanentemente, prestam de cuidados a pessoas com covid, quer seja em meio hospitalar, na comunidade ou noutras entidades, como, Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI), ou profissionais que trabalham no transporte de doentes, ou mesmo, os que mantêm a segurança pública.
Então, Bournout é uma síndrome que se manifesta por um estado de exaustão física e mental, associado a uma situação repetitiva de tensão, pressão e exigência de constante responsabilidade e produtividade, ou seja, é uma resposta complexa ao stress profissional prolongado ou crónico.
Desde sempre conhecida como uma perturbação mental, com sintomas psiquiátricos, desencadeada predominantemente, por fatores do foro laboral, a Organização Mundial de Saúde (OMS), em conferência, no ano de 2019 reformulou a sua classificação. Assim, a partir de 1 janeiro de 2022, a Síndrome de Burnout, na Classificação Internacional de Doenças (CID 11), passa a ser classificada como uma doença de trabalho, cuja definição é “estresse crónico de trabalho que não foi administrado com sucesso”.
Esta síndrome pode ocorrer em qualquer pessoa, sujeita por um longo período de tempo, a situações profissionais desmesuradamente exigentes e num ambiente hostil, que não consegue gerir.
Sujeita a pressões extremas como, horário de trabalho acrescido, excesso de trabalho e responsabilidades, alcance de objetivos irrealistas, prazos de entrega curtos, instabilidade contratual (…) a pessoa passa por um período de hiperatividade em que procura corresponder às exigências efetuadas. Findo este período, segue-se uma fase de ira, raiva e sensação de injustiça, esgotamento mental e físico, o qual requer tratamento psicoterapêutico e medicamentoso.
Esta nova formulação da Síndrome de Burnout, enquanto doença ocupacional, acarreta alterações na forma como é resolvida em contexto legal, judicial e financeiro, responsabilizando as empresas/empregadores, no caso do diagnóstico do trabalhador, comprovado pelo médico da medicina do trabalho ou outro. Na prática, a empresa passa a ter mais responsabilidade em relação ao bem-estar mental dos seus funcionários.
Numa vertente mais otimista, a perspetiva do risco de perda financeira poderá funcionar como catalisador, para que os empregadores invistam na prevenção destas situações, através da melhoria das condições gerais de trabalho, ambientais, estruturais e humanas, e promovam a literacia dos funcionários com palestras, sobre educação para a saúde e estratégias para lidar e gerir o estresse no trabalho.
Neste contexto é importante esclarecer que estresse é diferente de Síndrome de Burnout. O estresse é uma resposta natural do organismo, que atua como mecanismo de defesa, com uma forte componente física. Conhecida como reação de “luta-fuga”, surge em situações que causam impacto na nossa vida, colocando-nos em situação de alerta, fisiologicamente hiperativos, com intensificação da concentração e emoções para que possamos corresponder de forma adaptativa e positiva às circunstâncias.
Em meio laboral o estresse pontual, é adaptativo e potenciador de produtividade. Prolongado no tempo e de forma desajustada, atua na pessoa de forma negativa, “congelando-a”, desgastando-a fisicamente e proporciona o aparecimento de crises de ansiedade, pânico e fobias. Atua como fator precipitante da síndrome de Burnout, em que a dimensão afetada, é essencialmente emocional.
Manifesta-se por sensação de incapacidade, perda de interesse geral, baixa autoestima e autoconfiança, perda do gosto e de apreciação das atividades de vida, que anteriormente eram significativas. Fisicamente a pessoa fica debilitada, podendo sentir palpitações, dores de cabeça, dores musculares, falta de apetite, insónia e alterações hormonais.
Resta aconselhar e sugerir alterações nos hábitos de vida, pois o fator fundamental para evitar o Burnout é a prevenção, a qual não é somente responsabilidade das entidades patronais. Cada pessoa deve responsabilizar-se pela promoção da sua própria saúde, agindo em conformidade para alcançar o seu bem-estar geral. Como tal, deve identificar as situações que provocam alterações no seu equilíbrio interno e procurar estratégias para as gerir:
Evitar situações desgastantes;
Permitir-se diariamente ou, pelo menos, 3 vezes por semana, realizar uma atividade prazerosa;
Praticar exercício físico, cumprir com horas regulares de sono, e alimentação saudável;
Praticar técnicas de respiração e relaxamento, cujo efeito tranquilizador é imediato, mas necessitam de orientação profissional experiente;
Tomar um banho relaxante, efetuar uma massagem ou um passeio ao ar livre, servem para fomentar a tranquilidade;
Trabalhar a individualidade, personalidade e crenças, praticar o autoconhecimento, autoavaliação com identificação das forças e fraquezas, praticando o perdão por não sermos perfeitos e estar em paz connosco próprios.
Gostar de mim, para estar bem com os outros!
Em suma, se apresentar sinais e sintomas da síndrome de Bournout, aplique estas estratégias, se ainda assim não resolver, marque consulta com a sua equipa de saúde familiar, com certeza irá ajudar!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/Bounout-hellip-declarada-doenca-Ocupacional-
Enfermeira Teresa Martins
Reconhecemos, na nossa sociedade, que a saúde é um bem precioso e a própria Constituição Portuguesa, no seu artigo 64º, também a inclui nos direitos fundamentais dos cidadãos. Porém, sabemos que atingir o melhor estado de saúde é uma responsabilidade individual e social, desde o nível da comunidade local, regional, ao nacional e até mesmo internacional. Neste âmbito assinala-se, no próximo dia 4 de fevereiro, o Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, instituído no ano 2000, na Cimeira Mundial Contra o Cancro para o Novo Milénio, em Paris.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aliou-se à União Internacional de Controlo do Cancro (UICC), com o objetivo de sensibilizar a população mundial e mobilizá-la nesta luta. A iniciativa apela à aliança entre investigadores, profissionais de saúde, utentes/doentes, governos e parceiros da indústria, no sentido de desenvolver ações, tanto na prevenção como no tratamento do cancro. Esta rede de cooperação internacional, onde Portugal se inclui, está empenhada em conduzir a comunidade no sentido de reduzir o cancro no planeta, promovendo maior igualdade e integrando o assunto do controlo do cancro na agenda mundial de saúde e desenvolvimento.
A informação capacita-nos para reconhecer sinais de alerta e fazermos escolhas informadas sobre a nossa saúde, contribui para a redução da incidência e também para uma intervenção precoce na doença. Sabe-se que pelo menos 1/3 dos cancros são evitáveis, logo dá-nos boas razões para fazer opções mais saudáveis no dia a dia e ao longo da vida.
Não existe uma causa única para o cancro, e ao contrário do que se possa pensar, apenas uma minoria, entre 5 a 10%, têm relação com alterações genéticas hereditárias. A esmagadora maioria das doenças oncológicas deve-se, pois, a fatores comportamentais, como o estilo de vida e ambientais como o meio em que se vive, condicionando a exposição a determinados agentes ao longo do tempo.
Os fatores de risco comportamentais são modificáveis e, dentro destes, salientamos alimentação com pouca qualidade e/ou obesidade, e os hábitos tabágicos que parecem estar relacionados com o maior número de cancros evitáveis. Apostar num estilo de vida mais saudável, reduzir o consumo de sal, açúcar, alimentos processados e ricos em gorduras saturadas (carne vermelha, manteiga e queijo gordo) e optar por outros com maior teor de gorduras insaturadas (peixe, azeite, abacate e nozes), incluir diariamente alimentos frescos como fruta e hortícolas na dieta e ingerir água suficiente, são importantes na sua prevenção.
Para além da prevenção, é fundamental que o cancro seja detetado numa fase precoce do seu desenvolvimento, para que possa ser tratado e curado.
Na luta contra o cancro é muito importante adotar hábitos de vida saudáveis, mas também fazer exames de rastreio regulares diagnosticando eventuais doenças o mais cedo possível para que o tratamento seja mais eficaz. Através da Equipa de Saúde Familiar é possível realizar rastreio do cancro da mama, do colo do útero e do cancro colorretal (intestino).
Assim, o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento oncológico precoce permitem salvar vidas! O acesso deve ser para todos pois, ao mesmo tempo que vivemos numa época de grandes avanços científicos e tecnológicos a todos os níveis. No controlo desta doença, ainda existem muitas barreiras que dificultam o acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento, como: a falta de conhecimentos, a localização geográfica, a capacidade económica e os vários tipos de discriminação entre pessoas (com base na etnia, género, orientação sexual, idade). Por isso, este ano, o tema do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro, “Por Cuidados Mais Justos”, pretende aumentar a compreensão e o reconhecimento da falta de equidade no tratamento do cancro, por todo o mundo.
Este problema foi agravado pela pandemia da Covid-19, que nos últimos 2 anos, condicionou fortemente a realização de programas de prevenção e divulgação, de rastreio e até de tratamentos agravando o impacto do cancro nos doentes, familiares e na própria sociedade.
Embora as novas tecnologias de comunicação e em particular a telemedicina tenham ajudado a reorganizar os serviços de saúde, assim como, o controlo da pandemia permita o retorno da atividade assistencial, antecipa-se algum aumento no diagnóstico em estadio avançado e na mortalidade por cancro, nos próximos meses e anos.
Se a situação de qualquer pessoa pode ser melhorada, o seu conhecimento sobre cancro pode ser aumentado e o seu acesso aos serviços facilitado, então é uma responsabilidade de todos e cada um de nós envolver-se quer na propagação desta mensagem, quer na mudança de comportamento.
Neste âmbito a UICC propõe um desafio que pretende inspirar a mudança de atitude e mobilizar à ação, de forma sustentada, mesmo depois do dia 4 de fevereiro. Trata-se do Desafio “21 DIAS PARA A MUDANÇA” e consiste numa atividade interativa à qual se pode aceder através do link:
https://www.worldcancerday.org/21DayChallenge
Tal como Ban Ki-moon, Ex Secretário-Geral das Nações Unidas, acredito que: “No Dia Mundial do Cancro, vamos dar um passo para acabar com o sofrimento evitável provocado por esta doença de forma a alcançar o nosso objetivo de não deixar ninguém para atrás.”
Publicado no Diário de Viseu a 02-02-2022.
Enfermeira Elisabete Gomes
Aluna do 4º Curso de Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
As tecnologias digitais, tais como smartphones, aplicações de telemóveis e plataformas digitais, mudaram a forma como interagimos uns com os outros e com o mundo ao nosso redor.
As evidências científicas referem que o uso frequente da tecnologia digital tem um impacto significativo na função e no comportamento do cérebro dos seus utilizadores, tanto negativo como positivo.
Alguns efeitos negativos do tempo de exposição a ecrãs e do uso de tecnologia manifestam-se por deficit de atenção, alterações na inteligência emocional e social, dependência de tecnologia, isolamento social, desenvolvimento cerebral diminuído e alterações dos padrões do sono. No caso dos jovens, afeta gravemente o rendimento escolar e a relação familiar, no caso dos adultos, prejudica, com certeza, o desempenho profissional.
No entanto, várias aplicações, videojogos e outras ferramentas online podem ajudar a melhorar a sua saúde mental. O uso destas, resulta no aumento significativo da atividade neuronal do cérebro, manifestando-se por estimulação da memória, aumento de habilidades multitarefa, bem como outras habilidades cognitivas. Importa ressalvar que algumas aplicações e ferramentas digitais são criadas especificamente com o objetivo de promover intervenções na área da saúde mental, como estabilização do humor e do comportamento.
Simultaneamente, a tecnologia também oferece oportunidades de aumentar a disponibilidade e o acesso dos Cuidados de Saúde Mental. Isso torna-se relevante, especialmente para os utentes portadores de algum tipo de perturbação mental com dificuldades de acesso aos Cuidados de Saúde Mental nas Unidades de Saúde, mas que têm a possibilidade de aceder a estes mesmos cuidados por videoconferência, porque dispõem de smartphones com acesso à internet.
Outro impacto positivo do uso da tecnologia é que, através do acesso a inúmeros dados online, nas redes sociais, utilizando mecanismos de busca específicos e técnicas de análise desses dados, consegue-se perceber que há vários padrões e tendências do comportamento humano identificados, que anteriormente, não eram tão percetíveis.
O uso desta tecnologia informática, conhecida como epidemiologia digital, tem sido fundamental para a pesquisa de dados úteis, para monitorizar o risco de algumas doenças, bem como para elaborar intervenções direcionadas para o tratamento dessas mesmas doenças. É fundamental, ainda, para detetar e identificar problemas de Saúde Mental e/ ou de Saúde Pública.
Tal como as abordagens digitais para a saúde mental têm vindo a aumentar, também há espaço para a inteligência artificial ser usada para prever, detetar ou tratar problemas de saúde mental. Isso pode ser associado às modalidades digitais através de aplicações de telemóvel que podem personalizar os cuidados com a saúde mental e a literacia nesta área, bem como o acesso ao uso destes dados pode levar à formulação de assistentes de conversa online que também para serem usadas para intervenções terapêuticas.
A Inteligência Artificial abarca vários elementos diferentes, tal como várias técnicas e formas de processamento de modelos cognitivos humanos, deteção de traços de personalidade.
As principais pesquisas nesse processo de fenotipagem digital são sobre a depressão e ansiedade, bem como a sua correlação com movimento ou atividade física.
No entanto, a relação e os laços que existem entre um profissional de saúde mental e um utente têm um grande impacto no resultado da terapia ou tratamento, elemento este não presente na Inteligência Artificial.
Face ao descrito, deparamo-nos com alguns pressupostos, como garantir que os utentes e as suas necessidades continuem a ser o motivo principal do desenvolvimento e implementação da tecnologia e garantir que a oportunidade fornecida pela partilha de dados entre utentes, cuidadores e médicos não ameace a privacidade e haja acesso igual para todos.
O uso das tecnologias de comunicação e informação eletrónicas para fornecer ou apoiar o atendimento clínico à distância é denominado Telemedicina. A telemedicina pode fornecer acesso a cuidados médicos para saúde mental em diferentes áreas por meio de videoconferência. Segundo alguns autores, a telepsiquiatria pode apoiar as Equipas de Saúde dos Cuidados de Saúde Primários que podem então localizar, contactar e interagir com médicos psiquiatras, em vez de enviar os seus utentes para um serviço de saúde mental. Isso também pode ajudar estes mesmos profissionais a participar na avaliação do utente e ganhar experiência prática com outras modalidades de tratamento.
A pandemia COVID-19 destacou ainda mais a necessidade de novas e inovadoras técnicas para aumentar o acesso aos cuidados de saúde.
As principais barreiras enfrentadas pela telessaúde incluem a criação de alfabetização digital em saúde, a disponibilidade do utente e do médico em usar estas ferramentas digitais; e a existência de limitações para certas condições médicas e terapias médicas, tanto em situações do mundo real quanto em ambientes clínicos. Além disso, há evidências insuficientes sobre a privacidade, segurança, precisão e benefícios clínicos ou relação custo-benefício.
Seja de que maneira for, online ou offline, por telefone ou presencialmente, Cuide da Sua Saúde Mental… Cuide de Si!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/A-tecnologia-e-a-saude-mental
Enfermeiro Diogo Carvalhais
Não haverá melhor momento para falar desta temática do que na semana em que se celebra o Dia dos Namorados – 14 de fevereiro.
O Dia dos Namorados é pródigo em representações descontextualizadas / desproporcionais do que sentimos pelo outro, como por exemplo: propostas de namoro/casamento desadequadas, jantares exagerados, prendas exuberantes e muito mais. Esta necessidade de “ter de fazer alguma coisa” e de “ter que dar alguma coisa” com o objetivo de ficar “marcada eternamente a memória desta data”, pode fazer com que muitas pessoas sintam uma pressão intensa em fazer tudo “perfeito”, conduzindo ao ponto de sentirem uma ansiedade descontrolada.
É normal todos sentirmos ansiedade em diversos momentos das nossas vidas, resultante de um sentimento de preocupação causado por ameaças percebidas no ambiente, que se podem manifestar através de sentimentos de medo, stress, nervosismo e sintomas físicos, como aumento do estado de alerta ou ritmo cardíaco acelerado.
A boa notícia é que existem muitas maneiras de manter a ansiedade sob controlo, bem como perceber que antes de darmos/demonstrarmos algo ao outro, devemos gostar de nós, usando o sobejamente conhecido slogan de uma determinada marca de leite: “Se eu não gosto de mim, quem gostará?”.
O amor próprio é essencial para o bem-estar mental e ajuda a reduzir os sintomas de depressão e ansiedade. De facto, aqueles que dão atenção à sua própria saúde física e emocional adaptam-se melhor às mudanças, constroem relacionamentos mais fortes e têm maior probabilidade de resolver os seus problemas de forma salutar. Assim, ficam aqui algumas dicas para cultivar este amor próprio:
Tenha um pensamento positivo acerca de si! A maneira como nos vemos e nos descrevemos espelha a forma como nos sentimos. Por exemplo, em vez de dizer “detesto ficar sozinho/a” opte por “eu aceito e amo o que sou e escolho concentrar-me nos pensamentos e aspetos positivos da minha pessoa e da minha vida”.
Cuide de si! Faça algo que goste que também o/a motive. Seja o que for, faça algo que lhe traga alegria, satisfação e bem-estar.
Partilhe expectativas e viva o momento! As ideias românticas idealizadas por nós para demonstrar que gostamos do outro podem levar à desilusão se existirem apenas na nossa cabeça. Num relacionamento é importante ter a noção que a nossa “cara-metade” não consegue ler os nossos pensamentos a não ser que partilhemos o que gostamos e não gostamos, o que é mais importante para nós (p.e.: uma prenda, um jantar, uma carta). Mesmo que a outra pessoa decida planear uma surpresa, tente ficar aberto/a a novas experiências em vez de fantasiar sobre um cenário ideal. Para aproveitar ao máximo qualquer dia especial, mantenha a atenção plena e permaneça no momento presente. Concentre-se no “aqui e agora”, focando-se no que pode ver, tocar, ouvir, cheirar ou provar para ficar conectado e aproveitar o tempo de qualidade com quem gosta.
Concentre-se no que vocês podem fazer juntos! A solidão pode afetar-nos nestes momentos de expressar o que sentimos pelo outro, especialmente se essa pessoa não estiver fisicamente junto de nós. Assim, em vez de se centrar na distância, utilizar os diversos recursos que se tem como a chamada telefónica ou a videochamada, ajuda a diminuir este sentimento de ausência.
Pratique a gratidão! Não são só aos namorados/as e no dia dos namorados que nos devemos lembrar e demonstrar o que sentimos pelas pessoas mais significativas para nós. O amor existe nas mais diversas formas – parceiros, família, amigos – e o que quer que decidamos fazer para o manifestar, devemos sempre demonstrar gratidão: “sou grato por ter uma família para comemorar”, “sou grato por ser saudável e capaz fazer desporto em casa” ou “sou grato por ter tão bons amigos e eles gostarem tanto de mim que querem passar este feriado comigo”.
Desta forma, nunca se esquecendo do papel que as pessoas que mais gostamos têm na nossa vida, nutra e valorize a pessoa mais importante para si…Você mesmo!
Publicado no Diário de Viseu a 16-02-2022.
Enfermeiro Filipe Carreira
São designadas doenças raras as doenças que afetam um pequeno número de pessoas, quando comparado com a população em geral, tendo associadas questões clínicas específicas referentes à sua raridade. Considera-se uma doença rara na Europa quando afeta 1 em cada 2.000 pessoas, sendo que uma doença pode ser rara num país, mas ser comum noutro.
Existem cerca de 5 000 e 8 000 doenças raras diferentes que afetam 6% da população, estimando-se, assim, que 600 000 pessoas apresentem estas patologias em Portugal. Estas doenças afetam os doentes, os seus familiares e outros conviventes, especialmente quando sofrem de doenças mais graves, incapacitantes ou difíceis de controlar.
Durante muitos anos, os médicos, os cientistas e os políticos não se encontravam conscientes da existência das doenças raras, existindo um défice de conhecimentos médicos e científicos nesta área.
Enquanto a maioria das doenças genéticas são raras, nem todas as doenças raras são causadas por alterações genéticas, sendo que até ao momento, para muitas doenças raras, a causa permanece ainda desconhecida.
As doenças raras são doenças crónicas e progressivas graves, muitas vezes com risco de vida. Em alguns casos, os sintomas podem ser observados ao nascimento ou durante a infância, como é o caso da atrofia muscular espinhal proximal, neurofibromatose, osteogénese imperfeita, no entanto, mais de 50% das doenças raras manifestam-se na idade adulta, como é o caso das doenças de Huntington, Crohn e Charcot-Marie-Tooth, da esclerose lateral amiotrófica, do sarcoma de Kaposi ou do cancro da tiróide.
Embora não haja um tratamento específico para muitas delas, a existência de cuidados adequados pode melhorar a qualidade e a esperança de vida dos doentes afetados e prolongar a sua esperança de vida, tendo sido feitos progressos em algumas doenças, devendo-se intensificar o esforço na investigação e na solidariedade social.
Estas pessoas enfrentam dificuldades na procura por um diagnóstico, informação relevante e orientação adequada para profissionais qualificados. Estão igualmente mais vulneráveis, do ponto de vista psicológico, social, económico e cultural. O País tem tentado desenvolver estratégias de forma a promover uma mudança nas condições complexas destas pessoas, procurando a melhoria do acesso e a qualidade dos cuidados de saúde, assim como das condições de tratamento, com base nas evidências científicas, e diversificando as respostas sociais adaptadas a cada caso.
Existe agora a possibilidade de diagnosticar centenas de doenças raras através de um simples teste biológico. O conhecimento da história natural destas doenças é otimizado pela criação de registos para algumas delas, estando os investigadores a trabalhar através de redes, de forma a partilharem os resultados da sua investigação e avançando mais eficientemente.
O diagnóstico precoce das doenças raras e o acompanhamento dos doentes é mais eficaz quando prestado em centros altamente especializados, que contemplam equipas multidisciplinares com elevada competência clínica, científica e tecnológica, permitindo aos doentes beneficiar de tratamentos inovadores e conhecimentos que resultam da investigação.
Para garantir o acompanhamento da pessoa com doença rara em qualquer serviço de saúde, a Direção-Geral da Saúde implementou o Cartão da Pessoa com Doença Rara, com os seguintes objetivos:
Assegurar que, nas situações de urgência e/ou emergência, os profissionais de saúde tenham acesso à informação relevante da pessoa com doença rara e à especificidade da situação clínica, permitindo o seu melhor atendimento;
Melhorar a continuidade de cuidados, assegurando que a informação clínica relevante da pessoa com doença rara está na sua posse (ou na posse do seu cuidador), num formato acessível, e que o acompanha nos diferentes níveis de cuidados de saúde;
Facilitar o encaminhamento apropriado e rápido para a unidade de saúde que assegure efetivamente os cuidados de saúde adequados à pessoa com doença rara.
O Cartão da Pessoa com Doença Rara é requisitado pelo médico assistente hospitalar, após confirmação do diagnóstico, através da Plataforma do Registo de Saúde Eletrónico.
Para além destes apoios ao nível da saúde, estas pessoas poderão ter acesso a outras tipologias de apoio no âmbito social e da educação de forma a minimizar as consequências da patologia no seu dia a dia. Existem ainda algumas associações, nacionais e internacionais, que procuram unir esforços para mudar a realidade das pessoas com doença rara.
Caso sofra de uma doença rara e precise de apoio, contacte a sua equipa de saúde familiar!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/Ser-uma-raridade-hellip-
Rebeca Esteves Figueiredo
Aluna do 8º ano do Agrupamento de Escolas Viseu Norte em colaboração com a UCC Viseense
A obesidade é um tema muito atual e um problema verificado, cada vez mais, nos jovens. É uma doença crónica e uma das principais causas de morte, evitáveis em todo o mundo, com cerca de 3,4 milhões de mortes por ano.
A obesidade é consequência de um balanço energético positivo, ou seja, a quantidade de calorias ingerida é superior à quantidade despendida, pelo que começa a criar armazenamento de gordura no organismo.
Por isso a Federação Mundial da Obesidade criou, em 2015, o Dia Mundial da Obesidade, uma campanha anual para estimular e apoiar ações práticas que ajudem as pessoas a alcançar e manter um peso saudável, no sentido de reverter a crise global da obesidade.
As pessoas obesas sentem-se, muitas vezes, envergonhadas e culpadas por passarem uma má imagem (descuido, preguiça...), pois esta doença é complexa e está associada a diversos fatores que nem sempre são compreendidos.
A sociedade moderna não facilita nada nes tes casos, pois hoje em dia as pessoas têm sempre muita pressa e acabam por ingerir alimentos processados, ricos em açúcares e gorduras, a preço acessível e também se consome cada vez mais álcool.
Podemos ainda considerar o entretenimento como sendo um contributo para a obesidade, principalmente nos jovens que são cada vez mais sedentários: a televisão, os smartphones, os jogos eletrónicos são exemplo disso. Por outro lado, a facilidade de deslocação através de diferentes transportes, como os carros, autocarros e o metro que, para além de mais rápidos, não necessitam de esforço físico e até as comunicações, através das chamadas, mensagens e redes sociais fazem com que as pessoas não se encontrem pessoalmente. Tudo isto evita que as pessoas se movimentem.
Ainda assim, uma pequena percentagem de pessoas sofre de obesidade devido a condições genéticas.
Para além disso a obesidade está na origem de outros problemas como a, síndrome metabólica, que engloba também a diabetes tipo 2, hipertensão arterial, colesterol e triglicerídeos elevados. Ainda pode estar associada à apneia do sono e maior risco de cancro, entre outras complicações.
A melhor forma de saber se sofremos de obesidade, é calcular o Índice de Massa Corporal (IMC), dividindo o peso, pela altura ao quadrado (Kg/ m2), porém esta é apenas uma medida geral e o melhor é pedir aconselhamento de um profissional de saúde.
Geralmente, o tratamento engloba uma equipa multiprofissional: médico/a, enfermeiro/a, nutricionista, entre outros. Provavelmente irão aconselhar algum exercício físico que pode ser no interior ou no exterior; uma caminhada, por exemplo.
Os Estados Unidos da América continuam a ser o país com maior número (registado) de pessoas obesas devido ao alto número de marcas/lojas de fast food no país.
Vamos tentar evitar a obesidade, ensinando às crianças, desde pequenas, o quão bons são as frutas e os vegetais e, também, a importância do exercício físico. Vamos evitar o sedentarismo! Vamos começar pelo nosso país! Vamos começar por nós!
Publicado no Diário de Viseu a 02-03-2022.
Enfermeiro Diogo Carvalhais
No dia 10 de março de 2022 celebrou-se o Dia Mundial do Rim. O objetivo desta data, criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2006, é consciencializar a população mundial para a importância do rim na saúde do ser humano e reduzir a ocorrência de problemas de saúde ligados a doença renais.
O que são os rins? Os rins são órgãos com formato de feijão, cada um tendo aproximadamente 12 centímetros de comprimento e pesando aproximadamente 150 gramas. Encontram-se um de cada lado da coluna vertebral, logo atrás da cavidade abdominal onde se encontram os órgãos digestivos. A principal função dos rins é manter o equilíbrio apropriado de água e minerais (incluindo eletrólitos) no organismo. Para além desta função primordial, tem outras funções que incluem a filtração e a eliminação dos resíduos do processamento de alimentos, medicamentos e toxinas, a regulação da tensão arterial e a secreção de certas hormonas.
A doença renal crónica tem uma prevalência mundial de 1 em cada 10 adultos, sendo que a nível nacional tem a incidência de aproximadamente 800 mil pessoas. Sendo uma patologia que se não for tratada pode ser mortal e a sua deteção precoce possa prevenir a morbilidade e mortalidade, esta continua a aumentar anualmente e estima-se que possa ser a 5ª principal causa de morte em 2040.
No que concerne à sintomatologia associada à doença, não há sintomas nos primeiros estádios da doença pois os rins demonstram uma elevada capacidade adaptativa à perda da função, sendo este um dos principais motivos para a desvalorização da própria doença na sua fase inicial e dos cuidados a ter para evitar a sua progressão.
Todavia, quando estes sintomas surgem são frequentemente associados ao ardor ou dificuldade em urinar; urinar frequentemente, sobretudo durante a noite; urinar com sangue; presença edema (inchaço) nos olhos, mãos e/ou pés, especialmente em crianças; dor por baixo das costelas que não se altera com o movimento; tensão arterial elevada.
Outras queixas análogas são o cansaço progressivo, a fraqueza generalizada, a fadiga ao realizar esforços pequenos ou moderados e até mesmo insónia progressiva.
Na existência de um quadro grave, surgem perda do apetite, náuseas ou vómitos.
Percebe-se claramente que os rins têm um papel inegável na manutenção da saúde, daí o lema da efeméride deste dia, neste ano de 2022, ser “Saúde Renal para Todos - Aumentar o Conhecimento Para Um Melhor Cuidado Renal”.
Poderíamos centrar a questão na explicação da patologia, porém há cuidados gerais, tão simples, que TODOS nós podemos adotar para manter uma boa saúde renal:
Ingerir diariamente a quantidade de água aconselhada -1,5L;
Reduzir o consumo de sal;
Fazer check-up regular, de preferência anual (creatinina – indica alterações na função renal);
Controlar a diabetes e hipertensão, caso tenha alguma destas patologias, ou adotar cuidados para evitar o surgimento das mesmas;
Não fumar;
Limitar o consumo de álcool;
Fazer exercício físico regular;
Se perceciona em si ou num familiar/amigo/conhecido seu a presença/agravamento dos sintomas descritos, não hesite em recorrer à sua Equipa de Saúde Familiar.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/Rins-tao-pequenos-mas-tao-importantes-
Alunos do 3º ciclo do Agrupamento de Escolas do Viso
A UCC Viseense desenvolve o seu plano de ação nos vários contextos da comunidade, tendo em conta a capacitação da população para a escolha de estilos de vida saudáveis, com o objetivo de, individualmente, auto promover a saúde e prevenir a doença. O investimento nas intervenções a realizar no âmbito do Programa Nacional de Saúde Escolar impõe um apelo especial à congregação de esforços de todos os profissionais e serviços envolvidos na sua implementação, no sentido de obter, de forma eficaz, maiores ganhos em saúde, através da promoção de contextos escolares favoráveis à adoção de estilos de vida mais saudáveis e à melhoria do nível de literacia para a saúde da comunidade educativa. Neste âmbito lançámos um desafio ao Agrupamento de Escolas do Viso (alunos do 3º ciclo), no sentido de refletir acerca da problemática da “Violência no Namoro”. Apresentamos, abaixo, as principais conclusões:
Alunos 7ºD e 7ºF – Escola Básica do Viso
“Acabámos por ficar muito incomodados, porque confirmamos que muitos casais de namorados festejam o dia dos namorados com beijinhos, troca de prendinhas, e até jantares românticos, e depois logo no dia a seguir ou dias depois já andam a agredir-se com palavrões, com violência física, ou com partilhas de coisas feias na internet… e perguntamos como é que isto pode acontecer! Com o nosso professor procurámos entender melhor este problema, que não é fácil de aceitar, e aprendemos que:
- Entre o Amor e o ódio pode ir apenas um passo muito curto,
- As pessoas são muito diferentes, com formas diferentes de entender e viver os afetos;
- Uma relação de amor e de namoro só deve existir quando as pessoas se conhecem bem, quando confiam uma na outra;
- A educação para os afetos não deve ser tabu, que a educação sexual deve começar em casa, depois deve ser completada na escola, para tirarmos dúvidas, para descobrirmos onde podemos e não devemos errar, para termos uma atitude mais positiva e esclarecida sobre o namoro (o que é namorar), sobre o amor e o sexo.”
Alunos 8º Ano – Escola Básica do Viso
“O nosso mundo parece ser um gigantesco palco onde os atores são pessoas que se agridem e se amam ao mesmo tempo, numa confusão de emoções e sentimentos: “O amor tem frequentemente o rosto da violência!” (autor desconhecido). A violência no namoro e violência doméstica são crimes que devem ser denunciados, para proteção das vítimas (sejam adultos ou crianças que vivam em casa das vítimas, e que se tornam vítimas também). A educação para os afetos deve começar em casa, prolongar-se na escola e na comunidade, e só assim poderemos construir uma sociedade mais unida e respeitadora.”
Alunos 9ºB e 9ºE – Escola Básica do Viso
“Para nós a Educação Sexual na escola é uma grande contribuição para que os alunos (e as famílias) tenham uma vivência mais responsável, mais informada e mais gratificante da sexualidade. Pode ser também uma oportunidade de discutirmos o respeito pelas diferenças, a recusa da violência nas relações e compreendermos melhor as diversas manifestações da sexualidade. A disciplina de Cidadania dá-nos também uma oportunidade para promovermos a saúde na esfera sexual e reprodutiva, complementada pelas aulas de Ciências da Natureza, e assim podermos melhorar a comunicação afetiva entre todos na comunidade. A Violência no Namoro é uma das temáticas que mais nos preocupa, pois continuamos a ver os números elevados de agressões entre namorados, mesmo na nossa escola escutamos casos de agressões verbais entre namorados, ou situações de ciúmes na internet. Com a ajuda dos nossos professores e da nossa Psicóloga continuamos a desenvolver debates e análise de casos, e assim podemos desenvolver a capacidade crítica e definir melhor como ultrapassar eventuais conflitos que possam surgir nas questões relacionadas com os comportamentos no namoro e nas relações sexuais. A violência no namoro pode estar na origem da violência doméstica, por isso devemos prevenir e discutir o tema, na escola e em casa, para começarmos a prevenir os comportamentos de agressividade e de ciúme nas relações desde muito cedo.
Diz NÃO à Violência no Namoro!"
Publicado no Diário de Viseu a 16-03-2022.
Enfermeira Elisabete Figueiredo
em colaboração com a UCC Viseense
Desde 2004, o Dia Nacional do Doente com AVC, é assinalado a 31 de março e todos os anos se realizam diversas iniciativas que visam sensibilizar a população para esta problemática.
Sabia que:
· O AVC é um problema de saúde frequente? Uma, em cada 4 pessoas no mundo sofre um AVC na vida, e tanto homens, mulheres, crianças, como pessoas idosas podem ser vítimas de AVC;
· O AVC ocorre subitamente? A maioria parece um “ataque” imediato, com sintomas e incapacidade repentina;
· O AVC pode ser incapacitante? Cerca de 30% dos sobreviventes sofrerá de incapacidade permanente;
· O AVC pode ser mortal? Quase 30% das pessoas com AVC acaba por morrer na sequência desta doença.
Porém, mais de metade dos AVCs poderiam ser prevenidos, controlando os fatores de risco. É essencial detetar e tratar as doenças que podem levar ao AVC.
Os principais fatores de risco, são: a hipertensão arterial, o tabagismo, o colesterol alto, o consumo excessivo de álcool, a obesidade, a diabetes, a fibrilhação auricular e a aterosclerose.
É importante optar por hábitos alimentares mais saudáveis (reduzir o consumo de sal e de gorduras saturadas) e manter uma atividade física adequada; a Organização Mundial da Saúde recomenda, para adultos entre os 18 e os 64 anos, duas horas e meia de atividade física, de intensidade moderada, por semana.
Neste âmbito, o Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) celebra a efeméride, com a organização de um conjunto de atividades, cumprindo os cuidados necessários para prevenir a propagação da Covid-19, de acordo com as orientações da Direção Geral da Saúde, dirigidas à população em geral, no átrio do hospital, a partir das 12h00, no dia 31 de março. Estas incluem, a avaliação da tensão arterial, do nível de açúcar no sangue, do peso corporal e informação geral, alertando e sensibilizando as pessoas para os fatores de risco que aumentam a probabilidade de ter um AVC.
Deve saber também, que:
· O AVC é tratável. O tratamento adequado, na fase aguda, pode reduzir a morte e incapacidade em 50%.
· Uma vida sem incapacidade é possível. 70% das pessoas com AVC pode ter uma vida independente com tratamento precoce e reabilitação.
A mortalidade por AVC tem estado em decréscimo em Portugal, mas ainda é muito elevada. Temos vindo a melhorar progressivamente, fruto de intervenção em várias áreas como um melhor controlo dos fatores de risco nomeadamente, maior deteção e tratamento da hipertensão arterial, do colesterol elevado e da fibrilhação auricular, mas sobretudo um melhor tratamento do doente na fase aguda, através do internamento em Unidades específicas de AVC, e de tratamento de revascularização (para reabertura das artérias ocluídas), com medicação (trombólise intravenosa) e com cirurgia (trombectomia mecânica).
A DGS, através do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-cardiovasculares (PNDCCV), divulgou dados hospitalares nacionais, que indicam um aumento significativo do número de doentes tratados precocemente com revascularização nos hospitais portugueses.
Desde 2018, a UAVC do CHTV tem sido premiada, pela excelência dos cuidados prestados ao doente com AVC, nomeadamente pela ESO (European Stroke Association) e pela Iniciativa Angels, vendo reconhecido, o trabalho que a sua equipa desenvolve.
No ano de 2021, esta unidade recebeu 794 doentes diagnosticados com AVC. Foram realizadas 132 trombólises e transferidas 72 pessoas para o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, para serem submetidas a trombectomia mecânica.
A UAVC é formada por uma equipa multiprofissional que pretende dar ao doente, vítima de AVC, uma nova oportunidade de vida, ao otimizar os cuidados de saúde que presta.
Incluídas na comemoração do dia 31 de março, o CHTV promove as “II Jornadas da Unidade AVC – Viseu e o AVC: onde estamos. Para onde vamos?”, organizadas pela respetiva equipa. As atividades formativas estarão abertas a todos os profissionais de saúde que desejem inscrever-se e decorrerão, no auditório do hospital, ao longo de todo o dia.
Para combater o flagelo do AVC, todos somos poucos! É necessária a colaboração de toda a comunidade.
É fundamental saber e reconhecer os principais sinais de alerta de AVC: dificuldade em falar; desvio da face; falta de força de um membro ou de um lado do corpo e ligar de imediato ao Número Europeu de Emergência – 112 para ativar a Via Verde de AVC, que consiste no rápido transporte, em ambulância, para o Hospital mais próximo, que tenha meios adequados avisando os profissionais da chegada.
O acesso à UAVC é reconhecido, pela comunidade científica, como o modo mais eficaz de tratar qualquer tipo de AVC.
Lembre-se que “Tempo é Cérebro”, e a cada minuto que passa, cerca de 2 milhões de neurónios são perdidos!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/Viseu-e-o-AVC
Enfermeira Teresa Martins
A liberdade é a condição do indivíduo que possui o direito de fazer escolhas autonomamente, de acordo com a sua própria vontade, mas considerando que vive numa sociedade, com tradições e regras que o condicionam ao longo da vida, deve também ter presente que o conhecimento é a ferramenta capaz de ampliar as suas possibilidades de escolha e proporcionar a capacidade de tomar decisões esclarecidas, tornando o individuo mais livre.
O consumo do tabaco é exemplo de um hábito socialmente enraizado no ser humano e que poderá limitar verdadeiramente a liberdade de cada individuo optar ou não pelo seu consumo.
Se por um lado existem campanhas nacionais e internacionais para desincentivar o consumo do tabaco, por outro veem-se campanhas publicitárias que continuam a estimular a sua utilização, assim como de produtos relacionados, entre os quais, tabaco aquecido e cigarros eletrónicos.
Com o propósito de aumentar a consciencialização sobre os efeitos prejudiciais do uso do tabaco e da exposição ao fumo passivo, desencorajando a utilização nas suas várias formas, foi criado, em 1987, o Dia Mundial Sem Tabaco que se celebra anualmente a 31 de maio.
Sabe-se que o fumo do tabaco contém mais de 4000 produtos químicos, dos quais cerca de 250 são prejudiciais à saúde e mais de 50 causam cancro.
Assim, destacam-se os efeitos nocivos que o tabaco exerce sobre a saúde, sendo de especial relevância a sua influência negativa no que diz respeito ao surgimento do cancro do pulmão, esófago, laringe e boca, da doença pulmonar obstrutiva crónica, do enfisema pulmonar, de doenças cardio vasculares como a hipertensão arterial, a doença coronária e o acidente vascular cerebral (AVC). Também, entre as crianças, o risco de morte súbita e os problemas respiratórios aumentam significativamente quando frequentam ambientes impregnados de fumo do tabaco; e em mulheres grávidas comprovou-se inequivocamente que provoca complicações da gravidez e baixo peso do recém-nascido.
Segundo as estatísticas o tabaco mata, em todo o mundo, mais de 8 milhões de pessoas por ano, das quais mais de 7 milhões são fumadores e cerca de 1 milhão são não fumadores, expostos ao fumo. Sem dúvida, que o consumo do tabaco é uma das maiores ameaças à saúde pública que o mundo já enfrentou e que continua a enfrentar.
Não existem argumentos a favor do tabagismo, nem um nível seguro de exposição ao fumo do tabaco!
Comemorar, o Dia Mundial Sem Tabaco é uma oportunidade de reflexão sobre o porquê de ainda existirem tantos fumadores, sendo muitos deles jovens adolescentes, quando os malefícios e a mortalidade relacionados com o tabagismo são amplamente divulgados, com particular incidência nesta faixa etária.
Embora evitar o consumo nos jovens constitua um imperativo, promover a cessação tabágica é a abordagem que permitirá reduzir a mortalidade por doenças associadas ao tabaco nos próximos vinte a trinta anos. Parar de fumar tem sempre benefícios, imediatos e a longo prazo, sendo tanto maiores quanto mais precocemente se decidir abandonar este vício. A Liga Portuguesa Contra o Cancro, elenca diversos benefícios para a saúde, a partir do momento em que se deixa de fumar:
• Vinte minutos após o último cigarro, a frequência cardíaca e tensão arterial descem;
• Doze horas após o último cigarro, os níveis de monóxido de carbono no sangue voltam ao normal;
• Entre duas e doze semanas após, a circulação sanguínea melhora e a função pulmonar aumenta;
• Entre um a nove meses após o último cigarro, a tosse e a falta de ar diminuem;
• Um ano após, o risco de enfarte do miocárdio (ataque cardíaco) é cerca de metade de um fumador;
• Entre dois a cinco anos após ter deixado de fumar, o risco de acidente vascular cerebral é aproximadamente o mesmo de uma pessoa que nunca fumou;
• No espaço de cinco anos, o risco de cancro da boca, garganta e esófago é reduzido para metade e o risco de cancro da laringe e do colo do útero também diminui;
• Dez anos após, o risco de cancro do pulmão é metade daquele que apresenta um fumador.
Mas a dependência física e psicológica, a par do incentivo e aceitação social, constituem, por vezes, fortes obstáculos à vontade de deixar de fumar. Grande parte dos fumadores faz várias tentativas para parar de fumar, ao longo da vida, até conseguir parar de vez e a maioria recai nas primeiras semanas ou dias após a tentativa. Nestes casos, torna-se importante haver um acompanhamento comportamental e farmacológico para se obter sucesso na cessação tabágica.
Os sintomas de abstinência refletem a falta da nicotina no organismo, fazendo parte da sua adaptação e embora possam ser desagradáveis, não são perigosos para a saúde. É, por isso, comum observar, nos fumadores em fase de cessação tabágica, sentimento de tristeza; insónia; irritabilidade; dificuldade de concentração, inquietação e nervosismo; diminuição da frequência cardíaca; sensação de fome; e desejo de fumar. Existem alguns conselhos que podem ajudar a ultrapassar esta fase:
• Promover um ambiente limpo, fresco e sem tabaco por perto, no trabalho e em casa;
• Evitar álcool, café ou outras bebidas que normalmente se associam ao ato de fumar;
• Mastigar pastilhas sem açúcar ou rebuçados de menta perante o desejo de fumar;
• Evitar locais de diversão fechados e com pessoas fumadoras;
• Estabelecer objetivos temporais e recompensas pelo sucesso - 1 dia ou 1 semana sem usar tabaco;
• Aumentar progressivamente a atividade física;
• Eliminar o pensamento de “só fumar um cigarrinho”.
Ainda assim, se a adaptação à ausência do tabaco for difícil de suportar, deve recorrer a apoio médico.
É importante fomentar e incentivar a desabituação tabágica junto dos fumadores e implementar medidas que desencorajem os jovens a experimentar o tabaco.
Cabe à sociedade, como um todo, criar condições para que as próximas gerações possam crescer em ambientes mais saudáveis, sustentáveis, e, por isso, livres da dependência do tabaco ou de outros produtos com nicotina.
A melhor decisão que uma pessoa fumadora pode tomar, para melhorar a sua saúde e a dos que a rodeiam, é: Deixar de fumar! E a sua Equipa de Saúde Familiar poderá ser uma preciosa ajuda para a concretizar.
Publicado na Revista Amo Viseu nº 17 - Abril/Julho 2022 :
Enfermeira Diana Fernandes
O dia 2 de abril foi definido pela OMS como o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, com o objetivo de elucidar a população sobre esta doença, uma vez que ainda arrasta muito preconceito e estigma.
O Autismo pertence a um grupo de doenças do desenvolvimento cerebral, conhecido por Transtornos do Espectro Autista (TEA) e consiste num distúrbio neurológico caracterizado pelo comprometimento da interação social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restritivo e repetitivo. Afeta o processamento das informações no cérebro, alterando a forma como as células nervosas e as sinapses se organizam. No entanto, a forma como este processo ocorre a nível cerebral ainda não é bem compreendido. A sua manifestação também ocorre das mais variadas formas, daí que o diagnóstico nem sempre seja fácil.
Ainda se desconhecem as causas para esta doença, no entanto, estima-se que fatores genéticos e ambientais poderão estar na sua origem. A dificuldade em saber quais os fatores que influenciam o aparecimento da doença é porque nem todas estas alterações estão presentes em todos os autistas.
De acordo com dados da ONU, existem mais de 70 milhões de pessoas com Autismo, afetando assim, cerca de uma em cada cento e cinquenta crianças, sendo que a incidência é maior nos rapazes.
O Autismo altera a forma como uma criança perceciona e experiência o mundo. As pessoas com autismo podem apresentar sintomas como dificuldade na aprendizagem, na fala, em expressar ideias e sentimentos e em estabelecer contacto visual; padrões repetitivos e movimentos estereotipados (como ficar muito tempo sentado a balançar o corpo), comportamentos agressivos ou simplesmente o interesse por algo específico. Também podem apresentar um aumento de sensibilidade sensorial, podendo ocorrer em um ou mais sentidos. Os sintomas, bem como a sua gravidade/intensidade são muito diversos e diferem de pessoa para pessoa.
Habitualmente o diagnóstico acontece em idade pré-escolar sendo estabelecido por um psiquiatra ou pedopsiquiatra, através da aplicação de alguns testes de diagnóstico. Para se estabelecer o diagnóstico é necessário apresentar alterações nas três áreas que esta síndrome afeta: interação social, alteração comportamental e alterações na comunicação. Todavia, não é necessário apresentar uma vasta lista de sintomas já que a doença se manifesta em diferentes graus de comprometimento.
Quanto ao tratamento e considerando que se trata de uma doença crónica, os principais objetivos são: estimular o desenvolvimento social e comunicativo, aprimorar a aprendizagem e capacidade de solucionar problemas, diminuir comportamentos que interferem com a aprendizagem e com o acesso às oportunidades de experiências do quotidiano, ajudando também as famílias a lidar com o autismo. O tratamento é vitalício e deve ser reavaliado frequentemente para que possa ir de encontro às necessidades de cada criança e família. De uma forma geral, é necessário recorrer a diversos profissionais de saúde como enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais entre outros, sendo essencial um correto encaminhamento, bem como toda a rede de suporte familiar.
É, portanto, fundamental que, reconhecendo algum sintoma associado a um atraso nas áreas de desenvolvimento atrás referidas, que procure ajuda, quer na sua equipa de saúde familiar, quer em outros profissionais da área da saúde que considere que o podem ajudar a esclarecer e a encaminhar, caso seja necessário.
O medo e o desconhecimento são os maiores inimigos da felicidade.
Publicado no Diário de Viseu a 30-03-2022.
Terapeuta da Fala Sandra Loureiro
em colaboração com a UCC Viseense
Constata-se que a sociedade conhece ou pensa conhecer o significado da palavra autismo. Habitualmente, perante a sociedade, há uma perceção errada das crianças com autismo: a de serem crianças mal-educadas e/ou com deficiência intelectual. Assim sendo, é de extrema relevância ampliar o conceito que a população em geral tem do autismo.
É importante desmistificar que, embora seja uma perturbação incluída no grupo de doenças do desenvolvimento cerebral, o autismo não surge como uma doença, mas sim como uma caraterística e não se pode afirmar que seja uma deficiência. Não há terapêutica ou terapia que modifique essa condição e a mesma não tem cura!
Aquando do nascimento de uma criança com autismo, a constituição familiar sofre inúmeras alterações, tornando o exercício da parentalidade como a uma tarefa mais difícil. Este processo de adaptação e de reorganização familiar pode levar algum tempo, pois o diagnóstico de autismo só é conhecido habitualmente alguns anos após o nascimento da criança. Este facto provoca, nos pais, sentimentos de insegurança, dúvida e angústia.
O Autismo é um conceito que se encontra em discussão há mais de trinta anos.
Este termo era frequentemente usado para classificar as dificuldades cognitivas marcadas, as capacidades linguísticas quase nulas e os movimentos repetitivos e estereotipados.
Desde então, o conceito de autismo mudou radicalmente. Passou de uma perturbação do comportamento com limites bem definidos e um quadro clínico preciso e estereotipado, para uma perturbação com um espetro de gravidade e sintomas variáveis, um quadro de fenótipo alargado.
Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM – 5; 2014), a Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é um “distúrbio neurológico e uma das mais graves perturbações do desenvolvimento da criança, que resulta numa incapacidade ao nível da interação social, da aquisição e uso convencional da comunicação e da linguagem, pela restrita variedade de interesses e alterações de comportamento, que perdura durante toda a vida”.
Não é por acaso que, o símbolo mais conhecido das ações de consciencialização do Autismo é uma peça de puzzle colorido, que demonstra a existência de uma variedade de características que difere de caso para caso.
Neste âmbito, assinala-se, anualmente, o dia 2 de abril como o dia Mundial da Consciencialização sobre o Autismo, com o intuito de conscientizar e esclarecer a sociedade sobre esta temática. Trata-se de uma luta pela equidade e inclusão das pessoas com esta perturbação. É de relevar que, pelo fato destas pessoas aprenderem de forma diferente e de acordo com as suas particularidades, não revela que sejam incapazes de aprender e deixem de ter os mesmos direitos que outros que não têm autismo.
O que é necessário mudar são as novas expectativas, aceitando essa diferença e dispor de ambientes e condições que assegurem uma real adaptação da pessoa com PEA. Uma das formas de tratamento é olharmos para essas pessoas com compreensão, motivação, reconhecendo e aceitando as suas diferenças. Alguns conselhos que poderão ajudar neste processo: seja gentil; não se exalte com as birras e/ou maus comportamentos, tente sim compreender o motivo do mau estar dessa pessoa e resolver com calma; fale com as crianças e adultos com PEA de forma direta (sem perguntas de duplos sentidos) e com tranquilidade; e acima de tudo veja-o como um ser igual a si e não diferente de si.
Relativamente ao acompanhamento das pessoas com PEA, deve ser multidisciplinar, de acordo com as suas necessidades, envolvendo médicos, enfermeiros, educadores, profissionais de terapia da fala, terapia ocupacional, fisioterapia e psicologia.
Em suma, o envolvimento da família, a existência de ambientes inclusivos, os apoios terapêuticos, o acompanhamento médico e a intervenção o mais precoce possível são fatores essenciais para que a inclusão seja bem-sucedida.
Estas crianças possuem um cérebro sem malicia, sem capacidade de mentir, de fingir ou criar conflitos. Cabe à sociedade atual reconhecer isto, deixar de lado o preconceito e promover uma inclusão adequada destas crianças, bem como de todas as outras, com ou sem doença ou condição.
Cada criança é especial à sua maneira. O segredo é aceitá-la tal como ela é, proporcionando-lhe as condições mais favoráveis para o seu desenvolvimento e crescimento.
Paulo Freire afirma: “A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças e não com as igualdades”.
Publicado no Jornal do Centro:
Enfermeiro Filipe Carreira
A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais frequente. É uma doença crónica e progressiva que afeta o sistema nervoso central e que consiste na morte de células cerebrais produtoras de dopamina, substância envolvida na cognição e nos movimentos corporais. Ocorre habitualmente na 5.ª e 6.ª décadas de vida, estimando-se que afete cerca de 1% da população com mais de 60 anos. Em Portugal existem cerca de 18 000 doentes diagnosticados.
Esta doença caracteriza-se por desenvolver sinais e sintomas motores (associados ao movimento) e não motores. Os sintomas motores são:
Bradicinesia ou lentidão dos movimentos: um dos sintomas mais característico, traduzindo-se na falta de expressão facial, diminuição do tom de voz, caligrafia mais pequena;
Rigidez: resistência à mobilização de uma articulação. De entre os sintomas iniciais incluem-se a dor no ombro (que pode ser confundida com doenças articulares) e dificuldade em virar-se na cama;
Tremor em repouso que ocorre em cerca de 70% dos doentes.
Instabilidade postural e alterações da marcha: alguns doentes apresentam uma marcha típica com flexão do tronco (curvado), pequenos passos e pés colados ao chão.
Os sinais e sintomas não motores estão habitualmente presentes aquando do diagnóstico e podem ocorrer anos antes dos sintomas motores, incluindo-se:
Distúrbios emocionais (ansiedade, apatia, depressão);
Hipotensão ortostática (queda súbita da tensão arterial quando a pessoa se levanta);
Disfunção cognitiva (alterações de memória);
Distúrbios gastrointestinais (obstipação, saciedade precoce, falta de apetite);
Distúrbios sexuais (diminuição ou aumento do desejo sexual, disfunção sexual);
Distúrbios de sono (sonolência diurna excessiva, insónia, sonhos vividos, fragmentação do sono);
Alteração dos sentidos (diminuição do olfato e do paladar);
Disfunção urinária (frequência, incontinência);
Outros (síndrome de pernas inquietas - inquietude e vontade irresistível de movimentar as pernas, dor, fadiga, distúrbios visuais).
O diagnóstico da Doença de Parkinson deve ser realizado por um médico neurologista experiente, baseado nos sintomas apresentados, através de uma avaliação clínica.
Apesar dos sucessivos avanços não se identificou uma causa definitiva para a doença de Parkinson e admite-se que para a sua origem coexistam fatores ambientais e genéticos.
O principal fator de risco para desenvolver a doença é a idade, ou seja, com o envelhecimento aumenta a probabilidade de desenvolver esta patologia. Outro fator de risco reconhecido é a história familiar, pois cerca de 10% dos doentes têm história familiar de doença de Parkinson.
As complicações mais reconhecidas na doença de Parkinson relacionam-se com a terapêutica que se utiliza para controlar os sintomas motores. O médico neurologista tem de efetuar ajustes terapêuticos frequentes (ajustes de dose e de horários da medicação), para encontrar o melhor equilíbrio terapêutico e minimizar as complicações motoras, devendo o doente ser rigoroso no cumprimento da medicação.
O tratamento desta doença passa pelo alívio dos sintomas motores e tratamento dos sintomas não motores através da medicação, por vezes tratamento cirúrgico para estimulação cerebral profunda e reabilitação através de um plano multidisciplinar que envolve técnicos de várias áreas como enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros.
Como a doença de Parkinson é progressiva, os doentes, com o tempo, precisarão de ajuda nas atividades de vida habituais. Os cuidadores devem ser direcionados para as características que podem ajudá-los a compreender os efeitos físicos e psicológicos da doença de Parkinson e de como ajudar o doente. O trabalho de um cuidador é exigente, cansativo e stressante, pelo que a intervenção multidisciplinar deve abranger o cuidador de forma a mantê-lo capaz de cuidar.
Publicado no Diário de Viseu a 13-04-2022.
Maria Kiala
Estudante da Licenciatura em enfermagem da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
O Dia Mundial da Saúde comemora-se no dia 7 de abril, tendo sido esta data escolhida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), na sua primeira assembleia, em 1950.
Para muitos, saúde é sinónimo de ausência de doença, uma vez que consideram que, se a pessoa não apresenta nenhuma enfermidade é um indivíduo saudável. Porém a OMS define a saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência de doença ou enfermidade. Para estar saudável, é necessário ter qualidade de vida, isto é, condições apropriadas de alimentação, educação, habitação e acesso aos cuidados de saúde, além de estar bem consigo mesmo em todos os campos da vida.
A saúde é um direito de todos e um dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e económicas, que visem a redução do risco de doença e de outros agravantes bem como, o acesso universal e equitativo a ações e serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.
Sabendo que a Saúde vai além da ausência de doenças e que devemos cuidar de todos os aspetos da nossa vida, incluindo o mental e o social, para que tenhamos uma vida mais saudável, podemos adotar algumas medidas bastante simples:
Alimentação - Viver saudável também está nas nossas mãos. É importante ingerir diariamente alimentos dos vários grupos, respeitando as proporções sugeridas pela roda ou pela pirâmide dos alimentos e variando o mais possível os alimentos dentro de cada grupo e ao longo das várias épocas do ano. Para além da comida, também a bebida é fundamental. Beba pelo menos 1,5L de água diariamente.
Exercício físico – É uma boa prática, a realização de atividade física e apresenta uma série de vantagens: aumenta a sensação de bem-estar, reduz o stresse, as dores e contribui para prevenir algumas doenças. Pense no exercício físico como algo positivo, relaxante e não como algo rígido e “que tem de ser”. Descubra qual a atividade que mais gosta e perceba os benefícios que ela lhe pode proporcionar.
Hábitos de vida saudáveis – Tão importante com a saúde física é a sua saúde mental. No entanto, perante todos os constrangimentos e sobrecargas a que somos expostos no dia-a-dia, nos mais diversos contextos em que vivemos como manter a saúde mental? Tire tempo para si e pratique o autocuidado; aposte em noites de sono reparador; mantenha o equilíbrio entre as responsabilidades e o lazer, pois as atividades sociais são fundamentais para o bem-estar mental.
Obviamente, a nossa atitude perante a vida é um fator determinante para a tornar mais saudável. Pense a vida pela positiva e acima de tudo faça tudo para se sentir bem consigo próprio/a.
Comece por pequenas coisas, como por exemplo, levar consigo todos os dias as refeições que fará, para evitar erros, ou passe a utilizar as escadas em vez do elevador.
Cuide de si!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/dia-mundial-da-saude
Bárbara Santos
Estudante da Licenciatura em Enfermagem da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
Maus-tratos ou qualquer outra forma de abuso na infância e juventude não são toleráveis e como tal a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção de Crianças e Jovens (CNPDPCJ) define maus-tratos como atos que causem dor e sofrimento e que têm impacto no desenvolvimento biopsicossocial das crianças e jovens, ou seja, tudo o que viole os seus Direitos e a coloque em situação de risco.
De uma forma geral, os maus-tratos podem ser caraterizados como violência física, psicológica, emocional e doméstica, abuso sexual, abandono, negligência, mendicidade, trabalho infantil e tráfico para fins de exploração sexual.
Existe uma Estratégia Nacional para os Direitos das Crianças 2021-2024 (ENDC 2021-2024), onde uma das prioridades é prevenir e combater a violência contra crianças e jovens, nos diversos contextos, seja escola, casa, nas diferentes comunidades onde a criança/jovem está inserida e no mundo digital.
A família é um organismo dinâmico que tem como papel a proteção, a regulação e o ensino das competências socio emocionais e cívicas para um correto desenvolvimento da criança ou jovem. No entanto, pode ser também um ambiente propício para a prática dos maus-tratos, sendo raras as situações onde ocorre maltrato isolado.
Os maus tratos estão associados a um padrão que tende a replicar-se de forma continua ao longo do tempo e gerações, agravando os impactos negativos no bem-estar, crescimento e desenvolvimento das crianças e jovens. A isto denomina-se maus-tratos transgeracionais.
A adoção intencional de comportamentos por parte dos cuidadores que privam a criança ou jovem de um ambiente de segurança e de bem-estar afetivo denomina-se de maus-tratos psicológicos e emocionais. Segundo a CNPDPCJ podem ser: privação de relações afetivas e de contacto sociais próprios do estádio de desenvolvimento da criança; exercício abusivo de autoridade; hostilização e ameaças; depreciação/humilhação; instigação a condutas da criança contrario a valores morais e sociais; castigos não corporais que afetam o bem-estar e a integridade da criança e discriminação.
Segundo o Relatório anual de avaliação de atividades das CPCJ (Comissões de Proteção de Crianças e Jovens) de 2020 das 41 337 crianças comunicadas em situação de perigo, 1 192 (2,9%) foram vítimas de maus-tratos emocionais e psicológicos.
É importante relembrar-se que maus-tratos a crianças e jovens constituem um crime público. E como tal, o processo de promoção e proteção inicia-se aquando do conhecimento dos factos sinalizados, não sendo necessário ser a própria vítima a denunciar.
A criança ou jovem pode estar numa situação de risco ou perigo e a família e a sociedade, família alargada, rede de amigos, vizinhos, escola, saúde, ocupação de tempos livres entre outros têm o dever de sinalizar numa situação de risco ou perigo através de uma simples chamada que pode ser anónima, email, carta ou presencial.
Na saúde, em cada centro de saúde existe uma equipa multidisciplinar que intervém como entidade de primeira linha, nas situações de negligência/risco ligeiro ou moderado, denominada Núcleo de Apoio a Crianças e Jovens em Risco (NACJR).
Denuncie! Ajude estas crianças e jovens!
Alguns contactos:
CNPDPCJ – linha aberta 96 123 11 11.
CPCJ Viseu - 232 435 562.
NACJR Centro Saúde Viseu 3 – 232 467 291.
NACJR Centro Saúde Viseu 1 – 232 419 900.
Publicado no Diário de Viseu a 27-04-2022
Lisa Cheng
Estudante da Licenciatura em Enfermagem da Oslo Metropolitan University - Noruega Programa “ERASMUS +” na ESSViseu em colaboração com a UCC Viseense
No mês que se intitula o mês do coração – maio – importa ter a noção de que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo.
O número de pessoas com esta patologia tem aumentado devido aos estilos de vida menos saudáveis que potenciam o risco do seu aparecimento
O coração tem como principal função bombear o sangue para todas as partes do corpo, de forma a que os tecidos e as células recebam o oxigénio e nutrientes necessários ao seu funcionamento, permitindo também chegar a outros órgãos possibilitando a eliminação dos produtos que são prejudiciais ao nosso organismo.
Todo este processo é fundamental para que o Ser Humano possa viver bem e de forma saudável. Contudo, quando algo interrompe ou afeta o processo de circulação, começam a surgir diversos problemas, pois o coração entra em esforço e pode desenvolver uma doença cardíaca.
Existem vários tipos de doenças cardíacas com inúmeras causas específicas, sendo a mais comum, entre as pessoas adultas, a arteriosclerose. Esta doença é caracterizada pelo estreitamento dos vasos sanguíneos provocando, por sua vez, uma obstrução total ou parcial, levando ao aumento da tensão arterial e por conseguinte a uma brusca diminuição da irrigação sanguínea, do próprio coração, ou seja, o enfarte agudo do miocárdio.
Contudo, existem varias formas de prevenção da doença, que devem ser adaptadas, analisando individualmente a que melhor se adequa a cada pessoa. A realização regular dos rastreios revela-se uma medida crucial e efetiva para o diagnóstico precoce da doença, especialmente se já houver predisposição familiar para esta doença.
A mudança dos hábitos de vida é considerada como o principal fator protetor no combate a esta doença, como sendo a adoção de alimentação mais saudável e a realização de atividade física de forma regular. As pessoas com hábitos tabágicos são aconselhadas a deixarem de fumar, bem como aquelas que consomem álcool.
Se estiver em risco de desenvolver uma doença cardíaca, seja pelo histórico familiar, seja pelos hábitos de vida pouco saudáveis, ou até mesmo se já tiver sido diagnosticada com algum tipo de patologia cardíaca, a adoção das medidas descritas anteriormente, poderão evitar o agravamento dos sintomas ou o surgimento da mesma.
Com pequenos ajustes na sua rotina diária pode ter enormes benefícios que certamente não obterá se não fizer nada:
Fazer caminhadas diárias com duração de 30 minutos;
Optar pelo uso da bicicleta como transporte para o trabalho;
Colocar no seu prato uma quantidade mais generosa de vegetais em vez de outros alimentos;
Uma outra sugestão é a realização de atividade física em grupo, promovendo assim a saúde física e o bem-estar de todos, melhorando a nossa saúde mental, diminuindo o stress e melhorando o nosso humor.
Como profissionais de Saúde aconselhamos e encorajamos as pessoas com histórico familiar de doença cardíaca a realizar rastreios regulares de saúde, recorrendo aos cuidados de saúde primários, mais conhecidos como “Centros de Saúde”, especificamente à sua Unidade de Saúde Familiar (USF). Independentemente da idade que tenhamos todos/as deveríamos ser mais ativos/as fisicamente, melhorando a saúde mental e efetivamente adotando hábitos de alimentação saudável.
A oportunidade do seu coração ser mais saudável começa hoje, dê ouvidos ao seu coração, nunca é tarde!!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/De-ouvidos-ao-seu-Coracao-
Enfermeira Diana Fernandes
A descoberta do mundo começa no nascimento e a compreensão e absorção do que os rodeia é fundamental e ocorre de forma exponencial durante a primeira infância.
Apesar de muitos não saberem, a importância da leitura na primeira infância, começa antes de o bebé nascer. Falar, ler ou cantar para os bebés ainda dentro da barriga fomenta a criação de laços, pois ao nascer, a criança reconhece a voz dos pais. Claro está que não se espera que um bebé que ainda não nasceu compreenda o sentido e significado das palavras. A leitura nessa idade prende-se sobretudo com o oferecer tranquilidade e amor, fomentando a vinculação parental.
A descoberta do mundo começa no nascimento e a compreensão e absorção do que os rodeia é fundamental e ocorre de forma exponencial durante a primeira infância (0 aos 6 anos), muito graças à estimulação sensorial e ao afeto.
Para que uma criança adquira linguagem é essencial que mantenha desde cedo contacto com sons e palavras de forma a garantir que comece a diferenciá-los e a atribuir significado a cada um deles. Uma excelente forma de o fazer é através da leitura. Quando lemos para o bebé, estamos a despertar nele o interesse e a curiosidade pelos livros e também pelo mundo.
Os bebés e crianças são pequenos “grandes” observadores do mundo que os rodeia. Para que descubram cores, formas, movimentos é, fundamental, que tenham a possibilidade de manusear os livros, de os coloquem na boca, de os explorarem… Isso faz parte do processo de descoberta e desenvolvimento.
O brincar, experimentar e imaginar desenvolvem o vocabulário da criança e quando o processo de aquisição da leitura e escrita se iniciar, já a criança foi apresentada às letras, palavras, frases e textos.
Porém é óbvio que, se uma criança de 2 meses e uma criança de 2 anos se encontram em etapas diferentes de desenvolvimento, também a leitura para cada uma delas deverá ser adaptada à sua faixa etária:
Até aos 6 meses a leitura deverá incluir o apontamento de figuras que estão no livro e a fala em voz alta do nome do objeto para o qual o bebé estiver a olhar, desfolhando de acordo com o interesse do bebé;
Dos 6 aos 12 meses os bebés já se sentam e seguram nos objetos, pelo que deixá-los desfolhar e explorar é importante. Pode nomear as figuras que ele aponta, mudando a acentuação da voz e fazendo ligação entre os objetos através de histórias inventadas e simples;
Entre 1 ano e os 2 anos a criança já consegue escolher o livro que quer e entregá-lo aos pais para a leitura. É importante usar diferentes vozes, para representar os diversos personagens das histórias; fazer perguntas como “onde está o cão?” para que a criança interaja, incentivando-o a imitar os sons e gratificar o seu esforço;
Dos 2 aos 4 anos as crianças encontram-se na fase da previsibilidade, por isso é possível que escolham sempre a mesma história para os pais lerem. Assim esta é uma boa altura para pedir à criança que conte a história à sua maneira.
Dos 4 aos 6 anos as crianças escolhem os livros que querem que os pais leiam e fazem perguntas sobre as coisas que acontecem, corrigindo os pais se “inventarem” e saltando partes porque “já sabem aquela parte”. Nesta altura é importante ler como o autor escreveu e responder com interesse às questões colocadas pela criança, mesmo que já seja a milésima vez que ela o faz. Pode e deve aproveitar para incentivar a criança a criar e contar as suas próprias histórias, pois estimula a criatividade e organização do pensamento.
Claro está que se as crianças aprendem pelo exemplo, criar hábitos de leitura em casa para e por todos os elementos da família é fundamental. Sabendo que nos dias que correm a agitação diária é uma constante, esta talvez seja uma forma de passar tempo de qualidade com os seus filhos/as no final do dia. Através da leitura estimula a sua autonomia, criatividade, organização e ainda os ajuda a relaxar para que possam ter uma boa noite de sono. Como vê são só vantagens, por isso, boas leituras!
Publicado no Jornal do Centro:
www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/uma-historia-por-dia-hellip-nao-sabe-o-bem-que-lhe-fazia
Nelly skjølsvold
Estudante da Licenciatura em Enfermagem da Oslo Metropolitan University - Noruega Programa “ERASMUS +” na ESSViseu em colaboração com a UCC Viseense
O Dia Internacional do Enfermeiro – 12 de maio – é o dia para celebrar os enfermeiros e a importância do seu trabalho, em todos os locais do mundo. Foi celebrado pela primeira vez nos Estados Unidos, a 12 de maio de 1965, dia do aniversário de Florence Nightingale.
Florence Nightingale foi a primeira pessoa a querer modernizar a Enfermagem e torná-la uma profissão reconhecida. Em 1860, criou a primeira escola de enfermagem do mundo, no St. Thomas Hospital, em Londres, deste modo tornou-se a fundadora do ensino de Enfermagem.
Depois disso, a Enfermagem foi-se desenvolvendo continuamente, sempre com foco na prática e baseada na evidência científica, centrando-se nos ganhos efetivos que os cuidados prestados têm sobre o/a utente/cliente, focando-se na criação de serviços de saúde de excelência.
Na Noruega, o número de candidatos para o curso de enfermagem está em constante ascensão, havendo equilíbrio nos que prosperam ou não após concluir a sua formação. A escassez de enfermeiros/as, faz com que o trabalho se torne muito exigente e desgastante, levando a que 2 em cada 10 enfermeiros abandonem a profissão nos primeiros dez anos! Com base nisso, é importante que as suas condições de trabalho sejam tomadas a sério, com o objetivo de serem mantidas as capacidades e competências destes profissionais, essenciais para um sistema de saúde sólido e sustentado.
Na Noruega, tal como em Portugal, muitas pessoas têm a conceção de que a profissão de enfermagem envolve apenas a administração de vacinas, colheita produtos para análise ou a administração de medicamentos. Mas a profissão de enfermagem é muito mais que isso, e muitas vezes nem implica apenas trabalho físico. Os enfermeiros participam, por exemplo, na tomada de decisão relativamente a programas de Saúde (tão frequentes e recorrentes na pandemia e nesta fase pós-pandémica) ou na colaboração interdisciplinar em relação à promoção da saúde e de bem-estar familiar e infantil. Por exemplo, em relação ao apoio financeiro a famílias necessitadas ou apoio a crianças vitimas de violência doméstica. Nesses casos, são tomadas decisões sobre se as famílias cumprem os requisitos para receber dinheiro para alimentação, contas, despesas relacionadas à saúde, etc., e se as crianças precisam/ estão em segurança \ sem risco ou se devem ser retiradas à família. O enfermeiro é o responsável por tudo o que seja relacionado com a saúde, nesses casos. E este é só um exemplo!
Nós, Enfermeiros/as, prevenimos doenças e salvamos vidas, todos os dias! Somos absolutamente essenciais para as pessoas em todas as fases da vida! Ainda mais porque, com o efetivo envelhecimento da população em geral, há uma evidente pressão nos serviços de saúde, quer sejam cuidados de saúde primários, hospitalares, continuados ou até paliativos.
Com isso, não há como negar o importante trabalho desenvolvido pela enfermagem todos os dias!
Cuidem uns dos outros! E tenham um bom dia internacional do Enfermeiro!
Publicado no Diário de Viseu a 11-05-2022
Lisa Cheng
Estudante da Licenciatura em Enfermagem da Oslo Metropolitan University - Noruega Programa “ERASMUS +” na ESSViseu em colaboração com a UCC Viseense
No mês que se intitula o mês do coração – maio – importa ter a noção de que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo.
O número de pessoas com esta patologia tem aumentado devido aos estilos de vida menos saudáveis que potenciam o risco do seu aparecimento.
O coração tem como principal função bombear o sangue para todas as partes do corpo, de forma a que os órgãos, tecidos e as células recebam o oxigénio e nutrientes necessários ao seu funcionamento possibilitando também a eliminação dos produtos que são prejudiciais ao nosso organismo.
Todo este processo é fundamental para que o Ser Humano possa viver bem e de forma saudável. Contudo, quando algo interrompe ou afeta o processo de circulação, começam a surgir diversos problemas, pois o coração entra em esforço e pode desenvolver uma doença cardíaca.
Existem vários tipos de doenças cardíacas com inúmeras causas específicas, sendo a mais comum, entre as pessoas adultas, a arteriosclerose. Esta doença é caracterizada pelo estreitamento dos vasos sanguíneos provocando, por sua vez, uma obstrução total ou parcial, levando ao aumento da tensão arterial e por conseguinte a uma brusca diminuição da irrigação sanguínea, do próprio coração, ou seja, o enfarte agudo do miocárdio.
Contudo, existem varias formas de prevenção da doença, que devem ser adaptadas, analisando individualmente a que melhor se adequa a cada pessoa. A realização regular dos rastreios revela-se uma medida crucial e efetiva para o diagnóstico precoce da doença, especialmente se já houver predisposição familiar para a mesma.
A mudança dos hábitos de vida é considerada como o principal factor protetor no combate a esta doença, que se baseia na adoção de alimentação mais saudável e a realização de atividade física de forma regular. As pessoas com hábitos tabágicos são aconselhadas a deixarem de fumar, bem como aquelas que consomem álcool.
Se estiver em risco de desenvolver uma doença cardíaca, seja pelo histórico familiar, seja pelos hábitos de vida pouco saudáveis, ou até mesmo se já tiver sido diagnosticada com algum tipo de patologia cardíaca, a adoção das medidas descritas anteriormente, poderão evitar o agravamento dos sintomas ou o surgimento da mesma. Intimamente relacionado com desenvolvimento de doença cardíaca encontra-se o diagnostico de obesidade. Definida como uma patologia em que o excesso de gordura corporal acumulada pode afetar a saúde, a obesidade é considerada um problema de saúde pública por ser uma ameaça grave à mesma e um fator de risco para o aparecimento de outras patologias.
“O Dia Nacional de Luta Contra a Obesidade” também é celebrado no penúltimo sábado do mês de maio. Esta efeméride tem como objetivo principal sensibilizar a população para o problema da obesidade, as doenças associadas e as suas consequências para a saúde, como as doenças cardíacas.
Para prevenir e controlar a obesidade é importante ter em conta dois objetivos fundamentais: aumentar a atividade física diária e diminuir a ingestão calórica, gorduras e açucares, de modo a adotar uma dieta saudável e equilibrada.
Em Viseu pode praticar atividade física nos espaços verdes disponíveis como a Ecopista do Dão, o Parque Aquilino Ribeiro, o Parque de Santiago e o Fontelo, aproveitando também a realização do Evento «Manhãs ativas».
Deve começar de forma gradual, mas lembre-se que realizar alguma atividade física é melhor que nenhuma. É importante combater o sedentarismo
Como profissionais de Saúde aconselhamos e encorajamos as pessoas com histórico familiar de doença cardíaca a realizar rastreios regulares de saúde, recorrendo aos cuidados de saúde primários, mais conhecidos como “Centros de Saúde”, especificamente à sua Unidade de Saúde Familiar (USF).
Independentemente da idade que tenhamos todos/as deveríamos ser mais ativos/as fisicamente, melhorando a saúde mental e efetivamente adotando hábitos de alimentação saudável.
A oportunidade do seu coração ser mais saudável começa hoje, ouça o seu coração!!
Publicado no Diário de Viseu a 25-05-2022
Enfermeira Emília Rodrigues
No dia 1 de junho comemorou-se o Dia Mundial da Criança. Esta efeméride assinalou-se pela primeira vez em 1950, por iniciativa das Nações Unidas após o fim da II Guerra Mundial, sensibilizando a comunidade internacional para os problemas que atingiam tantas crianças no mundo e para a necessidade de promover uma melhoria das condições de vida, tendo em vista o seu pleno desenvolvimento.
A 20 de novembro de 1959 é aprovada a pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Declaração dos Direitos da Criança, que estabelece os direitos e liberdades atribuídos às crianças, com o objetivo de lhes proporcionar bem-estar e uma infância feliz e segura. Esta Declaração diz-nos que:
Todas as crianças têm o direito à vida e à liberdade.
Todas as crianças devem ser protegidas da violência doméstica.
Todas as crianças são iguais e têm os mesmos direitos, não importa a sua cor, sexo, religião, origem social ou nacionalidade.
Todas as crianças devem ser protegidas pela família e pela sociedade.
Todas as crianças têm direito a um nome e nacionalidade.
Todas as crianças têm direito a alimentação e ao atendimento médico.
As crianças portadoras de dificuldades especiais, físicas ou mentais, têm o direito a educação e cuidados especiais.
Todas as crianças têm direito ao amor e à compreensão dos pais e da sociedade.
Todas as crianças têm direito à educação.
Todas as crianças têm direito de não serem violentadas verbalmente ou serem agredidas pela sociedade.
Assim sendo, e de forma a proporcionar às nossas crianças um desenvolvimento saudável, a conjugação destes três fatores é fundamental: alimentação equilibrada e variada, boa higiene do sono e brincar, brincar, brincar...
Começando pela alimentação, todos sabemos que é um dos determinantes mais importantes da nossa saúde, e nos primeiros anos de vida tem uma importância ainda maior. Porque é neste período que se moldam os gostos e preferências alimentares e nós (pais/encarregados de educação) somos os modelos que as crianças tendem a imitar. Seguem-se algumas sugestões para uma alimentação saudável das crianças:
Comer todos os dias fruta e hortícolas;
Beber mais água e menos bebidas açucaradas;
Evitar o “lixo alimentar”, em particular os snacks hipercalóricos, ricos em sal, açúcar e gordura;
Leite e derivados todos os dias, mas na dose certa;
Fazer uma alimentação completa, variada e equilibrada, seguindo os princípios da Roda dos Alimentos.
A evidência científica mostra-nos que o envolvimento das crianças no processo de produção e confeção dos alimentos é um fator chave para a aquisição de conhecimentos, para a sensibilização sobre a importância de uma alimentação saudável e para a mudança de comportamentos alimentares.
Relativamente à higiene do sono (conjunto de hábitos e rituais que permitem facilitar o início e a continuidade do sono) adaptadas a cada grupo etário. A consistência e a regularidade no cumprimento destas regras oferecem uma maior sensação de segurança à criança e ao jovem.
O sono é importante no restabelecimento de vários sistemas do organismo, na recuperação de energia, na capacidade de nos defendermos das infeções e, na criança, assume ainda um papel acrescido no desenvolvimento do sistema nervoso central (e em particular no desenvolvimento cognitivo) e no assegurar de várias funções hormonais, como por exemplo na produção da hormona de crescimento.
O sono tem vários ciclos e a transição entre eles passa por um leve despertar. Nas crianças pequenas estes ciclos são mais curtos e como o tempo de sono é maior, estes despertares podem ser numerosos. À medida que a criança vai crescendo os períodos de sono vão-se consolidando, o sono da noite vai-se tornando contínuo e as sestas do dia vão-se reduzindo. Importante é que a criança durma diariamente a quantidade de horas adequada à sua idade.
Para um adormecer tranquilo, a Associação Portuguesa do Sono recomenda:
É muito importante ter tempo de convívio com os pais no fim do dia e manter uma rotina previsível na hora de deitar;
A criança deve ser deitada sonolenta, mas ainda acordada, para aprender a adormecer sem a presença dos pais (ganha autonomia e consegue adormecer sozinha durante a noite);
Os contactos a meio da noite devem ser breves e monótonos, mantendo a criança na sua cama;
Os objetos de transição (boneco, manta) podem ser úteis para crianças pequenas que não se sentem seguras sem a presença dos pais;
Fazer sestas adaptadas à idade/ desenvolvimento da criança, evitando sestas muito prolongadas, frequentes ou muito tardias (exceto nas crianças muito pequenas);
É importante manter a regularidade na hora de deitar e levantar;
O quarto deve ter temperatura amena, sem televisão ou outros ecrãs, a luz azul dos dispositivos como smartphones confunde o organismo e inibe a produção de melatonina, essencial para um sono de qualidade.
Vários estudos referem que, cerca de 30% das crianças têm algum problema de sono e relacionaram noites mal dormidas com piores resultados escolares.
Por último, mas não menos importante, brincar!
Brincar é das atividades mais sérias desenvolvidas pelas crianças, tão fundamental como o direito à saúde, à educação ou à segurança. É um motor do desenvolvimento da criança, nos seus aspetos físico, sensorial, cognitivo, criativo, e sobretudo emocional, segundo a Sociedade Portuguesa de Pediatra.
Brincar dá à criança a primeira oportunidade para se exprimir de forma simbólica e é uma base essencial do seu pensamento. É pelas brincadeiras que exprimem as emoções como a tristeza, a raiva, o medo e a angústia.
Os benefícios de brincar verificam-se tanto a nível emocional como cognitivo. Daí a importância de brincar, na vida dos mais pequenos. Os pais devem também participar nas brincadeiras dos filhos, pois, a ligação afetiva entre eles aumenta, assim como, a criança aumenta o seu interesse e motivação, enquanto desenvolve várias capacidades. Vantagens de brincar:
Fortalece o sistema imunitário;
Estimula a criatividade, imaginação, atenção e desenvolve o raciocínio;
Promove a interação social;
Ensina a negociar e a incorporar regras;
Permite um melhor autoconhecimento;
Melhora a saúde mental e ensina a lidar com a frustração;
Aumenta a capacidade de trabalhar em equipa.
Brincar dá ferramentas de aprendizagem, autonomia, liberdade e satisfação, que permitem uma vida em sociedade mais equilibrada, mais feliz e mais humana.
Uma Criança feliz vai ser um adulto capaz de construir um mundo melhor!
Publicado no Jornal do Centro:
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Bárbara Santos
Estudante da Licenciatura em Enfermagem da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
O conceito de envelhecimento ativo segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que, a adoção de estilos de vida mais saudáveis e uma atitude mais participativa na promoção do autocuidado ao longo da vida, são fundamentais para se viver por mais anos e com mais qualidade de vida. Define ainda, a sexualidade como uma energia que nos motiva a procurar amor, contacto, ternura e intimidade, sendo, portanto, uma necessidade básica de vida de todos os seres humanos.
Entendemos que este tema não se restringe apenas à relação física em si, mas também à união de dois seres que possuem afinidades, emoções e sentimentos e, objetivos em comum. Refere-se à troca de sons, cheiros, olhares, toques, momentos de qualidade entre duas pessoas que se amam e, que acima de tudo se respeitam como seres individuais e como casal.
O culto ao corpo jovem idealizado pela nossa sociedade atual, eterniza a convicção de que a sexualidade está apenas ligada aos jovens, salientando o preconceito em relação à sexualidade na pessoa idosa e consequentemente, tratando-a como incapaz de dar e receber tudo ao que a sexualidade diz respeito.
A ideia enraizada de que as pessoas idosas são assexuadas, aliada às dificuldades de falar sobre sexualidade, na sociedade atual, produz constrangimento e desconforto nas relações familiares, sociais e não só. É importante falarmos mais sobre a sexualidade, sem tabus nem estigmas.
Descobrir o poder dos afetos e das emoções, da parceria, do carinho e da ternura, da lealdade e da comunicação pode diferenciar a vivência da sexualidade num envelhecimento ativo e mais saudável.
Todos nós gostamos de atenção e de carinho, de falar dos nossos medos, receios e angústias. Todos nós gostamos de partilhar as alegrias do dia-a-dia com alguém. Gostamos de sentir apoio nos momentos mais difíceis e de um ombro amigo quando mais precisamos. Gostamos de sentir ao nosso lado, alguém com quem partilhar todos os momentos, ou seja, ter um parceiro de vida.
Por isso, pratique o amor. Seja companheiro/a, romântico/a, carinhoso/a e afetuoso/a… Diga o quanto ama o seu companheiro/a de vida e os seus familiares. Abrace, beije, elogie, toque, esteja presente, partilhe objetivos de vida. Construa intimidade com os seus. Não há aspeto mais gratificante na vida do ser humano que a intimidade e a presença dos que mais amamos.
Os afetos e as emoções são a base de toda a nossa vivência com o outro mantendo-nos saudáveis e felizes ao longo do ciclo vital.
Seja amor!
Seja feliz!
Publicado no Diário de Viseu a 08-06-2022
Enfermeira Teresa Martins
O Verão é habitualmente a estação do ano mais associada à alegria, à festa e às atividades ao ar livre, sendo nesta época que ocorrem as férias escolares mais longas e que a maioria das pessoas escolhe para as pausas laborais. Mas o convite à diversão e lazer não devem permitir distrações no que respeita à manutenção da saúde. Embora a sensação de calor possa ser agradável e estimulante, durante o Verão podem ocorrer fenómenos de temperaturas extremamente elevadas e que põem em causa a nossa saúde.
O organismo possui mecanismos fisiológicos que permitem controlar a sua temperatura corporal, mas quando a temperatura ambiente é superior à da pele, o corpo, em vez de perder calor, ganha-o, por irradiação e por condução. Nestas condições, recorre a mecanismos biológicos, como a evaporação e a transpiração, para se libertar do calor excessivo. Fatores que diminuam ou impeçam uma evaporação adequada, quando a temperatura do ambiente é mais elevada do que a temperatura da pele, conduzem a uma elevação da temperatura corporal interna.
Assim, a exposição ao calor intenso pode ter efeitos negativos na saúde, principalmente em pessoas com maior dificuldade na regulação da temperatura e, por isso, menor adaptação do organismo à elevação extrema da temperatura ambiente, como crianças, pessoas com doença crónica e pessoas idosas, encontrando-se mais vulneráveis aos seus efeitos negativos.
As complicações associadas à exposição a temperaturas muito elevadas podem variar de mais ligeiras como a desidratação, até às mais graves como as cãibras por calor que se manifestam por espasmos musculares dolorosos do abdómen e das extremidades do corpo (pernas e braços), o golpe de calor que pode apresentar sintomas como febre alta, pele vermelha, quente, seca e sem produção de suor, pulso rápido e forte, dor de cabeça, náuseas, tonturas, confusão, perda parcial ou total de consciência. Em casos extremos pode ocorrer o esgotamento devido ao calor caracterizado por sede intensa, suor excessivo, palidez, cãibras musculares, cansaço e fraqueza, dor de cabeça, náuseas, vómitos e desmaio. A temperatura do corpo pode estar normal, abaixo do normal ou ligeiramente acima do normal. As pulsações alternam entre lenta e rápida e a respiração fica rápida e superficial.
Estas são situações muito graves e que podem ameaçar a vida, requerendo tratamento urgente, mas que podem ser evitadas, pois, apesar da reação de cada pessoa às variações da temperatura ser diferente, todas devem estar atentas aos avisos das autoridades sobre a ocorrência destes fenómenos e proteger-se, seguindo as diversas recomendações para prevenir os efeitos negativos na saúde.
Manter-se informado/a é fundamental para tomar as decisões mais adequadas, nomeadamente no que respeita à manutenção da saúde! Quer relativamente às condições climáticas, quer quanto aos sinais e sintomas que podem ocorrer quando surgem complicações, e sobretudo, relativamente às recomendações sobre os cuidados necessários para prevenir essa ocorrência, entre as quais salientamos:
Manter a hidratação - Beber água mesmo quando não tem sede; se beber sumos optar por sumos de fruta natural sem açúcar; evitar bebidas alcoólicas e bebidas com muito açúcar; fazer refeições frias, leves e mais vezes por dia; evitar refeições, muito quentes e muito condimentadas.
Manter-se protegido/a do calor - Evitar a exposição solar direta, especialmente entre as 11 e as 17 horas; evitar atividades físicas no exterior, principalmente nos horários mais quentes; usar roupas leves, claras e soltas, não esquecendo o chapéu e os óculos com proteção contra a radiação ultravioleta A e B; ao ar livre, usar protetor solar com índice de proteção igual ou superior a 30. Renovar a sua aplicação de 2 em 2 horas ou de acordo com a indicação do fabricante.
Manter a casa fresca - No período de maior calor, fechar as janelas, persianas ou portadas; ao entardecer, quando a temperatura exterior for mais baixa do que a interior, deixar que o ar circule pela casa; evitar a utilização do forno ou de outros aparelhos que aqueçam a casa; utilizar ar condicionado se possível; evitar as mudanças bruscas de temperatura.
Cuidados especiais se tiver algum problema de saúde - Evitar a exposição dos medicamentos a temperaturas elevadas; ter alguém atento e disponível para ajudar se surgirem complicações (familiar, amigo/a, vizinho/a); na presença de sinais ou sintomas associados ao calor, procurar cuidados médicos de imediato.
Manter contato e atenção aos outros - manter o contato frequente com pessoas mais vulneráveis pode ajudá-las a proteger-se e também detetar complicações numa fase mais inicial.
O Ministério da Saúde, através da Direção-Geral da Saúde, ativou desde 1 de maio o Plano de Contingência para as temperaturas extremas adversas que está integrado na Plataforma Saúde Sazonal - Verão & Saúde e pode ser consultado no sítio www.dgs.pt. Também pode obter esclarecimento de dúvidas através do SNS 24 – 808 24 24 24 e ainda contatar a sua Equipa de Saúde Familiar, no Centro de Saúde.
Aproveite o Verão com Saúde!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/verao-and-saude
Lisa Cheng
Estudante da Licenciatura em Enfermagem da Oslo Metropolitan University - Noruega Programa “ERASMUS +” na ESSViseu em colaboração com a UCC Viseense
O povo Romani é o termo usado para designar um grupo étnico, historicamente migratório, que vem da Roménia e da Bulgária mas, que é originalmente do norte da Índia. São tradicionalmente chamados de ciganos, porém, atualmente muitos preferem ser denominados de "povo Romani".
O termo "cigano" tem diversos significados nos diferentes países da Europa. Este nome começou a ser atribuído aos povos nómadas que surgiram pela Europa, sendo usado para designar minorias étnicas, em vários países. Por isso, muitas pessoas ciganas acreditam que outros grupos ciganos, não são verdadeiramente ciganos. Na Noruega, o povo Romani refere-se a pessoas provenientes do subcontinente indiano. Além disso, de acordo com a História, o povo Romani foi perseguido na Índia, de onde fugiu para o Egito e de lá para a Europa. através do Médio Oriente
A designação de povo Romani refere-se a grupos pobres que viajaram da Roménia e da Bulgária para a Europa Ocidental na esperança de melhores condições de vida, após o alargamento da EU, em 2007. Muitas pessoas da comunidade cigana continuam a ser alvo de discriminação direta e indireta e vivem à margem da sociedade. Por vezes em condições de habitabilidade muito precárias, apresentando uma esperança média de vida mais baixa do que o resto da população, um menor nível de escolarização e sucesso escolar, sobretudo entre as raparigas, e níveis mais elevados de desemprego.
Na Europa, os vários grupos de Étnia Cigana compõem cerca de 10 a 12 milhões de pessoas, e são um dos maiores grupos minoritários da Europa.
Portugal tem 10.34 milhões de habitantes, e estima-se que entre 45 a 50 mil, sejam pessoas Romani. A expectativa de vida desse grupo é 15 anos inferior à da restante população, enquanto a idade média em que as mulheres são mães pela primeira vez é de 17 anos.
Não há números oficiais de quantos pessoas Romani existem atualmente na Noruega, mas estima-se que sejam alguns milhares. Entre os países nórdicos, a Suécia tem o maior número de pessoas Romani, com uma estimativa de 45 mil pessoas. Tal como nos países mais ocidentais, Portugal e os países nórdicos também apresentam condições de vida precárias ao povo cigano, havendo uma discriminação generalizada, especialmente no mercado de trabalho. Muitas crianças abandonam a escola.
Devido às difíceis condições de vida do povo Romani, a Amnistia Internacional luta para que este grupo minoritário tenha direitos iguais aos da restante da população, na Europa. Apesar de 8 de abril ser o dia Internacional do Povo Romani, em Portugal a 24 de junho é celebrado o Dia Nacional da Pessoa Cigana, sendo que ambos se focam na difícil situação em que muitos deles vivem. Segundo a Amnistia Internacional, o povo Romani sente-se preso num círculo vicioso de pobreza e discriminação,assim como, alvo de tratamento injusto nas escolas
Como forma de minorar sofrimento deste povo, causado em grande parte, pela discriminação, cabe a cada um de nós contribuir para modificar os comportamentos que de algum modo, causem este sentimento.
Está consagrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no artigo 1º “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.
Cada um de nós deve ter a oportunidade de viver com qualidade. Todos somos iguais, apesar das diferenças!!!
Temos que ajudar-nos uns aos outros e “não julgar o livro pela capa”.
Dessa forma, poderemos viver em paz e harmonia!
Publicado no Diário de Viseu a 22-06-2022
Enfermeiro Diogo Carvalhais
No dia 1 de julho celebra-se o Dia Internacional da Piada.
Um sorriso pode ser considerado algo tão simples e tão corriqueiro, mas é imensamente importante para a nossa saúde, quer seja física, quer seja mental!
Todos temos a noção do quão divertido é compartilhar uma boa gargalhada, mas sabia que isso pode realmente melhorar a saúde? Vamos aprender a reaproveitar os poderosos benefícios do riso e do humor.
O riso é um direito de nascença, uma parte natural da vida que é totalmente inato. Os bebés começam a sorrir durante as primeiras semanas de vida e riem em alta voz, alguns meses após o nascimento.
Quando eramos crianças, costumávamos rir centenas de vezes por dia, mas, como adultos, a vida tende a ser, (ou parece ser) mais séria e o riso torna-se menos frequente. Mas, ao procurar mais oportunidades para sorrirmos, podemos melhorar a nossa saúde emocional, fortalecer as nossas relações pessoais, encontrar mais felicidade e até acrescentar anos à vida.
Rir é bom para a Saúde Física:
O riso relaxa todo o corpo. Uma boa risada alivia a tensão física e o stress, deixando os nossos músculos relaxados, até 45 minutos depois.
O riso estimula o sistema imunológico. O riso diminui as hormonas do stress e aumenta as células imunológicas e os anticorpos que combatem infeções, melhorando assim a resistência às doenças.
O riso desencadeia a libertação de endorfinas, substâncias químicas naturais do corpo que proporcionam o bem-estar e podem até aliviar temporariamente a dor.
O riso protege o coração. Melhora a função dos vasos sanguíneos e aumenta o fluxo sanguíneo, o que pode ajudar a proteger contra um ataque cardíaco e outros problemas cardiovasculares.
Rir queima calorias. Importa perceber que não substitui o exercício físico regular, mas um estudo descobriu que rir de 10 a 15 minutos por dia, pode queimar aproximadamente 40 calorias – o que pode ser suficiente para perder três ou quatro quilos ao longo de um ano.
O riso alivia o sentimento de raiva. Nada diminui mais rápido a raiva e o conflito do que uma gargalhada compartilhada. Olhar para o lado cómico das situações pode colocar os problemas numa perspetiva diferente, permitindo que se saia dos conflitos sem guardar rancor ou ressentimentos.
O riso pode até ajudar a viver mais. Um estudo na Noruega descobriu que pessoas com um grande sentido de humor vivem mais do que as que não riem tanto. A diferença foi particularmente notável para pessoas que lutavam contra o cancro.
Há também uma relação entre o riso e a Saúde Mental:
O riso interrompe as emoções angustiantes. Ninguém sente ansiedade, raiva ou tristeza quando se está a rir.
O riso ajuda a relaxar e recarregar as energias. Reduz o stress e aumenta a energia, permitindo manter o foco nas atividades de forma eficaz e eficiente, reforçando também a resiliência.
O riso muda a perspetiva, permitindo que se vejam as situações de uma forma mais realista e menos ameaçadora. Uma perspetiva bem-humorada cria uma distância psicológica, o que pode ajudar a evitar sentimentos de sobrecarrega e o exponenciar de conflitos.
O riso aproxima-nos dos outros, o que pode ter um efeito profundo em todos os aspetos da saúde mental e emocional.
Este último revela-se muito importante, pois a maioria dos risos e gargalhadas não provêm do ouvir umas piadas, mas simplesmente por despender o nosso tempo com amigos e familiares. Este aspeto social representa o importante papel do benefício do riso, nas relações socias. Quando rimos, cria-se um vínculo positivo entre as pessoas. Esse vínculo atua como um forte redutor do stress, conflito e desilusões, desencadeando sentimentos positivos e promovendo a conexão emocional. O humor e o riso nas nossas relações sociais permitem então:
Maior espontaneidade. O humor desliga-nos dos pensamentos negativos e dos problemas.
Deixar de ser defensivo. O riso ajuda a esquecer os ressentimentos, julgamentos, críticas e dúvidas.
Libertar inibições. O medo de se retrair desaparece.
Expressar os seus verdadeiros sentimentos. Emoções profundas podem vir à tona.
Com tanto poder para ajudar, prevenir ou até curar, a capacidade de RIR com facilidade e frequência é um tremendo recurso para superar problemas, melhorar as suas relações interpessoais e ajudar na saúde física e emocional. O melhor de tudo é que este fármaco inestimável é divertido, gratuito e fácil de usar!!
Quanto mais sorrisos trouxer à sua vida, mais feliz se sentirá e todas as pessoas que o/a rodeiam!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/que-piadinha-
Enfermeira Emília Rodrigues
Infelizmente, hoje em dia, observamos crianças, adultos ou até pessoas mais “maduras”, na rua ou em momentos de laser (cafés, esplanadas, ...) focadas no telemóvel/ redes sociais, que impossibilita o contato visual com tudo o que as rodeia. É, por isso essencial, mudar o foco de atenção! É importante observarmos mundo que nos rodeia, olhar/ver as pessoas que passam por nós e, mais do que isso, sorrir para elas.
O sorriso consiste numa expressão na cara da pessoa, que se forma a partir do movimento dos músculos que rodeiam os olhos e a boca. O sorriso, em geral, reflete alegria, prazer ou conformidade. Sorrir faz com que as pessoas se sintam bem. Cria ligações, transmite paz, acolhe e pode suscitar vários sentimentos positivos. Sorrir, é um gesto muito poderoso, transforma, agrega e une as pessoas.
Sorrir é terapêutico. Estimula o cérebro a produzir endorfina, hormona que reduz o stress e tem efeito analgésico no organismo e também serotonina, que é responsável pela sensação de bem-estar e felicidade. Rir relaxa o tónus muscular, aumenta a capacidade pulmonar e a saturação de oxigénio, reduz a reatividade brônquica, atenua os picos de glicémia, diminui a tensão arterial e estimula o sistema imunitário.
"Rir é o melhor remédio", diz o famoso ditado popular. É o melhor, o mais divertido e também o mais barato remédio contra o stresse, a tristeza e a ansiedade. Rir faz-nos bem a nós e aos outros. Por todas estas razões e muitas outras é importante que aprenda a rir, como confirmam vários estudos científicos. Algumas dicas:
Observe-se a sorrir. É um dos exercícios mais simples de fazer em casa, veja-se ao espelho. Observe-se durante alguns segundos e, depois, sorria de forma propositada e persistente. Ao fim de uns minutos, sentir-se-á melhor, mais tranquilo e mais relaxado.
Ria-se de si e dos outros, não tenha medo de se autocriticar e de criticar os outros. Em casa ou no trabalho, na rua, no restaurante, no autocarro, no comboio ou no metropolitano, fixe-se nas coisas engraçadas e estranhas que as pessoas que o rodeiam fazem e ria-se delas, nem que seja interiormente.
Ria-se das suas limitações, é a atitude mais saudável para evoluir. Assim, não só será capaz de se conhecer melhor, como se vai tornar uma pessoa mais tolerante e compreensiva com os outros.
Provoque o riso, experimente o jogo do sério, em casa com a família, mentalizando-se de que não se pode rir. Se se esforçar muito, vai acabar por ver o ridículo da situação e a gargalhada vai fluir facilmente.
Frequente workshops para sorrir/rir. O riso é uma ferramenta efetivamente eficaz na melhoria da saúde física e mental, reduzindo o stress, promovendo o relaxamento, conduzindo ao encontro da paz interior de uma forma divertida e lúdica que contribui para o processo de crescimento individual.
De acordo com investigações feitas, as mulheres riem-se mais vezes do que os homens. O riso feminino, à semelhança do sorriso delas, é, por norma, intenso e espontâneo, ao contrário do masculino, que tende a ser mais racional. Ao longo do tempo, foram identificadas algumas boas razões para sorrir ou dar uma gargalhada.
Previne doenças
Aproxima-nos dos outros
Estimula o cérebro
Rejuvenesce
Liberta-nos - Rir é vital para o ser humano, funcionando esse gesto como "o comando para reiniciar um computador",
Exercita o corpo
Combate o stresse
Queima calorias
Está à espera de quê para soltar já uma gargalhada?
Um sorriso transmite confiança, simpatia, interesse, agrado. Experimente sorrir para o outro e observe como ele reage. O sorriso é contagiante!
Publicado no Diário de Viseu a 11-07-2022
Enfermeira Ana Cláudia Santos
O ser humano nasceu, desde os primórdios, com uma necessidade intrínseca de lazer e entretenimento. Usada como instrumento de estimulação, aprendizagem e desenvolvimento, a Internet é uma ferramenta riquíssima, podendo também ser usada com propósitos terapêuticos.
Atualmente, os videojogos fazem parte integrante da realidade de milhões de adultos, adolescentes e crianças em todo o mundo. Se por um lado têm lugar de destaque nos mercados mundiais (sendo um negócio que rentabiliza milhões de euros e emprega milhares de equipas multidisciplinares), por outro lado uma persistente utilização da internet com vista à prática dos mesmos, geralmente com outros jogadores, pode conduzir ao desenvolvimento de uma dependência, cada vez mais presente entre crianças e jovens.
Quando utilizados de forma moderada e com conteúdos adequados à faixa etária do utilizador, os videojogos promovem o desenvolvimento de capacidades cognitivas, sociais e psicológicas. Um processo patológico, neste âmbito, é iniciado quando a criança ou jovem despende grande parte do seu tempo nessa atividade, isolando-se e ignorando as suas responsabilidades.
Em 2018 a Organização Mundial de Saúde, na classificação internacional de doenças, (ICD-11), no que concerne a categoria de perturbações associadas ao uso de substâncias ou comportamentos aditivos, identificou a perturbação associada aos videojogos (6C51 – Gaming Disorder), na qual estão contemplados os comportamentos de jogo em experiências online e offline.
O último relatório do SICAD – Serviço de Intervenção em Comportamentos Aditivos e Dependências, elaborado para o Plano Nacional para a Redução dos Comportamentos Aditivos e Dependências 2021-2030, refere que “60% dos adolescentes portugueses jogam jogos eletrónicos em dias de escola e 70% jogam em dias que não são de escola”.
Existem alguns sinais de alarme aos quais devemos estar atentos que potencialmente podem indicar um processo patológico de adição, nomeadamente em crianças e jovens: perder a noção do tempo, agitação e agressividade aquando da interrupção do jogo, irritabilidade por abstinência do jogo, perda de interesse em participar noutras atividades (família e amigos), desobediência constante nos limites temporais impostos; desenvolvimento de relações online; hora de deitar tardia e sonolência diurna. Os comportamentos de dependência interferem significativamente no desempenho escolar e nos relacionamentos sociais.
Contudo, algumas estratégias podem ser adotadas no sentido de diminuir a probabilidade desta ocorrência: manter os aparelhos de tecnologia fora do quarto das crianças, de preferência numa área onde seja possível supervisionar o seu uso; certificar-se que esta não é a única atividade de lazer; definir limites diários de utilização e assegurar que são cumpridos; somente permitir o acesso após a realização das tarefas académicas/ dinâmicas familiares; verificar frequentemente o histórico de navegação no computador; se possível, ter um computador apenas para o trabalho académico.
Caso o seu filho/a apresente alguns dos sinais de alerta acima mencionados, indicadores de dependência patológica da internet e de videojogos, não hesite em contactar a sua Equipa de Saúde Familiar para que possa ser avaliada a situação e, em caso de necessidade, encaminhar para técnicos com especialização neste âmbito.
Não esqueça: culpabilizar a Internet e os videojogos pelo desenvolvimento menos harmonioso dos nossos filhos não é a solução adequada… a verdade é que somos nós, pais e encarregados de educação, os responsáveis pela sua educação! Estar presente nas suas vidas com genuíno interesse pelos seus gostos, medos e anseios ajuda a desenvolver laços de confiança, abrindo as portas de uma comunicação segura e eficaz. Para perceber o seu mundo teremos sempre que tentar fazer parte dele!
Publicado no Jornal do Centro:
Enfermeira Diana Fernandes
Se alguma vez pensou que gostaria de deixar clara a sua vontade em relação aos cuidados de saúde que gostaria de receber em caso de quase morte ou incapacidade física ou mental, saiba que pode fazê-lo através da Diretiva Antecipada de Vontade (DAV) ou Testamento Vital.
O testamento vital é um documento no qual todo o cidadão nacional, estrangeiro ou refugiado residente em Portugal, maior de idade e que não se encontre interdito ou inabilitado por anomalia psíquica, pode manifestar que tipo de tratamento e de cuidados de saúde pretende, ou não, receber quando estiver incapaz de expressar a sua vontade. Pode também nomear um ou mais procuradores de cuidados de saúde, que são pessoas previamente nomeadas pelo próprio e chamadas a decidir sobre quais os cuidados de saúde a receber pelo utente, quando este se encontre incapaz de expressar a sua vontade pessoal de forma autónoma. Deverão ser pessoas da sua confiança, podendo ser um familiar ou não.
Para que o testamento vital seja válido deverá ficar arrolado no Registo Nacional do Testamento Vital (RENTEV), acedendo à “área pessoal do portal do SNS 24” e descarregando o ”modelo de formulário” do testamento vital. Após preencher o formulário, deverá entregá-lo no balcão RENTEV da sua área de residência.
Caso não siga este procedimento e embora não exista garantia de que o médico assistente terá conhecimento de que existe um testamento vital, o mesmo será válido, se o utente ou o seu representante o apresentarem, em papel, cuja assinatura deverá estar reconhecida pelo notário.
Posto isto, importa agora descrever quais os cuidados de saúde pelos quais pode optar em caso de lhe ser diagnosticada doença incurável em fase terminal ou em situação de inconsciência por doença neurológica ou psiquiátrica irreversível, complicada por intercorrência clínica:
Não ser submetido a reanimação cardiorrespiratória;
Não ser submetido a meios invasivos de suporte artificial de funções vitais;
Não ser submetido a medidas de alimentação e hidratação artificiais para retardar o processo natural de morte;
Participar em estudos de fase experimental, investigação científica ou ensaios clínicos;
Não ser submetido a tratamentos que se encontrem em fase experimental;
Recusar participar em programas de investigação científica ou ensaios clínicos;
Interromper tratamentos que se encontrem em fase experimental ou recusar a participação em programas de investigação ou ensaios clínicos, para os quais tenha dado prévio consentimento;
Não autorizar administração de sangue ou derivados;
Receber medidas paliativas, hidratação oral mínima ou subcutânea;
Serem administrados fármacos necessários para controlar, com efetividade dores e outros sintomas que possam causar-me padecimento, angústia ou mal-estar;
Receber assistência religiosa quando se decida interromper meios artificiais de vida.
Pode ainda decidir qual a pessoa que deseja ter junto a si quando forem interrompidos os meios artificiais de vida, sendo este documento válido por 5 anos renováveis.
Porém é importante que saiba que poderá alterar o seu testamento vital em qualquer momento, através da elaboração de um novo documento, ou, simplesmente, cancelar, se decidir que não pretende usufruir desta diretiva antecipada de vontade.
A decisão final é sempre sua!
Publicado no Diário de Viseu a 20-07-2022
Enfermeira Rita Andrade
A 28 de julho comemora-se o Dia Mundial das Hepatites que tem como principais objetivos divulgar informação e sensibilizar para esta doença.
Segundo o presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (José Presa), estima-se que as hepatites B e C afetem 325 milhões de pessoas em todo o mundo, causando 1,4 milhões de mortes por ano.
A hepatite caracteriza-se por uma inflamação das células do fígado, que pode ter várias causas, nomeadamente os vírus da Hepatite A, B, C, D e E.
O fígado é um importante órgão do sistema digestivo e havendo uma inflamação ou lesão neste, pode haver comprometimento da sua função, podendo originar diversas complicações a curto ou a longo prazo.
As doenças do fígado têm uma natureza silenciosa, sendo que sintomas como dor/desconforto abdominal, febre, mal-estar, fadiga, perda de apetite, urina escura e fezes claras podem somente manifestar-se num estado avançado da doença.
Uma vez que existem diferentes tipos de hepatite, a sua gravidade é muito variável. As hepatites B e C são mais significativas, porque podem evoluir, quando não tratadas, para graves problemas de saúde, como cirrose e cancro do fígado. Em Portugal, a sua maioria não é diagnosticada.
Tais dados, levaram a Organização Mundial de Saúde, a assumir o objetivo de erradicar a hepatite B e C até 2030.
Em Portugal, segundo dados do Infarmed, foram autorizados, desde 2015 até ao dia 01 de julho de 2020, 27239 tratamentos para a hepatite C, tendo já sido iniciados 26.006. A taxa de cura mantém-se nos 97%, com 15.909 doentes curados e 572 não curados.
O lema, deste ano para alertar da população mundial é «A hepatite saber é poder». Esta divulgação, pretende reforçar a urgência de promover os esforços necessários, para eliminar a hepatite como uma ameaça à saúde pública até 2030 e informar a população sobre a importância do diagnóstico precoce e tratamento das doenças do fígado.
A campanha foi lançada no início do mês de julho com um vídeo a recomendar «Faça análises antes que o seu fígado dê que falar», um alerta para a realização regular de análises ao fígado, de modo a promover o diagnóstico precoce de doenças como a hepatite crónica, a cirrose e o cancro do fígado, e respetivos tratamentos.
Esta situação ocorre, porque na maioria dos casos, esta doença não se associa a quaisquer sintomas.
O diagnóstico precoce é vital para o sucesso do tratamento. Esteja atento! Marque consulta no seu médico, sobretudo se teve comportamento de risco, como uso de seringas ou outros materiais possivelmente contaminados; e se fez transfusão de sangue antes de 1992.
Os tratamentos são simples, por via oral, geralmente curtos e sem custos para o doente, mas é necessário que sejam realizados de forma atempada. Trata-se de medicamentos que vão inibir ou eliminar a multiplicação do vírus e, desse modo, reduzir as lesões causadas ao fígado. O objetivo é, essencialmente, permitir que o fígado possa recuperar. Para que o tratamento seja eficaz, é importante também, o repouso adequado, uma dieta equilibrada e saudável e a abstenção de consumo de bebidas alcoólicas.
Lembre-se, a cada 30 segundos morre uma pessoa com uma doença relacionada com as hepatites. Esteja atento e consulte o seu médico para fazer um diagnóstico e, em caso positivo, um tratamento atempado.
Mesmo em tempo de pandemia Covid-19, não podemos esperar para atuar contra as hepatites virais.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/faca-analises-antes-que-o-seu-figado-de-que-falar
Enfermeira Emília Rodrigues
Com certeza que também já aconteceu consigo, assistir a um filme que lhe foi recomendado, por ser muito bom e ficar desiludido, ou assistir a um sem grande motivação e ser surpreendido pela positiva. Pois é, nós somos “vítimas” das nossas expetativas!
A palavra “expetativa” significa esperança baseada em supostos direitos, probabilidades, pressupostos ou promessas. Portanto, ao criarmos expetativas em relação a algo (pessoa/ situação), esperamos que esta corresponda, ao que acreditamos ser um “direito” nosso. E quando estas expectativas não são satisfeitas, sentimo-nos revoltados, frustrados e/ou zangados e adotamos, por vezes, o papel de “vítima”.
Então, é por isso importante, estabelecer limites para as nossas expetativas. Mas, como defini-los? Será bom viver sempre com o “pé atrás”? Segundo especialistas, expetativas muito elevadas, provocam frustração, insegurança e até sofrimento emocional, por isso, precisamos entender que a felicidade e o bem-estar, podem ser encontrados em coisas mais simples do que imaginamos, pois estão diretamente ligados ao essencial.
Na prática, as expetativas, assim como o conceito de felicidade, são relativas e, variam de pessoa para pessoa. Dependem do contexto em que se vive e como essas vivencias marcaram a nossa vida.
É por isso importante perceber se as expectativas são coerentes com a realidade, se assim não for, há maior probabilidade de não se concretizarem, o que nos provoca sentimentos de deceção e frustração e até alguma raiva. É frequente, também, culparmos alguém ou alguma coisa, por aquilo quem não aconteceu, tal como tínhamos previsto.
Ter expectativas baixas é não ter ambição, não acreditar e, por isso, não investir, logo não se aprende e nem ensina...
As expectativas são como vendas nos olhos, impedem-nos de ver a situação no seu todo e podem limitar o nosso crescimento e a capacidade de manter relações saudáveis.
Na realidade, o importante é focarmo-nos no agora e viver o presente. Especialistas sugerem algumas pistas para gerir da melhor forma as expetativas, equilibrar as emoções, sem perder a razão, ou seja, refletir sobre nossas ações:
Sonhar com os “pés no chão” – É importante e benéfico fazer planos, ter ambições, semear as sementes exatas daquilo que queremos colher, mas sempre com uma noção clara da realidade;
Gerir expectativas relacionadas com:
Trabalho – Ter uma postura de proatividade, com entrega e brio;
Relações – Ter tempo para o outro, dedicar atenção a quem amamos. Se não mimamos nem cuidamos, como podemos ter a expectativa de que o façam por nós? Dificilmente vai acontecer.
Outros – É, também, comum algumas pessoas sentirem que as suas expectativas saíram defraudadas, especialmente, quando olham para o outro a partir das suas vivências.
Própria vida – Há pessoas com pressa de viver e de conquistar, nem chegam a saborear o que concretizam, porque assim que alcançam um objetivo já estão focadas o próximo. E, se as coisas não acontecem nessa velocidade estonteante, sentem as suas expectativas defraudadas.
A gestão de expectativas é crucial para que consigamos agir de um modo cauteloso e direcionado no sentido do nosso objetivo. O falhanço no cumprimento dos tempos a que nos propusemos, pode afetar a motivação, bem como deitar a perder todo um esforço feito até então, só porque não chegamos onde queríamos, no tempo que queríamos. Sem nos apercebermos, o racional mistura-se com o emocional e a gestão de expectativas dá lugar à gestão de emoções. É nesta fase, que o sentimento de injustiça se apodera de nós e nos leva a tomar medidas, umas vezes acertadas, umas outras tantas, precipitadas e inconsequentes, como, julgar o que pensamos ser responsável, por não conseguirmos concretizar as nossas expetativas.
De realçar, que uma comunicação eficaz é a chave para muitos problemas e a solução para outros, se houver uma comunicação clara e transparente, no que diz respeito às metas reais e às imaginárias, muitas expetativas poderiam ser ajustadas à realidade.
Está nas nossas mãos aceitar o que não pode ser mudado e investir no que é, de facto possível e que nos trará realização pessoal e profissional!
No lugar das expectativas, podemos ser mais realistas e aproveitar melhor o momento que vivemos.
Publicado na Revista Amo Viseu n.º 18 - Agosto/Novembro 2022:
Maria Kiala
Estudante da Licenciatura em enfermagem da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
A Organização Mundial da Saúde recomenda que se mantenha o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses e a sua manutenção, juntamente com a alimentação complementar diversificada, até aos 2 anos.
O início da amamentação deverá ocorrer na 1° hora após o nascimento, pelo que deverá ser incentivado e possibilitado, logo na sala de partos. Esta recomendação permite auxiliar e estimular a produção de leite, bem como a vinculação mãe/filho.
O colostro é o leite produzido logo após o nascimento do bebé. Geralmente é secretado entre os três e os cinco primeiros dias, com consistência mais líquida do que o leite maduro e é ligeiramente transparente, semelhante à água de coco, por isso, às vezes, é visto erroneamente como se fosse um "leite fraco”. Depois surge o leite de transição que é produzido no período intermediário entre o colostro e o maduro.
O leite maduro é um equilíbrio perfeito entre macronutrientes (proteínas, lipídios e hidratos de carbono) e micronutrientes (vitaminas, como a vitamina A e C, e minerais, como ferro, cálcio e zinco), sendo assim suficiente para alimentar exclusivamente o bebé, até ao sexto mês de idade, sem nenhum tipo de complemento. A sua composição modifica-se de forma gradual e progressiva. O leite produzido entre o 6º e o 15º dia após o parto é rico em gordura e lactose. Nesta fase é frequente, a mama ficar mais cheia, firme e pesada. Porém, mamadas frequentes do bebé ajudam a aliviar esse ingurgitamento normal.
Desta forma é fácil perceber que o leite materno é único e específico para as necessidades do bebé. Sempre que possível, esta deverá ser a primeira opção para ambos, até porque acarreta várias vantagens, como:
Vantagens para o bebé: prevenir infeções e alergias; proporciona um crescimento mais harmonioso diminuindo o risco de obesidade; previne doenças relacionadas com nutrição, diabetes e permite uma melhor adaptação à alimentação diversificada; potencia a relação / vinculação bebé e mãe, está sempre à disposição e à temperatura adequada.
Vantagens para a mãe: facilita a involução uterina; potencia a vinculação mãe/filho; reduz o risco de cancro da mama; é mais barato; não necessita de preparação; auxilia na recuperação pós-parto, promovendo a contração uterina.
No entanto, esta poderá não ser uma opção, quer por contraindicação médica (como por exemplo a ingestão de medicamentos como o tamoxifeno, a bromocriptina, entre outros), quer por vontade expressa da mãe. E tanto uma como outra justificação será válida e deverá ser aceite pelos profissionais de saúde e também por todos aqueles que rodeiam a mãe e o bebé.
Todavia também sabemos que a baixa adesão à amamentação se deve, diversas vezes às dúvidas ou existência de mitos sobre o tema, que é importante que os profissionais de saúde estejam despertos para estas questões e criem um ambiente propício à partilha destes receios, através do estabelecimento de uma relação de confiança.
Outro fator associado à baixa adesão ao aleitamento materno, é a existência de uma rede de suporte familiar fraca. É fundamental que a rede de apoio seja um elo forte, cujo objetivo seja auxiliar ou substituir a mãe sempre que esta necessite. Os julgamentos deverão ser guardados e as opiniões apenas deverão ser dadas se a mãe o solicitar.
Nesta fase, a mãe estará sujeita a uma miscelânia de hormonas que poderão alterar o seu humor e neste sentido é fundamental ter cuidado com as palavras, pois estas poderão magoar ou aumentar as inseguranças da mesma.
Assim a empatia é fundamental. Saiba colocar-se no lugar do outro e perceba de que forma poderá ajudar.
Publicado no Diário de Viseu a 03-08-2022
Maria Kiala
Estudante da Licenciatura em enfermagem da ESSV em colaboração com a UCC Viseense
O consumo de álcool na adolescência é atualmente considerado um problema de saúde pública. Isto porque, nesta faixa etária, é normal existir um aumento de autonomia e aquisição de novos papéis na sociedade, mas também é possível que estas aquisições venham associadas a um aumento da impulsividade e à necessidade de experimentação, típicos da adolescência e que potenciam, algumas vezes, comportamentos desajustados que podem colocar em risco as suas vidas.
De acordo com o Relatório Global Status Report on Alcohol and Health 2018, mundialmente mais de um quarto (27%) dos jovens entre os 15 e os 19 anos são consumidores atuais. As percentagens de consumo atual são mais altas entre os jovens dos 15 aos 19 anos na Europa (44%), comparadas com outras regiões como, as Américas (38%) e o Pacífico Ocidental (38%). Refere ainda que, pesquisas escolares indicam que em muitos países o consumo de álcool começa antes dos 15 anos, com diferenças pouco significativas entre rapazes e raparigas.
Também em Portugal, segundo o SICAD, o início do consumo de bebidas alcoólicas surge sobretudo entre os 13 e os 15 anos, abaixo da idade contemplada na lei e é tido pelos jovens como uma experiência natural e expectável, o que se torna uma preocupação dentro da comunidade escolar. Os mais recentes estudos estatísticos sobre o consumo de álcool entre jovens e adolescentes portugueses mostram que o álcool continua a ser a droga mais consumida nesta faixa etária (2015, ECADT-CAD 2015).
Sabe-se ainda que o consumo de álcool se inicia em idades cada vez mais precoces, o que aumenta a possibilidade de problemas com consumo de álcool e drogas na idade adulta.
Em Portugal, apesar da lei estabelecer, no Decreto-Lei nº 106/2015 de 16 de junho, Artigo 1º a restrição à venda e consumo de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos (), o acesso ao álcool é fácil uma vez que nem sempre é controlado.
Para além destas questões sociais que potenciam a iniciação ao consumo de álcool, alguns fatores comportamentais e fisiológicos poderão também ser considerados de risco para o mesmo, pois aparentam ter uma base genética. Adolescentes, filhos de pais alcoólicos, têm maior probabilidade de virem a ser adultos com problemas ligados ao consumo de álcool.
Desta forma, é fácil perceber que o consumo de álcool na adolescência acarreta variadas consequências físicas, psicológicas, académicas e sociais, como: principal fator que contribui para a mortalidade e morbilidade dos jovens; comportamentos sexuais de risco; condução sob efeito de álcool; problemas económicos associados à dependência fisiológica, consequências negativas no desenvolvimento e funcionamento cerebral, que prejudicam a atividade académica e, a longo prazo, o consumo de bebidas alcoólicas pode estar associado ao aumento de doenças gastrointestinais, cardiovasculares e oncológicas.
As consequências são tantas e tão nefastas que é fundamental intervir o mais precocemente possível.
É fundamental, enquanto pais, profissionais de saúde e sociedade em geral, estarmos alertas para esta problemática promovendo a literacia, no sentido de uma promoção de escolhas de vida saudáveis devidamente fundamentadas. É possível viver com alegria e sem álcool!
Publicado no Jornal do Centro:
Enfermeira Teresa Gomes
Para o adolescente, amizade significa criar laços entre as pessoas que têm sentimentos de lealdade, proteção, intimidade, reciprocidade, ajuda mútua, compreensão e confiança. As relações com os amigos nessa fase compõem um dos principais fatores para a construção da identidade e para a definição de valores, ideias e opiniões sobre os outros e o mundo. Por isso, os amigos desempenham um papel adicional ao da família e são fundamentais para o bem-estar mental, emocional e físico. Através dessas relações vêm as experiências e são aprendidas as normas e regras da vida em sociedade. Em situações, como problemas familiares, as relações de amizade funcionam como âncoras. As relações de amizade são especialmente caracterizadas por intimidade e partilha de segredos de aspetos pessoais, transmitem o valor das pessoas, têm uma função protetora, promovem a exploração e aquisição de aptidões e influenciam os padrões de comportamento, metas e expetativas dos adolescentes.
A importância da qualidade das amizades na autoestima e no autoconceito dos adolescentes estão intimamente interligados. Os adolescentes que estabelecem amizades com mais características positivas como a partilha de intimidade, o suporte, a segurança, a proximidade, a validação e o cuidado, a ajuda e orientação, o companheirismo e a recreação, o apoio, a valorização e a lealdade e ainda o afeto, a confiança e a satisfação, têm níveis mais elevados de autoestima e perceções mais positivas do autoconceito. Para que a amizade dure, o adolescente deve tomar a iniciativa de se abrir e apoiar seus amigos e também de interagir com eles. Com o uso das tecnologias, é mais fácil manter as amizades, visto que se pode conversar em tempo real.
Se é pai ou mãe de um adolescente, certamente já deu conta do quanto o seu filho dá valor aos amigos, bem como já deve ter percebido também que, em muitas situações, o seu filho preferiu ficar com os amigos em detrimento da família, preterindo coisas que antes faziam juntos, pela companhia dos colegas. Este comportamento é muito comum nesta fase da vida que é tão cheia de desafios e incertezas. Diante desse cenário, há até muitos pais que chegam a sentir um certo ciúme, afinal de contas, pode parecer estranho que, de uma hora para outra, aquela pessoa que era tão próxima de si comece a preferir a companhia dos amigos. Esses laços de amizade aos quais o adolescente se agarra com tanto afinco não devem ser motivo de grande incómodo para a família. Uma coisa é certa: vai precisar de aprender a lidar com isso! Compreenda que as amizades na adolescência são basilares para a maioria dos jovens, e que não há grandes motivos por que se preocupar, o que não significa dizer que não deva estar sempre atento à vida dos seus filhos. É preciso estar alerta para não provocar confrontos desnecessários e invadir a individualidade do seu filho com o chamado “excesso de zelo”. É por meio das amizades na adolescência que o indivíduo tem a oportunidade de exercitar papeis sociais, isto é, começa a desempenhar funções na sociedade por meio das interações com outros indivíduos. Importante referir também que uma boa parte dos jovens procuram o sentimento de pertença, o que lhes dará mais segurança para lutar contra a angústia da solidão particular da fase. A família, bem como toda a comunidade em que o adolescente está inserido, tem o dever de o orientar, mostrando que cada membro do grupo, ativa ou passivamente, legitima as atitudes de todos, portanto, torna-se indispensável estabelecer um diálogo franco sobre responsabilidades e consequências de más posturas/comportamentos desviantes. Ouça o que o seu filho tem a dizer, mesmo quando parecer estar errado, pois ao praticar a escuta ativa abrimo-nos ao universo do outro e compreendemos melhor o seu ponto de vista e motivações – o que torna mais fácil o diálogo e facilita a orientação quando esta for necessária. Além disso, a adolescência assim como a infância, é uma fase passageira, portanto, esses grupos aos quais o seu filho pertence hoje provavelmente vão desfazer-se com o passar do tempo, a vida muda, as pessoas mudam, adquirem maturidade e deixam de precisar em demasia dos amigos para se afirmarem como indivíduo. Por fim, lembre-se que o amor da família é indispensável, e que mais cedo ou mais tarde o seu adolescente vai-se sentir forte o suficiente para não depender tanto da aprovação de terceiros e ganhará a confiança de que precisa para alçar novos voos – regressando sempre ao seio da família.
Publicado no Diário de Viseu a 17-08-2022.
Enfermeira Catarina Valente
Em colaboração com a UCC Viseense
Que a música é uma forma de entretenimento usada em diversas ocasiões, já todos sabíamos, mas que pode ser uma grande aliada na saúde e no bem-estar, já é diferente!
Ao longo dos tempos a música tem acompanhado o homem na sua viagem pela história, apresentando-se como um recurso terapêutico quase sempre presente, seja como manifestação de alegria, de prazer ou em rituais de cura.
São vários os registos da sua utilização: na civilização Suméria e Babilónica a música era utilizada nos rituais de cura e nas celebrações nos templos. No Egito, como recurso terapêutico para a reabilitação física, psíquica e emocional, sendo até considerada capaz de aumentar a fertilidade da mulher. O povo Hebreu utilizava-a para o tratamento de problemas físicos ou mentais, mas é na antiga Grécia que a música começa a ser encarada mais racionalmente de forma terapêutica. Para Pitágoras a “música e a dieta são os dois principais meios de limpar a alma e o corpo e manter a harmonia e a saúde de todo o organismo”. Na mesma linha de pensamento, Platão recomendava-a no tratamento de problemas mentais tais como terrores e fobias. Para Hipócrates, o “pai” da medicina ocidental, a música podia estabelecer o equilíbrio da saúde, obter depuração catártica das emoções, promovendo a mente a dominar-se.
No entanto, apesar destas indicações, o verdadeiro interesse pela música como recurso terapêutico surge no século XX, quando, no final da II Guerra Mundial, músicos profissionais eram contratados para tocar em hospitais de veteranos de guerra por forma a promover o bem-estar e uma rápida recuperação. Foi a partir desta experiência que se deram início a muitos estudos relacionados com a aplicação de música na saúde, que acabariam por resultar na aceitação da música como forma de terapia, iniciando-se a formação de profissionais de saúde nesta área, tornando-se os Estados Unidos da América pioneiros mundiais nesta matéria. Este reconhecimento levaria à criação da afamada Fundação de Musicoterapia Americana – American Music Therapy Association – que ainda hoje é uma referência.
Em Portugal a história da música como recurso terapêutico, nos cuidados de saúde, inicia-se em 1960, tendo como foco principal as pessoas com perturbações do foro mental e as crianças. Para ajudar na sistematização da aplicação da música como recurso nos cuidados de saúde em Portugal, é criada, em 1973, a Associação Portuguesa de Educação Musical e em 1996 é fundada a Associação Portuguesa de Musicoterapia, com o objetivo de reunir os profissionais das disciplinas ligadas à música e promover o desenvolvimento da musicoterapia.
Das mais diversas terapias complementares e integrativas utilizadas na saúde, o uso da música como recurso terapêutico é, sem dúvida, dos mais frequentes. O seu uso nos cuidados de saúde tem efeitos terapêuticos comprovados levando a que os utentes beneficiem na integração de benefícios físicos, mentais e sociais, repercutindo-se na recuperação e resposta ao tratamento de diversas doenças. A música apresenta-se como uma terapia eficiente e imediata, capaz de reduzir o stresse e a ansiedade, para além de ter a capacidade de controlar os batimentos cardíacos, diminuir a tensão arterial, ajudar a controlar e a reduzir os níveis de dor e consequentemente a necessidade de administração de analgésicos.
Este é um tratamento não invasivo e não doloroso, a sua aplicação revela-se como uma técnica segura simples de executar, económica, e que não apresenta custos tão elevados como outras terapias, permitindo reduzir o custo dos cuidados de saúde sem exigir recursos humanos extra e sem apresentar efeitos secundários. Um recurso que é facilmente incorporado num programa de gestão multimodal e que possibilita o aumento da satisfação dos utentes relativamente aos cuidados a que são submetidos.
A integração de intervenções não farmacológicas, como a música, na prática diária dos cuidados, vem ao encontro das orientações e normas estabelecidas por entidades de saúde nacionais e internacionais, tais como a Organização Mundial de Saúde e a Direção Geral da Saúde, recomendando aos profissionais de saúde que desenvolvam todos os esforços no sentido de promover a excelência do exercício profissional e consequentemente a melhoria da qualidade dos cuidados prestados aos cidadãos.
Neste sentido, e uma vez que são vários os artigos científicos que comprovam os benefícios da utilização de música, aproveite este recurso e “use e abuse” no seu dia-a-dia.
Enfermeira Rita Andrade
A infeção por vírus Monkeypox é uma doença zoonótica, o que significa que se pode transmitir de animais para humanos. Também se pode transmitir entre humanos.
O termo “varíola dos macacos” não se refere à infeção humana, mas sim à infeção nos animais. De referir que não se trata de varíola, doença humana que foi erradicada em 1980.
O primeiro caso humano de varíola dos macacos foi identificado, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em um bebé que vivia na República Democrática do Congo em 1970..
Durante várias décadas, o número de casos identificados, eram raros, mas na maioria ligados a contacto com animais infetados. Em 2003, nos EUA, foi identificado um surto com 47 casos em pessoas que tiveram contacto com cães da pradaria, de estimação.
No que se refere ao diagnóstico desta doença, envolve uma avaliação clínica, com identificação de sinais/sintomas não explicados por outras causas e sugestivos da infeção, o possivelcontacto com um caso provável ou confirmado de infeção humana por vírus Monkeypox, ou história de relações sexuais com múltiplos/as parceiros/as, nos 21 dias que antecedem o início de sintomas.
É realizada a pesquisa do vírus Monkeypox por PCR, em amostras específicas, para confirmação laboratorial.
Segundo a Direção Geral da SaúdeDGS a infeção humana por vírus Monkeypox apresenta-se com início súbito e o aparecimento de pelo menos um dos seguintes sinais e sintomas: exantema (lesões na pele ou mucosas), queixas ano-genitais (incluindo úlceras),febre (>38,0ºC), dores de cabeça, cansaço, dores musculares e gânglios linfáticos aumentados, poucos dias antes da erupção ou em simultâneo.
As lesões cutâneas podem ser localizadas numa determinada região do corpo ou generalizadas, atingindo habitualmente a face e boca, membros superiores e inferiores ou região ano-genital. O número de lesões pode variar e podem mesmo atingir as palmas das mãos e plantas dos pés.
O vírus pode ser transmitido através de contacto físico próximo com alguém infetado, através das lesões (conteúdo e crostas); outros fluídos corporais, assim como, vestuário e objetos de uso pessoal (roupas da cama, atoalhados, talheres, …).
De 1 de janeiro a 2 de agosto de 2022, foram reportados, à Organização Mundial da Saúde,23.357 casos confirmados e 112 casos prováveis de infeção humana por vírus Monkeypox, em 83 países.
Presentemente o número de casos confirmados em Portugal de infeção pelo vírus Monkeypox subiu para 710, dos quais 77 foram identificados na última semana, informou a DGS.
Assim perante um caso suspeitou confirmado, recomendam-se as seguintes medidas:
Se tiver manchas, úlceras ou bolhas incomuns em qualquer parte do corpo, procure avaliação médica e vigie sintomas. Se precisar de se deslocar a uma unidade de saúde, deverá utilizar máscara facial e cobrir as lesões, o mais possível, com vestuário, bem como as medidas de isolamento de caso suspeito ou confirmado devem ser mantidas até queda das crostas de todas as lesões, que se estima ocorrer entre 2 a 4 semanas;
Isolamento domiciliário e distanciamento físico até à resolução das lesões (queda das crostas) ou exclusão da infeção (se caso suspeito ou provável);
Evitar contactos físicos próximos (coabitantes e familiares próximos), pele-com-pele ou pele com mucosa, incluindo contactos sexuais, até resolução das lesões (queda das crostas);
agem e/ou higienização frequente das mãos;
Não partilhar objetos e utensílios de uso pessoal, vestuário, roupas de cama, atoalhados (e outros têxteis) e superfícies do espaço doméstico;
Lavar o vestuário e têxteis com água quente e detergentes habituais, ou, quando possível, numa máquina de lavar (> 60⁰ C), utilizando um ciclo de lavagem prolongado;
Limpar as superfícies duras com detergentes com cloro e deixar secar ao ar; alertar as pessoas que foram seus contactos próximos desde o início dos sintomas, para possíveis sinais e sintomas. Na eventualidade de os contactos desenvolverem sintomas, devem observar as precauções acima recomendadas e procurar cuidados de saúde, nomeadamente através do SNS 24 – 808 24 24 24.
Esteja atento e lembre-se, a prevenção é a melhor solução.
Publicado no Diário de Viseu a 31-08-2022.
Enfermeira Daniela Campos
Em colaboração com a UCC Viseense
O que é, para si, a amamentação? Começo por lhe fazer esta pergunta, e entrelaçada a ela, far-lhe-ia outras, porque a amamentação, como diria o psicanalista Winnicott, é mais do que uma forma de alimentar um bebé, é uma relação entre dois seres. E como sabemos, as relações tendem a ser complexas.
Na simbiose da amamentação, entra a mãe (com toda a sua história), entra o pai/parceira (também com a sua própria história e vivências), entram os avós, os profissionais de saúde, a “prima da França” e o “vizinho amigo do porteiro”, e chega a ser tanta gente, que corremos o risco de esquecermos do interlocutor principal, o bebé.
Agosto é conhecido como o mês dourado do aleitamento materno e todos os anos, na primeira semana, decorre a Semana Mundial do Aleitamento Materno, promovida pela WABA (World Alience for Breastfeeding Action), este ano subordinada ao tema “Fortalecer a Amamentação – Educando e Apoiando”, em que se reforça a importância da “warm chain” –Cadeia de Calor. Este conceito, surge em paralelismo, à cadeia de frio usada nas vacinas. E tal como na vacinação, a cadeia de frio tem de ser forte e eficaz para que a mesma seja efetiva, e as vacinas possam alcançar o seu propósito. Concomitantemente na amamentação precisamos de uma cadeia de calor, igualmente vigorosa, que ajude a mudar os números do aleitamento materno. De forma a que daqui a alguns anos esteja disseminado o verdadeiro apoio à amamentação, e que mesmo aquela mãe que queria abandonar a amamentação porque “achava que não tinha leite suficiente”, “porque não seria capaz”, “porque tinha de regressar ao trabalho”, ou “que o leite não era bom”, tenha sido corretamente informada, esclarecida, apoiada e acompanhada.
Na construção desta Cadeia de Calor, precisamos de:
Informar – todos os intervenientes nesta cadeia têm de perceber o seu papel;
Vincular – a amamentação como parte de uma boa nutrição, segurança alimentar e diminuição das desigualdades;
Envolver – ancorar as pessoas e organizações ao longo da cadeia de calor;
Estimular – a ação de fortalecimento da capacidade de protagonistas e sistemas se transformarem.
A amamentação é uma escolha, não é mais fácil nem mais difícil do que qualquer outra opção, mas como em tudo na vida, tem desafios. Porém, é de extrema importância que a mãe, ao ter de realizar esta escolha, não o faça de modo de modo arbitrário, e muitas vezes, sem qualquer tipo de informação correta e assertiva acerca da amamentação. Uma escolha, só pode ser considerada válida, se envolvida em conhecimento e verdade.
Neste sentido, é importante que a mãe perceba quem é a sua Cadeia de Calor, onde estão e como a podem ajudar estes intervenientes. Para isso, siga as seguintes orientações:
Prepare a amamentação durante a gravidez: procure um curso de preparação para o parto e parentalidade, com os objetivos defendidos pela OMS;
No início da amamentação, privilegie o contacto pele a pele, logo na primeira hora de vida do bebé. No Bloco de Partos do CHTV, esta prática é realizada e promovida;
Verifique se a maternidade ou centro de saúde que a acompanham, prestam apoio imediato na amamentação. É importante ter este apoio logo na maternidade e nos primeiros dias do bebé. O CHTV, nomeadamente o Serviço de Obstetrícia, e vários Centros de Saúde da região de Viseu, têm profissionais especializados que prestam apoio nesta área;
Mesmo com a amamentação estabelecida, tente ter sempre o contacto de um profissional a quem recorrer em caso de dúvidas ou intercorrências (pode ser o seu enfermeiro de família, CAM – Conselheira de Aleitamento Materno, médico de família, Doula ou outro profissional capacitado). Estudos mostram que mães que têm este apoio no primeiro ano de vida do bebé, mantêm o aleitamento materno mais tempo;
Certifique-se que todos os elementos da cadeia de calor estão isentos da influência do marketing dos substitutos do leite materno (lembre-se: nem tudo o que aparece nas redes sociais é fidedigno, às vezes pode ser influenciado pela indústria dos substitutos do leite materno);
Por último, lembre-se que enquanto amamentar o seu filho, tem direito a dispensa de duas horas no seu horário de trabalho, não devendo ser prejudicada. Sempre que se sentir pressionada, peça ajuda às entidades competentes. Lembre-se, por cada mês extra, de licença maternidade pago, a mortalidade infantil desce cerca de 13% (WABA, 2022).
Junte-se à Cadeia de Calor para a Amamentação, se é protagonista do Sistema de Saúde, torne-se visível a quem precisa de si, mas se é protagonista da Comunidade, faça a sua parte, informe-se e apoie.
Se está grávida, ou se foi mãe recentemente crie a sua Cadeia de Calor! Procure ajuda no Centro de Saúde, nos Grupos de Apoio, nas consultas de Apoio ao Aleitamento Materno.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/Fortalecer-a-Amamentacao-Educando-e-Apoiando
Enfermeira Emília Rodrigues
No dia 10 de setembro, assinalou-se o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. Este dia, foi criado pela Associação Internacional de Prevenção do Suicídio apoiada pela Organização Mundial de Saúde, em 2003, com o objetivo de melhorar o esclarecimento acerca do suicídio através da disseminação de informação e diminuição do estigma. Além disso, esta efeméride procura, sobretudo, difundir a ideia de que o suicídio é, na maioria das vezes, prevenível. O lema escolhido para este ano, foi “Criar Esperança e Agir”.
O suicídio, na forma conseguida ou tentada, é um problema de saúde pública que representa um grande desafio em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde estima que todos os anos, 703 000 pessoas tiram a própria vida, o que equivale a, aproximadamente, uma morte a cada 40 segundos. Apesar destes dados serem por si só alarmantes, a situação real revela-se ainda mais preocupante quando se contabilizam os suicídios tentados, cujo número é cerca de 25 vezes superior. De acordo com os dados divulgados, em 2019, o suicídio foi a quarta principal causa de morte entre jovens dos 15 aos 29 anos, em todo mundo (OMS, 2021). Em Portugal, cerca de três pessoas morrem por suicídio a cada dia. Este fenómeno não escolhe classes, género, idade ou região. É essencial, a mobilização de todos os setores da sociedade para prevenir o suicídio, uma área em que o preconceito, a desinformação e o estigma são aspetos tão presentes e nefastos.
O suicídio é um fenómeno multifatorial e extremamente complexo, a sua prevenção não é, de todo, tarefa fácil, exige uma intervenção multidisciplinar e multissetorial. Na verdade, ter diagnóstico de doença mental é apenas um, entre vários fatores de risco, como o isolamento, dificuldades financeiras, desemprego, luto, vergonha, histórico de abuso físico ou sexual, doença grave, etc.
É importante termos a noção que toda vida perdida representa o/a companheiro/a, filho/a, pai/mãe, amigo/a ou colega de alguém. Para cada suicídio, aproximadamente 135 pessoas sofrem pesar intenso ou são afetadas. Isso equivale a 108 milhões de pessoas por ano que são profundamente afetadas pelo comportamento suicida.
Sabe-se que existem fatores e eventos de vida, além de condições relacionadas com a saúde mental (depressão, ansiedade, …) que podem tornar alguém mais vulnerável ao suicídio e também podem ser fatores precipitantes.
É importante cada pessoa, individualmente, ter a capacidade de compreender o/a outro/a, de sermos tolerantes com as diferenças. Acima de tudo, de sermos capazes de identificar precocemente o sofrimento emocional que pode levar alguém a perder a esperança e a atentar contra a própria vida, como sendo a única saída possível.
A prevenção do suicídio é possível! Cada um/a de nós pode ser elemento-chave nessa prevenção, como?
Levar a sério conversas e ameaças de suicídio!
Se detetarmos alguns sinais de alerta ou suspeitarmos que alguém pode estar a considerar o suicídio como solução, não abandonar essa pessoa e procurar de imediato ajuda profissional.
Se tivermos a perceção de estar perante a eminência do ato suicida, agir de acordo com as seguintes regras:
Levar a pessoa a sério; mantermo-nos calmos e escutar; sermos empáticos e não críticos; reconhecer os sentimentos da pessoa; oferecer confiança; revelar interesse; sermos apropriados, utilizarmos a linguagem corporal, por exemplo, movimentarmo-nos para perto da pessoa ou segurando a sua mão; fazer perguntas diretas; envolver outras pessoas (família, amigos/as, profissionais de saúde, ...); não prometer confidencialidade, poderá haver necessidade de falar com amigos, familiares ou técnicos de saúde; tentar saber se a pessoa possui planos específicos e qual o método de suicídio que está a ser considerado; realçar o facto de o suicídio constituir uma decisão irreversível, para um problema temporário, lembrando a pessoa de que existe ajuda e que as coisas irão melhorar; nunca deixe a pessoa sozinha e chame o 112, se necessário.
Se estiver a sofrer com alguma doença mental, tiver pensamentos auto-destrutivos ou simplesmente necessitar de falar com alguém, deverá consultar a sua equipa de saúde familiar, que com certeza o/a ajudarão e se necessário encaminharão para um profissional de saúde especializado. Poderá ainda contactar uma das seguintes entidades, que garantem anonimato, tanto a quem liga como a quem atende:
SNS24 (808 24 24 24 - depois deve selecionar a opção 4), o contacto é assumido por profissionais de saúde, 24 horas por dia.
SOS Voz Amiga (entre as 16h e as 24h) - 213 544 545 (Número gratuito) - 912 802 669 - 963 524 660
Conversa Amiga (entre as 15h e as 22h) - 808 237 327 (Número gratuito) e 210 027 159
SOS Estudante (entre as 20h e a 1h) - 239 484 020 - 915246060 – 969554545
Telefone da Esperança (entre as 20h e as 23h) - 222 080 707
Telefone da Amizade (entre as 16h e as 23h) – 228 323 535
O suicídio e as tentativas de suicídio são sinais de grande sofrimento emocional com impactos nas pessoas, nas suas famílias, na comunidade e na sociedade.
Todos temos uma palavra a dizer, todos podemos ajudar. Vamos criar esperança!
Publicado no Diário de Viseu a 14-09-2022
Enfermeira Teresa Gomes
No dia 21 setembro assinalou-se o Dia Internacional da Paz. Este dia foi declarado pela ONU em 30 de novembro de 1981 e desde então, celebrado anualmente. É um dia dedicado ao reforço dos ideais de paz, através da observação de 24 horas de não-violência e de cessar-fogo em todo o mundo. O tema deste ano é «Acabar com o racismo. Construir a paz.», com o objetivo de construir um mundo livre do racismo e da discriminação racial. Um mundo onde a compaixão e a empatia superem a desconfiança e o ódio. Um mundo do qual nos possamos verdadeiramente orgulhar.
A palavra “paz” deriva do latim “pax”, “pacis” e significa: quietação de ânimo; sossego; tranquilidade; ausência de guerra, fim de uma situação de conflito armado; armistício; boa harmonia; relação de concórdia ou harmonia entre pessoas ou grupos, reconciliação; paciência.
Os estados de paz podem ser sentidos de diversas formas e em diferentes contextos, pessoa a pessoa, grupo a grupo, tais como: paz de espírito / paz interior (ausência de inquietações); paz eterna (cariz religioso e/ou espiritual); paz otaviana (grande sossego); paz podre (paz aparente ou falsa que resulta da inércia dos intervenientes e não da harmonia) e também fazer as pazes (reconciliar-se) com alguém ou consigo mesmo.
O bem-estar emocional e psicológico devem ser prioritários para cada um de nós, pois só através deles é que conseguimos Ser Pessoa individual, membro ativo na transmissão da mensagem positiva, equilibrada e serena tanto na família, como nos grupos ou comunidades das quais fazemos parte. A tranquilidade e serenidade de apreciar um momento em família, como por exemplo uma refeição, possibilita-nos refletir nos nossos atos e ideologias para contribuir para uma paz mais abrangente. Cheirar uma flor, enquadrar essa flor no nosso ambiente, dar a mão à pessoa, ou pessoas que connosco constroem um caminho, telefonar a um/a amigo/a com quem não falamos há algum tempo, dar gargalhadas só porque sim, podem ser simples atos que culminam num momento de paz.
Abrace causas humanitárias, de ajuda a si ou a outros. Inspire e expire profundamente, deixe todos os sentidos do corpo em sintonia com o meio ambiente onde se encontra, faça uma pausa no que lhe está a causar sofrimento e a colocar a sua paz em risco.
Por vezes, para encontrarmos a nossa paz interior, temos que aceitar que a pessoa, o facto e a situação, não são possíveis de se mudarem. Neste caso, devemos nós construir estratégias de adaptação para mitigar os danos causados, sem colocar em causa o nosso Ser, a nossa individualidade.
Lembre-se, que é nos pequenos e sucessivos momentos que podemos construir os nossos estados de paz, conduzindo-nos ao nosso Bem-estar físico, emocional, psicológico, espiritual, religioso, social.
Viva a sua vida em plenitude, em paz!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/dia-internacional-da-paz
Enfermeiro Diogo Carvalhais
O Dia Europeu do Ex-fumador assinalou-se a 26 de setembro. Desde 2013, que este dia é celebrado, com o objetivo de destacar os aspetos positivos de deixar de fumar, enfatizando os benefícios de abandonar o hábito e salientando as conquistas inspiradoras de ex-fumadores para motivar e inspirar os fumadores a parar, transformando-os em modelos a seguir, pois esta é uma “guerra” em que vale a pena lutar.
Os benefícios de parar de fumar, para a saúde física, são bem conhecidos! Mas, sabia que, deixar de fumar também pode melhorar a sua saúde mental e humor?
As pessoas que fumam, dizem que gostam da sensação resultante dos produtos químicos dos cigarros. Muitas afirmam que, cigarro os ajuda a concentrar, acalmar e dar energia. Na verdade, alguns dos componentes dos cigarros são realmente estimulantes, provocando um estímulo imediato de energia, bem como melhorar a atenção. Porém, estes efeitos duram pouco e desaparecem em poucos minutos. Logo após, o fumador tem sintomas de abstinência como, inquietação, ansiedade ou até mesmo irritação, o que leva a ter mais vontade fumar.
Mas será que se vai sentir melhor, a nível mental, depois de parar?
Segundo estudos, pessoas com doença mental são mais propensas a fumar do que pessoas que não têm estes problemas de saúde. É frequente, as pessoas com doença mental quererem parar, mas temem que isso possa dificultar o tratamento. Porém, de acordo com algumas pesquisas, os produtos químicos presentes nos cigarros alteram o efeito de alguns medicamentos psiquiátricos, tornando-os menos eficazes. Neste sentido, deixar de fumar pode ter como resultado, reduzir as doses de alguma medicação!
Relativamente aos sintomas de ansiedade e depressão, geralmente diminuem depois de parar de fumar. Algumas pessoas, sentem-se mais calmas e relaxadas quando não estão dependentes do ato de fumar. Outros afirmam que, a sua qualidade de vida passa a ser melhor. Há ainda, estudos que, referem o efeito benéfico de parar de fumar nos sintomas de ansiedade e depressão, pode ser igual ao efeito de alguns antidepressivos.
Parar de fumar, também pode dar uma sensação de satisfação pessoal, pois vai sentir orgulho por ter sido capaz de fazer algo bom para si mesmo e para a sua saúde.
Torna-se então evidente que tudo o descrito pode melhorar o seu humor, autoestima, saúde e qualidade de vida!
É evidente que, parar de fumar é uma longa jornada!
Por vezes é necessário, várias tentativas para que se possa atingir a meta, mas vale a pena! Milhões de fumadores, em todo o mundo, conseguiram parar! Superaram uma “batalha” com sucesso, por vezes com a ajuda dos familiares e/ou amigos, de profissionais de saúde, em consultas de cessação tabágica, ou apenas por si próprios!
Parar de fumar, traz sempre, benefícios imediatos e a longo prazo, não apenas para a sua saúde – física e mental – mas na qualidade de vida em geral.
Parar é uma das melhores decisões que você pode tomar! Nunca é tarde para dar o 1º passo!
Inspire-se e comprometa-se a parar hoje!
Publicado no Diário de Viseu a 28-09-2022.
Enfermeira Rita Andrade
Assinalou-se a 6 de outubro o Dia Mundial da Paralisia Cerebral. Este dia tem como principal objetivo desmistificar alguns preconceitos relacionados com a paralisia cerebral e sensibilizar para a importância do respeito e da inclusão destas pessoas, com vista a uma melhoria da sua qualidade de vida, em conformidade com os princípios da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.
Segundo o Ministério da Saúde, existem cerca de 17 milhões de pessoas no mundo com paralisia cerebral e mais de 15 mil pessoas em Portugal, sendo a deficiência física mais comum na infância e uma das menos entendidas. Estima-se ainda que 350 milhões de pessoas estão intimamente ligadas a uma criança ou um adulto com paralisia cerebral. Por cada 1000 bebés, cerca de 1,5 - 2,5 podem ter paralisia cerebral.
Esta patologia pode causar limitações ligeiras ou graves que afetam o quotidiano. Muitas pessoas recebem terapias ineficazes, inúmeras famílias não têm acesso a informações básicas e a apoio, assim como é investido muito pouco dinheiro em pesquisa na paralisia cerebral.
A participação e condição da pessoa com Paralisia Cerebral está dependente das oportunidades que o meio envolvente lhe oferece, sendo este um fator fulcral para a qualidade de vida.
Portugal foi o primeiro país europeu a implementar, em 2006, um registo de cobertura nacional da paralisia cerebral, através do Programa de Vigilância Nacional da Paralisia Cerebral aos 5 Anos de Idade (PVNPC). Desde a sua criação, o PVNPC já recebeu a notificação de 2000 crianças com paralisia cerebral, recolhendo informação sobre as características do seu quadro clínico, dos fatores pré, peri e pós-neonatais potencialmente associados, bem como relativa às suas competências funcionais e morbilidade associada.
A recolha sistemática de dados de base populacional sobre a paralisia cerebral tem permitido obter um conhecimento consistente sobre as consequências a longo prazo de práticas de saúde efetuadas nos primeiros tempos de vida, quer relativa aos cuidados prestados às grávidas e cuidados perinatais, quer em termos da vigilância do desenvolvimento infantil, quer ainda em termos dos cuidados diferenciados como, por exemplo, em cuidados intensivos pediátricos.
Integrado no Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge desde 2019, o PVNPC permite, através da referencia histórica de uma incidência anual aproximada de dois novos casos por mil nados-vivos, estimar o diagnóstico de 150-200 novos casos por ano de paralisia cerebral em Portugal.
O preconceito e a discriminação são, ainda hoje, obstáculos muitas vezes colocados às pessoas com deficiência, concretizando-se em falta de oportunidades no mercado de trabalho, dificuldades no acesso à educação ou limitações à liberdade de movimento e participação social.
A paralisia cerebral não é um défice intelectual, nem impede uma inteligência considerada ‘normal’ ou até acima da média, pode, no entanto, estar associado a um atraso desse nível dependendo da localização e extensão da lesão no cérebro.
Relembre se todos os dias que incluir é abraçar as diferenças, conviver com elas e aceitá-las por inteiro.
Publicado no Jornal do Centro:
Enfermeira Soraia Correia
- “Algum dia, todos nós iremos morrer, Snoopy!
- Verdade, mas todos os outros dias, não.”
A palavra paliativo tem origem no verbo paliar, do latim palliare, cobrir com um manto, e palliatus, aliviar sem chegar a curar, aliviar, atenuar. Surgiu assim a expressão cuidados paliativos (CP).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) refere os cuidados paliativos como uma intervenção multidisciplinar que melhora a qualidade de vida dos doentes e famílias, ajuda a enfrentar os problemas associados a doenças que ameaçam a vida, através da prevenção e alívio do sofrimento por meio de identificação precoce, avaliação e tratamento de problemas, físicos, psicossociais e espirituais.
Os Cuidados Paliativos Pediátricos (CPP) pretendem que todos os recém-nascidos (ou mesmo antes de nascer, havendo um diagnóstico pré-natal), crianças e jovens com doença crónica complexa, limitante ou ameaçadora da vida, e as suas famílias, recebam cuidados especializados, dando resposta às suas necessidades desde o diagnóstico até à sua morte e para além dela.
Em idade pediátrica, os CPP são implementados progressivamente e ajustados às necessidades impostas pela doença e seu tratamento, evolução, complicações e limitações, devendo ser individualizados e respeitando o binômio criança/família. Dada a imprevisibilidade e complexidade de cuidados é necessário um acompanhamento multidisciplinar que dê resposta a todas as necessidades aumentando assim a qualidade de vida.
Os CPP devem ser integrados na prestação de cuidados de saúde, articulando entre os cuidados hospitalares, primários e a comunidade, complementando-se entre si e com o objetivo de proporcionar uma vida o mais tranquila possível com uma rotina adequada à idade e capacidade, com inclusão numa sociedade que deve estar preparada para acolher estas crianças e famílias.
Em Portugal, desde 2012 que a Lei n.º 52/2012 reconhece o direito e regulamenta o acesso das pessoas aos CP. Também define a responsabilidade do Estado e a criação da Rede Nacional de Cuidados, sob a alçada do Ministério da Saúde.
O Centro Hospitalar Tondela-Viseu,E.P.E. (CHTV), desde 2018, conta com uma equipa interdisciplinar com profissionais Médicos, Enfermeiros, Psicóloga, Assistente Social, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Terapeuta da Fala e Professora, que identifica e acompanha crianças com necessidades de CPP, com o intuito de melhorar a resposta de cuidados na região e em formação para futuramente formar uma Equipa Intra-Hospitalar de Suporte de Cuidados Paliativos Pediátricos.
Outubro é o mês dos Cuidados Paliativos. O Dia Internacional para a Consciencialização dos Cuidados Paliativos Pediátricos assinala-se desde 2016 na segunda sexta-feira de outubro, e é promovido pela International Children’s Palliative Care Network (ICPCN) com o objetivo de aumentar a consciencialização sobre os direitos das crianças com o diagnóstico de doença crónica complexa, com necessidade de intervenção de equipas em cuidados paliativos.
Esta iniciativa #HatsOn4CPC consiste em desafiar as pessoas a, neste dia, usarem um chapéu com o objetivo de sensibilizar a sociedade para os milhões de crianças e jovens com necessidades paliativas.
Para assinalar esta data especial, desde 2018, a equipa do CHTV associa-se esta iniciativa. Assim, no próximo dia 14 de outubro, convidamos todos a usar um chapéu pela causa, e desafiamos utentes e profissionais de saúde para, no átrio do Hospital, tirarem uma fotografia com a equipa.
Ainda sobre esta temática, a Equipa de Enfermagem do Serviço de Pediatria-Internamento do CHTV, promove o 2ºEncontro de Saúde Infantil e Pediátrica, no dia 28 de outubro entre as 8h30 e as 17h00 no Auditório desta unidade, também com transmissão online, dando destaque ao tema.
Publicado no Diário de Viseu a 12-10-2022.
Enfermeiro Diogo Carvalhais
No dia 20 de outubro celebrou-se o Dia Mundial de Combate ao Bullying.
Quando ouvimos a palavra “bully”, associamos a uma criança a ser maltratada fisicamente ou emocionalmente por outra criança, seja pessoalmente ou online. Independentemente de sua forma e feitio, essas experiências podem ser incrivelmente graves e muitas vezes têm efeitos para toda a vida. É inquestionável que as pessoas não têm de se relacionar todas da mesma forma, mas há medidas que todas podem adotar para reduzir o bullying e fazer com que todas se sintam mais incluídas.
Primeiro, é importante reconhecer a diferença entre bullying e uma discussão /confronto, pois podem parecer muito semelhantes. A última ocorre entre duas pessoas que têm o mesmo poder, seja força, tamanho ou intelecto, tratando-se de um caso isolado. O bullying acontece entre alguém que tem mais poder e é mais agressivo do que a pessoa alvo, perpetuado no tempo contra a mesma pessoa pelo mesmo agressor. Um bully (agressor) usa esse poder para: ser mais popular, saber informações embaraçosas, agredir ou controlar a vítima.
Pode ser difícil para os pais ou professores, treinadores, chefes, etc., identificar se alguém é vítima, ou até mesmo agressor, porque muitas vezes ocorre às “escondidas” destes. Por isso torna se útil para colegas/pares saberem quando e como ajudar, se tiverem conhecimento (potenciais testemunhas) de que alguém é vítima de bulliyng.
Infelizmente, o bullying é comum! Segundo o Observatório Nacional de Bullying (ObNB) em 2021, em Portugal, 97,6% dos casos as vítimas e os agressores frequentavam o mesmo estabelecimento de ensino, sendo que em 53,7%, o motivo para o bullying foi o aspeto físico das vítimas e em 48,8% os resultados académicos. A diversidade funcional (24,40%), idade (20,70%), sexo (15,90%), orientação sexual (7,30%), identidade de género (6,10%), nacionalidade (6,10%) e etnia (1,20%), foram as restantes causas de bullying identificadas.
As consequências do bullying, mais frequentes para as vítimas, são a tristeza (61%), ansiedade / nervosismo (58,5%) e vergonha (57,3%). Destas, 11% correram risco de vida, 45,1% necessitaram de apoio psicológico e 22% de tratamento médico. A média de idades de quem sofreu bullying é de 13 anos e a de quem o praticou é de 15.
O bullying pode ocorrer de várias formas, podendo acontecer a qualquer momento e em qualquer contexto:
Bullying físico: bater, chutar, empurrar ou cuspir em alguém; fazer alguém tropeçar intencionalmente, fazendo com que caia (especialmente se estiver a carregar coisas).
Bullying verbal: provocar, ameaçar de danos físicos; insultar, que pode incluir linguagem racista, homofóbica ou outra linguagem ofensiva; gritar e assediar.
O Bullying também se pode basear em relacionamentos abusivos com a vítima: criando rumores sobre alguém; excluindo intencionalmente alguém de uma atividade; ignorando intencionalmente alguém; caluniando outra pessoa.
Relativamente ao Cyberbullying, este refere-se a qualquer bullying que ocorra no mundo digital/redes sociais online. As crianças sabem, desde muito cedo, usar os telemóveis, tablets e computadores, quer sejam ensinadas pelos pais/familiares quer seja através das escolas. Embora se reconheça o benefício destas ferramentas no crescimento e desenvolvimento académico/cognitivo de uma criança, estas também as tornam mais vulnerável ao cyberbullying.
Comportamentos como difamar alguém online, “postar” fotos embaraçosas e assediar alguém nas redes sociais podem ser formas de cyberbullying, tal como criar contas falsas para controlar alguém e/ou usar fotos e conteúdo de alguém, ou fingir ser a pessoa.
De acordo com um estudo publicado, os jovens expostos ao cyberbullying têm um risco 50% maior de ter pensamentos suicidas do que os seus pares. Outro estudo recente mostra que crianças e jovens adultos que sofrem cyberbullying têm duas vezes mais probabilidade de automutilação e ideação suicida.
Seja o bullying ou o cyberbullying, é evidente que têm ambos um grande impacto na saúde mental e no bem-estar de uma criança/jovem, pois estes ainda não têm bem definidos estratégias de como lidar com estas situações, ficando mais propensos a sofrer de perturbações de ansiedade e/ou depressão e dificuldade no âmbito da escola. Sintomas como problemas de sono, alterações de apetite, inquietações emocionais que lhe fazem perder o prazer em atividades que antes lhes traziam felicidade, são sinais evidentes que a criança/jovem precisam de ajuda especializada. No que concerne à ansiedade, esta acontece pelo medo que têm de sofrer bullying a qualquer momento, tornando mais difícil o estabelecimento de relacionamentos com amigos, colegas e professores. Relativamente ao contexto escolar, estas crianças/jovens podem não querer ir à escola ou participar em atividades relacionadas com a escola, como atividades desportivas ou visitas de estudo.
Para além de tudo o descrito anteriormente as crianças/jovens que sofrem bullying podem considerar-se menos dignas, sentindo que outras pessoas são melhores do que elas e que não merecem desfrutar da mesma felicidade e sucesso que outras crianças.
Atenção aos sinais, não pense que só acontece aos outros, nem que os nossos filhos ou filhas são somente vítimas, pois podem até ser bullies!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/CyberBullying-O-lado-negro-da-tecnologia
Enfermeira Teresa Gomes
No passado dia 21 de outubro comemorou-se o Dia Nacional da Luta contra a Dor.
De acordo com a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, na Europa um em cada cinco adultos sofre de dor crónica, sendo que a nível nacional atinge 31% da população. A dor crónica é uma das principais causas de incapacidade a nível mundial, não escolhendo idades, raças, etnias, género ou ideologias. Todos os seres humanos podem sentir dor e muitas vezes esse processo é natural e benéfico, pois torna-se como sinal de alerta sendo uma reação do cérebro a uma ameaça.
Diferente da dor aguda, que acaba quando a lesão desaparece, a dor crónica nem sempre tem uma causa definida e evidente. Ela pode iniciar-se quer a partir de uma lesão no tecido/nervo, quer surgir aparentemente sem motivo, como no caso da fibromialgia.
A Dor é entendida como uma experiência sensorial complexa, que se altera a partir da memória, expectativas e emoções, além de se tratar de uma evidência de alterações da integridade física e/ou emocional das pessoas. Resulta da associação de causas externas e internas tais como: doenças físicas, perturbações mentais e ou emocionais, alterações no meio ambiente onde a pessoa está inserida (família, trabalho, desporto…), alterações sociais ou alterações económicas. A dificuldade para lidar com tantos fatores em simultâneo, desencadeiam o agravamento da dor. A dor crónica pode afetar a pessoa no seu todo, quer a nível físico, psicológico e social, além de provocar sentimentos de incapacidade, incerteza e medo.
As pessoas que vivem com dor crónica beneficiam de uma abordagem multidisciplinar, ou seja, desenvolvida por uma equipa de profissionais da saúde de diferentes áreas, bem como da escolha adequada dos fármacos analgésicos. A existência de cada vez mais doentes com pouca resposta à terapêutica farmacológica e a importância de fatores psicológicos e sociais que afetam a intensidade e frequência da dor, têm vindo a reforçar a importância das intervenções não farmacológicas na gestão e tratamento da dor crónica.
Os tratamentos não farmacológicos (TNF) são uma alternativa terapêutica segura, bem tolerada, tais como: Massagem terapêutica e Exercício Físico, nomeadamente, Pilates, Musicoterapia, Reiki, Acupuntura, Osteopatia, Mesoterapia, entre outras.
É sabido que a dor crónica e as perturbações mentais/psicológicas/emocionais dançam em par, entre si, em que uma agrava a outra, numa espiral crescente de intensidade e frequência, culminado numa dificuldade extrema em obter um tratamento eficiente, com impacto na melhoria da qualidade de vida. As perturbações do sono e a dor têm uma relação bidirecional: se por um lado, as pessoas com dor crónica têm mais dificuldade em dormir, o não dormir bem associa-se ao aumento da intensidade da dor, assim como com a incidência de novas condições associadas a dor crónica. As pessoas com dor crónica sofrem mais frequentemente de perturbações de ansiedade do que de depressão. O desafio do tratamento é aliviar as duas condições simultaneamente, já que uma existe por causa da outra. A saúde mental e o bem-estar são chaves para evitar ou tratar um processo de dor crónica.
Lembre-se que existem várias intervenções através das quais a pessoa com dor crónica pode realizar no seu dia-a-dia: ter uma boa higiene do sono; fazer uma alimentação equilibrada; reduzir o stress; praticar exercício físico com regularidade e adaptado à condição clínica; complementar as terapias farmacológicas com as TNF; participar em dinâmicas de grupo com pessoas com a mesma condição; manter o contato social e realizar atividades extralaborais com que se identifique.
Peça ajuda junto de profissionais de saúde. Ninguém merece viver com Dor!
Publicado no Diário de Viseu a 26-10-2022.
Enfermeira Diana Fernandes
O Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis celebra-se anualmente a 8 de novembro nos estados membros da União Europeia com o objetivo de encorajar a alimentação saudável nas crianças e travar o atual crescimento da obesidade infantil na Europa.
Sabe-se que, na União Europeia, metade da população adulta e um quarto das crianças em idade escolar tem excesso de peso e os jovens com excesso de peso tendem a conservá-lo na idade adulta, pelo que se torna cada vez mais premente a sensibilização para estilos de vida saudáveis o mais precocemente possível, pois é na infância que se formam muitos dos nossos padrões de estilo de vida.
No sentido de promovermos uma vida com mais qualidade, tanto a nível físico como mental, todos os gestos contam e é na infância que se moldam comportamentos mais facilmente. As crianças são como pequenas esponjas que absorvem conhecimentos, essencialmente pelo exemplo (bom ou mau), por isso vamos relembrar princípios muito simples para conseguirmos reeducar a sociedade para hábitos de vida mais saudáveis.
Para que se tenha uma alimentação saudável é importante ter em conta a roda dos alimentos e ter noção das proporções que cada grupo alimentar deve representar à mesa. No entanto, é frequente ouvir os pais queixarem-se que os seus filhos não gostam de determinados alimentos e que não conseguem sequer fazê-los experimentar! Saiba que o paladar deve ser educado desde cedo. Estudos indicam que até se ter prazer a comer um determinado alimento, devemos prová-lo cerca de 15 vezes. É fundamental incentivar a criança a experimentar várias texturas, várias formas de cozinhar, várias apresentações e vários alimentos e devemos fazê-lo todos os dias. Tal como os adultos, as crianças nem sempre estão disponíveis hoje, mas amanhã será um novo dia. Para ajudar a criança a comer alimentos mais nutritivos e saudáveis, é essencial adotar estratégias de educação do palato, sem esquecer que é importante que o açúcar não faça parte da rotina alimentar da criança, e que quando ela sentir fome, lhe sejam oferecidos alimentos de elevado valor nutricional. Além disso, o ambiente em que a criança come deve também ser tido em consideração, devendo ser um ambiente tranquilo e agradável, sem barulho ou confusão e sem recurso a nenhum tipo de tecnologia.
Outra questão que por vezes os pais colocam é a frequência de refeições diárias. De acordo com a DGS as crianças deverão realizar 5 a 6 refeições diárias, em intervalos regulares.
Vamos dar lhe algumas dicas de forma sintetizada para o ajudar:
Reduza a quantidade de açucares e sal;
Ofereça o alimento mais do que uma vez;
Apresente os mesmos alimentos de maneira diferente;
Deixe-os comer sozinhos e explorar os alimentos:
Não se esqueça de oferecer água ao longo do dia;
Faça refeições em intervalos regulares e se possível sempre à mesma hora para criar rotinas;
Proporcione um ambiente calmo e tranquilo;
Ensine pelo exemplo.
Está na hora de agir e mudar comportamentos para sermos mais saudáveis, felizes, e viver mais anos com qualidade. Só depende de cada um de nós!
Publicado no Diário de Viseu a 09-11-2022.
Psicóloga Adriana Alves
Psicóloga Clínica RAP / Núcleo de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica Viseu, em colaboração com a UCC Viseense
Iniciaria esta reflexão por relembrar que a violência doméstica é um crime público, e uma realidade preocupante em que as Respostas de Apoio Psicológico (RAP) para crianças e jovens vítimas se traduzem num avanço significativo na prevenção e combate a este flagelo.
As dinâmicas inerentes aos maus tratos em contexto intra-familiar assumem especial gravidade e dano para o bem-estar da criança e do jovem, uma vez que se encontram aumentadas as probabilidades de a violência que sobre elas é exercida evoluir, quer ao nível da gravidade dos atos (danos associados ao aumento da severidade da agressão), como da sua frequência (episódios que vão sendo concretizados em intervalos de tempo cada vez mais curtos). Estes episódios em contexto familiar associam-se a um padrão de violência que tende a replicar-se de forma continuada e repetitiva ao longo do tempo por ocorrer num domínio privado, representando um padrão de funcionamento violento do quotidiano da família. Subsequentemente estão os irreparáveis danos e impacto negativo no bem-estar, crescimento e desenvolvimento da criança e do jovem. Importa referir que se não trabalharmos as famílias, o ciclo não cessa, o que significa que pode ser perpetuado de forma transgeracional. Qualquer criança e jovem envolvidos em seios familiares abusivos são vítimas diretas, conduzindo a inúmeras consequências.
Então de que forma podemos desenvolver esforços para apoiar uma mensagem geral anti violência e implementar práticas capazes de prevenir este problema de saúde pública? Poderemos refletir, consciencializando-nos que todos nós temos um papel ativo neste combate, desmistificando, esclarecendo, apoiando e ajudando.
Todavia, a criança/jovem carece de necessidades fundamentais para o seu integral e saudável desenvolvimento. As crianças/jovens devem ter oportunidade para interagir com os seus pares, desenvolver e estimular as suas áreas de interesse. No desenvolvimento emocional e comportamental pressupõe-se uma vinculação afetiva e segura em relação aos pais, família e outros devendo esta ser assegurada. Só assim a criança e o/a jovem poderão crescer seguros de si, capazes de identificar e regular emoções, bem como, terem maior facilidade em estabelecer relações significativas, desenvolvendo competências ao nível da empatia, capacidade de autocontrolo e resiliência. Uma prevenção primária poderá reunir um conjunto de abordagens que podem evitar a violência ainda antes que ela ocorra. Este problema social não pode ser trabalhado com base no remedeio, antes pelo contrário, devemos prevenir para não remediar!
É importante estar atento aos fatores de risco individuais e agir para modificar esses comportamentos de risco. Influenciar as relações pessoais em prol da criação de ambientes familiares saudáveis, bem como, oferecer apoio profissional para famílias disfuncionais; combater as desigualdades de género e qualquer atitude e prática cultural que se considere prejudicial. Supervisionar locais públicos como escolas, ambientes de trabalho, via pública e agir, para tratar de problemas que possam levar à violência e ainda, e não menos importante, os fatores sociais, económicos e culturais mais amplos que contribuem para a violência, necessitam de alteração e para isso, é crucial investir em medidas que permitam reduzir o abismo naquilo que se considera serem as desigualdades sociais extremas, e só assim garantimos o acesso igualitário a oportunidades, bens e serviços.
Numa perspetiva macro e micro, identifico e sublinho: Educação! A educação é a palavra chave. Educar para a educação! É necessário, em contexto escolar intervir precocemente, é necessário garantir o envolvimento de todas as partes, é urgente que as escolas entendam a importância de se sensibilizar para estas temáticas, oferecendo espaços para o diálogo, para a reflexão conjunta. É premente o investimento nas áreas da formação cívica, da cidadania, do saber ser. A escola não tem e não deve ser só matemática e português. É necessário descobrir potencialidades, explorar áreas de interesse, motivando os alunos para a frequência escolar, para a sua participação e envolvimento cívico, favorecendo inúmeros caminhos. Uma criança ou um jovem feliz, que se sente motivado na escola porque é integrado e aceite, à partida estará bem, feliz. A sensação de bem-estar e a felicidade perspetivam melhores relações entre os pares e comunidade com base no respeito e na positiva comunicação, no desenvolvimento integral e no sucesso educativo. Repito, intervir precocemente em idade pré-escolar. O Núcleo de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica (NAVVD) desloca-se aos estabelecimentos de ensino com o objetivo de desenvolver ações de sensibilização sobre temáticas tão relevantes como a “igualdade de género”, “violência no namoro”, ao mesmo tempo que desafiamos estereótipos e atitudes. Desejaríamos ver o nosso trabalho mais simplificado nesse sentido. Somos todos, sem exceção, responsáveis pelo futuro das humanidades, pelo respeito, pela saúde mental e em última instância, mas fundamental, pela paz. Sabendo que já são efetuadas por várias entidades, identifico como necessidade, a importância de envolver os pais em ações acerca de parentalidade positiva, promoção de competências parentais, continuadamente e, quiçá, implementar vários modelos de escolas para pais, incentivando às boas práticas e tudo o que daí possa advir.! Reforça-se a necessidade do trabalho em equipas multidisciplinares, evidenciando o contributo dos profissionais de saúde. Eles podem e devem esclarecer o seu papel e a importância do seu contributo junto das crianças e dos jovens, desmistificando ideias pré-concebidas.
Não posso ultimar sem concluir onde sustento o envolvimento de todos, as iniciativas para promoção de debates, a (des)construção de ideias, a partilha, o papel da comunicação, a influência dos mídia e a atenção à (des)informação des(adequada). Recordo que, enquanto não nos capacitarmos que o princípio é a educação de todos, continuaremos, certamente, a revitimizar vítimas e, com grandes dificuldades para diminuir esta que, tem sido uma crescente e complexa escalada de violência. As crianças/jovens aprendem quando ouvem, quando leem, quando vêm e mais aprendem quando fazem. Neste seguimento, e para que eles nos possam imitar em comportamentos cívicos, devemos ser o exemplo para que também eles possam vir a dar o exemplo!
Não desacredite nas gerações futuras, caso contrário, estará a desacreditar-se a si próprio!
Enfermeira Soraia Correia
- “Algum dia, todos nós iremos morrer, Snoopy!
- Verdade, mas todos os outros dias, não.”
A palavra paliativo tem origem no verbo paliar, do latim palliare, cobrir com um manto, e palliatus, aliviar sem chegar a curar, aliviar, atenuar. Surgiu assim a expressão cuidados paliativos (CP).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) refere os cuidados paliativos como uma intervenção multidisciplinar que melhora a qualidade de vida dos doentes e famílias, ajuda a enfrentar os problemas associados a doenças que ameaçam a vida, através da prevenção e alívio do sofrimento por meio de identificação precoce, avaliação e tratamento de problemas, físicos, psicossociais e espirituais.
Os Cuidados Paliativos Pediátricos (CPP) pretendem que todos os recém-nascidos (ou mesmo antes de nascer, havendo um diagnóstico pré-natal), crianças e jovens com doença crónica complexa, limitante ou ameaçadora da vida, e as suas famílias, recebam cuidados especializados, dando resposta às suas necessidades desde o diagnóstico até à sua morte e para além dela.
Em idade pediátrica, os CPP são implementados progressivamente e ajustados às necessidades impostas pela doença e seu tratamento, evolução, complicações e limitações, devendo ser individualizados e respeitando o binômio criança/família. Dada a imprevisibilidade e complexidade de cuidados é necessário um acompanhamento multidisciplinar que dê resposta a todas as necessidades aumentando assim a qualidade de vida.
Os CPP devem ser integrados na prestação de cuidados de saúde, articulando entre os cuidados hospitalares, primários e a comunidade, complementando-se entre si e com o objetivo de proporcionar uma vida o mais tranquila possível com uma rotina adequada à idade e capacidade, com inclusão numa sociedade que deve estar preparada para acolher estas crianças e famílias.
Em Portugal, desde 2012 que a Lei n.º 52/2012 reconhece o direito e regulamenta o acesso das pessoas aos CP. Também define a responsabilidade do Estado e a criação da Rede Nacional de Cuidados, sob a alçada do Ministério da Saúde.
O Centro Hospitalar Tondela-Viseu,E.P.E. (CHTV), desde 2018, conta com uma equipa interdisciplinar com profissionais Médicos, Enfermeiros, Psicóloga, Assistente Social, Fisioterapeuta, Terapeuta Ocupacional, Terapeuta da Fala e Professora, que identifica e acompanha crianças com necessidades de CPP, com o intuito de melhorar a resposta de cuidados na região e em formação para futuramente formar uma Equipa Intra-Hospitalar de Suporte de Cuidados Paliativos Pediátricos.
Outubro é o mês dos Cuidados Paliativos. O Dia Internacional para a Consciencialização dos Cuidados Paliativos Pediátricos assinala-se desde 2016 na segunda sexta-feira de outubro, e é promovido pela International Children’s Palliative Care Network (ICPCN) com o objetivo de aumentar a consciencialização sobre os direitos das crianças com o diagnóstico de doença crónica complexa, com necessidade de intervenção de equipas em cuidados paliativos.
Esta iniciativa #HatsOn4CPC consiste em desafiar as pessoas a, neste dia, usarem um chapéu com o objetivo de sensibilizar a sociedade para os milhões de crianças e jovens com necessidades paliativas.
Para assinalar esta data especial, desde 2018, a equipa do CHTV associa-se esta iniciativa. Assim, no próximo dia 14 de outubro, convidamos todos a usar um chapéu pela causa, e desafiamos utentes e profissionais de saúde para, no átrio do Hospital, tirarem uma fotografia com a equipa.
Ainda sobre esta temática, a Equipa de Enfermagem do Serviço de Pediatria-Internamento do CHTV, promove o 2ºEncontro de Saúde Infantil e Pediátrica, no dia 28 de outubro entre as 8h30 e as 17h00 no Auditório desta unidade, também com transmissão online, dando destaque ao tema.
Publicado no Diário de Viseu a 12-10-2022.
Dr.ª Catarina Araújo Rocha
Médica Interna de Saúde Pública, em colaboração com a UCC Viseense
Em setembro de 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU), em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), definiu dezassete Objetivos para um Desenvolvimento Sustentável (ODS), a atingir em 2030. Houve assim um reconhecimento público e global da necessidade de intervenção de todos os países tanto na erradicação da pobreza, como na melhoria da saúde e da educação, na redução de iniquidades e no crescimento económico, a par do combate às alterações climáticas e da preservação dos oceanos e florestas. A sustentabilidade foi, portanto, reconhecida como um desafio transversal às nações e uma questão global de saúde pública.
O crescimento populacional e a melhoria global das condições socioeconómicas levaram a que as questões inerentes à alimentação humana se tornassem um fator determinante para um desenvolvimento sustentável. Assim, as dietas sustentáveis, descritas como “dietas que protegem e respeitam a biodiversidade e os ecossistemas, culturalmente aceitáveis, acessíveis e economicamente justas; nutricionalmente adequadas, seguras e saudáveis; ao mesmo tempo otimizando recursos naturais e humanos” são um desafio para o futuro. Este desafio vai muito além das escolhas alimentares individuais, uma vez que a mudança do atual paradigma alimentar poderá simultaneamente reduzir o impacto ambiental da produção, do consumo, e também reduzir o impacto na saúde que a atual dieta ocidental (a mais proeminente nos dias correntes) adquiriu, contribuindo para um aumento global dos fatores de risco para morbilidade e mortalidade em todo o mundo. A produção alimentar sustentável e, consequentemente, o volume de alimentos produzido e recursos necessários para os produzirem influenciam grandemente a sustentabilidade. Estima-se que, em 2018, os sistemas de agricultura foram responsáveis pela emissão de 44 milhões de toneladas de amónia, estando estas associadas a 537 000 mortes prematuras atribuídas à emissão de partículas finas. Portanto, não é apenas o gado, pela emissão de gás metano e amónia, o único responsável pela poluição ambiental associada à produção alimentar, tendo o tipo de agricultura aplicado grande influência no ambiente.
Por outro lado, existe igualmente o desperdício alimentar e estima-se que cerca de um terço dos alimentos produzidos se estraguem ou sejam desperdiçados. Em Portugal, ao nível doméstico, calcula-se que sejam desperdiçados cerca de 84 kg/capita/ano de alimentos, o que equivalem a cerca de 861 838 toneladas/ano.
Assim, o conceito de alimentação sustentável, para além da alimentação per se, engloba também as componentes social, económica e ambiental, ou seja, tem em consideração a quantidade de água despendida, o bem-estar animal, a segurança alimentar, o local de produção, a sazonalidade dos produtos e as condições de trabalho adequadas.
Todos os anos, o Dia da Sobrecarga da Terra, a data a partir da qual as necessidades pelos recursos ecológicos do planeta excedem a capacidade de regeneração dos ecossistemas, acontece mais cedo. Em 2022, este Dia aconteceu a 28 de julho, significando que desde essa data que vivemos a “crédito” do planeta, vivendo para além da capacidade ecológica do planeta.
O conhecimento, sendo o ponto-chave para a mudança, tem impacto na perceção da realidade e influencia a capacidade de agir. Assim, a literacia da população assume um papel fulcral no cumprimento dos ODS e na generalidade da promoção da sustentabilidade. É necessária uma consciencialização de todas as gerações para estes problemas de modo a colmatar falhas e prevenir o declínio acentuado dos recursos do planeta. É indispensável intervir na comunidade e mobilizá-la para a adoção de hábitos e estilos de vida sustentáveis.
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/sustentabilidade-a-chave-do-nosso-futuro-
Enfermeira Teresa Martins
As árvores já estão desfolhadas nas ruas e o frio está a chegar, o que nos alerta para os seus efeitos negativos, especialmente em condições extremas, tanto no ambiente como na saúde.
O frio intenso pode originar diversos fenómenos com prejuízo para a saúde, como a fraca qualidade do ar no interior das habitações provocada pela necessidade de diminuir a entrada de ar frio, risco de incêndios e intoxicações por monóxido de carbono devido ao uso incorreto ou mau funcionamento das lareiras ou outros sistemas de aquecimento, acidentes rodoviários e quedas devido às alterações do piso.
As temperaturas muito baixas, principalmente quando se mantêm por vários dias seguidos, associadas ao aparecimento de alguns agentes infeciosos durante o outono e inverno, podem alterar o equilíbrio do organismo e facilitar o desenvolvimento de infeções respiratórias agudas, essencialmente devido à maior circulação de vírus como o da gripe, coronavírus, sincicial respiratório, e, que pode ocorrer em simultâneo com outros agentes virais e bacterianos. É ainda frequente a descompensação de doenças crónicas, como a diabetes e a doença cardiovascular.
Nesta época do ano há, ao mesmo tempo, uma maior tendência para concentração de pessoas em locais fechados, tanto nos espaços comerciais como em festividades, o que pode contribuir para a propagação de algumas doenças infeciosas transmissíveis.
Assim, se por um lado os serviços de saúde se devem preparar para responder ao aumento da necessidade de cuidados de saúde, também as pessoas, cada um/a de nós se deve prevenir quer protegendo a sua saúde quer a das pessoas mais vulneráveis como as pessoas idosas, crianças e pessoas com doenças crónicas.
A melhor estratégia no combate às infeções respiratórias é mesmo a prevenção. Existem 4 medidas que se podem por em prática no dia-a-dia para nos proteger:
1. Vacinação - as vacinas constituem a melhor defesa de que dispomos contra infeções respiratórias! A administração, em conjunto, das vacinas contra a COVID-19 e contra a Gripe é efetiva e segura. Está em curso a campanha de vacinação com reforço sazonal do outono-inverno 2022-2023, e tem como objetivo aumentar a proteção da população mais vulnerável durante os meses frios, diminuindo a doença grave, a hospitalização e a morte provocada por estas doenças.
A vacina contra a infeção por Streptococcus pneumoniae, que pode causar pneumonia, está indicada para alguns grupos de pessoas mais vulneráveis.
Recorde-se que a vacinação contra a COVID-19 foi o fator que mudou o curso da resposta à pandemia e permitiu retomar os afetos, o equilíbrio, a educação e o percurso escolar das crianças e jovens, enfim, readquirir a vida social e cultural como a conhecíamos.
2. Medidas básicas de higiene - com a pandemia a população aprendeu a utilizar algumas medidas de saúde pública que neste período devem ser reforçadas. A etiqueta respiratória, cobrindo o nariz e a boca com lenço de papel, ou com o braço (cotovelo) ao tossir e espirrar, colocando-os no lixo depois de utilizados; a lavagem ou desinfeção frequente das mãos pois, além de se transmitirem por gotículas respiratórias e aerossóis, os vírus respiratórios podem ser inoculados também através de contacto das mãos com os olhos, nariz e boca; a limpeza e desinfeção de equipamentos e de superfícies, pois estes podem ficar contaminados quando as pessoas infetadas lhes tocam, tossem, falam ou respiram sobre eles; a ventilação dos espaços, através de arejamento, permite diminuir o risco de transmissão de infeções das vias respiratórias ao reduzir a quantidade de vírus no ar. Esta precaução é sobretudo importante em espaços com aglomerados de pessoas e ganha relevância nas estações frias. Neste período, a probabilidade de contacto próximo com uma pessoa com infeção das vias respiratórias (mesmo que sem sintomas) é elevada. Sempre que possível, deve ser privilegiado o convívio em espaços ao ar livre!
3. Proteção em contextos de risco de exposição a vírus respiratórios - considerando que um dos legados da pandemia Covid-19 reside no facto de mantermos viva uma cultura de segurança, é importante reforçar a adoção de comportamentos que permitam reduzir o risco de contrair e transmitir infeção respiratória. Por isso, quando tiver sintomas respiratórios, principalmente nos primeiros 5 dias, deve ser mantido o distanciamento mínimo de 1,5 metros de outras pessoas, as deslocações devem ser reduzidas ao essencial, evitando-se espaços com aglomerados de pessoas; utilizar máscara, para além de proteger quem a usa, pode ainda proteger os outros, em caso de infeção, para que seja eficaz, a máscara deve ser bem ajustada à face.
4. Recomendações em caso de sintomas sugestivos de infeção - muitas das infeções agudas das vias respiratórias são ligeiras e autolimitadas existem, no entanto, sintomas e situações que justificam uma atuação especial, para as quais devemos estar alerta como, dispneia/dificuldade respiratória; febre persistente com temperatura igual ou superior a 38ºC que não baixa com a medicação ou tosse persistente ou com expetoração; alteração do estado de consciência, expetoração com sangue, incapacidade de se alimentar e hidratar corretamente; vómito persistente ou diarreia grave; pessoas com imunossupressão grave; pessoas com doenças crónicas; recém-nascidos. Nestes casos, deve ser contactado o SNS24 – 808 24 24 24. Pode contactar, em alternativa, a sua Equipa de Saúde Familiar, esta poderá orientar para uma avaliação em cuidados de saúde primários ou em serviço de urgência hospitalar ou ainda, para permanecer em autocuidado no domicílio, prestando as recomendações adequadas a cada situação.
Previna-se e tenha uma família à prova de Inverno!
Publicado no Diário de Viseu a 07-12-2022
Enfermeira Ana Cláudia Santos
Direitos Humanos… uma realidade só ao alcance de alguns!
O Dia Internacional dos Direitos Humanos é comemorado, anualmente, no dia 10 de dezembro, tendo em conta a adoção pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) a 4 de dezembro de 1950. Tem como objetivo sensibilizar a população para a defesa dos Direitos Humanos “(…) independentemente da raça, cor ou religião, do género, da língua, opinião política, da sua origem nacional ou social” (DHDH, 1948).
O artigo 1º da DUDH refere: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.
Os princípios da igualdade e não discriminação estão no centro dos Direitos Humanos. O princípio da igualdade está alinhado com a agenda 2030 e com a abordagem da ONU no âmbito do quadro “Leaving No One Behind: Equality and Non-Discrimination at the Heart of Sustainable Development”: Não Deixar Ninguém Para Trás: Igualdade e Não- Discriminação No Centro do Desenvolvimento Sustentável!
A DUDH estabelece uma série de direitos e liberdades fundamentais extensíveis a todo e qualquer ser humano do planeta. Inclui não só direitos civis e políticos (direito à vida, à liberdade, liberdade de expressão e privacidade), mas também os direitos económicos, sociais e culturais (segurança social, saúde e educação).
“Vinte e sete milhões de pessoas vivem na escravatura — mais do dobro do que no auge do comércio de escravos. E mais de mil milhões de adultos são incapazes de ler. Dada a magnitude das violações dos direitos humanos — e as listadas na secção de Violações dos Direitos Humanos deste site são só uma amostra (…) — não é de surpreender que 90% das pessoas sejam incapazes de nomear mais de três dos seus trinta direitos” (www.unidosparaosdireitoshumanos.com.pt).
No primeiro semestre de 2022 já muitas conquistas foram efetivadas em todo o mundo no que aos Direitos Humanos diz respeito: muitas delas, infelizmente, não são notícias nos meios de comunicação. Na longa campanha da Amnistia Internacional para a abolição global da pena de morte, a Papua Nova Guiné tornou-se no mais recente país a abolir a punição, 30 anos após a sua reintrodução, em 1991; nas Honduras, o Guapinol eight, um grupo de defensores dos direitos da água e prisioneiros de consciência, foram libertados após dois anos e meio de prisão; Dipti Rani Das, uma rapariga de 17 anos da minoria hindu do Bangladesh, foi libertada após ter passado mais de 16 meses detida, na sequência de uma publicação nas redes sociais; na Líbia, Mansour Atti, jornalista, bloguer e chefe do Comité do Crescente Vermelho e da Comissão da Sociedade Civil, foi libertado dez meses após o seu desaparecimento; num passo positivo para o direito à liberdade de expressão na Índia, o Supremo Tribunal do país suspendeu a lei da sedição, com 152 anos; entre muitas outras conquistas em prol dos Direitos da Humanidade.
O compromisso inabalável dos apoiantes da Amnistia Internacional, acérrimos defensores dos Direitos Humanos, é fundamental na luta incansável contra os abusos e violações, incluindo a discriminação, exclusão, opressão e violência. Reclamam o julgamento da injustiça e a clareza na ação dos governos mundiais. Estando ativos em qualquer parte do mundo, colocam, muitas vezes, a sua vida e de familiares em risco por perseguições e ameaças contra a própria integridade. Alguns destes defensores são famosos, tais como: António Guterres, Mahatma Gandhi, Eleanor Roosevelt, Nelson Mandela, Martin Luther King, Jr. entre outros. Contudo, a maioria não o é! São cidadãos comuns, como todos nós, com elevado sentido de responsabilidade social, estando ativos em qualquer parte do mundo!
Qualquer um de nós pode fazer a diferença todos os dias: que sejamos defensores de causas justas, tolerantes, com coragem para denunciar situações que violem o código de conduta da DUDH e respeitemos as diferenças, pois elas são fundamentais para nosso desenvolvimento enquanto seres humanos.
Respeitar a Declaração Universal dos Direitos humanos é um gesto de amor!
Publicado no Jornal do Centro:
Enfermeira Rita Andrade
Quase todos nós já sentimos a cabeça a latejar de dor, os sons amplificados repetitivos em forma de eco, a luz do dia tão brilhante que dói e também podemos sentir como se algo apertasse o crânio.
Quem sofre de enxaqueca sabe o que é ter um dia inteiro afastado das tarefas diárias, com uma vontade de se esconder num quarto fresco e escuro.
Se ter um episódio de enxaqueca é mau, imagine ter vários todos os meses!
As enxaquecas crónicas diferem das enxaquecas típicas, em parte pela frequência com que ocorrem.
Segundo a Associação Portuguesa de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias (MIGRA), a enxaqueca é definida como uma doença neurológica crónica que se caracteriza por episódios de dor moderada a forte, pulsátil ou latejante, e geralmente começa de um só lado da cabeça. É frequentemente acompanhada de náuseas ou vómitos, intolerância à luz, ao ruído e aos cheiros. Esta intensifica-se com o esforço físico ou movimento, o que a torna altamente incapacitante.
Sabia que, a enxaqueca pode ter influência genética? Assim, quando um dos progenitores tem enxaqueca, o risco de um filho ter a doença é de 50%. No caso de ambos os pais terem enxaqueca, o risco sobe para 75%.
Então porque é que temos enxaquecas crónicas? Segundo a Organização Mundial de Saúde, esta doença é a 8ª causa a nível mundial de anos vividos com incapacidade, quando consideradas todas as doenças conhecidas no mundo. É incurável e é um problema de saúde pública. Além de atingir grande percentagem da população, a mesma vai diminuir a qualidade de vida de forma acentuada.
Agora, peço-lhe que pense quantas vezes teve uma enxaqueca, e de todas essas vezes, quantas necessitou ou procurou assistência em saúde?
As enxaquecas podem dividir-se em 4 fases, embora numa crise possam não ocorrer todas:
Na fase inicial as pessoas doentes podem apresentar sintomas neurológicos (tonturas e perturbações da visão), sintomas gerais (cansaço e dores musculares) e alterações do comportamento alimentar (apetência por alimentos específicos e fome).
Fase de aura, caracterizada por perturbações da visão (cintilante e/ou manchas), dormências dos membros e dificuldade em falar.
Fase de cefaleia, é a mais incomodativa, geralmente é unilateral, intensa e latejante quase sempre acompanhada de enjoo (com ou sem vómitos); perda de apetite e intolerância à luz e ao ruído.
Por fim a fase da resolução, uma vez que as crises de enxaqueca são autolimitadas e vão diminuindo de intensidade e acabando por desaparecer, no entanto, nesta fase, a pessoa doente pode ainda manifestar alguns sintomas, como: sensibilidade à luz e aos movimentos da cabeça; cansaço; dificuldade de concentração.
Existem fatores de risco que podem aumentar o aparecimento de enxaquecas crónicas como a obesidade, uso excessivo de medicamentos, asma, maus hábitos de sono, mudança de rotinas, alterações hormonais, como o período menstrual, consumo de álcool ou cafeína, luzes brilhantes, cheiros fortes e sons altos.
Embora a enxaqueca seja uma doença incurável, tem tratamento, este visa eliminar a dor e os restantes sintomas durante as crises, bem como diminuir a frequência das crises e melhorar a qualidade de vida dos doentes.
O tratamento da enxaqueca inclui a toma de medicamentos (tratamento farmacológico) e a implementação de medidas não farmacológicas que ajudam a controlar os fatores que desencadeiam ou agravam as crises.
Algumas medidas não farmacológicas que pode implementar no seu dia a dia:
Pratique um estilo de vida saudável;
Realize exercício físico com regularidade;
Tenha momentos de descanso e relaxamento de forma a evitar a fadiga intensa e o cansaço;
Ingira a quantidade suficiente de água;
Mantenha horários regulares de sono;
Realize uma alimentação saudável, diversificada e equilibrada;
Identifique e evite os fatores “gatilho” responsáveis pelo aparecimento da enxaqueca.
Se sofre de dores de cabeça frequentes, consulte a sua Equipa de Saúde Familiar. Não deixe que a dor de cabeça limite as suas atividades!
Publicado no Diário de Viseu a 21-12-2022
Enfermeiro Diogo Carvalhais
No dia 20 de outubro celebrou-se o Dia Mundial de Combate ao Bullying.
Quando ouvimos a palavra “bully”, associamos a uma criança a ser maltratada fisicamente ou emocionalmente por outra criança, seja pessoalmente ou online. Independentemente de sua forma e feitio, essas experiências podem ser incrivelmente graves e muitas vezes têm efeitos para toda a vida. É inquestionável que as pessoas não têm de se relacionar todas da mesma forma, mas há medidas que todas podem adotar para reduzir o bullying e fazer com que todas se sintam mais incluídas.
Primeiro, é importante reconhecer a diferença entre bullying e uma discussão /confronto, pois podem parecer muito semelhantes. A última ocorre entre duas pessoas que têm o mesmo poder, seja força, tamanho ou intelecto, tratando-se de um caso isolado. O bullying acontece entre alguém que tem mais poder e é mais agressivo do que a pessoa alvo, perpetuado no tempo contra a mesma pessoa pelo mesmo agressor. Um bully (agressor) usa esse poder para: ser mais popular, saber informações embaraçosas, agredir ou controlar a vítima.
Pode ser difícil para os pais ou professores, treinadores, chefes, etc., identificar se alguém é vítima, ou até mesmo agressor, porque muitas vezes ocorre às “escondidas” destes. Por isso torna se útil para colegas/pares saberem quando e como ajudar, se tiverem conhecimento (potenciais testemunhas) de que alguém é vítima de bulliyng.
Infelizmente, o bullying é comum! Segundo o Observatório Nacional de Bullying (ObNB) em 2021, em Portugal, 97,6% dos casos as vítimas e os agressores frequentavam o mesmo estabelecimento de ensino, sendo que em 53,7%, o motivo para o bullying foi o aspeto físico das vítimas e em 48,8% os resultados académicos. A diversidade funcional (24,40%), idade (20,70%), sexo (15,90%), orientação sexual (7,30%), identidade de género (6,10%), nacionalidade (6,10%) e etnia (1,20%), foram as restantes causas de bullying identificadas.
As consequências do bullying, mais frequentes para as vítimas, são a tristeza (61%), ansiedade / nervosismo (58,5%) e vergonha (57,3%). Destas, 11% correram risco de vida, 45,1% necessitaram de apoio psicológico e 22% de tratamento médico. A média de idades de quem sofreu bullying é de 13 anos e a de quem o praticou é de 15.
O bullying pode ocorrer de várias formas, podendo acontecer a qualquer momento e em qualquer contexto:
Bullying físico: bater, chutar, empurrar ou cuspir em alguém; fazer alguém tropeçar intencionalmente, fazendo com que caia (especialmente se estiver a carregar coisas).
Bullying verbal: provocar, ameaçar de danos físicos; insultar, que pode incluir linguagem racista, homofóbica ou outra linguagem ofensiva; gritar e assediar.
O Bullying também se pode basear em relacionamentos abusivos com a vítima: criando rumores sobre alguém; excluindo intencionalmente alguém de uma atividade; ignorando intencionalmente alguém; caluniando outra pessoa.
Relativamente ao Cyberbullying, este refere-se a qualquer bullying que ocorra no mundo digital/redes sociais online. As crianças sabem, desde muito cedo, usar os telemóveis, tablets e computadores, quer sejam ensinadas pelos pais/familiares quer seja através das escolas. Embora se reconheça o benefício destas ferramentas no crescimento e desenvolvimento académico/cognitivo de uma criança, estas também as tornam mais vulnerável ao cyberbullying.
Comportamentos como difamar alguém online, “postar” fotos embaraçosas e assediar alguém nas redes sociais podem ser formas de cyberbullying, tal como criar contas falsas para controlar alguém e/ou usar fotos e conteúdo de alguém, ou fingir ser a pessoa.
De acordo com um estudo publicado, os jovens expostos ao cyberbullying têm um risco 50% maior de ter pensamentos suicidas do que os seus pares. Outro estudo recente mostra que crianças e jovens adultos que sofrem cyberbullying têm duas vezes mais probabilidade de automutilação e ideação suicida.
Seja o bullying ou o cyberbullying, é evidente que têm ambos um grande impacto na saúde mental e no bem-estar de uma criança/jovem, pois estes ainda não têm bem definidos estratégias de como lidar com estas situações, ficando mais propensos a sofrer de perturbações de ansiedade e/ou depressão e dificuldade no âmbito da escola. Sintomas como problemas de sono, alterações de apetite, inquietações emocionais que lhe fazem perder o prazer em atividades que antes lhes traziam felicidade, são sinais evidentes que a criança/jovem precisam de ajuda especializada. No que concerne à ansiedade, esta acontece pelo medo que têm de sofrer bullying a qualquer momento, tornando mais difícil o estabelecimento de relacionamentos com amigos, colegas e professores. Relativamente ao contexto escolar, estas crianças/jovens podem não querer ir à escola ou participar em atividades relacionadas com a escola, como atividades desportivas ou visitas de estudo.
Para além de tudo o descrito anteriormente as crianças/jovens que sofrem bullying podem considerar-se menos dignas, sentindo que outras pessoas são melhores do que elas e que não merecem desfrutar da mesma felicidade e sucesso que outras crianças.
Atenção aos sinais, não pense que só acontece aos outros, nem que os nossos filhos ou filhas são somente vítimas, pois podem até ser bullies!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/CyberBullying-O-lado-negro-da-tecnologia
Dr.ª Patrícia Oliveira, Médica Especialista em Medicina Geral e Familiar
Futura Coordenadora da USF São Teotónio, em colaboração com a UCC Viseense
Enfermeira Emília Rodrigues
Futura Enfermeira da USF São Teotónio, em colaboração com a UCC Viseense
Durante vários anos, verificou-se um esforço acrescido e solidariamente partilhado por todas as Unidades de Saúde Familiar (USF) da cidade de Viseu, na observação de utentes sem médico de família e esporádicos, num sistema de rotatividade. Deste modo, deu-se resposta ao apelo do Agrupamento de Centros de Saúde Dão Lafões, na resolução deste grave problema de acessibilidade a cuidados de saúde.
A proposta inicialmente preconizada para a resolução definitiva desta situação, passaria pelo alargamento do compromisso assistencial de uma USF, a definir, integrando mais um ficheiro clínico. Contudo, devido ao avolumar de utentes sem médico de família (atualmente, cerca de cinco mil), entendeu o ACeS Dão Lafões que seria necessária uma solução mais eficaz, efetiva e duradoura no tempo, que permitisse a estes utentes, a atribuição de um médico de família e respetiva equipa de saúde, em todo o seu conceito e abrangência. Simultaneamente, conclui-se a reconstrução do edifício “Casa das Bocas”, que desde 2016, era a prometida sede para uma nova unidade de saúde.
Assim sendo, está finalmente, prevista a inauguração da USF São Teotónio, para o dia 7 de dezembro de 2022, no edifício “Casa das Bocas”. Esta unidade é composta por cinco equipas de saúde (Médico, Enfermeiro e Assistente Técnico) podendo ser alargada, a pelo menos, mais duas equipas de saúde, se houver necessidade. Acredita-se que a criação desta nova USF irá aumentar os níveis de satisfação dos utentes, dos profissionais diretamente envolvidos, assim como, dos profissionais das restantes USF do concelho e, consequentemente, irá associar-se a ganhos em saúde.
A USF São Teotónio tem como missão proporcionar aos seus utentes a integridade e a qualidade em todas as áreas da atividade e da prestação dos cuidados de saúde, o que inclui a promoção da saúde e a prevenção da doença, responsabilizando os intervenientes-profissionais e utentes na correta utilização dos serviços disponíveis e no cumprimento das regras que regulamentam a acessibilidade, as boas práticas clínicas, segundo as normativas vigentes e a medicina baseada na evidência clínica, tal como o eficiente trabalho em equipa.
A equipa desta Unidade de Saúde, definiu como visão, os seguintes princípios éticos e regras morais: competência e rigor científico, ética, transparência e responsabilidade, capacidade de adaptação, prestação de contas, qualidade, imparcialidade, colaboração, inovação, credibilidade e dedicação, que servem de guia aos comportamentos e atitudes no exercício das suas responsabilidades.
A USF São Teotónio tem como objetivo dar resposta aos utentes da sua área de abrangência, que será todas as freguesias do concelho de Viseu, exceto as freguesias de Silgueiros, Lordosa, Bodiosa, União de Freguesias de Barreiros e Cepões e União das Freguesias de Boa Aldeia, Farminhão e Torredeita, atualmente com resposta assistencial integrada em USF constituídas de Viseu.
O horário de funcionamento será de 2ª a 6ª feira das 8:00 às 20:00h, aos sábados funcionará em regime de alargamento de horário das 9:00 às 13:00h. Encerra aos domingos e feriados.
A marcação de consultas poderá ser realizada pelo utente ou seu cuidador, de forma presencial, na secretaria da USF São Teotónio, telefonicamente ou através da marcação online: e-agenda. As consultas podem, igualmente, ser marcadas por iniciativa do profissional de saúde, médico ou enfermeiro. No dia do agendamento, o utente dirige-se à secretaria para efetivar a sua consulta e será orientado para a respetiva sala de espera.
A USF São Teotónio tem como oferta assistencial, preferencialmente de forma programada: Consulta de Saúde de Adultos; Consulta de Saúde Infantil e Juvenil; Planeamento Familiar; Saúde Materna; Vigilância Oncológica; Consulta de Hipertensão; Consulta de Diabetes; Consulta de Hipocoagulados; Visitas Domiciliárias; Consulta Aberta/Intersubstituição; Consultas de Enfermagem; Vacinação.
A formação desta USF tem como objetivo possibilitar a todos os Viseenses, neste momento, atribuir equipa de saúde familiar, se assim o desejarem.
Para a inscrição, os utentes deverão deslocar-se à USF São Teotónio, situada na rua João Mendes, nº72 (“rua das Bocas”), das 10 às 12 e das 14 as 16 horas de 2ªa ª feira e das 10 às 12 às 6ªs Feiras, com a seguinte documentação:
Utentes com morada em Viseu e nacionalidade portuguesa - Cartão de Cidadão válido;
Utentes com nacionalidade estrangeira – Autorização de residência ou Declaração de emitida pela Câmara Municipal de Viseu, para cidadão europeu.
Esta nova Unidade de Saúde espera corresponder às expetativas dos seus utentes, da sua área de abrangência, relativamente, à prestação dos cuidados de Saúde!
Publicado no Diário de Viseu a 23-11-2022
Enfermeira Teresa Gomes
No passado dia 21 de outubro comemorou-se o Dia Nacional da Luta contra a Dor.
De acordo com a Associação Portuguesa para o Estudo da Dor, na Europa um em cada cinco adultos sofre de dor crónica, sendo que a nível nacional atinge 31% da população. A dor crónica é uma das principais causas de incapacidade a nível mundial, não escolhendo idades, raças, etnias, género ou ideologias. Todos os seres humanos podem sentir dor e muitas vezes esse processo é natural e benéfico, pois torna-se como sinal de alerta sendo uma reação do cérebro a uma ameaça.
Diferente da dor aguda, que acaba quando a lesão desaparece, a dor crónica nem sempre tem uma causa definida e evidente. Ela pode iniciar-se quer a partir de uma lesão no tecido/nervo, quer surgir aparentemente sem motivo, como no caso da fibromialgia.
A Dor é entendida como uma experiência sensorial complexa, que se altera a partir da memória, expectativas e emoções, além de se tratar de uma evidência de alterações da integridade física e/ou emocional das pessoas. Resulta da associação de causas externas e internas tais como: doenças físicas, perturbações mentais e ou emocionais, alterações no meio ambiente onde a pessoa está inserida (família, trabalho, desporto…), alterações sociais ou alterações económicas. A dificuldade para lidar com tantos fatores em simultâneo, desencadeiam o agravamento da dor. A dor crónica pode afetar a pessoa no seu todo, quer a nível físico, psicológico e social, além de provocar sentimentos de incapacidade, incerteza e medo.
As pessoas que vivem com dor crónica beneficiam de uma abordagem multidisciplinar, ou seja, desenvolvida por uma equipa de profissionais da saúde de diferentes áreas, bem como da escolha adequada dos fármacos analgésicos. A existência de cada vez mais doentes com pouca resposta à terapêutica farmacológica e a importância de fatores psicológicos e sociais que afetam a intensidade e frequência da dor, têm vindo a reforçar a importância das intervenções não farmacológicas na gestão e tratamento da dor crónica.
Os tratamentos não farmacológicos (TNF) são uma alternativa terapêutica segura, bem tolerada, tais como: Massagem terapêutica e Exercício Físico, nomeadamente, Pilates, Musicoterapia, Reiki, Acupuntura, Osteopatia, Mesoterapia, entre outras.
É sabido que a dor crónica e as perturbações mentais/psicológicas/emocionais dançam em par, entre si, em que uma agrava a outra, numa espiral crescente de intensidade e frequência, culminado numa dificuldade extrema em obter um tratamento eficiente, com impacto na melhoria da qualidade de vida. As perturbações do sono e a dor têm uma relação bidirecional: se por um lado, as pessoas com dor crónica têm mais dificuldade em dormir, o não dormir bem associa-se ao aumento da intensidade da dor, assim como com a incidência de novas condições associadas a dor crónica. As pessoas com dor crónica sofrem mais frequentemente de perturbações de ansiedade do que de depressão. O desafio do tratamento é aliviar as duas condições simultaneamente, já que uma existe por causa da outra. A saúde mental e o bem-estar são chaves para evitar ou tratar um processo de dor crónica.
Lembre-se que existem várias intervenções através das quais a pessoa com dor crónica pode realizar no seu dia-a-dia: ter uma boa higiene do sono; fazer uma alimentação equilibrada; reduzir o stress; praticar exercício físico com regularidade e adaptado à condição clínica; complementar as terapias farmacológicas com as TNF; participar em dinâmicas de grupo com pessoas com a mesma condição; manter o contato social e realizar atividades extralaborais com que se identifique.
Peça ajuda junto de profissionais de saúde. Ninguém merece viver com Dor!
Publicado no Diário de Viseu a 26-10-2022.
Enfermeira Teresa Martins
Ao longo deste mês a Liga Portuguesa Contra o Cancro promove a campanha Novembro Azul, cujo foco é a consciencialização para a saúde do homem, particularmente na prevenção e diagnóstico precoce do cancro da próstata.
O movimento Novembro Azul surgiu em 2003 em Melbourne, na Austrália, a partir da iniciativa de dois amigos que tiveram a ideia de associar o bigode à sensibilização para a saúde masculina. Com o passar dos anos, a campanha atraiu cada vez mais participantes e espalhou-se, sendo atualmente, assinalada em 21 países. Apesar do símbolo desta campanha ser um bigode azul, também é conhecida como “No-Shave November” que em português pode ser traduzido como “novembro sem barbear”.
Mas esta iniciativa vai mais além da luta contra o cancro da próstata procurando também chamar a atenção para a necessidade de cuidados especiais com a saúde integral do homem, abrangendo temas como as doenças crónicas, por exemplo, a hipertensão, infeções sexualmente transmissíveis e ainda a saúde mental.
As ações desenvolvidas ao longo desta campanha objetivam promover a mudança nos hábitos masculinos, mostrando a importância da vigilância de saúde, através da realização de consultas e exames de rotina, quebrando preconceitos relacionados com determinados exames e estimulando os homens a adotar estilos de vida promotores de saúde e bem-estar.
O cancro da próstata é um dos mais comuns no mundo e é a segunda causa de morte por cancro no homem.
A próstata, ou glândula prostática, é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada em volta da uretra, abaixo da bexiga e em frente ao reto, responsável pela produção de parte do sémen/esperma, tem uma forma semelhante a uma noz e com o avançar da idade, a partir dos 40 anos, apresenta um aumento normal (benigno) de tamanho.
Embora os estudos remetam para alguns fatores associados a um maior risco de vir a desenvolver a doença, aqueles que comprovadamente são fatores de risco para o carcinoma da próstata são: a idade, origem étnica e a hereditariedade. Quando existe um familiar direto com carcinoma da próstata o risco duplica, quando existem dois ou mais familiares diretos diagnosticados, o risco aumenta entre 5 a 11 vezes.
Uma das caraterísticas desta doença é a sua lenta evolução, pelo que os sintomas podem demorar anos até se manifestarem. Podem surgir através de perturbações na micção, como: dor pélvica ou ao urinar; vontade de urinar com frequência ou em pequenas quantidades; incapacidade de urinar ou incontinência urinária e presença de sangue na urina e/ou no sémen. É importante destacar que estes sintomas também podem estar presentes nas doenças benignas da próstata.
A deteção precoce do cancro da próstata pode ser feita através de exames médicos específicos, como sejam a realização de um exame digital (com palpação da próstata através de toque retal) e de uma análise sanguínea a um marcador, o Antígeno Específico da Próstata (PSA). Com estes exames é possível detetar-se a doença antes do aparecimento dos sintomas e confirmar o diagnóstico através de uma biopsia prostática. Quando detetado numa fase inicial, o seu tratamento permite obter uma taxa de cura muito elevada, daí a importância de aconselhamento com a equipa de saúde familiar sobre como fazer este diagnóstico.
Embora existam vantagens na realização do rastreio do cancro da próstata, a partir dos 50 anos, este não deve ser feito indiscriminadamente, é imperativo que se verifique a participação e envolvimento dos cidadãos nas decisões relativas à sua saúde, nomeadamente quando há efeitos adversos ou mais do que uma opção válida para determinada intervenção em saúde.
Muitos homens, com fatores de risco conhecidos, não sofrem de cancro da próstata. Porém, muitos dos que sofrem desta doença, não apresentam qualquer destes fatores de risco, exceto terem mais de 65 anos.
Assim, se pensa que pode apresentar risco aumentado para ter cancro da próstata, deverá discutir essa preocupação com a sua Equipa de Saúde, analisando estratégias para reduzir o risco e estabelecer a necessidade fazer exames regulares.
Cuidar de si é cuidar daqueles que ama, por isso a prevenção é essencial para uma vida plena!
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/Um-homem-forte-e-aquele-que-se-cuida-
Enfermeira Diana Fernandes
O Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis celebra-se anualmente a 8 de novembro nos estados membros da União Europeia com o objetivo de encorajar a alimentação saudável nas crianças e travar o atual crescimento da obesidade infantil na Europa.
Sabe-se que, na União Europeia, metade da população adulta e um quarto das crianças em idade escolar tem excesso de peso e os jovens com excesso de peso tendem a conservá-lo na idade adulta, pelo que se torna cada vez mais premente a sensibilização para estilos de vida saudáveis o mais precocemente possível, pois é na infância que se formam muitos dos nossos padrões de estilo de vida.
No sentido de promovermos uma vida com mais qualidade, tanto a nível físico como mental, todos os gestos contam e é na infância que se moldam comportamentos mais facilmente. As crianças são como pequenas esponjas que absorvem conhecimentos, essencialmente pelo exemplo (bom ou mau), por isso vamos relembrar princípios muito simples para conseguirmos reeducar a sociedade para hábitos de vida mais saudáveis.
Para que se tenha uma alimentação saudável é importante ter em conta a roda dos alimentos e ter noção das proporções que cada grupo alimentar deve representar à mesa. No entanto, é frequente ouvir os pais queixarem-se que os seus filhos não gostam de determinados alimentos e que não conseguem sequer fazê-los experimentar! Saiba que o paladar deve ser educado desde cedo. Estudos indicam que até se ter prazer a comer um determinado alimento, devemos prová-lo cerca de 15 vezes. É fundamental incentivar a criança a experimentar várias texturas, várias formas de cozinhar, várias apresentações e vários alimentos e devemos fazê-lo todos os dias. Tal como os adultos, as crianças nem sempre estão disponíveis hoje, mas amanhã será um novo dia. Para ajudar a criança a comer alimentos mais nutritivos e saudáveis, é essencial adotar estratégias de educação do palato, sem esquecer que é importante que o açúcar não faça parte da rotina alimentar da criança, e que quando ela sentir fome, lhe sejam oferecidos alimentos de elevado valor nutricional. Além disso, o ambiente em que a criança come deve também ser tido em consideração, devendo ser um ambiente tranquilo e agradável, sem barulho ou confusão e sem recurso a nenhum tipo de tecnologia.
Outra questão que por vezes os pais colocam é a frequência de refeições diárias. De acordo com a DGS as crianças deverão realizar 5 a 6 refeições diárias, em intervalos regulares.
Vamos dar lhe algumas dicas de forma sintetizada para o ajudar:
Reduza a quantidade de açucares e sal;
Ofereça o alimento mais do que uma vez;
Apresente os mesmos alimentos de maneira diferente;
Deixe-os comer sozinhos e explorar os alimentos:
Não se esqueça de oferecer água ao longo do dia;
Faça refeições em intervalos regulares e se possível sempre à mesma hora para criar rotinas;
Proporcione um ambiente calmo e tranquilo;
Ensine pelo exemplo.
Está na hora de agir e mudar comportamentos para sermos mais saudáveis, felizes, e viver mais anos com qualidade. Só depende de cada um de nós!
Publicado no Diário de Viseu a 09-11-2022.
Enfermeiro Filipe Carreira
O Natal é considerado uma época especial, de música, alegria, animação, reunião, reencontros, em que a famílias e amigos se juntam e celebram esta data. São dias de mesa “farta” que nos levam a ingerir uma quantidade excessiva de alimentos (uns mais saudáveis, outros nem por isso), e em que ouvimos muitas vezes: “só mais um! No próximo ano faço dieta!”
Agora que o Natal já passou e o novo ano está a chegar, e apesar dos “pecados alimentares” que possamos ter cometido nesta época ou que possamos cometer noutros dias festivos, é importante que cada um identifique o que pode implementar no seu dia-a-dia para que, sem qualquer “peso na consciência”, de vez em quando, possa “pecar”, e ao mesmo tempo manter-se saudável.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), saúde é “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Ou seja, ser saudável não é apenas a ausência de doença, mas essencialmente o bem-estar físico e mental do indivíduo.
Podemos considerar que um dos maiores desejos das pessoas para o ano novo é “ter saúde”. Afinal, sem saúde a vida não tem o mesmo significado. O melhor caminho para se sentir feliz, enérgico e saudável no futuro é ter uma vida feliz, enérgica e saudável no presente.
O estilo de vida, a má alimentação, o stress, o sedentarismo, as dependências, entre outros fatores, contribuem para agudizar os problemas de saúde, tais como a diabetes e a hipertensão arterial, muito associadas aos hábitos das populações modernas.
Mudar hábitos não é fácil, e não se pretende que, de um dia para o outro, crie um plano intensivo de mudança radical, mas que haja um equilíbrio entre o que é saudável e o que é menos saudável, adequado aos objetivos e às preferências individuais.
Quando falamos de hábitos de vida saudáveis, temos sempre de associar a alimentação saudável ao exercício físico.
A roda dos alimentos é uma representação gráfica de um guia que nos orienta na escolha e combinação dos alimentos que devem fazer parte da nossa alimentação diária, identificando os alimentos que devem estar presentes em maior quantidade e os que devem estar em menor quantidade. Em resumo, traduz-se numa alimentação variada e equilibrada.
Sabe-se que, em Portugal, os hábitos alimentares inadequados são o terceiro principal fator de risco que mais contribui para a diminuição do total de anos de vida saudável, relacionado com doenças metabólicas, doenças do aparelho circulatório e neoplasias, pelo que ainda há muito para se trabalhar na promoção da alimentação saudável.
No que concerne à atividade física e ao exercício físico, manter o corpo em movimento é fundamental para ter uma boa qualidade de vida, prevenir doenças, contribuir para uma melhor qualidade de sono e promover um bom estado de saúde física e mental. Consoante o seu dia-a-dia, para além das atividades que promovam o movimento (limpar a casa, brincar com filhos/netos, passear o animal de estimação, entre outras), deve programar atividade, com movimentos executados de forma planeada e com objetivos específicos, constantes, adaptados às preferências e capacidades individuais e realizados com acompanhamento de profissionais especializados.
Os benefícios de uma vida saudável devem ser um objetivo a alcançar por todos, pelo que, neste novo ano, devemos apostar em nós! Aposte em si e na sua saúde!
“Não Acrescente dias à sua vida, mas vida aos seus dias” Harry Benjamin
Publicado no Jornal do Centro:
https://www.jornaldocentro.pt/noticias/colunistas/aposte-na-sua-saude-