Exposição "MATERNITAS: espelhamentos, apagamentos e interrupções", com Alessandra Baldissarelli Bremm
Exposição "MATERNITAS: espelhamentos, apagamentos e interrupções", com Alessandra Baldissarelli Bremm
Quando: de 01 a 31 de agosto de 2025
Onde: Galeria de Artes do Centro Municipal de Cultura Dr. Henrique ordovás Filho
Visitação: segundas, das 9h às 16h; terças a sextas, das 9h às 22h; finais de semana e feriados, das 14h às 22h
Respeitando a classificação indicativa regulamentada pela Secretaria Nacional da Justiça, esta exposição tem Classificação Indicativa Livre.
A partir de materiais como vidro, acetato e tecidos translúcidos, suas obras tensionam as camadas simbólicas do maternar. Esses materiais não operam apenas como suporte visual, mas como parte do discurso: espelham, apagam ou interrompem a figura materna, revelando o quanto essa presença pode ser ambígua, fragmentada e invisibilizada socialmente. Essa materialidade das obras cria um espaço onde o público também é convidado a se espelhar nesse universo, que, embora aparentemente íntimo e privado, fala do comum, do plural.
O título da mostra resgata a etimologia da palavra maternidade: do latim mater (mãe) + -nitas (qualidade ou estado), como ponto de partida para refletir sobre as múltiplas formas de ser mãe na contemporaneidade. Longe de uma abordagem idealizada, Alessandra propõe uma cartografia sensível das maternidades possíveis, muitas vezes vividas na interseção entre o íntimo e o político. Seu trabalho rompe com os modelos tradicionais que associam a maternidade ao silêncio, à abnegação e ao confinamento doméstico.
Nas obras, a figura da mãe-artista aparece como corpo presente, agente de deslocamento e criação. Alessandra inscreve-se nas imagens ao lado de outras mães, em geral, mulheres de seu convívio, e habita os espaços cotidianos com uma atenção expandida: trata-se de tornar visível aquilo que, por tanto tempo, foi vivido no privado. Esses espaços são pensados como ambientes em fluxo, permeados por camadas culturais, afetivas e sociais que moldam, tensionam e reinventam a experiência do maternar.
Um eixo central da exposição é o protagonismo do corpo materno, entendido aqui como corpo em resistência. Não o corpo dócil ou romantizado da iconografia tradicional, criada por homens artistas que cristalizaram a figura da mãe devotada, passiva, cuja subjetividade se apaga em nome de um ideal de maternidade. Mas um corpo em trânsito, inquieto e em transformação contínua, que cria e não cessa de se reinventar. Um corpo que desestabiliza e desafia não apenas as idealizações e a romantização da maternidade, mas também as narrativas patriarcais que historicamente excluíram as mães do campo da criação artística.
Maternitas se inscreve, assim, na contramão do apagamento simbólico e institucional da maternidade nas artes visuais. Afirma-se como gesto político e poético: a maternidade não como obstáculo, mas como força criadora, um estado expandido que atravessa a produção estética, reinventa linguagens e propõe outras formas de habitar o mundo. Um convite à reflexão sobre como olhamos, coexistimos, narramos e representamos as mães no mundo contemporâneo.
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