Em geral, essa espécie de peixe não é migratória, ou seja, não participa da piracema. Por conta dessa característica também podem ser considerados sedentários. No entanto, nos rios onde vivem, a reprodução ocorre durante a estação chuvosa, por ampliar o ambiente, propiciando alimento e abrigo para os peixes . A reprodução em reservatórios como represas e as lagoas podem ocorrer várias vezes por ano, pois os níveis de água são mais controlados e não há inundações.
Além disso, atingem a maturidade sexual com 1 ano de idade, em cada postura, o tucunaré-pinima produz de 10.000 a 12.000 óvulos e o tucunaré comum, de 30.000 a 45.000, o que varia de acordo com a idade da fêmea na época reprodutiva. O início da estação reprodutiva de Cichla é marcado por uma saliência occipital gorda comumente conhecida como "gibão" nos machos. Espera-se que os machos selecionem as fêmeas que podem produzir mais descendentes e as fêmeas selecionem os machos que são mais capazes de defender o território e se reproduzir. Observou-se que os machos dominam a maior categoria reprodutiva, sugerindo ainda que estes podem ser mais longos que as fêmeas. Evidências sugerem que machos maiores preferem fêmeas maiores e vice-versa.
O macho corteja a fêmea da seguinte forma, começa a circular as fêmeas diversas vezes, forçando-as a se aproximarem do local de postura escolhido. Isso acontece até que ele consiga que uma delas aceite e fique com ele, formando assim um par. Eles então protegem espantando outros peixes para longe de seus locais de desova escolhidos, então macho constrói o ninho com a boca e nadadeiras, começando sua construção antes da desova e terminando-o após o final da postura, constroem em ambientes mais calmos como fundo de lagos, remansos de rios e embaixo de troncos submersos, realiza as desovas e permanecem para cuidar de sua prole. O instinto de proteção entre pais e filhos, é dar a própria vida pelos filhotes, apesar de não ser comum entre os peixes, esse hábito está presente na reprodução do tucunaré. Por esse instinto protetor, o índice de sobrevivência dos alevinos são maiores.
O processo de desova dura cerca de 1 a 2,5 horas, até que sejam desovados todos os ovócitos maduros. Após a fertilização, os pais se revezam cuidando do ninho. As larvas eclodem de 2-4 dias após a fertilização, dependendo da temperatura da água. Ao nascer, as larvas são sugadas pela boca e colocadas no ninho em um processo contínuo que pode durar aproximadamente horas. Se perturbado, o casal pode mover as larvas ou até mesmo deixar o ninho. As larvas crescem rapidamente e em 3-6 dias consomem quase todo o conteúdo da gema e começam a comer pequenos crustáceos e codornas, sempre começando a nadar sob a proteção de seus pais.
Curiosidade: por todo o igarapé, encontram-se várias áreas alagadas e vegetações aquáticas. Esses lagos juntos, funcionam como uma maternidade e berçário, para várias espécies de peixes, inclusive o tucunaré.
COSTA, Alan. 16 Tipos de Tucunarés: alimentação, reprodução, habitat e informações, 2022. Disponível em: https://blogdopescador.com/tipos-de-tucunares/#Alimentacao_dos_tucunares. Acesso em: 28 de nov. 2022.
HORIE, Cesar Augusto Chirosa. Biologia Reprodutiva e estrutura da população do Tucunaré Cichla vazzoleri (Percuformes: Cichlidae) no reservatório da Hidrelétrica de Balbina, Amazonas, Brasil. Disponível em:https://repositorio.inpa.gov.br/bitstream/1/11269/1/Disserta%C3%A7%C3%A3o_Cesar%20Augusto%20Chirosa%20Horie.pdf. 27 de nov. de 2022.
PISCICULTURA, Colpani. Criação de Tucunarés, 2020. Disponível em:https://www.grupoaguasclaras.com.br/criacao-de-tucunares. Acesso em: 28 de nov. 2022.
Acadêmicos: Ana Carolina Rosa, Emerson Araújo, Isabela Bonavigo e Patrícia Ferreira